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Desenho é paixão

História de: Martha Cavalcanti Poppe
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/11/2013

Sinopse

Martha Cavalcanti Poppe nasceu no Rio de Janeiro, capital. Em sua história relata quesua família, originária de Pernambuco, mudou-se para o Rio de Janeiro para tentar uma nova vida. As artes sempre fizeram parte da existência de Martha, dançou balé clássico por muitos anos e aos oito anos de idade começou a aprender a pintar com a pintora expressionista Georgina Albuquerque.  O desenho sempre foi sua grande paixão e aos 17 anos, após concluir seus estudos, resolveu estudar pintura na escola Belas Artes. Entrou nos Correios em 1962 como desenhista do setor de engenharia e 10 anos depois, com a criação do departamento de filatelia, Martha passa a trabalhar como artista plástica realizando os mais diversos trabalhos. Entre murais, painéis, selos e muitos outros trabalhos a história da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) é permeada pela beleza da arte de Martha Poppe.

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História completa

Meu nome é Martha Cavalcanti Poppe, nome de casada, eu nasci no dia 16 de abril de 1940 no Rio de Janeiro. Meus pais se chamam Carmem Cordeiro Cavalcanti, de Pernambuco, e Fernando de Lima Cavalcanti, também de Pernambuco, minha família toda é de Pernambuco, eu é que nasci aqui por acaso. A família da minha mãe é Pernambuco, mas ela tinha origens mais ancestrais, cearenses, mas a família toda era de Pernambuco, e do meu pai, o meu pai era de uma família de usineiros pernambucanos, e eles, quando vieram aqui para o Rio, quando saíram de Recife vieram para o Rio para tentar um nova vida.Nunca tive muito contato com os meus avós, por causa das idades, minha relação era muito íntima, muito ligada aos meus pais, e quando eu fiz mais ou menos oito anos, desde seis anos de idade que maior prazer sempre foi desenhar, eu comecei a aprender a pintar com uma pintora impressionista brasileira chamada Georgina de Albuquerque. Quando eu fiz 17 anos é que eu fiquei muito, fiquei interessada em fazer a Belas Artes e sempre tive muito apoio dos pais em relação a isso, meu pai era um desenhista, desenhava muito bem, a minha mãe, ela bordava, costurava e também tinha muito talento para desenho, eles sempre foram muito ligados a essa parte artística. Todos os meus amigos, principalmente no ginásio, quando eu estudava no Colégio Princesa Isabel, os meus amigos mais chegados, são artistas, um é poeta, Armando Freitas Filho, foi meu colega de colégio, eu adorava ele, escrevia poemas o dia inteiro, uma pessoa muito interessante, e uma grande amiga minha que foi artista de cinema, do cinema novo, Maria Lúcia Dahl, e escreve também, ela é escritora e durante muito tempo escreveu crônicas maravilhosas para o Jornal do Brasil. Enfim, sempre próxima de artistas, sempre tive essa minha identificação com artistas.Quando eu entrei na Belas Artes foi aquele grito de liberdade, foi muito bom, para mim foi maravilhoso, para desespero dos meus pais porque eu ficava menos em casa, era o dia inteiro, o curso você entrava às oito, saía às seis, direto, era muito legal, você saía de uma sala de aula, ia pra outra, ia pra outra, ia pra outra. E nisso, que eu entrei pra fazer curso de pintura, eu fui sendo ouvinte de outros cursos, eu queria saber de tudo, eu aprendi escultura, aprendi gravura, eu fui ouvinte do Professor Goeldi, que é um gravador, um dos maiores gravadores brasileiros de todos os tempos, muitos acham o maior de todos, tive essa sorte, fui aluna do Goeldi, eu fiquei boba, até hoje eu fico boba quando eu penso nisso, aprendi a fazer gravura com ele. Aprendi a fazer joias, também fiz joias durante um período, serigrafia, modelagem, mas a pintura para mim era a número um, sempre foi, e foram seis anos.Nos últimos anos eu comecei a querer trabalhar fora, eu tinha um tio diplomata que conhecia pessoas dos Correios, ele disse: “Não, você vai lá, faz uma prova e entra em contato, faz uma entrevista” e foi assim que eu fiz, fiz uma entrevista e entrei pros Correios em 62 e fiquei até 95 (risos). Comecei a trabalhar em 62 e naquela época  o único setor que eu poderia trabalhar com o meu conhecimento de desenho seria engenharia, eu fui pra engenharia, eu fui nomeada desenhista, comecei como desenhista dos Correios. Aprendi a desenhar arquitetura, que eu não sabia, eu sabia desenho de perspectiva, essas coisas todas, mas não sabia desenhar arquitetura, mas como eu tinha habilidade de desenho eu aprendi aquilo num instante, foi maravilhoso. Na década de 70, em 71, 72 os Correios estavam implantando um departamento de filatelia, porque a filatelia era assim: os selos eram todos criados e executados na casa da moeda. O Correio não participava muito da criação dos selos, postais. Quando houve essa criação do departamento de filatelia souberam que eu existia ali na engenharia, que eu era artista plástica e eles me chamaram pra trabalhar na filatelia.Eu fui chamada pela primeira vez para fazer o primeiro mural dos Correios em Brasília, aquele mural em volta foi projeto meu. Júlio Espinoso o escultor, e o arquiteto Antônio Antunes, que, aliás, foram pessoas importantíssimas na minha vida porque os dois murais que eu fiz, o de Brasília e aqui do Rio, foram com eles, eu fiz com eles, e foi um convívio maravilhoso, o Júlio Espinoso um grande artista, um grande escultor e o Antônio Antunes um grande arquiteto. Esse é que foi o grande momento, começou ser um grande momento para mim nos Correios porque quando eu fui chamada para fazer, desenhar selos é que foi a grande abertura para a criação, eu tinha que criar, foi maravilhoso, eu passei a criar,  foram 25 anos criando, isso é um privilégio.Foi um mundo novo pra mim, eu passei a ter contato com grandes artistas gráficos maravilhosos, Gian Calvi, enfim, Rui de Oliveira, e artistas plásticos renomados, como Aluísio Carvão, Juarez Machado, o que havia de mais crème de la crème na época das artes plásticas, muitos artistas fizeram selo, foi maravilhoso. O primeiro artista plástico a fazer selo dos Correios foi Di Cavalcanti, mas eu não peguei essa época, ele é anterior (risos), eu não sou tão dinossauro assim, mas, foi maravilhoso, o convívio, porque eu era funcionária da empresa e esses artistas eram contratados como free lancer. Mas eu é que recebia esses selos para fazer, eu que fazia a tramitação, eu sabia dos detalhes, porque você fazer um selo é simples, mas também não é, porque você tem que ter muita noção de proporção, você tem que ter conhecimento técnico, qual é a melhor técnica pra determinados temas, para determinado tipo de impressão. primeiro selo que eu gosto de falar, que realmente eu gostei de fazer, foi o do Ano Internacional da mulher, foi maravilhoso realmente, foi na década de 70, eu tive total liberdade de expressão, a melhor coisa para o artista é a liberdade de expressão, se vier com muito: “Não faça assim, tem que ser assado”, com muita censura, é complicado, o artista se inibe e acaba não sendo ele mesmo, acaba até prejudicando o próprio trabalho. Mas eu de modo geral sempre tive liberdade de expressão, às vezes discutia-se, havia polêmicas, mas isso é bom, olhares diferentes, às vezes eu concordava, às vezes não (risos), era assim.Quando comecei a fazer selo já tinha começado uma abertura incrível em relação a esse olhar novo da filatelia, uma concepção mais moderna, mais aberta e menos acadêmica, menos tradicional, então a inclusão de artistas plásticos brasileiros, de norte a sul, artistas importantíssimos começaram a participar dessa feitura desses selos. Isso foi muito importante porque os selos ficaram muito, começaram a ficar muito lindos, coloridos e terem sucesso internacional inclusive, os selos brasileiros, então essas décadas de 70, 80, até 90, foram praticamente 20 anos de bastante agilidade nesse aspecto de criação, de mudança de selo, de temas. Por um período em que eu trabalhei nos Correios fiquei com pouco tempo para pintar, eu era pintora de domingo porque não tinha tempo, trabalhava horário integral, às vezes levava trabalho para casa para trabalhar fim de semana também, e eventualmente pintava e tudo, nunca deixei de ser artista plástica por causa disso, mas pintava, pintei bem menos. Depois que eu me aposentei eu voltei, retornei a pintar mais, mas sempre que tinha oportunidade, com todo o sacrifício que eu tinha, eu enfrentava qualquer negócio para pintar, para participar de uma exposição, e também tinha filho no meio, então não tinha tempo, eu não sei como é que eu fiz essas coisas todas, foi difícil, foi muito difícil.Conheci meu marido na aula de gravura do Goeldi, ele é artista plástico também e fotógrafo e nós casamos em 67, temos 46 anos de casados, fora cinco de namoro (risos), então 50 anos, 50 anos de convívio. Tenho duas filhas, duas artistas, sempre quis que elas fossem, realmente elas são maravilhosas, uma é uma bailarina fantástica, Maria Alice Poppe, ela tem uma formação clássica, mas ela é uma bailarina contemporânea, faz dança contemporânea. E a minha outra filha, a Márcia, que foi a primeira filha, a mais velha, ela é também artista plástica, ela foi, fez estilismo, fez trabalhos incríveis de estilismo, depois ela abandonou, agora voltou a pintar e é roteirista, faz cinema (risos).

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