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História

Do alto da torre, abriu um horizonte

Sinopse

Alexandro Aparecido Rodrigues nasceu na cidade de Itapeva -SP, em 1978. Na época sua família morava na área rural de Itaberá. O terreno da casa onde cresceu é cortado pela linha de transmissão da Subestação de Itaberá. Embora vizinhos da Subestação, a área não era eletrificada.  A sua brincadeira de criança era subir nas torres de transmissão, o que depois se tornou sua profissão. Cresceu no sítio, na área rural, com poucas idas para o centro da cidade, e já ajudava a família no trabalho do sítio.

Estudou até a quarta série numa escola rural, perto da sua casa. Após terminar o primário, fazia o trajeto até a cidade para chegar na escola. Na oitava série passou a estudar à noite e trabalhou durante o dia. Mesmo muito cansado por causa da rotina e da distância, insistiu em continuar estudando. A principal incentivadora nessa época foi sua mãe.

Foi aprovado na escola técnica para cursar metalurgia. Iniciou os estudos, mas não aguentou fisicamente a rotina e retornou ao ensino regular concluindo o segundo grau.

Após, começou a trabalhar na entrega de uma empresa de refrigerantes na cidade. 

Em 1998, fez o concurso de FURNAS. Em 2000, foi admitido em FURNAS, primeiro como contratado e depois como funcionário, e iniciou sua formação em Eletrotécnica no Centro de Treinamento Básico de Furnas, mas não desistiu de fazer o curso técnico regular. Já trabalhando dentro da empresa, realizou seu sonho ao concluir o curso técnico em Eletrotécnica. 

O maior desafio profissional, foi quando sofreu o acidente de trabalho e passou 36 dias internado na área de queimados.  Acabou amputando dois dedos de uma das mãos.

Quando se recuperou, após 4 meses, retornou ao trabalho, mas não mais como técnico de manutenção de linhas e sim como administrativo. Foi o período de maior frustração na sua vida.

 Passou 7 anos lutando para voltar a sua antiga profissão. Retornou ao cargo de Técnico de Manutenção em Linhas de Transmissão, e hoje ocupa o cargo de Supervisor de Linhas de Transmissão.

Alexandro é casado com Josiane e pai de três filhos.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a vida de Alexandro 

No CTB tinha gente de todo o Brasil. Quando eu estava lá, tinha gente do Rio de Janeiro, Tocantins, de várias regionais do Paraná, pessoas de São Paulo, Espírito Santo, tinha o Brasil todo ali. [...] E não tinha jeito, você tinha que saber, tinha que estudar e era bem puxado. E lá eles avaliavam muito seu comportamento, trabalho em equipe, porque nós somos uma equipe, principalmente quando a gente está em campo. Nós que estamos no operacional, na manutenção, o nosso trabalho traz muito risco um ao outro, muitas vezes a vida de um colega está nas minhas mãos [...]

 

O dia a dia do técnico de manutenção de linha de transmissão é bem diversificado. A gente tem uma programação de trabalho, mas muitas vezes essa programação cai por terra, seja por fenômenos da natureza ou por outros eventos que acontecem no decorrer da semana. 

A gente faz uma programação para ir trabalhar em campo, muitas vezes para fazer as inspeções nas linhas de transmissão. Nós estamos lá no campo e daqui a pouco acontece um vendaval lá no Paraná, acontece um evento, dá um sinistro e caem algumas torres. Nós temos que imediatamente sair de onde estamos, seguimos para as nossas casas para pegar roupas e se deslocar para esse ponto para dar apoio, para a área onde ocorreu o evento para dar manutenção, reerguer as torres, inserir novamente a linha no sistema. 

Muitas vezes a gente está num trecho de linha, fazendo algum trabalho, daqui a pouco recebe uma ligação de um proprietário, ele precisa construir alguma coisa próxima da linha, ou ele viu que pegou fogo próximo da linha. Paramos tudo que a gente está fazendo e vai lá dar uma olhada. 

São vários eventos que podem ocorrer. Planejamos uma programação para dar seguimento da melhor maneira possível ao trabalho, temos uma programação anual de inspeção, manutenção, para fazer inspeção área e terrestre. Temos tudo certinho, mas muitas vezes a gente tem que mudar os planos devido a esses eventos. 

Nosso trabalho básico começa pela inspeção, tanto terrestre como inspeção aérea. Inspeção terrestre o que é? A gente monta equipes, depende do tipo de linha, depende se a linha é paralela, uma com a outra; são equipes de no mínimo duas pessoas, em uma caminhonete 4x4, equipada com guincho, quebra mato, para andar em lugares irregulares, no meio do mato, na pastagem, essas coisas. 

Com essa inspeção a gente vai procurar os problemas, as ocorrências que podem estar acontecendo naquela linha. A questão de acesso, questão de vazão de faixa de servidão, que seria plantio de reflorestamento, construções, erosão embaixo de torre, erosão em acesso. Em cima da torre a gente vai ver a questão de isolador, questão de grampa, que é onde segura os cabos, para raio, a própria estrutura, onde segura os quatro cabos para unir eles e amortecer a vibração deles. Isso é o básico do que a gente faz na inspeção terrestre. A inspeção terrestre ela se prolonga aí próximo a metade do ano. A gente termina uma linha, na sequência faz outra. E tudo depende da linha, da região, tem muita particularidade para ser considerada, por exemplo, em regiões litorâneas, você tem uma incidência muito grande da maresia, então as estruturas, as ferragens da linha de transmissão são atacadas pela maresia, significa que há uma incidência maior de corrosão, de oxidação na ferragem. Diante disso, aquela área fica numa inspeção mais detalhada, uma inspeção talvez com maior periodicidade anual, eles têm uma inspeção diferente.

 Há regiões onde venta muito, lá em Foz do Iguaçu, por exemplo, é uma região plana e há uma incidência de vento maior, então, eles têm uma incidência de ocorrências com para-raios, desgaste de manilhas de para-raios, de grampos de para-raios, de cordoali. A inspeção vai focar bastante nisso. Muitas vezes eles têm que escalar mais torres que a gente, olhar in loco essa questão. E

 Outro detalhe é a idade das linhas, tudo isso influencia na inspeção. 

Temos também a inspeção aérea, a qual fazemos anualmente, que é feita com helicóptero. Inclusive, está começando a inspeção aérea aqui no nosso departamento, que é o GRQ, nossa gerência. Está começando hoje a inspeção aérea na subestação de Ibiúna. A gente começa a inspeção aérea aqui em Itaberá, são duas semanas lá e duas semanas aqui de inspeção aérea. Ela é uma inspeção mais rápida. 

Na nossa área de Itaberá, nós temos aproximadamente 1200 km de linhas e aproximadamente 2700 torres, só aqui na nossa base, então, a gente passa metade do ano fazendo a inspeção terrestre em todas as linhas que temos. A inspeção aérea, a gente faz a inspeção em todas as mesmas linhas em duas semanas, em 40 e poucas horas de voo, aproximadamente 45 horas de voo. Só que a gente não consegue ver tudo que a gente consegue ver na inspeção terrestre. A inspeção aérea é uma inspeção que nos dá uma visibilidade geral da linha, uma visão macro da linha, em um curto espaço de tempo. 

Nós conseguimos detectar as principais ocorrências na inspeção aérea, só que muitas delas, as menores, a gente não consegue, por exemplo, algum formigueiro embaixo de torre, muitas vezes está com capim, está sujo, e você não consegue ver do alto, não aparece, mas formiga traz risco para a torre porque ela cava sua base e afofa sua base, tira a compactação da base da torre. 

Uma estrada de acesso, por exemplo, se você está passando de helicóptero, não é possível ter uma noção clara sobre ela, se você precisa recuperá-la, limpar a vegetação, quando encontrar vegetação, fazer um bueiro, fazer uma ponte, fazer um colchete, você não tem como você ver. 

A inspeção aérea traz uma visão muito boa das principais ocorrências da linha e em um curto espaço de tempo. Ela permite também abordar uma questão mais socioambiental, porque com a inspeção terrestre, praticamente não se vê os proprietários das terras onde se encontram as torres. A casa do proprietário normalmente é um pouco afastada, não passamos próximos da casa dele, então, muitas vezes a gente entra dentro da propriedade do cara e ele nem vê que a gente foi lá ver, agora, a inspeção aérea não tem como a pessoa não saber que a linha está sendo vigiada, a gente passa de helicóptero, voa próximo de 55 km/h, e tem uma câmera no helicóptero que faz a filmagem de todo o percurso, de toda a linha, e a cada “x” torres a gente para e faz uma inspeção com essa câmera, uma câmera de alta definição com um alto zoom. Significa que não dá para esconder alguma ação ilegal ou perigosa à manutenção da linha. Isso evita até mesmo vandalismo. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Emergência no campo sempre tem uma complexidade porque quando estamos indo, a gente já vai pensando: “O que será que encontraremos por lá?” É diferente de quando a gente tem uma emergência dentro de uma subestação, dentro de uma subestação é uma área controlada, uma área cercada, fica próximo a uma cidade, tem acesso bom para se chegar, tem uma equipe que trabalha diariamente naquele ponto, naquele local, você tem outros equipamentos, cuja grande maioria das vezes você consegue trocar o equipamento avariado, ali no interior do sinistro, e continuar a transmitir energia por ele, você “jampeia” o equipamento, e continua a transmitir. 

Na linha de transmissão não tem nada disso. A linha de transmissão quando ela cai, você já sai da sua casa sabendo que vai vir um grande desafio, você não sabe como que é o acesso, você não sabe a distância que você vai percorrer para chegar lá. Você não sabe se vai levar meio-dia, um dia, dois dias, três dia.

A última emergência que a gente teve foi em Tocantins. Para se ter uma ideia, daqui de onde eu moro até o Tocantins deu 2000 e poucos quilômetros. A gente fez o trajeto em dois dias para chegar, isso porque rodamos bastante, a gente rodava das 6:00 da manhã até as 21:00 da noite, justamente para poder chegar num espaço de tempo mais curto.

Foi uma emergência de cinco torres que caíram. Essa de Tocantins marcou bastante, primeiro, pela distância, segundo por ser uma região que ninguém pensava que iria cair torre, nunca tinha tido eventos dessa magnitude por lá, cinco torres derrubadas de uma vez. 

As torres eram diferentes, não são as mesmas do nosso dia a dia de trabalho, não estávamos acostumados a trabalhar com elas, eram diferentes, eram torres tipo “raquete”, é um circuito de extrema importância, que faz interligação norte-sul-sudeste, vem lá da Usina de Tucuruí, uma das maiores usinas do mundo. 

Teve toda uma complexidade essa operação. Você já chega cansado do trajeto de ida, depois de rodar horas de carro, chega na emergência, em um clima totalmente diferente do seu, quarenta e poucos graus, muito quente, muito quente mesmo! E o trabalho exige, há um desgaste físico. A torre se encontrava na beirada de um brejo grande, e deu muito trabalho para montar essa torre. A logística lá era muito complicada porque para chegar os guindastes eles tiveram que andar muito, e não conseguiram um guindaste do porte que a gente necessitava para poder erguer as estruturas. E ainda teve um incidente lá, um incidente pequeno, um colega machucou o braço. Foi uma emergência bem complicada.

Depois que termina o evento, você se encontra bastante cansado e pensa: “Graças a Deus terminamos, deu tudo certo!” Energizamos dentro do horário. Sempre há uma pressão porque a gente tem x horas para reestabelecer o sistema, como montar as torres. Felizmente deu tudo certo!

A emergência tanto marcou que foi reconhecida pela direção da empresa. Um pouco depois, nós tivemos para o pessoal que trabalhou na emergência uma homenagem, o presidente da empresa, na época, fez uma confraternização para os funcionários, teve até um brinde, uma “torrinha” que a gente ganhou, um prêmio de reconhecimento por esse restabelecimento de sistema. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

 

Eu imagino FURNAS cada vez maior, a empresa evoluindo cada vez mais, tecnicamente, como empresa, RH, sócio ambientalmente. Espero que nos próximos anos possamos vê-la evoluindo muito. Nós temos passado por momentos conturbados, no mundo, no Brasil, mas eu quero acreditar que a empresa vai estar muito maior, estar cada vez mais focada em gerar e transmitir uma energia limpa, renovável, barata e confiável para a população. 

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