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História

Do frio pro Brasil

História de: Benjamin Gleason
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/02/2017

Sinopse

Nascido em 1977 no estado norte-americano de Wisconsin, Benjamin Gleason conta sobre sua infância e adolescência no país, lembrando-se do frio e da neve, onde gostava de brincar, e dos esportes, os quais praticou até o fim da escola. Durante a faculdade, Benjamin fez uma série de viagens, uma das quais conhecendo o Brasil. Após morar no Rio de Janeiro por duas vezes fazendo um trbalho em uma ONG na Rocinha, decide viver no Brasil. Desde 2012 desenvolve em parceria com um amigo o GuiaBolso, um aplicativo de auxílio para controle das finanças e do consumo. 

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História completa

Nasci em novembro de 1977, no estado de Winsconsin, em Madison, que fica no meio dos Estados Unidos. É uma região bastante fria, então em novembro, quando nasci, já estava bastante frio. Minha mãe, Cindy, é super ligada a crianças, ela é aquela professora que você imagina sempre com boa vontade, querendo ajudar, super apoio do lado emocional e tudo mais. Já o meu pai, Neal,  é o contrário, super analítico, ligado a números, ligado a lógica.

Madison é uma cidade bem tranquila, então, dava para andar de bicicleta até o parque e aí, ficar jogando, meus pais não tinham que se preocupar muito, então acho que isso dava bastante liberdade para poder se divertir e brincar fora. Foi antes da época de tudo ser eletrônico e ter que ser automatizado com o videogame, para brincar, a gente inventava muita coisa e eu também, desde os onze anos de idade, comecei a trabalhar, eu entregava jornal de casa em casa. Então desde cedo, eu tinha vários trabalhos, trabalhei em restaurante como garçom, e tal, então por um lado, eu trabalhava, por outro lado, tinha um pouco de dinheiro próprio, então isso também me dava mais liberdade. Lembro de muito frio, de toda vez ao sair de casa no inverno ter que botar dezoito níveis de roupas e tudo mais. Eu me divertia bastante brincando na neve, então foi, realmente, algo marcante. Chegava a acumular mais de um metro quando nevava, então dava para fazer tuneis e tudo mais, mas também depois, quando fiquei um pouco mais velho, era muito chato ter que lidar com tanta neve. Eu tinha que tirar a neve de onde a gente estacionava o carro e tudo mais, às vezes, depois de nevar bastante, tinha que passar duas horas tirando a neve no frio. Decidi que nunca mais queria morar num lugar frio, inclusive, quando eu tinha dezoito anos, fui pela primeira vez durante o inverno para um lugar quente, aí achei uma maravilha poder sair de lá no meio do frio e ir para um lugar quente, falei que nunca mais iria passar um inverno todo lá, e realmente nunca mais passei um inverno lá nos Estados Unidos, no frio. Sou muito mais ligado ao calor, hoje em dia. Mas o meu pai sempre brinca que conseguir sobreviver a esse tipo de frio, de dificuldades, constrói o caráter, essa é a brincadeira dele.

Na infância a gente jogava todo tipo de esporte: futebol, baseball, futebol americano, bolling, quase sem parar, isso acho que era o que mais fazia durante horas no verão e tudo mais. Também teve a época em que saíram os filmes em VHS, esse formato que era uma novidade incrível, a gente ia para a lojinha, para alugar, depois voltava e assistia em casa, coisa que acho que marcou uma época. Outra coisa que acho bem engraçado, eu sempre queria comprar cards de baseball com as figurinhas e tal. Então, todo o dinheiro que eu tinha durante uma época, eu comprava essas cartas e tudo mais e eu lembro que eu queria muito comprar umas cards novas que tinham saído e o meu pai falava que não podia, que tinha que esperar, que ele era muito de ensinar a valorizar as coisas, economizar.

Acabei ganhando uma bolsa completa para a faculdade na minha cidade, a Universidade de Winsconsin, e meu pai falou: “Bom, entre essas faculdades conceituadas que custam 30 mil dólares por ano ou a faculdade aqui na nossa cidade que vai sair de graça, totalmente de graça, pronto, resolveu”. Fiquei bem chateado na época, porque eu achava que não tinha que tomar essa decisão só por quanto se pagava na hora, porque depois se paga uma boa faculdade, então fiquei um pouco chateado, mas olhando para trás agora, o que me deu de beneficio, como eu não estava pagando nada pela faculdade, tudo o que eu tinha conseguido poupar trabalhando, tinha ainda no banco, então não tinha que ficar pagando contas do mesmo nível.  Por conta disso, acabei passando um ano no Chile durante a faculdade, fiz um ano de intercâmbio, tive essa flexibilidade de fazer, em todas as férias, eu viajava para algum país da América Latina, então em vez de usar o meu dinheiro pagando uma faculdade, eu acabei fazendo viagens que impactaram muito onde eu estou hoje e que até foi o meu primeiro contato com o Brasil.

Comecei primeiro em Chicago, fui contratado por uma empresa que fazia consultoria financeira, principalmente lá nos Estados Unidos, mas como tinham me contratado porque eu falava português, meu chefe era brasileiro, a gente olhava muitos projetos aqui no Brasil e eu consegui vir para cá. O meu primeiro projeto foi com a Companhia Brasileira de Alumínio, que pertence ao Grupo Votorantim. Outra coisa que marcou bastante que foi a minha primeira experiência profissional aqui no Brasil foi como é tão importante se dar bem no trabalho, dividir um pouco da vida pessoal com outras pessoas. É bem diferente dos Estados Unidos, é muito ligado a fatos, a apresentações, é um pouco mais seco. Aqui, realmente, até o meu cliente fazia questão que eu curtisse aqui, então, acabei indo com o meu cliente e a esposa dele para o Guarujá, me levaram um final de semana, me levaram para comer moqueca, para vários lugares típicos e tudo mais e até tive uma história engraçada, que o CEO da empresa me chamou para um happy hour, porque ele queria entender mais no que eu estava trabalhando e tudo mais. E nos Estados Unidos happy hour é das cinco às seis da tarde, então eu imaginava que fosse algo assim e chegou às cinco horas, ele não veio falar comigo, seis horas, sete horas, oito horas, falei: “Acho que ele foi embora e não deve ter rolado hoje”, e às nove da noite, ele chegou: “Vamos?”, falei: “Como assim, né?”, e nos Estados Unidos, você toma duas cervejas e vai para a casa e aqui, eu descobri que você pode tomar chope por três horas e a gente acabou bebendo, tudo mais, ele me contou da vida dele, o divórcio dele, tudo mais, falei: “Nossa, bem diferente”, mas eu curti muito esse lado assim, mais humano da vida profissional.

Em um verão eu tive uma experiência bem legal, que foi trabalhar três semanas com uma ONG na Rocinha. Então, acabei organizando um projeto em que levei dois alunos, um era africano e outro era dominicano, fomos lá para ficar na Rocinha, ajudando uma ONG que chama Instituto Dois Irmãos. Foi uma experiência super interessante, acho que totalmente diferente de qualquer outra coisa que eu já tinha feito, a gente ficou no meio do morro, na casa de uma família  que alugava um quarto. Até o diretor da ONG desceu o morro para nos pegar lá em São Conrado e a gente subiu com mala e tudo mais, subindo o morro. E realmente, é outro mundo. Peguei assim, acho que alguma coisa, de agir e tudo mais, conheci muitas pessoas bacanas e até isso depois foi algo que eu repeti num outro momento passando mais tempo lá, mas foi uma experiência acho que muito legal.

Depois morei por três meses na Rocinha com a mesma ONG, ajudando mais a parte de gestão, de deixar mais sustentável, realmente, ensinar um pouco mais de organização e de ser sustentável, de levantar dinheiro e aí, tomei a decisão de optar por uma startup. Comecei a conversar de novo com o Thiago, um amigo com quem já havia trabalhado, e a gente olhou o que a gente conseguiria fazer de diferente usando tecnologia, para não ser igual a mais um banco, mais uma financeira. E aí, a gente começou o GuiaBolso em 2012, com essa ideia de vamos resolver esse problema do consumidor, se a gente resolver esse problema, vamos ter negócio. A gente viu que o primeiro problema base das pessoas é a falta de controle das finanças, então uma dificuldade de saber quanto entra, renda todo mês e quanto sai em gastos todo mês, inclusive a gente viu que as pessoas superestimam a renda em 8%. Então, o quanto efetivamente cai no bolso líquido, as pessoas acabam achando que vai cair mais, então quando fazem o orçamento, assumindo que vaio entrar mais, qualquer diferença nos gastos já faz com que a pessoa fique negativo e acabe tendo problemas com o cheque especial e tudo mais. Então, o primeiro foco foi criar uma solução para automatizar o controle financeiro, a gente gastou muito tempo trabalhando nessa questão do produto em si, e lançamos em abril de 2014 o site. Depois, em julho de 2014, o aplicativo de iPhone.

Eu acho que o mais marcante daquela época foi quando eu, pessoalmente, senti que realmente ia dar certo. Até hoje, temos um único aplicativo automático, ele se conecta com a conta bancaria do usuário, puxa todas as transações, então, extratos da conta corrente, do cartão de credito, os investimentos, todas as dividas e organiza no aplicativo. Então, a primeira vez que a pessoa tem uma visão completa de quanto entra, quanto sai, como está gastando, como pode melhorar os gastos. Essa é a coisa que acho que mais nos orgulha do GuiaBolso, de conseguir medir o impacto que tem na vida das pessoas. Então, quem entra no aplicativo a primeira vez, a gente puxa três meses de gastos histórico daquela pessoa, de todas as finanças, a gente viu que quem entra no GuiaBolso, na média, está economizando quase 300 reais por mês e quem usa o GuiaBolso durante quatro meses, ao final de quatro meses, economiza em torno de 750 reais por mês. Então, aumentou a economia em duas vezes e meio, 150% em quatro meses, então é um impacto enorme que tem na vida das pessoas por ter esse controle, por pensar melhor nas decisões financeiras e reduz o uso do cheque especial em 25%. As pessoas quando baixam, usam e veem que realmente ajuda, de fato, a melhorar as finanças, indicam para os amigos. Então cresceu muito no boca a boca e até a gente chegou várias vezes, umas quatro vezes a ser o aplicativo mais baixado total da Apple Store, que acho que nunca aconteceu na história da Apple, em nenhum país, um aplicativo financeiro ser o número um, então, realmente mostra que a gente está com um produto que de fato, as pessoas procuram, indicam e utilizam, isso nos dá um orgulho enorme.

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