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História

Do exército à Petrobrás

História de: Waldemar Levy Cardoso
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/12/2014

Sinopse

Waldemar Cardoso conta a história de sua formação militar, sua família e infância no Rio de Janeiro, sua presença na Revolução paulista de 1924, na Revolução de 1930, na expedição da FEB na Itália (Segunda Guerra Mundial) e no Golpe Militar de 1964. Além disso, discorre sobre sua participação na Petrobrás através do Conselho Nacional do Petróleo, por indicação do próprio Alberto da Costa e Silva. Fala sobre sua aposentadoria e criação de frangos.

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História completa

O que mais me marcou nessa experiência de fazer a guerra (Segunda Guerra Mundial) foi a precisão. O que mais me marcou foi a precisão da artilharia, a decisão da infantaria e artilharia, foi isso que mais me marcou, esta íntima ligação entre infantaria e artilharia. Nós tínhamos os oficiais de ligação junto aos batalhões, nós tínhamos oficiais de observadores avançados juntos, as companhias de pelotões e essa ligação íntima permitiram que a artilharia brasileira fosse eficiente, precisa e oportuna, garantindo a vitória da infantaria. Na época eu era tenente-coronel. O Brasil participou mais ou menos com 25 mil homens, sendo 20 mil de uma divisão de infantaria, e tinha os elementos auxiliares, mas de ligação com americanos, mas a tropa mesmo era uma divisão de infantaria. Essa divisão única no meio de muitas divisões americanas e de outros países, como a África do Sul, a Polônia. Eram muitas, mas a divisão brasileira se salientou, foi ela que conseguiu fazer aprisionar uma divisão alemã de infantaria e uma grande parte daquela divisão blindada americana do after cool,  do Rommel, que estava na Itália, foi feita prisioneira pelos brasileiros. Os brasileiros se relacionavam muito bem com os outros contingentes. Nós de ambas as partes procurávamos nos entender perfeitamente e cooperamos muito uns com os outros. Não houve nenhuma discrepância na nossa ligação com o nosso entendimento. Nós nos dávamos bem com os italianos. Aliás, a língua italiana era língua comum na guerra - tanto com os americanos como os alemães prisioneiros, a nossa língua era italiana, era língua comum. Os interrogatórios eram feitos em italiano, mas eu aprendi a falar italiano simplesmente em ouvir, eu já falava italiano só em ouvir. As canções italianas, nós cantávamos todas as canções. Eram belíssimas. Eu me lembro de uma que era a floresta do bosque, a vida del bosco. A vida na floresta. Eram canções maravilhosas. Nós cantávamos o hino brasileiro - sempre que tinha oportunidade nós cantávamos o hino brasileiro, com uma diferença: em vez de dizer “Nesta terra”, nós dizíamos “Nossa terra.” Cantávamos a canção do Expedicionário, cantávamos em inglês e português. A canção dos Expedicionários, nós cantávamos: “Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá, sei que tenho por divisa o valor que simboliza e a vitória que virá.”A chegada no Brasil dos expedicionários foi grandiosa. Ficamos muito emocionados, fomos recebidos pela população de braços abertos. Chegamos, o povo se aglomerava tanto que o desfile acabou quase que afunilado por uma pequena frente. Fomos muito ovacionados. Eu me lembro bem desse desfile, nos emocionou muito e rapidamente fomos conduzidos, o grupo estava tão treinado que estava terminado o desfile e ele foi para o Realengo, onde deixamos o material e dispensamos o pessoal. Foi tão rápido que não esperavam que nós chegássemos lá, não tinha ninguém nos esperando porque não pensavam que fôssemos lá tão rápido.  

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