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Do Líbano ao Brasil: A felicidade está na simplicidade

História de: MESSARA EL KADRI
Autor:
Publicado em: 01/09/2020

Sinopse

Messara que veio criança no Líbano lembra das felicidades na sua vida, desde quando trabalhou numa fábrica de tecidos com 14 anos, se casou com 17 anos, e cuidou com seu marido de um pequeno armazém, conta da sua imigração para o Paraná, do nascimento dos seus filhos, das queimas de café na época de Getúlio Vargas e das longas noites de jogo de baralho com suas amigas. Em uma pequena entrevista temos um recorte de uma longa vida de 93 anos.

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História completa

O meu nome é Messara, que era o nome de uma rainha, eu nasci no Líbano em 1926, quando eu tinha apenas 2 anos de idade, meus pais por causa de uma crise eles decidiram pra mudar pro Brasil para cidade de Cajobi. Nós éramos em muitos irmãos, meu pai era muito trabalhador e nós fomos para Araçatuba, ele era mascate, O meu pai sempre valorizou o estudo e por isso eu estudava, no começo os brasileiros zoavam um pouco a gente porque não falávamos direito o idioma, depois que aprendemos começamos a nos virar.  Mas como a situação não era muito fácil, eu comecei a trabalhar também. Eu trabalhava em uma fiação de seda junto com minha irmã nessa pequena fábrica de tecidos.

Quando eu tinha 17 anos eu saí da fábrica para casar, não foi um casamento pomposo com camelo e nada disso, foi um casmento simples, mas que durou muito, um casamento feliz, como meu pai sugeriu que eu deveria casar com ele,  lembro que fui feliz nessa história. Ele era um moço libanês que era conhecido da família, nesse momento viramos família também eu fui morar na casa dele. O meu marido lá no Líbano ele era pastor de ovelhas e ele contava muitas histórias depois que nós casamos. Aqui no Brasil ele tinha um armazém o "Secos e Molhados" e assim nós fizemos o nosso pé de meia. Um pé de meia e mais 3 filhos. Então eu trabalhava no lar pra criar os filhos, e buscava ajudar o marido. Eu lembro que mais ou menos nesse período no tempo do Getúlio Vargas, a gente ouvia falar que estavam queimando café, eu via isso acontecer de jogarem carregamentos de comida fora, não era uma coisa de lenda, eu vía.

Nós fomos embora mudar para o Paraná em 1953 e estávamos bem de situação financeira, mas então deu uma geada e a gente perdeu tudo, ficamos até com dívida e nós mudamos de novo pra Santa Isabel do Ivaí e nessa cidadezinha eu abri uma sorveteria. Com 8 anos de idade eu já havia aprendido a cozinhar com minha mãe, porque ela tinha um monte de filho e ali naquele fogão a lenha eu tinha que ajudar, vinda do Líbano, pessoa simples, claro que aprendi a cozinhar desde pequena, então quando eu abri essa sorveteria tinha só um livro lá com as receitas e eu conseguia fazer todos os sorvetes. E com o leite que vinha num galão de 50 litros, eu além de fazer sorvete, fazia queijo, coalhada, e nossa quanto trabalho, eu sozinha numa sorveteria e mais 4 filhos e fiquei nessa vida até ir pra Marumbi.

Lá em Marumbi os homens ficavam jogando baralho a noite e as mulheres estouravam pipoca. E como o frio era terrível, nós esquentávamos  brasas e púnhamos na bacia ficava todo mundo em volta das brasas comendo pipoca, as meninas torravam o café e em volta daquelas brasas com as histórias o frio ia embora. A gente também tinha um lampião que emprestava pro circo e as crianças podiam entrar de graça, mas elas gostavam mesmo era de entrar por debaixo da lona.

 Nós viemos pro interior de São Paulo porque minha filha veio estudar aqui e queríamos ficar perto, então viemos todos. Uma coisa que eu lembro muito era essa coisa da radio-novela, a gente arrumava a casa ouvindo essas novelas e as lágrimas limpavam o chão, é uma coisa gostosa de se lembrar, que ás vezes a gente acaba esquecendo. Essas coisas de lembrar da vida é diferente, essas pequenas coisas que acabam marcando a gente.

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