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História

Do café ao Polo Petroquímico

História de: Nívio Roque
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/05/2021

Sinopse

Lembranças sobre a família. Ínicio da vida escolar e o emprego na Loja Gomes durante a pré-adolescência. A admissão na Carbide, as rápidas promoções de cargo e o pedido de demissão. O emprego na Poliolefinas e o cargo de gerência. As funçôes de diretor de desenvolvimento econômico da prefeitura de Santo André e seu posterior desligamento. As mudanças quxe aconteceram no Polo Petroquímico ao longo dos anos. Sonhos de quando era criança. O caminho andando de bonde. História dos avós portugueses.

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História completa

P/1 – Bom, seu Nívio. Primeiro, pra começar, eu queria agradecer o senhor ter tirado um pouquinho do seu tempo para dar o seu depoimento pra gente. E eu queria, para deixar registrado, que o senhor falasse o seu nome completo, o local e a sua data de nascimento.

 

R – Meu nome é Nívio Roque. Eu nasci em Santos no dia 09 de outubro de 1940. Já aproveito pra agradecer também a distinção, meu motivo de orgulho depois de algum tempo, ainda estar contribuindo aqui com a história do Polo Petroquímico.

 

P/1 – E seu Nívio, como que era o nome dos seus pais?

 

R – Meus pais eram portugueses, já são falecidos. Meu pai era José Fernandes Roque, minha mãe, Antônia dos Santos Roque. E eles tiveram quatro filhos, né? Eu tenho uma irmã, que é a Neide, que é a mais velha do que eu dois anos. Depois eu nasci. Aí eles ficaram seis anos sem ter filhos e quando vieram, vieram dois de uma vez só. Então a minha mãe nunca teve três filhos, de dois foi pra quatro. São gêmeos, é o José e o Eliseu. Então, isso é muito importante, porque apesar da gente ser bastante pobre, meu pai era condutor de bonde, eles sempre nos passaram os valores fantásticos, sabe, questão de respeito, ética, honestidade. Isso aí permeou a nossa criação. E isso, graças a Deus, a gente conseguiu trazer para nossa vida de adulto também. Eu, falando um pouquinho de mim: eu comecei estudando em colégio municipal, fazendo curso, na época, primário. Depois, ginásio eu fiz… Na época tinha o exame de admissão para… Pra entrar em colégio estadual. Eu estudei no Canadá, no Colégio Canadá, em Santos. Depois de ter feito esse exame de admissão. E aí, quando tinha 13 anos; 14 anos, eu precisava trabalhar, porque nós tínhamos uma família numerosa, era só o meu pai trabalhando. A minha irmã também tava começando a trabalhar. Quando eu tava com 14 anos, eu mudei do Colégio Canadá para um colégio municipal que tinha curso à noite. O Canadá não tinha curso à noite, então eu fui completar o curso ginasial à noite, nesse colégio municipal. Eu fiz também o curso de Contabilidade depois. Mas com 15 anos eu comecei a trabalhar, eu conversei com um amigo, ele trabalhava numa loja, chamada Lojas Gomes, até hoje ainda tem em Santos, são de família tradicional. Eu ia lá ajudar. Eu entrava às sete, lavava a loja, lavava os banheiros e aí, depois, quando a loja abria, ajudava o vitrinista a refazer a vitrine, entregava as roupas que mandavam pra arrumar. Só que eu era… Tinha curso de datilografia, eu era formado em datilografia, tinha até diploma, (risos). Moleque muito atrevido, eu fui lá na escola e falei pro diretor: “Olha, eu tenho o curso de datilografia e tô usando vassoura, rodo, balde, água, não tô usando o curso”, e aí ele falou pra mim: “Então vamos tentar arrumar um lugar pra você trabalhar em escritório”. Passados acho que uns 10 dias, ele arrumou nessa loja Teixeira. Já era escritório. Eu fiz teste lá de datilografia, tinha uma letra também boa, porque na época, os livros de contabilidade eram escritos. Eu trabalhei lá até mais ou menos… foi 1955, até 1956. Em 1956… É um fato interessante: eu tinha um primo que trabalhava numa empresa de café e ele ganhava dois quilos de café toda semana. Então, tinha café pra família inteira, ele ganhava um bom salário, tinha até participação de lucro naquela época. E sem que a minha mãe soubesse, ninguém, eu peguei um dia fui lá no mesmo lugar que o meu primo trabalhava, fui lá pedir emprego. Essa firma (risos)… A pessoa que me atendeu perguntou quem eu era, eu falei: “Tenho um primo assim, assim”, contei pra ele: “Ele ganha café, ganha bem, não sei o quê, eu também queria trabalhar aqui”. Passou um tempo, eles me chamaram. Eu comecei na área de exportação e depois, como eu não fumava e eu tinha muito interesse na área de prova, eles me capacitaram a ser classificador e provador de café. Eu fiquei lá de 1956 até 1963. Foram sete anos. Nesse meio tempo, tinha um rapaz que trabalhava comigo, que ele tinha saído do escritório e tinha ido trabalhar numa indústria petroquímica. Só que o salário era praticamente o dobro do que eu ganhava. E aí eu falei com ele: “Olha, se você souber que tem alguma vaga lá, você me avisa, porque eu também tenho interesse… Tô interessado em sair pra trabalhar numa outra atividade”. Porque naquela época, o café, ele tava em baixa. Tanto é que a empresa que eu trabalhava, eu era pra ser gerente de uma filial em Paranaguá, mas aí teve uma queda muito grande na Bolsa de café e tudo mais, e eles abortaram esse projeto. Eu ia ficar só fazendo aquilo que eu fazia, então por isso, eu pedi pra esse amigo, que era o Nelson Dias, ele me avisou. Aí, eu participei do concurso lá na Carbide, dos testes. Em 1963 eu fui admitido lá como aprendiz de operador, né? Então, eu peguei uma época muito interessante também até de aprendizado, porque eu peguei essa transição, da época que veio a Revolução de 1964. As indústrias eram muito visadas e tudo. Eu trabalhando lá, eu tive a oportunidade também dentro da Union Carbide, de fazer uma carreira assim muito rápida. De aprendiz de operador, eu fui galgando algumas posições. Em três anos, eu era chefe da unidade de produção. Era o líder de produção. Quando foi em 1968, a fábrica construiu… Essa Union Carbide construiu uma fábrica nova. Porque dentro da indústria petroquímica, as fornalhas, elas… Que craqueiam a nafta, elas são verticais e teve um alemão chamado Wulff, que ele desenvolveu em laboratórios, fornalhas horizontais que faziam o mesmo trabalho com pirose, trabalhando com mil e cem, mil e duzentos graus. E com isso, a Carbide comprou essa tecnologia e começou a montar uma fábrica lá em Cubatão, na mesma área onde estava a fábrica antiga. Durante a construção, eles foram selecionando algumas pessoas pra poder fazer o treinamento, se capacitarem, para poderem, depois, operar essa planta. Nessa altura então, já era líder de unidade, eu fui promovido para supervisor de turno, chefe de turno, que ele chamava na época. Essa fábrica, ela partiu em 1968, mas com todo o esforço que eles fizeram, viagem de pessoas do exterior para cá, pessoas daqui pra lá, foi um projeto que ele não deu certo, apesar de o investimento lá na época de mais de 500 milhões de dólares. A fábrica não conseguia produzir. Ela tinha muitos problemas, muitos problemas. Ou de processo, problemas de projeto mesmo, ou operacionais. Enfim, e eu percebi que a tendência ali era ruim, porque com todo aquele investimento, se a fábrica não produz, não fatura, automaticamente ela tende a ser fechada, desativada. Isso então me despertou o interesse de estar saindo, apesar da Carbide ser uma empresa que pra  mim foi uma grande, grande, grande escola profissional. Eu aprendi muito, muito lá. Por quê? Porque eram equipamentos… Para você ter uma ideia, em 1969, era uma unidade que já era movida a computador. Um negócio meio inédito. E por ser toda novidade, você tem uma curva de aprendizado, tem um tempo de capacitação. Mas era assim coisa de primeiro mundo, mas acabou não dando certo. Então, isso fez com que eu procurasse alguma outra alternativa. Apesar de eu estar bem, porque eu era supervisor ou chefe de turno, era uma posição assim de destaque. Tanto é que quando eu pedi demissão, fui o primeiro chefe de turma na história da Carbide a sair, que tinha essa posição, porque era uma posição que tinha um salário também razoavelmente bom pra região. Eu vi que tinha um anúncio da Rhodia aqui de Santo André pedindo operadores ou supervisor de utilidades, trabalhar com caldeira, com compressores, tratamento de água, de efluentes. Era uma coisa que eu tinha expertise, sabia fazer isso aí, porque eu tinha aprendido tudo isso aí na Carbide. Como eu te falei, foi uma escola fantástica. Eu peguei um dia e falei: “Bom, vou ter que subir a serra”. Ai eu subi a serra pra ir na Rhodia, só que quando eu tava lá na fila pra fazer ficha, para concorrer com o pessoal, alguém me falou que tinha uma fábrica que estavam construindo aqui no bairro de Capuava, que eu também nem sabia onde que era, tinha que perguntar. E pelo o que eles falaram, dos equipamentos que tinham nessa unidade Wulff, que eram equipamentos gigantes, imensos, compressores, centrífugas de seis estágios, turbinas. Coisa que era uma novidade, ia ter aqui na Petroquímica União. Então, isso me animou. Eu falei: ‘Puxa vida, acho que aquele lado deve ser melhor do que esse aqui”. E a história da vida passa por aí. Porque eu passando por aqui, pra ir na Petroquímica União, eu vi uma placa imensa dizendo “Fábrica de Polietileno”. Que tava em construção, que é a Poliolefinas. Eu falei: ”Caramba, eu trabalhava com reator, fazia polietileno, eu também sei fazer isso aí”. Eu fui na Petroquímica. Fui na Petroquímica e fiz ficha na Petroquímica. Só que a pessoa que ia fazer as entrevistas, que era o Otto Perroni, que era o diretor, ele tava recebendo um pessoal da Shell que tava negociando venda de óleo, quando partisse a fábrica e tal. Eu não pude ser entrevistado. Mas na volta, me chamou atenção aquela fábrica de polietileno. Eu parei o carro e entrei, fui até o canteiro de obras e perguntei onde era o escritório central dessa fábrica. Eles falaram que era na Avenida Duque de Caxias, em São Paulo, me deram o endereço. Aí, eu voltei pra Santos. Chegando em Santos, tinha uma pessoa que era muito amiga, trabalhava comigo, eu contei pra ele, eu falei pra ele, chama-se Antônio Carlos Villas-Boas de Oliveira, eu falei: “Olha, eu tô vendo que a coisa aqui…”, ele também tava nessa unidade, “…a coisa aqui não vai muito pra frente, eu tô me virando. Já fui ver e tal, olha, fui na Rhodia, acabei não fazendo ficha, fiz numa outra, mas tem uma de Polietileno, que você sabe bem, eu sei bem também”, e falei pra ele. Aí, ele falou assim: “Puxa vida, então acho que nós podíamos ir lá também” “É em São Paulo, Duque de Caxias”. Ele falou: “Então, vamos lá?”, falei: “Vamos”. Só que nesse meio tempo, ele conheceu uma pessoa que também era ligada a essa fábrica, era uma pessoa da Petrobrás. E parece que essa pessoa, ela ia ser um dos diretores. Provavelmente dessa fábrica. Porque era aquele sistema tripartite. Você tinha a National Distillers, que tinha a tecnologia, tinha a Petrobrás, né, e tinha o  Grupo Unipar, que tava fazendo parte. É o sistema tripartite, que eles chamavam. Pra toda indústria petroquímica nacional, ela se originou desse processo. Assim foi também a primeira, que era a Petroquímica União. E com isso, nós subimos, nós fomos lá pra Avenida Duque de Caxias. Nós fomos recebidos por um coreano, minto, um chinês que era naturalizado americano, chamado Henry Tang, ele já falava um pouco de português, a gente também já falava um pouquinho de inglês. A gente acabou se entendendo. Então ele fez a entrevista, nós fizemos a ficha, aí ele deu um fluxograma pra gente fazer uma folha de leitura, que se usa dentro das indústrias para tomar a temperatura, pra ver se a fábrica está operando bem, tudo. Nós fizemos. Eu fiz, esse meu amigo fez também, tudo mais. Fizemos, fizemos uma entrevista e tal. Acabou a entrevista, ele nos levou até pra comer, foi a primeira vez que eu comi miojo naquela época. Ele levou lá na comida chinesa. Nós comemos. Nós voltamos, continuamos a entrevista. Quando foi umas três, quatro horas, terminou a entrevista, ele falou: “Olha, qualquer coisa então, depois, a gente entra em contato com vocês”, “Tá bom”. Passou algum tempo, talvez uns dois meses, ou nem isso. Eu fui chamado. Subi pra conversar com a pessoa de RH [Recursos Humanos]. Nessa conversa, eu tinha feito um pleito lá de ganhar mil e quinhentos, agora, eu não lembro qual o tipo da moeda, mas era mil e quinhentos. Ele me ofereceu mil seiscentos e setenta. Eu falei: “Entrei na Casa da Moeda, não é possível”. E com a promessa de ir em outubro para Bélgica, para estudar o processo dessa fábrica nova. E assim foi, então, quando foi no dia dez de maio de 1971, eu entrei então na Poliolefinas, que é essa fábrica que é aqui ao lado do Polo Petroquímico, que hoje é Braskem. Eu entrei, tinha o título de supervisor de produção, e depois também chamaram esse meu amigo, né, o Antônio Carlos Villas-Boas. Também foi chamado. Em outubro, nós fomos pra Bélgica, ficamos lá um mês estudando o processo, aprendendo tecnologia. Depois voltamos, treinamos todos os operadores, contratamos, treinamos e quando foi em 1972, a fábrica começou a produzir e a essa altura, a fábrica aqui da Petroquímica União, que era fornecedora da matéria-prima já tava funcionando também. Então, ela fornecia o etileno, a gente recebia o etileno e produzia o polietileno. Então, de 1972, eu acabei como supervisor, fiquei ali mais ou menos nessa posição uns cinco anos, depois eles me promoveram para supervisor do dia. Eu ficava só de dia coordenando os outros grupos de operação. Passados uns dois, três anos, eu fui depois promovido também a gerente. E isso aí foi até praticamente 1982. Em 1982, o grupo tava construindo uma fábrica no Rio Grande do Sul e aí, eles me convidaram pra ser líder de uma equipe de seis operadores, pra gente colocar a fábrica para funcionar. Então eu praticamente fiquei afastado aqui dessa fábrica quase um ano, nesse projeto de ajudar na capacitação dos operadores e também ajudar lá na partida. Depois que a fábrica partiu em 1982, eu retornei pra aqui pra Capuava, aqui pra Santo André. Continuei, tava como gerente, continuei como gerente. Quando foi 1989, a fábrica… Eles queriam construir uma fábrica nova, só que na Bahia, seria Poliolefinas do Nordeste. E nessa altura, em 1989, tava em… Fazendo a parte do projeto dessa nova fábrica, então eu saí daqui, fiquei em São Paulo, acompanhando o projeto, já na condição que eu ia ser o superintendente dessa fábrica. Então feito o projeto, eu fui pra Camaçari, acompanhei a construção, montagem, formamos toda a equipe, né, pra poder funcionar com a fábrica. Em 1992, a fábrica partiu, começou a produzir. Eu fiquei mais um ano e pouco lá, quando foi em 1994, eu voltei aqui pra Santo André, para essa fábrica. Eu fiquei aqui até 1999. Quando foi em 1999, eu já tinha trabalhado… Eu já tinha ido pro Sul, já tinha na Bahia, já tinha trabalhado por aqui, então do grupo Odebrecht tinha só a fábrica de Alagoas, que era de PVC [na sigla em inglês: Poli Cloreto de Vinila], que era uma unidade que eu não conhecia. Fizemos um acordo e eu acabei me desligando, em 1999. Tão logo eu me desliguei daqui, eu fui convidado pelo secretário, que era de Desenvolvimento Econômico de Santo André, o Nelson Tadeu, que na época o prefeito era o Celso Daniel, ele me convidou, que tinha uma vaga de diretor de desenvolvimento econômico. Como [eu] era economista, administrador e conhecia bastante essa região, porque eu tava aqui desde 1971, então ele me convidou. Eu aceitei e fiquei lá na prefeitura, primeiro como diretor de Desenvolvimento Econômico, dois meses depois, como assistente já do próprio secretário. E a gente fez já muitos projetos dentro da prefeitura. Inclusive grupos de sinergia que a gente tinha uma expertise aqui do Polo, eu levei pra lá também. Então foi uma novidade também que teve lá na prefeitura. Se criaram pelo menos dois ou três grupos de sinergia dentro dessa secretaria. Decorrido, mais ou menos uns seis meses, por aí, eu recebi o telefonema do presidente da Unipar, que era o Roberto Garcia, dizendo que a Unipar tava querendo comprar essa fábrica da OPP, que é a fábrica que eu tinha saído. Eu até brinquei com ele, eu falei: “Cara, mas tá pra comprar faz tanto tempo e não consegue”. Ele falou: “Não, mas parece que agora tem dois bancos, um pela Odebrecht, outro pela Unipar, parece que a coisa tá andando. Você tem interesse em voltar?”, falei: “Tenho”, era uma coisa que eu gostava, a minha vida sempre foi dentro de indústria petroquímica, ai ele falou: “Bom, então vai acompanhando, eu vou te informando como é que tá a evolução disso”. Quando foi em setembro, ele me ligou dizendo: “Olha, vou te mandar um PTA, você vem aqui pro Rio, pra gente acertar as bases, que nós vamos estar te contratando, que nós vamos comprar a fábrica. Não tá comprada, mas nós vamos comprar”, eu falei: “Ah, então tá bom”. Em setembro, exatamente nove meses depois que eu tinha entrado na prefeitura, que eu digo que é uma gestação, eu acabei saindo. Mas eu queria fazer um parênteses: que essa minha experiência na prefeitura foi extremamente enriquecedora, porque as pessoas não tem ideia de que trabalhar no poder público, o grau de dificuldade que tem. Porque dentro de indústrias que são organizadas e tudo, você tem facilidade em fazer aquisições, comprar material, não é tão burocrático. E dentro de uma prefeitura, você tem um grau de dificuldade muito grande. Então, eu aprendi a conviver com isso. Pra mim foi um desafio muito grande e tive também a oportunidade de fazer um relacionamento muito grande, politicamente, que isso no futuro, veio ajudar, pra gente ter uma fábrica nova aqui, na antiga Poliolefinas, que depois virou a OPP. Por quê? Porque nessa época, a prefeitura era do PT [Partido dos Trabalhadores]. Era do PT, então o PT tava… Na época, o próprio Lula tava querendo ser presidente e tudo mais e como de fato aconteceu. Então, essa minha passagem, fiz um relacionamento muito grande com os políticos. Bom, então aí setembro então, eu vim pra cá. Por sinal era até aqui mesmo. Eu vim pra Unipar, porque eles não tinham comprado a fábrica, sabe, eles me contrataram antes pra poder estar fazendo todo o planejamento para quando comprasse, como é que a gente ia assumir a fábrica. E a coisa foi passando, setembro, outubro, novembro. Namorava, namorava e nunca casava. Não conseguiam comprar a fábrica. Eu já tava ficando meio preocupado, falei: “Cara, vou sair de lá, eu acho que se de repente aqui não der certo…”. Mas no finalzinho de dezembro, eles concretizaram a negociação. Então, o grupo Unipar assumiu essa fábrica e o que era Unipar… o que era, desculpe, OPP acabou virando Polietilenos União e eu fiquei como diretor industrial nessa unidade. Então, foi bastante gratificante, porque era a minha história de vida. Aí eu fiquei trabalhando. Passados acho que uns quatro anos, mais ou menos, a história, eu tava te contando que eu comecei na Carbide. Aí a Unipar resolveu comprar a fábrica lá de Cubatão, onde eu tinha começado como aprendiz de operador. Um dia o presidente, que era o Vitor Mallmann, ele me ligou dizendo: “Olha, vamos lá em Cubatão”, mas não me disse o que era. Nós fomos pra Cubatão para visitar a fábrica, já fazia tantos anos praticamente ninguém me conhecia, então entrei como um estranho, só que eu conhecia bem o processo, que eu tinha trabalhado lá alguns anos. Depois, a própria Unipar acabou comprando essa fábrica, então eu voltei, fiquei lá por pelo menos uns seis meses para reestruturar toda aquela unidade que era da Dow [Dow Chemical Company] na época. A Dow vendeu pra Unipar. Eu ficava, então eu tomava conta dessa fábrica aqui de Capuava e daquela lá de Cubatão. Até que em 2006, é. Em 2006 então a Quattor foi criada e ela acabou ficando com a fábrica da Rio Polímeros, acabou pegando a própria Petroquímica. Então eles criaram a Quattor. E nessa altura, eu era responsável pelas fábricas de polietileno. As três fábricas, como diretor industrial. E com a compra, eu continuei vendo, inclusive essa fábrica do Rio de Janeiro, que era da Rio Polímeros, até 2009, mais ou menos, quando… O pessoal me convidou pra deixar de trabalhar nessas três fábricas, de ser o diretor industrial delas e tomar conta de outras três fábricas, que eram fábricas de polipropileno, que era uma fábrica que tem aqui em Mauá. Tinha uma fábrica no Rio de Janeiro e uma fábrica na Bahia. Então, eu fiquei praticamente também um ano reestruturando, dando a minha contribuição nesse outro negócio que era polipropileno e não polietileno. E nessa altura, eu já tinha conversado com o presidente, que era o Vitor Malmann. Eu tinha dito pra ele que eu tinha interesse em estar me aposentando, porque eu já estava com 68, 69 anos e ele, então, me impôs uma condição: “Olha, enquanto não partir essa fábrica nova que você tanto contribuiu para que ela saísse, eu não te libero”. Quando a fábrica voltou a funcionar em 2009, eu falei com ele. Eu falei: “Olha, Vitor, o trato tá combinado, a fábrica tá rodando, tá na hora, né?”. Ele falou pra mim: “Só que tem um segredo: parece-me, parece-me que a Odebrecht tá querendo comprar a Quattor. Então, se você puder esperar um pouquinho, pra ver o que acontece. E tão logo feche o negócio,  antes de ser publicado, divulgado, eu te aviso e eu te desligo. É essa a tua vontade?”, eu falei: “É, eu acho que a minha contribuição eu já dei, dentro de todo Polo e tudo mais” e assim foi. Quando foi em janeiro de 2010, eu tava até fazendo uma viagem de navio com a minha esposa que é a Nice, meus dois filhos, meus netos, as noras, e tudo, ele me ligou dizendo que eles tinham fechado o negócio. E aí então, ele me… Combinamos uma data de desligamento. Quando foi em fevereiro de 2010 eu acabei me desligando. Por quê? Porque eu tinha um outro projeto de vida. Porque eu queria parar, mas eu queria fazer alguns trabalhos sociais, assistenciais. Porque isso era um compromisso que eu tinha com a minha consciência, sabe, que nem eu te falei: Deus me deu tanta coisa, eu fui tão privilegiado… Eu nunca planejei a minha vida, tudo o que eu fiz, eu sempre procurava fazer bem feito. Se possível, ser o melhor. E como consequência, as coisas iam acontecendo. Eu nunca imaginei na minha vida que eu ia ser um diretor industrial de alguma fábrica, muito menos de uma prefeitura, né? Eu nunca planejei isso, mas pela minha dedicação, pelo meu esforço e tudo, eu fui tendo essas recompensas, quer dizer, Deus me deu todas essas oportunidades. Então, eu precisava fazer alguma coisa. Então, eu tinha um… Tenho um projeto que era a hora que eu me aposentasse, eu ia fazer algumas atividades sociais. Então, hoje eu sou voluntário no hospital da Santa Casa de Santos, aprendi a cortar cabelo, fazer barba, que eu atendo lá o pessoal do SUS [Sistema Único de Saúde]. Quem pede. Até unha a gente corta também. Porque o pessoal pede e também ajudo uma instituição espírita no Guarujá, o Lar Elisabete. Toda sexta-feira, eles preparam 50 pães, a gente passa manteiga, fazem um chá e a gente atende esse pessoal de rua. Eles entram, a gente cadastra direitinho. Aí faz uma oração, lê o Evangelho, interpreta. É servido o chá com esse pão com manteiga. Aqueles que têm interesse, querem, depois tem um lugar que eles vão tomar banho e recebem uma roupa limpa também. Eu fico lá até a hora do almoço, porque nisso é preparado um sopão, então quando é 11:30, meio-dia, é servido um sopão, também para o pessoal de rua. Também no mesmo ritual, cadastra, faz uma oração, lê um trecho do Evangelho, interpreta e depois eles sentam numas mesas e cada um recebe duas médias e recebe sopa à vontade. Ele recebe uma sobremesa também. Aí depois disso, a gente lava tudo, limpa tudo, arruma, deixa a casa em ordem, que no dia seguinte, tem um outro grupo que vai fazer a mesma tarefa. E aí eu venho embora pra Santos. Então, isso é assim um trecho, agora dentro do próprio Polo Petroquímico, nós tivemos coisas muito interessantes, um deles, já num campo mais da competitividade, foi que em 1995, quando… Cada empresa tinha um grupo acionário, e a gente vivia dentro das fábricas e a comunidade fora. A gente não tinha contato com a comunidade, a gente se achava autossuficiente, e ignorava o outro lado, que foi uma falha nossa. Quando foi em 1995, quando o Collor abriu o mercado [OBS: O governo Collor durou de março de 1990 a setembro de 1992], a gente viu que tava uma situação muito difícil de competitividade. Por exemplo, chegava polietileno… Eu lembro que tinha um navio russo que trouxe polietileno por quinhentos dólares a tonelada, que era o preço da matéria-prima, que a gente pagava, e tinha que colocar custo fixo, custo variável, depreciação, tal, não tinha competitividade. E aí, o Cesar Barney, que era um diretor da Petroquímica, ele teve uma orientação de um diretor também do conselho lá da Petroquímica, pra gente tentar formar um grupo e ai, ele me procurou, procurou a mim e o Fragale, o Fragale era o superintendente da Solvay. E nós três começamos a idealizar um grupo que a gente chamou de Sinergia. Qual era o objetivo? Era que a gente se unisse para fazer compras comuns, entende? Um exemplo bem simples, transporte. Então no caso da Poliolefinas, ou da OPP. Tinham os ônibus. Então tinha, vamos supor, quatro linhas de ônibus, que eram ocupadas 50%, 60%, passava longe da casa das pessoas. Então, foi formado esse grupo e juntamos as empresas do Polo. Então isso fez com que a gente começasse a ter uma quantidade maior de ônibus, mas na somatória das empresas, ele era bem menor do que tendo uma, quatro; outra, cinco; outra, dez, não sei o quê. Foi bem menor. Então, tem uma redução de custo fantástica no transporte. A ocupação, que era 50, 60, passou para 85, 90, a ocupação dos ônibus. Como tinha muito ônibus, que era geral, não eram só quatro para uma empresa, três pra outra, passava mais próximo da casa das pessoas. Então só teve vantagem, redução de custo, maior ocupação, e também, no caso, as pessoas ficaram mais felizes, porque passava mais próximo da casa das pessoas. Qual foi a grande barreira que a gente tinha no início? Como eram composições acionárias diferentes, os acionistas achavam que se juntasse todo mundo, um ia saber o benefício deste, daquele e ia começar a pedir os benefícios iguais, como coisa que eles não soubessem. Nós éramos amigos, a gente conhecia todo mundo no Polo. Então isso fez com que a gente tivesse um pouco de dificuldade, mas vencida essa barreira, depois, vários outros serviços foram… Por exemplo, uma hipótese, papel sulfite, toda empresa usa e cada um tinha um fornecedor, né, e um custo muito alto. Então, a gente fez esse grupo que tinha planilha e aquela empresa que já comprava bem, passaria a comprar melhor ainda. E aquela que comprava mal, passaria a comprar bem também. Então, tem até um slogan que foi desenvolvido aí no Polo que dizia o seguinte: “Que na busca da redução dos custos comum, que não existe a concorrência e sim, inteligência”. E foi isso que aconteceu. Então esse grupo, ele entrou em várias áreas, não só na parte, por exemplo, administrativa, na parte de manutenção, na parte de meio-ambiente, na parte de segurança. Sabe, segurança patrimonial, segurança industrial, descarte de produto. Tudo isso. A gente foi se juntando e houve uma redução muito grande. Aí melhorou muito a nossa competitividade. E esse Grupo de Sinergia, ele existia de fato, mas ele não existia de direito. Porque ele foi criado em 1994, se eu não me engano. Só que ele não tinha força jurídica, porque eram empresas separadas, que se juntaram. Então, nós resolvemos fazer o seguinte: “Não, temos que criar uma instituição”, que nem já existia na Bahia, que era o Cofic [Comitê de Fomento Industrial de Camaçari]. Na Bahia tem o Cofic. Então nós criamos a “Apolo” [Associação das Indústrias do Polo Petroquímico do Grande ABC]. Que era uma entidade, e ela precisava ter uma cara jurídica. Então, pra isso, na época, o Arnaldo, que era superintendente da Oxiteno, era o presidente da Apolo. Eu falei com o Ciro, que era o advogado da Unipar, ele nos ajudou e a gente se reunia depois do expediente, depois das cinco horas lá na Polietilenos, na época era OPP, a gente começou a elaborar um estatuto. Aí fizemos um estatuto, registramos, pé, pé, pé. E passou a existir não só de fato, como de direito a Apolo. Então quando foi pra fazer essa fábrica aqui de Capuava, essa fábrica, que tem a expansão da Petroquímica, já existia a Apolo. Então, quando nós fomos conversar com o governador, com o secretário de meio-ambiente, a gente já foi com uma cara jurídica, tinha muito mais força, porque não era empresa A, não era empresa B. Não, era empresa do Polo. E foi feito um levantamento de quanto que a gente arrecadava de Icms [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] pro estado, de quanto as prefeituras de Mauá e de Santo André recebiam como parte desse Icms do estado. Tudo isso pra nós, foi uma surpresa. Porque os políticos desconheciam o que representava o Polo. Tanto na prefeitura de Santo André, como de Mauá, eles conheciam como a Tocha, era Tocha. Tem o nome de Flare. Mas eles chamavam como Tocha, eles desconheciam a importância econômica que o Polo tinha. Então, esse trabalho foi feito pela Apolo junto a essas entidades, né, municipal, estadual, e o trabalho também junto a Federal. Porque a essa altura, o presidente era o Lula, que era também da região. Então se usou alguns políticos daqui de projeção da região pra conversar com ele, pra ele mostrar que era importante que esse Polo tivesse uma expansão. Porque o da Bahia tinha expandido umas duas, três vezes. O do Sul tinha expandido umas duas, três vezes. Tinha partido o Polo do Rio de Janeiro e esse daqui continuava nanico, com a mesma quantidade, quinhentas mil toneladas. Então, o que se queria era que pelo menos fosse pra setecentas mil, só que tinha questões ambientais, tudo. Então essa parte, por exemplo, assim, institucional foi muito importante. Por isso que eu falei que quando eu trabalhei na prefeitura, foi uma grande oportunidade de conhecer pessoas, que a gente depois foi trazendo essas pessoas pra nos ajudar e nos ajudaram. Foi aprovada a expansão da Petroquímica e com esse etileno da Petroquímica, construiu a fábrica ali, que na época já era da própria Polietilenos União, que é outra unidade. E fora isso, como eu te falei, como as fábricas viviam fechadas, a gente não tinha contato com a comunidade. E isso era muito ruim. Quando foi criado o conselho consultivo comunitário, a gente começou a abrir as portas das fábricas. Então a gente convidava o pessoal do táxi, o pessoal do… Falava com o padre pra mandar o pessoal da igreja e organizava, num determinado dia, tinha todo um programa, a gente listava o nome das pessoas, eles iam pra dentro da fábrica e aí, na fábrica, a gente mostrava… Era recepcionado, tomava um café da manhã conosco, aí a gente explicava o quê que a fábrica fazia, como é que era o processo de produção, os riscos que tinham. Os barulhos que tinham. Pra elas saberem, porque às vezes, elas escutavam um barulho e ficavam meio assustadas. Qual era a segurança que tinha. Depois de tudo isso, eles visitavam a fábrica, almoçavam e na volta, a gente reunia de novo, pra saber se eles tinham alguma dúvida e depois, eles ganhavam uns folders, uns brindes e tudo mais. E nós começamos a abrir. E qual foi a nossa surpresa? Que para eles, o Pólo todo dia tinha problema, porque todo dia eles escutavam um alarme de incêndio, porque é procedimento das fábricas, testar o alarme de incêndio. Fora isso, existia o que a gente chamava “Os simulados”. Se organizavam as fábricas e se diziam: “Olha, amanhã nós vamos simular que tá pegando fogo num tanque assim, assim”. Aí punha uma bandeira vermelha, tocava o alarme e aí tinha já avisado o bombeiro, ambulância, tal, as outras empresas, aí vinham aquele aparato todo para dentro da fábrica. Era um simulado. E pra eles, devia morrer gente todo dia, porque todo dia tinha alarme de incêndio, todo dia tinha problema. Isso, a gente foi, aos poucos, quebrando, chegando ao ponto que eles começaram a nos apoiar e muito, quando foi da própria expansão da Petroquímica União e da construção da fábrica. Quer dizer, aquilo que antigamente, era o medo do desconhecido, passou um aliado do próprio Polo, mas a culpa era nossa, nós é que nos fechamos. Eles estavam lá, dispostos a nos conhecer, nós é que nos fechamos em tudo isso aí, né? E com isso, mesmo no Grupo de Sinergia, foram feitas várias atividades assistenciais também, sabe, vários grupos a gente fez com o pessoal ai do conselho, eles passavam filmes, visitavam as plantas, fizemos campanha contra o balão, porque o balão é um negócio extremamente crítico dentro de fábrica, você imagina fábricas que têm gases, eventualmente, e cai um balão dentro da fábrica? Você destrói não só o patrimônio do acionista, como o patrimônio humano. Então se começou a fazer campanha através do Grupo de Sinergia, da Apolo, de campanhas contra a soltura de balões, conscientizando. E aí se mobilizava perto de dez mil crianças nas escolas. Elas faziam redações e a melhor redação, depois escolhida pelos diretores, ou pelos professores, eles ganhavam bicicletas, ganhavam computador. Então isso foi trazendo a consciência das crianças. Tinha concurso de desenho. Tudo isso conscientizando pra não soltar os balões, porque eles causavam um estrago muito grande, não só na indústria, mas principalmente porque… As pessoas, às vezes, acham que é por causa da indústria, não é, a Lei existe por questão ambiental. Porque no meio do ano é um mês que não chove, ou chove muito pouco, então, as matas, elas estão secas e é muito comum perto de beira de estrada você vê pegando fogo, porque pessoas que não têm consciência jogam cigarro, aí pega uma palhinha daquela e começa um incêndio. Então, é uma Lei Ambiental, que é proibido soltar balão. É crime, hoje é… Hoje é crime soltar balões, mas por causa ambiental e que tem por consequência, moradia também, cai numa casa, pega fogo e tem grandes consequências, não é? Então, isso aí, em resumo é… Eu sou casado com a dona Nícia (risos), 46 anos, tenho dois filhos, casados, o Marco César, que é médico, é neuropediatra, eu tenho dois netos do casamento dele, que é a Giovana com dez anos, Gustavo com sete e o outro filho, que é o André, que é casado também com a Juliana, ele é veterinário, mas ele já fez o Mestrado, fez o Doutorado e ele é pesquisador na Fiocruz, no Rio de Janeiro e também tenho uma netinha deles, que é a Manuela, com dois aninhos. Então, graças a Deus, tô muito feliz e trabalhando como voluntário. Só peço a Deus que me dê muita saúde, pra que eu possa continuar, porque pra mim é muito gratificante.

 

P/1 – Seu Nívio, depois dessa sua história, eu vou voltando um pouquinho em alguns pedaços, pra ver se a gente consegue ir completando, assim…

 

R – Não, sem dúvida.

 

P/1 – Tá? Então, eu vou fazer assim: primeiro, eu voltar agora na parte da sua experiência no Polo, tudo e depois, eu queria voltar um pouquinho na sua infância mesmo, falar um pouquinho mais do seu pai, que era condutor de bonde também. Saber algumas outras coisinhas.

 

R – Perfeito.

 

P/1 – Em relação ao Polo, eu queria que o senhor comentasse, o senhor falou que essa questão da legislação ambiental, dessas coisas como que eram antes e o quê que foi mudando. Eu queria que o senhor contasse um pouquinho das mudanças que o senhor acompanhou, o quê que era realmente muito ruim, que faltava e o quê que o senhor acompanhou de melhoria. Falar um pouquinho sobre isso.

 

R – É, se a gente for ver, por exemplo, que nem eu, trabalhei lá em 1963. Já em 1971, de 1963 a 1971, a gente não teve assim uma grande evolução na consciência ambiental. Depois, quando começou a surgir, por exemplo, os Pólos Petroquímicos, que foi… Esse aqui que foi o primeiro em 1971. Depois teve o da Bahia, que foi em 1976. Depois teve o de 1980, que foi no Rio Grande do Sul. Então para que houvesse esses Polos, foi criada uma legislação um pouco mais específica. Mas muitas vezes, era um pouquinho ainda frouxa, não era muito rígida, né. E também o ser humano, nós, os profissionais, não tínhamos muita consciência, sabe. Então a gente, muitas vezes, poluía por falta de conhecimento. O mal que aquilo estaria fazendo em algum dia. Por exemplo, se você deixar o produto químico penetrar no solo, ele vai penetrando, ele vai pegar um fio de água aí e vai embora. Então, isso tudo foi uma evolução grande que teve. As empresas para se instalarem, elas tiveram que apresentar junto aos órgãos competentes, todo um procedimento de tratamento de afluentes, de recuperação e principalmente, do descarte. Quer dizer, você separa, vamos chamar, a borra, faz uma água, por exemplo, limpa e depois aquilo você tem que descartar. E onde é que você descarta? Então tem que ter todo esse acompanhamento e essa legislação veio justamente ajudar nisso aí. Então, a partir da criação desses Pólos Petroquímicos, é que houve essas mudanças. Muitas vezes, existem as federais, mas são as estaduais. Então, às vezes têm alguns estados que eram muito mais rígidos do que outros. Por exemplo, no Rio… E a questão do Polo. Por exemplo, aqui tava longe da cidade o Polo, aqui de Capuava, a cidade veio para próximo dele. Já na Bahia, eles já fizeram distante, no Rio Grande do Sul, mais distante ainda e criaram um cinturão verde de proteção, coisa que não tem no primeiro Pólo que foi esse. Quer dizer, ele foi planejado, mas não com essa preocupação ambiental, que já foi a preocupação do Rio Grande do Sul, que já foi o último Pólo Petroquímico, ou no Rio de Janeiro, com a Riopol [Rio Polímeros] também. Então existe um cinturão verde protegendo, sabe, isso foi muito importante. E os avanços, porque mesmo as… Quem tem tecnologia, eles foram também evoluindo, porque hoje você só vai comprar tecnologia, se ela for limpa. Se alguém quiser vender uma tecnologia barata, mas que ela não for uma tecnologia limpa, você não pode comprar, porque não vai ter a licença pra poder instalar. Então você paga mais, muitas vezes, por uma tecnologia pela qualidade dela, por aquilo que ela representa em termos ambientais. E aí, o quê que acontece? Essa tecnologia já minimiza qualquer fluente no sentido de obter uma licença para instalação. Então teve uma licença na tecnologia, diminuindo esses resíduos, dentro dos processos. A legislação ficou bem mais rígida. E a consciência também do ser humano. Hoje você pega uma criança, ela fala assim: ‘Não pisa na grama, a plantinha tem vida”. Coisa que antigamente as crianças faziam, pisavam mesmo. Então, já é hoje, dentro da própria evolução do ser humano, já existe esse conceito melhor de preservação da espécie.

 

P/1 – Seu Nívio, outra coisa que eu queria perguntar para o senhor é em relação a greves, assim, se o senhor acompanhou, fala um pouquinho sobre isso assim (risos), teve algum desafio maior?

 

R – Teve, teve. Eu… lembra? Comentei que eu peguei… Comecei em 1963, eu peguei a Revolução de 1964, né. E eu vi… Convivi em 1964, eu tinha 24 anos, quando entrei na Carbide, eu tinha 23, era extremamente jovem. Eu ficava assistindo debate num programa chamado “Pinga Fogo” até três horas da manhã. A minha mãe me acordava, ia lá brava comigo. Mas eu gosto de política. Não sou político, não… Mas eu gosto da política bem feita, né, então eu sempre acompanhei isso. Então eu acompanhava esse movimento todo e quando foi na Revolução de 1964, eu tava dentro de uma fábrica, quando estourou a Revolução.  E aí, eu vi, por exemplo, antes da Revolução. Antes da Revolução tinham as greves. Então você tá dentro da fábrica, vinha um comunicado: “Tá em greve”, então você era obrigado a pelo menos, dobrar um turno, você não era obrigado a ficar 24 horas. Mas na época, você trabalhava, por exemplo oito, era obrigado a ficar 16, se trabalhasse seis, era obrigado a ficar 12, até que viesse a rendição. Ou, você podia negociar, talvez com a empresa de ficar mais tempo lá, em termos de remuneração ou benefícios. Então o quê que acontecia? Diziam: “Estourou a greve”. Nessa altura, não passava… Antes da Revolução, era bem radical, eu lembro que um dos superintendentes da Carbide, ele tava em greve. Ele tentou ir com o carro dele e o piquete não deixou. Aí deixaram o carro, falaram pra ele: “Você quer, você vai a pé”. Só que de Cubatão até o Polo, onde é a fábrica, é uma distância muito grande. Ele se propôs a ir a pé e aí, eles fizeram corredor polonês – já era um senhor – batiam na cabeça dele, faziam miséria. Então, havia um extremo de um lado. Aí veio a Revolução. Teve o extremo do outro lado, de pessoas de dentro da fábrica, que se escondiam, com medo de serem identificadas, ou coisa parecida. Então, a greve era um movimento assim, muito extremo nessa época, logo em seguida da Revolução. E a partir daí, acabaram as greves, porque era Ato Institucional número cinco. Era um regime de exceção. Mas antes disso, as greves, elas aconteciam normalmente. Por exemplo, parava o pessoal dos bondes, em solidariedade, parava o porto, em solidariedade, parava o transporte, sabe? Era uma cadeia que a gente percebia que tava meio sem controle e isso tinha como consequência o povo de modo geral. Foi uma época muito ruim, que eram greves atrás de greves. E muitas vezes, a gente não via muito motivo de greve. Então esse é um lado totalmente extremo. Veio a Revolução, acabou com tudo isso, mas também acabaram com todos os direitos. Eu lembro que lá na época, a gente trabalhava seis horas, depois mudou para oito e ficou tudo igual, não teve aumento de salário, não teve nada, simplesmente mudou o regime (risos). E depois, quando eu vim pra cá, já em 1971, ainda tinha muito essa questão ainda dos militares procurando o pessoal de greve, essas coisas todas. E mesmo aqui no Polo também, teve movimentos grevistas. Só que aí, já era num outro nível, sabe. Não existia tanto radicalismo, não sei se seria tanto, mas não era tão radical, como era antes da Revolução. O pessoal criava dificuldades, as fábricas criavam… Que até a gente brincava, por exemplo: “tem a CUT [Central Única dos Trabalhadores], a gente precisa ser anti-CUT”. Então, vamos supor: ‘O sindicato vai fazer uma assembleia hoje à noite e vão deflagrar a greve”, então as fábricas já se preparavam, entende? Muitas vezes, levavam já colchonetes, falavam com os operadores e a gente se preparava a questão da cozinha e tudo. E as pessoas que queriam continuar trabalhando, as fábricas remuneravam, e a pessoa ficava lá com toda assistência, todo apoio, coisa parecida e a fábrica nunca parou. Polo aqui nunca parou por questão de greve. Coisa que aconteceu por exemplo, em Camaçari. Em Camaçari o movimento era muito forte, o movimento grevista lá nessa época, antes da Revolução. Eles chegaram a parar o Polo Petroquímico. Aqui nunca parou, assim, praticamente por um movimento de greve. Depois, meio a fábrica estava parada: “Agora nós não vamos voltar a funcionar com a fábrica”. Mas isso era… Assim: “Nós vamos desligar as máquinas e cruzar os braços” não aconteceu. Pelo menos nas fábricas que eu tomei conta, que eu trabalhei. Graças a Deus, eu nunca tive esse tipo de problema não. Foi um momento de muito aprendizado, sabe, porque toda vez que você vê as coisas de exceção de um lado ou de outro, você precisa ter olhos pra ver, ouvidos pra ouvir e cabeça pra saber qual é o caminho correto que você tem que trilhar. Não é nem o da direita e nem o da esquerda, normalmente, é o centro e aí, você tem que ter o bom senso para tudo isso. Então, foi uma época assim, pra mim, de grande aprendizagem. Eu cheguei a ver gente fazer sabotagem e falar pra mim: “Se você falar, eu te arrebento”. Eu era mocinho, com certeza ele ia me arrebentar mesmo (risos). Mas até hoje, levo isso ai pro túmulo. Então tinha esse tipo de coisa que era muito grave, mas era o outro lado que eu te falei, era o outro extremo, né? Mas foi uma época assim, muito rica de aprendizado, sofrida, porque às vezes, a gente não tinha condição. Tinha que ir a pé, tinha que ficar dentro de fábrica e tudo, mas eu acho que isso nos trouxe bastante maturidade. Porque antes, esse regime que tinha antes, o patrão, o empresário era refém dessa situação. Quando veio a Revolução, foi ao contrário, o empresário, ele se respaldou na Revolução, e o outro lado ficou refém, depois quando houve a anistia, que acabou a Revolução, que anistiaram todo mundo. Houve essa anistia, então começou a ter um aprendizado de convivência entre o sindicato e o empresário e hoje, eu acho que tá num nível de maturidade muito grande, muito grande. Hoje, o líder sindical entende o empresário, o empresário também entende o líder sindical. Mas isso foi um caminho muito longo e muito sofrido pros dois lados, pros dois lados.

 

P/1 – E seu Nívio, eu queria perguntar em relação ao entorno do Polo, como que foi pro senhor acompanhar assim desde lá atrás, antes, quando não tinha nada, ver tudo acontecendo, as coisas mudando, o senhor comentou um pouquinho do transporte. Eu queria que o senhor falasse assim, acompanhou o crescimento da comunidade ao redor.

 

R – É interessante, que quando tava construindo o Polo, não existia aqui a Avenida… Essa avenida aqui do lado do rio Tamanduateí. Pra você ter acesso ao Polo, quem vinha de Santo André, você tinha que vim pelo Ipiranguinha, passar pela linha de trem aqui e subir pra cá. Não existia isso aqui. Acho que fizeram a primeira pista quando foi pra inaugurar a Petroquímica. Acho que foi em 1972, por aí, que fizeram a primeira pista. Mas só fizeram um lado, o lado do rio, e era mão dupla, e fizeram a toque de caixa, seis meses depois, tinha uma cratera, que na época, o pessoal colocou até uma placa: “Cratera da Lua” (risos), entende? Então, não tinha… Ou você vinha por aqui, ou você saia aqui pelo Itamaraty, dava uma volta imensa para poder sair do Polo e na época da construção, praticamente não tinha nada aqui. Tanto é que ali hoje em frente de onde é hoje a fábrica da Braskem de polietileno, ali tinha um projeto de fazer uma central de bombeiros que atendesse todo o Polo. Mas o quê que acontece? Os terrenos, eles eram baratos e o pessoal começou a se aproximar, foi comprando, foi comprando, foi comprando e  de repente, a gente tinha uma avenida separando a comunidade das fábricas, mas isso, em todos os lugares aconteceu. Se você ver, dentro daqui dessa unidade, se você olhar ali tem uma rua, tem uma casa já, um bairro que tá aqui do lado. Então isso foi uma das coisas que foi muito falha. Porque como eu falei, como foi o primeiro Polo, ele não teve um planejamento e não teve também talvez um comprometimento dos órgãos, sei lá, municipal, ou estadual, no sentido de preservar uma área, para que o Polo ficasse separado da comunidade. Porque hoje, até hoje, o pessoal da comunidade reclama que tem barulho, que tem cheiro, que tem uma coisa, que tem outra, por quê? Se você tivesse um cinturão verde, ele já te protegia muito mais disso aí. Mas como foi o primeiro, ele não foi bem estruturado, diferente de Camaçari e diferente do Rio Grande do Sul, e da Rio Polímeros. Mas isso aqui era totalmente… Pra chegar aqui era difícil, quando estava construindo, a gente não tinha restaurante. A gente chegava na hora do almoço, pegava o carro e ia comer lá na refinaria. Descia por aqui, dava a volta e ia almoçar na refinaria, porque as fábricas não tinham restaurante. Ainda não estavam... Quando eu entrei, estavam em construção. Ainda tinha… Era só barro. Eu entrei em maio, ela foi partir… Em 1971, ela foi partir em agosto de 1972. Então tinha ainda um bocado de coisa pra ser feita. Depois não, foram construindo, e aí foram admitindo pessoas até um ponto que você consegue ter um restaurante já, meio improvisado, mas o pessoal não precisa se deslocar. Condução também, não tinha linha de ônibus pra cá, nem nada, as empresas tinham que estar fornecendo. No início, é muito difícil. Por exemplo, no meu caso, eu nunca tinha saído de Santos. Eu saí de Santos pra vir trabalhar aqui e não tinha Imigrantes, só tinha a Anchieta. E eu lembro que eu tinha um fusquinha 66 e dia de neblina, e quando eu dei conta, eu tava quase lá no Sacomã, já tinha passado o Polo, não conseguia ver. O quê que eu fiz? Um dia eu marquei a quilometragem, eu sabia, quando chegava naquela quilometragem, eu precisava estar entrando para o lado direito, porque quase você não via, de tanta neblina que tinha. Então foi muito difícil. Até pras pessoas virem pra cá no começo, sabe? Então você tinha que ter alguns benefícios diferentes do que se fornecia, porque toda instalação de Polo, pra você trazer bons profissionais, você tem que oferecer algo mais do que ele está tendo onde ele está, você tem que tirar ele de lá, só que você não pode oferecer tanto, porque tem o perigo de inflacionar e depois, como é que faz? A Folha fica muito alta, os custos ficam altos, o produto não tem margem e aí? Então, tem que dosar isso. Mas o Polo cresceu assim, ele cresceu muito desordenado, muito desordenado, e isso se paga um preço hoje por isso.

 

P/1 – E seu Nívio, o senhor comentou que todo mundo se conhecia, eu queria perguntar um pouquinho como é que era a relação de trabalho, até entre as empresas, tinham alguns encontros, algumas festas assim?

 

R – As fábricas, a gente tinha um número bem menor de pessoas. Você dentro da sua fábrica, você praticamente conhecia todo mundo por nome. E o setor petroquímico, o turnover é muito baixo, a rotatividade é muito baixa. Você entra numa fábrica, você pergunta quem tem dez anos é novo, entende? Depois não, agora, se você fosse dentro das fábricas, tem gente aí com 30, 30 e tantos anos. Então, era… O pessoal era muito próximo. Como as fábricas tinham acionistas diferentes, antes do grupo Sinergia, eram núcleos separados, as fábricas, a gente podia conhecer um ou outro, coisa parecida, mas não tinha esse relacionamento. O que criou, o que fez isso, foi o grupo Sinergia, foi quando a gente começou a juntar as pessoas, então se reuniam pessoas da área administrativa, de todas as fábricas para se discutir determinado prestador de serviço, área de transporte? A mesma coisa. A área de manutenção? A mesma coisa. Então, as pessoas começaram a se conhecer e como o ônibus… Como é que se diz? Compartilhado com as outras fábricas, então viajava gente de todas as fábricas dentro de um próprio ônibus. Mas até então… Ou seja, de 1971 até praticamente 1994; 1996, cada fábrica era uma fábrica estanque: tinha o seu ônibus, tinha o seu pessoal, tinha a sua segurança, tinha o seu serviço de refeitório, era totalmente independente. Depois não, depois com o Sinergia, começou a mesclar tudo isso aí. Tinham esses encontros, por exemplo, Sinergia se reunia cada vez numa fábrica, então iam 15; 20 pessoas pra lá, então você já fazia o seu network ali com outras pessoas. Mas até então, não. Mas por causa disso, era muito fechado, por causa de serem acionistas diferentes também e interesses outros também. O Sinergia que quebrou isso. E na verdade, foram essas três pessoas, o Barney, eu e o próprio Fragale também. Se você pegar a história você vai ver que nós tivemos grande dificuldade, por causa da barreira dos acionistas, não do pessoal, não, dos acionistas.

 

P/1 – E seu Nívio, como que foi essa coisa… O senhor ia e voltava de Santos todo dia assim?

 

R – É, isso também é uma história. No começo, eu te falei que eu tava sozinho. Eu acabava me perdendo, depois eu aprendi o caminho e tal. Aí, começou a vir mais gente de Santos, veio esse amigo, que eu te falei, que era o Villas-Boas, teve um outro rapaz, o Carlos Carazo, mais um outro, então a gente compartilhava a condução, mas só tinha a Anchieta para subir e descer. Mas até aí, a gente trabalhava no horário administrativo, a fábrica não tava rodando. Até aí, não tinha, vamos dizer assim, dificuldade, e se você chegasse um pouco atrasado e saísse mais tarde, não tinha. Só que depois veio… A fábrica partiu, vieram os turnos e os turnos têm revezamento, você tem que chegar pro outro sair. E tinha muita gente de Santos, por quê? Porque lembra lá atrás que eu contei daquela unidade Wulff que fechou? Então, muitas das pessoas com boa experiência, eles vieram pra cá, como a gente conhecia esses profissionais, eles vieram conosco pra cá. Então, cada turno tinha no mínimo de três a cinco pessoas que moravam em Santos. Esse pessoal, eles faziam rodízio entre eles, cada dia, um vinha com o carro. Mas só tinha a Anchieta. E aí, entra uma outra história: como só tinha uma Anchieta, na época de verão – eu tô falando em 1972; 1973; 1974; 1975 – na época de verão, existia um carro chamado Aero Willys. Esse carro, como só tinha Anchieta, ele começava a subir a serra e ele fervia e aí ele parava na serra (risos). E aí formava um congestionamento e você não tinha alternativa, só tinha essa estrada. Então várias vezes, quando não [era a] Kombi que pegava fogo também. A gente tem muita história. Só que depois, mais lá na frente criaram o pedágio e o pedágio era uma coisa que encarecia pra gente, então nós começamos a usar o quê? A estrada velha do mar, a serra velha. A gente saía, entrava ali por Ribeirão Pires e descia lá por Cubatão. Só que é extremamente perigosa essa serra, muito! Uma vez, um colega nosso ficou pendurado assim com o carro, balançando, cai, não cai lá pra baixo. Então, isso foi levado ao conhecimento do superintendente, que era um americano, chamado Ben Wogby. Nós falamos pra ele: “A gente anda por lá, porque é dinheiro, a gente não pode estar gastando de pedágio e tudo”. Então, ele resolveu que ele pagava o pedágio do pessoal. Aí ele pagou o pedágio por um bom tempo, depois, o pessoal foi se ajustando. Depois criaram uma outra pista em frente a Volkswagen, aquela pista marginal, que também não tinha. Então foi mudando e acabou cortando, como muitos benefícios foram cortados. Mas era muito difícil a gente chegar aqui, a gente entrava lá pelo Ipiranguinha, se passasse o trem, tinha que esperar o trem acabar de passar e às vezes vinha outro e a cancela não subia. Formava uma fila imensa lá. Então era uma… Hoje, a gente acha até meio folclórico, mas era meio desesperador também, sabe, porque você tinha horário pra chegar no turno e trem passava. Ou você chega muito antes, ou você tinha que chegar depois, atrasado. Então isso era uma questão que a gente teve que meio trabalhar, no sentido de saber direitinho os horários. No fim, a gente acabou convivendo, mas foi uma época bastante interessante pra chegar aqui, de dificuldade. Depois chegaram essa primeira pista, depois… Teve uma época que o próprio prefeito de Santo André, o nome dele… O primeiro eu não lembro, o doutor Brandão [Newton Brandão], ele andou nas empresas para recolher dinheiro pra poder recuperar a pista. De tão ruim que ela estava. Ela foi construída justamente para dar vazão aos caminhões que estavam ali. Imagina: caminhão pesado, fizeram uma pista para inauguração da Petroquímica, não foi uma pista bem compactada, nem nada. Andaram tampando os buracos e tal, mas depois não. Depois recuperaram essa e fizeram a outra. Ficou uma mão… Que é a que tem hoje, de duas vias, depois foi melhorando e tudo mais. Mas no começo foi muito difícil pra chegar aqui. Tanto é que o dia que eu vim aqui pela primeira vez, eu tava na Rhodia, e da Rhodia não dava pra chegar aqui. Me ensinaram o caminho que era lá pelo Itamaraty, que vinha. Ou então depois você tinha que vim lá pelo Ipiranguinha. Eu fui pelo Ipiranguinha e foi aí que eu passei aqui e vi que era Polietileno. Você vê como é que são as coisas, no fim acabei vindo pra cá (risos).

 

P/1 – E seu Nívio, o senhor é economista. Conta um pouquinho do período de faculdade, como que foi essa escolha profissional?

 

R – Então, eu… Estava já… Eu entrei na faculdade em 1963, justamente na época que eu tava entrando na Union Carbide. Eu tinha me formado em Contabilidade, então eu quis fazer. Porque eu sempre gostei de números, dessa parte, sempre gostei muito, acompanhamento político, essa parte econômica, eu sempre gostei. Eu fiz o curso de Economia de 1963 a 1966. Eu me casei em julho de 66, dia nove. E me formei no final do ano. Então eu tive seis meses ainda. Eu tava casado, mas estudava e trabalhava em turno. É muito difícil a gente tá trabalhando em turno e estar estudando à noite. É muito difícil. Depois que eu me formei de Economia, a minha ideia era que eu trabalhasse de economista. Eu me formei em 1966, você lembra que em 1968 tinha aquela unidade Wulff que estava partindo. Eu procurei o superintendente da Union Carbide, que era um engenheiro chamado Ubirajara, e falei pra ele: “Olha, eu tenho interesse em trabalhar na área de economia, assim, assim, assim”. A Carbide tinha em São Paulo e ele falou pra mim: “Então tá bom, eu vou pensar no teu caso”. Passava um tempo e nada dele pensar, ele só pensava, mas não falava. Um dia eu falei pra ele: “Olha, seu Ubirajara, como é que é? O senhor…” Ele falou: “Amanhã eu vou falar contigo”, aí no dia seguinte ele me trouxe uma régua de cálculo de presente, falei: “Ihhh, não tô gostando, ele tá me agradando” (risos). Daí eu falei: “É pra eu usar lá no escritório a régua de cálculo?”, ele falou: ‘Não, não, não, é pra você calcular outras coisas aqui na fábrica”. Falei: “Como assim?”, ele falou: “Olha, nós vamos fazer uma fábrica nova, assim, assim, assim, e você faz parte dos nossos planos. Então você provavelmente vai ser agora promovido e tal, tal, tal e tal”, “Ah, mas eu queria ser economista”, ele falou: “Não, experimenta aqui, fica aqui, vê se gosta disso aqui”. Gostar eu gostava, mas eu falei: “Mas não é isso que eu quero”, ele falou: “Não, eu vou ver lá, em todo o caso, eu vou ver”. O tempo foi passando, e eu acabei me apaixonando pelo processo lá, esse Wulff, que era computador, você imagina em 1968; 1969? E eu acabei ficando, acabei usando o meu conhecimento, como eu fui galgando alguns postos, como supervisor, você já tem um pouco de administração. Depois eu fiz o curso de Administração também. Sabe, eu fiz o curso de Administração, como eu já tinha muitos créditos nas matérias de economia. Na verdade, eu fiz dois anos de Administração. Fiz o terceiro e quarto ano e paguei alguns créditos do primeiro e do segundo ano. Então eu consegui me formar em Administração nessa condição. E foi interessante porque teve uma época em que… Essa fábrica aqui, eles criaram um centro de treinamento. E tinha um presidente, que foi até presidente da Petrobras, que ele queria que eu fosse o gestor desse centro de treinamento. Achava que eu tinha habilidade. Mas ele falou que eu tinha que me formar na área de química. Eu tinha experiência, mas eu não tinha o conhecimento, vamos dizer assim, acadêmico. Eu falei pra ele: “Bom, e aí?”, ele falou: “Você tem que fazer”. Eu fiz vestibular pra Engenharia lá em Santos. Passei no vestibular. Eu fiz o primeiro ano de Engenharia, Engenharia Química. Quando foi pra fazer o segundo, eu não aguentei. Até na época, o pessoas falou: “Você tá parecendo o Hulk, de verde”. Você imagina: trabalhar em turno, casado, já com filho e estudar? Era muito difícil, Engenharia, era muito difícil. Daí eu falei pra ele, depois, acabou abortando, nem teve esse centro de treinamento, nem nada. Mas eu acabei então ficando com o curso de Administração e de Economia. Depois, quando foi… Antes de ir pra Bahia, como eu ia ser o superintendente, eu fiz um MBA [Master of Business Administration] na época em São Paulo, junto com um outro engenheiro também da fábrica. Essa capacitação, ela me foi de muita valia, porque eu acabei, depois de um certo tempo, sendo menos técnico e mais gestor, mais administrativo. Porque a medida que você sobe na escala, lá, dentro de uma organização, principalmente… Você se afasta da área técnica e se aproxima muito mais da área administrativa. Isso me valeu bastante. Tanto é que eu me tornei diretor industrial, fui diretor lá na prefeitura, por causa dessa minha capacitação, dessa minha formação acadêmica.

 

P/1 – E seu Nívio, quando o senhor era pequeno, o quê que o senhor queria ser quando crescer?

 

R – (risos) Toda criança quando é pequeno, quer ser bombeiro, quer vender pipoca (risos). Eu era assim fissurado em futebol, desde pequeno. Como a gente era pobre, a rua era de terra, tinha vala, não tinha… O muro era tábua. A cerca de tábua. Então eu fui criado ali na… E adorava jogar futebol, gostava de jogar futebol. Como a gente era pobre, então, eu fazia a lição de casa lá da escola, e ia pra rua. Quando era a hora de subir, eu sei que o meu pai chamava (assobiando), esse pra subir eu já conhecia. Às vezes, faltava um gol pra terminar: “Falta um…”, não sei o quê. Às vezes passava do tempo, quando eu entrava, dava uma palmadinha. Palmadinha não, umas palmadas. Então, mas foi isso, eu adorava jogar futebol. Depois, quando eu me tornei mocinho, então eu jogava na várzea, joguei em seleção de várzea, essas coisas todas, mas sempre gostei. Era isso e voleibol. Como eu morava em Santos, a gente também tinha um time de voleibol de praia. Então eu jogava voleibol e futebol. Só que futebol, eu gostava tanto, que eu jogava, muitas vezes, no sábado à tarde, domingo de manhã e às vezes, se tivesse, eu ia à tarde. O quê que acontecia? Com isso, eu nunca fui gordo, eu acabava tendo um problema de saúde, eu me desidratava. Então, acho que dos 16 talvez até os 18 anos, uma vez por ano, a minha mãe me punha na Beneficência Portuguesa pra tomar soro. Porque por mais que ela falasse, eu adorava jogar futebol. Eu jogava razoavelmente bem. Um dia, o meu padrinho… Esse meu primo que eu comentei lá do café, ele também jogava. E ele comentou lá com o meu padrinho, que era o pai dele, que eu jogava bem, não sei o quê, o meu padrinho falou: “Então, vou levar ele pra treinar lá na Portuguesa”, foi aí que ele me levou pra fazer um treino lá, com esse treinador, que era o Filpo Nuñez, lá nos profissionais. Eu fiz os treinos, mas o meu pai sabiamente, o meu pai falou: “Ele tem que estudar, tem que trabalhar, futebol é outra coisa”. Então graças a Deus, eu sou muito grato, por exemplo, aos meus pais, porque eles nunca abriram mão, apesar da minha mãe ter pouca cultura, meu pai também, nunca abriram mão de formar todos os filhos, nunca abriram mão, sabe? E todos os sacrifícios que tinha que fazer, eles faziam, por conta de dar uma formação pra gente. Além da formação que eu te falei, moral, espiritual, de educação, de respeito, também essa, uma formação da gente poder vencer na vida. Eu falei pro meu padrinho: “Não tem jeito”, mas continuei jogando futebol, mas na várzea. Nunca mais me arrisquei a jogar futebol assim, como profissional. E joguei futebol até… Te garanto… Eu tô com 72, até uns dez anos atrás, eu jogava futebol. Depois começou a ficar um pouco mais difícil, pra jogar. Começou a espaçar e quando você começa a espaçar, você começa a perder capacitação. Eu fui vendo e chegou uma hora que eu falei: ‘Não, pera aí…”, já chega a hora. Tudo tem uma hora pra começar e pra terminar. Foi assim na minha vida profissional, na indústria petroquímica e foi também na minha parte de esporte. Eu caminho, eu ando bastante. Que nem, no hospital, são 740 leitos, a gente anda durante quase quatro horas terças e quintas, sextas também. Sábado e domingo, estando tempo bom, eu também faço caminhadas com a minha esposa na praia. Então, essa parte de esporte, de condicionamento físico, eu continuo fazendo, só que pela idade, com moderação. Eu faço também hidroginástica, faço tudo isso dentro dos nossos limites. Agora, a minha paixão era futebol. Se você perguntasse pra mim, eu sou frustrado porque hoje não consigo mais jogar futebol (risos). E às vezes, eu fico olhando. Até falei outro dia pros meus filhos, falei: “Cara, sabe uma coisa que às vezes me dá assim saudade rapaz? Não é outra coisa senão joguinho de futebol, sabe, era uma coisa que realmente eu gostava, desde criança, sempre gostei de jogar futebol. Um dos meus filhos joga… Jogava bem, ainda joga bem, o outro já não gosta tanto de futebol. Mas, foi sempre a minha paixão, mais o futebol do que o próprio voleibol. Voleibol também jogava, jogava razoavelmente bem, mas futebol, sempre foi a minha paixão. Eu jogava, jogava sábado, domingo, onde tivesse, eu corria atrás da bola. Mas tudo tem o seu tempo. Foi uma época muito… A gente era pobre assim, mas era muito feliz, sabe, muito feliz. Pegava a minha bicicletinha… Lá em Santos tinha os canais. A gente morava ali perto do canal um, eu pedalava até ali perto do canal cinco, que deve dar uns cinco quilômetros pra ir, encostava a bicicleta, jogava bola, pegava a bicicleta, voltava pra casa. Mas era um outro tempo. Hoje, você até pra andar de bicicleta pela rua, é complicado, pela quantidade de carros que tem. Foi uma época… Graças a Deus, foi uma infância assim, muito, muito feliz, pobre, mas digna e muito feliz, muito mesmo! E eu agradeço a meus pais.

 

P/1 – E seu Nívio, fala um pouquinho dos seus pais pra gente, o senhor contou que o seu pai era condutor de bonde. Você ia no bonde? Como é que era isso?

 

R – Ia (risos), mas pagava! É que em Santos, antigamente, a gente tinha os bondes e tinha o bonde da frente e tinha o de trás, que chamava “reboque”. Então, o preço do de trás era sempre um pouquinho mais barato, sabe, mas também balançava mais, era menos confortável. O meu pai trabalhava, a chapa de condutor dele, a gente chama de condutor, mas… Dá impressão de quem conduz o bonde, não era. Condutor era o que recebia e motorneiro era o que dirigia o bonde, porque o bonde era elétrico, de motor elétrico. Quem dirigia o bonde era o motorneiro, quer dizer, ele não saía do trilho, mas ele tinha que andar pra frente, às vezes, tinha que ir pra traz, tinha que fazer manobra e tal. Era o motorneiro. Então, o meu pai era o condutor. Condutor era o que recebia o dinheiro. Na época, os bondes eram abertos. Ele tinha um papel, chamava-se uma tira em que ele contava por exemplo, quantos passageiros tem? Cem passageiros, ele estipulava cem. E ia cobrando pros cem pagar. De repente aparecia um fiscal, ia lá e conferia: “Tem cem…”, se tivesse cento e dois, falava pra ele: “Olha, tem cento e dois, você marcou cem”, ele ia atrás dos outros dois pra cobrar e os bondes eram abertos. Meu pai foi uma vida muito difícil também, porque você vê, com quatro filhos, só ele ganhando de condutor. Tinha uma coisa que eu achava assim, muito interessante: como condutor de bonde, como ele recebia… Ele recebia muito trocado. O que seria hoje uma moeda de 50 centavos, uma moeda de um real, dois reais, cinco reais. Eles chamavam de troco. Então, ele pegava o dinheiro, o que era moeda, o que era dinheiro eles faziam assim, eles trabalhavam assim, com as notas aqui, tinha um monte de nota aqui, ele segurava com essa mão nos balaústres, pra poder ir de banco em banco, que andava pro lado, fora do bonde. Lado externo do bonde. Não é que nem hoje, tem o camarão, você tá dentro, não, era aquele de fora. Então, ele ia cobrando do pessoal, nessa mão punha umas moedinha pra… Segurava lá meio… Meio capenga, mas segurava. E esse dinheiro trocado, ele muitas vezes, quando tinha circo, ele fornecia pro circo, e a gente ganhava ingresso pra poder assistir o circo, porque a gente não tinha dinheiro. Uma outra coisa era às vezes no armazém, ou na… Como era? No açougue, então ele dava trocado, o senhor lá dava um fígado, dava um rim lá pro meu pai. Essas coisas, eu falo com orgulho, como eu falo quando eu comecei a trabalhar, que eu limpava o banheiro, varria o chão, eu acho que isso dá uma dignidade pra gente pra valorizar as pessoas depois, sabe? Quando você tem uma pessoa que nunca vivenciou isso ai, que teve por exemplo, uma ascensão muito rápida, ele perde valores humanos, ele perde esses valores, ou nem consegue ter esses valores. E quem vivenciou, por exemplo, que nem eu vivenciei, tudo mais, eu tenho um respeito grande. Eu só cheguei onde eu cheguei, porque as pessoas que trabalharam comigo me deram suporte pra eu chegar onde eu cheguei. Eu não cheguei lá sozinho, isso eu sempre reconheci. Então, esse valor das pessoas, eu sempre tive e eu tenho certeza que foi por tudo isso que eu passei quando eu era pequeno. Pelos valores, pelas dificuldades que eu vi dos meus pais, e tudo. Isso tudo me ajudou. Eles foram sempre pessoas muito dignas. Eu por exemplo, antigamente, você ia na padaria, comprava o pão, eles anotavam numa caderneta, você deve ter ouvido a tua mãe, sua avó falar, caderneta, quando o meu pai recebia, a minha mãe pegava o dinheiro ia lá, somava, ela pagava. Ele dava um saco de farinha, dois de farinha pra fazer pano de prato. Só que pano de prato a gente não usava muito, então a minha mãe pegava, tingia aquele pano e fazia shortinho. Então, de vez em quando, eu encontrava escrito aqui: “Moinho Paulista”, “Moinho Santista”, (risos), porque vai saindo aqui, mas ela tingia isso, entende? Foram coisas assim que eu guardo na minha lembrança das dificuldades que a gente teve e como foi gostoso superar tudo isso com dignidade. Foi muito, muito, muito importante. Então, meus pais, pra mim, são assim, um exemplo. Eu tive a felicidade de conviver com eles por muitos anos, eles morreram muito, muito, muito, com muita idade. O meu pai morreu com 90 e poucos, a minha mãe com 90 praticamente. Então, eu tive essa felicidade, quando tem gente que nunca viu a cor do cabelo, os olhos dos pais, eu tive essa felicidade. E os valores que eles me passaram, é isso, é o que a gente tenta passar pros filhos hoje, também, que graças a Deus, eu acho que até mais a minha esposa do que eu. Porque na verdade, eu sempre saí pra trabalhar e a minha esposa que cuidava deles. A minha esposa sempre foi uma pessoa muito rígida, sabe, na questão de educação, de valores também. E na parte também de transmitir a eles, espiritualidade. Então hoje, eles são pais de família, mas eles têm esses valores que eu tenho, eu tenho certeza que eles têm também, fruto do trabalho que a minha esposa fez. Eu, talvez, provesse mais essa parte financeira, pra eles fazerem inglês, fazer faculdade, fazer isso, fazer judô, fazer karate. E ela, ela que praticamente dava todo esse suporte dentro de casa. Eu tive a felicidade também, nem falei, mas, de como profissional, viajar para vários países, buscando tecnologia, negociando tecnologia. Eu graças a Deus, sou uma pessoa extremamente realizado assim, como ser humano. Volto a insistir, que Deus me dê saúde pra diminuir meu débito que eu tenho com ele (risos) trabalhando pra comunidade, que é o que eu tô fazendo, tô muito… Muito prazer. Mas, os meus pais foram os meus ícones assim, de formação.

 

P/1 – E seu Nívio, o senhor chegou a conviver com os seus avós?

 

R – Olha, eu tenho uma leve lembrança do meu avô e da minha avó já é mais, porque a minha avó quando faleceu… Da parte do meus pais não, porque eram portugueses, faleceram lá em Portugal, eu nunca os vi. Mas os pais por parte da minha mãe, da minha avó ele lembro, do meu avô, eu tenho uma lembrança pequena, minha mãe conta histórias e tal e eu lembro, meu avô já… Devia ter o quê? Uns sete anos, seis anos. Ele teve um derrame, então eu lembro ainda dessa época. Ele já doente, acamado. Meu avô tomou a primeira injeção, tinha 70 anos, nunca tinha tomado uma injeção. Era um pessoal forte. Minha avó, não. Minha avó, convivi com ela até um pouco antes de eu casar, eu casei com 26 anos, talvez até uns 24 anos, por ai, eu convivi com a minha avó. Ela era um toquinho de gente assim, não tinha cultura, não tinha sabedoria. Foi assim, gratificante porque a gente percebia essas pessoas de antigamente, eram muito mais conselheiras, por quê? Porque a gente não tinha com o que se distrair, hoje, talvez, a gente compartilhe o tempo com televisão, com isso, com aquilo. Naquela época não tinha, era radio. Eu lembro que a gente jantava cedo, ia pra rua, que era de terra. Aí o pessoal sentava na cadeira junto com os vizinhos, a molecada ficava brincando. E eles ficavam batendo papo ali até umas oito horas, nove horas, acho que nem nove, umas oito e pouco. Se recolhia todo mundo, ia dormir porque no dia seguinte tinha que estar trabalhando. Tinha mais esse tipo de convivência. E  com a minha avó eu convivi mais. Só que depois ela ficou com… Ela tinha asma, mas foi muito legal conhecer mais a minha avó. O meu avô não, meu avô, ele gostava… Minha mãe conta que ele gostava muito de mim. Meu avô era jardineiro, ele tomava conta de um asilo de freiras lá em Santos. Ainda existe. E tinha uma cultura de morango. Então a minha mãe conta, diz que o meu avô, de vez em quando, tinha morango madurinho (risos), punha folha em cima, pra depois pegar o morango e levar pra mim. Quando o meu avô chegava em casa, ele assobiava, eu sabia que era o meu avô chegando, eu não olhava pra cara dele, eu olhava pra mão (risos) pra ver se tinha alguma coisa, né? Então, são coisas assim que a gente lembra com uma saudade, mas com muita graticidade a Deus por ter vivenciado tudo isso.

 

P/1 – E seu Nívio, os seus avós de Portugal, qual que é a história da família, que região de Portugal?

 

R – É, do meu pai, meu pai era de Manhouce, São Pedro do Sul, uma região também de Portugal, que não é uma região muito de agricultura, eu não cheguei a conhecer. Tanto é que lá, o pessoal até brincava, que lá parece que só tinha… Como é que chamavam? Árvores e Pedra. Não tinha muita… Muita agricultura. Já no caso da minha mãe, dos meus avós, era de Ranhados. Ranhados do Douro, já era uma região mais agrícola. Era uma região um pouquinho, talvez melhor, tanto é que o meu pai veio pro Brasil com 14 anos. Ele veio sem os pais, ele veio, porque tinha um irmão aqui, que era o meu tio Serafim. Então, o meu pai, puseram ele no navio, uma família que se responsabilizou pela viagem. Ele com 14 anos, veio pro Brasil, então você imagina a dificuldade, imagina um jovem, hoje com 14 anos atravessar esse Atlântico dentro do navio, chegar num país, numa cidade desconhecida, pra poder começar a fazer a vida. Teve muita dificuldade. Depois que ele entrou nos bondes, já tava numa condição um pouquinho melhor. Mas trabalhou como padeiro, entregador, trabalhou em bar, essas coisas, esses serviços mais simples. Porque antigamente pra você trazer alguém, chamava uma “Carta de Chamada”, então vamos supor, eu quero trazer um parente de lá, eu mandava uma Carta de Chamada já me comprometendo que eu ia arrumar emprego pra ele assim, assim, assim, assim. Isso era bem no passado. Então, o meu pai veio nessa condição. O meu tio tinha mandado uma carta dizendo que… Meu pai veio e foi trabalhar, inclusive, o meu pai trabalhou no… Acho que você não conhece, o Almeida é um restaurante que tem aqui em Santos, no final da Ana Costa, famoso. Meu pai chegou a trabalhar lá também. A minha mãe não. A minha mãe já veio, já veio moça pra cá, e veio com os meus avós, Já teve uma outra condição, né? Meu pai foi muito sofrido. Mas acho que foi por isso que esses valores todos foram passados, sabe, porque tudo o que é mão beijada, o pessoal não valoriza muito. Tem que batalhar, tem que lutar, tem que perseverar muito. Muito gostoso.

 

P/1 – E agora, eu só vou fazer umas perguntinhas avaliativas pra gente terminar, eu queria saber quais são as principais conquistas assim, na vida do senhor, pensando nessa trajetória toda?

 

R – Olha, primeiro essa minha ascensão, que eu te falei que eu nunca planejei, mas graças a Deus, o apoio das pessoas que trabalhavam comigo, eu tive a benção de Deus ai pra crescer. Em 1998, vamos começar um pouquinho mais… Em 1994, quando eu voltei da Bahia pra cá, essa fábrica, ela tava muito mal cuidada. Muito mal cuidada. Tinha portão caído, mato crescido. Isso quem tá falando, quem falou foi o presidente que era o Álvaro Cunha, que era o presidente da OPP. Me trouxeram pra cá, pra poder ajudar um pouquinho. Como eu fiquei quatro anos, fiquei desde 99, fiquei cinco anos fora. Eu voltei, conhecia as pessoas, a maior parte das pessoas eu conhecia. E aí, a empresa disse não tinha dinheiro pra fazer o que precisava ser feito. E eu comentei com eles. Falei: “Gente…”, juntei os gerentes, eu era o superintendente, falei: “Vamos fazer um mutirão, vocês topam? A gente combina, vem um sábado pra cá, a gente se estrutura, planeja tudo, eu vejo de eu autorizo, se tenho autorização pra gente trazer um barril de chope, a gente faz pipoca, amendoim no restaurante. A gente fica das oito até umas três horas da tarde, fazendo o que tem que fazer. A gente vai se planejar, pintar, cortar mato, fazer o que tem que fazer, pintar, fazer o que for, arrumar coisas que estão quebradas. E às três horas a gente para e aí, a gente vai pro restaurante e faz uma confraternização. Vocês topam?” “Topamos”. Falei com o rapaz da manutenção, ele providenciou a quantidade de vassoura, de rodo, de pincel, de material de pintura, mais não sei o quê, tava tudo arrumadinho. Ai soltei um comunicado dizendo que naquele sábado era um trabalho voluntário, assim, assim, assim, e quem pudesse vir contribuir e tal, tal, tal. Eu lembro que teve uma moça que me perguntou: “Ah, seu Nívio, o quê que eu venho fazer?” “Ah, o que você vem fazer? Se você quiser vim, você vem, você se apresenta, onde tiver gente pintando, você leva garrafa de água e café, se apresenta: ‘Olha, sou fulana, trabalho com fulano, quem quer água, quem quer café?’, você vai conhecendo. Pergunta o nome, tal, vai ser gostoso.” “Ah, legal”, não sei o quê. Tava tudo certo pra sábado. Quando chegou sexta-feira de manhã, que eu chego na fábrica, cheio de panfleto, o sindicato, eu sendo superintendente escravagista, mal caráter (risos). Tudo que você pode ter em termos assim, pejorativos, tava pra mim. Falei: “Caramba, que enrascada que eu me meti”. Liguei pro meu chefe, falei: “Olha, tá desse jeito”, ah, o “Estado de São Paulo” ligando pra me entrevistar, porque eu era o superintendente escravagista. Imagina. Forçar o pessoal a trabalhar sem ganhar. Mas tudo foi o sindicato que armou. Então eu falhei em algum ponto, eu chego lá depois. Liguei pra ele, falei pra ele: “Olha, tá desse jeito”, ele falou: “Não, faz, faz e paga hora extra”, falei: “Não, ontem não tinha dinheiro, hoje vai ter? Eu me desmoralizo gente, o que é isso? Eu vou abortar” “Não…” “Não, não vou, vou abortar. Então, posso tomar essa decisão?” “Então está bom”, ai reuni o pessoal todo com um nó na garganta, que você não imagina, pensando: ‘onde que eu errei?, falei: “Amanhã não vem ninguém, ninguém, ninguém. Eu venho e vem o rapaz de RH, hoje, ele vai no sindicato avisar que nós não vamos mais fazer o mutirão. Ele vai lá falar e amanhã, ele vem aqui e eu vou estar aqui. Mais ninguém, não tem hora extra pra ninguém. Ninguém, ninguém, ninguém. Tudo bem?” Aquilo ficou. Fui pra casa, voltei no dia seguinte, quando eu chego, o carro de som – no sábado – ali tocando música e mais, acho que tinha um ou dois carros de som. E crentes que eu tinha dado um blefe neles, né? Cheguei, cumprimentei, tal, subi na fábrica, fui lá e fiquei, chegou o rapaz, ele falou: “Pô, os caras estão…” “Estão, eles não acreditaram que você foi lá e falou que não ia ter nada”. Aí falei pra ele: “Avisa eles,  que não vai ter nada, se eles quiserem ficar, só abaixa o som, que nós vamos estar trabalhando aqui, tudo bem?”. Ele foi lá, conversou, o pessoal abaixou o som, mas continuou até umas dez horas, achando que nós tínhamos mudado o horário, coisa… Depois foram embora. Eu falei – isso foi uma coisa ruim que eu fiz, depois vou falar a boa – ai eu falei: “Cara, onde que eu errei? Alguma coisa saiu errado”. Passado um tempo, que eu fui almoçar com uma pessoa do sindicato, por uma outra razão, e conversando com ele, eu perguntei, eu falei: “Fulano, quê que aconteceu aquele dia? Eu não quero saber nome, não quero… Só quero saber onde eu errei, que é pra não errar de novo”, ai ele falou: “Sabe o que foi Nívio? Você colocou um papel lá, não colocou? Esse papel apareceu no sindicato e duas mulheres ligaram dizendo que tinham combinado com os maridos de fazer algum programa ou compra… E que eram obrigados a ir pra fábrica pra trabalhar e sem ganhar e aí…”, falei: “Ah, foi isso?” “Foi” “Então está bom, só queria saber onde que eu tinha errado”, né? Bom, o relacionamento com o sindicato passou a ser depois, excelente, eu nunca tive… Aí eu quis fazer isso em Cubatão, quando eu assumi, lembra? Cubatão lá que nós compramos da Dow, a fábrica também tava muito ruim, só que eu tinha aprendido a lição aqui, ai eu, antes de mais nada, convidei o presidente do sindicato e mais um diretor e disse: ‘Olha, eu queria que vocês viessem almoçar comigo na fábrica”. Eles foram, levei eles na fábrica, mostrei que a fábrica tava bem ruim, ai eu falei pra eles: “Olha, aconteceu um caso assim lá em Santo André, eu pisei na bola, por isso eu te trouxe aqui. Eu pretendo fazer um mutirão assim, assim, assim, sem pagar hora extra, nós vamos ter uma confraternização no final e tudo mais e eu quero saber o seguinte: você me autoriza fazer?”, ele não respondeu. Deu uns três passos e eu falei: ”Caramba”, ai ele falou assim pra mim: “E se tiver um acidente?” “Eu assumo, como se tivesse trabalhando”, ele falou: “Pode fazer”, o pessoal fez bonezinho, fez camisa, fizemos uma festa lá, convidei ele pra ir, mas ele acabou não… Fizemos uma churrascada. Por exemplo, essa foi uma reação muito feliz que eu tive, contra aquela, que o pessoal só conta coisa boa (risos), eu já fiz burrada também, sabe? E a outra foi em noventa e … oito, acho que foi em 1998, que essa fábrica, lembra que ela tava… que eu te falei, que o pessoal, presidente que tinha vergonha de passar em frente a ela, em 1998, nós ganhamos o prêmio de desempenho empresarial, é o maior prêmio da região… tem um jornalista, o Daniel Lima. Ele tinha uma revista “Livre Mercado” e ele fazia essa competição entre todos os segmentos: indústria, serviços, institucionais, órgãos públicos, pra ver o melhor case que tinha e isso era votado, tinha um conselho composto  por gente bastante importante. E nesse ano, acho que foi 1998, a fábrica ganhou o prêmio por ser a fábrica mais organizada, mais… Tudo o que foi de bom, saiu na primeira página do “Diário do Grande ABC”: “OPP, vencedora do prêmio”. Foi uma realização, assim, minha profissional muito grande, sabe, pelas pessoas, porque não fui eu que fiz, né, eu até brinco: “Vocês já viram o desfile do Rio de Janeiro? Tem aqueles carros alegóricos maravilhosos que botam o pessoal lá em cima, dando beijinho e tem uma turma lá em baixo no caminhão, que ninguém vê, que empurra, né?”, eu falo: “Esses são vocês e eu vou lá em cima dando beijinho”. Então eles é que fizeram, então foi por eles que eu achei que a gente ganhou, ganhou tudo que foi prêmio, eu ganhei como “Melhor Empresário”, prêmio dos… Olha, nós já ganhamos cinco prêmios esse ano. Até a área de comunicação, que na época era o Alexandrino com a Wanda, eles mandaram um cartão dizendo que eles já estavam há três anos e não tinham ganhado tantos prêmios, como nós ganhamos numa noite só (risos). Então, foi uma realização muito, muito grande que nós tivemos, pelo pessoal da fábrica. Sabe, de sair daquela condição que a gente tava. Isso até hoje, é reconhecido, porque há um ano atrás… Um ano atrás, agora, seis meses atrás, esse presidente, que hoje ele é conselheiro da Odebrecht, ele participou de um evento e ele citou esse fato aí. Dizendo que… Ele usava uma expressão dizendo que o pessoal tirava leite de pedra, entende? Então foi uma realização muito grande foi esse prêmio que a gente obteve. E os vários recordes de produção, faz parte do dia a dia da gente. A gente trabalha pra isso. Você desculpa, acho que eu me emocionei, falar tanto!

 

P/1 – Imagina, tem que ser assim mesmo!

 

R – É que tem, tem muita coisa…

 

P/1 – Tem muita história

 

R – Que nem eu te falei, essas viagens que eu fiz, por exemplo, pro exterior. Essa fábrica de Santo André, ela foi a primeira fábrica que ela fez o acetato de vinila em 28%. Nunca ninguém tinha feito nessa tecnologia e nós fizemos, aliás, 20%, e eu fui nos Estados Unidos fazer a apresentação desse trabalho. Depois, nós fizemos a 28% e veio um grupo de coreanos aqui ver como que nós fizemos isso, então são coisas assim, bacana, né? Mas é o que eu sempre digo, é o grupo, são as pessoas, Deus me colocou sempre pessoas assim, muito importantes na minha vida, que me ajudaram muito, isso pra mim, foi importante.

 

P/1 – E seu Nívio, agora eu queria que o senhor falasse um pouquinho pra gente o quê que o senhor acha dessa ideia de fazer essa aproximação com as comunidades do entorno, de contar a história do Polo junto com a história das comunidades.

 

R – Olha, eu acho que foi uma ideia extremamente feliz, porque você vê, nós somos um país de 500 anos e quanta memória que a gente perdeu. Quanto trabalho bonito, bem feito que existe hoje, e não se tem o histórico disso, pessoas que… Eu vou só citar um exemplo, eu já chego nesse ponto, lá onde eu ajudo, no Lar Elisabete, eles começaram vendendo… Um vendia pastel, o outro vendia coxinha, hoje eles têm uma infraestrutura lá fantástica, e essa história se perde no dia que os dois morrerem. E eu fiz a cabeça deles, insisti tanto, que eles vão contar a história do Lar Elisabete. Eles vão contratar, vão pegar pessoas, né, até depois, se por acaso, você puder me ajudar nisso, me dá aí, que eu já levo pra eles e falo. Sabe, porque eu falava pra eles: ‘Gente, quem chega hoje aqui diz: ‘Que maravilha, que bonito, puxa, vocês atendem tantas pessoas de rua, tanto isso, tanto aquilo’ e como é que construiu isso, como é que foi feito isso? Quantos sorrisos vocês deram? Mas quantas lágrimas vocês também perderam pra chegar onde vocês chegaram? Ninguém sabe disso. Isso morre, tem que ter uma memória, tem que ter um livro”. Então, voltando, eu achei que foi uma ideia muito, muito, muito feliz, não só escrever o livro, como também esse museu aqui das pessoas. Porque veja bem, por quê que existe tudo isso aqui? Porque tem gente, porque tem capital, tem tecnologia. Capital e tecnologia sem gente, não acontece nada. Teve uma fábrica em Camaçari que foi desativada lá, desativaram, alguém chegou e comprou aquela massa falida. Sabe o quê que ele fez? Ele foi buscar as pessoas que tinham trabalhado nessa fábrica e pôs ela pra funcionar. Não pagou royalties, não pagou tecnologia, não pagou nada, sabe por quê? Porque a tecnologia tava na cabeça das pessoas. Quando a gente faz um empreendimento, a gente compra essa tecnologia, são os livros, você paga 30; 40 milhões, muitas vezes, por isso aí. Você faz o projeto, monta a fábrica, parte a fábrica, ela passa a produzir, aquilo ficou guardado dentro de um cofre. A tecnologia tá na cabeça das pessoas. Você vê a importância que têm as pessoas? Então eu achei que foi uma ideia assim, tão feliz de contar como é que foi isso aqui, porque hoje o pessoal chega e fala: “Tem um Polo”, mas não sabe que não tinha acesso, não sabe que não tinha ninguém morando por aqui, não sabe que as pessoas se assustavam com tudo isso, que hoje tem uma convivência diferente, sabe? Essa memória é um negócio fantástico, fantástico. Então, tá de parabéns, a Braskem, não por eu estar falando, mas por estar catalogando toda a história dessas pessoas. Algumas mais alegres, algumas até mais tristes, mas são histórias que tem que ser feitas, porque isso faz a memória e a gente fala: “Somos um país sem memória”. Mas não é que é um país sem memória, é que a gente não tá preservando isso aí. Tô te falando dessas instituições que existem hoje, tô usando essa, porque eu tô lá dentro, mas tem tantas outras, que as pessoas que se doaram ali, que doaram até o bem dela, uma casa, não sei o quê. E trabalharam, trabalharam, nem fazem parte da história, por quê? Porque ninguém resolveu escrever nada a respeito daquilo, que é uma homenagem que se faz às pessoas. Então eu acho que foi uma ideia extremamente feliz, porque isso fica, você vê, esse Pólo, estamos falando de 1972, estamos falando há 42 anos, 40 anos que já tem, caramba! Imagina? O que tem de história nesses 40 anos? Isso se perde, gente, se perde. Quer dizer, muda a cultura, muda as pessoas, muda a participação societária das empresas, isso tudo vai mudando e se você não resgatar lá no início, como é que começou? Gente, começou com o sistema tripartite, tinham que ter isso aí. Era a Petroquisa, era o capital e tinha que ter a tecnologia. Todo polo Petroquímico aqui foi nesse tripé. E por quê que tinha a Petroquisa? Porque na época, a Petrobras não podia ser sócia, então, ela criou essa empresa, chamada Petroquisa pra se associar com essas empresas pra poder surgir o Polo Petroquímico. Sabe, então, isso se perde na história. Essas pessoas que eu te falei, que nem, por exemplo, eu citei o nome do Roque Perrone, são pessoas que amassaram barro direto aqui pra que acontecesse a construção da Petroquímica. Foram para os Estados Unidos, contrataram tecnologia. Hoje é difícil, você imagina naquela época? São uns heróis essas pessoas e elas têm que ter a sua memória preservada. E se preservam por ai, por esse trabalho que vocês estão fazendo. Tá de parabéns, tá, tá de parabéns mesmo! Tá?

 

P/1 – Bom, seu Nívio, muito obrigada pela sua história, parabéns pela sua história. E a gente encerra por aqui, agora.

 

R – É, eu que agradeço por ter participado, que eu valorizo muito essa questão. Obrigado.

[Fim da Entrevista]
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