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História

Desenhando o sol de primavera

História de: Gilberto de Abreu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/07/2005

Sinopse

Gilberto foi morar com a família em Belo Horizonte, justamente no famoso Edifício Levy, onde morava a família Borges. Tornarou-se amigo de Lô e Yé Borges e passou sua infância divertindo-se com eles pelo centro da cidade de Belo Horizonte, entrando secretamente nos cinemas e pulando janelas. Nesta entrevista, ele nos conta como se tornou ilustrador e cenógrafo e como os Borges se tornaram músicos.  

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História completa

P – Gilberto, eu gostaria que você começasse dizendo seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Gilberto de Abreu Barbosa, 22 de janeiro [de] 1953, Espinosa, Minas Gerais.

 

P – Nome completo dos seus pais?

 

R – Milton Barbosa e Terezinha de Abreu Barbosa.

 

P – Eu gostaria que você contasse um pouquinho como foi a sua infância no Edifício Levy.

 

R – Eu cheguei no Levy quando tinha onze anos. Eu tinha morado até os sete anos em Montes Claros, São Paulo, Santa Catarina, Espinosa e aos sete anos a gente foi para Belo Horizonte. Ficamos quatro anos no bairro Floresta e aos onze anos nós fomos para o Levy. 

No primeiro dia que a gente estava no Levy, depois de subir e descer no elevador adoidado - era o nosso divertimento na época, meus e dos meus irmãos - o meu irmão mais velho, o Gom, falou: “Vem cá, chega aqui.” Fomos ao corredor na escada e lá tinha duas pessoas, o Lô e o Yé. Foram as duas pessoas que eu conheci no Levy, o Yé sentado na escada e o Lô num parapeitinho, deitado. Lembrou-me muito o gato da Alice, todo rindo. 

Bom, aí ficamos amigos e os dois já me levaram para a turma da Rua Tupis. Levaram alguns dos meus irmãos para a [esquina da Rua] Tupis com [Rua] São Paulo que tinha a turma do Beto, tinha um monte de gente do Levy e era uma turma mais ou menos grande. Como a gente era meio... Ninguém era belorizontino, ninguém era de prédio e o centro da cidade era como é até hoje, durante o dia aquele movimento e fim de semana e a noite era o quintal da nossa casa, porque a gente morava em apartamento. A nossa infância foi uma infância de liberdade conquistada, porque a gente fazia o que queria por ali mesmo, porque tínhamos muita energia.

 

P – O que vocês faziam, do que vocês brincavam?

 

R – A gente brincava de futebol, guerra de foguetes. A gente fechava a Rua Tupis com placas de trânsito e ficava jogando bola. A gente comandava a cidade, aquele pedacinho era um espaço de brincar mesmo, eu tinha onze ou doze anos e a turma era da mesma idade. Eu era do apartamento 1601 e ia até o apartamento 1704, éramos todos da mesma idade. 

E já tinha também essa parte musical que rolava. Tinha um conjuntinho, a turma toda se envolvia e eu era até secretário, tinha presidente. Tinha os cantores, que eram o Lô, o Beto, o Márcio e o Yé, tinha uma galera; meu irmão era o presidente, tinha o Flamengo que era o vice-presidente. Foi muito saudável essa época e existia uma energia muito grande nessa adolescência da gente, sobretudo pelo processo histórico, principalmente com aquela coisa de beatnik, os Beatles, de mudar o mundo, a gente fazia aquilo tudo. Os Reis do Iê Iê Iê, os filmes dos Beatles era geralmente aquela correria, com todo mundo pulando e muita brincadeira, então a gente vivia muito esse clima. 

Uma das coisas mais bonitas que eu acho na época era a parte de cinema. A gente tinha uma entrada secreta para todos os cinemas da cidade, do centro, já que era o quintal da nossa casa e a gente mandava e desmandava ali. Cada cinema tinha a sua entrada secreta e com o passar do tempo isso acabou se transformando numa poesia muito grande pra mim, todos assistindo filme por uma entrada secreta. E eram umas entradas complicadíssimas, mas tinha algumas que era só entrar de costas, como o Cine Paladium. O Cine Guarani tinha que entrar pela ventilação e ficar no parapeito assistindo ao filme. No Tamoios tinha que passar por cima de um tanto de coisas, lojas. Teve uma vez que os caras descobriram, porque [era] filme para maiores de dezoito anos e sai aquele monte de pivetinhos de bermuda. Uma vez pegaram o Miguel e ele quebrou o braço, saiu pelas ruas, uma velhinha desmaiou. Isso eu acho bonito numa época.

 

P – E o Beto Guedes? Como você o conheceu lá no Edifício Levy?

 

R – Não, o Beto era do Edifício Cesário Alvim, na Rua Tupis. No Levy tinha o Flavinho, o Marco Miguel e todos os caras grandes, nós éramos os caras pequenos. No Levy era basicamente isso, mas no Cesário Alvim tinha o Beto, o Lê e o Grilo, em frente, na Avenida Amazonas, tinha o Mara, o Cansaço, o Celanô, o Pólen, todos na região de Tupis com São Paulo. 

Era aquela vidinha normal com muita música. O pessoal sempre garantia, o Lô e o Beto sempre estavam com musical, e de certa forma o pessoal foi amadurecendo, se profissionalizando.

P – O que você lembra do começo? Onde eles tocavam, você assistia aos ensaios? Você disse que trabalhava como secretário.

 

R – Era só cargo fictício. Eles sempre estavam ensaiando, acertando os vocais e era muito legal, lá na casa do Lô mesmo. Tinha as apresentações lá no Brasa 4, no Jaraguá e íamos todos para lá.

 

P – O que é o Jaraguá?

 

R – Era um clube com piscina e tinha uns shows aos domingos. Teve uma vez que perto do Aeroporto tinha uma passarela que a gente pulava na piscina. E teve uma vez que a gente debandou todo mundo lá para um lugar que era um pântano e foi uma aventura maravilhosa, todo mundo cheio de lama, a galera se afogando no pântano. O Lô disse que me salvou, mas eu me lembro de tê-lo salvado também. O pessoal se afundando mesmo e aquela coisa de ‘vamos buscar uma corda de salvamento’.

 

P – Quantos anos vocês tinham?

 

R – Isso tudo foi até os dezessete anos. Eu sei que teve um preço, porque o pessoal passou de avião e viu a gente e falou: “Isso é perigosíssimo.” Colocou a gente em fila indiana, com metralhadora e aquele bando de pivetinho enlameado. Mas depois resolveu lá e se resolveu, como muita coisa se resolvia na época. Os meninos tocaram e cantaram umas músicas e os oficiais, os soldados liberaram a gente. Fomos a um bar e comemos pra caramba, refrigerante com bolo, aquelas coisas.    

 

P – O que você se lembra da época do lançamento do disco Clube da Esquina 1?

 

R – O que eu me lembro bem é que em 1969 teve o Festival Estudantil da Canção, que o Lô e o Beto entraram com músicas, e fui eu quem falou na rádio sobre eles mandarem a fichinha de inscrição. Aí a coisa foi ficando efervescente nesse sentido e acabei conhecendo o Toninho Horta. Foi esse festival que acabou dando um gás na coisa toda, principalmente pros meninos que eram cover dos Beatles e começaram a fazer músicas próprias, com um alcance maior. 

Nisso, o Lô acho que já morava no Santa Tereza, o Beto também ia para lá direto e deu uma separada, pelo menos de mim. Eu passei a conviver com outros músicos e eu via alguma coisa acontecendo, já que a gente se encontrava muito pouco e as pessoas que estavam realmente envolvidas nessa movimento estavam todas no Rio de Janeiro. Volta e meia a gente se encontrava na rua, tocava uma flauta, às vezes encontrava com o Beto e perguntava como ele estava, se ele tinha gostado da flauta. Eu estava em frente a uma loja de música e escutei Nada Será Como Antes tocando na hora e achei aquilo superbacana, mas não estava com esse contato com o pessoal. Por outro lado estava vivendo a minha arte, convivendo com músicos, mexendo com pinturas e desenhos que eu faço desde criança.

 

P – Me fala um pouco do seu trabalho como ilustrador das capas dos discos.

 

R – Quando eu me mudei para a Serra, eu fui morar na casa do Zé Eduardo, que tinha acabado de se separar da mulher dele. Eu já estava casado também. Foi nessa casa que eles estavam ensaiando o disco A Página do Relâmpago Elétrico do Beto Guedes e teve uma história assim, eu tinha feito um desenho, o Beto esteve lá e pediu que eu fizesse um quadro para ele.

 

P – Qual desenho?

 

R – O que saiu na Página do Relâmpago Elétrico, e depois na capa do disco Sol de Primavera.

 

P – Descreve ele para nós, porque aqui nós não estamos vendo.

 

R – Esse desenho tem muitas histórias. O Beto conta uma, eu conto outra, mas é o mesmo quadro; é porque acrescenta o álcool e uma fumacinha e com o passar dos anos a gente acaba esquecendo. O que marca na gente às vezes não é o que marca em outra pessoa. 

Eu sei que eu estava saindo de casa com a minha mulher quando a gente teve um filho e tinha eu começado a trabalhar numa loja de publicidade, para descolar uma grana por causa da responsabilidade de filho. Saí de casa e tinha um pessoal mexendo na fiação de luz; eu peguei uns fios e fiquei mexendo e olhando aquele negócio. Desci a rua, encontrei o Beto no bar com o Zé e ficamos conversando. O Zé falou que eles haviam passado a tarde toda lá ensaiando, e falei que ia fazer um desenho para o Beto. Peguei o que tinha feito com fios de telefone, coloquei no papel e saiu uma aquarela, uma colina e eu [a] dei para ele. 

Não me lembro mais como foi que entreguei para ele, mas acredito que tenho sido num show do Belchior no DCE da Católica, que estava muito cheio. A Silvana me falou que o Beto ia colocar aquele desenho meu no disco dele como selinho e eu achei muito bom. 

Acabei indo para o Rio de Janeiro para ver a gravação e a gente acabou se entrosando mais, nos encontrando mais. Eu fui morar em Santa Tereza e o Lô estava lá sozinho, a família dele estava não sei onde, e convivemos vários meses. Nessa época, ele estava com uma aura artística muito profunda e eu gostava muito dessa convivência inspiradora artisticamente. Eu vi uns shows dele e pensei que o show também poderia ter essa profundidade artística que estava emanando dele, então pensei em fazer um painel no fundo. O Marcinho topou e arrumou uma rotunda de oito por oito metros do sul do país e foi onde eu pintei esse painel para ser o fundo dos shows do Lô. Eu pintei lá no Carlos Prates e os aviões passavam e viam aquela casa pintada, era uma coisa diferente. Foi com esse painel os shows, até que foram fazer um show em Montes Claros num campo de futebol e esse painel foi roubado à noite. Deu uma confusão, porque eu achei que tivesse vindo para cá, o pessoal achou que eu tinha desmontado e a gente fez duas torres de onze metros e prendemos com cabo de aço. 

Eu já tinha feito o Nuvem Cigana. Foi nessa época que a gente conviveu muito lá e como minha família é de músico eu só convivi com músico a vida inteira. Eu só conheci outro artista plástico aos vinte e poucos anos, então eu sou muito musical, toco muita coisa e absorvi muita coisa.

 

P – E o que você acha do disco Clube da Esquina? Você considera um movimento musical? Por que você acha que o disco se transformou uma referência para tantos outros músicos?

 

R – Eu ouvi aquele disco até rachar. Eu não sei dizer, para mim ele foi muito importante musicalmente, de alguma forma era a minha música que eu estava ouvindo, pela amizade, por tudo. Depois nós fomos ter uma ligação profissional, mas antes tinha a ligação afetiva. Foi um disco muito importante mesmo. 

Na época que surgiu, fui assimilando sem um distanciamento e com a minha pouca idade, sem uma consciência do que seria qualquer coisa antes. Absorvi como uma coisa natural. É difícil falar, para mim é difícil fazer uma citação fria, eu tenho uma completa envolvência com todo o trabalho. O Beto, o Lô e o Toninho, por exemplo, é uma coisa muito afetiva para mim até hoje. O Toninho eu conheci em 1969 através do Beto e do Lô, quer dizer, eu conheci várias pessoas através deles, mas acabou que a gente ficou muito amigo também. 

 

P – Você trabalhou em algum disco do Toninho Horta?

 

R – Não, trabalhei nos shows. No primeiro show dele, por exemplo, depois que sumiu o painel do Lô e o Toninho estava a fim de alçar o voo solo dele. Ele falou: “Você faz um painel pra mim?” “Faço.”  A gente ficava entusiasmando um ao outro com capa de disco e eu falava que não estava a fim de virar capista de disco. Inclusive o pessoal da Odeon me ofereceu um apartamento e um bom emprego lá, mas eu não quis na época. Eu não queria fazer capa para Agnaldo Timóteo, eu queria fazer para quem tivesse alguma ligação emocional comigo porque meus sonhos são outros. Eu não tenho sonho de trabalhar em uma multinacional, não tinha nada a ver. 

Aí eu comecei a fazer o painel do Toninho. Liguei pra ele lá da Praça Sete, faltavam uns 45 dias para o show e ele falou: “Vem pra cá agora, por favor.” Ele estava inseguro porque ia ser o primeiro show dele solo com uma banda. Eu fui, ficamos no Planetário da Gávea terminando e montando o painel e ele ensaiando. Ficamos três dias ali, em frente ao Minhocão, o pessoal assistindo e aplaudindo a gente. Ele estava bastante inseguro, o show era Toninho Horta e a Orquestra Fantasma - eu acabei entrando nela depois. 

Nessa temporada que a gente ficou fazendo eu fiz de tudo. Tinha os meus momentos de performance onde eu fazia o que queria visualmente, com o corpo, com os painéis. Fazia grandes cenários, fazia direção cênica, iluminação na mesa, desenhava, era um membro da orquestra. A gente tinha um espetáculo para fazer,  eu fazia a minha parte no show e o pessoal adorava minhas invenções.

 

P – E tem alguma coisa especial que você gosta que aconteceu nesse período que envolva o pessoal do Clube da Esquina que você ache interessante, que você queria deixar aqui e compartilhar com a gente?

 

R – Caso engraçado?

 

P – Pode ser engraçado ou não. Alguma história que você se lembre.

 

R – Eu gostava desses shows do Toninho, que normalmente acabavam quatro e meia da manhã e eu achava a coisa mais legal do mundo. Um lugar com 2.500 pessoas, às quatro e meia da manhã tinha uma galerinha de apenas 50 pessoas e os músicos adorando estar ali. Isso eu achava bacana.

 

P – E onde aconteceu esse show?

 

R – Em todos os lugares. Esse que eu me lembrei agora foi no Circo Voador e lá a gente podia ficar até mais tarde. Minha infância e minha adolescência eu passei muito com o Beto e com o Lô numa ligação maior, e depois passei mais com o Toninho. 

Na infância tem casos: a Dona Maricota e a Dona Terezinha, que era a minha mãe, não gostavam que nós andássemos juntos porque a gente aprontava coisas terríveis. A minha mãe trancava a gente em casa para não sair, a mãe do Lô e do Yé também os trancava em casa e a gente fazia o seguinte: nós no 17º andar e eles no 16º, tinha a janelinha do banheiro e a área da cozinha. Nós passávamos em um voo livre, matava aula todo dia. Meu irmão tinha uma calça com os bolsos grandes, botava as camisas todas da escola lá dentro e a gente ia pra Caetano Furquim nadar, pescar. 

Nós tínhamos um depósito de bombas e foguetes debaixo do prédio do Beto e à noite cada um com uma artilharia, nós fazíamos guerra de foguetes e busca-pé nos apartamentos, parecíamos vândalos. Nós tínhamos mania de escrever os nossos nomes em todos os lugares e escrevíamos também “O Leo vem aí”. É o Flamino, que virou editor de jornal, já que ele era bem intelectual. Essa frase era dele e ele escrevia pela cidade toda. 

Nós fomos os precursores dos grafiteiros de hoje, já que nós escrevíamos nossos nomes nos lugares mais difíceis. Uma vez, o Beto foi colocar uma escada num lugar para escrever o nome dele e a escada caiu, quebrando dois vidros. Antes eu tinha achado um limão e joguei para cima; não era para acertar neles, era para acertar no vidro e acabou fazendo um buraco certinho no vidro. O Beto colocou a escada e a turma ficou do outro lado da rua mandando pedra na janela, o pessoal tocando Asa Branca e quebrando janelas. 

Eram os caras grandes que pagavam o pato, já que eles só queriam saber de briga com cabo de aço e corrente. Eles eram terríveis. Os hippies que acabaram com isso, com o lance de Paz e Amor. 

Uma vez eu, o Beto e o Zé Eduardo fomos num lugar que tinha um pessoal de música, logo depois do festival de 1969. Isso era 1970 ou 1971, e para nós chegarmos em casa foi uma dificuldade porque tivemos que vir a pé e havíamos bebido demais, éramos adolescentes. O Zé Eduardo tinha bebido menos, eu e o Beto estávamos caídos e o pessoal jogando pedra,  passamos por duas turmas.

 

P – Gilberto, falando especificamente desse projeto de memória que está sendo feito de resgate do Clube da Esquina. O que você acha desse projeto, o Museu do Clube da Esquina?

 

R – Isso está solidificando um sonho, abrangendo as coisas e deixando para as próximas gerações, para terem uma base do que realmente aconteceu. O Movimento Clube da Esquina teve a tônica musical, apesar dos poemas do Marcinho, do Ronaldo, do Fernando e do Murilo; para mim, os que mais me influenciaram foram os do Marcinho porque era uma coisa mais de rua, ele falava de uma pessoal mais real como eu era mesmo, como eu sentia na época. Claro que os achados poéticos do Ronaldo e do Fernando sempre achei muito bons. Todos tiveram uma parcela, mas o musical que foi uma coisa evolutiva. 

Tinha também o visual, já que eu me sinto também uma parte disso. Na época de 1960 e 1970, esses painéis que eu fiz hoje eu vejo em vários lugares - não o painel, mais a ideia; uma cidade à noite que eu fiz, hoje tem no Programa do Jô Soares. O que eu fiz que para o Lô era um planeta. A ideia era que o palco fosse um planeta e o fundo um universo. Hoje você pega o Jornal Nacional da Rede Globo, está lá essa ideia dos planetas e o universo em vários planos, e isso não tinha na época. 

Eu fiz uma explanação de uma mulher que são vários planos, várias telas, que de longe é a mesma ideia. Isso não tinha nessa época, essa coisa da cidade à noite. Eu via com o passar dos anos - isso tem 25 anos -, eu vi isso chegando, essa metrópole aflorando visualmente, mas a gente já fazia isso nessa época e já via isso aflorando.  Mas é a parte musical que ficou mesmo, pelo que você vê. 

A coisa do músico... O ser humano musical que tem na música o cerne da vida dele tem uma lógica, um respeito; ele tem uma coisa muito grande e por ser uma coisa coletiva, música é difícil de pensar no plano individual como pintura, por exemplo, [que] é difícil você pensar [como] coletiva.

 

P – Então você acha que esse projeto está resgatando essa coletividade com o Museu Clube da Esquina?

 

R – Eu acho que está fazendo um marco disso mesmo. Muito legal isso das próprias pessoas que estão envolvidas contarem a história e não ver pela ótica de um historiador, anos depois. É muito importante a própria pessoa contar o que viveu, mesmo que não saiba dizer porque tem a energia dela. Um historiador vai dar um tom novo para a coisa, dar um verniz novo que fatalmente aconteceria, mas essa antecipação dá um toque muito mais legal.

 

P – Ótimo, Gilberto. Obrigado, foi muito legal o seu depoimento.



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