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História

Do apito do trem da Cantareira, para o CCO do Metrô de São Paulo

História de: Conrado Grava de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/06/2018

Sinopse

Conrado Grava de Souza trabalhou por 34 anos no Metrô de São Paulo, 12 deles à frente do CCO (Centro de Controle Operacional do Metrô). Nesta entrevista, ele conta sobre a abnegação e dedicação da equipe que atua nos bastidores dessa empresa, que é a corrente sanguínea de toda uma cidade. Ele também relembra todos os anos de comemorações de Natal e Ano Novo, em que ele sempre fez questão de passar junto aos seus colegas de trabalho e salienta a complexidade de engenharia e quantidade de pessoas envolvidas para que cada trem possa circular pelos trilhos do Metrô, levando milhares de pessoas todos os dias de um lado a outro da cidade.

 

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História completa

Conrado Grava de Souza trabalhou no Metrô de São Paulo por 34 anos. Sua história de vida se interlaça com a história do Metrô. Ele foi testemunha ocular, viveu e atuou em muitos dos acontecimentos da empresa desde a fundação primeiras linhas até os dias atuais.

Nascido em 1949 ele, que é descendente de imigrantes europeus, conta que a casa onde nasceu tinha por quintal a estrada de ferro da Cantareira, e o apito do trem foi seu hino de infância. Daí seu amor nato por trens. Porém, histórias sobre o bisavô alemão que veio para o Brasil construir uma usina hidroelétrica o fez desejar seguir seus passos e, também construir usinas.

Filho mais velho de uma família de três irmãos, Grava foi um estudante exemplar. Fez a admissão para o ginásio num colégio público de referência. Cursou vestibular com bolsa mérito de 100% e, em 1973, se formou em Engenharia Elétrica pela USP.

Trabalhou na TELESP, depois na CESP e, por fim, quando escolheu trabalhar na Elke Eletroconsult da Milano, o sonho de criança se realizou e ele construiu usinas.

De forma inusitada, o Metrô de São Paulo entrou em seu caminho e trouxe com ele a lembrança de seu amor por trens. A empresa em que Conrado trabalhava foi contratada para fazer o pré-projeto da Linha 3 – Vermelha.  Ele e os colegas se dedicaram integralmente à esse trabalho e, por ironia da vida, anos mais tarde, Grava conduziu o primeiro teste de trem a circular na linha que ele ajudou a projetar.   

Quando ingressou no Metrô, percebeu que alí viveria a engenharia em sua plenitude, pois, conta ele, não há nada no mundo que use todas as formas de engenharia como o trem. Desde a construção da linha até a engrenagem, que faz com que se movimente.

Ele se pega devaneando, tentando adivinhar se as pessoas fazem ideia da complexidade tecnológica, da engenharia e do número de profissionais envolvidos para que a cada hora, 36 trens passem na plataforma, levando cerca de duas mil pessoas aos seus destinos.

Como chefe do CCO, Grava sempre soube da importância de seu cargo. E conta que as decisões têm que ser tomadas em milésimos de segundo, pois uma escolha errada pode parar a cidade.

Em 2007, três dias após ser nomeado Diretor de Operações do Metrô, Conrado viveu o que ele chama de “o dia mais triste da história do Metrô”: o colapso da construção da estação Pinheiros (Linha 4 – Amarela), acidente que causou comoção nacional e repercutiu em todo o mundo.

Aficionado por trem e por viagens, em sua casa de veraneio há uma parede repleta de quadros com imagens de trens. Sua estante é enfeitada com objetos que o fazem lembrar da paixão que o acompanha desde o ventre de sua mãe.

Em suas viagens de trabalho ou lazer, sempre fez questão de conhecer os metrôs do mundo e suas histórias. Certa vez, passou uma noite inteira no CCO do metrô de Paris, apenas para ver, como eles agiam durante a operação da madrugada.

Conrado deixou o Metrô em cinco de junho de 2018, e diz que se colocar numa balança o que o Metrô deve para ele e o que ele deve ao Metrô, não tem caderneta que dê conta de tudo o que o Metrô ofereceu e o fez crescer. Ele afirma que foram 34 anos ininterruptos em que toda semana, teve uma felicidade diferente.

 

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