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História

Do frio da Sibéria ao calor brasileiro

História de: Alina Mosinskis
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/06/2021

Sinopse

Alina Mosinskis conta da sua história como imigrante nascida na Sibéria e que, buscando se afastar da Segunda Guerra Mundial, se refugiou na Áustria e posteriormente no Brasil, onde estabeleceu sua morada. Conta suas primeiras impressões ao chegar ao Brasil e de como foi importante para ela manter os costumes familiares mesmo distante de sua terra natal.

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História completa

Memória e Migração Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Alina Mosinskis Entrevistado por ? São Paulo, 14 de dezembro de 1991 Código: MM_HV003 Transcrito por Gabriel Sodré Revisado por Michelle Barreto P/1 – Qual o seu nome? R – Meu nome é Alina Mozinskis. P/1 – E o local onde a senhora nasceu? R – Eu nasci na Sibéria. P/1 – Em que país? R – Na Sibéria, na cidade Kansk. P/1 – Data de nascimento. R – 1911, é... 19 de fevereiro. P/1 – Mil? R – 1911. 19 de fevereiro. P/1 – O nome do seu pai? R – Meu pai, é... Antanas di Giulis. P/1 – Ma... e da sua mãe? R – _______ P/1 – A senhora conhece a origem do nome da sua família? R – Da minha família, eu conheço a origem “dos nome”, o meu pai é lituano e o nome dele também é lituano, e a minha mãe é russa, é... e o nome dela também de origem russa. P/1 – É... e de onde eram o seu pai e a sua mãe? De onde eles nasceram? R – O meu pai “tá” nascido na Lituânia, e o... a minha mãe “tá” nascida na Rússia, em cidade de Perm. P/1 – Quantos irmãos a senhora teve? R – Eu tive, é... eu tive 3 irmãos e uma irmã, mas restou só, agora eu só tenho “uma irmão” e uma irmã que não mora não aqui, mas um na Lituânia e outro em Chicago e se dispersou a família. P/1 – Os avós eram de onde? R – Os meus avós eram da Lituânia, da parte do meu pai, e os avós da minha mãe eram da Rússia. P/1 – E qual a língua que era falada na sua casa? R – Na minha casa, nós falávamos lituânio. P/1 – Tá, e a senhora podia fazer uma descrição de como era a sua casa, de que bairro que ela era, como ela era? R – Na minha casa na Lituânia, era... é na cidade Panevėžys, uma cidade como se chama de província, porque as grandes cidades como Vilnius é capital, é capital, e Kaunas também é das mais grandes cidades, mas Panevėžys era daquelas cidades de interior, mas cidade grande com todas as escolas, com... com tudo que a gente precisava, então a cidade não era muito grande, mas tinha todas escolas primarias e secundarias, e lá que eu me estudei, lá que eu vivi. Em cidade muito gostosa e bonita, eu posso dizer. P/1 – Tá, e como era a escola que a senhora estudava? R – Eu estudei o colégio, com... com 10 anos eu entrei no colégio, chamava-se gui... ginásio, então eu me formei naquele ginásio, que era 8 anos, com 17 anos eu me formei e... colégio era muito bom, nós aprendemos muita coisa, e... todas as coisas principais que precisava, estudando no colégio. P/1 – Qual era o nome do colégio? R – Era... em lituano, é difícil de dizer em português, era o Colégio Municipal de Panevėžys. P/1 – E que língua que era falada lá? R – É só lituano. P/1 – Só lituano. R – Só lituano, e depois tinha aula de alemão, inglês, francês. P/1 – Tá, e qual foi o ano que a senhora chegou aqui, no Brasil? R – Nós chegamos em 1947. P/1 – Quem veio com a Senhora? R – Comigo veio... veio o meu marido, vinha a minha sogra, vinha mais uma tia e mais os 3 filhos, 2 meninas e 1 menino. P/1 – E quando a senhora saiu. Qual motivo que fez a senhora sair da Lituânia? R – Era tempo da guerra, a 2ª Guerra Mundial, a nossa Lituânia era ocupada, naquela época pelos os alemães, e quando já percebemos que a, a nossa, nossa pátria vai ser outra vez ocupada pela União Soviética [CORTE] P/1 – Tá, e quando a senhora saiu da Lituânia porque que foi? R – Nós saímos da Lituânia como eu já falei, nós saímos porque sentimos um grande perigo, é... perigo dos russos voltar, e... escravizar outra vez a nossa, a nossa pátria, então gente não queria, eu principalmente, meu marido e eu, nós não queríamos mais sentir aquele escravidão e em 1944 nós fomos embora, fomos embora para Alemanha para oci... é... Europa Ocidental, quer dizer, naquela época, tudo tava em guerra, então nós fomos para a Alemanha, da Alemanha fomos para a Áustria, e lá quando a guerra acabou em 47 nós resolvemos ir para o Brasil. P/1 – Tá, mas então a senhora chegou a morar um pouco na Alemanha, um pouco na Áustria... R – Principalmente na Áustria, porque na Alemanha nós estávamos só de passagem. P/1 – Certo. R – Só de passagem. P/1 – O que a senhora sentiu quando a senhora chegou aqui no Brasil? R – Eu, eu me senti que eu cheguei num mundo de, de conto de fadas, por que era completamente diferente, quando nós vimos do nosso navio o Rio de Janeiro, de madrugada, quando ainda tinha aqueles, é... aqueles nuvens bem baixas e de repente apareceu o sol e apareceu aquele Copacabana, aqueles prédios, pareceu... isso é... é coisa que... que veio como... como uma... como uma maravilha, é... eu não acreditei, me parecia que eu estou sonhando, tão lindo, tão diferente de tudo o que a gente viu [risos], então gostei muito, e mas... mas depois nós fomos pra ilha das flores e lá já era um pouco diferente. P/1 – Já era mais... R – Nã... lá era já... já outra vida mas mesmo assim eu admirei primeiros, primeiros contatos com natureza do Brasil, pra mim era uma impressão tão profunda, aquelas borboletas azuladas que voavam em volta, ou que gente nem acreditava que podia existir umas coisas dessas, aqueles árvores, aqueles flores, isso era tudo... mil maravilhas pra nós [risos] P/1 – Quando a senhora chegou ao Brasil, onde a senhora foi morar? R – Ah, primeiro nós estávamos muito tempo, seis semanas estávamos lá na Ilha das Flores, nos barracos, até, até achar lugar onde morar, então depois de lá nos fomos para lados de Nova Friburgo, Nova Friburgo que é, que é no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, num lugar bem alto, onde é clima mais ameno que... que o Rio, porque Rio é muito calor e nós chegamos de um país onde não, não, a gente não suportava esse calor, era muito perigoso para nós, então nós morávamos em Nova Friburgo, depois de Nova Friburgo, na... demorou tempo desde 1947 até 1953, e em 1953 nós mudamos para São Paulo, porque o meu marido tinha emprego aqui, e viemos morar aqui em São Paulo. P/1 – Qual era o emprego do seu marido aqui? R - Meu marido trabalhou como engenheiro químico na... na companhia (Solve?) e a fábrica chamava-se (Au Cloro?), lá nos “arondesas” de Ribeirão Pires, Santo André, pra aqueles lados. P/1 – E qual foi o bairro que a senhora veio morar aqui em São Paulo? R – E eu morava em Vila Prudente, o Vila Prudente na Vila Bela, aquele bairro que é perto da Vila Zelina, onde são os lituanos. P/1 – A morava na comunidade dos lituanos. R – É, entre eles. P/1 – E quantos filhos a senhora teve? Quantos filhos a senhora tem? R – Filhos? P/1 – Uhum... R – Eu tenho 4 filhos, 2 casais, 2 moças e 2 rapazes. P/1 – E o que que eles fazem? R – É o meu filho mais velho agora já mora nos Estados Unidos é radicado a lá, casado lá, é... a minha filha, essa aqui, é casada em São Paulo, tem família bonita, e... ela também trabalha, o marido dela é médico, a mais uma filha que nasceu na Áustria, agora ela mora em... nos Estados Unidos, em Nova Iorque, também casada, tem já filhos também casados, e o filho caçula mora comigo. P/1 – Sei. E a senhora ainda mantém os costumes lituanos, aqui, alguma festa, a senhora ainda preserva? R – A, sempre, sempre, nós preservamos os nossos costumes, a nossa língua, a gente fala em... em...casa só em lituano, os filhos falam comigo em lituano, até os meus netos têm que aprender a nossa língua. P/1 – Então tá bom, obrigada. ----------------------- FIM DA ENTREVISTA ------------------
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