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Dificuldades para o crescimento

História de: Dirceu Baleroni
Autor: Ana Paula
Publicado em: 12/01/2021

Sinopse

Dirceu sempre gostou de estudar e adorava as dificuldades das matérias que estudava. Cursou Faculdade de Engenharia Industrial em São Paulo, e logo após cursou muitas outras instituições e foi nelas que ele escolheu sua área de atuação, a Engenharia Química. No seu quarto ano de faculdade, fez o concurso para trabalhar na Petrobras e passou. Atualmente está trabalhando no Comperj, na gerência e setor de polietileno

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História completa

Projeto Memória Petrobras Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Dirceu Baleroni Entrevistado por Márcia de Paiva e Elisa Cristana Rio de Janeiro, 04 de maio de 2009 Código: MPET_ COMPERJ HV 001 Transcrito por Rosângela Maria Nunes Henriques Revisado por Paola Feltrin Ramos P/1 - Bom dia. R – Bom dia. P/1 – Eu gostaria de começar a entrevista pedindo que o senhor nos diga seu nome completo, o local e a data de nascimento. R – Dirceu Baleroni, nasci em Guaraçaí no Estado de São Paulo, no dia 01 de dezembro de 1953. P/1 – Seu nome é de origem italiana? R – Sim, sou descendente de italiano, os meus avós eram italianos. P/1 – E qual era o nome de seus avós? R – Natali Baleroni e ____. P/1 – Tudo bem, diga o nome de seus pais. R – Astolfo Baleroni e Zulmira Tecer Baleroni, eram meus avós paternos e o meu avô materno o nome dele era ____, depois eu lembro. P/1 – Mas eles nasceram aqui no Brasil? R – Meu avô paterno veio da Itália, meus pais nasceram no Brasil, meu avô materno também veio da Itália, muito pequeno. P/1 – Qual o nome dos seus pais? R – Astolfo Baleroni e Zulmira Tecer Baleroni. P/1 – O senhor tem irmãos? R – Tenho, somos cinco irmãos, uma irmã três anos mais velha, Dirce Baleroni, eu, Jair Baleroni que é um ano mais novo, o Antônio Baleroni que é três anos mais novo e Isidro Baleroni, que está na Petrobras também. P/1 – E seus pais trabalhavam? Sua mãe trabalhava ou era mais do lar? R – Minha mãe era mais do lar, meu pai trabalhava, era agricultor, quando era mais novo, os pais dele trabalhavam em Jaboticabal, em Olaria, em 1940, eles deviam ter alguns recursos e foram pra desbravar o interior de São Paulo, foram parar num vilarejo ao lado de Guaraçaí, município de Mirandópolis, um local chamado Amandaba e lá ele comprou uma olaria, meus pais eram em oito irmãos, cinco homens e três mulheres, trabalhavam na olaria, então a cidade é pequena, 8000 habitantes e grande parte do tijolo foi carregado pelo meu pai de carro de boi naquela época. P/1 – Ajudou a fazer a cidade, né? R – Sim, ajudou a fazer a cidade e minha mãe também trabalhava na olaria com os pais dela e eram vários irmãos, poucos ficaram no interior de São Paulo depois que casaram e a maior parte deles migraram junto com meu avô pra São Paulo, a parte materna. A parte paterna à medida que a olaria foi acabando, compraram as propriedades e cada um ficou com uma, meu pai tinha uma propriedade rural e nós recebemos de herança, até hoje é mantida lá com os cinco irmãos onde ele desbravou, derrubou a mata e plantou café, depois acabou o ciclo do café em 1960, eu era muito pequeno, aí, veio o ciclo de pasto, pastagens, depois ciclo do abacaxi, eu tenho um irmão que administra a propriedade hoje. P/1 – O que o senhor se lembra da sua infância? R – Eu morei no sítio, subia em mangueiras, nas goiabeiras, atravessava cercas, andava a cavalo na garupa com meu pai, ia no curral ver tirar leite, corria a pé, espetava o solado do pé com espinho de laranjeira, são histórias interessantes, as lembranças que vêm do passado. P/1 – E que essa turma de cidade dificilmente tem, né? R – Dificilmente tem. P/1 – E com muitos irmãos? Tinha muita brincadeira? R – Tinha muito irmão, muita brincadeira, a gente corria na terra e fui crescendo e quando fiquei com uns sete anos, meus pais foram para cidade para estudar os filhos, minha irmã já estudava no sítio numa escola próxima, então os filhos crescendo _____. Minha mãe tinha sido professora primária com o ginásio apenas, quando era solteira e no início ela ensinava a minha irmã e que passou a ir à escola, eles achavam que tinham que estudar os filhos, nós mudamos pra cidade que era próximo 18 Km, estrada de terra e foi onde começamos a estudar, todos estudaram, graças a Deus, se formaram, cada um tem uma profissão agora. P/1 – E sua mãe ajudava vocês como professora? R – Explicava os exercícios, foi uma grande incentivadora e quando nós éramos novos, meu pai falava que a terra estava ficando fraca, estava na hora de vender a propriedade e ir para o Mato Grosso pra comprar mais terras para os filhos tomarem conta quando crescessem, mas minha mãe puxou pro lado de: “estudar, ficar aqui e vamos em frente.” P/1 – Seu pai tinha esse espírito desbravador? R – Isso. P/1 – E das lembranças da escola ? R- Eu era muito arteiro, estudioso, brigava na hora do jogo. A escola primária era a uma quadra de casa, depois a escola secundária eram 500 metros de casa, era uma cidade muito pequena. Quando termina a escola secundária, o colegial e não tinha na cidade, comecei a me movimentar e ir de ônibus pra cidade vizinha a 20 Km de distância. P/1 – A cidade vizinha era qual? R – Era Mirandópolis, fiquei dois anos em Mirandópolis no curso eclético que foi constituído na época, antigamente era normal, clássico e científico, né? O primeiro período do curso eclético, dois anos numa cidade, mais um ano em outra cidade, Andradina a 30 Km de distância. Veio o vestibular sem fazer cursinho, porque tinha que se deslocar para um local distante e a gente não tinha muitos recursos e quando eu passei para uma escola particular, para Faculdade de Engenharia Industrial em São Paulo, tinha que sair de casa e ficar longe, foi o corte do cordão umbilical mesmo. P/1 – Antes da gente chegar à faculdade, o senhor nessas idas para as outras cidades vizinhas para estudar, como era o esquema, tinham outros colegas que iam junto? Vocês se organizaram? Ou irmão ia junto? R – Quando nós íamos para Mirandópolis, íamos de ônibus, naquela época tinha pouco transporte, já tinha rodovia asfaltada, era de trânsito normal entre as cidades da companhia que atendia o local tanto pra ir como para voltar, às vezes a gente utilizava o trem, lá tinha a Estrada Noroeste do Brasil e às vezes nós utilizamos o trem pra voltar da cidade vizinha e depois para outra cidade mais longe como já não tinha transporte, aí nós tínhamos ____. Na primeira cidade era um grupo de 10, 12 pessoas, porque não tinha número suficiente para ter o curso na cidade onde nós nascemos, onde morávamos, aí, no segundo grau, no terceiro ano, vários ficaram fazendo normal num determinado local, a Escola Normal e outros foram para outra cidade, íamos de carona e voltávamos de ônibus. P/1 – Era científico? R – Era o terceiro ano do segundo grau, terminamos o curso e tínhamos que fazer o cursinho para fazer o vestibular. P/1 – Como que foi a sua escolha? Antes o senhor tinha alguma preferência para alguma matéria? Por algum professor? O que lhe incentivava? R – Eu gostava de Química, porque eu achava que para mim era a coisa mais difícil, então fui fazer Engenharia Química. P/1 – Era mais difícil e o senhor gostava? R – Era mais difícil. P/1 – O senhor escolhia pela dificuldade? R – Lá em casa tinha um fogão à lenha e eu colocava lá no fogo uns vidrinhos com alumínio para derreter na brasa do fogão, entortava o vidro, para mim era uma tremenda novidade, era difícil de fazer com os recursos que tinha, porque não tinha laboratório. Naqueles 17 anos, algumas vezes eu colocava soda no alumínio pra ver o que acontecia, porque via nos livros as reações, então eu tentava colocar a mão na massa. P/1 – E não era perigoso essas experiências caseiras? R – Não, tinha coisas mais perigosas: pegar um pouquinho de pólvora. Meu pai tinha espingarda porque ele caçava alguns passarinhos, naquela época tinha propriedade, mas ele gostava de caçar e a gente acompanhava atrás com um cachorro farejando. São as lembranças reminiscências e em casa fazia essas coisas no tempo livre do estudo, brincava na rua até que certa idade, comecei a andar de bicicleta, 18 anos, né? P/1 – Com 18 anos? R – Com 18 anos. P/1 – E foi uma experiência marcante? R – Marcante, nova e diferente. P/1 – Dava pra ir de bicicleta até outra cidade? R – Não, o máximo que se andava era em alguns trechos que eram asfaltados, eram uns seis km, a gente não fazia desafio local mais distante. P/1 – Dessa escolha para o curso universitário houve alguma influência? Vocês discutiram em casa? Seus pais incentivaram? R – Meus pais incentivaram, a gente queria ____. Não tinha a formação do segundo grau, não tinha o normal e a gente queria ir pra área científica e meus pais incentivaram, eu fiz o vestibular e passei direto, aquela tensão de vestibular, eu passei. A gente se candidatava para várias escolas naquela época o curso era integrado para área científica, tinha outro pra área médica e na área científica foi um grande número de faculdades que utilizava esse vestibular e aí ao passar nos reunimos em casa, meus irmãos estudavam, minha irmã fez o normal, ela depois fez administração, era difícil manter o filho longe, mas meu pai concordou, a propriedade rural não dava muitos resultados, ele manteve a gente. Eu passei a morar um ano na casa de uma tia em Santo André, São Paulo e estudava em São Bernardo na Faculdade de Engenharia Industrial, Engenharia Química. P/1 – E essa sua irmã também estava estudando fora? R – Não, ela estudava na própria cidade. P/1 – Como foi essa ida e essa quebra do cordão umbilical? R – A gente foi pra novos desafios, maiores dificuldades, viver longe, eu fiquei um ano na casa de uma tia, ela falou: “pode ficar aqui esse ano” e depois como eu pegava três ônibus até o local da universidade, eu passei a morar numa república que ficava um ônibus de lá, na cidade vizinha de onde ficava a universidade. P/1 – A passagem para república também é outra mudança, né? A tia era irmã da mãe ou do pai? R – Meu tio era irmão da minha mãe e ele tinha vários filhos que também estudavam, outros trabalhavam e outros já eram formados. Fui morar próximo a faculdade, aí era entrevista pra ir pra república, a organização da república, a administração, a contratação de empregada, as compras no supermercado, tinha que fazer a prestação de contas do mês, cada um no mês era responsável pela contabilidade. P/1 – O pessoal da república era todo da mesma faculdade? O senhor conheceu lá na faculdade? R - Normalmente tinha aviso na faculdade sobre república; essas repúblicas eram uma do lado da outra e tinha vários alunos da faculdade. Tinha um que era formada na própria faculdade e trabalhava numa indústria próxima e que manteve a república e nem todos eram da mesma profissão, eram várias profissões, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Eletrônica, era uma diversidade. P/1 – Era uma responsabilidade maior, mas tinha um lado de diversão também, quais são as memórias da república? R – Não tinha muita diversão não, era muito estudo, a república era muito organizada, tinha uma televisão que às vezes funcionava e às vezes não e era a tensão da faculdade, até conseguir um estágio, porque no terceiro ano nessa faculdade, eu já consegui um estágio numa indústria petroquímica, era a Unipar Química, trabalhava no laboratório. Um técnico de química da minha cidade recomendou o meu nome, eu fui à entrevista e naquela indústria tinha alguns engenheiros formados no Rio de Janeiro, outros formados em São Paulo, não tinha nenhum da faculdade de Engenharia Industrial; fui aceito para fazer o estágio e foi onde eu comecei o grande contato com a indústria petroquímica logo na faculdade. P/1 – E a faculdade correspondeu ao que o senhor esperava? R – Sim, era muito difícil naquela época, os colegas diziam: “Você não termina a faculdade em cinco anos, ninguém termina em cinco anos” e eu fui e fiquei lá até o quarto ano, foi quando aí eu já tinha mudado de estágio, fiquei um ano nessa Unipar Química e passei pra Montreal Engenharia, era outra empresa que também tinha um colega de faculdade que trabalhava lá no departamento de processos, o gerente do departamento de processos era um professor da faculdade, eu fiz a entrevista e passei a trabalhar em projetos petroquímicos na época. P/1 – A Unipar era São Bernardo? R – Era em Mauá, Capuava, a Montreal Engenharia que era onde eu passei a fazer o estágio depois ____ na Unipar, ela ficava em São Paulo; fiquei lá uns oito meses até fazer o concurso da Petrobras. Quando eu fazia estágio na Unipar, fazia estágio também outro engenheiro de outra faculdade e ele disse: “Olha, meus colegas fizeram concurso para Petrobras em 1975 e em 1976, eles estavam ____. Não é em 1974 e em 1975, eles estavam fazendo curso no Rio” e ele havia visitado e falou: “Olha, fica atento porque pode ser que ela faça de novo esse ano.” E foi quando em 1975 no final do ano alguns engenheiros da Petrobras, fizeram uma palestra na faculdade apontando que ia ter concurso para quem ia fazer o quinto ano da faculdade para fazer o concurso e fazer uma bolsa de estudo aqui na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], um convênio com a UFRJ e tinham vagas para as várias modalidades e era para o Brasil todo. Eu fiz esse concurso, para mim era mais um desafio, era o que mais difícil tem pra fazer, passar e vir pro Rio, para obter um bom rendimento no curso. P/1 – Deixa eu só ver se entendi, o senhor estava no quinto ano da faculdade e aí teve ____. R – Eu estava no quarto ano. P/1 – No quarto ano e teve esse convite para participar do ____. R – A Petrobras estava no boom da petroquímica de refino no país, o Vale do Paraíba com a refinaria, novas expansões da Regape [Refinaria Gabriel Passos] e montando engenharia, faz proposta para essas duas unidades, casando força dessas unidades. E a Petrobras estava contratando muitos engenheiros: eletrônico, mecânico, químico, várias áreas. Então, nesse ano teve esse curso de Engenharia de Processamento, eram dois módulos, um para petroquímica e um grupo para refino. P/1 – Mas isso na universidade? R – No convênio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tinha esse mesmo curso de refino na sede nas instalações de ensino na Petrobras na época e tinha outras modalidades; engenheiro mecânico, tinham várias outras modalidades também que estava fazendo o curso e lá no Fundão tinha processamento petroquímico... eu não sei se tinha mecânico, mas tinha o CEPEC convênio. Nós éramos 33 alunos de processamento petroquímico e 27 de processamento, eu na época escolhi a área petroquímica, porque eu também achava que lá em Santo André o pólo petroquímico era muito próximo de onde moravam meus tios e achava que era a parte mais difícil também. P/1 – O seu concurso foi em que ano? R – Foi no final de 1975, para fazer o curso em 1976 e aí eu vim pro Rio com mais três colegas da faculdade do mesmo curso de Engenharia Química, esvaziamos a faculdade, porque tinha poucos alunos de Engenharia Química. Viemos em quatro, montamos uma república aqui no Rio de Janeiro e estudamos o ano todo, procuramos bolsa de estudo para nós, a localização da república era muito importante. P/1 – E onde era? R – Era no Méier, era conseguir uma república num local que não fosse muito caro, procuramos Tijuca, Copacabana e onde com um ônibus a gente conseguisse ir pra faculdade. Passamos o ano de 1976 todos estudando muito pra vencer esse desafio, éramos de fora mudando de faculdade, não era usual a transferência entre faculdades naquela época, saindo de uma escola particular para uma universidade pública. A Ufrj fazendo cadeiras da universidade e as cadeiras do convênio com a Petrobras. P/1 – Essa mudança pro Rio foi muito impactante? O pessoal estava fazendo essa faculdade também? R – A gente se adapta. Eu morava em república lá em São Paulo e tivemos que montar uma república no Rio, então era um desafio. A gente tinha lá dez dias de hotel pra ficar e procurar um local pra morar e enfrentar o que apareceu. Teve o concurso, passamos e era ir pro Rio, montar um local, se desenvolver e estudar, se dedicar e o objetivo era terminar o curso. P/1 – O curso era só teórico? R – Era teórico, é um foco nas operações unitárias de uma refinaria, tanto a parte termodinâmica, reações químicas, os processos, a questão prática dos processos industriais como, o refino, a destilação, o FCC [Craqueamento Catalítico Fluidizado]. P/1 – Mas esse lado prático, vocês foram para alguma refinaria? R – Na época não, era só na universidade o curso. O petroquímico tinha um conjunto de vagas para várias áreas, o Centro de Pesquisa da Petrobras, em laboratório na pesquisa, na Engenharia Básica, no início da Engenharia Básica na Petrobras lá no Fundão, tinha vagas para a Petroquisa,, para a área de fertilizantes para a Petrofértil, a área petroquímica se distribuía nas empresas petroquímicas, centro de pesquisas da Petrobras e Engenharia Básica. P/1 – Vocês podiam escolher quando se candidataram? R – Tinha uma vaga pra Universidade Petrobras e a escolha era pela classificação, tinha um total de vagas e o aluno escolhia a preferência dele, de acordo com o ranqueamento dele. P/1 – Como que foi? R – Eu fui feliz, porque eu estava em primeiro lugar na turma, o primeiro lugar eram três períodos duros e um quarto período curto de um mês, a adaptação na universidade é muito difícil, o que a gente tinha visto na universidade original era de uma forma, aqui era mais profunda, a termodinâmica, a cinética química, era um choque de culturas universitárias, um novo desafio e o primeiro período eu fiquei ali bem colocado e contente por ter passado em todas as cadeiras e não ter ficado em nenhuma, porque ficar em uma cadeira era reprovação, sair do curso, ser expulso, ficava na universidade, mas saía do curso. Aconteceu de dois colegas não terem rendimento por alguns motivos e saírem do curso, era uma ameaça e no segundo período, eu estava muito bem colocado já pela dedicação, pela metodologia, pela constância que eu tinha no rendimento e quando chegava nas questões mais práticas como compressores, bombas, me sentia melhor nos cálculos matemáticos daquilo e foi melhorando o rendimento. P/1 – E por que o senhor se sentia melhor com essa parte? R - Pelo cálculo, pelo raciocínio direto, talvez pela tradição, porque o primeiro período era muito teórico e talvez eu não me aplicasse tanto pra decorar a parte teórica e o raciocínio teórico foi melhorando. E no segundo período eu estava no segundo lugar, no terceiro período por uma infelicidade do colega que perdeu o rendimento em algumas cadeiras que precisavam muito de memória, me parece que foi isso, via o meu rendimento, não comparava “eu quero ser melhor que fulano”, eu queria ver o meu rendimento, eu queria passar com o mínimo de erro, o mínimo de falha e no final com uma pequena diferença eu passei a frente e aí no último período, não era desafio para nenhum, foram notas muito boas de todo mundo e eu fiquei em primeiro lugar e ganhava alguns livros da Petrobras, um prêmio em dinheiro para comprar livros. Fiquei feliz da vida porque eu comprei o primeiro Perry que é um manual de Engenharia Química. P/1 – Como é o nome? R – Perry é um livro de mais de mil folhas, de consultar, um dicionário de inglês, alguns manuais que a gente utilizava no curso como referência, comprei alguns manuais e montei o banco de informações. P/1 – O seu banco de informações? R – E ainda tenho até hoje esses livros principais. Eu morava no Méier e meus colegas brincaram que era engenheiro de processamento e um dos dias foram lá pro curso e falaram: “O Baleroni quer escolher a Universidade Petrobras, dar aula”, porque eu tinha um colega que tinha uma vaga pra ele lá, era o segundo lugar, com a brincadeira do trote deles, o rapaz ficou preocupado, ele está na Petrobras até hoje e quando eu fui lá pra escolher, eu falei: “Não, eu vou escolher a Engenharia Básica”, porque pra mim no Cenpes [Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello] era mais difícil, eram desafios, tinha a parte teórica e a aplicação prática dos projetos. Escolhi ficar no Cenpes e, pra ficar, tinha que ficar um ano em unidade industrial, eu fiquei nove meses na Petroquímica União na área petroquímica. P/1 – Perdão, o curso já finalizava com a faculdade também? R – Isso, terminava junto com a faculdade. Esse curso demorou 13 meses, terminou no começo de 2007, tinha o processo de admissão, de aprovação da diretoria, demorou mais um mês e meio. Então em 18 de abril de 2007, eu ingressei na Petrobras, porque até então eu era bolsista, não tinha vínculo empregatício. Fiquei nove meses numa petroquímica em São Paulo e três meses na Petroflex pra poder trabalhar em projeto básico. P/1 – Mas o senhor ficou alocado no Cenpes? Como que era? R – Nesse período ficamos nas unidades. P/1 – Foram direto para as unidades? R – Isso, ficamos um mês no Cenpes até definir o local e quando negociou o local, fomos pra São Paulo para fazer estágio que era o início da Petroquímica no centro da pesquisa e tinha que ficar um ano, quem ficava em pesquisa e quem ficava em projeto básico. Fomos pra São Paulo e montamos uma república lá para morar durante esse um ano, éramos cinco colegas e nós ficamos lá nove meses em são Paulo, era para ficar um ano, porque era pra ficar o mínimo possível, porque a gente devia ir pra o Copene [Complexo Petroquímico do Nordeste] na época e como a Copene estava demorando para desenvolver o projeto. Alocaram a gente em São Paulo aguardando que isso ocorresse, não ocorreu, atrasou, então ficamos nove meses em São Paulo e voltamos pro Rio, porque havia apontado que iria partir e ia se desenvolver alguns trabalhos lá e aí ficamos mais três meses na Petrofértil pra completar um ano. Na Petroquímica, eu vivi o tempo todo, em São Paulo, a Petroquímica União era uma central grande na época. P/1 – Foi a que o senhor foi pra São Paulo? R – Foi a primeira do Brasil montada e depois no Rio a Petroflex tinha a unidades petroquímicas também, fui familiarizando com esses projetos. P/1 – Nessa época era um bum da petroquímica no Brasil, né? R – Foi o bum da petroquímica, havia partida parece que para _____, em 1972. P/1 – E o pólo da Bahia, já tinha? R – O pólo da Bahia, a Revap [Refinaria Henrique Lage] estava construindo a refinaria e a fábrica de fertilizantes, em Camaçari também estava construindo. P/1 – A Paulo de Triunfo ainda não, né? R – Não. Então, foi o boom da petroquímica e eu queria estar dentro dessa petroquímica. P/1 – O senhor tinha essa noção que estava explodindo, que estava se criando um ____? R – A gente via que a Petrobras tinha empregos, tinha trabalho, a alternativa era a iniciativa privada onde eu estava fazendo estágio, era uma empresa que pra mim era muito boa, era desafiador, mas a Petrobras era um desafio de diversidade e dificuldade e pra isso tinha que se deslocar no espaço, tinha que ir pro Rio de Janeiro e no Rio de Janeiro ir pra onde tivesse atividade, no caso eu escolhi o Rio de Janeiro por afinidade com a área que eu queria ficar. P/1 – Então retomando, o senhor foi para União e depois voltou pro Rio? R – Eu voltei pro Rio e fiquei três meses na Petroflex. Então, em 1977 até começo de 1978, eu fiquei na Petroquímica União e até abril de 1978 na Petroflex; aí começaram os trabalhos no Cenpes em projetos básicos, os manuais eram textos, a máquina de calcular era um HP, uma SR 50A que era a que eu tinha e os cálculos eram no papel, o computador na época eram cartões em que alguns dos programas você rodava, tinha feito alguns testes na universidade, ia rodando alguns programas e de acordo com a afinidade ____. Tinham pessoas que tinham maior afinidade com a computação, as áreas onde ele trabalhava demandava mais trabalho de computação, então eles desenvolviam mais programas, se familiarizavam melhor com a confecção dos programas. Nós da engenharia Básica em 1976, a Petrobras enviou durante o curso, aliás, durante o estágio em São Paulo, enviou uma equipe para transferência de tecnologia em amônia para os Estados Unidos e foi um grupo de pessoas, de 7 a 11 pessoas me parece do Cenpes quando estava formando a Engenharia Básica e quando retornei pro Cenpes a equipe tinha voltado. P/1 – Foram divididas as áreas? Ou isso já estava estabelecido? R – Foram divididos. Quando voltamos talvez pelo perfil da pessoa ou pela conversa com o gerente do setor se negociou o trabalho nas áreas que estavam desenvolvendo. Um colega que está aqui no COMPERJ [Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro], ele foi para uma área de eteno de álcool, uma patente que a Petrobras estava desenvolvendo e eu fiquei na área de petroquímica, na área de fertilizantes e outro colega também ficou em fertilizantes. P/1 – O senhor pode escolher? R – Não. Tinha necessidade na área, tinham alguns problemas na unidade e foram colocados esses problemas para os técnicos resolverem, tinha o colega mais experiente que estava há mais tempo, há três anos na empresa fazendo os cálculos e nós em paralelo fazendo os cálculos também e resolvendo os problemas industriais que tinha na unidade: um circuito de um refervedor da unidade de amônia que o projetista tinha montado errado um detalhe, através do cálculo nós identificamos o problema e ele foi sanado na unidade. P/1 – Era muito mais trabalho pra vocês fazerem esses cálculos em um computador de cartão? R – A gente fazia o cálculo à mão e o gerente verificava o cálculo, a gente discutia com o gerente o processo, o que ia fazer, o plano de trabalho, ele verificava o trabalho, o pequeno relatório ou o trabalho pra ver que a gente estava desenvolvendo e se estava fazendo corretamente e se aquela era a melhor solução. Quando a equipe veio da transferência de tecnologia de amônia já tinham montado alguns programas para cálculos de seções da unidade, tinha o manual, o cálculo a mão, o sistema de interação para se chegar ao resultado, em alguns lugares tinha que fazer um método de interpolação, a gente fazia as várias tentativas de erro até chegar com um processo numérico de aproximação e se chegar a um resultado com a precisão desejada e isso era transladado para o computador, para o programa. O critério de interpolação era implantado no programa se programava aquilo e chegava a um resultado, a máquina repetia o cálculo do engenheiro e posteriormente à medida que alterava as condições de processos, trabalhei na unidade de amônia na remoção de CO2 em que se fez grandes alterações em pressões de temperatura, em condições de operação, de projeto e o programa original, ele não convergia, a gente rodava o programa para convergir e não convergia, então, se voltava ao cálculo manual para aquela condição e aí obtinha-se a convergência e o responsável pelo programa pegava o cálculo, olhava e colocava o método, _____, Iá acertando os bugs, acertando os processos para ____. P/1 – Acertando os bugs? R – É porque você faz um programa que ele atende bem num determinado intervalo e fora daquele intervalo não tinha sido testado. Quando se passou a testar fora do intervalo, apresentava um erro, porque não tinha sido investigado fora daquele intervalo, então, quando a gente ia investigar fazer o cálculo fora daquele intervalo se chegava numa convergência com um determinado ajuste ou de um determinado teste antes. Antes se fazia de um jeito, entrava numa curva de um jeito e agora ao fazer o cálculo manual se fazia mais um processo de verificação para ver em que faixa estava, ao escolher nova faixa o programa era customizado para aquela faixa. P/1 - Então era um trabalho louco, né? R – Louco e tem programas que estão lá até hoje sem aperfeiçoamento, então era ____. [troca de fita] P/1 – Quanto tempo o senhor passou na Engenharia Básica? R – Eu passei 22 anos na Engenharia Básica. P/1 – Esse seu primeiro projeto foi ligado a parte de fertilizantes? R – Isso. P/1 - E como foi a sua trajetória? R – Nós estávamos naquela cultura em que se transferiu para o país uma tecnologia de projeto em produção de fertilizante, a amônia e em seguida, um ano depois a uréia e nessa época foi ácido nítrico. Essa era a cultura da Engenharia Básica em que os programas e os manuais desses processos migraram para as várias áreas de geração de hidrogênio, várias áreas de refino da Petrobras e petroquímica. O Cenpes pra mim foi uma escola, encontrei grandes desafios nessa área da petroquímica, em várias áreas onde eu era colocado para colaborar como em fertilizante fosfatado, com uma rota não convencional, em desempacotar tecnologia de desidratação de gás natural com o etileno glicol, nós fizemos esses projetos lá no Cenpes ____, da unidade de amônia veio a geração de tecnologia de hidrogênio, antes de chegar em amônia que são oito catalisadores nesse processo, cada catalisador com sua peculiaridade para fazer a amônia e no meio desse processo é produzido o hidrogênio. O Cenpes passou a fazer projetos de geração de hidrogênio e nas várias áreas ____, trabalhei também nesses desafios em álcool química, em produção, num projeto Petrobras de álcool, destilação com neutralização do caldo, em que tinha uma equipe trabalhando e entrei pra essa equipe pra parte de balanço de energia, eu comecei a ver o global das unidades, fazia sobre o bagaço de cana, produzir CO2, produzir gás de biodigestor para acionamento de caminhões. Eram sempre desafios de mergulhar fundo no raciocínio e no caminho, buscar um caminho. P/1 – Perdão desculpa a ignorância, mas gás biodigestor não tem nada a ver com essa novidade que eles estão desenvolvendo de biomassa, né? Do bagaço ____. R – Sim, já naquela época tinham programas de utilização de bagaço de cana que se tentava gerar energia ____, as destilarias de álcool sobravam bagaço de cana e eles queimavam com certo aproveitamento energético e naquela época já começou a ver, a estudar na época da crise do petróleo como utilizar o bagaço de cana como fonte de energia. Briquetar o bagaço de cana que era secar e compactar para utilização numa distância maior, tentar viabilizar o transporte e utilização numa distância maior. A gente participou desses projetos, visitamos as indústrias, fazemos projetos de biodigestor, tem até uma patente de biodigestor em que eu participei, utilizando um recheio regional do Nordeste que era casca de coco e foi feito teste nesse sistema e saiu uma patente nessa área. Eu não sou muito dedicado a patente, mas eu estava na equipe que trabalhou com isso e sempre desafios, né? Dessa área de amônia, a área de remoção de CO2 com aminas, depois a área de geração de hidrogênio, a separação de propeno, de correntes de refinaria, fiquei muito na área petroquímica, fertilizantes e petroquímica e ao lado tinha a gerência que trabalhava só em petroquímica, muito pouco com o refino. O refino era produção de propeno, separação de propeno e de corrente de GLP [gás liquefeito de petróleo] em refinaria, foram desafios até uma hora em que foi desenvolvido o projeto de Mpbe na Petrobras para refinarias da Petrobras e eu estava na equipe em que se planejou testes de laboratório. P/1 – O senhor pode explicar pra quem não sabe o que é a sigla? R – Sim. Nos anos 1990 para utilizar melhor o combustível, o Brasil estava utilizando o etanol ou o etanol na gasolina. A fonte de oxigênio na gasolina, o etanol que faz com que a combustão seja melhor, ocorra em melhores condições em menor emissão de poluentes. Uma nos Estados Unidos, a legislação apontava para colocar um produto oxigenado na gasolina e um dos produtos que ocorreu o bum naquela época foi um éter metil tecbutílico é um componente isobuteno do GLP que é produzido no petróleo, nas refinarias, nos FCCs, o isobuteno com o metanol com catalisador especial, e aí faz esse produto e esse produto é compatível com a mistura gasolina de forma a se colocar um percentual 3% de oxigênio na gasolina americana e o Brasil entrou nesse projeto para exportar o Mtbe. P/1 – Mtbe? R – Mtbe é um éter e nós participamos dos quatro projetos implantados na Petrobras, desde o desenvolvimento em laboratórios, programação dos testes em laboratório, o projeto da unidade industrial, de laboratório para análise industrial, eu digo que foi o maior ______ que eu já vi, não sei se alguém viu um ______ de tal tamanho, de 20 mililitros para 20 metros cúbicos de catalisador, 20 mililitros laboratório e 20 metros cúbicos industrial, era o tamanho dos projetos que se tinham e eu participei desse projeto e fiquei ____. Eu havia sido convidado pra vir pra sede da Petrobras em 1995, 1994 e eu tinha terminado os projetos em Mtbe, eram três projetos em paralelo, eram só desafios, para Replan [Refinaria de Paulínia], a Revap e Reduc [Refinaria Duque de Caxias], era uma equipe reduzida, muito pequena participando desse projeto e esses projetos foram implantados, ao terminar de implantar o da Reduc se fez mais um projeto para a Repar e foi construído o Mtbe na Repar [Refinaria Presidente Getúlio Vargas], entrou em operação e aí depois por questões ambientais se descontinuou a produção do Mtbe. P/1 – E aí o senhor foi convidado pra sede depois desses três projetos e o senhor veio pra cá? R – Isso. Depois desses projetos eu fui convidado; declinei porque eu queria ver a unidade entrar em operação, participei desde o planejamento da pesquisa, o projeto básico, a construção e montagem, o acompanhamento e a construção e montagem e a assessoria, o treinamento de operadores, as aulas pros operadores, a partida das unidades. Na partida das unidades, eu até sofri um acidente à meia noite na Revap, bati na unidade o supercílio numa válvula que aconteceu um problema no acionador da válvula e numa emergência eu bati o supercílio e levei três pontos na vontade de partir a unidade ali e correu tudo bem com essas unidades. P/1 – Na empolgação, né? R – Na empolgação e depois que partiram essas unidades e a da Repar, eu fui chamado novamente pra vir para sede para a seção de refino, tecnologia de refino, abastecimento, a área petroquímica também. Eu vim para a sede e a gerente Margarete Brunet me chamou, me convidou e eu vim pra sede e fiquei um ano e pouco nessa gerência, depois ela migrou para outra área e eu fiquei na gerência de hidrotratamento com Capitani que se juntou com a área petroquímica. Eu fiquei em torno de dois anos na sede nessa área, o planejamento de unidades hidrotratamento para refinarias, geração de energia e hidrotratamento pras refinarias, depois nesse trabalho, fui chamado pra ir para área petroquímica onde estava nucleando os projetos petroquímicos para viabilizar um pólo na fronteira com a Bolívia. Eu coordenei um grupo de trabalho desafiador e identificamos os problemas do local e encaminhamos para cima o resultado e desde então estou na petroquímica de 2001 até agora, com os grandes desafios de planejar e até construir um pólo. P/1 – Eu queria que o senhor explicasse isso melhor para a Elisa. P/2 – Vamos falar de Comperj agora. R – Na fita anterior eu não falei na família, me casei aqui no Rio de Janeiro, tenho dois filhos já. P/1 – O senhor quer fazer esse pedaço? Porque eu queria pegar até no final. R – Então esses desafios todos a gente não faz sozinho, né? Eu vim pro Rio de Janeiro e aqui eu constituí família, me casei, a minha esposa trabalhava no Banco do Brasil, aposentou, depois fez curso de Direito e é advogada. Nasceram dois filhos desse casamento e estão um com 27 anos e um com 21 anos. P/1 – O senhor se casou logo que chegou aqui? R – Três anos depois, em 1980. Fiquei radicado no Rio, perdi o sotaque, né? Do interior de São Paulo. P/1 – Com os filhos cariocas, né? R – Os filhos cariocas. P/1 – Eu quero saber o nome dos seus filhos e da sua esposa. R – A minha esposa é Regina Lúcia Batista Baleroni, está aposentada do Banco do Brasil, agora exerce a profissão de advogada; e meus filhos, o mais velho se formou em Direito pela Uerj [Universidade Estadual do Rio de Janeiro], hoje está em Chicago, casou-se há um ano, está em Chicago fazendo um LLM [Latin Legum Magister] que é um curso de Mestrado em Direito com bons resultados e deve ficar um ano trabalhando lá, até o final do ano que vem. P/1 – E o outro? R – O outro está fazendo Ciência da Computação na Universidade Fluminense, está no final do primeiro ano. P/1 – São estudiosos como o pai? R – O primeiro é muito estudioso, o segundo muito inteligente, mas menos estudioso, mas vai achando o caminho dele, graças a Deus. P/1 – A gente volta depois para fazer uma avaliação, enfim até pra saber um pouco desse lado estudioso que eu queria perguntar, até do senhor mais moço e atualmente, como que o senhor sempre foi uma pessoa ____. Pelo menos a gente notou aqui, se dedicar ao estudo e ao trabalho? Qual era a sua diversão também? R – Difícil. P/1 – O que o senhor gosta de fazer nos momentos de lazer? R – Eu estou sedentário, me dediquei muito ao trabalho, muito pouco a diversão; eu gosto de jogar xadrez e é basicamente isso, poucos esportes, eu me dediquei muito ao trabalho. A empresa trabalha desafios, então você fica sintonizado nos desafios o tempo todo, ainda mais quando tinham um desafio, tenho esse desafio do Comperj ou indústria petroquímica brasileira ou desenvolver ou evitar erros ou ter um ____. Você acorda e tem uma ideia e aquela conta que foi apresentada tem um erro, a correção é tal e no dia seguinte você ____. P/1 – Isso no meio da noite? R – É, isso acontece. É exatamente acordar com uma solução, entendeu? A solução é essa, o cérebro está o tempo todo rodando a mil. P/1 – Eu imagino. Deixa a Elisa entrar mais detalhado pra gente saber realmente esse desafio da montagem de um pólo que é um projeto muito especial e muito complexo mesmo, né? P/2 – Então vamos lá, vamos falar de Comperj mesmo. Como que foi a sua chegada no Comperj? R – O Comperj iniciou-se com um memorando de entendimento entre a Petrobras e o grupo Ultra em 2003, já no final de 2002, a área da petroquímica da Petrobras já estava desenvolvendo busca de soluções, utilizando correntes pesadas. Para isso uma empresa americana havia apresentado um pequeno estudo em que eu assistia essa apresentação com outros gerentes, o Vitor na época era gerente da área e isso não foi incentivado e nessa apresentação desenvolveram esse trabalho e o grupo Ultra durante seis meses desenvolveu uma primeira avaliação e quando ele obteve o resultado, no final de 2003, chegou na Petrobras com uma proposta de fazer ____. Petroquímicos de corrente pesada e depois de algum tempo, nós verificamos lá no grupo Ultra que o início da ideia também lá de utilizar correntes pesadas, não exatamente essas que a gente estava tratando foi um colega de turma da área do curso petroquímico que trabalhava na Copene, o Ernesto Bandeira de Luna Filho que trabalhou na Petroflex e depois foi pra Copene e ao se deparar com a dificuldade de expandir a indústria petroquímica, ele levou a ideia de que podíamos utilizar correntes pesadas e na Copene a gente investigava isso também. Depois de dois anos que a gente estava no projeto, esse colega veio trabalhar no projeto também, no grupo Ultra e a gente conversou sobre como surgiu a ideia. O grupo Ultra veio com uma avaliação técnica e econômica de uma empresa conceituada a UOP, um relatório de 300 páginas na UOP comparando alternativas e processos e apontando uma rota de utilizar correntes pesadas, óleo combustível pra fazer petroquímico que na época sobrava no país. Isso foi apresenta a instâncias superiores e foi determinado que a área petroquímica iria avaliar essa alternativa e foi feito um memorando entendimento como eu disse com o grupo Ultra e num primeiro ano, eram nove meses, praticamente um ano, a primeira fase de estudo. A primeira fase era a companhia internacional UOP [Universal Oil Products] fazendo a avaliação das alternativas que nós montamos, era uma coordenação matricial do Vitor no abastecimento petroquímico, naquela época era petroquímica, projetos petroquímicos e um trabalho matricial na empresa rodando mais de 30 pessoas nesse trabalho matricial, nas várias áreas. E na Petrobras nós temos a sorte de ter toda área de planejamento corporativo, área de tecnologia de refino, a área de gás e energia na época a área de transporte Transpetro e o Cenpes centro de pesquisa da Petrobras. Todas as áreas contribuíram, jurídica, tributária e todas contribuíram na avaliação de uma forma matricial sem restrição, todos se envolveram, todos atenderam a demanda requerida e era ___ . A Petrobras, grupo Ultra e MDS, a equipe do MDS também muito esforçada, muito proativo e em nove meses de novembro de 2003 a setembro de 2004 terminamos a primeira fase. A área do refino fomos nós que fizemos segundo uma metodologia, o Vitor falou: “Vamos utilizar a metodologia da Petrobras” e investigamos e avaliamos todas as alternativas disponíveis na época as correntes de óleo e combustível e petróleo e como nós tínhamos petróleo que iria ser exportado no futuro, o Vitor falou: “Eu quero utilizar 100% de petróleo nacional”, era o petróleo Marlim que era o que a gente tinha de 20 API o API é a densidade, qualidade do petróleo e com as características de nosso petróleo. Foi analisada a unidade petroquímica básica pra ver se era viável, o resultado foi que era naquela rota com os rendimentos estimados, não se tinha rendimentos das unidades de conversão, era um FCC, uma pirólise e um HCC e um Coque, o Coque a gente já tinha muita experiência, nas unidades de Coque e projeto de unidade de Coque. P/2 – E assim que você entrou no Comperj qual foi um grande desafio que você teve na sua equipe? R – Eu era mais um engenheiro na equipe matricial, a sorte é que eu estava na equipe do Vitor que foi receber uma incumbência de fazer a avaliação, ele coordenava as reuniões quando ele não estava, eu coordenava. A reunião de 15 ou 20 pessoas era cada um levando a situação do estudo naquele momento e as avaliações estratégicas de mercado, o grande desafio inicial era: Qual o tamanho do Comperj? Qual o tamanho que nós queremos fazer? 200 mil barris, 100 mil barris, 150 mil barris de capacidade de refino, quando se convergiu para utilizar direto do petróleo, sair do petróleo e não receber óleo combustível que a Petrobras iria fazer outras coisas com óleo combustível coqueamento retardado nas refinarias existentes, então utilizar petróleo. O desafio era converter o máximo de petróleo em petroquímicos, eu faço uma unidade dedicada a fazer petroquímicos, sem a preocupação com os combustíveis, a molécula que entra, o objetivo dela é fazer o plástico ou derivado petroquímico que não seja plástico, o etileno glicol, a borracha, o etileno matérias de outros negócios. Nós chegamos a analisar o mercado, qual era a maturidade para um empreendimento desses, entregar os petroquímicos em torno do ano de 2013, entre 2012 e 2014, o tempo para se passar pelas várias etapas, era o ponto chave, era o que se identificava e o tamanho do mercado nessa época em que os concorrentes ___. A demanda de petroquímicos, até hoje se constata que não tem nafta para fazer mais derivados petroquímicos a Brasquem, a Copersul, a Petroquímica União com base em nafta não conseguem expandir ou as expansões são muito pequenas, né? Pra maior produção é um pólo novo com nafta é o que se tem, com gás, com etano se fez o pólo do Rio de Janeiro. Era etano e nafta, as matérias primas, a Petroquímica União recebendo a refinaria da Revape, Recape recebendo lugar de refinaria para expandir um pouco mais a capacidade de produção de petroquímico principal que eles fabricam que é o eteno. Esse era o cenário, restrição de fornecimento de matéria prima, na fronteira com a Bolívia quando eu participei do estudo, a gente identificava a dificuldade de tirar etano de um gás pobre em etano. Outros países fabricam o produto fora e trazem o produto para o país, então o desafio era esse de mercado que os concorrentes deviam fazer e quanto eles poderiam expandir e o complexo entrar em operação exportando uma pequena quantidade 20% ou 30% do produto que é uma reserva que você tem para não ter que fazer outro logo em seguida é assim que o mercado trabalha, ele faz uma unidade que ele a coloca no mercado o produto e uma pequena parte ele exporta, quando o mercado cresce, coloca todo o produto no mercado e troca um pouco com o exterior alguns produtos, algumas especialidades que ele não fabrica pra complementar. Foi determinada a capacidade como 150 mil barris por dia como adequada, aí sobrava muitos produtos petroquímicos. P/2 – E falando da inovação do Comperj, o FCC que é tão falado, mas existem outras também, né? Conta um pouquinho pra gente desde o FCC até essas outras inovações? R – Veja quando se parte de um projeto do zero, a primeira fase era viabilizar a seção de refino na primeira geração em 2004, setembro se chegou com os dados que se tinha a verificar que era viável, em seguida era fazer uma avaliação com o projeto conceitual, um projeto mais profundo com tamanho dos equipamentos com uma cotação preliminar de equipamento, uma estimativa de equipamento de quem iria fazer o projeto final dos equipamentos e a localização. Foram dois anos intensos de avaliação das tecnologias e consolidando a localização, que era outra, em Itaguaí, a área não comportou depois que se fez avaliação, não comportou ambientalmente e se buscou outro local no norte fluminense ou Itaboraí e identificou-se após quase um ano de avaliação, de localizações como Itaboraí poderia abrigar o complexo petroquímico da melhor forma possível ambientalmente e economicamente, o custo para ____. A logística pra colocar lá foi identificada como adequado e nós estávamos trabalhando ainda em desafios em projeto e depois que se monta esse desafio e avalia, eu ainda tenho que viabilizar esse projeto. É um grande número de unidades que todas têm que estar concatenadas, o que sai de uma unidade precisa entrar na outra naquela quantidade de ser processado, não se trabalha com folga significativa, porque em oficina o investimento fica maior e tem que fechar todo balanço e todas as tecnologias. Um desafio agora de implantação é essa finalização do projeto básico de todas as unidades, os livros de projeto, a documentação para uma cotação do EPCs [Equipamentos de proteção coletiva], da divisão e a contratação dos EPCs, há um grande conjunto de EPCs em paralelo, é um desafio gigantesco de planejamento, contratação, construção, montagem e financiamento. A gente vê é uma explosão, é um exponencial, a gente começou no início um trabalho matricial com 30, 40 pessoas, na fase seguinte 80 pessoas da empresa, dedicadas integralmente ao projeto acompanhando os projetos conceituais no exterior, nas companhias contratadas que eram especialistas nessas avaliações. A fase seguinte era consolidar tudo o que ainda estava em preliminar de balanço, de modelagem, simulação e rendimento, o mais próximo da realidade era confirmar que tudo isso era realidade. Para isso se transformar em realidade se precisou obter rendimentos em unidades piloto de hidrocraqueamento, de FCC, de pirólise com cargas, as nossas cargas eram especiais em relação ao que se tinha no mercado, especiais eu digo que era um pouco diferente pelas características. Era fazer o petroquímico e ao chegar nesse conjunto de unidades de produtos petroquímicos, a gentea____. O projeto passa por uma refinaria também. A qualidade da matéria prima para fazer petroquímicos foi de uma refinaria complexa que se faz hoje para o cenário de 2012 em diante no Brasil. Então, um diesel com 10 PPM de enxofre é um querosene compatível com querosene de aviação, é uma nafta com baixo teor de enxofre para os processos ou para fazer gasolina, como se faz na refinaria, é a remoção dos contaminantes nitrogenado do diesel, querosene, enxofre da fração gasolina, conversão do gasóleo em diesel, querosene, nafta e GLP com HCC. Então, a conversão em produtos de baixo teor de enxofre, é um desafio, isso é a primeira geração, a primeira etapa, é a parte de refinaria. Então é petróleo, a destilação, a atmosférica a vácuo, a rejeição de carbono que é a remoção do resíduo de vácuo, remoção de carbono gerando mais derivados petroquímicos que é a unidade de coqueamento retardado e em seguida os tratamentos, que consomem hidrogênio, tratamento de GLP, da nafta, do querosene do diesel, do gasóleo e conversão no HCC. P/2 – Então essa parte do hidrotratamento é uma inovação também? R – A Petrobras já faz o hidrotratamento nas refinarias, ela tem a tecnologia também. P/2 – Ela não foi desenvolvida para o Comperj? R – Não. A destilação e o Coque, a Petrobras já faz os projetos e o mercado atenderia, foi selecionado o Cenpes como melhor tecnologia para destilação a vácuo e coqueamento retardado, para os HDTs , poderia fazer HDT de diesel, como ele estava com muitos projetos na carteira, nós não conseguimos fazer o hidrotratamento de diesel e de querosene com mapeamento básico de engenharia, um projeto básico do Cenpes. Isso foi contratada uma companhia no exterior e o HCC, o Cenpes, tinham feito transferência de tecnologia, tinha feito o projeto e então eles fizeram um projeto para o Comperj, uma pequena assessoria. P/2 – Que foi uma parte da inovação dentro do projeto, né? R – A inovação do hidrocraqueamento, é a primeira unidade de hidrocraqueamento no país e também rodou uma unidade piloto com a carga que nós precisamos. Então para obter carga para essas unidades, era um novo desafio pra tirar de uma refinaria que processava o máximo de Marlim que era a Replan com os técnicos nossos da área petroquímica e mais o refino e a refinaria planejando a retirada de amostra. Se conseguiu operar a unidade com 96% de Marlim, tirou-se as correntes pra fazer os testes nas unidades pilotos. P/2 – Só voltando ao negócio do hidrocraqueamento. Eu me lembro que você falou na última entrevista do steam cracking e da pirólise fria e o Stone Weper que era um ____. R – É a seção seguinte. Na seção de refino, eu preparo cargas para a primeira geração, é uma refinaria complexa que tem todo esse conjunto de hidrotratamento no país montar uma refinaria para atender os rendimentos, para tirar um determinado rendimento de diesel e nafta, para fazer gasolina, petroquímico e diesel para o mercado e à medida que ambientalmente foi tendo mais ____, gerando mais exigências se coloca a unidade de hidrotratamento. A Petrobras está colocando as unidades de hidrotratamento cada vez maior nas refinarias pra chegar no diesel com 50 PPM de enxofre e depois na fase seguinte 10 PPM de enxofre e a gasolina com baixo teor de enxofre. São os trabalhos que se fazem o que se investe nas refinarias para melhorar a qualidade dos combustíveis. P/1 – Na primeira geração isso? R – No refino, o que a Petrobras faz na refinaria, já sai com todas essas unidades ajustadas para fazer um diesel com 10 PPM de enxofre e um querosene de aviação e uma nafta com baixo teor de enxofre para uma reforma catalítica para gerar aromático ou para um steam cracking ou uma corrente mais pesada um pouco na faixa de destilados médios para um FCC petroquímico. Nós temos a primeira seção de refino com todas as questões ligadas a severidade dessas unidades e os processos aplicáveis e as companhias tradicionais de fornecer tecnologia, a destilação, coque, a geração de hidrogênio, tratamento com cálcio regenerativo, tratamento com amina, os hidrotratamentos, águas ácidas. Mesmo as unidades auxiliares são tão importantes como as outras, uma falha nessas unidades, deixam o produto fora de especificação, os hidrotratamentos e hidroconversão, tudo isso usual nas refinarias e no mundo. E a fase seguinte é a produção dos petroquímicos, a seção mais simples é uma seção de aromáticos, nós temos uma corrente de nafta muito naftênica e essa característica é muito adequada para produção de aromáticos. Nós temos com isso uma seção de aromático para produzir um paraxileno e como consequência produz benzeno para a produção de PPA e Pet. É uma área petroquímica em que as centrais atuais para expandir precisam de nafta e como não tem nafta fica uma área protegida para se atuar. P/2 – E aí usa o steam cracking? R – A seção de aromáticos tem uma reforma e uma produção de aromáticos, são várias unidades e a seção que produz os petroquímicos que é o grande bum o eteno e o propeno. É onde eu tenho a pirólise que é o steam cracking ___. P/2 – A pirólise é o steam cracking? *R – Cracking ou pirólise é a denominação, é a corrente de hidrocarboneto que é uma nafta, um etano, propano ou querosene, é um produto mais pesado, ele passa num forno a 800 graus para não depositar coque instantaneamente, é misturado com vapor. steam cracking craqueamento com vapor, passa nesses fornos é quebrado em moléculas menores de hidrogênio, metano, etano, eteno que é o grande objetivo, o propeno que também é o objetivo e sai uma gasolina de pirólise que segue para produção de aromáticos como se o produto gera aromático, também gera coque nesse processo. É produzido butadieno também nesse processo, então é extraído butadieno do steam cracking, o eteno e o propeno em função da operação do steam cracking e a gasolina de pirólise para produzir mais aromáticos, também gera um pouco de resíduo de um óleo combustível, um óleo pesado, esse steam cracking que é a unidade tradicional de uma central petroquímica, usando etano no Oriente Médio ou na Rio Polímeros ou GLP, nafta e mais pesado um pouco nas outras unidades no mundo. Em paralelo a isso, como o crescimento do mercado, derivados de eteno e propeno, era ____. A oferta de eteno e de propeno é através da pirólise, que é a produção de propeno está ligada intimamente a produção de eteno, tem uma razão espectrométrica entre eteno e propeno e há outro lugar que se produz propeno são nas refinarias. Refinarias onde tem FCC e no FCC é gerado um GLP rico em propeno, nesse propeno a Petrobras já produz na Reduc, na Revap, na Replan está entrando em produção, na Refap [Refinaria Alberto Pasqualini], produz na Relan, onde não produz é na Regar que é pequena quantidade, na Repar está montando unidade e em Manaus não produz essa corrente, de Cubatão é enviado para Recape para separar o propeno na Recap. Esse é o cenário de produção de propeno e a oferta então é limitada, outras ofertas de propeno estão ligadas a conversão, a conversão de GLP em propeno, em metátese e utiliza eteno e buteno para propeno, mas a desidratação de C4, de C3, então são com um processo mais caro. E outra fonte é o FCC petroquímico, utiliza uma carga de médio a pesado numa condição especial, numa janela de maior severidade, maior severidade é maior temperatura, maior razão catalisadora, condições especiais em que levam ___. E catalisador especial em que leva a esse FCC a produzir muito propeno e eteno, mas mais propeno do que eteno. A demanda maior de propeno que se deslumbrou no mercado, ela poderia ser atendida pelo FCC petroquímico que produz o balanceamento que eu tenho no steam cracking de razão espectrométrica e eu violei no FCC a produzir mais propeno do que eteno numa condição que utiliza catalisador e condições severas de temperatura. Então esse é o grande, é a peça que se encaixa no quebra cabeça para balancear a produção de eteno e propeno. P/2 – E a pirólise fria entra onde? R – Eu tinha a seção de aromáticos que são transformações químicas, reações e transformações e produzem o líquido paraxileno e benzeno. A seção de produção de eteno e propeno é o steam cracking, a pirólise e o FCC petroquímico, nessas duas unidades tem uma seção quente no steam cracking são os fornos de pirólise e no FCC é o próprio conversor de FCC e seu regenerador. São seções quentes onde o produto desejado, o eteno e o propeno, são gerados nessas seções quentes. As condições necessárias para gerar o produto, quebrar as moléculas de hidrocarbonetos e rearranjar e tirar o hidrogênio são só nessas seções com catalisador no FCC ou com calor no steam cracking. E depois que saem dessa seção essas correntes têm que ser resfriadas, ou aproveita o calor para separar os produtos, ao ser resfriada, ela gera até a temperatura ambiente uma grande parte dos produtos já são separados de correntes gasosas, os produtos que são separados são: o GLP, o GLP C3 e C4, a gasolina de pirólise ou a gasolina de FCC e os mais pesados um óleo. As correntes mais leves onde está o principal produto que se deseja que é o eteno, além do propeno que ficou na corrente líquida, o eteno ele tem que ser separado do etano, do metano e do hidrogênio em temperatura abaixo de zero. Tenho uma seção fria tanto da pirólise como do FCC em que eu separo essas correntes desejadas, produto desejado, eu purifico e separar esses produtos desejados, o eteno e o propeno, eteno para produzir os derivados que é um mercado que se quer atender. P/2 – E olhando todo o processo assim do Comperj, da construção, do aumento do projeto, que momento você achou que foram grandes tomadores de decisões? R – Na fase dois do FEL2, nós tínhamos uma companhia a Technip, a seção da Itália muito competente pra fazer as avaliações. Naquela hora tínhamos decisões de: “Vamos produzir o óleo combustível que vai ser consumido, nós vamos consumir gás natural como complemento, vamos receber óleo de fora” e tudo isso passou por avaliações econômicas e produzir mais óleo como combustível ou receber óleo de fora, ou receber um combustível de fora que podia ser óleo ou gás. Era colocar o hidrotratamento de médio ou não, isso durante essa fase teve que tomar decisões rodando sempre os pilotos, colocando os rendimentos a tempo e a hora fornecendo os dados de rendimento dessa unidade, de qualidade do produto, fazendo os testes no FCC para ver o rendimento e se chegou à conclusão de que precisava tratar os médios para carga do FCC, tratar a corrente de querosene que iria para o steam cracking ou a capacidade do FCC que foi uma decisão muito importante, qual o tamanho do FCC petroquímico. O primeiro desafio foi, por que o Cenpes vai fazer o FCC petroquímico? “Eu faço um steam cracking de correntes pesadas que existe no mundo ou faço um FCC petroquímico.” . Os chineses faziam um FCC petroquímico em determinadas condições, tinham rodado uma unidade semi-industrial, o Cenpes com toda a tecnologia de FCC desde o desenvolvimento de catalisador, a fábrica de catalisador de FCC que tem no país. O desenvolvimento de vários catalisadores de FCC, a unidade de bancadas no Cenpes, unidade protótipo no xisto ou a Engenharia Básica com toda a tecnologia transferida para FCC e desenvolvida com várias patentes especiais para FCC, a assistência técnica que o Cenpes fornece, a Petrobras já tendo construído o FCC. Tudo isso levou o Cenpes a verificar, “ah essa janela do FCC eu sei projetar, eu tenho catalisador” então testou os catalisadores nas dosagens adequadas que dava determinados rendimentos, testou-se em bancadas centenas de testes, testou-se na unidade do xisto semi-industrial e se chegou a condições de poder garantir, de poder projetar o balanço todo do FCC petroquímico. O Cenpes, era o dia a dia dele fazer o FCC também para essa janela petroquímica. Foi um grande desafio se era viável fazer um FCC petroquímico se era possível ou não e se eu não tivesse FCC o que eu teria como alternativa? Foram grandes decisões no FCC que foram tomadas, no hidrotratamento de médio para o FCC que melhorava o rendimento e ia ajustando os balanços. A Technip Itália foi muito efetiva na seção de utilidades, no dimensionamento da seção de utilidades. Foi uma série de decisões tomadas nessas reuniões com a Technip com as informações que eles tinham, com as informações das unidades piloto. Agora que está consolidado, a gente diz: “mas tava claro que precisava tratar essas correntes se não eu gero no FCC ou nesse caso eu gero correntes mais estáveis ainda, no FCC correntes com nitrogênio, enxofre que eu precisaria para tratamentos posteriores. . As decisões foram _____ do momento com base nas informações, nas avaliações técnicas de tecnologia e foram desafios e de fato era o Vitor, o Cenpes, nós na equipe trabalhando o tempo todo sintonizado nisso para chegar ao melhor arranjo. P/2 – E em sua opinião, durante todo esse processo de desenvolvimento tecnológico, quais foram os grandes erros e os grandes acertos? R – Eu não vejo erros de projeto, risco tecnológico, porque eu tenho os testes. A unidade do xisto representa ____, muito similar a unidade industrial. P/2 – Agora tem alguma coisa que você fala assim: “não deu errado, mas a gente poderia ter escolhido um caminho diferente”? R – Eu diria que nós ao sair da fase dois e ir para a fase três nós tínhamos que contratar um integrador, não um gerenciador dos contratos, a engenharia um PMC, um integrador e fazer os contratos de tecnologias. Nós fomos muito bem em todos os contratos de tecnologia, a área onde eu estava com uma equipe muito boa, o Leite e o Henrique coordenando as negociações, uma equipe pequena muito ativa e fomos eficazes nas contratações de todas as tecnologias que envolviam negociação com companhias estrangeiras. A filosofia de agrupar as unidades similares como HDTs mais aromáticos numa companhia fornecedora, o steam cracking outra companhia, o FCC ___. Grandes companhias para fornecer as tecnologias e eu acho que a gente cometeu um erro, mas não tinha como fazer diferente, nós contratamos como integrador. Nós fizemos a licitação internacional, selecionamos grandes companhias e ao final foi o Oler Passos como integrador e nós não mantivemos nas licitações, não permitimos que participasse a Technip, porque ela havia participado da fase anterior, desenvolvido muito bem, mas era fornecedora de tecnologia. Os fornecedores de tecnologia foram alijados da concorrência como integrador porque eles iriam ter acesso às tecnologias dos concorrentes e teria que fazer integração do complexo todo, de todas as correntes, de todas as unidades, fazer as interligações e teria que receber as informações tecnológicas das várias unidades. E a Technip, nós fomos muitos felizes no conceitual, na fase dois e eu tenho certeza que se ela continuasse, seria muito eficaz nessa integração, porque nós estamos terminando a integração agora com a (oleparson?), ela já estaria familiarizada com os projetos de utilidades, de of site que foi um forte dela, né? Naquela fase. Mas era consequência de não ter o cruzamento de tecnologia, ela participou também da licitação para a pirólise, para o steam cracking e não participou do integrador. P/2 – Você faria diferente hoje em dia, mas na época não era possível, né? R – Não sei se seria possível fazer diferente, nós fomos levados a isso e não ficamos com membro integrador da fase anterior. P/2 – E a gente vê que a Technip foi uma grande parceria de sucesso, né? R – Isso, ela foi uma grande parceria de sucesso [pausa]. P/2 – Você estava falando da questão da empresa que foi contratada como intermediária para ___. R – Integradora. P/2 – É, integradora para unir os processos e o que você daria de sugestão para um projeto que viesse mais ou menos no mesmo tamanho do Comperj para talvez melhorar essa contratação? Essa escolha de integrador? R – Eu diria que formar a equipe solicitada ou planejar _____. A fase um foi planejamento, a fase dois antes da primeira reunião foi planejamento, mais de um mês de planejamento, a fase três também foi muito planejamento só que às vezes você consegue trabalhar matricialmente fase um e a fase dois. A fase três de projeto básico é equipe, o quanto antes tiver equipe, eu diria que é escolher as pessoas para os pontos chaves e montar equipe é muito importante, se você trabalha com equipes com restrições, as pessoas estão com projeto, vão virar a noite fazendo projeto, mas a equipe é muito importante. P/2 – Aproveitando que você está falando de equipe, qual o tipo de capacitação, o tipo de perfil de pessoas que você precisou contratar na sua equipe para desenvolver as atividades no Comperj? R – No início a equipe era matricial e tinha uma equipe núcleo. Algumas pessoas que se dedicavam quase que integralmente a esse projeto. Na fase dois as pessoas passaram a dedicar mais quase que integralmente e nessa fase dois já tínhamos o Fernando Lemos, a Luísa, eu, a Cláudia Bruna, o Valdir. Então já a equipe dedicada com mais o Luís Fernando Leite, o Carlos Rodrigo Paiva que veio do Cenpes acompanhando o projeto, em seguida veio o Henrique. Algumas pessoas com dedicação, a gente era multifuncional, eu trabalhava na seleção da tecnologia, discutia o mercado, discutia se ia ser integrado ou não a proposta de integrado veio da discussão entre ___. Não só da equipe como do João Luís Feldman, era a discussão por que era integrado, por que não era integrado naquele cenário que nós tínhamos, como é que íamos negociar, até aquele momento não havia negociações de parceria. O tempo ia passando e você ia desmembrando, você ainda ficava muito ligado ao mercado, na avaliação econômica, nas tecnologias, nas contratações de tecnologias. E aí entra a parte que você não era tão familiarizado com equipamentos, tem um responsável ali autônomo, a parte de relacionamento externo é outro mundo gigantesco com o licenciamento e então você acaba ____. Não se liga nesses itens e até agora que a segunda geração é outra área que fica negociando. É muito importante ter pessoas ____, as pessoas vieram com dedicação, que acreditaram no Comperj, como desafio e nós sempre apontamos: “isso é um desafio, nós estamos aqui pra empurrar as equipes para frente, se aperfeiçoar o melhor possível de forma que ela toma a decisão autônoma nas células.” P/2 – E hoje em dia como que é a sua equipe? R – Até o mês passado eu estava no processo de refino, agora o Comperj, ele está na fase de implantação, a equipe mudou, está mudando pra fase de implantação e construção dos EPCs terminando os projetos básicos, estão terminando todos os fides, fide é um detalhamento, uma quantificação de colocação de quantitativos para se ter uma melhor estimativa de investimento. Está indo pra essa fase de implantação, contratar os EPCs, exige um perfil ____. Em algumas áreas exige um perfil mais acostumado, com mais experiência de implantação, a gente tinha determinado tipo de experiências ao mudar as gerências, ele resolveu dar _____, resolveu não, é necessário e essa fase dar o toque de perfil essencialmente implantação no projeto. E aí então foi necessário sair da seção de acompanhamento do dia a dia do projeto e ir pra área de recebimento e planejamento do recebimento do projeto que é um desafio tão grande quanto esse, tinham as equipes de operação, o acompanhamento da construção e montagem, o planejamento para essa etapa é onde eu estou agora. P/2 – E o senhor fala bastante da fase um, da fase dois como fechamento, como que foi o resultado da avaliação do rendimento de cada uma dessas fases? R – Sim. A fase um é onde os rendimentos são ainda incipientes em função da qualidade dos produtos, o que cada fornecedor de tecnologia tem de experiência com aquele tipo de matéria prima ou com a semelhante, te fornece a garantia dele, o que melhor sabe fazer para aquela matéria prima. E foi o que nós recebemos, os rendimentos do coque, da destilação, os fracionamentos que tinha e como isso é muito ____. A experiência é vasta com determinado volume de dados, se faz a indicação dos rendimentos e os cortes. À medida que tem os tratamentos é a severidade do tratamento, o tratamento é: remover amônia e enxofre, nitrogênio e enxofre compostos nitrogenados em enxofre dessas correntes e estabilizá-las. É um consumo de hidrogênio, catalisador é uma determinada severidade, isso aí houve testes em unidades piloto. É o fornecedor daquela tecnologia com o teste em piloto ou com a experiência dele como é a Petrobras naquela matéria prima. Em seguida é a transformação no steam cracking com a característica da nossa matéria prima, é o banco de dados vasto do fornecedor de tecnologia, dos quatro fornecedores que concorrem mais um teste em piloto para que não reflua no futuro de que: “Olha o meu banco de dados era esse, garanti esses rendimentos com base no meu banco de dados” e as características da sua carga eu tinha, mas não tinha uma semelhança, não tinha uma igual. Nós fizemos teste em piloto para ter a característica exata da nossa corrente com a nossa carga do steam cracking. Fomos felizes em ter conseguido ter refinaria com matéria prima Marlim com aquela fração hidrotratada ou não em condição adequada para fazer os testes e colocar numa empresa que conseguia fazer aqueles testes e colocar para fazer os testes e receber o resultado em tempo de entrar no processo de licitação de cotação e de ____. Foi um esforço de todo mundo e fomos eficazes em conseguir o resultado disso, por isso eu digo, não acredito em risco tecnológico nesse empreendimento tanto de equipamentos como de processos. Você está o dia a dia com essas informações e sempre dando a solução para um dos problemas, um dos pontos. P/2 – E agora vocês estão no Fel três, né? R – Terminaram os projetos básicos, a fase um eu disse é muito incipiente, a fase dois é com que ele tem de melhor informação ou com o que ele obtém de piloto que foi o FCC, o HCC, o hidrocraqueamento resultado do piloto. Na fase seguinte é contratar tecnologia que com base no piloto e na experiência da companhia, ela faça o projeto e a utilização energética de cada unidade e gere os produtos entrem na outra unidade que está projetada para receber aquele produto com aquela qualidade. Esse é o projeto básico onde se gasta mais, se contrata as companhias e em paralelo com isso tem a terraplanagem, todo o licenciamento ambiental, garantias as vias de acesso ao empreendimento, o treinamento de operadores, a contratação de engenheiros de operadores para que lá em 2012 eu tenha equipe no local ____. Antes esteja acompanhando a montagem, a construção e montagem e quando entrar em operação, ela já tenha sido treinada em outras unidades para fazer a correta operação do empreendimento. E a fase seguinte é a implantação é outro perfil de pessoas que vai acompanhar os contratos e acompanhar a implantação. P/2 – E voltando a falar um pouquinho da Technip. Uma coisa que eu me esqueci de perguntar, qual foi a grande diretriz que levou a escolher a Technip como fornecedora? R – Como elaboradora do projeto ____. P/2 – Das rotas? R – Do projeto conceitual? Das rotas tecnológicas. Nós fizemos um mapeamento do mercado, encontramos um certo número de companhias que faziam isso, que estavam no ____. Que tinha no portfólio deles, fazer isso como se apresentou a Technip, a Toyo, a UOP, a Foster Wheeler e mais outra companhia, umas cinco companhias se apresentaram, fizemos uma reunião, um Workshop com cada uma pra ela apresentar a experiência deles, como eles trabalharam nesse projeto na fase dois integral, o quanto custava isso. E fizemos a avaliação com o grupo Ultra e nessas avaliações saiu a Technip próxima de outra companhia e foi selecionada a Technip pela experiência, pelo preço, outras também tinham experiência, mas foi muito bom ter escolhido a Technip. P/2 – Uma grata surpresa, né? R – Não, a gente esperava já, outra grande companhia era a UOP, a Foster Wheeler, a Toyo dizia que fazia, mas a gente não sabe se a contrataria pra fazer ou não ou se ela teria equipe exata pra fazer como a gente viu integrador ele contrata e no mercado montam as equipes. Com a multitude de cultura também, no integrador o que de dificuldade nós tivemos no integrador, nós temos a sorte, a competência, a Petrobras tem a competência de ter na Engenharia, no refino, no Cenpes, na Gás e Energia, na Transpetro ter os especialistas formados e acostumados com os desafios e com projetos. E ter vivenciado, ter resolvido problemas de projetos e que é quem está participando matricialmente de suporte a esse projeto básico do integrador, porque a integração é feita quando está finalizando todos os projetos, você tem que garantir que a integração que é uma das primeiras coisas que vai entrar em operação é a tancagem e utilidades e precisa que ela faça o mais rápido possível. Você precisa dar um suporte, o máximo de suporte nesta etapa, por isso a equipe, a abnegação das pessoas, a dedicação, a disponibilidade numa empresa que está expandindo, a Petrobras está expandindo e está com pessoas experientes se aposentando. É tirar das equipes onde eles estão as pessoas chaves é isso que a gente está querendo fazer, tirar as pessoas chaves de certos pontos pra trabalhar no nosso projeto, né? A gente acredita que nosso projeto, além de entrar em operação naquela data, precisa entrar com as melhores condições e com o que os melhores especialistas conseguem colocar nesse projeto. P/2 – Legal. E durante toda a sua participação no Comperj mais desafios foram surgindo e sua bagagem aumentou ainda mais, né? O que era grande ficou ainda maior e se você pudesse voltar com toda essa experiência que você tem hoje para o comecinho do projeto, teria alguma coisa que você faria um pouco diferente ou que você mudaria o rumo de como foi feito sem a experiência de já ter trabalhado no Comperj? R – Eu diria que agora a gente vê o Comperj como se fosse um livro aberto, naquela época você discutia muito “oh, temos que modelar isso, temos que avaliar esse detalhe”, você trabalhava pra ver, aprender e ver o resultado, agora você tem o resultado ___. Como eu estou desde o início, diria que eu sou um banco de dados, né? As informações foram acumulando e agora você vê com maior clareza todo o empreendimento, talvez poderia agilizar alguma coisa ou batalhar mais pra ter as equipes, as pessoas, mais gente envolvida nesse projeto, porque as ideias você mobiliza, as pessoas você tem as várias dificuldades para tirar as pessoas de sua zona de conforto e levar pra esses desafios como você está no desafio, você acredita, você quer contaminar todos com o mesmo desafio, né? O mesmo empenho. P/2 – Nas tomadas de decisões, uma das grandes tomadas de decisões foi a escolha do FCC, fazer o FCC ou steam cracking para ____. R – Não, é o FCC petroquímico. P/2 – A escolha do FCC petroquímico? Que outras escolhas tiveram que mudar o rumo do projeto de forma drástica? R – Eu diria que quando se escolhe um processo, por exemplo, o steam cracking, nós tomamos a decisão de fazer o maior possível, então com as cargas que tínhamos fizemos o maior tamanho possível de steam cracking e aí entre o steam cracking e o FCC era qual matéria prima gera melhor resultado e em qual processo, né? Até uma determinada matéria prima o querosene no steam cracking e os mais pesados no FCC petroquímica. O tamanho do steam cracking e do FCC no final foram consolidados pelo desafio do Cenpes, apontar aqui, fazer o maior tamanho, o FCC havia dificuldades, a maior dificuldade era o tamanho das máquinas dos compressores, um dilema era, qual o máximo de tamanho desse compressor de carga que tem no mundo? A Technip: “nós temos experiência até uma determinada capacidade” e isso está nessa faixa de capacidade, por exemplo, esse gás cracker está nessa faixa de capacidade do compressor de vocês. Temos repetibilidade, temos projeto operando com essa faixa de capacidade, não estávamos ultrapassando limites de capacidade desses processos. Onde o processo está consolidado, eu não posso errar, não posso levar a uma máquina especial que possa levar a novas falhas, novos desenvolvimentos. Um outro ponto é por que eu faço FCC? Eu posso chegar e avaliar hoje que em função do tamanho de mercado de produtos petroquímicos, poderia fazer um steam cracking menor ou não fazer FCC, são as escolhas finais. Agora quando eu tenho uma unidade, aromáticos, um steam cracking e FCC a gente não está vendo ____. Consolidamos isso quando propusemos eles serem integrados na época da proposta, nós não estamos vendo se é vendedor de matéria prima eteno, propeno, paraxileno ou benzeno, nós estamos vendo qual o produto final é o plástico, o derivado é o etileno de bucol, a matéria prima. É o pet que utiliza o etileno bucol, estou criando negócios que coloca o produto no mercado para o usuário. Esse que é o grande motivador do Comperj é o plástico no consumidor, o produto no consumidor, é o plástico polietileno, o propileno, pet é esse produto no consumidor. É isso que são os negócios e quem paga no final é o consumidor que paga um projeto integrado com escala quando se verifica essas unidades de segunda geração do Comperj. A primeira geração está no limite de escala, o steam cracking, o FCC e quando essas duas unidades o steam cracking, o FCC e aromáticos que também está quase no limite de escala de uma seção de aromáticos, quando elas geram essas escalas mundiais de produção, elas também exigem que as unidades seguintes tenham escala mundial de produção que gera produto mais barato, mais competitivo que pode levar a fechar uma unidade pequena que está antieconômica no país, pode acontecer isso. Eu estou projetando unidade polietileno e polipropileno o dobro do último projeto que foi feito e foi nos anos 1990, o polietileno e o polipropileno, o etileno bucol também é o dobro do tamanho daquelas unidades, o etileno também é maior que o dobro das unidades que foram construídas no país na década de 1990. Isso é competitividade é poder disputar no mercado global em que eu tenho uma pequena sobra de produto é poder colocar esse produto lá no mercado internacional, comunidade em que ela é competitiva nessa escala. Agora a matéria prima pode vir a custar mais se eu for comprar nafta no mercado fazer um pólo petroquímico com nafta hoje não tem nafta suficiente. Ou vou importar a resina do Oriente Médio e ficar sujeito a esse mercado internacional ou gerar outra alternativa e a outra alternativa foi: qual matéria prima que eu posso gerar esse petroquímico? E essa matéria prima é compatível com uma refinaria de qualidade dos próximos anos com baixo teor de enxofre, baixo teor de nitrogênio nas matérias primas desses petroquímicos que é um produto que é compatível com o diesel, com querosene que eu coloco no mercado no futuro, não hoje. Tem um custo, mas por outro lado, eu gero emprego no país, gero impostos e mais da metade do que for gasto na implantação são impostos que vão gerar seja ICM, IPI, a mão de obra, o imposto de renda que o funcionário paga, os impostos recolhidos na cadeia toda, tudo isso é retorno pro país. Estou pegando uma riqueza ___, é um petróleo pesado que iria exportar e receber um montante e distribuir pros acionistas, né? E eu estou gerando emprego e retornando imposto para o país, para o crescimento da população. P/2 – Só uma última pergunta, qual foi o dia mais marcante do seu trabalho no Comperj? O que aconteceu nesse dia? R – Foram muitos. As aprovações na fase um, na fase dois, a constituição da empresa recentemente, a empresa ____. A Petrobras acreditando, ela colocando no orçamento ainda não está aprovado totalmente, no processo que se faz é: “eu preciso ter os EPCs cotados para ter a garantia de que tudo é viável, né”? Tudo isso é degrau após degrau, né? A gente vê desafio após desafio e cada um dando mais alegria de forma que a gente consiga ainda ter muitos colegas empregados no Comperj, já admite muita gente e fazer os produtos ____, construir ___, transformar em aço tudo que era ideia, porque até agora uma parte era ideia agora já estamos contratando alguns reatores, contratando as unidades, fazendo a terraplenagem e correr para preparar as equipes para operar, cada dia é um ___. A gente ia vencendo as questões, os problemas que são colocados e ir aperfeiçoando o processo é gratificante, né? P/2 – Muito bom. P/1 – Antes de fechar eu gostaria que o senhor contasse qual é a sua área? Qual é o seu cargo hoje, por favor? R – Teoricamente eu estou hoje no Comperj S.A na equipe do Sérgio Bezerra, o diretor de cooperativo e industrial, por uma questão ainda de fase, essa equipe não está aprovada, não tem a estrutura física. Estou no Comperj, na segunda geração, na gerência e setor de polietileno. P/1 – Eu gostaria de saber se tem algo mais que o senhor gostaria de deixar registrado que a gente não conversou? R – Eu queria agradecer essa oportunidade de falar, são os raros momentos em que você não fica se preparando antes, né? Passar uma semana ali meditando para sair o resultado, você está relembrando, vivenciando, apontando o que foi o seu dia a dia, o que foi de desafio que você encontrou durante esse tempo todo, os amigos que chegaram, os amigos que se perderam, os amigos que aposentaram, os colegas que faleceram, né? Quem vai chegar, a preparação do terreno pra quem vai chegar pra que daqui a 20 ou 30 anos isso aí esteja funcionando ___. Continue funcionando como o planejado e sem riscos, sem acidentes, ambientalmente correto, gerando riqueza pro Estado e país. P/1 – A gente costuma perguntar e hoje a gente não perguntou, tem alguma história engraçada, curiosa que o senhor se lembre? Aqui da sua vida na Petrobras? R – Quando a gente está focado num assunto, aí começa a ____. P/1 – Ligado ao Comperj teve alguma engraçada? R – É difícil voltar a fita e selecionar. P/1 – Ta. Eu gostaria só de terminar perguntando o que o senhor achou de ter participado do Projeto Memória? R – Eu gostei, é um momento em que a gente interioriza, revela algumas informações e vamos ver o registro depois, né? A gente fala desprendido e fica o registro. Muito obrigado. P/1 – Nós que gostaríamos de agradecer a sua participação e sua contribuição. Obrigada. R – Obrigado. -------------------------------------------------- Fim da entrevista ----------------------------
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