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Diversidade e Responsabilidade Social

História de: Claudia Maia Tavares
Autor: Ana Paula
Publicado em: 05/06/2021

Sinopse

Claudia nos conta sobre a Escola da Gente e sobre sua missão. Conta como conheceu o Instituto Ethos e sobre o uso de seus indicadores. Reflete sobre responsabilidade social no Brasil.

História completa

Projeto Instituto Ethos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Claudia Maia Tavares Entrevistado por Clarissa (Bataglia?) São Paulo, 28 de Maio de 2008 Código: ETH_CB008 Transcrito por Augusto César Maurício Borges Revisado por Ana Luiza Ferreira P/1 - Bom, vamos começar. Você pode me dizer o seu nome completo, local e data de nascimento? R - Claudia Maia Tavares, Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1974. P/1 - Fala pra mim, qual é a sua atividade? R - Eu sou jornalista e trabalho como coordenadora técnica da ONG Escola de Gente - Comunicação e Inclusão. P/1 - Fala um pouquinho desse trabalho seu? R - A Escola de Gente é uma organização da sociedade civil que foi fundada em 2002 por jornalistas com a missão de colocar a comunicação a serviço da inclusão, prioritariamente das pessoas com deficiências. Então inicialmente a gente começou trabalhando com esse conceito de inclusão focado na deficiência e hoje a gente trabalha com conceitos mais amplos como o de diversidade, não discriminação com o foco em programas de juventude. P/1 - E como é que você conheceu o Instituto Ethos? R - Quando eu entrei no terceiro setor, que foi em 2003 em função da Escola de Gente, a Escola de Gente estava dando consultoria para o Instituto Ethos para a conferência daquele ano: consultoria em acessibilidade. Eu fiz parte da equipe que veio trabalhar e assim que eu fiquei conhecendo o trabalho do Instituto. P/1 - Entendi. Fala pra mim um pouco das ações socioambientais desenvolvidas pela sua organização? R - A Escola de Gente atua fortemente com projetos sociais mesmo. A gente não tem ações ainda com foco no meio ambiente. Então nós temos projetos de formação de juventude, para que eles sejam multiplicadores no conceito da prática de uma sociedade inclusiva. Então a gente tem jovens, como os oficineiros da inclusão, que realizam uma metodologia criada pela organização chamada Oficinas Inclusivas no Brasil, e em outros países da América Latina trabalhando com jovens também. É um trabalho de geração para esta mesma geração. A gente tem um grupo de jovens desde 2002 chamado Agente da Inclusão, que são universitários das Ciências Sociais, Comunicação e Direito que são capacitados dentro de uma outra metodologia chamada Encontros da Mídia Legal e que a gente tem uma construção coletiva entre universitários, organizações da sociedade civil e Ministério Público, porque a Escola de Gente trabalha desde a sua fundação muito com o Ministério Público focado na questão da legislação brasileira. E a gente também tem uma atuação muito forte até pela formação da Comunicação e da gestão do conhecimento. Então nós temos várias publicações, manuais com distribuição gratuita para todo Brasil, com os manuais da Mídia Legal, que até tem patrocínio da Petrobrás para estar trabalhando essa questão da inclusão, fazer uma análise qualitativa de mídia no tema deficiência e diversidade mais amplamente. P/1 - E você acredita que o trabalho de vocês se alinha com os indicadores do Instituto Ethos? R - Eu acho que sim, quer dizer, a gente até sempre trabalha. Como a gente deu consultoria pro Ethos durante uns três anos seguidos, então a gente estava muito a par dos indicadores e também a gente trabalha com muitas empresas que trabalham diante dos indicadores do Ethos. Então a gente acredita que sim. É claro que a gente sempre quando é nossa temática, que é diversidade e pessoas com deficiências, a gente sempre acha que a gente pode, que os indicadores podem avançar. E assim a gente até já fez várias considerações até nas avaliações da própria conferência, no que diz respeito às pessoas participantes com deficiências. P/1 - Certo. E como é que você avalia o engajamento das empresas brasileiras nessa questão do movimento da responsabilidade socioambiental? R - Eu acho que vem avançando. Você tem a criação dos departamentos dentro das empresas ou dos institutos ou das fundações, mas eu ainda vejo como ações de marketing e não necessariamente de responsabilidade social, mais como uma forma também de estar na mídia, de estar sendo bem visto pelo seu consumidor, mas não sei se foi incorporado como um atributo corporativo essa questão da responsabilidade social. A gente vê empresas que sim, que estão muito na ponta com relação a isso no Brasil. Mas eu acho que muitas não incorporaram isso nos valores da empresa, mas como ações de marketing. P/1 - E o Brasil em relação a outros países do mundo? R - Eu acho que a gente vem caminhando bem. A gente tem contato com algumas multinacionais. Então dá para comparar as ações no Brasil e em outros países. Mas a gente trabalha muito com empresas nacionais mesmo. Dessas que a gente trabalha, a gente acompanha uma evolução muito grande, até mesmo das pessoas que compõem esses departamentos. Então você tinha profissionais que vinham de outras áreas que não tinham necessariamente experiência porque é tudo muito novo, mas que estão se profissionalizando também. Eu acho que a área de responsabilidade social no Brasil, ela vem se profissionalizando também junto com as organizações da sociedade civil. P/1 - E como é que você avalia o impacto das ações do Instituto Ethos? R - Eu acho que o Instituto Ethos é uma referência para as empresas. Não tem jeito. A gente também participa, por exemplo, do Gif, de cursos do Gif e tudo, e a gente vê que o Ethos ainda é o nome referência para as empresas. Então quando se pensa em ações de responsabilidade social, se pensa nos indicadores do Instituto Ethos, se pensa nas publicações do Instituto Ethos, na conferência do Instituto Ethos. A conferência ainda é o grande evento de responsabilidade social no Brasil do ano. Você vê as pessoas se mobilizando, inclusive, de sociedade civil porque é um custo caro para as organizações da sociedade civil para estarem nesse momento aqui. Então eu acho que é de muita importância por isso. Se tornou mesmo uma referência. P/1 - E qual é o maior desafio do Instituto Ethos? R - Eu acho que é de se manter na ponta, porque sempre quem é muito inovador, quem se lança, quem trabalha com o ineditismo, é se manter assim, né? E claro que aparecem outras organizações, aparecem outros institutos e aí tem a concorrência com as próprias consultorias, responsabilidade hoje, responsabilidade social, coisa que não existia quando o Instituto surgiu. Mas eu acho que o grande desafio é se manter na ponta aí das discussões de responsabilidade social. P/1 - O Instituto Ethos está comemorando dez anos este ano. Como é que você acha que ele deve se posicionar para os próximos dez anos? R - Nossa, difícil pensar nos nossos dez anos, imagine dos outros [risos]. Eu acho que precisa trabalhar a conferência com novos temas. Eu acho que a conferência tem se tornado um pouco repetitiva, já é a quarta vez que eu veio e eu acho que tem algumas discussões que você vai no Gif, você vai no Ethos e são as mesmas discussões sem avançar. A questão não são as mesmas discussões, mas você não sai das atividades com a sensação de algo realmente novo, agregador. Não sei se é um momento mesmo de estagnação, mas enfim, eu acho que tem que repensar esse modelo da conferência sim. Acho que tem que repensar a participação das organizações da sociedade civil na conferência, por exemplo. Eu sei que é uma conferência voltada para os associados, para as empresas pra levar essa discussão, mas eu acho importante aproximar as organizações da sociedade civil. Afinal, elas estão aí intermediando e acho que uma grande discussão é essa questão das fundações e dos institutos que passam a apoiar os seus próprios projetos e não mais apóiam os projetos das organizações da sociedade civil. Então a gente vê aí uma mudança de mercado no terceiro setor que eu acho que é um pouco perigosa. P/1 - E pra terminar, fala pra mim, qual você acredita que seja a maior realização do Instituto Ethos? R - Eu acho que tiveram tantas. A maior realização? Eu acho que é ter se tornado um instituto referência em responsabilidade social nas discussões e na criação dos indicadores mesmo, que é hoje implementado por boa parte das empresas que têm ações de responsabilidade social. Mas eu acho que é de se tornar referência. P/1 - Então é isso aí, Cláudia. Valeu. Obrigado! O Museu da Pessoa agradece o seu depoimento. --- FIM DA ENTREVISTA ---
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