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História

Disputas e conciliações

História de: Sebastião Henriques Vilarinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/02/2015

Sinopse

Neste depoimento, Sebastião nos conta sobre sua infância em Belo Horizonte, sua ascendência portuguesa e mineira e sua formação escolar no Colégio Anchieta. Nos fala sobre seus primeiros empregos e os bailes que frequentava nos anos 50-60. Diz sobre quando entrou na Escola de Engenharia de Minas Gerais em 1957, e a sua entrada na Petrobras. Nesse período conviveu com a repressão da ditadura militar, enquanto se iniciava o desenvolvimento da produção offshore da empresa. Sebastião nos conta sobre a produção e prospecção de petróleo, suas passagens por Amapá, Bahia, Rio de Janeiro e outros estados brasileiros. Fala sobre sua passagem pela Petromisa, Braspetro, Gaspetro e a diretoria da Petrobras, e finaliza o depoimento contando o cotidiano de sua aposentadoria.

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História completa

Eu me lembro de uma coisa interessantíssima que lembrei agora, eu casei em 62 a minha filha, minha primeira filha nasceu em 13 de setembro de 63, e em 1968 a Petrobras começou a atividade de exploração de petróleo no mar. Foi fim de 67, início de 68, por aí. Bom, eu estava trabalhando em terra, mas eu tinha muito interesse nesse negócio do mar, que eu achava que no mar a Petrobras ia fazer o Brasil auto-suficiente em petróleo, então eu acompanhava de perto. Aí eu levanto de manhã cedo lá, eu morava no interior da Bahia, no Recôncavo, tinha um radinho, rádio elétrico, naquela ocasião; não tinha a pilha ainda, botei lá para ver as notícias antes de sair para trabalhar. Eram sete horas da manhã, ou coisa assim, aí a notícia: “Notícia importante, a Petrobras acaba de descobrir petróleo no mar em Sergipe.” Era 13 de setembro de 68. Eu chamei minha mulher e disse: “Olha que coisa extraordinária, descobriram petróleo no dia em que a nossa filha está fazendo aninhos hoje.” Eu nunca mais esqueci isto. 13 de setembro de 68, ela estava fazendo 5 aninhos naquele dia. Interessante - logo depois, não durou acho que nem um mês, eu fui chamado pela administração do Rio de Janeiro para ir trabalhar no mar. Começou em Sergipe, e logo depois foi se espalhando. Eu trabalhei em Sergipe, trabalhei no Ceará, trabalhei no Rio Grande do Norte, trabalhei no Amapá, trabalhei em tudo quanto era lado, na Bacia de Campos.

Mas os grandes desafios eram... depois que descoberta é feita, você tem que tirar o petróleo que está 3, 4 mil metros de profundidade e trazer ele para a terra, e a tecnologia para fazer isso não existia, ou existia, mas estava muito bem guardada no cofre de umas poucas companhias, que não queriam dizer isso para ninguém. Então você tinha praticamente que fazer tudo, fazer do zero, desenvolver os programas de computador, desenvolver tecnologia de soldagem para trabalhar em águas frias, e para trabalhar também com aqueles balanços, porque o mar balança o tempo todo, não pára de balançar, então uma plataforma que balançando com o mar, acompanhando o mar, ela dá uma fadiga, e depois de algum tempo o aço cede, o aço trinca e pode ocorrer desmoronamento e tudo mais relacionado com danos, blow-out. Podem acontecer coisas terríveis se não for feito tudo bem feito, e corretamente bem feito. E nós conseguimos desenvolver essa tecnologia, nós fizemos praticamente tudo no Brasil. O que nós importamos naquela ocasião? Importamos - a gente importa até hoje - turbina, compressores centrífugos, alguns itens para controlar o processo, equipamentos eletrônicos que não fazem no Brasil, também não fazem nos Estados Unidos, quem está fazendo hoje em dia é Japão e Coréia e por aí vai, e nós conseguimos fazer essa coisa toda, chegamos até o fim, e com isso, sabe o que aconteceu com isso? A nossa produção de petróleo em 75, quando nós começamos, devia estar em mais ou menos 250 mil barris, 220 ou 250 mil barris por dia, e quando essas plataformas ficaram prontas e começaram a produzir, nós chegamos a 612 mil barris por dia. 

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