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Desistir jamais

História de: Raquel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/11/2013

Sinopse

Raquel conta, em seu relato, a história de uma mãe que teve fé para lutar por seus filhos. Após seus filhos mais novos se envolverem com drogas e prostituição, Raquel começou a se envolver com álcool. Ela conta como conseguiu incluir seus filhos no projeto ViraVida e todas as transformações causadas em sua família após o projeto: o carinho e respeito de seus filhos com ela, as melhorias nos diálogos com seus filhos e o fim da bebida na sua vida.

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História completa

Meu nome é Raquel, tenho 48 anos, vou fazer 49 anos. Nasci no Rio Grande do Norte. A atividade do meu pai era pedreiro e a minha mãe tem a mesma atividade que a minha, faz costura em casa. Sou a mais velha de 11 irmãos. Foi cruel minha vida de infância, porque eu não podia estudar, tive que trabalhar para ajudar minha mãe e meu pai. Cresci em casas feitas de palha de coqueiro, sem banheiro. Minha infância foi de trabalho duro. Tinha que ajudar meus pais no trabalho. Cuidava também dos meus irmãos menores. Apanhava lenha pra mãe cozinhar, depois buscava água em tambores pesados pra minha mãe trabalhar como lavadeira. Ela tinha dois tambores grandes que tinha nos posto de gasolina para encher d’água. Então eu pegava um galão com duas latas d’água, quando a lata se furava, levava-se para consertar, para colocar tábua no fundo da lata. Consertava-se e eu enchia de fé e acordava quatro e meia da manhã, colocava lenha para cozinhar comida. Minha mãe é analfabeta, meu pai também, e eu não tinha tempo de estudar nesse tempo porque eu carregava água. Meus pais nunca me bateram, mas eles não precisavam me bater não, só com as palavra já me doía. Eu era mais velha, eu me achava com direito de ajudar minha mãe e meu pai.

 

O meu marido eu conheci ainda mocinha. Foi amor à primeira vista. O casamento foi maravilhoso. Eu me casei na Igreja, nesse tempo eu era católica. Ele é católico, já eu procurei outros caminhos do Senhor, que é evangélico. Eu tenho 22 anos de casada com ele, foi quando eu tive meus três filhos. Foi quando o senhor colocou meus três filhos na minha vida, maravilhosamente. Foi muito difícil criar meus dois filhos, porque meu primeiro filho o Senhor me ajudou, eu criei bem, e o senhor Jesus me deu o Cleber e o Pedro. Não vou mentir, eles dois usaram drogas. Sabe, foi difícil resgatar meus dois filhos, foi muito triste. Os três filhos estudaram na escola, eu nunca deixei meus filhos sem estudo. Eu nunca deixei eles, sempre coloquei eles no colégio. Sei que a educação vem do colégio.

 

Era cruel até porque eu vou dizer, meu marido é alcoólatra e era muito cruel. Eu botava meus filhos no colégio, botava meus filhos na creche, eu ia trabalhar para sustentá-los. Era sempre eu que fazia de tudo para sustentar meus filhos. Meu marido nunca bateu nem em mim, nem nos meus filhos. A bebida só ofendia ele mesmo. Ele maltratava a gente no alimento, não trazia o alimento.

 

Eu sou mãe, tenho um filho com 22 anos, tenho um filho com vinte anos, e tenho outro com dezoito anos. Eu sempre fui uma mãe que procura saber alguma coisa dos meus filhos. Vou fazer 49 anos, não sou avó ainda. Por que? Eu sempre estou dialogando com eles. Mas chegou um momento que eles começaram a ser agressivos, porque ficavam na rua até altas horas se relacionando com gente que não era para ser. Antes do projeto ViraVida era assim: “Vamos embora, está na hora de entrar”, “Ah mãe, não está na hora de entrar não. Eu vou entrar na hora que eu quiser”. Aquilo me doía, e uma vez eu peguei eles fumando maconha. Eu não tinha dinheiro para dar então pra arranjar dinheiro eles se prostituíam. Os dois mais novos iam para beira mar, se prostituía com aqueles homens, aqueles gringos que aparecem. Descobri porque tinha dinheiro aparecendo. “Um presente para senhora, mãe. Um chinelo, mãe.” Disse: “Não, isso está errado.” Foi quando eu descobri. Quando descobri senti raiva, foi um choque grande, porque qual é a mãe que quer ver um filho na prostituição… Depois o Senhor colocou o ViraVida na vida dos meus filhos.

 

Para aguentar toda essa pressão, sabe o que eu fazia? Eu passei a beber, para não ver nada na minha vida. Era um refúgio que eu achava. “Ah, vou beber também, acabou-se”. Mas não é por aí, não é essa vida que eu quero, que meus filhos queriam. Hoje eles tem orgulho de mim e eu também tenho orgulho deles. Procurei uma Igreja de crente e estou até hoje. Foi quando eu fui procurar força para mim e para minha família. Tive forças também até para estudar. Hoje em dia posso entrar num ônibus e mostrar a minha carteirinha de estudante. Estou fazendo agora a sétima e oitava. Quer dizer que essa força eu não procurei sozinha, foi Deus que me deu.

 

Agora eu tomo conta da minha família, dos meus filhos. Através desse curso eles me dão presentes. Coisa que eu não tinha e nem sabia que eu ia ter na minha vida.

Um presente especial que eu ganhei deles foi uma lavadora. “Mãe, basta mãe, chega mãe! A senhora não vai mais para o tanque, a senhora não vai mais lavar roupa”. É, o Cleber e o Pedro que são do ViraVida. São eles que me deram. Isso aqui é único. É uma oportunidade maravilhosa. Se eu lhe disser que eu lavei muita roupa de ganho na mão para sustentar eles.

Depois que eles começaram no ViraVida, maravilhosamente mudou muito. Eles se comportam bem. Sai de manhã, me abraça, me dá um beijo. Eles não eram comportados. Mudou muita coisa na vida dos meus filhos. Eles me ajudam. Pagam água, luz... 

 

Acho que o que levou os meninos a essa busca das drogas, é porque não encontraram paz em casa. Eu bebia, o pai deles também bebia. Então isso o que quer dizer? Se usar drogas o traficante acolhe. Se não tem paz em casa, se não tem um carinho de pai e mãe, tudo que pega para droga, o traficante vai e acolhe e quando se dá ouvidos, não tem mais jeito. Sou é sorteada, porque os meus filhos… Tem muitos que vão para o mundo das drogas e que não voltam mais. E Deus me sorteou porque esse curso apareceu, e meus filhos são heróis hoje.

 

Eu comecei a parar de beber quando eu procurei a Igreja. Os meninos no curso e mudando a vida, quer dizer que esse curso não é só dos filhos não, é da família. Eu posso estar aqui com alguma dúvida dentro de mim, eu posso ir naquele curso e todos me acolhem.

O ViraVida mudou a nossa vida. Meus filhos estão maravilhosos, até porque eles saem de manhã, chegam de noite e eu já sei onde é que eles estão. Passam o dia no curso e a noite vão estudar. Mudou muita coisa. Quando recebem o dinheiro, convidam a mim e ao pai deles para comer uma pizza ali no Seu Cavalcanti. A vida mudou tanto, porque às vezes, final de semana, eu não sabia onde é que meus filhos estavam e hoje eu sei. São obedientes. Eles passaram a me obedecer. Isso é que o ViraVida faz na vida dos meus filhos e da mães.

 

O meu sonho é que eles terminem o curso e fiquem mesmo trabalhando. É isso que eu peço a Jesus. Já o meu, o Senhor sabe. O meu sonho é ter uma vida em paz com Jesus e meu esposo, e ver os meus filhos também crescerem. É o meu sonho.

 

"Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista íntegra, bem como a identidade dos entrevistados, tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações".

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