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História de: Attilio Geraldo Vivacqua
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Natural de Colatina, município do Espírito Santo, Attilio identificou na profissão do pai, Advogado e presidente da Ordem dos Advogados, os aspectos que não gostava. A escolha pela objetividade o fizeram caminhar para a Engenharia Civil. Entrou no BNDES em 1953, sendo, portanto, praticamente um dos fundadores do banco. Por nomeação entrou no banco, e se manteve por meio de concurso, no qual obteve a maior nota. Com quarenta anos de atuação na instituição, Attilio nos conta da importância da mesma, bem como a do armazenamento de sua memória.

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História completa

P/1- Boa tarde senhor Vivacqua, eu gostaria de começar o nosso depoimento pedindo que o senhor nos forneça o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R- Attilio Geraldo Vivacqua, nascido no Estado do Espírito Santo, no município de Colatina, no dia 9 de janeiro de 1928.

 

P/1- O nome dos seus pais e a profissão?

 

R- Meu pai chamava-se Attilio Vivacqua, ele era advogado e foi presidente da Ordem dos Advogados. Militou na política também, onde exerceu o mandato de Senador da República. Depois que ele faleceu, deram a um município do Estado do Espírito Santo o nome dele, fica próximo à cachoeira do Itapemirim.

 

P/1- Com relação à sua formação, estudou onde?

 

R- Eu estudei no Ginásio São Bento, depois no Colégio Anders e depois ingressei na Escola de Engenharia da Universidade do Brasil na sua antiga sede, no largo São Francisco, me formei em Engenharia Civil.

 

P/1- E por que a opção por Engenharia?

 

R- Vamos dizer que seria uma vocação. Eu sempre gostei de coisas mais objetivas, meu pai sendo advogado, detectei as coisas que me desagradavam na profissão dele e tomei o rumo que eu gostava mais.

 

P/1- E o seu primeiro emprego, onde foi?

 

R- Foi numa firma empreiteira, construtora de estradas, CITOR, Cia. Interestadual de Terraplanagem Obras e Representações. Trabalhei em locação de ferrovias e também nos trabalhos de movimento de terra, esse foi meu primeiro emprego. Depois teve outro na Sociedade Brasileira de Urbanismo, que era uma empresa dedicada a obras públicas, e aí eu trabalhei em diversas obras no setor urbano.

 

P/1- E o seu ingresso no BNDES, como se deu e em que ano foi?

 

R- Eu entrei no BNDES em 1953, um ano depois da sua fundação, e entrei por nomeação, como todos. Sou um dos mais antigos ex funcionários do banco, e eu me considero até um dos fundadores, porque em 1953 o banco estava praticamente sendo fundado, nós entramos por nomeação e depois fomos obrigados a prestar concurso público, muita gente concorrendo, e nesse concurso eu passei em primeiro lugar, não apenas na minha especialização, mas considerando todas as funções, porque eu fui a maior nota do concurso.

 

P/1- Alguma pergunta desse concurso que tenha lhe marcado, alguma pergunta mais difícil, você lembraria disso?

 

R- Não, porque a coisa não era muito de pergunta, era análise de um projeto, onde entrava a parte de conhecimentos técnicos da profissão, um pouco de matemática financeira, contabilidade, então era um exame relativamente amplo, com um grau de dificuldade razoavelmente elevado. Depois, quando eu entrei no banco, as atividades prioritárias no banco eram relacionadas ao setor de energia, transporte e indústrias básicas. Quando eu entrei, o banco tinha encomendado um estudo sobre frigoríficos, contratou três técnicos de alto nível do Ministério da Agricultura e eles elaboraram um programa para a construção de uma rede de matadouros e frigoríficos, e nessa ocasião eu recebi meu primeiro projeto pra analisar, que era um projeto da construção de um matadouro e frigorífico que tinha um nome curioso: Mouran. E quando nós vimos esse nome estranho, pensávamos que se tratava de uma empresa francesa, e falávamos afrancesadamente, frigorífico “Murran”, mas não tinha nada de “Murran”, era Mouran mesmo, de Moura Andrade. Um homem com grande capacidade de realização, pai do Senador Áureo de Moura Andrade, que veio a ser presidente da República − mais adiante acho que eu vou voltar a falar no senhor Moura Andrade, que é uma pessoa muito interessante −... Aí eu, ligado ao setor de refrigeração, acabei recebendo um convite para fazer um curso de especialização na França, ganhei uma bolsa do governo francês, então eu fui para a França, fiz um ano de especialização, no final do curso prestei exames, pesados, algumas provas duraram cinco, seis horas, a gente tinha permissão de levar pra sala queijo, vinho... Claro, estávamos na França. Patê, o que quisesse. Prova longa, pesada. Ao final dos exames eu obtive um diploma de Engenheiro Frigorista, e depois eu recebi uma carta, onde eles me comunicavam que eu tinha concluído o curso entre os primeiros, uma carta me elogiando. Daí pra frente eu fiquei muito ligado ao setor agropecuário, e sempre procurei fazer tentativas no sentido de intensificar  a atuação do banco nesse setor, porque eu sempre achei que a lavoura é a salvação da  pátria, mas não tive grande sucesso nessa tentativa de incrementar o apoio do banco ao setor agropecuário e agro-industrial. Acabado esse programa de frigoríficos, que foi implantado razoavelmente, aí eu passei por diversos outros setores: papel, celulose e depois estradas. Tive uma atuação, que eu considero importante, num programa de financiamento de estradas e sinais. Foi um programa concebido pelo engenheiro doutor Sérgio Assis, que inclusive foi diretor do banco. Esse programa tinha financiamento do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] e era severamente fiscalizado pelo BID, controlava muito a aplicação dos recursos, que ele emprestava para o programa. O programa aplicou todos os recursos do BID e depois se encerrou. Foi de bastante sucesso, nessa ocasião eu era chefe do Departamento de Infraestrutura, depois desse período eu fui nomeado Diretor da FINAME [Agência Especial de Financiamento Industrial], cargo que eu exerci durante vários anos e onde eu encerrei minha carreira no banco.

 

P/1- Senhor Vivacqua, o que é o BNDES para o senhor?

 

R- É um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo, é uma realização exemplar, com uma credibilidade rara nesse país, e que presta enormes serviços para o progresso da pátria.

 

P/1- O senhor entrou como um jovem engenheiro no banco, qual a sua avaliação, tanto do ponto de vista pessoal como profissional, da importância do BNDES?

 

R- Importância inquestionável. Minha vida profissional passou-se praticamente toda dentro do banco, porque antes de entrar eu trabalhei apenas poucos anos na atividade de Engenheiro Civil, e aqui dentro do banco virei mais um analista de projeto do que propriamente um engenheiro, e me aposentei com 30 ou 35 anos de serviço, mas continuei trabalhando por mais alguns anos na Finame, então minha vida aqui dentro da entidade cobre uns 40 anos, mais ou menos.

 

P/1- Pra finalizar, o que achou de ter dado esse pequeno depoimento sobre sua trajetória e de participar do projeto Memória 50 anos do BNDES?

 

R- Eu acho que o Brasil é um país de memória curta, e no momento que se coloca uma entidade importante para preservar a sua memória em meios já modernos, filmes, computador, isso vai contribuir para que as novas gerações venham a beber dessa fonte.

 

P/1- Muito obrigada, senhor Vivacqua. Vamos lá fazer uma foto agora!

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