Busca avançada



Criar

História

Do interior para o mundo

História de: Paulo Renato Canineu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/03/2016

Sinopse

Paulo Renato Canineu, nascido no dia 15 de outubro de 1949, em Sorocaba (SP), inicia a sua história de vida contando a história de sua família, de um lado italiana e do outro brasileira. Relembra uma infância com um contato muito próximo com sua família e a grande paixão pelo futebol. Narra sua trajetória escolar e sua experiência como intercambista nos EUA pelo AFS, período que o marcou e mudou sua concepção de mundo. Formou-se em medicina pela PUC Sorocaba [Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba] e além de médico também é professor. Casado, Paulo tem 12 filhos e quase todos foram intercambistas pelo AFS, também teve a experiência de ser pai hospedeiro.  

Tags

História completa

O meu nome é Paulo Renato Canineu. Eu nasci em Sorocaba em 15 de outubro de 1949, portanto, atualmente tenho 66 anos de uma vida bem vivida. Meu pai era Paulo Canineu, minha mãe Maria Benedicta da Silva Canineu. Eu não me conformava de não me chamar Paulo Canineu Filho porque eu queria o nome do meu pai (risos). E daí eu descobri mais tarde e passei a realmente apreciar muito mais o meu nome que a minha mãe colocou Renato, porque Renato é renascido. No entanto depois que meu pai se foi, faleceu alguns anos atrás, eu virei Paulo Canineu, então hoje eu sou Paulo Canineu.

Eu sempre morei em Sorocaba. Eu morei na minha primeira infância desde os cinco anos em frente ao mercado municipal. Eu lembro de muito movimento, muito barulho de madrugada quando chegavam e descarregavam as cargas. Lembro da minha casa, uma casa que era bastante comprida, tinha um corredor largo que eu jogava futebol junto com meu pai, sempre foi uma paixão o futebol. E tinha no final da casa uma parreira da qual a gente usufruiu muita uva vermelha. E tínhamos dois cachorros também, sempre os cachorros estiveram na minha vida.

A gente tinha uma tradição muito importante, foram muitos anos na minha vida, todo dia 31 de dezembro, isso eu lembro da minha infância, adolescência e até juventude, que era a tradição dos meus pais reunirem alguns amigos mais próximos, alguns parentes e nós crianças e passávamos a noite conversando, brindando e numa alegria muito intensa. Isso marcou muito a vida, tanto é que a gente transferiu agora para a nossa família esse mesmo costume.

Estudei quatro anos na escola tradicional lá de Sorocaba, Instituto Júlio Prestes, e fui um aluno regular, não fui ruim, não fui bom porque especialmente dos 12 aos 14 anos a minha grande paixão foi o futebol, eu queria ser um jogador de futebol. E jogava bem. Eu jogava num time, tive a oportunidade de até crescer. Mas ou se estudava ou não estudava. Logicamente, a força era para eu estudar. No segundo colegial fiz a minha aplicação para o American Field, pro AFS, fui selecionado e em julho, começo de agosto de 67 [1967] deixei o colegial e fui pros Estados Unidos. Essa foi a trajetória, mas mesmo depois sabendo que eu não ia ser jogador de futebol, eu nunca me afastei dos campos, da prática e de fazer um grande empenho, isso eu transferi também pra minha família, pros meus filhos mais tarde.

Eu lembro que o dia que eu cheguei eu não entendia nada, eu cheguei uma noite que eles me pegaram lá em Iowa, em Des Moines, nós fomos jantar. Eu lembro até hoje que eu comi um frango encapado, acho que à milanesa, eu nunca tinha comido. E eles falavam e eu pescando, embora tivesse estudado inglês, mas era difícil. Daí fomos pra casa, uma casa simples dentro de uma pequena fazenda escura e fiquei no quarto com meu irmão. Lembro também que fui tomar banho, lá não se tinha tanto o hábito do banho tão frequente quanto aqui porque é um lugar frio e não tinha chuveiro, era uma banheira (risos), tomei um ano de banho de banheira sem a oportunidade do chuveiro. Mas foi uma vida muito intensa, tanto de família quanto escola porque a gente tinha uma ideia diferente de Estados Unidos, agora chegando lá é a real. A ideia da gente era dos filmes e lá o real é bem diferente. Era uma família de cinco pessoas, depois eu, seis, já tinha uma casada, então éramos minha irmã americana, meu irmão americano, os pais e eu. E todos trabalhavam. Participei o ano todo, eu tenho um calo aqui que é desde 1967, 68, porque era uma fazenda pequena. E logo em seguida, acho que um dia ou dois depois eu já fui ter contato com a escola. Como eu tinha preenchido os papéis, as características, é muito bem feito, eu tinha habilidades com esporte, eu lembro que o dia que a gente foi, era uma tarde, o time de futebol americano já estava no preparo antes de começar a aula. Eles sabiam que eu chutava. Eu sempre tive habilidade esportiva, principalmente com a minha perna esquerda, chutando forte. E daí eles pediram para eu mostrar se eu sabia, como eu chutava. Primeiro eles chutavam com o bico do pé, que é uma coisa que aqui no Brasil pra jogar futebol, o bico não é uma habilidade, eu chutava de lado. E quando eu chutei a bola com menos de dois metros de distância, praticamente dando um passo, chutar e consegui colocar a bola mais de 20 jardas pra frente eles ficaram entusiasmados. E isso foi uma das coisas que mais me ajudou na adaptação à vida americana, principalmente à comunidade.

Nos Estados Unidos, nesse ano que eu fiquei “sozinho”, pensei bastante, li alguma coisa e consolidou [a] vontade de fazer Medicina. Sorocaba tem uma faculdade de Medicina que é da PUC [Pontifícia Universidade Católica] aqui de São Paulo e a primeira faculdade de Medicina do interior do Brasil, uma faculdade muito tradicional. E lá eu fiz a minha carreira de estudante, depois continuei como docente, hoje eu continuo sendo docente. Eu entrei em 70 [1970], estudei até o final de 75 [1975], fui contratado já em 76 [1976], fiz minha especialização em Farmacologia aqui em São Paulo, em Cardiologia e continuei como professor até hoje. Durante 27 anos lá em Sorocaba professor de Farmacologia e nos últimos 11 a 12 anos como professor de Gerontologia às quintas-feiras aqui em São Paulo, na Monte Alegre. Essa foi minha trajetória e que continua em plena luta.

O meu primeiro filhos não foi intercambista, é o único [dos 12] que não foi porque ele jogava futebol e no fim ele está nos Estados Unidos há 18 anos. A Paola, segunda, foi para a República Tcheca, foi o primeiro ano que houve a abertura da velha Tchecoslováquia. O terceiro foi pra Alemanha, depois a quarta pro Canadá, daí o quinto para os Estados Unidos, o sexto para os Estados Unidos, o sétimo pra Noruega, o oitavo pros Estados Unidos, a nona foi pra África do Sul, a décima, décima primeira e décima segunda Estados Unidos.

[O AFS mudou minha vida] muito porque eu acho que abriu as portas. Foi através dessa experiência propiciada pelo AFS aos 17 anos de idade, um menino do interior, estudante, com ideias não tão amplas ir de repente para um outro país, olhar a vida de forma diferente, ter uma orientação também, que o AFS sempre fez bem. 

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+