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História

Do Brasil para o mundo

História de: Álvaro César Café
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/10/2018

Sinopse

Entre Medicina e Engenharia Álvaro César Café optou por engenharia, em seu relato relembrou seu primeiro emprego na divisão de águas do Ministério da Agricultura. Entrou para o BNDES para trabalhar no setor de controle de aplicações. Conta também como foi trabalhar em um projeto com uma empresa industrial de alta rentabilidade, respeitada no mundo inteiro e que exportou produtos para mais de trinta países.

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História completa

P1- Boa tarde senhor Álvaro, eu gostaria de começar o nosso depoimento pedindo que o senhor diga no começo  seu nome completo, local e a data de nascimento, por favor.

 

R- Álvaro César Café, natural de Florianópolis, dia 30 de abril de 1924.

 

P1- A sua origem? Seus pais, qual era o trabalho dos seus pais?

 

R- Papai era funcionário público dos correios, ele estava sempre viajando, por isso que eu nasci num lugar, meu irmão nasceu noutro, minha irmã noutro, a família toda dispersa.

 

P1- Mas a origem do seu pai e da sua mãe qual é?

 

R- Papai é mineiro e minha mãe é de Vitória. Meu irmão, que já faleceu, era de Vitória e minha irmã era de Santa Catarina também Florianópolis.

 

P1- E a vinda pro Rio de Janeiro, qual foi o motivo e quando foi?

 

R- Papai se aposentou em 1933, e nós então viemos pro Rio onde fixamos residência e de lá até cá permanecemos no Rio.

 

P1- O Sr. foi morar em que bairro?

 

R- Inicialmente moramos em Botafogo, depois mudamos pra Copacabana e atualmente estamos em Ipanema.

 

P1- E sua formação escolar? Estudou em que escola?

 

R- Na Escola Pública, Escola Sarmento em Botafogo, no primário. O ginasial no colégio Rezende, na Rua Bambina em Botafogo. No complementar no Colégio Andersen e posteriormente na Escola de Engenharia do Largo São Francisco, onde me formei em Engenharia Civil e eletricista.

 

P1- Por que a opção de cursar Engenharia?

 

R- Vocação, eu estava entre Medicina e Engenharia e preferi Engenharia.

 

P1- Em que ano o Sr. se formou?

 

R- Em 1949.

 

P1- Como foi seu primeiro emprego como Engenheiro?

 

R- O primeiro emprego foi na divisão de águas do Ministério da Agricultura, depois passei uma temporada na General Eletric, por três anos, depois fui pro BNDES em 1958 e terminei minha vida profissional vinculado ao BNDES.

 

P1- Em 1958, o que representava um engenheiro vir trabalhar no BNDES?

 

R- O BNDES é uma grande escola, ele foi responsável por aquele surto industrial daquela época, e grandes empreendimentos em todo o Brasil, sem exceção, tiveram a participação do BNDES, com exceção da minha pessoa, o BNDES tinha colegas excepcionais, Economistas, Engenheiros, Advogados, era uma equipe que realmente vestia a camisa da casa, até hoje é assim, o pessoal do meu tempo, saudosista, diz que no meu tempo era melhor, mas não é não, hoje a garotada é muito boa.

 

P1- O Sr. foi trabalhar em que setor, pra desenvolver em que tipo de projeto?

 

R-   No setor de controle das aplicações. Porque tinha dois grandes setores no BNDES, o setor de projetos, que analisava a viabildade dos projetos e a prioridade do setor e após a implantação do projeto cabia ao nosso departamento, que é o departamento de controle das aplicações, cujo chefe era Hildebrando Horta Barbosa, o primeiro chefe, acompanhava as aplicações financeiras do Banco, com visitas periódicas, com relatórios, era realmente um trabalho empolgante, eu estava a par e acompanhava o desenvolvimento industrial do país todo, era siderurgia, ferrovia, era realmente uma grande escola.

 

P1- E o Sr. permanece nesse setor até quando?

 

R- Em 1972, o Banco assumiu o controle de uma empresa de material ferroviário a Mafersa, que tinha três unidades industriais no Estado de São Paulo e depois de algum tempo, eu fui convidado pra ir prá lá e passei vários anos como diretor da empresa, aliás foi um período muito rico, porque era uma empresa falida que se transformou numa empresa industrial de alta rentabilidade, com desenvolvimento tecnológico  impressionante, respeitada no mundo inteiro, nós chegamos a exportar pra  mais de 30 países, inclusive Estados Unidos, Japão, era realmente uma empresa, que servia de citação em Brasília, como empresa padrão do setor do governo, a Mafersa.

 

P1- Um grande desafio profissional?

 

R- Um grande desafio, tanto que ela recebeu um prêmio concedido pela revista Exame, considerada uma das melhores empresas do período de 1974 a 1984, no setor ferroviário, melhor do que todas as empresas privadas e era uma empresa vinculada ao governo. Agora o grande sucesso da Mafersa se deve à administração do BNDES, porque nunca houve injunções políticas internas na empresa, nós geríamos a empresa como se ela pertencesse a nós. Nunca um presidente do BNDE pediu pra empregar Alguém pra fazer qualquer coisa. Realmente, o grande mérito se deve à administração do BNDES, a mim não cabe mérito nenhum, talvez  o único que eu tenha tido é de não Ter atrapalhado, de maneira que realmente foi um período muito agradável trabalhar nessa empresa.

 

P1- E essa fotografia?

 

R- Essa fotografia foi da concessão do prêmio de melhor empresa ferroviária do período de 74 a 84.

 

P1- O Sr. pode dizer o nome das pessoas por favor?

 

R-   Esse é o Roberto Civita, esse é o irmão dele (PAUSA), Vitor Civita, esse sou eu.

 

P1- Em relação ao projeto da Mafersa, um grande desafio profissional, o que representava pro Senhor na época, pro BNDES recuperar essa empresa?

 

R- Como eu disse era uma empresa em situação pré-alimentar, não tinha crédito nenhum, o pessoal interno totalmente desmotivado e nós conseguimos recrutar, engenheiros, mestres, encarregados, uma equipe excepcionalmente boa e com isso conseguimos transformá-la numa grande empresa industrial, com produtos de alta qualidade e com uma rentabilidade excepcional. Tanto que o presidente do BNDES na ocasião, o Marcos Viana, quando a gente levava o nosso balanço de fim de ano pra ele, com um lucro excepcional, ele dizia assim “Esse lucro aqui é pornográfico, vocês estão roubando os clientes” (risos). Mas era realmente eficiência da empresa.

 

P1- Sr. Álvaro são quase 30 anos de BNDES e eu gostaria de perguntar o que é o BNDES pro Senhor?

 

R- O BNDES foi o grande responsável pelo surto industrial do Brasil desde a década de 50 quando foi criado. De maneira que todos os grandes empreendimentos do país devem muito ao BNDES, inclusive desenvolveu várias empresas nacionais, que cresceram e se desenvolveram, com o apoio do BNDE, realmente é uma escola excepcionalmente boa.

 

P1- Do ponto de vista pessoal e profissional pro Senhor?

 

R- Foi uma escola, aprendi muito aqui com os colegas, havia colegas excepcionais no campo da Economia, da Engenharia, Advogados, era realmente uma seleção muito boa. Foi um grande prazer ter trabalhado no Banco esses anos todos, deixou saudades.

 

P1- Pra finalizar, eu gostaria de saber como foi pro senhor participar, dando um depoimento, nesse projeto de memória 50 anos do BNDES?

 

R- Foi um prazer relembrar, hoje mesmo tivemos o prazer de encontrar grandes colegas da velha guarda do Banco e sempre há satisfação nesse contato com os amigos e com as meninas entrevistadoras (risos).

 

P1- Muito obrigada Álvaro.

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