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História

Do Brechó a Câmara de Comércios

História de: Hilda Margarita Makuz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/06/2005

Sinopse

Nasceu em Buenos Aires. Foi a principal secretária da Câmara de Comércia Brasil Alemanha. Adora presentear todos com produtos Natura. Vende muita a linha Ekos para os estrangeiros.

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História completa

P/1 – Dona Hilda, antes de começar a nossa entrevista eu vou pedir para a senhora falar de novo o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R – Meu nome é Hilda Margarita Makuz – “Margarita” com “T” – eu sou Argentina, eu nasci em Buenos Aires, 26 de janeiro de 1940.

 

P/1 – O nome dos seus pais?

 

R – Meu pai, Federico Makuz, e minha mãe, Juana ____ de Makuz, ou (Johanna?), quando ele nasceu na Alemanha.

 

P/1 – Eu queria que a senhora falasse um pouquinho dessa ascendência da senhora. A senhora estava falando do “C” com cedilha em cima...

 

R – O sobrenome Makuz é origem eslovena. Lá na Eslovênia terminaria, o que agora a gente transforma em um “C”, é um “C” com cedilha em cima e sae pronuncia: “tzet”. Alemanizaram colocando um “Z”. Eu fiquei, nós ficamos com o “Z”, na realidade se pronunciaria “Makutz”.

 

P/1 – A senhora em que circunstâncias os pais da senhora vieram para a Argentina?

 

R – Sim, sim. Eles imigraram depois da Primeira Guerra Mundial. A minha mãe imigrou com os pais dela, aliás, o pai dela foi primeiro para a Argentina, e um ano depois foi a mãe com três crianças: um de quatro, um de seis e minha mãe de dez. A minha mãe cuidava de quatro no barco porque o meu tio estava muito doente, então, imagina, uma menina de dez anos cuidando de quatro naqueles barcos de imigrantes. Deve ter passado bastante. Meu pai não, ele já foi como aventureiro. Uma irmã dele estava lá, e eles queriam fazer a América. Ele tinha 20 anos quando ele migrou para a Argentina.

 

P/1 – Por que Argentina?

 

R – Porque ele tinha uma irmã que já estava lá e ela falava: ‘Vem, vem, aqui você vai fazer a América!”. Só que na Sul América ninguém fazia a América, eles confundiam América do Norte com América do Sul. Eles se conheceram e casaram, se reuniam em clubes alemães, os estrangeiros se reuniam nos clubes, aí se conheceram.

 

P/1 – E moraram lá até quando?

 

R – Sempre. Minha mãe fez 90 anos no ano passado, ela continua lá.

P/1 – Em que cidade?

 

R – Buenos Aires.

 

P/1 – Buenos Aires mesmo.

 

R – Plaza de Marzo. A um quarteirão da Plaza de Marzo, a casa do Governo. Lá ela mora desde 43, quando minha irmã nasceu eles já estavam morando lá.

 

P/1 – Dona Hilda, o que a senhora lembra da infância da senhora em Buenos Aires? O que ficou de marcante? Como era Buenos Aires quando a senhora era criança? 

 

R – A gente ia muito na Costanera. Onde estão agora todos os restaurantes famosos, esqueci o nome. Naquele momento era Costanera, eu aprendi a andar de bicicleta e aprendi a andar de patins aí. Todo domingo a gente ia lá porque não tinha muitos lugares para passear, a gente morava pertinho então íamos para lá.

 

P/1 – E período de escola, onde a senhora estudou?

 

R – Eu estudava perto de casa, também no primário, perto de casa. Ficava na ________, eu voltava de tranvia. Era uns dez quarteirões, a gente voltava de tranvia.

 

P/1 -  O que é tranvia?

 

R – O bonde.

 

P/1 – Trem?

 

R – Bonde.

 

P/1 – Bonde! (RISOS)

 

R – Mas sabe que aquela zona era terrível, era cortiço puro, tudo cortiço. Aquela zona que não é tão bonita de __________.

 

P/1 – E era perigoso? Tinha medo?

 

R – Era perigoso, mas a gente, à pé não, nada de à pé, no bonde só.

 

P/1 – E a escola? Era educação para meninos...?

 

R – Não, só meninas! Só meninas. E depois o colegial eu fiz a parte Comercial e estudei em outro lugar onde eu ia de subterrâneo, cruzando a praça, subterrâneo. Eu fiz cinco anos, eu fiz só o Comercial. A gente aprendia matemática, contabilidade, taquigrafia à máquina, essas coisas para já poder trabalhar depois.

 

P/1 – A senhora tinha algum sonho? O que a senhora queria ser?

R – Viajar! Meu sonho era viajar!

 

P/1 – E profissional?

 

R – Não, viajar. Viajar por aí. Porque em 52 o meu pai falou: “Vá para a Alemanha, vá conhecer.”, então eu fui com a minha mãe e a minha irmã, e eu adorei viajar! A gente passeava, ia de bicicleta por todo quanto é lugar, fomos a Munique, fomos à Áustria. E meu sonho ficou viajar. Eu até vi um ano livre no colegial para terminar mais cedo para poder viajar antes (RISOS). Eu comecei a trabalhar em escritório, tudo eu poupava para poder viajar, tanto assim que com 18, não tinha feito 19, eu viajei com uma família, eu fui para a Europa sozinha. Naquela época não era tão comum que alguém dessa idade viajasse sozinha. Fui para a Áustria, fiquei com a minha avó, fui para Munique, eu falei: “Ah, se eu arrumo um emprego, fico!”. No barco conheci um senhor, um psicólogo, e que depois chegou a ser padrinho da minha segunda filha, e ele: “Ah, eu tenho conhecidos na Embaixada. Bom, vou escrever.” – na Embaixada Argentina. Ele escreveu e falou: “Se apresenta.”, arranjei um trabalho na Embaixada Argentina, fiquei cinco anos. Viajei tudo que eu pude, se não era duas vezes por mês, viajei por tudo quanto era lugar. A gente sempre juntava grupinhos.

 

P/1 – Além desses lugares, Áustria, Alemanha, tinha algum outro país que a senhora tinha vontade, um sonho de conhecer muito forte?

 

R – Não, Alemanha. Conheci muito da Alemanha. Eu morei cinco anos na Alemanha, em _____, quando _____ era a capital da Alemanha, morei lá. 

 

P/1 – O que mudava dos costumes argentinos, do modo de vida da senhora na Argentina para a Alemanha?

 

R – A comida era bem diferente, depois eu estava sozinha, tinha que me virar. Do que eu ganhava eu tinha que viver. Era independência total! Para aquela época era bastante avançado.

 

P/1 – Com certeza! Em que circunstâncias a senhora veio para o Brasil?

 

R – Sempre falo isso, é um acidente de trabalho do meu ex-marido. Porque ele foi, eu casei, conheci ele lá na Argentina, a gente foi depois para a Argentina, ele trabalhava em uma empresa, depois entrou em outra empresa que enviou ele para a Holanda, moramos uns cinco anos na Holanda. Experiência em mudança internacional tenho bastante.

 

P/1 – (RISOS)

 

R – Ficamos cinco anos na Holanda, eles falaram: “Seria bom ir para o Brasil.”. Falei: “Tudo bem, é mais perto da Argentina, a gente não fica tão longe como na Holanda.”. Aí ele foi transferido para aqui.

 

P/1 – São Paulo mesmo?

 

R – Para São Paulo. Empresa holandesa.

 

P/1 – Como foi chegar em São Paulo, como era a cidade nessa época?

 

R – Isso foi em 77, dezembro de 77.

 

P/1 – Já era uma cidade grande?

 

R – Já era.

 

P/1 – Onde vocês foram morar?

 

R – Primeiro perto do Estádio Morumbi, aí ficamos três anos. Ele me largou, eu fui para a Vila Sônia, que é ali pertinho, e agora fui um pouquinho mais longe. Quando meus filhos saíram de casa eu fui mais longe.

 

P/1 – Dona Hilda, a senhora fez faculdade nesse meio tempo?

 

R – Não.

 

P/1 – A formação da senhora?

 

R – Colegial completo.

 

P/1 – É o colegial completo?

 

R – Hum, hum.

 

P/1 – Mas a senhora trabalha na Câmara de Comércio Brasil-Alemanha? O que a senhora faz lá?

 

R – Eu sou a secretária principal.

 

P/1 – Esse cargo que a senhora exerce é devido às várias línguas que a senhora fala, o que é?

 

R – Eu comecei com um salário. Porque quando meu marido me largou, ele nunca sustentou, então eu comecei com um salário-mínimo, e só para mostrar que eu sei trabalhar. Eu falei: “Não faz mal, o principal é ter um salário no final do mês, algo fixo.”, aí eles foram me passando de uma área para outra até chegar à secretaria. Não entrei direto porque eles não me conheciam.

 

P/1 – Mas a senhora tinha uma experiência anterior?

 

R – Tinha, tinha sim. Trabalhei na Argentina e os cinco anos na Alemanha.

 

P/1 – Como que a senhora chegou na Câmara de Comércio?

R – Uma das coisas que eu fazia para sobreviver era vender minhas coisas. Comecei vendendo minhas coisas, aí montei um pequeno brechó em casa e uma das clientes falou: “Meu marido está precisando de uma secretária na Câmara.”, aí eu comecei. 

 

P/1 – É uma batalha, né?

 

R – É bastante.

 

P/1 – Em que circunstância chega a Natura na vida da senhora?

 

R – Nessas circunstâncias. Antes do meu marido me largar, eu perdi uma filha com 15 anos, que era a mais velha, depois comecei a trabalhar e entre uma das coisas que eu fazia, era o brechó, vender Natura, vendia – a minha amiga falou que eu vendia cinco coisas ao mesmo tempo, eu já não me lembro o que era. _____ também.

 

P/1 - ____ também?

 

R – Também.

 

P/1 – Era por catálogo, né?

 

R – Sim, mas isso durou pouco tempo porque depois eu comecei a trabalhar mais e eu fiquei só com a Natura. Sempre digo, a Natura foi para mim a minha terapia. Outros iam nos psicólogos com os problemas, eu me dediquei à Natura e acho que saí ganhando.

 

P/1 – E como foi esse contato inicial? Alguém falou também?

 

R – Foi uma amiga. Uma amiga que era consultora, ela falou: “Começa comigo!”, falei: “Ótimo!”, então comecei com ela e depois logo fui sozinha.

 

P/1 – 76, 77, é isso? 

 

R – Agora vão ser 21 anos em abril. 81, 82, por aí.

 

P/1 – E nessa época, a senhora lembra da primeira venda que a senhora fez?

 

R – Foi um rímel para uma colega de trabalho. Me lembro muito bem. Era ________ naquela época ainda. 

 

P/1 – Ah, não era nem Natura?

 

R – Não.

 

P/1 – Que interessante! Recupera para a gente um pouco, como funcionava _______? O que ela tem de diferente da Natura?

 

R – Acho que eram duas empresas em separado, uma que cuidava da parte de maquiagem e a outra de tratamento.

 

P/1 – Aí quando uniu?

 

R – Ficou tudo Natura.

 

P/1 – Ficou tudo Natura. 

 

R – Mas para nós era só Natura, para nós.

 

P/1 – Normalmente.

 

R - Pró-Estética naquela época.

 

P/1 – Aah.

 

R – A empresa se chamava Pró-Estética.

 

P/1 – Que época que passou a ser a senhora mesma consultora da Natura?

 

R – Logo, depois de um, dois meses. Logo vi que podia ser, que eu podia sozinha. 

 

P/1 – Aí a senhora já fez o cadastro? Como foi esse processo?

 

R – Não me lembro o nome da promotora daquela época.

 

P/1 – Não tem problema.

 

R – Me lembro dela do rosto, mas não do nome agora. Ela veio em casa fazer o cadastro.

 

P/1 – A senhora ganhou uma vitrine, comprou? Como é isso?

 

R – Não me lembro. Acho que a gente comprava tudo, não me lembro. Faz muito tempo!

 

P/1 – É verdade! É uma vida. 

 

R – Quem sabe agora que você perguntou, eu comece a pensar nisso.

 

P/1 – Quais eram os produtos que mais saíam nessa época?

 

R – Erva-doce, Perena.

 

P/1 – O que mais?

 

R – Para mim, isso. Que eu me lembre mais.

 

P/1 – Como a senhora foi formando sua clientela? Quem era?

 

R – No trabalho, vizinhos e recomendações, porque uma recomendava para outra.

 

P/1 – A senhora tinha uma coisa de distribuir em vitrine, de fazer cartãozinho? O que a senhora fazia? Quais eram as estratégias que a senhora fazia para cativar o cliente? 

 

R – Naquela época ou agora?

 

P/1 – Naquela época.

 

R – Naquela época era este, fazia xerox, copiava as vitrines, mas não eram vitrines, naquela época era diferente. As vitrines foi existindo agora, mas antigamente não eram vitrines.

 

P/1 – O que era? Mesmo que a senhora não saiba o nome, descreve para a gente.

 

R – Eu não me lembro. Se eu tivesse tido roteiro eu procurava essas coisas.

 

P/1 – Não, não. A gente está gravando aquilo que a senhora lembrar. O que a senhora não lembrar, não tem problema. 

 

R – Não eram vitrines, eram diferentes. Eram uns caderninhos assim, grandes e com poucas coisas. Era bem menos produto, bem menos.

 

P/1 – A linha era diferente. O que mais vendia? Era Perena...

 

R – Essa era a linha tratamento. Tinha xampus e tinha a linha erva-doce. Eu me lembro que teve a época que tinha falta de produto porque não tinha matéria-prima, então a gente ia lá na Avenida Brasil, comprava justo o que estava liberado. Comprava dez erva-doce, então sempre ia na salinha contígua, começava: “Eu tenho um erva-doce, você tem o que para trocar?”, eram trocas super engraçadas.

 

P/1 – Era a época do Plano Cruzado, isso?

 

R – É.

 

P/1 – Que subiu os produtos?

 

R – Isso em 85, por aí.

 

P/1 – Isso, isso. Nessa época, olha que interessante!

 

R – Era super divertido, a gente morria de rir.

 

(RISOS)

 

P/2 – ______________________

 

R – Era assim, você conseguia um produto: “Ah, eu consegui isso.”, e a gente começava a trocar na hora.

 

P/2 – Para poder ter toda a linha que precisava.

 

R – E não tinha. Você pedia nesse momento, você conseguiu, a próxima talvez não conseguia mais.

 

P/1 – Olha só. Esse lugar na Avenida Brasil, descreve como era.

 

R – Era uma casa grande, muito bonita, onde cada promotora tinha uma mesa. A gente sentava lá e conversava com ela, tomava um cafezinho, ela anotava os pedidos.

 

P/1 – Os pedidos eram feitos só assim? Tinha que ir até lá.

 

R – E aí tinha depois, este, onde guarda os produtos, o...

 

P/1 – Depósito?

 

R – Depósito, a gente ia com papel e eles montava na hora e a gente levava na sacola.

 

P/1 – Na hora já retirava?

 

R – Hum, hum.

 

P/1 – Aah. E quando passou a receber a caixa em casa? Mais ou menos. É mais recente, mais na década de 90?

 

R – É. 95 eu mudei, aí já tinha as caixas porque a minha mudança eu fiz toda com caixas da Natura que tinha. (RISOS)         

 

P/2 – Em 95?

 

R – 95 eu mudei, saí da casa na Vila Sônia e fui para o apartamento. Eu sei que preparei tudo, aí a minha filha – eu perdi mais uma, faleceu em 89 outra filha. Deve ter sido perto, 89 já existiam as caixas e já enviavam em casa. Agora, quanto antes não me lembro, mas 89 é certo.

 

P/1 – Antes era esse sistema, ia na casa na Avenida Brasil, fazia o pedido e levava?

 

R – Não sei se 88. 89 eu já recebia em casa, quanto antes eu não me lembro.

 

P/1 – Fantástico! Hoje, quais são os produtos que a senhora mais vende da Natura?

 

R – Chronos, erva-doce, Ekos.

 

P/1 – É? O que os conceitos dessas linhas ajudam a vender, a justificar a venda, a fazer uma boa apresentação para a cliente? O que a senhora acha?

 

R – A Chronos é porque eu uso, aí eles falam: “Você tem 65? Mas a tua pele está muito boa!”, eu falo: “É esse Chronos que eu uso.”.

 

(RISOS)

 

P/2 – ____________.

 

R – Eu falo: “É Chronos, tem que usar Chronos!”. Ekos eu vendo muito para estrangeiro. Como eu tenho muito contato com estrangeiros, através da Câmara, até bastante esposas de presidentes de multinacionais, aí eu mando um presentinho, ele faz aniversário. Porque como eu sou a secretária principal, temos um presidente, que é um cargo honorário, e 56 diretores e conselheiros, eles vêm para as reuniões. Então eles todos, com alguns tenho mais contato, com outros, só quando algum deles tem aniversário mando alguma coisinha da Ekos. Aí a esposa fica cliente.

 

P/1 – Mas por que eles se interessam pela linha Ekos?

 

R – Justamente pelo que eles oferecem, essa parte da natureza.

 

P/1 – É o perfil que o estrangeiro se identifica?

 

R – Exato. Hoje eu recebi um e-mail do meu filho, eu trouxe, sobre a abertura da loja na França, ele me mandou um e-mail porque ele mora em Paris. 

 

P/1 – E qual a repercussão lá? O que fala?

 

R – Francês, eu não entendo nada. Entendo alemão, entendo holandês, um pouco de inglês, mas francês eu não entendo nada. Te mandei por e-mail, mas não chegou., então trouxe uma cópia para você.

 

P/1 – É que eu não abri meus e-mails hoje.

 

R – Não, voltava. Então eu trouxe. Se interessa para vocês...

 

P/1 – Claro que interessa!  

 

R – Mandei para a minha promotora...

 

P/2 – Com certeza!

 

P/1 – Que bacana! A senhora falou, a Ekos, a Chronos, e qual a outra linha?

 

R – Erva-doce. 

 

P/1 – Erva-doce! O que tem o erva-doce que as pessoas se apaixonam?

 

R – O cheiro! Eles adoram o cheiro.

 

P/1 – Tanto o brasileiro como o estrangeiro?

 

R – É. Isso. Mais o brasileiro, o estrangeiro, aliás uma colega está mandando para a sogra que mora na Alemanha. E manda sempre, tudo de erva-doce, tudo completo. O namorado dela também usa os cremes de erva-doce.

 

P/1 – Isso é bom! (RISOS) O que a clientela acha da Natura trabalhar com a questão do refil? Acaba ajudando o meio ambiente e é mais em conta.

 

R – Acha bom, muito bom porque ajuda o meio ambiente e depois é mais em conta.

 

P/1 – Hã, hã. Eles compram bastante o refil?

 

R – Sim. Eu sempre pergunto: “Você já tem a embalagem original?”. Se por acaso jogaram fora, eu falo: “A próxima vez não joga fora, por favor, porque tem refil, custa menos.”.

 

P/1 – A senhora mesma já conscientiza a pessoa.

 

R – Eu falo sempre, agora se esqueceram: “Ah, joguei fora.”, “Então, por favor, presta atenção, não joga fora.”.

 

P/1 – Isso acaba facilitando a venda?

 

R – Acredito que sim. As pessoas tentam onde mais encontram.

 

P/1 – Dona Hilda, a senhora trabalha com pronta entrega ou não?

 

R – Sim, bastante. Não tudo porque tem coisas que não compensam.

 

P/1 – Que tipo de coisa não compensa?

 

R – Maquiagem.

 

P/1 – Por que?

 

R – Porque eu não vendo tanta maquiagem e tem muita variedade. Para ter tanta variedade, tudo disponível, tem que ter já as clientes para isso. Minhas clientes não são, compram um batom, compram uma sombra, mas muito esporadicamente.

 

P/2 – Qual é o perfil das clientes da senhora?

 

R – Secretárias.

 

P/2 - _______________.

 

R – Sim. E as esposas de multinacionais compram lá fora, aí não tem jeito de convencer elas para comprar. Isso que sempre mando amostras dos batons, isso sempre dou amostras, mas ainda não consegui. Fiz reunião em casa com maquiagem, com oficina de maquiagem, mas nem assim.

 

P/2 – Nem a linha Ekos?

 

R – Ekos sim. Ekos, tudo, tudo.

 

P/1 – Hoje quem é a promotora que se relaciona com a senhora?

 

R – Carla. Sônia foi de uma foto anterior.

 

(RISOS)

 

P/1 – A Carla?

 

R – Carla Oliveira.

 

P/1 – Como acontecem as reuniões com a promotora, com as outras consultoras, qual a periodicidade? O que a senhora...

 

R – A cada três semanas.

 

P/1 – Ah, tá. E ela faz aonde essa reunião?

 

R – Ela faz lá em Itapecerica. 

 

P/1 – A senhora tem que ir para lá?

 

R – Tem que ir para lá. É que eu moro perto de lá também.

 

P/1 – A Natura tem uma sede em Itapecerica, não é isso?

 

R – Não, mas existe no final da João Dias, eu acho que, é Estrada de Itapecerica. É perto do Terminal João Dias. Estrada de Itapecerica, ainda não é Itapecerica.

 

P/1 – E a cada três semanas tem essa reunião?

 

R – Hum, hum.

 

P/1 – Quanto tempo dura?   

 

R – Dura uma hora, hora e meia.

 

P/1 – Qual é o foco da reunião? São lançamentos?

 

R – Ela apresenta os lançamentos e quando a gente tem dúvidas... A reunião sempre se inicia com exercícios. Eu trouxe umas fotos, faz uns anos que eu organizo para secretárias das empresas associadas à Câmara, eu organizo um Chá das Secretárias, porque a gente conversa por telefone, mas não se conhece, e a gente precisa se conhecer para que as coisas fluam melhor. Então eu organizo o Chá das Secretárias, a gente manda um convite para todas as empresas associadas, nós temos empresas associadas, e aí em uma dessas – não sei se foi na quarta, na quinta reunião – eu falei: “Vamos nos soltar, nossa gente está muito estressada, viemos do trabalho...”, e comecei a fazer os exercícios que aprendi com ela, com a música... Mas achei ótimo para iniciar uma reunião assim, quando você chega do local de trabalho cansada, vai a uma reunião tomar um chá de confraternização, então achei bom.

 

P/1 – Que tipo de exercício é feito?

 

R – Alongamento, e depois o final, que era o que mais me agradou, ela tinha uma música, essa “Como vai você?”, então falei: “Muitas chegam, sentam na mesa, acaba a tarde e não se conhecem. Então vamos nos cumprimentar todas e vamos perguntar ‘Como vai você?’. Vamos conhecer, perguntar o nome, perguntar ‘como vai você?’.”. Elas me olham, devem pensar: “Está louca!”, mas durou meia hora esse cumprimento.

 

P/1 – O “Como vai você?”?

 

(RISOS)

 

R – Eu falei: “Não acredito!”.

 

P/2 – Gostaram.

 

R – Gostaram.

 

P/2 – Que ótimo!

 

R – Então não era tão louca assim!

 

P/2 – _________________.

 

R – É.

 

P/1 – Qual é o perfil da clientela da senhora?

 

R – Secretárias e senhoras, principalmente. Senhoras e as filhas, agora estão começando as filhas das senhoras.

 

P/1 – As filhas consomem o que mais?

 

R – Consomem o Faces e o Todo Dia, são mais em conta. Estão começando a entrar com o Todo Dia.

 

P/1 – Que é um produto meio novo?

 

R – Exato e mais em conta.

 

P/1 – Qual a característica do Todo Dia? 

 

R – Como?

 

P/1 – A característica principal do Todo Dia?  

 

R – É para todo tipo de pessoa, não tem proteção solar, mas são mais em conta que tem. Para quem fala: “Chronos é caro, porque esse outro...”, eu falo: “Tem esse que é mais em conta ainda.”. É para as pessoas começarem a sentir. Eu também comecei com 25 anos a cuidar.

 

P/1 – Da pele?

 

R – É. Antes também não, não era costume naquela época cuidar assim.

 

P/1 – O que levou a senhora com 25 anos, tão nova, a começar a pensar em cuidar da pele?

 

R – Porque eu morei na Holanda e eu fui fazer uma vez uma limpeza de pele e a moça falou: “Usa tal e tal coisa.”, e comecei a usar e comecei a ver a importância de se cuidar. Agora as meninas já começam com 14, 15 anos. Eu tento induzi-las, educá-las, falar que não é nada errado, porque eu acho que não deveriam usar tanta maquiagem, mas lavar, tonificar, hidratar, é básico! 

 

P/1 – É uma receita para se ter uma pele boa sempre?

 

R – É.

 

P/1 – Que bacana! E essas meninas, elas aceitam esse...

 

R – Aceitam sim.

 

P/1 – E se maquiar menos? Ou elas gostam?

 

R – Isso não sei, isso não controlo, não sei. Mas pelo que compram de produtos, eu vejo que elas estão usando.

 

P/1 – Me fala uma coisa, Dona Hilda, como a senhora montou o estoque da senhora para fazer a pronta entrega?

 

R – Começou naquela época com a falta, em 85. 

 

P/1 – Na falta a senhora conseguiu montar estoque?

 

R – Comecei.

 

P/1 – Como então, nessa falta, a senhora consegue começar a montar o estoquezinho?

 

R – Por exemplo, tinha erva-doce hoje, então eu tinha que comprar dez. Tinha uma cota de dez, então eu comprava dez, eu não vendia os dez, nem trocava tudo, eu ia guardando. Quando houve falta de outro produto, aí eu comprava o outro, fui começando. Aí começou.

 

P/1 – Quais prêmios que a senhora ganhou com a Natura? A senhora foi líder de vendas no setor?

 

R – Não, eu nunca fui primeira nem segunda, nem cheguei a quinta. Eu sou bastante regular, sempre estou entre a décima, mais ou menos, do meu grupo. Eu não tenho dedicação total.

 

P/1 – A senhora tem outra profissão, né?

 

R – Não tenho dedicação total. Eu faço por hobby, porque eu gosto e não porque eu queira ser a primeira. Para mim esse não é o objetivo, seria um sonho, mas não é o objetivo.

 

P/1 – Seria um complemento para a senhora?

 

R – Hum, hum.  

 

P/1 – É mais um complemento de renda ou oportunidade da senhora estar também adquirindo produtos?

 

R – Não, de renda já não é não. Naquela época sim, mas agora não. 

 

P/1 – É um prazer?

 

R – Porque eu dou muito de presentes. Eu vou fazer as contas, eu não sei se sobra muito. A minha filha, quando ela morava na Bélgica, ou Estados Unidos, ou na Turquia, que também já morou em muitos lados, os meus netos usavam sempre Mamãe & Bebê, Criança; a minha filha quando morava em Miami usava o Chronos porque o Lancôme, essas coisas, não se adaptavam lá. 

 

P/1 – Ah, não? Por causa da temperatura? Do clima?

 

R – O meu filho... Tudo receberam. Eu dou para Natal, para todos os meus clientes, aniversários no trabalho, todos ganham, então não sobra muito. Mas eu faço realmente por prazer e eu me obrigo a falar com as pessoas. Como eu moro sozinha já faz muitos anos, a minha filha veio agora para o Brasil depois de estar 13 anos fora, então 13 anos eu não tinha família nenhuma. Na Argentina ou ela em qualquer lugar, porque estava Turquia, Miami, Bruxelas; meu filho, Espanha e Paris, agora, então eu tinha que me virar para não encher a paciência de ninguém. Eu achei um meio de não atrapalhar ninguém.

 

P/1 – E é uma coisa que a senhora gosta de fazer?

 

R – Exato!

 

P/1 – O que a senhora mais gosta de vender? Perfume, linha de cosmético, o que a senhora mais gosta, que a senhora mais se identifica? 

 

R – Linha de tratamento. Perfume é muito pessoal, é muito pessoal. Um perfume você pode gostar, a outra não, então...

 

P/1 – Já é mais difícil?

 

R – Já é mais difícil vender. O que é mais fácil é essa linha das Águas de Natura, tanto da Ekos, como da água-de-colônia. Isso sim vendo fácil.

 

P/1 – Por que?

 

R – Porque são mais suaves. Os outros perfumes que são mais fortes ou que a gente usa para a noite, ou assim, isso já é mais difícil, é muito pessoal. 

 

P/1 – Será que as pessoas preferem os perfumes estrangeiros?

 

R – Eu não sei, nem pergunto. Eu mando sempre amostras. Bombardeio com amostras. 

 

P/1 – A Natura manda as amostras para vocês? Como é isso?

 

R – Eles mandam algumas, mas eu compro muito.

 

P/1 – Ah, dá para comprar amostras?

 

R – Eu compro sim. Dá.

 

P/1 – São que nem aquelas...

 

R – Aquelas maiores. Eu compro muito.    

 

P/1 – Que interessante isso!

 

R – Eu sou a minha melhor cliente!

 

(RISOS)

 

P/1 – Como melhor cliente, além do Chronos, o que a senhora gosta de consumir da Natura? A dona Hilda como consumidora.

R – Eu uso xampu, eu ainda estou usando porque ainda tenho, adorei o Vegetal, Henna de Brilho, xampu; e eu uso também o creme para o corpo, no momento estou usando o de maracujá; de colônia estou usando de maracujá ou Água de Natura, no momento estou usando aquela que ganhei de Natal para São Paulo Fashion Week, não! Chegou em uma caixa, um brinde que a gente ganhou no início do ano, coisa bem gostosa. Eu gosto coisa suave para ir trabalhar, eu não gosto assim que a dez metros: “Aí vem a Hilda!”, eu não gosto disso. Gosto de estar cheirosa, mas não em demasia.

 

P/1 – E aquele do Breu Branco, aquela colônia do Breu Branco?

 

R – A colônia eu não usei, eu tenho aí, mas não usei porque eu tenho algumas estrangeiras ainda que a minha filha, quando morava fora, então: “Cansei de usar esse!”, me deu não sei quantas assim, restinho. Eu não consigo jogar nada fora! Mas está guardado, tenho uma das primeiras edições aí. 

 

P/1 – Ah é? (RISOS)

 

R – Numerada. Essa é para mim!

 

P/1 – A senhora tem algum causo, alguma história engraçada com consumidora que a senhora pode estar contando para a gente?

 

R – Isso tenho que pensar.

 

P/1 – Não? Às vezes a pessoa se lembra mas não pode contar.

 

R – Não, isso tenho que pensar realmente. Assim espontaneamente não me lembro. Se você tivesse

 

P/1 – Não, a nossa técnica ela é realmente assim, ela trabalha com essa interação. A senhora não fica preocupada não. A gente vai trabalhar com o que a senhora lembra, fica tranquila. E de maquiagem? A senhora gosta de consumir ou a senhora usa o básico?

 

R – Uso o básico. Existe uma base que ainda tenho, como aqui acabou, a minha irmã é consultora na Argentina também, e quando lançaram lá, eu falei, a família lá, todo mundo conhecia porque eu sempre levava, dava de presente, então quando eles chegaram lá eu falei: “Eles estão começando, vai você, se quer fazer isso, também vai vender.”. E ela...

 

P/1 – Quando eles começaram na Argentina?

 

R – Ela começou também lá. No grupo dela, ela é a segunda, sempre ela ganha todos os troféus.

 

P/1 – Lá em Buenos Aires?

 

R – Em Buenos Aires. E lá eles ainda têm a base, este compacta, que eu acho super prático para levar na bolsa. Infelizmente aqui não tem mais, não fizeram mais.

 

P/1 – Será que é por causa do clima?

 

R – Não sei. Mas eu acho tão prático. Porque se tem na bolsa, tem que passar um pouco, você fica arrumada. Eu uso a base, essa compacta, antes uso o...

 

P/1 – Corretivo.

 

R – Corretivo. Bom, primeiro todos os passos com o Chronos.

 

P/1 – Todos?

 

R – Todos. Depois este, a base compacta, o corretivo, sombra, rímel e batom. Assim eu vou trabalhar.

 

P/1 – Sombra, que cor a senhora passa?

 

R – Sombra clara, clarinha. Porque eu tenho os olhos claros.

 

P/1 – Dona Hilda, teve assim alguma aula de maquiagem que vocês aprenderam?

 

R – Teve, eu fui nos cursos e depois eu já duas vezes fiz em casa.

 

P/1 – Uma demonstração?

 

R – Eu convidando as clientes para virem.

 

P/1 – Deixa eu perguntar uma coisa para a senhora, ainda se usa blush, ou não?

 

R – Eu uso, mas muito pouquinho. Para trabalhar eu não gosto, mas para noite, hoje pus um pouquinho, e para noite acho que destaca.

 

P/1 – Mas ainda se usa então? Não é uma coisa que está fora?

 

R – Sim, eu vendo.

 

P/1 – Faz tempo que eu não vejo então fiquei na dúvida se ainda se usava ou não.

 

R – Mas eu maquio muito decente, não é um...

 

P/1 – (RISOS) Me fala uma coisa, qual o sonho da senhora em termos de Natura que a senhora ainda quer, tem alguma coisa que a senhora quer atingir, alguma meta?

 

R – A meta minha é ser a primeira do meu grupo. Eu quero sim, algum dia, quem sabe?

 

P/1 – O grupo, como que a promotora pega?

 

R – O grupo que a promotora, acho que tem 300, algo assim.

 

P/1 – Mas ele é regionalmente distribuído?

 

R – É regional agora. Antigamente não, era...

 

P/1 – Mas a senhora pode ter cliente de várias áreas da cidade?

 

R – A promotora têm regional, eu posso ter em qualquer lugar.

 

P/1 – Uma dúvida que me surgiu agora: a promotora, ela é uma funcionária da Natura ou ela ganha em cima da porcentagem do que é vendido?

 

R – Ela não é funcionária, eu acho que ela são autônomas, trabalham para a Natura e elas ganham porcentagem, ou elas têm que cumprir metas. E nós temos que trabalhar, vender para que elas cumpram as metas.

 

P/1 – E como elas incentivam que vocês cumpram as metas? Elas também dão prêmios, premiações?

 

R – Às vezes sim.

 

P/1 – Tem alguma coisa?

 

R – Ela fala: “Quem este mês vender tanto, ganha tal coisa.”.

 

P/1 – A senhora participa de todas as reuniões?

 

R – Quase.

 

P/1 – Quase todas.

 

R – É. Agora faz um tempinho que não porque eu não estou dirigindo.

 

P/1 – Por falar em dirigir, como a senhora entrega os produtos?

 

R – Eu faço assim: justamente pelo problema que eu trabalho, eu falo: “Quem vem buscar em casa ganha 10%.”.

 

P/1 – Grande isso, né?

 

R – As pessoas se esforçam em vir. Ela gasta gasolina, gasta o tempo. Tem pessoal que eu nem conheço, são clientes da internet, eu mando minhas promoções. A cada três semanas, quando vem uma promoção, eu faço tudo, não mando a da Natura, eu monto tudo bonitinho, escrevo um texto, insiro coisas, eu coloco mais coisas, mais explicações e mando tipo boletim para minhas clientes.

 

P/1 – Via internet? Via e-mail?

 

R – Via e-mail.

 

P/1 – Mas a senhora tem uma página na internet também?

 

R – Eu tenho também, sim.

 

P/1 – Conta um pouco como foi montada essa página da internet. A senhora tem que mandar uma foto, tem que mandar um texto? 

 

R – Não, eles que te dão três imagens para escolher e depois você coloca o que a gente se dedica, como a gente entrega, forma de entrega, tempo de entrega, esses são os dados. E você pode fazer as suas promoções. Se você fala: “Esse mês eu vou vender tudo com 100% de desconto.”, você coloca aí e vende com 100% de desconto.

 

(RISOS)

 

P/1 – Por exemplo, se a senhora tiver muita coisa de um produto em estoque, a senhora pode anunciar na sua página? E vem clientes que nunca...

 

R – Eu faço. Exato. Mas eu prefiro fazer isso entre os clientes que eu já tenho para fidelizar eles. Eu prefiro dar a prioridade aos clientes que eu já tenho, que eu já tenho no meu mailing list. Eu mando: “Promoção desta semana: Chronos com 20% de desconto.”, dessa forma eu faço.

 

P/1 – Que interessante! Hoje, o que a internet ajuda na vida da senhora?

 

R – Muito, muito.

 

P/1 – Agiliza?

 

R – Eu estava perdendo muitos clientes e sabe, justamente pelo trabalho. Durante o dia eu não posso ligar, eu tenho que trabalhar. À noite, eu falava: “Eu vou ligar agora para uma pessoa e falar que a Natura tem uma promoção?”. A pessoa está jantando, está com o marido, com o filho, me vai desejar boa viagem. Cada dia tinha menos coragem de abordar as pessoas à noite porque eu achava que não correspondem! Nessa época começou a internet, comecei a fazer por aí, aí foi ótimo. Recuperei as clientes porque você não fica muito em cima, pelo fato de estar o dia inteiro no escritório. Estar no escritório, pode até conversar e visitar, mas no trabalho não tenho nem tempo para fazer isso.

 

P/1 – E mesmo dicas, essas coisas, a senhora passa via e-mail?

 

R – Via e-mail, ou não, aí também. Mas aí elas pedem que eu liguem, ou elas me ligam: “Olha Hilda, tal coisa, tal coisa.”. Outra coisa, se você liga: “Boa noite, eu sou consultora da Natura.”, enfim, tudo isso, isso é o que eu achava muito violento, à noite. 

 

P/1 – Na hora de descanso das pessoas?

 

R – À noite chega o marido, vou falar: “Ah, não vou atender isso, deixa, estamos jantando. Fala qualquer coisa.”. Eu me colocava sempre no lugar de uma mãe de família, como reagiria. Talvez eu só penso demais, não sei.

 

(RISOS)

 

(PAUSA)

 

P/1 – Vou pedir para a senhora retomar, o que acontece a hora que a pessoa entra na página da senhora? 

 

R – Tem pessoas que entram no site, na minha página, aí isso fica registrado na Natura e tem uma lista na primeira tela, diz assim: “Alguém visitou”, pelo menos esse já faz um tempo atrás: “Alguém visitou o seu site.”, aí eu vejo o e-mail e eu incluo no meu mailing list.

 

P/1 – Mas a senhora também manda uma mensagem?

 

R – Eu pergunto se eu posso incluir no meu mailing list e enviar os informativos com as promoções e novidades a cada três semanas.

 

P/1 – A senhora manda as promoções do ciclo ou a senhora faz promoções próprias?

 

R – Do ciclo. Às vezes incluo próprias ou faço uma própria no meio. 

 

P/1 – A senhora chega a colocar fotinho, alguma coisa, ou não?

 

R – Não porque isso carrega demais, as imagens, aí as pessoas não abrem, também nem faço como anexo. 

 

P/1 – Têm medo de abrir.

 

R – Eu faço uma folha para amigas que distribuo no meu prédio, nos prédios vizinhos, e essa tabela eu coloco na primeira folha do e-mail. A pessoa em seguida já sabe.

 

P/1 – Já abre sem medo de ser um vírus, um negócio assim!

 

R – Sem anexos, são coisas que a gente vai aprendendo. No início era anexo, mas...

 

P/1 – Dona Hilda, me fala uma coisa, essa coisa da tecnologia. A senhora também pegou o começo e a popularização do celular, o que ele potencializou as vendas para a senhora? Ou não potencializou? 

 

R – O celular quase nada.Está aí disponível, mas não muito. As pessoas me mandam e-mail, número um, e-mail. Depois ligam em casa ou no trabalho, eu falo: “Agora não dá, a gente fala depois.”, mas no celular muito pouco.

 

P/1 – Em casa a senhora tem uma secretária eletrônica?

 

R – Em casa tenho sim.

 

P/1 – Porque às vezes a senhora pode não estar...

 

R – Tenho, claro. 

 

P/1 – Fantástico isso!

 

R – Isso não dá sem.

 

P/2 – E dessa forma a senhora atua na região, a senhora amplia a região que a senhora atua?

 

R – É, tem muitas pessoas que eu ganhei novas através do site e que continuam meus clientes.

 

P/2 – E que não são só da região que a senhora atua?

 

R – Não, são só da região porque o site canaliza. A pessoa entra e procura uma consultora, aí ele indica cinco pessoas pelo CEP, aí eles escolhem.

 

P/2 – Por isso aquela coisa do CEP? Localização por CEP?

 

R – Hã, hã.

 

P/1 – É verdade.

 

P/2 – A gente tentou localizar de outra forma e você sempre cai no CEP, sempre você cai no CEP.

 

R – Mas eles dão, você pode escolher, não é só uma, eles...

 

P/2 – São várias e naquela região daquele CEP?

 

R – Exato.Cinco eu acho, eram pelo menos. Agora faz um tempinho que não entro, eles estavam arrumando e agora não tive tempo. Esse último mês...

 

P/2 – Acho que são cinco mesmo.

 

P/1 – E acaba facilitando também a entrega, né?

 

R – Exato!

P/1 – Fica circunscrita a uma região.

 

R – Eu sempre dou amostras, sempre compro demais quando tem estojos porque valorizo, principalmente os estojos da Ekos, tenho ainda o sabonetinho de ofurô, então vou abrindo e dou desses sabonetes de ofurô.

 

P/1 –A senhora vai desmembrando os estojos?

 

R – Sim, porque acho lindo. São umas bolas assim. Eu vou dar de Páscoa para algumas pessoas.

 

P/1 – Esses conceitos que a Natura trabalha, essa coisa de ser auto-sustentável, trabalhar com o meio ambiente, comunidades... Isso ajuda ou não ajuda a vender mais?

 

R – As pessoas acham muito interessante.

 

P/1 – É?

 

R – Só que agora eu estou querendo vender algo para a Natura, ou algo que eles implementem, que são minhas sacolas. Porque na Câmara nós somos certificados pela ISO 14000, ou seja, temos certificação para meio ambiente. Não que a Câmara em si vá fazer muito com isso, a gente pode ajudar nas luminárias, no ar-condicionado, no nosso papel – cada um tem três lixinhos diferentes etc. – mas...

 

P/1 – O ISO 14000 é voltado para a preservação do meio ambiente?

 

R – Para o meio ambiente. Mas a gente, como temos associados, somos multiplicadores. A gente incentiva os outros a se certificar pela ISO 14000. Então, como, por exemplo, na Alemanha se usam essas sacolas de pano, para tudo. Você não vai no supermercado e ganha sacola de plástico, não existe, você tem que comprar sua sacolinha de pano, então todo mundo anda com sua sacolinha de pano. Minha ideia era, eu fiz até uma com a Natura, eu falei isso com a minha promotora, falei: “Isso entra dentro do conceito da Natura.”, e ela comprou a minha ideia. No Natal, há dois anos atrás, ela distribuiu para o grupinho, para 100 consultoras escolhidas por ela.

 

P/1 – E a senhora que produziu as sacolas?

 

R – Hã, hã.

 

P/1 – A senhora costurou, como é? 

 

R – É uma amiga minha, mas a ideia é minha e eu acho que é uma coisa interessante porque incentiva. Você não usa plástico, não usa papel,q eu também estraga, e essa dura... ciclos! Eu tenho uma coleção de sacolas de pano. 

 

P/2 - ___________

 

R – A Câmara fez uma feira em 95, a Febrarma, eu tenho minha sacola daquela época, está intacta! Você lava, usa, e eu vou no trabalho, sempre coloco minha agenda, minhas pastinhas, minhas coisas. Sempre vou minha sacolinha. Eu fui para a Patagônia, para Uchuaia e _______, eu não ia com bolsa, ia só com a minha sacola, documento tudo lá. Super prático!

 

P/1 – E é uma coisa que na Alemanha se usa muito?

 

R – Usa, todo mundo anda com sacola lá.

 

P/1 – Nos supermercados a senhora vai com a sacola?     

 

R – Não, isso não. Porque aí...

 

P/1 – É cultural.

 

R – É. Mas onde eu posso, se eu vou em shopping, em loja, eu sempre levo minha sacola. Se alguém quiser me dar sacola, não precisa, tenho a minha sacola.

 

P/1 – Qual foi a recepção das colegas da senhora ganhando essa sacola que é tão bonita também?

 

R – Elas gostaram. Foram as colegas da Natura.

 

P/1 – As consultoras, do grupo. 

 

R – Elas gostaram.E sabe que você com isso, até as pessoas perguntam: “Você conhece alguém...”, que também isso ajuda a vender. Lá no prédio onde eu trabalho, vira e mexe: “Ah, Natura!”, “Eu vendo, eu sou consultora.”.

 

P/1 – A senhora entrega o cartãozinho! 

 

P/2 – É uma estratégia.

 

R – Mas aí você cuida do meio ambiente e também faz a propaganda. As lojas não fazem a propaganda em sacolas de papel? E por que não de pano? Mais higiênico...

 

P/1 – E tem toda essa questão que a Natura trabalha que é voltada para a preservação do meio ambiente. Eu queria que a senhora falasse um pouco desse broche bonito que a senhora está usando.

 

R – Este eu ganhei quando cumpri meus, quando fiz o aniversário de 15 anos da Natura. Com dez a gente ganha um e com 15 este com brilhante.

 

P/1 – 15 anos?

 

R – 15 anos.

P/1 – A senhora lembra de como foi a festa? 

 

R – Foi uma dessas festas de destaque no final do ano que a gente ganhou. 

 

P/1 – A senhora ficou emocionada? O que foi? A senhora lembra desse dia, dessa noite?

 

R – Não me lembro, não me lembro.Também não foi na festa, foi em uma reunião. A promotora, ela que fazia o auê, que entregava. 

 

P/1 – Me fala uma coisa, dona Hilda, a senhora conheceu a fábrica de Cajamar?

 

R – Não. Eu fui na festa de destaque, mas a fábrica não conheci porque quando cumpri os 15 anos, quando foi a visita VIP, eu também deixei bastante fotos da visita VIP, ainda era em Itapecerica e em Santo Amaro. A gente conheceu só esses dois lugares. Cajamar estava sendo construída ainda.

 

P/1 – É mais recente?

 

R – É. Depois disso eu nunca mais consegui, quando eles vão, eu não posso sair porque tem alguma reunião, algum evento, então...   

 

P/1 – Pelo que a senhora falou, a senhora continua viajando muito, né?

 

R – Eu sou secretária principal, mas tem um evento grande que eu cuido também por que? Porque está toda a nossa diretoria envolvida e esse se chama Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Um ano na Alemanha, outro ano no Brasil, este ano vai ser em Fortaleza. Eu sempre acompanho, ajudo na organização, já começamos, e depois eu acompanho o grupo e fico lá junto.

 

P/2 – Queria saber da senhora se toda essa estratégia variada, passando pela internet, dá para a senhora ter uma ideia de quantos clientes, mais ou menos, por mês, a senhora atende? É um número grande? 

 

R – Nunca me pus a contar isso, eu não me dou muito tempo para isso.

 

P/2 – A internet deve ampliar o número de clientes.

 

R – Não, não contei isso.

 

P/2 – E o perfil desses clientes? São mais homens, mais mulheres?

 

R – Mais mulheres.

 

P/2 – Mais jovens? Mais maduras?

 

R – Mais maduras.

 

P/1 – Se a senhora fosse listar alguns aprendizados que a senhora teve ao longo desse trabalho com a Natura, desse contato com a Natura, o que a senhora pode elencar que a senhora aprendeu, que a senhora trouxe para a sua vida? O que ajudou na vida da senhora?

 

R – O contato com outras pessoas. Aprender a tratá-las, o contato mais direto com as pessoas. É muito bom!   

 

P/1 – O que é beleza para a senhora? O que é ser bonita?

 

R – Harmonia. Que as coisas estejam harmônicas.

 

P/1 – A senhora que viajou tanto, foi criada na Argentina, morou na Holanda, na Alemanha, o que a senhora acha que tem de especial na mulher brasileira? Que chama a atenção a beleza dela?

 

R – Eu gosto do tipo de cabelos escuros, olhos escuros, tudo que a gente não tem.

 

P/1 – Acaba chamando a atenção?

 

R – É.

 

(RISOS)

 

P/1 – Que interessante isso. Se a senhora fosse fazer um auto-retrato da senhora, como a senhora se auto define? Se a senhora fosse definir em três, quatro palavras. (RISOS) Difícil?

 

R – Sou super tímida!

 

P/1 – Não parece!

 

R – Por isso a Natura me ajudou muito. Porque eu, se não tivesse isso, eu ficaria... Em casa era como Perón falava, tem que ser peronista: “De casa ao trabalho, do trabalho à casa.”,e u seria super peronista nisso.

 

P/1 – (RISOS).

 

P/2 - ___________.

 

P/1 – A ser menos peronista!

 

(RISOS)

 

R – A ser menos peronista.

 

P/1 – Que ótimo isso.

 

P/2 – Muito bom!

 

P/1 – O que a senhora achou de ter feito essa entrevista para a Natura, de ter contado a experiência da senhora, de ir para o site da história da Natura?

 

R – Me sinto muito orgulhosa, me sinto muito lisonjeada com isso. De ter sido escolhida, mas não ser uma em 500, ser um pouco mais exclusiva.

 

P/1 – Tá joia! Em nome da Natura e do Museu a gente agradece. A gente que ficou lisonjeada de poder conversar com a senhora e conhecer um pouco mais sua experiência.

 

R – Obrigada!

 

P/1 – Obrigada!



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