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História

Disque Rose para ser escutado

História de: Rosimeire Retamero
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

São Paulo. Campinas. Infância. Curso de datilografia. Trabalho na infância. Estudos. Faculdade. Tetra Pak. Pós graduação. Recursos Humanos. Crescimento da empresa. Relação com funcionários.

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História completa

 

P – Bom dia, Rosimeire.

 

R – Bom dia.

 

P – Você poderia falar seu nome completo e local de nascimento?

 

R – Rosimeire Retamero; nasci em São Paulo.

 

P – Em que mês?

 

R – Setembro, sou virginiana.

 

P – Está fazendo aniversário?

 

R – Já fiz, no dia primeiro.

 

P – Qual função você ocupa hoje na Tetra Pak?

 

R – Hoje eu trabalho na área de saúde, dentro de Recursos Humanos, não é só saúde, mas toda a área que abrange a parte de benefícios, serviço social e benefícios dentro de Recursos Humanos.

 

P – Qual é o cargo?

 

R – Eu sou analista de recursos humanos; dentro de Recursos Humanos, nós temos células e a minha função é ser a responsável pela célula de Serviço Social e Benefícios.

 

P – Seus pais nasceram em São Paulo também?

 

R – Não, meus pais nasceram em Marília, estado de São Paulo.

 

P – E você pode falar o nome deles?

 

R – Meu pai é Gabriel e minha mãe é Genir.

 

P – E qual a atividade deles?

 

R – Meu pai, hoje, é aposentado; minha mãe é do lar. Eles estão lá, curtindo a idade deles, a velhice - hoje eles só curtem!

 

P – E nasceu em São Paulo e morou até quando lá?

 

R – Até os sete anos, porque eu tive um probleminha de saúde por causa do clima e quando nós fomos para Campinas, meu pai comprou uma chácara e fomos para Barão Geraldo. Hoje quase não tem chácaras lá. Meu pai começou a trabalhar na Bosch e ficamos por lá muito tempo, desde aquela época estamos em Campinas...

 

P – E vocês moravam na chácara?

 

R – Numa chácara, por um bom tempo, até eu recuperar-me de um probleminha que eu tive de saúde por causa, como eu disse, do clima. Meu pai começou a trabalhar na Bosch e para ficarmos mais próximo do trabalho dele, nós tivemos que sair da chácara e ir para uma casa próxima à empresa.

 

P – Você tem irmãos?

 

R – Tenho dois.

 

P – Você poderia falar o nome e a atividade deles?

 

R – O Vagner trabalha na Bosch e é o meu irmão mais novo; ele esteve na Alemanha por quatro anos, voltou, depois ficou nos Estados Unidos, voltou e agora está voltando da China, onde esteve por dois anos e meio. Ele, a esposa e a minha sobrinha, que também é minha afilhada. Ele é executivo dentro da Bosch. O meu irmão mais velho, que é o Edson, é casado e também tem uma filha; ele trabalha em uma empresa em Campinas na área de suprimentos. Somos uma família bem pequena, mas muito unida.

 

P – Você poderia falar um pouquinho da sua infância e da sua adolescência? Como é que foi?

 

R – Eu gostava muito de brincar na rua - eu jogava muito queimada, adorava jogar queimada nossa; eu vivia jogando bola e queimada na rua. Quando eu não estava jogando bola, estava andando de bicicleta, com os meus tombos. Eu levei muito tombo! Na época, o meu pai já tinha deixado a Bosch e abriu um bar, o bar era na esquina da nossa casa; a minha mãe sempre estava ajudando ele e eu sempre estava na rua jogando bola, queimada ou então andando de bicicleta. Mas isso não foi um período longo, porque eu comecei a trabalhar muito cedo; eu adorava ver as pessoas datilografarem. Na minha época, era datilografar; hoje, é digitar e eu comecei a fazer um curso rápido. Tinha uma senhora no bairro que eu sabia que tinha uma pequena escolinha; eu fui lá e comecei a fazer o curso. Depois que eu comecei é que eu comentei com meus pais: “Eu estou fazendo um curso, estou aprendendo a datilografar”. Aliás, eu nunca esqueço o a-s-d-f-g, que era uma coisa que eu gostava demais. Passado alguns meses que eu tinha concluído o cursinho, essa senhora, a dona da escolinha, ligou-me e falou “Rose, tem uma empresa aqui no bairro que está precisando de alguém para trabalhar, para ser datilógrafa”. Eu adorei, eu tinha 12 anos, meus pais nem sabiam, não tinha carteira profissional, não tinha nada; devia ter RG, não lembro. Eu fui lá, sozinha, “É verdade que vocês estão precisando de uma datilógrafa? Eu adoro datilografar!” O dono da empresa - eu não chamaria de empresa, mas de firma - fabricava renda; e eu comecei a trabalhar lá. O impressionante é que eu comecei a trabalhar e imediatamente, ainda que nova, eu descobri-me como uma pessoa que gostava de trabalhar com pessoas - por isso é que foi legal.

 

P – Nossa, super nova! 12 anos!

 

R – Nova, 12 anos. Foi um choque para os meus pais, mas eles respeitaram e deixaram.  Eu ganhava meio salário mínimo, não sabia o que fazia com aquilo - aliás, eu não sabia nem quanto era o salário mínimo, mas eles falaram-me que eu ia ganhar meio salário. Eu estudava, na época, de manhã, e mudei o horário da aula do ginásio para a noite; meu pai não aceitava muito, mas ele ia junto conforme ia precisando tirar a documentação. Naquela época, ainda precisava tirar carteira de saúde, uma coisa bem estranha, mas lembro-me bem que eu fiz isso. Enfim, comecei cedo o meu trabalho e datilografava muito, que eu amava; era uma satisfação pessoal datilografar. Mas lá eu comecei a perceber que tinha as tecelãs, que ficavam dentro da fábrica - eu ficava na área de escritório -; naquela época, eu percebi que eu gostava de conversar com elas, ver como elas sentiam-se lá dentro, como é que era - e eu tão nova. Fiquei um bom tempo, acho que até os 18 anos, que foi quando a empresa fechou e eles foram para Minas Gerais - a empresa foi comprada por um empresário mineiro, que a levou embora.

 

P – E como foi quando você chegou lá - porque você era uma criança - com o resto das pessoas, essa integração?

 

R – Eu era uma criança, mas eu já tinha um metro e setenta. Ainda bem que eu parei, senão não sei onde ia ficar! Acho que isso facilitou o trabalho ou eles não teriam me contratado. Eu lembro-me que éramos eu, o que nós chamávamos de contador e mais duas meninas, eu lembro o nome delas: Sandra e Sueli; a Sueli devia ter uns 17 anos, não era tão mais velha. Elas acolheram-me e adoraram quando eu entrei, porque eu fazia o que era de pior. O que era de pior, elas pediam-me para fazer. Mas eu fui muito bem acolhida, até pelo contador, o nome dele era seu Osvaldo, muito bonzinho, tinha uma paciência... E o dono da empresa era o Marsamara, uma família inclusive bem tradicional em Campinas, de médicos.

 

P – E Campinas, nessa época, como era? Mudou muito?

 

R – Campinas era uma delícia; como eu falei, você jogava queimada na rua, na frente de casa, até às dez horas da noite - isso também no fim-de-semana - ou até antes de começar a trabalhar. Você não tinha o perigo de “não, você não pode ficar na rua porque pode ser assaltado, ser seqüestrado”, não tinha isso. Meu pai tinha um bar que, na verdade, era quase um restaurante; ele ficava até tarde da noite atendendo e não acontecia nada, nunca foram assaltados, era bem diferente, a qualidade de vida era outra.

 

P – E o lazer em Campinas? Como você divertia-se quando adolescente, quando jovem?

 

R – Eu tenho uma prima, que hoje mora em São Paulo, a Sandra, e ela ia muito para lá de final de semana; muitas vezes nós juntávamo-nos - eu, ela e um dos meus dois irmãos - e saíamos para comer pizza, comer lanche. Não era essas coisas de balada, ficar até de madrugada; eram programas diferentes - você ia para uma lanchonete. Meus pais moram perto de um bairro chamado Castelo, porque tem uma torre de um castelo lá; nessa torre, tinham várias pizzarias, onde íamos muito comer pizza; dava até para voltar de ônibus, porque nós éramos novos e não tínhamos carta, não tínhamos carro, nada - muitas vezes, voltávamos a pé do Castelo até o bairro dos meus pais, que devia dar, andando, uns 30 minutos. Isso era o que nós fazíamos. Íamos ao cinema, íamos ao centro - naquela época, não se falava em shopping; era mais o centro de Campinas.

 

P – E qual a lembrança que você tem dessa época, o que mais te marcou?

 

R – É muita coisa, tenho muitas lembranças; o que eu recordo-me muito é de quando nós morávamos na chácara que, para mim, era tudo muito novo. Lembro que, um dia - ah, quanta ingenuidade! -, meu irmão apareceu sentindo-se um Hércules, um herói: “Venham ver o que eu fiz!” - ele tinha matado uma cobra (risos). Uma cobrinha vermelha, coral; meu pai olhou e falou: “É venenosa!”. Então era muita coisa nova; você sai de um centro como esse, por questões de saúde inclusive, vai para lá e, de repente, vê tudo isso - você choca-se com a natureza. Acho que esse período da minha vida marcou-me bastante, de quando morávamos lá e era tudo muito novo, tudo muito diferente. No mais, sempre fomos uma família muito unida, estivemos sempre muito juntos; o bom é que meus pais sempre deixaram que escolhêssemos aquilo que quiséssemos, não tinha uma imposição como “você vai fazer isso, você vai fazer isso e aquele vai fazer aquilo” -; não, cada um de nós fez a faculdade que queríamos e começamos a trabalhar no momento que quisemos. Um irmão meu fez o Exército e o outro, não; tanto um quanto o outro também começaram a trabalhar cedo - começamos a vida profissional muito cedo. 

 

P – Como foi esse lado da educação formal, da escola? Quando você fazia o ginásio, você começou a trabalhar, depois passou pra noite e não parou mais de  estudar?

 

R – Não parei mais de estudar. Eu fiz o ginásio no bairro dos meus pais; depois, eu soube que tinha um colégio com um ensino mais exigente, que era no Bonfim, e eu fui pra lá, onde fiz o colégio. Depois eu fiz Letras; depois de um tempo, eu fiz Administração com ênfase em RH, Recursos Humanos, e hoje eu faço MBA em Gestão de Pessoas.

 

P – Quer dizer: não parou?

 

R – Não quero parar, nunca.

 

P – E você fez Letras em Campinas mesmo?

 

R – Sim, na PUC.

 

P – Sempre estudou ali?

 

R – Sempre estudei em Campinas, nunca saí porque eu trabalhava; eu tinha as minhas opções, que eram muito próximas por causa do horário: ou você tomava banho ou você jantava, além do trabalho. Era tudo muito corrido, minha vida sempre foi muito corrida.

 

P – Como foi a escolha por Letras?

 

R – Eu sempre gostei muito de português e tenho um hábito, inclusive ruim - acho que não vou corrigir-me nunca - de ouvir as pessoas e não é corrigi-las, porque eu acho isso uma falta de educação, mas eu sempre gosto de conversar com pessoas que falam bem o português. Isso já me chamava a atenção na época; acho que a língua portuguesa é uma coisa que, se você não sabe, você tem que procurar e aprender para conseguir comunicar-se – comunicação, para mim, é tudo. Então, era isso, eu achava lindo. E também, desde a época do ginásio, as minhas melhores notas eram sempre em Português e Biologia, Ciências - eu escondia do meu pai tudo que era de exatas (risos); escondia entre aspas, para não decepcioná-los, porque eles nunca foram muito de ficar pegando no pé. Mas foi por isso, porque eu gostava e porque quando você vai bem do ginásio ao colégio, quando você percebe as matérias que você identificou-se, este é o momento em que você vê que é aquilo o que você gosta, que é aquilo o que você quer seguir. Se hoje eu pudesse voltar atrás, se você me fizesse a pergunta: “Rose, volta atrás no seu vestibular - o que você faria?”, eu seguiria carreira de medicina, com todas as dificuldades; pararia de trabalhar, tentaria uma bolsa, mas eu faria medicina porque eu adoro a área de saúde - sou curiosa em tudo.

 

P – Pelo que você está contando dessa fase da sua vida, eu tendo a achar que você ficou adulta muito cedo.

 

R – Fiquei.

 

P – E como era isso para relacionar-se com as outras pessoas? Porque imagino que uma criança de 12 anos trabalhando do jeito que você falou é uma adolescente adulta. Como era para relacionar-se com as outras pessoas da mesma idade?

 

R – Eu acho que eu consegui porque, como eu disse, eu trabalhava durante a semana, mas aos sábados eu jogava queimada, andava de bicicleta - então eu acho que consegui separar um pouco. Claro, você vai dizer que eu fiquei adulta rapidamente - e fiquei mesmo -, mas não foi uma imposição da vida, fui eu quem quis, foi uma opção minha isso. Nunca tive dificuldades - assim como não tenho hoje - em relacionar-me com idades diferentes; não sinto nenhuma dificuldade nisso. Mas se vocês me perguntarem: “com quem você gosta mais de relacionar-se?”, eu diria que tenho um carinho muito grande por idosos - eu adoro estar com pessoas idosas, mas bem idosos mesmo; gosto de conversar com todos eles. Não tenho mais avós - perdi minha avó há uns três anos -, mas eu acho que eu seria uma excelente neta, porque hoje eu descobri o quanto que eu gosto de lidar com velhinhos - eu falei idosos, mas carinhosamente digo velhinhos.

 

P – Você é casada? 

 

R – Fui, por 13 anos.

 

P – Por 13 anos?

 

R – Fui, estou separada. Não tenho filhos.

 

P – Não tem filhos?

 

R – Não, foi uma opção.

 

P – Depois que você saiu da firma de renda, que fechou, você foi trabalhar onde?

 

R – Eu trabalhei numa empresa em Sumaré, em Recursos Humanos. Trabalhei por pouco tempo. Pouco antes de casar-me, eu tinha um amigo que trabalhava nessa empresa que eu trabalhei em Sumaré e ele falou: “Rose, você está saindo da empresa?”; “Estou saindo!”; “Mas por quê?”; “Ah, eu estou casando-me, vou viajar e também estou querendo mudar de empresa.” Ele falou: “eu tenho um irmão que trabalha numa empresa em Monte Mor...” - naquela época, o Gilberto era Supervisor de Recursos Humanos - “... e eles estão precisando de uma pessoa em Recursos Humanos.” Eu falei “Ah, não; agora, não. Eu quero realmente descansar um pouco. Quero ver o negócio do tango, terminar a faculdade etc.”. Eu casei-me muito nova também. Mas eu não agüentei ficar sem trabalhar e comecei a sentir que estava um vazio muito grande, não dava - eu precisava voltar para o trabalho. Em Campinas, sozinha, eu fui para uma agência de empregos e falei “Vocês estão precisando de alguém? Quero a área de Recursos Humanos.” “Estamos.” Fiz a ficha, fiz a entrevista. “Eu vou te mandar para uma empresa.” E era uma empresa em Monte Mor, a Tetra Pak - olha que coincidência!

 

P – E em que ano foi isso?

 

R – Isso foi em 1988.

 

P – E como foi quando você chegou? Você já conhecia a Tetra Pak, já tinha ouvido falar?

 

R – Não. Achei super longe. Nesse dia, eu pedi para que o meu pai fosse comigo; eu falei: “Pai, vamos comigo? Não sei quanto tempo vou ficar lá, vem comigo, assim você também passeia um pouco. Vamos juntos?” “Vamos.” Eu achei que não acabava mais, de Campinas a Monte Mor – hoje, de Monte Mor à Campinas, para mim, é uma coisa tão comum como se fosse a feira. Eu lembro-me que eu cheguei lá numa terça-feira, porque eu fui nessa agência na segunda-feira. Cheguei, fui entrevistada e fiz uma série de testes. Voltei para casa e falei “Nossa, fiquei tanto tempo fora do mercado sem fazer testes e entrevistas... Acho que eu não fui bem, não.” Isso me marcou porque, na quinta-feira, a Ana Maria, que ainda trabalha na Cooperativa, ligou-me e falou: “Você pode começar amanhã?” Eu falei: “Mas amanhã é sexta”ç “Mas você pode começar amanhã?” E era um contrato de trabalho temporário; lembro-me que isso foi fevereiro. Eu comecei o contrato temporário em fevereiro e o contrato mantinha-me como terceira, já não era mais temporária, era uma terceira dentro da Tetra Pak. Nesse período, eu fui chamada para trabalhar em uma outra empresa, em Valinhos, e eles fizeram-me uma excelente proposta. Eu balancei e falei: “Nossa, efetiva... uma excelente proposta...” Conversei com o Gilberto, numa boa: “Gilberto, eu estou recebendo essa proposta muito boa; eu adoro a Tetra Pak, mas é uma chance. Eu não saí no mercado perguntando, foi alguém que me descobriu e está me convidando para trabalhar.” Foi quando o Gilberto falou: “Não”. Isso foi em 29 de julho, “...A partir de um de agosto, você está contratada. Você tem essa opção, mas tem a opção da Tetra Pak também.” Eu já tinha apaixonado-me pela empresa, como sair? Então, fiquei.

 

P – Quando você entrou, você fazia o quê? Qual era a sua função?

 

R - Era horrível - eu ficava o dia inteiro atualizando carteiras profissionais. Não era horrível, eu tiro esse horrível: é que eu trabalhava com coisas muito burocráticas, como férias, folha de pagamento, eu fiquei dez anos na folha de pagamento da Tetra Pak. Mas chegou um momento nesses dez anos em que eu dividia a folha de pagamento de uma empresa que crescia muito, mais os benefícios, ou seja, assistência médica, seguro de vida, relatórios. Um dia, conversando com o meu gerente, que é o Fernando Carneiro, eu falei: “Fernando, está complicado. Eu acho que eu descobri-me mais na área de benefícios do que na de folha de pagamento; gosto de folha de pagamento, mas eu acho que benefícios é o lado que eu estou encontrando-me mais, tendo mais satisfação em fazer.” E foi muito legal porque, a partir disso, ele falou “Rose, nós vamos separar: vamos ter uma outra pessoa fazendo folha de pagamento e você ficará com a área de benefícios.” E na área de benefícios foi criando-se a necessidade de um serviço social - hoje, minha célula é Benefícios e Serviço Social.

 

P – E quando você entrou, você lembra mais ou menos quantos funcionários tinha?

 

R – A empresa era muito pequena, não chegava a duzentos,  eu poderia ter visto essa informação para ter trazido o número, mas não chegava a duzentos funcionários.

 

P – Era bem pequena?

 

R – Era bem pequenininha. Para vocês terem uma idéia, eu sabia o nome e o registro dos funcionários em sua grande maioria; se duvidasse, eu tinha, de cabeça, o mês de aniversário deles para cumprimentá-los. Não precisávamos, como hoje, ter uma intranet, que é o Orbis, onde consultamos os aniversariantes; não tínhamos isso, de tão pequenininha que era a empresa.

 

P – Quer dizer, comparando com hoje...

 

R – Mudou bastante, está grande.

 

P – Hoje, mais ou menos, você sabe quantos funcionários são?

 

R – Eu acho que 1,1 mil funcionários.

 

P – Isso em Monte Mor ou pensando em Ponta Grossa?

 

R – Ponta Grossa e Monte Mor. Na planta de Monte Mor, devemos ter hoje, mais ou menos, uns 750; no Brasil, eu acredito que seja 1,1 mil, 1,2 mil…  Mas não tenho essa informação.

 

P – Pelo tamanho da Tetra Pak - não em pessoas, mas pelo sucesso que ela faz -, ela não é uma empresa muito grande em termos de funcionários, certo?

 

R – Concordo. Acho que é por causa das máquinas - as máquinas trabalham muito sozinhas; claro, tem que ter lá o operador para administrar, mas elas são muito modernas. Você já deve ter tido a oportunidade de entrar na fábrica.

 

P – Não entramos.

 

R – Faça isso - vocês vão adorar!

 

P – Deve ser maravilhoso.

 

R – É fantástico. Nós temos um programa na empresa, que se chama Portas Abertas, onde nós trazemos, semestralmente, funcionários com a família e eles têm a oportunidade de conhecer a fábrica, o processo; quando você vê no supermercado uma embalagem de leite longa vida, dá uma curiosidade em saber pelo que ela passou, qual o processo pelo qual ela passou para ter chegado ali. A Tetra Pak faz a embalagem, o envase, a distribuição, as máquinas; eu vejo que nesse programa que nós temos, de todos os programas que temos, esse é um programa fantástico. Nós colocamos inscrições: “Inscreva-se para o próximo Portas Abertas no dia tal” - em duas horas, nós fechamos cem pessoas, literalmente; tanto é que nós estamos estudando a possibilidade de talvez aumentar a periodicidade.

 

P – E as pessoas que já foram, costumam voltar? As famílias?

 

R – Por enquanto, não pudemos dar essa oportunidade porque, com isso, tiraríamos a oportunidade daquele que não foi, mas eles pedem para retornar, querem voltar; eles gostam.

 

P – E há quanto tempo existe esse programa?

 

R – Desde 1999.

 

P – Nossa, é bastante.

 

R – Inicialmente, era de três em três meses; depois nós passamos para seis em seis meses - só que a empresa continua contratando, continuamos tendo famílias que querem conhecer ou pessoas que vieram em 1999, mas como hoje houve uma mudança muito grande no processo, querem retornar para saber como é que está.

 

P – Rose, você disse que está trabalhando com a parte de benefícios de saúde. Quais são os benefícios de saúde, os programas de saúde que os funcionários da Tetra Pak têm?

 

R – Nós temos uma assistência médica; ela tem um contrato, que é o contrato top que existe em Campinas, ao menos nas cidades do interior do Brasil. O funcionário e a família dele têm uma segurança muito grande em saber que ele pode ser atendido em qualquer momento, em qualquer um dos hospitais credenciados e que nunca terão dificuldades, não terão que enfrentar nenhum lugar que seja parecido com o SUS. Esse é um dos programas de saúde. Outro programa de saúde que nós temos é um acompanhamento na área de saúde muito forte com o nosso ambulatório médico, que hoje - não sei se vocês tiveram a oportunidade de conhecer - é quase como uma mini-clínica, temos muita coisa lá; temos os exames periódicos que nós fazemos com os nossos funcionários a cada ano, onde nós os convocamos para que o façam - para estar acompanhando a saúde deles, como é que andam, e também porque existe uma exigência legal. Anualmente nós temos na Tetra Pak o que nós chamamos de Semana de Saúde: nessa semana, nós fazemos a vacinação anti-gripe; fazemos vários testes, como de glicemia, de colesterol, de triglicérides - além dos exames periódicos que são feitos anualmente pelo laboratório que vai até à Tetra Pak. Procuramos também fazer palestras. No ano passado, levamos uma curiosidade, que foi a fitoterapia, para que as pessoas conhecessem para além da alopatia; para que conhecessem uma terapia que se utiliza de ervas, de chás e que, hoje, tem um poder de cura muito grande. Além disso, o nosso departamento médico procura estar sempre acompanhando,  e nós também, as necessidades dos nossos funcionários. Como eu trabalho com atendimento social também, faço duas vezes por semana um atendimento social na empresa; nesse atendimento social, eu atendo desde um problema de saúde na família até um problema de saúde emocional do próprio funcionário. É um trabalho muito legal que nós fazemos. Temos também o seguro assistência odontológica, o seguro de vida, enfim, temos situações que garantem a segurança do funcionário, que é uma situação bastante importante para que o funcionário tenha - ou pelo menos tentamos proporcionar - uma qualidade de vida muito grande.

 

P – Existe também um acompanhamento psicológico ou é através do Serviço Social?

 

R – Através do serviço social nós fazemos o encaminhamento; o nosso departamento médico possui médicos que são, além de médicos do trabalho, clínicos que fazem um trabalho de clínica médica geral e também fazem esse acompanhamento e a indicação, se for o caso.

 

P – Rose, só voltando um pouquinho...

 

R - Para minha infância?

 

P – Não, não vamos para a infância. Eu queria saber qual a sua impressão quando você foi pela primeira vez à Tetra Pak?

 

R – Quando eu cheguei, eu achei a Tetra Pak uma empresa muito bonita; uma coisa que chama muito a atenção na Tetra Pak é o aspecto, sempre muito limpo, as paredes - isso é uma coisa que nos chama muito a atenção. Mas no momento em que eu entrei, para falar a verdade, eu não sei... Eu estava meio ansiosa. Quando eu comecei a trabalhar, a recepção foi muito legal; acho que, em uma semana, eu tinha amizade com todo mundo, conhecia todo mundo, era amiga de todo mundo, ia almoçar como se estivesse indo almoçar com pessoas que há muito tempo eu conhecia. Foi uma impressão ótima e eu acredito que, ainda hoje, as pessoas que entram lá também têm essa impressão.

 

P – Você tinha falado anteriormente que o número de funcionários era bem menor do que é hoje. Você poderia falar como era a empresa nessa época?

 

R – Era muito diferente. Para vocês terem uma idéia, na hora do almoço - coisa que hoje não dá tempo - nós nos reuníamos, um grande número de meninas - ainda hoje somos muito amigas, tanto as que ficaram como as que saíram; uma, fazia a unha - sério, dava tempo de fazer a unha! -; outra, fazia crochê ou tricô. Na hora do almoço, nós conversávamos sobre assuntos nossos, da nossa vida pessoal - e não só nós, as mulheres, mas os funcionários, independentemente do sexo; reuníamo-nos na hora do almoço e ficávamos conversando longos papos - quer dizer, longos mas dentro do limite de horário. Nós conhecíamo-nos realmente: sabíamos quantos irmãos cada um tinha; qual era o nome do marido; sabíamos que a filha de alguém, na noite passada, tinha tido febre e preocupávamo-nos, perguntávamos “precisa de ajuda? Está querendo alguma coisa?” Mas a própria situação de ser uma empresa menor fazia com que as pessoas conhecem-se mais e, com isso, ficassem mais tempo juntas. Com o fato de se conhecerem melhor, a amizade transformava-se: não era aquela de você ser colega - você era amigo de verdade. Não é que hoje não tenha isso, mas nós tínhamos mais, era mais fácil você ver as pessoas porque o número era menor.

 

P – Você morava em Campinas?

 

R – Sim.

 

P – Bastante pessoas moravam em Campinas nesse período?

 

R – Sim, bastante, sempre; hoje, muitas pessoas moram em Campinas, apesar de que o setor produtivo, da produção, tenha um grande número de Monte Mor. Mas tinha pessoas de Campinas, sim.

 

P – E essa relação de amizade que vocês tinham dentro, ia para fora dos muros da Tetra Pak?

 

R – Sempre, ia para fora também. 

 

P – Você relacionava-se?

 

R – Sim; tínhamos amizade, ligávamos uma para a outra - era uma amizade que se estendia para fora também.

 

P – E em relação ao espaço de trabalho?

 

R – A logística? O layout? Ótimo, hoje e sempre. A Tetra Pak sempre deu-nos condições de trabalho.

 

P – Hoje vemos que a acomodação de cada funcionário é naquela mesa, um ao lado do outro - o que facilita a comunicação. Mas como é que era antigamente?

 

R – Antigamente, eram salinhas fechadas – eu lembro-me -, cada um tinha a sua salinha fechada; quer dizer, ficávamos numa sala eu e a Ana Maria, fechadinhas; o Gilberto ficava numa sala fechadinha - inclusive, tinha que se abrir a porta para vê-lo e tinha que se abrir a porta para nos ver também.

 

P – E isso, em algum momento, dificultava a comunicação entre vocês?

 

R – Dificultar, não - mas nós víamos menos porque tinha que abrir a porta para ver a pessoa, então nos víamos mais na hora do almoço, no toalete - como eu disse, na hora do almoço era o nosso encontro. Muitas vezes, por causa disso, era na hora do almoço que nos encontrávamos, conversávamos, batíamos papo - ou então, no toalete. 

 

P – Rose, no horário de almoço, era um refeitório para todo mundo ou existia uma divisão para quem era do escritório e da produção?

 

R – Sempre foi um refeitório para todos; nunca houve essa diferença.

 

P – E nesse tempo em que você trabalhou, quais foram as várias mudanças que você sentiu dentro da sua área - mesmo na disposição do local? Antigamente, o refeitório era em outro lugar?

 

R – Ele era menor e foi sendo reformado e aumentando.

 

P – E dentro da sua área, quais foram as mudanças e as inovações das quais você se lembra?

 

R – Quando eu entrei, éramos três; hoje, somos em 12. Quando eu comecei na Tetra Pak, nós fazíamos folha de pagamento, treinamento, assistência médica - éramos em duas e fazíamos tudo, com a supervisão do Gilberto. Não tinha essa divisão que existe hoje: hoje, tem um grupo, dentro de recursos humanos, que faz o treinamento; outro, que cuida da remuneração total; outro, que cuida da parte de legislação e folha de pagamento; tem a minha área, que cuida de saúde, serviço social e benefícios. Enfim, foi uma mudança, uma evolução, um crescimento; nisso você percebe que está crescendo com a empresa. Dentro da minha área, pessoas novas foram entrando, foram sendo agregadas, foram fazendo parte da nossa vida, da nossa família; hoje, eu posso dizer que, no Recursos Humanos - eu posso dizer isso porque é onde passamos a maior parte do dia -, nós somos como uma família. Então eu fui agregando, fui adotando irmãos e irmãs. Isso foi uma grande mudança, sem contar o tamanho da empresa, a inovação, os valores e tudo o que foi aumentando e crescendo - e nós juntos, na empresa. É um orgulho você ver as embalagens novas, os lançamentos, essas coisas todas - a Tetra Pak sempre faz questão de que nós, os funcionários, conheçamos os lançamentos.

 

P – Mesmo você estando distante da produção, dessa parte mais técnica, você acompanha isso? Você falou “é um orgulho ver uma embalagem nova” - você está sempre ligada?

 

R – Sempre que possível, sempre que eu posso. Por minha vontade, eu gostaria de estar mais próxima, mas o tempo é muito curto, é muita coisa - o certo seria você administrar o seu tempo e dizer: “Não, uma vez por semana eu quero ver o que está acontecendo de novo lá no DG...” - que é o Desenvolvimento Gráfico – “... quero ver o que está acontecendo de novo nos lançamentos.” Mas, infelizmente, não conseguimos praticar isso; existe uma distância, mas sempre procuramos saber o que está acontecendo, porque são os negócios da nossa empresa.

 

P – Nesse tempo em que você está na Tetra Pak, Rose, houve alguma crise pela qual ela tenha passado?

 

R – Sinceramente, não. 

 

P – Sempre foi muito...

 

R – Estável.

 

P – Numa curva ascendente?

 

R – Exatamente. 

 

P – Quando você entrou, quem era o presidente?

 

R – Era o Carl-Viggo Ostlund; estava havendo uma troca de presidente, então estava saindo um e entrando o Carl-Viggo Ostlund. No período em que eu comecei, ele estava iniciando e o Nelson Findeiss era controller na empresa. Ele ficou, se eu não me engano, na presidência por dois anos; nesse período, o Nelson Findeiss foi para o Panamá e ficou um ano e meio. Depois, o Carl-Viggo foi para o Canadá e o Nelson assumiu como presidente por volta de 1990.

 

P – Você acha que houve uma mudança na empresa Tetra Pak - de um sueco para um brasileiro?

 

R – Acho que não. O objetivo sempre foi o mesmo: inovação, melhoria, crescimento e é isso que a Tetra Pak sempre teve; independentemente dos presidentes, a empresa sempre cresceu.

 

P – E na sua área - porque a impressão que eu tenho da Tetra Pak é que ela funciona de forma parecida no mundo todo - existe alguma dificuldade, você faz alguma coisa que não vai de encontro ao que eles pensam em outro lugar do mundo - porque existem particularidades no Brasil, certo?

 

R – Existem. Inclusive, a legislação do Brasil é diferente do resto do mundo, tudo muito burocrático. Mas para ser bem honesta, eu diria que a tendência da empresa é ser igual em todo lugar do mundo - tanto é que nosso mote, que é “protege o que é bom”, é o mesmo em todo lugar do mundo; a nossa missão é disponibilizar alimentos com segurança em qualquer lugar do mundo - então você vê que é uma coisa só. Eu não diria que existe uma grande diferença, não; agora, se você comparar o tratamento sueco do latino, do alemão, aí sim, deve haver diferenças, porque são culturas diferentes.

 

P – E você foi alguma vez pra lá?

 

R – Nunca fui para o exterior; sempre fiquei aqui. Talvez ainda vá.

 

P – Rose, e as iniciativas ambientais da Tetra Pak?

 

R – Fantásticas. Eu acho essa responsabilidade social que a Tetra Pak tem fantástica; ela preocupa-se mesmo, tanto é que nós vemos o nosso departamento de Meio Ambiente - o Von Zuben, a Juliana, a Sandra, o Marcos - trabalhando isso com amor mesmo, sempre pensando naquele resultado final. É uma responsabilidade muito grande que a Tetra Pak tem com o meio ambiente e você vê isso crescendo.

 

P – Nesse tempo todo de casa, quais foram os seus maiores desafios? Provavelmente, não foi um só...

 

R – Não, foram vários - e ainda tenho. A Tetra Pak é um desafio diário; é só você imaginar: você entra na empresa com menos de 200 funcionários, ela vai crescendo e você vai crescendo junto; vão entrando novos funcionários, a exigência fica cada vez maior - não dos funcionários, mas você mesmo se exige mais no trabalho. O desafio foram as próprias mudanças: especificamente no meu caso, que fazia  folha de pagamento e que é um trabalho bastante burocrático, muito rotina, de repente, vou para Benefícios. Hoje, eu faço atendimento social e, além disso, tenho a responsabilidade – dou-me essa responsabilidade - de ter qualidade de vida dentro da empresa com relação aos funcionários, estar sempre pensando em alguma coisa que vá agregar, que vá melhorar. É um desafio essa célula de serviço social - ela é nova.

 

P – Ela tem quanto tempo?

 

R – Ela tem dois anos, então ela é nova para mim; é um desafio que ela cresça e que ela tenha a credibilidade de estar fazendo um trabalho legal.

 

P – Você, melhor do que ninguém, sabe que é difícil lidar com as pessoas; nesse contexto, eu acredito que seja mais difícil ainda na célula de serviço social, que e é nova. Como é que os funcionários vêem isso?

 

R – Eles gostam, eles elogiam; eu tenho notado, inclusive, que a procura está sendo cada dia maior. Para vocês terem uma idéia, nós colocamos, de terça-feira e quinta-feira, um horário específico e uma sala específica pra estar atendendo aos funcionários - só que o horário não está dando mais. Eu percebo que se eu passo no corredor da empresa, eu sou chamada; se eu estou no almoço, as pessoas vêm para conversar; se eu estou saindo, eu sou parada. Hoje, uma coisa que era em um horário específico, está sendo o meu trabalho; eu tenho sentido que a procura dos funcionários tem sido muito grande - se eles procuram, é porque eles sentem-se bem fazendo isso. O melhor nisso tudo é o resultado que temos a cada processo em que você inicia em um atendimento: o primeiro atendimento é mais para ouvir - o funcionário fala e você ouve; desse atendimento, eu procuro, dentro do que eles me pedem, através dos meus contatos ou internamente na empresa, ver em que momento eu posso ajudá-los. Eu sou procurada desde um problema do filho que tem autismo - “Rose, como é que eu faço o tratamento, que é caro?” - até um funcionário que está com a mãe internada; têm casos de funcionários que estão separando-se de repente - é um mix, são bem mesclados os atendimentos. Eu vejo que hoje eles não me procuram mais só na terça-feira e quinta-feira; eu tenho sido procurada, para ser bem honesta, quase que diariamente, o dia todo. Eu brinco muito, falo que é para ligar no Disque Rose, porque o meu telefone é um call center, eu fico o dia inteiro ao telefone, porque a procura tem sido muito grande pelo serviço social.

 

P – A Tetra Pak tem um programa de atendimento a drogas, lícitas e ilícitas, para pessoas que são viciadas e  para HIV?

 

R – Ainda não, talvez porque não tenha tido uma primeira necessidade; com certeza, se houver, nós vamos tomar providências imediatamente. Já sabemos de clínicas que atendem, já sabemos quais seriam os recursos que nós teríamos numa necessidade - isso eu já conheço -, mas como ainda não houve a necessidade, ainda não atuamos. Graças a Deus.

 

P – Qual a exigência de formação para entrar na Tetra Pak? 

 

R – Na produção, é segundo grau completo. Mas depende, porque cada área tem a sua formação, cada área, cada setor tem a sua exigência: se você vai trabalhar na Controladoria, com certeza você tem que ter a formação numa faculdade de Economia ou Administração de Empresas; se você vai trabalhar no departamento de Meio Ambiente, você vai ter, com certeza, a exigência ser de uma Engenharia Ambiental; no Recursos Humanos, nós todos, na grande maioria, somos administradores, mas temos psicólogos que trabalham na área de recrutamento e seleção. Cada área tem a sua exigência, mas o nível mínimo é segundo grau completo.

 

P – Existe incentivo para os funcionários  estarem estudando?

 

R – Sim, tem. Para aqueles que não tinham o segundo grau completo, o nosso setor de treinamento formou, dentro de Monte Mor, um Telecurso Segundo Grau.

 

P – Dentro da fábrica?

 

R – Não, dentro da cidade, numa escola; colocamos os nossos funcionários para terminarem, através do Telecurso, o segundo grau. Hoje, a grande maioria é formada.

 

P – E quem vai para faculdade, tem uma ajuda?

 

R – Tem - de graduação, tem. A Tetra Pak ajuda.

 

P – Eu vou perguntar porque não sei direito como é que funciona - existem três turnos na Tetra Pak?

 

R – Hoje, temos quatro.

 

P – Quatro?

 

R – Quatro turnos: das oito às 16; dás 16 à meia-noite e da meia-noite às oito.

 

P – E é fixo? A pessoa fica sempre nesse turno ou é algo que fica mudando?

 

R – Depende. Existe aqueles que ficam fixos, mas existe uma tabela onde é seguido: tantos dias trabalhados, tantos de folga.

 

P – E é negociado isso? Por exemplo, se alguém na produção resolver fazer faculdade e ele tem um horário nessa faculdade - de manhã, a tarde ou a noite: a Tetra Pak permite essa negociação, de ficar só neste turno? Isso é conversado?

 

R – É. Vai de liderança para liderança, de acordo com a necessidade da máquina; também precisa-se ver a condição do funcionário. Nós temos muitos hoje na produção que, depois que entraram na produção, fizeram Engenharia Mecânica, Engenharia Química. Hoje em dia é negociado com cada liderança, não existe o envolvimento do Recursos Humanos nisso,  que é mais envolvido no sentido de ajudar financeiramente; esse acordo de horários para ele poder estudar e trabalhar é de acordo com a necessidade de cada área.

 

P – Aproveitando o seu gancho, que está há alguns anos na Tetra Pak: a idéia que as pessoas tinham - não é uma idéia, ainda hoje fica esse fantasma, que já foi uma realidade - de que quem estava na produção de qualquer empresa, de qualquer fábrica, terminava na produção, com um grau baixo de escolaridade. Hoje isso está mudando muito? Ele vai para universidade?

 

R – Vai: ele estuda, ele especializa-se, ele cresce. Eu não vou dizer que quem está na produção até hoje não cresceu - não, não é isso: as pessoas, de repente, especializam-se naquilo, gostam daquele trabalho que fazem e o fazem porque sentem-se bem, porque isso é o mais importante. Mas aqueles que entraram na empresa e tiveram como objetivo crescer, eu posso te garantir que a grande maioria conseguiu, sim. Muitas pessoas que entraram - vocês vão entrevistar pessoas que entraram na produção e hoje estão formadas como engenheiros mecânicos, engenheiros, administradores - hoje estão na produção, mas, de repente, saem da produção e vão trabalhar no setor de processos. Temos pessoas que entraram na produção, no início da carreira, e hoje são assistentes técnicos que vão montar e consertar as máquinas no cliente - isso nós temos bastante na empresa, muitos casos.

 

P – Pelo que eu andei vendo, conversando, parece que não existem mulheres na produção.

 

R – Não, não existem mulheres na produção.

 

P – E você acha que isso é uma característica da Tetra Pak?

 

R – Eu vejo que, se um dia houver a necessidade, com certeza a Tetra Pak não vai pensar duas vezes. Porque percebe-se que lá não temos discriminação de raça, de sexo - a Tetra Pak não tem isso, muito pelo contrário; se for necessário ir para a produção, vai. Talvez, até esse momento, não se tenha pensado ou não houve uma exigência.

 

P – Você acha que talvez tenha sido porque as mulheres não procuram esse trabalho?

 

R – Não, as mulheres procuram, sim. O que eu imagino é que, até hoje, talvez não tenha havido a exigência.

 

P – Agora vem uma parte que é muito gostosa (risos): nesse tempo todo que você está lá, você deve ter muita coisa para contar - causos, coisas que tenham acontecido, que te marcaram e que sempre você lembra-se e fala: “Ai, quando aconteceu aquilo...”. Você poderia contar alguma coisa para nós?

 

R – Tem muita coisa na Tetra Pak que marcou; a Tetra Pak é uma empresa que gosta de festejar, que gosta de comemorar. Eu lembro-me de um evento, que me marcou e que eu acho ter marcado muitas pessoas, que foi uma gincana que nós fizemos quando a Tetra Pak comemorou 20 anos em Monte Mor: nós passamos o mês de outubro inteiro, que é o mês que a Tetra Pak aniversaria em Monte Mor, fazendo gincanas - foi uma delícia, foi muito bom. Não posso dizer 100%, mas acho que quase 100% dos funcionários envolveram-se ativamente. Diariamente nós fazíamos charadas para as pessoas; eram enigmas que, quem descobrisse, quem desse o resultado, traria dez pontos para sua equipe. Para se ter uma idéia, outro evento no mês de outubro foi fazer barquinhos com o nosso material de embalagem, barquinhos com motorzinho; nós tínhamos um reservatório de água muito parecido com uma piscina e, na hora do almoço, nós fazíamos a gincana - o barquinho que andasse mais rápido, ganhava dez pontos para a equipe. Quem trouxesse o jornal mais antigo da Tetra Pak - chegaram a levar o rascunho do primeiro jornal! - é ganhava dez pontos para a equipe. Cada equipe tinha um nome - lembro-me que tinha Outubro Vermelho, tinha Vida - e o último dia da gincana foi num sábado, onde cada um de nós tínhamos um colete que identificava o nome da nossa equipe; nós partimos do centro de Monte Mor e fomos caminhando por uns cinco quilômetros - não tínhamos ainda o nosso clube - até um super camping. E nós tivemos que passar por estradas de mata, foi tudo muito divertido; acompanhando todas as equipes, nós contratamos uma espécie de trio elétrico, com músicas. Os trinta primeiros que chegassem, estariam depositando o nome da sua equipe dentro da caixa, que valia ponto. E esse dia inteirinho nós passamos fazendo gincana. Teve futebol, teve golfe, teve voleibol, teve pesca - ganhava quem pescasse mais. Foi o máximo isso. O fechamento mesmo foi quando cada equipe cantou uma música: nós contratamos, meio que de improviso, um caminhão; dentro desse caminhão, na carroceria, tinha os aparelhos de som e todos iriam apresentar-se com a música que eles fizeram, cantando, cada um deles, “Tetra Pak 20 anos em Monte Mor”  - foi emocionante esse evento -; teve notas para cada um, que entrariam na somatória do mês. Quando acabou, nós falamos “Bom, acabou a nossa gincana...” Eu vi muitas pessoas chorando, emocionadas porque tinha terminado. Mas foram muitos – eu alonguei-me mais nesse porque acho que, de todos, foi o que mais me marcou. No ano que vem, a Tetra Pak de Monte Mor fará 30 anos e vamos tentar repetir o que aconteceu - não sei se vai ser igual, pelo número de pessoas, mas hoje temos o recurso do clube, então vai dar para fazermos uma coisa super legal; a intenção é repetir isso no ano que vem.

 

P – Quer dizer, pode ser melhor ainda - é isso que se espera?

 

R – Sim. Eu trabalho com eventos também, e as nossas primeiras festas juninas e festas de natal, nós fazíamos no estacionamento da Tetra Pak, com pequenas barracas; era um número bem reduzido de pessoas - e eles iam com a família! Hoje, nós fazemos no clube; na última festa nossa, nós tivemos um público de mais de duas mil pessoas - então, você imagina a evolução. Se você pegar uma foto da nossa primeira festa de natal para a nossa festa de natal hoje, é bem impactante.

 

P – Rose, essas festas são maravilhosas e as pessoas gostam de participar - é algo que é importante. Acho que existe uma integração, mas nisso tudo, com festas ou sem festas, você lembra de alguma coisa engraçada que tenha acontecido?

 

R – Uma coisa engraçada?

 

P – É, porque as pessoas convivem muito tempo - são pessoas que estão lá há muitos anos, convivem o dia todo juntas -; deve acontecer, de vez em quando, uma pegadinha...

 

R – Tem, sim. Nós temos vários funcionários que têm o dom de ser engraçados e eu sou muito desligada - as pessoas me pegam em pegadinhas. Acho que vocês vão entrevistá-lo, o Paulo Bordini; ele, todo fim de ano - não digo que é uma coisa engraçada, mas para mim acabou ficando cômico - ele chegava para mim e falava: “Rose, você já ganhou a folhinha?” “Não! Eu gosto! A minha mãe adora folhinha!” – todo ano. E ele vinha com uma folha, de planta, em cima da minha mesa. Era uma coisa que ele conseguia me pegar todo ano. Acho que, se ele for esse ano – apesar de ele estar aposentado, estamos sempre juntos; nas festas, os aposentados são sempre convidados – ele vai me pegar. Com certeza aconteceram muitas coisas engraçadas. Comigo, uma coisa que aconteceu, foi que queimaram o meu cabelo – entre aspas –: eu fui fazer, há muitos anos atrás – eu sempre fui de mexer muito com o meu cabelo, acho que é típico de mulher isso – esse negócio de enrolar cabelo... permanente! E o salão queimou o meu cabelo – queimou literalmente, da raiz ficar machucada, de eu ter que fazer um tratamento dermatológico muito grande. O que era engraçado é que todos que chegavam no RH  – eu tentei disfarçar ao máximo, mas ele ficou meio esticado, parecia que eu tinha levado um choque como naqueles filmes em que a pessoa fica assustada; eu tentei prender, tentei fazer um monte de coisa, mas não adiantou, ele queimou as pontas, cortei, mas ele ficou meio queimadinha. Todo mundo que chegava no RH, era impressionante: “Rose, o que é que aconteceu com o seu cabelo?” – como se eu não tivesse sido judiada pelo que aconteceu. Tinha um senhor que conversava muito pouco, quase não falava nada, era muito quietinho; ele não falava, ele não abria a boca – até para cumprimentar ele tinha uma certa dificuldade. Se eu não me engano, era seu Rolindo. Eu o cumprimentava diariamente. De repente, ele chegou e tinha bastante gente no RH; ele chegou quietinho e falou: “Rose, você pode vir aqui?” “Posso.” “Eu preciso perguntar...” “O quê?” “O que fizeram no seu cabelo?” “Seu Rolindo, realmente queimaram, estragaram o meu cabelo.” “Mas você sabia que tem órgãos em Campinas que você pode reclamar? Reclama! O seu cabelo está horroroso!” – e estava mesmo! Eu lembro que tiraram fotos de mim e falaram: “Rose, leva lá!” - não sei se era Procon – “...leva para reclamar! Você tem que denunciar, você tem que acionar esse salão que fez isso com você!” Então, aconteceu isso comigo. Foi terrível, vocês não têm noção do que eu passei.

 

P – Mas você não denunciou?

 

R – Não. Eu acho que quando você vai no salão, você corre riscos - até para fazer isso que está na moda, aquela progressiva, você corre riscos. Eu não quero acusar o salão; talvez, naquele dia, o meu organismo não aceitou e foi uma alergia que eu tive no couro cabeludo. Mas foi horrível, porque por onde eu passava, tinha um para perguntar o que tinha acontecido com o meu cabelo...

 

P – Não chorou?

 

R – Muito. Eu tive febre forte, passei muito mal. Claro que eu não ia guardar essa foto, joguei fora, mas na foto que tiraram, por trás, meu cabelo ficou inteirinho queimado, desde a raiz – em algumas partes da raiz, ele ficou até com marquinhas.

 

P – Rose, você falou dos aposentados...

 

R – Falei.

 

P – Como que é essa relação dos aposentados com a Tetra Pak?

 

R – Eles são convidados para todas as nossas festas de natal, festas juninas, sempre são lembrados - em situações no clube também. Sempre que podemos, sempre que tem um evento diferente. Que nem agora, por exemplo, tenho certeza que vocês devem ter se lembrado deles - eles são convidados para estarem juntos de nós. Se eles se interessarem por algum campeonato ou alguma coisa que esteja acontecendo o clube, eles têm acesso livre para estarem entrando. Enfim, esse é o contato. Se eles precisarem de alguma coisa de nós, estamos sempre à disposição para ajudá-los.

 

P – E eles participam muito? Eles vão?

 

R – Adoram ir. Inclusive, se acontecer de alguém sair no ano e, por algum problema de memória, você deixou de incluir o nome dele na lista dos convidados, ele mesmo liga para mim e fala: “Rose, eu me aposentei, sai; não vai esquecer!” “Puxa, que bom que você me ligou!” Nós fazemos questão de que eles participem porque é bom que eles mantenham esse contato. Eles podem até ter o contato fora da empresa, ainda mais na cidade de Monte Mor, que é pequenininha, mas é legal para eles estarem lá dentro também, retomarem e até poderem estar medindo como era e como é hoje.

 

P – E como é a relação da Tetra Pak com a comunidade? Parece que tem um asilo... 

 

R – Tem um asilo que, mensalmente, nós fazemos doações. Agora, também nós estamos com um programa que, anualmente, nós fazemos almoços lá, que nós chamamos de Almoço Beneficente: tudo começou com o primeiro Festival a Parmegiana; esse ano foi o segundo Festival a Parmegiana; se Deus quiser, o terceiro vem aí o ano que vem. Os funcionários compram os convites, nós vamos até lá e é uma coisa que eles fazem muito bem feito. Não é que nós fazemos para ajudar o asilo, não: os voluntários fazem uma comida de muita qualidade, é muito saborosa – estou fazendo comercial deles. E eles lucram com isso. Além das pessoas que estão internadas no asilo, que ajudam com a pequena aposentadoria que eles têm, o asilo tem um custo bem grande. E as doações que nós fazemos, eles não só utilizam essas doações dentro do próprio asilo, mas também ajudam na comunidade. Por exemplo, mensalmente a Tetra Pak tem cestas de alimentos; essas cestas que não são pegas, elas vão para o asilo. O asilo utiliza o que eles podem lá, mas se eles virem a necessidade de alguém da cidade, eles também ajudam com as doações de leite que nós fazemos. Então, é uma cadeia: a Tetra Pak ajuda o asilo, que ajuda outras pessoas. Sem contar também com outros programas que nós temos lá dentro, como a doação de móveis. Esse mês próximo, devemos estar fazendo uma doação de móveis muito grande para algumas entidades de Monte Mor, como a ONG; também temos um contato muito grande com a Ação Social da Prefeitura, porque eles sabem eleger, eles têm como eleger as maiores necessidades, até porque as pessoas vão lá e se cadastram. Então, nós também atuamos muito com o departamento de Ação Social. Fazemos campanha de alimento, campanha de agasalho, tudo para a comunidade de Monte Mor.

 

P – E como se dá essa doação dos móveis?

 

R – A Tetra Pak, como sempre falamos, está evoluindo, e ela também evoluiu na parte de layout; a cada nova reforma, são novos móveis e, os móveis antigos, vão sendo guardados num depósito. Até que chega um momento em que o número de móveis, que é certeza absoluta que estão lá e que não vão ser utilizados, nós fazemos o que estamos fazendo esse mês e fizemos o mês passado – inclusive, como parênteses, em Monte Mor tem uma clínica, que se chama Clínica de Especialidades; toda essa clínica foi praticamente montada com móveis que nós doamos -: nesse mês que entrará, nós vamos doar para uma ONG, inclusive carteiras antigas da Tetra Pak, que serão levadas para lá porque ela está dando cursos para menores adolescentes e essas carteiras vão ser utilizadas para esses cursos que eles estão dando. Esses móveis são utilizados dentro dessas entidades que eu citei, mas tem uma outra, que é a Fundação Terruel – ela fica na estrada de Monte Mor - e ela tem cursos de informática, de corte e costura, tem uma biblioteca; para lá nós também vamos estar doando esses móveis, que estão todos destinados.

 

P – É uma maneira de estar sempre em atividade com a comunidade, é isso?

 

R – Sempre. Tanto a Campanha do Agasalho como a do alimento, são sempre voltadas à comunidade.

 

P – Aproveitando essa pauta, eu queria que você falasse um pouquinho dos valores da Tetra Pak.

 

R – Exatamente o quê você queria que eu falasse?

 

P – A Tetra Pak tem valores e eu queria que você falasse-me sobre isso, como que isso é visto, quais os lemas?

 

R – Liberdade com Responsabilidade, para mim, é o que eu vejo como importante – essa realmente agrega valor. Quando você fala em liberdade com responsabilidade, é o momento em que a empresa deixa você agir da forma que você quiser para você crescer - eu acho isso muito importante. Nós vemos isso como se fosse uma máquina dentro da Tetra Pak que tem que surtir, que tem que dar resultados. Isso para nós, é importante - não é só uma placa colocando parceria com os clientes e fornecedores, liberdade com responsabilidade, parceria a longo prazo. Isso nós realmente levamos a sério. Outro evento que na Tetra Pak marcou-me – falando, inclusive, sobre os valores  - foi um evento que nós fizemos de core values voltado à música; fizemos dois até hoje. Cada um dos nossos funcionários tinha o tema de um dos nossos valores para estar colocando dentro da música. Foi também um sucesso, inclusive descobrimos valores lá dentro de pessoas que cantam e hoje, inclusive, têm até gravação de CD. Isso é levado muito a sério.

 

P – Você acha que isso reflete na vida de cada um fora da Tetra Pak?

 

R – Tem que refletir, porque é uma extensão; lá fora, nós somos uma extensão disso tudo. Eu entendo que sim, que reflete. É como se fosse algo educacional, como se fosse alguma coisa que você aprende lá dentro e que você pode estar aplicando não só com a sua família, mas com os seus amigos - aplicando isso que você tem lá dentro, o respeito.

 

P – Ouvindo você falar nessa nossa conversa, a impressão que eu tenho é que você tem muito orgulho de trabalhar na Tetra Pak.

 

R – Tenho muito orgulho.

 

P – Você se imagina fora da Tetra Pak?

 

R – Para ser bem honesta, eu pretendo que a Tetra Pak seja a minha última empresa. Depois, só Deus é quem sabe - eu brinco que eu vou fazer uma grife, Rose Retamero - mas vai ser muito difícil adaptar-me em outra empresa pelas condições, como eu disse agora, de logística, de layout, de alimentação, de benefícios, enfim, de tratamento. A Tetra Pak preocupa-se com o funcionário como ser humano - eu falo isso porque é a minha área; nós realmente preocupamo-nos com a pessoa.

 

P – Você acha que a Tetra Pak teve um peso muito grande para o desenvolvimento da indústria brasileira?

 

R – Teve, sem sombra de dúvida. Você ouve hoje em dia falar em saquinho de leite? Outro dia, eu estava numa aula e surgiu a Tetra Pak numa das aulas desse curso que eu estou fazendo atualmente; um dos professores comentou sobre isso - um professor de MBA -, que hoje a embalagem do leite longa vida transformou-se em algo que faz parte da nossa vida. Você não vai ao supermercado e fala: “Esse mês eu vou ao supermercado e o leite que eu vou comprar vai ser em embalagem longa vida.” Não, ela é automática no carrinho; além disso, você não precisa sair de casa para ir na padaria, como fazíamos antigamente: quando era leite de saquinho, diariamente você tinha que ir à padaria, porque tinha validade. Eu lembro-me que a minha mãe colocava o saquinho de leite dentro da geladeira, naquele suportinho - não existe mais isso. Então, como é que a Tetra Pak contribuiu? Ela inovou. Eu estou falando do leite porque é carro-chefe, mas tem tudo hoje: você vai fazer uma viagem e, de repente, você quer levar alguma coisa a mais para a viagem ou para onde você vai ficar hospedado; você está indo para a casa de praia - o que você leva? Você leva embalagem longa vida.

 

P – Qual o diferencial da embalagem Tetra Pak no mercado?

 

R – A qualidade, o visual, a segurança. Porque isso está provado: ela tem qualidade.

 

P – E, como, você acha que o consumidor vê a embalagem da Tetra Pak? A impressão que eu tenho é que, às vezes, o consumidor não dissocia o produto da embalagem - vamos falar uma qualquer, como leite Parmalat. Você acha que ela faz esse diferencial, como “a embalagem foi feita pela Tetra Pak e o leite foi envasado pela Parmalat”?

 

R – Eu encontro as duas situações na minha vida; quando você fala que você trabalha na Tetra Pak, a grande maioria das pessoas fala: “A Tetra Pak é a empresa que faz a embalagem do leite longa vida?” E encontrei situações em que as pessoas falam: “Mas não é Parmalat? Não é Elegê? Não é Shefa?” Não, a embalagem é da empresa. Então, eu vejo hoje as duas situações, Para ser bem honesta, nós que vivenciamos, que trabalhamos, o que eu tenho percebido de uns tempos para cá no currículo de amizades, de eventos, é que quando você fala Tetra Pak, as pessoas já associam à embalagem - e isso é importante, eu acho.

 

P – A Tetra Pak é muito conhecida em Monte Mor, porque ela está ali, é uma parceira da comunidade, mas a Tetra Pak, no cenário nacional - e eu digo de consumidores, o público consumidor - não é uma empresa que faz campanhas, que divulga muito quem ela é. E não só a embalagem, mas na reciclagem e em outras coisas. São poucas pessoas que conhecem a Tetra Pak. E, não sei se você vai poder me dizer, por que não é feito?

 

R – Eu acho também que ela deveria fazer mais, eu concordo com você.

 

P – Porque ela faz muita coisa, tem uma importância muito grande mas, na mídia, ela aparece muito pouco.

 

R – Vocês tiveram a oportunidade de ver o nosso último vídeo institucional?

 

P – Acho que não.

 

P – O que foi dos 50 anos?

 

R – Não o dos 50 anos, o institucional.

 

P – Não. 

 

R – O dia que vocês estiveram lá e que tiverem um tempinho, falem comigo porque eu estou com o vídeo - foi o que eu passei no último Portas Abertas. Você falou agora o que eu ouvi de várias famílias que estavam lá no último Portas Abertas: “Eu não sabia que a Tetra Pak fazia tudo isso!” Foi o que ouvi.

 

P – O que é uma pena - existem muitas empresas que não fazem um terço e são mais conhecidas e mais valorizadas do que a Tetra Pak.

 

R – Verdade. A última campanha que eu me lembro da Tetra Pak, além da vaquinha e a de crescer, foi a dos os atletas, que foi o Gustavo Borges. 

 

P – De campanha do leite.

 

R – Do leite. E a do Pelé, que foi o nosso primeiro garoto-propaganda - ele foi o primeiro. Não vou dizer que ela não investe, mas parece que ela não está muito preocupada; ela não deveria estar preocupada, mas deveria estar informando o que ela representa hoje no mercado, o que ela representa para o Brasil.

 

P – As pessoas com as quais eu converso, o que mais elas falam é: “A Tetra Pak? A das caixinhas recicláveis?” As pessoas apegam-se mais a isso, “a caixinha que recicla”. Eu lembro-me que, na escola, você ouvia falar de reciclagem, que você poderia reciclar a caixinha da embalagem longa vida; mas a Tetra Pak, como um todo, como empresa que fabrica a embalagem, isso fica mais implícito.

 

R – O que o próprio nome já diz. Talvez elas estejam associando a reciclagem à embalagem talvez por isso, porque a Tetra Pak, com sua preocupação com a responsabilidade social, tenha divulgado isso em maior número ou tenha divulgado mais sobre essa preocupação do que propriamente o processo em si, que hoje é um processo muito valorizado. Vocês podem falar: “Mas você está lá há tantos anos e é por isso que você...” - não, eu acho que eu não ficaria num lugar tantos anos se não acreditasse.

 

P – Como você sabe, a Tetra Pak está comemorando 50 anos de Brasil este ano. O que você conhece dessa trajetória de Brasil?

 

R – Minha área são as pessoas; o que eu posso dizer é sobre as pessoas que passaram por lá no período em que eu estou: pessoas que se transformaram em grandes amigos; pessoas que nós perdemos, mas que sabemos que estão em algum lugar muito legal porque merecem estar. O que eu posso falar desses 50 anos é sobre as pessoas que eu conheci, que eu vi crescer, que eu vi sair, que quiseram voltar, que se casaram, que tiveram filhos; que trabalham conosco hoje  e que entraram solteiras, casaram-se e estão com duas filhas ou com dois filhos; ou a esposa, que até então nós não conhecíamos, e que passou também a ser nossa amiga. É isso o que eu posso dizer, sobre a trajetória das pessoas lá dentro

 

P – Rose, nós estamos chegando ao final, falta um pouquinho.

 

R – Certo.

 

P – Eu queria te perguntar se tem alguma coisa que você queria falar e que nós não te perguntamos ou que você acha importante estar colocando?

 

R – Eu quero parabenizá-los; vocês falaram mais do que eu poderia lembrar-me. Eu quero que fique bem claro que, pelo menos o meu caso, eu faço o que eu gosto; eu atuo naquilo que quero e trabalho em um lugar que confio. É isso que a Tetra Pak representa para mim: uma empresa que me deu a oportunidade de fazer o que eu gosto, de crescer como pessoa; deu-me oportunidades de treinamentos e de descobrir aquilo que é o meu dom - imagina, entrei fazendo folha de pagamento e hoje trabalho com pessoas, com eventos - com tudo que envolva pessoas. Quando você me perguntou o que eu pretendia fazer depois que eu saísse, quando eu digo que este seria o meu pit stop, que seria minha parada, é porque eu tenho certeza absoluta que é ali que eu vou encerrar a minha carreira.

 

P – Rose, com relação ao projeto que a Tetra Pak encampou esse ano - o Projeto Memória Tetra Pak 50 anos, com os depoimentos, toda a organização do acervo da Tetra Pak, da documentação histórica, com a provável construção de um acervo -, como é que você vê isso? Que importância você vê nisso?

 

R – Para você ver o quanto a Tetra Pak valoriza, ela não está preocupada só em fazer a melhor embalagem; ela está preocupada também em mostrar a história dela. Quando tudo isso começou, o nosso comentário foi esse: “Que coisa bonita, levantar histórias e registrar o que ela fez e faz para esse país!” É mais um motivo para sentirmos orgulho dela e também ver sua trajetória no livro, registrado com depoimentos. Eu acho que ela está querendo realmente marcar, mostrar a marca dela. Também acho que é importante porque é o seu currículo - nós temos o nosso, ela tem o dela -; ela está querendo colocar aí. Isso é muito mesmo porque acho que é mais fácil fazer de 50 anos do que fazer de cem anos - quando ela for fazer o de cem, ela já tem o de 50, tudo isso muito bem registrado.

 

P – E, Rose, o lema da Tetra Pak é “protege o que é bom”. O que é bom para você?

 

R – Bom é a embalagem (risos), nós estamos falando de Tetra Pak! Ela é boa e protege aquilo que coloca dentro da sua embalagem. Por isso é que é “protege o que é bom” - o bom tem que se manter bom até o momento em que você o leva para sua casa - ela protege aquilo que é colocado dentro da sua embalagem.

 

P – E você quer deixar um recado para a Tetra Pak?

 

R – Acho que eu já falei tanta coisa boa da Tetra Pak... Mas eu posso dizer que, depois de tantos anos, a Tetra Pak faz parte da minha vida. Pode-se dizer que ela ajudou-me a crescer como pessoa; hoje ela comemora 50 anos, com toda sua evolução, mas eu sinto-me, paralelamente, também evoluindo - eu evoluí muito e, claro, não parei. Eu acho que, o dia em que acharmos que parou, será o dia em que não respiramos mais. Ela é uma empresa que ensina muito: ensina você a respeitar, ensina você o que são valores e ensina você como trabalhar em um lugar onde você pode voltar para casa e dizer: “Hoje eu fiz algo de bom“, todos os dias. Eu não ensaiei nada, isso é o que vem à minha cabeça.

 

P – E como foi para você estar aqui, dando este depoimento?

 

R – Eu vou ser bem honesta com vocês: a minha memória, eu gostaria que ela estivesse melhor, porque chega uma hora em que seu chip dá uma cansadinha. Mas vocês fizeram-me lembrar bastante coisa e isso é bom, é gostoso. Gostaria de ter lembrado de mais pessoas, mas nós não podemos ficar aqui o dia inteiro, porque é muita coisa - ainda mais para mim, que lido com pessoas. Você vê muita coisa, lida com muita coisa; você está muito envolvida com coisas boas, mas também com coisas ruins – infelizmente, como eu disse, a perda de alguns amigos.

 

P – É, isso acontece mesmo.

 

R – Recentemente um grande amigo… Essa foi uma perda que vamos sentir o resto da vida.

 

P – Eu quero ver o vídeo institucional, fiquei curiosa.

 

R – Eu quero que vocês vejam, é lindo - eu vi.

 

 

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