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Disputa voto a voto

História de: José Libério Pimentel
Autor:
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

José Libério fala de sua infância em Abaeté (MG) e a mudança para Vila Propício (GO), antes de sua família instalar-se em Sobradinho. Foi alfabetizado por uma de suas irmãs e só frequentou escola formal aos doze anos, já no DF. Foi bem nos estudos e passou num concurso para aprendiz de marinheiro: ficou doze anos na Marinha até pedir baixa como terceiro sargento. Retornou a Brasília, foi admitido, por concurso, como professor na Fundação Educacional do Distrito Federal, filiou-se ao SINPRO-DF e participou da histórica greve de 1979. Em razão desse movimento, foi demitido juntamente com outras 38 lideranças. A demissão foi depois revertida e Libério candidatou-se à presidência do sindicato. Foi eleito e reeleito para dois mandatos consecutivos.

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História completa

A primeira [escola formal] foi em Sobradinho. Eu e meu irmão mais velho dos homens, o Cirilo, fomos estudar em uma escolinha do governo em Sobradinho, e começamos na segunda série do primário, nós não fizemos a primeira. Eu tive uma professora chamada Miriam que marcou meus estudos. Ela era muito boa, muito cuidadosa com os alunos, muito delicada e isso nos marcava, principalmente a nós, que éramos muito humildes. Nossa família era muitíssimo humilde. Depois fomos devagarinho, construindo, e chegamos a ter duas casas em Sobradinho, construídas com muito esforço, com salariozinho da minha mãe, e a gente também ajudava: eu era engraxate, meu irmão era engraxate. Além de engraxar sapatos nós também trabalhamos vendendo laranja, depois meu irmão comprou um tabuleiro de quebra-queixo e nós passamos também a vender quebra-queixo. Nessa luta nós fomos ajudando minha mãe e meu pai e eles foram construindo, de forma que nós fizemos duas casinhas modestas. Quando eu cheguei na quinta série primária, apareceu em Sobradinho um concurso para aprendiz de marinheiro: em Sobradinho havia 37 concorrentes, só eu passei. Uma vez aprovado, fiz os exames de saúde e fui para Vila Velha, onde é a escola de aprendiz de marinheiro do Espírito Santo. Lá eu passei um ano e seis meses estudando, praticando muito esporte. Isso foi de 1964 a 1966. Em 1966 eu jurei bandeira e sai batido. Aí fui para o Rio de Janeiro e passei doze anos servindo a Marinha do Brasil. Fiz curso superior de Letras em português-inglês no Rio de Janeiro e quando terminei o curso tentei uma transferência para Brasília, porque meus pais ainda moravam aqui. Não consegui. Então dei baixa na Marinha em 1977, saí como terceiro sargento, mas desempregado. Aí fiz concurso para Fundação Educacional de Brasília, passei em segundo lugar. Comecei como professor e fiz um para mestrado em Linguística na Universidade de Brasília. Passei em primeiríssimo lugar, ganhei bolsa da CAPES, estudei bastante mas não cheguei a defender a tese porque eu caí na besteira de me candidatar a presidente do Sindicato dos Professores no Distrito Federal, isso depois de uma greve muito forte que nós fizemos em 1979. Nós fizemos greve durante o regime militar, e nessa greve eu fui demitido da Fundação, depois readmitido, e aí fui ser presidente do sindicato e não tive mais tempo para defender a minha tese de mestrado. Depois da greve eu estava dando aula em Sobradinho e recebi um grupo de professores me chamando para coordenar esse trabalho. Por que isso? Porque durante a greve de 1979 eu me destaquei muito, eu fui uma das 39 lideranças que foram demitidas da Fundação Educacional devido a sua atuação na greve. A secretária de Educação era uma pessoa tipo coronel de saia, muitíssimo autoritária, então ela nos [readmitiu] e deixou três pessoas de fora né. Então o pessoal foi atrás de mim. Eu estava em sala de aula em Sobradinho quando eles me chamaram para conversar e disseram que eu seria a pessoa indicada para liderar o processo dos professores daí para frente. Eu fiz uma análise, achei que seria bom, aceitei e passei três anos como presidente do sindicato. Nós ficamos de 1980 a 1983 lá no sindicato, trabalhando. Em 1983 veio a [nova] eleição, o pessoal da oposição formou uma chapa e veio concorrer comigo. Nossa chapa ganhou de 83% a 17%. E aí fiquei até 1986, não quis mais concorrer. Foi quando a oposição ganhou as eleições.

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