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História

"Depois de muitos anos, é uma árvore frondosa e bonita"

História de: Nelson Teixeira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/05/2020

Sinopse

Infância na Vila Mariana. São Paulo antiga. Escola e Técnico em Contabilidade. Trabalho desde cedo. Início no Grupo Votorantim. Metalúrgica Atlas. Direção da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Doutor Ermírio Moraes e a contribuição social. Família Moraes. AI-5 e repressão. Empresas do Grupo. Sonhos.

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História completa

P/1 - Charles Silva

P/2 - Marina D’Andrea

R - Nelson Teixeira

 

P/1 – Boa tarde, seu Nelson. A primeira coisa que eu quero te perguntar é o seu nome, o local e a data do seu nascimento.

 

R - Nelson Teixeira, nascido em São Paulo, capital, dia 13 de dezembro de 1927.

 

P/1 – Seu Nelson, como se chamavam os seus pais?

 

R – Sebastião Maria Teixeira, natural de Portugal e Maria de Jesus Teixeira, também natural de Portugal.

 

P/1 – Quando eles chegaram ao Brasil, o senhor sabe?

 

R – Eu não sei a data, mas eles eram muito pequenos, quase bebês. Vieram para cá para terras novas, para aventuras novas.

 

P/1 – Onde vocês moravam?

 

R – Eu sempre morei na vila Mariana, em São Paulo, na capital.

 

P/1 – Como era a Vila Mariana?

 

R – É muito diferente de hoje, era completamente desabitada, ou seja, não se pode fazer ou imaginar o que era a Vila Mariana na época, naquela ocasião. Hoje já é uma cidade, mas naquela época era completamente despovoada.

 

P/1 – Mas o senhor se lembra de alguma coisa que te chamava atenção naquela época?

 

R – Me chamava a atenção que os bondes passavam pelo meio das ruas, os bondes paravam, as pessoas desciam, tinha uma tranquilidade, coisa que hoje não existe mais. A cidade era muito mais romântica.

 

P/1 – Como era o cotidiano na casa do senhor?

 

R – Era uma casa absolutamente normal, nós éramos de uma família muito humilde, de pessoas trabalhadoras, honestas, corretas, mas muito humilde. Era uma vida de família normal, não tem nada de especial.

 

P/1 – O pai do senhor trabalhava com o quê?

 

R – O meu pai tinha um armazém de secos e molhados na Vila Mariana mesmo.

 

P/1 – O senhor chegou a trabalhar com ele ou não?

 

R – Ah, sim, desde os dez anos, eu trabalhava, até os catorze anos. Eu ficava junto e era companheiro do meu pai e trabalhava no armazém, sempre tive que trabalhar.

 

P/1 – Esse armazém era muito frequentado? O que o seu pai vendia?

 

R - Não era muito frequentado, não. Naquela época, a população era muito escassa e as pessoas não tinham os recursos que têm hoje, era uma vida... Muitos poucos clientes.

 

P/1 – O pai do senhor vendia tudo?

 

R – Tudo, eu sempre trabalhava com arroz, feijão, bebidas. Secos e Molhados.

 

P/1 – Quais eram as brincadeiras preferidas do senhor?

 

R – Eu tinha uma vida absolutamente normal, como todas as crianças daquela ocasião, na qual nós não tínhamos os recursos tecnológicos que nós temos hoje, de televisão, de vídeo e de outras coisas, mas tínhamos por outro lado uma segurança, uma tranquilidade. Nós podíamos brincar nas ruas, jogávamos futebol na rua, empinávamos papagaio. Era uma vida absolutamente normal, e que graças a Deus nós não tínhamos o que temos hoje, que é a falta de segurança e tranquilidade. Eu só vim conhecer drogas, conhecer não, tomar conhecimento que tinham drogas muitos anos na frente e já era casado. Imagina, naquela ocasião, os pais soltavam seus filhos, eles iam às escolas, tudo sem nenhum perigo e levava-se uma vida muito mais simples, mas muito mais feliz do que hoje.

 

P/1 – O senhor gostava de futebol?

 

R – Ah, sim, jogava e era descalço. (risos) O dedão estava sempre machucado.

 

P/1 – O senhor torcia para que time?

 

R – Eu sempre, como eu estava falando que como meu pai tinha um armazém, era de um Banco Sudameris e tinha uma população que eram todas [de famílias] italianas e eu adotei, embora sendo filho de imigrantes portugueses, eu fui sempre palmeirense - infelizmente, hoje estamos na segunda divisão. (risos)

 

P/1 – O senhor ia assistir os jogos do Palmeiras?

 

R – Raramente a gente poderia. Naquela época, não tinha os recursos que tenho hoje, as facilidades que tenho hoje, nem pelo rádio a gente ouvia, sabe? Só se tomava conhecimento pelo futebol pelos jornais do dia seguinte.

 

P/1 – O senhor tocou na questão da escola. Como que foi o período escolar? O que o senhor se lembra? Com quantos anos o senhor foi à escola?

 

R – Olha, eu fui à escola Grupo Escolar Marechal Floriano, na Vila Mariana, com sete anos de idade, me formei. E depois, posteriormente, eu fui estudar na Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) - que naquela ocasião era a melhor escola de comércio que tinha, mas era só no período noturno. Assim, tão logo que me formei no curso primário, eu entrei imediatamente lá na Álvares Penteado.

 

P/1 – O senhor se lembra como que era o cotidiano da sua escola? As relações humanas?

 

R – Olha, as relações humanas, naquela ocasião, eram muito diferentes das de hoje, como eu já lhe falei. O mundo era muito mais romântico, não era tão agressivo, tão selvagem como é hoje em dia. E tive nas escolas... Só para o senhor ter uma ideia, durante os quatro anos que eu estive no grupo escolar, nós nunca tivemos uma greve - não sabíamos o que era greve -, os professores não faltavam e se tinha um curso absolutamente normal. Eram diferentes, as escolas. E, depois, também na Álvares Penteado, eu era, tinha somente 14 anos e todos os alunos da minha classe eram quase todos homens casados, já formados. E tive isso, talvez tenha sido até muito bom para mim, porque tive uma boa formação de escolaridade porque as pessoas que estudavam realmente, estudavam por necessidade, não somente para ter cultura, não. Era por necessidade. E tinham colegas muito mais velhos e tive que conviver com eles e foi muito bom para mim.

 

P/2 – Era no Largo São Francisco?

 

R – No Largo São Francisco, era em frente à Faculdade de Direito de São Paulo.

 

P/2 – E o senhor tem algum caso para contar dessa época?

 

R – Olha, não tenho não. A senhora vai me desculpar, eu não me recordo de nenhum fato que tenha acontecido. Naquela época, a política era muito mais calma do que era hoje, nós não tínhamos agitações. Não me recordo de nenhum fato histórico e que possa me lembrar não.

 

P/1 – Senhor Nelson, nesse período da infância, o que o senhor guarda? O que o senhor mais se lembra? Qual a memória que o senhor guarda?

 

R – Olha, embora eu tenha tido uma infância absolutamente normal, mas como eu já falei anteriormente, já tive que começar a trabalhar, não por prazer, mas por necessidade, aos 10 anos, e não me recordo assim. Embora tenha sido uma infância que eu considero extremamente feliz, mas foi sempre de trabalho, de coisas. Eu me recordo muito dos meus colegas, meus amigos, que até hoje eu os conservo, até hoje nós nos reunimos, nos conhecemos. A melhor coisa que eu tenho da minha infância é isso, a lembrança do passado.

 

P/1 – E a juventude, como que era? O senhor trabalhava, estudava, mas tinha algum momento de diversão?

 

R – É lógico que todos nós temos momentos de diversão, mas eu vou lhe contar o seguinte: eu comecei a trabalhar, entrei na Votorantim, eu tinha catorze anos de idade. E trabalhava durante o dia, entrava às 8 horas da manhã e saía às 6 horas [da tarde], saía, comia um lanche, entrava na Álvares Penteado às 7 horas [da noite], saía às 11 horas da noite; e para chegar em casa, geralmente, a gente chegava meia noite - era a hora que eu ia jantar. E no dia seguinte já tinha que acordar às 6 horas, que... Quer dizer que os momentos de lazer, eles eram, eles não foram assim, não sobrava muito tempo para lazeres e passeios. E mesmo naquela ocasião, não era como hoje - naquela ocasião, nós trabalhávamos aos sábados, todo sábado até o meio dia. E depois do meio dia, ainda tínhamos que ir para o fechamento e a correspondência, e íamos geralmente [para casa] às 2 horas da tarde do sábado. Só sobrava os domingos. Domingo a gente tinha que fazer, recordar um pouco as lições, fazer um pouco as lições de casa, estudar um pouco, de modo que sobrava pouco tempo para lazer. É delicado, mas eu me considero um homem feliz, não me arrependo por isso, não.

 

P/1 – E como é que o senhor conheceu a esposa?

 

R – Nós morávamos no mesmo prédio na Vila Mariana. Foi um amor à primeira vista: nos conhecemos, nos olhamos, começamos a conversar e nisto, ela tinha somente 14 anos [e] eu já tinha 20 anos de idade, era bem mais velho. (risos) Mas foi amor à primeira vista e para felicidade minha, como sempre, eu sou muito, mais ou menos, um camarada conservadorista, foi a primeira namorada, minha esposa. Já fizemos 50 anos de casados, graças a Deus, e com muita felicidade.

 

P/1 – Quantos filhos o senhor tem?

 

R – Cinco filhos.

 

P/1 - E hoje, algum deles seguiu a carreira do senhor?

 

R - Não, eles não seguiram, não. É difícil a gente seguir a carreira, mas eles todos se formaram, estão trabalhando todos, graças a Deus, excelentes filhos. E é difícil, parece ser um pai coruja, mas meus filhos não fumam, não bebem, não jogam. (risos) Embora não sejam perfeitos.

 

P/1 – E os netos?

 

R – Ah, eu tenho três netos. São a razão da minha vida.

 

P/2 – O senhor começou com 14 anos a trabalhar na Votorantim. Então, como foi essa experiência?

 

R – Olha, esse aqui foi o seguinte: eu, tinha um ex-funcionário da Votorantim que trabalhava na rua de casa - como eu falei à senhora, a escola era no período noturno - e eu sempre tive muita ambição, eu perguntei ao senhor Vicente Nogueira se ele podia me arrumar um lugar lá na Votorantim. Ele me apresentou na Votorantim, no dia seguinte, já fui admitido como "office boy" - isso aqui foi no dia 6 de maio de 1942.

 

P/2 – Em que lugar você entrou?

 

R – Na Rua XV de Novembro, 317, onde era a sede da Votorantim.

 

P/2 – E o senhor ficou lá até que ano?

 

R – Não, aí depois foi o seguinte: eu entrei em 1942, [e] até 1947, eu passei por diversos departamentos. Em 1947, eu estava na contabilidade e fui convidado para ir a Metalúrgica Atlas para ser o contador da Metalúrgica Atlas, cargo que eu aceitei.

 

P/2 – O senhor já estava formado?

 

R – Já estava formado, um ano antes eu me formei, sabe, fui para lá então como contador.

 

P/2 - E o senhor conta, por favor, a história da Atlas? Como que era a Atlas nessa época?

 

R – Olha, a Atlas, naquela ocasião, em 1947, era uma simples oficina mecânica instalada na Rua 25 de Janeiro, aqui no bairro da Luz e era, literalmente, um barracão. E foi ali que começou a indústria metalúrgica, a Metalúrgica Atlas. Nessa ocasião, dois anos depois, entrou o Dr. Antônio Ermírio de Moraes e começou a trabalhar juntamente conosco na Atlas e aí a Atlas começou a ter um desenvolvimento extremamente grande, construindo as suas próprias oficinas no bairro do Jaguaré, onde hoje é considerado uma grande fábrica de equipamentos, talvez uma das melhores e mais modernas do país. Naquela ocasião, dado a vontade do Dr. Antônio Ermírio de Moraes de trabalhar, nós construímos paralelamente à parte industrial, fizemos a parte comercial com lojas de materiais de construção em diversos estados do Brasil, tendo então a Atlas um desenvolvimento extremamente grande. E ainda hoje, ela é uma grande empresa.

 

P/2 – O senhor ficou lá até quando?

 

R – Eu fiquei até 1965, quando o Dr. Antônio Ermírio de Moraes me convidou para ser diretor na Companhia Brasileira de Alumínio. Nessa ocasião, eu fui para lá como diretor, cargo que já faz 38 anos que ainda ocupo, o mesmo cargo e na mesma companhia.

 

P/2 – Só voltando um pouquinho. Lá na Atlas, aconteceu alguma coisa interessante, alguma coisa que o senhor possa contar, um caso diferente, alguma coisa exótica?

 

R – O exotismo da Metalúrgica Atlas é o seguinte: era, literalmente, uma oficina mecânica muito pequena e dado a colaboração de todos os funcionários, nós conseguimos com harmonia transformar, juntamente com o Dr. Antônio Ermírio de Moraes, [em] uma grande empresa. Fatos pitorescos não tem, inicialmente, [não] são tão grandes que, me desculpe, mas não me recordo nenhum que eu posso citar agora.

 

P/1 – Seu Nelson, eu gostaria de voltar um pouquinho atrás. O que fazia um "office boy", em 42, na Votorantim? Como era esse trabalho?

 

R – Ah, em 42, na Votorantim, eu entrava de manhã - a obrigação que tinha era preparar as cartas, pegar as correspondências, fazer o itinerário e entregar todas as correspondências na cidade. Depois, a gente voltava, fazia os fechamentos, atendia à distribuição interna de correspondência. Enfim, era um serviço extremamente simples.

 

P/1 – O senhor ficou nesse serviço até...?

 

R – Eu fiquei nesse serviço mais uns três ou quatro anos, não só como "office boy" interno, nas diversas seções. Eu participei na seção de abastecimento, na seção de compra [e] "office boy" na diretoria, atendendo o Dr. Moraes até que, depois, eu fui pedir a transferência para o Departamento de Contabilidade da Votorantim.

 

P/2 – Como era o Dr. Moraes?

 

R – A senhora fez uma pergunta que para mim toca o coração. O Dr. Moraes foi o homem mais extraordinário que eu conheci. O Dr. Moraes era um homem voluntarioso, inteligente, competente, trabalhador, humilde - era o que se pode chamar de um homem quase perfeito. Para mim, pelo menos, o livro de cabeceira da minha vida, até hoje, é o que foi o Dr. Moraes.

 

P/2 – E o trato com ele?

 

R – O trato do Dr. Moraes, era um homem extremamente simpático, enérgico, mas humano, terrivelmente humano. Era um homem extraordinário sobre todos aspectos, sobre todas as coisas, entendia as pessoas. Além de tudo, o Dr. Moraes trabalhava de uma forma violenta, era um homem trabalhador, entrava de manhã nas suas atividades e sempre encontrava um tempo para fazer atendimentos a outras coisas, afora a Votorantim, sabe? Imagina, observa o seguinte: naquela ocasião, não tinha a colaboração dos seus filhos, era sozinho, juntamente com os demais da equipe - e é lógico, evidente -, mas o Dr. Moraes, além de todas atividades comerciais, industriais que ele tinha, dedicava um tempo enorme para instituições. Por exemplo, posso me lembrar da Beneficência Portuguesa, onde ele foi presidente e já lançou o primeiro bloco do hospital na Rua Martiniano de Carvalho.

 

P/1 – O senhor lembra em que ano?

 

R – Eu não posso lhe (precisar?) o ano em que foi isso, mas já faz muitos anos. Na ocasião, ele comprou também o Colégio Rio Branco e fez uma fundação do Colégio, onde está até hoje sendo administrado pelo Rotary Club. Trabalhou na reconstrução das torres da Catedral de São Paulo, no hospital de maternidade São Paulo - que lamentável hoje, um prédio com mais de 10 andares [que] está completamente fechado e abandonado.

 

P/2 – Ele atuou na construção desses prédios?

 

R – Sim, senhora, na construção. Dr. Moraes era um homem que...

 

P/2 – Hospital Maternidade São Paulo?

 

R - Sim, senhora, na Rua Frei Caneca.

 

P/2 – Ele reformou?

 

R – Não, senhora, foi a construção. O início da construção foi feita, era uma pequena maternidade, na frente da Rua Frei Caneca e ele construiu aquele prédio que está até hoje lá ao lado.

 

P/2 – Não sabia.

 

R – Foi o Dr. Moraes, e uma centena de outras obras. Eu não sei onde que ele encontrava tanto tempo, porquê era um homem extremamente, embora enérgico e tudo, organizado.

 

P/1 – Senhor Nelson, o senhor foi trabalhar extremamente jovem na Votorantim e [já] começou a trabalhar ali próximo da diretoria.

 

R – Está certo.

 

P/1 – O senhor já tinha dimensão de que o Grupo Votorantim teria essa força? Já tinha dimensão da força do Dr. Ermírio de Moraes na vida do senhor?

 

R – De jeito nenhum. Quando eu entrei na Votorantim, não tinha o conhecimento da vida nenhuma. O que é que o senhor pode esperar de uma criança de 14 anos? Mas ao começar lá, eu tive conhecimento do Dr. Moraes, a sua estampa, a sua fisionomia, [e] foi uma admiração profunda. E procurei, naquela ocasião, gostaria sempre, não de ser o que ele era, mas uma imagem daquilo - pela sua postura, pela sua delicadeza, essa coisa -, sempre procurei seguir os seus passos.

 

P/2 - Como ele tratava o senhor que era um menino?

 

R – Ah... (risos) Embora menino, ele sempre me apreciou muito e, para mim, foi um segundo pai. E eu me recordo uma vez, eu era "office boy" do 7º andar, com o Dr. Moraes, eu trabalhava, ele atendeu uma pessoa e quando essa pessoa saiu, ele levou até o elevador e ele desceu. Assim que fechou a porta do elevador, ele: “Puxa vida, eu precisava falar com ele”. E eu não falei nada. Desci as escadas e falei, voltei com a pessoa. Depois que a pessoa saiu, ele naturalmente falou: “Como é que você teve tempo de descer pelas escadas 7 andares e ainda pegar o homem lá embaixo e trazer ele aqui em cima?” Eu falei: “Eu não sei, Dr. Moraes”. E aí sempre foi um relacionamento quase que fraterno. Eu me emociono quando falo do Dr. Moraes.

 

P/1 - O senhor chegou a conhecer também o comendador Pereira Ignácio?

 

R – Eu tive a felicidade, talvez, [sou] uma das poucas pessoas, atualmente, que teve a oportunidade de trabalhar com as quatro gerações. A primeira foi com o comendador Antonio Pereira Ignácio, do qual eu fui "office boy"; a segunda geração, considerado o saudoso Dr. José Ermírio de Moraes; posteriormente, com os seus filhos, o Dr. José, Antônio, Ermírio, e o seu genro, Clóvis Scripilitti; atualmente, com os seus filhos e netos - que estamos trabalhando em harmonia. Quer dizer, é uma felicidade para uma pessoa que entrou no seu primeiro emprego e teve a felicidade de em 62 anos de trabalho, trabalhar com as quatro gerações da Votorantim.

 

P/2 – Voltando um pouco, o Dr. Pereira Ignácio, como ele era no trato?

 

R – Ah, ele era um homem extremamente simples, simplório, muito simples, extremamente, como toda a família dos outros, extremamente humilde e com um tratamento cordial com os outros. Não distinguia o rico do pobre, tratava todos com a mesma delicadeza, com a mesma postura.

 

P/2 - Considerando a família como um todo, já que o senhor já está como um dos chamados primos...

 

R – (risos)

 

P/2 - Como que o senhor traçaria um perfil comum a todos eles?

 

R – É difícil, em pouco tempo, a gente descrever, a senhora me faz uma pergunta difícil. Nesse tempo todo, que eu tenho 62 anos, eu tive um contato muito grande primeiramente com o Dr. Moraes e depois, de 1949 até agora, já faz 54 anos, eu sempre tive um contato extremamente direto com o Dr. Antônio Ermírio de Moraes, de modo que não se pode distingui-los, até parece que são clones. Todos eles trabalham, são todos ligados, tão humanos e a humanidade deles não se refere somente por coisas, não. E não é comigo só, não, é com todos os funcionários dele, desde o mais humilde aos mais graduados, o tratamento é sempre o mesmo, não há diferenciamento.

 

P/2 – Além de clone, o senhor disse que eles são muito parecidos.

 

R – Não, muito parecidos não são, não. (risos) São parecidos na forma de tratamento, todos eles são, até parece mentira. Essa nova geração que estão vindo aí são de pessoas extremamente humildes e que atendem a todos, não tem, tratam com tanta fidalguia que é até difícil a gente falar qualquer coisa.

 

P/1 – Senhor Nelson, como foi esse encontro com o Dr. Antônio, em 49? Como o senhor foi apresentado, se lembra da ocasião?

 

R – Ah, lembro perfeitamente. Foi no mês de agosto, num domingo de manhã. Eu estava trabalhando no escritório quando apareceu lá na nossa sala o Dr. Moraes, juntamente com o seu filho. Aí o Dr. Moraes falou: “Olha, Nelson, quero te apresentar o meu filho Antônio Ermírio, formou-se nos Estados Unidos, e a partir de agora ele vai ficar trabalhando juntamente com vocês, colaborando com vocês aqui”. Isso já faz 54 anos e, graças a Deus, até hoje estamos trabalhando juntos, ininterruptamente.

 

P/2 – Aí eu acho importante perguntar. Então ele não chegou, foi apresentado ao senhor: “Este é o meu filho”. Como que esse filho começou se comportando, assim, tão jovenzinho, recém chegado?

 

R – Bom... Mas nós tínhamos a mesma idade - o Dr. Antônio tem 6 meses a menos do que eu. Nós éramos jovens, eu tinha 21 ou 22 anos.

 

P/2 – Mas eu me refiro, assim, a ser um jovenzinho como o capitão da empresa, com a mesma idade do senhor.

 

R – Nunca houve um diferenciamento, nós sempre nos tratamos, o senhor Antônio foi sempre... Embora, naquela ocasião, ele era muito diferente de hoje. Hoje, o Dr. Antônio é um homem mais calmo, mais sereno. Naquela ocasião, era um homem impetuoso, enérgico, mas sempre nos demos extremamente bem porque nós tínhamos muita afinidade de pensamento, de ideias, de vontade de crescer e de se desenvolver, de modo que foi um relacionamento extremamente normal, como é até hoje, graças a Deus.

 

P/2 – Quer dizer, o que pautava tudo isso era o espírito corporativista de pôr a empresa para frente?

 

R – Isso. Exatamente.

 

P/2 - Era um denominador comum?

 

R – Perfeitamente.

 

P/1 – Dr. Nelson, e o senhor José Filho? O senhor chegou a trabalhar com ele?

 

R – Não... É lógico, nós trabalhávamos intimamente, ligados e tudo, mas o José Filho tinha as atividades da indústria de cimento e outras indústrias da qual ele tomava conta, e eu estava com o Dr. Antônio Ermírio de Moraes na parte de metalúrgica. Mas tínhamos contatos permanentes, porque a Metalúrgica Atlas, na ocasião, também era grande compradora de cimento da Votorantim e tínhamos contatos permanentes. Eles sempre, todos eles eram muito amigáveis.

 

P/1 - E com o Dr. José, houve uma apresentação também?

 

R – Não, o conhecimento foi normal de trabalho. Nós trabalhávamos com um andar de diferença, a gente sempre se encontrava e foi normal, foi um pouco diferente do caso do Dr. Antônio.

 

P/1 – Certo. Em 49, o senhor conhece o Dr. Antônio, e aí o senhor já está na metalurgia?

 

R - Já estava há dois anos na Metalúrgica Atlas como chefe de escritório.

 

P/1 – E aí o senhor ficou na Metalúrgica Atlas até quando?

 

R – Eu permaneci como chefe na Metalúrgica Atlas como diretor até o ano de 1965.

 

P/1 - Como que foi essa trajetória dentro da Metalúrgica Atlas?

 

R – Ah, foi aquilo que eu já tive oportunidade de falar, foi de uma simples oficina mecânica a uma das maiores indústrias de fabricantes de máquinas que temos hoje no Brasil, inclusive, com uma grande extensão de redes de materiais de construções. O que parece ver-se aqui é que foi feito tudo com muita facilidade. Não, isso é um ledo engano, nós trabalhávamos e tínhamos que fazer os recursos próprios para fazer a criação do parque industrial que foi feito. Não veio nada de graça, foi tudo feito com lágrima, esforço e muito sacrifício.

 

P/1 – Para o senhor, qual foi o momento mais difícil para o Grupo Votorantim que acabou sendo também um momento difícil para o senhor?

 

R – Olha, você fez uma boa pergunta. Eu posso lhe responder que o momento mais difícil que eu passei na Votorantim foi no ano de 1954. Era um domingo à noite, assistindo à Televisão Tupi, e que a programação foi interrompida com um anúncio de que seria dado uma mensagem do diretor da rede. Para minha surpresa foi deflagrada a mais torpe [repulsiva] e mais infame de todas as campanhas que tem, quando o jornalista Assis Chateaubriand declarou que a Votorantim estava à beira da falência. Posso afirmar para o senhor que talvez tenha sido uma das piores noites da minha vida, porque eu sabia que no dia seguinte teria uma repercussão muito grande daquelas palavras, daquelas mensagens. Mas, para minha surpresa, no dia seguinte, foi uma das maiores emoções da minha vida porque eu, em vez de ter ligações ou questionamentos, nós tivemos a solidariedade de toda a comunidade, dos nossos clientes, dos nossos fornecedores, dos banqueiros. Hipotecaram toda a solidariedade a nós e [estavam] dispostos a darem colaboração, iindignados com uma campanha tão torpe como aquela que tinha sido lançada na noite anterior.

 

P/2 – Mas o que havia de fundo de verdade nessa notícia?

 

R – Absolutamente nenhuma. É uma perseguição.

 

P/2 – Não tinha nenhuma?

 

R – Nenhuma, absolutamente nenhuma.

 

P/2 - Pois é, aí certamente o Grupo ou a família discutiu muito essa atitude do Chateaubriand. Por que ele teria feito isso?

 

R – Olha, eu não posso lhe afiançar com toda a segurança. A citação foi recebida pelo Dr. Moraes e pelos seus filhos com tanta tranquilidade, que eles sabiam perfeitamente que aquele era um ato tão indigno, de que a colaboração que veio de todos e a solidariedade. Não teve, não senti naquela ocasião e não me recordo com sinceridade quais foram os motivos ou a razão. Era que o Assis Chateaubriand era, como todos conhecem, um homem terrível, um chantagista. (risos) Com o perdão da palavra.

 

P/2 – Mas isso aí teria merecido muitas análises.

 

R – Ah, sem dúvida nenhuma, foi um prato cheio, na ocasião, mas eu acho que parece que o tiro saiu pela culatra. Lamentavelmente, o Assis Chateaubriand, como todos conhecem, foi um homem que teve um fim extremamente trágico da sua doença, tudo isso e aquilo, e segundo me relatou o Dr. Antônio Ermírio de Moraes, o Assis Chateaubriand quando estava prestes a morrer, pediu, chamou o Dr. Moraes e pediu perdão pelo ato indigno que ele tinha praticado.

 

P/2 – Foi isso, aconteceu historicamente?

 

R – Historicamente.

 

P/2 – Mas afinal, no dia seguinte, a repercussão foi que todos prestaram solidariedade e se ofereceram a financiar ajuda?

 

R – Eu não digo financiar, a palavra é o seguinte: "Olha, as nossas portas estão abertas para vocês, continuem a trabalhar normalmente como vocês fizeram até agora." Não há razão absolutamente nenhuma para que eles tenham feito o que fizeram. E isso aqui foi a maior lição da minha vida, que eu tive, que serviu para me mostrar que quando a gente trabalha com honestidade, com dignidade, com transparência, tudo isso é resolvido. Dr. Moraes e a família Moraes são extremamente sérios e levam com tanta seriedade as suas atividades que não teve repercussão maior nenhuma. Ao contrário, acredito que tenha sido até um estímulo para se crescer mais rapidamente.

 

P/1 – No período, o Assis Chateaubriand não veio a público pedir desculpas?

 

R – Não, de jeito nenhum. Isso teve uma repercussão pela imprensa durante muito tempo. Ele somente veio a se desculpar, pelo que eu soube, pelo Dr. Antônio, foi quando estava no fim da sua vida, que ele pediu perdão.

 

P/2 – Engraçado, o que será que esse homem, o que deu na sua cabeça?

 

R – Não, não deu, não; esse homem era terrível. Quem conhece a história do Assis Chateaubriand, sabe que isso aqui não foi novidade na vida dele, não. Ele vivia disso aqui. Eu não posso te dizer isso... (risos)

 

P/1 – Dr. Nelson, como foi o convite para o senhor assumir a diretoria da CBA?

 

R – Foi absolutamente normal. Eu já conhecia o Dr. Antônio, nós já nos conhecíamos desde 1949, 1965. Ele passou na rua e falou: “Nelson, passa no escritório daqui a pouco que eu preciso conversar com você”. Eu subi, ele falou: “Olha, Nelson, eu queria fazer um convite para você. Dois diretores da companhia pediram demissão, vão tratar da sua vida, e eu gostaria de convidar você para fazer parte da diretoria da Companhia Brasileira de Alumínio”. Eu falei: “Olha, Dr. Antônio, o senhor vai me desculpar, eu não sei se tenho ou não capacidade para isso, que a CBA eu tenho certeza que terá um destino brilhante, muito grande, e não me sinto preparado para isso”. E ele me retrucou: “Você tem confiança em mim?” Eu falei: “Tenho”. “Ele falou: “Se o senhor tem confiança em mim e eu tenho em você, assuma, ponto final”. E foi assim, esse foi o convite.

 

P/2 – Ele punha as coisas tão simplesmente?

 

R – Eu não sei, nós tínhamos uma afinidade tão grande... O Dr. Antônio é um homem extraordinário, sobre todos os aspectos, sobre todos os pontos de vista, sobre a sua inteligência, capacidade, vontade de trabalhar, sua visão, sobre tudo - e, principalmente, sobre o seu lado humano. Poucas pessoas conhecem quem é o Dr. Antônio sobre o ponto de vista humano, porque ele faz os trabalhos e não divulga, não aparece. Eu tive, juntamente com o Dr. Antônio, nós tivemos, ele me convidou e eu fui diretor durante muitos anos juntamente com ele na Cruz Vermelha Brasileira, como diretor tesoureiro. E agora, recentemente, há uns três anos, o Dr. Antônio também me convidou para fazer parte da Beneficência Portuguesa, onde nós estamos construindo mais um bloco hospitalar. Dr. Antônio foi um homem que fez, trabalha há 35 anos como presidente da Beneficência Portuguesa, construiu o hospital da Cruz Verde na Vila Mariana, na Rua Borges Lagoa. É diretor de uma série de instituições - a Cruz Vermelha Brasileira, como eu falei para a senhora. É um homem extraordinário. Está toda hora fazendo benemerências e prestando - não faz divulgação disso, ele faz por prazer.

 

P/2 - Olha, só para um esclarecimento pessoal, então a Cruz Verde, o Colégio Rio Branco[e] a Beneficência são obras onde ele atua ou são obras onde ele investiu?

 

R – Não, o Dr. Antônio não é um homem de investir, ele é um homem de participar. O Dr. Antônio sempre fala e costuma dizer que o importante não é pôr a mão na carteira, tirar e fazer um cheque, dar um dinheiro - qualquer pessoa de posse pode fazer isso - o importante é prestar serviço, é estar junto com a comunidade.

 

P/2 – Então é assim que ele atua? 

 

R - Em todas elas, na Cruz Vermelha e na Beneficência Portuguesa, ele atua de forma, talvez trabalha até mais para a Beneficência Portuguesa do que pelas suas próprias indústrias. Ele tem conhecimento de tudo que se passa na Beneficência Portuguesa, de tudo, assina todos os cheques, sabe e conversa de todas as atividades.

 

P/2 – Quem é a mantenedora da Beneficência?

 

R – Ah, não, a Beneficência é um hospital que tem 1600 leitos, ela tem convênios, ela tem Consus, ela tem...

 

P/2 – Ela se autofinancia?

 

R – Ah sim, ela se autofinancia, evidente.

 

P/2 – E como funciona?

 

R – O prédio, como eu falei para senhora, a Beneficência Portuguesa já tem mais de 100 anos e ela, primeiramente, aqui em São Paulo, ela está na Brigadeiro Tobias e depois, foi iniciado o prédio na Rua Maestro Cardim, e esse prédio foi construído. Naquela ocasião, o presidente era o Dr. Moraes, os outros queriam parar - o prédio tem 10 andares - no 6° andar e o Dr. Moraes não permitiu.

 

P/2 – E os investimentos?

 

R - Os investimentos são aqueles que eu falei para senhora, os hospitais também têm verbas próprias de serviços que eles prestam.

 

P/2 – E ele não contribui com...? 

 

R – Lógico que contribui, mas eu não vou dizer com o que ele contribui porque se ele mantém o anonimato, não sou nem eu que vou falar. Mas é evidente que ele é benemérito, que ele faz contribuições lá.

 

P/2 – Mas o anonimato, uma vez que todo mundo sabe que aquele hospital é dos Ermírio de Moraes?

 

R – Tem uns outros diretores também, mas, na realidade, o Dr. Antônio sacrifica os seus prazeres, ele vai aos domingos para a Beneficência Portuguesa, chega às 8 horas, sai 1, 2 horas da tarde e, ao invés de sair com alegria e satisfação, geralmente vêm pessoas de fora para fazer reclamações e não agradecimento, mas ele não liga para isso, é um homem que é superior a tudo isso aqui, ele sabe que tem alguém lá em cima que está olhando por esse aqui. Não quer o julgamento dos homens, não.

 

P/1 – Doutor Nelson, como foi para o senhor enquanto experiência pessoal [de] desenvolver o trabalho na Cruz Vermelha Brasileira [e] na Beneficência Portuguesa?

 

R – Olha, é muito dignificante para gente. Eu acho que não devemos só viver atrás de questões financeiras, que todo homem tem a obrigação de prestar algum coisa, dar alguma coisa de si em benefício dos outros. Na Cruz Vermelha Brasileira, quando fui diretor tesoureiro, eu me recordo perfeitamente que eu ia todos sábados à tarde na Beneficência fazer a contabilidade pessoalmente e aos domingos de manhã, também. Posteriormente, não houve essa continuidade de pessoas. Fizeram uma estrutura muito grande que não deu resultados, tanto é que grande parte do hospital está fechado hoje. E na Beneficência Portuguesa, também, agora, eu procuro dar um pouco de humildade no trabalho, e o Dr. Antônio me deu a atribuição de construir o novo bloco do hospital e nós teremos um prédio com 10 andares que já está todo ele construído, em fase de acabamento, e terão mais 75 leitos, cirurgias e tudo isso. E isso aqui para mim é uma distração. Quando estou fora das horas de serviço - não faço nas horas de trabalho -, eu vou para lá aos sábados, aos domingos, para visitar a obra e acompanhar "pari passu" [no mesmo ritmo, passo]. As minhas obrigações não deixo para os outros, não, acompanho, junto com meus colegas lá da administração, a construção do hospital.

 

P/2 – Agora, voltando a CBA: o senhor assume a diretoria. Como é que foi o desenvolvimento do seu trabalho?

 

R – O meu trabalho lá é muito humilde. A minha grande força propulsora, é lógico que é o Dr. Antônio Ermírio de Moraes e uma equipe - que um homem não faz tudo sozinho. Mas o grande propulsor, o grande capitão é o Dr. Antônio Ermírio de Moraes. E, naquela ocasião, em 1965, quando fui para Companhia Brasileira de Alumínio, nós produzíamos 11 mil toneladas de alumínio por ano e alumínio de má qualidade. Hoje, 2003, nós já estamos produzindo 340 mil toneladas de alumínio por ano, com 60% de energia própria gerada em nove usinas próprias e treze com associações. Temos um parque de transformação plástica do alumínio, na produção de laminados, folha de alumínio, perfis, cabos. Enfim, temos um parque industrial que hoje, a CBA é considerada em uma só unidade, como uma só unidade do mundo, como o maior empreendimento mundial. Não tem nenhum outro que se compara - não em produção, é lógico que têm fábricas hoje muito maiores, mas com um complexo numa só unidade, é a maior do mundo.

 

P/2 – Como que se deu essa evolução para um produto melhor?

 

R – Ah, isso era um trabalho diuturno [longo] que são feitos "pari passu" de 1900. A CBA foi fundada em 1941 e desde aquela ocasião, ela nunca parou, vem sempre num crescente. E, ultimamente, nós sabemos que não adianta só produzir, tem que ter produtos e qualidades de produtos, temos sempre que investir e acredito que por muitos e muitos anos a CBA continuará crescendo - mesmo porque o Dr. Antônio já está com um programa, estamos terminando agora 340 mil toneladas [por] ano e o Dr. Antônio já está iniciando mais uma nova expansão para 385 mil toneladas [por] ano que já tem uma data de cronograma estipulada para dezembro de 2005. E já tem na sua cabeça, na cabeça dele, naturalmente, já uma expansão para 500 mil toneladas [por] ano, no mesmo local.

 

P/2 – Quer dizer, vem vindo com a tecnologia, informatização, essas coisas?

 

R – Ah, vem desenvolvendo juntamente com a tecnologia, porque a tecnologia evolui todo dia, e a CBA nunca perdeu a oportunidade de acompanhar a tecnologia moderna dos novos desenvolvimentos, dos novos produtos.

 

P/1 – Dr. Nelson, voltando um pouco à questão da relação de amizade que o senhor desenvolveu durante esses anos com os [a família] Ermírio de Moraes, muito se fala do senador e do seus filhos. O senhor chegou a conhecer a Dona Helena?

 

R – Ah, conheci. Eu quase que posso me considerar um elemento da família, eu conheci, inclusive, a esposa do Dr. Moraes, a sua mãe, da esposa do Dr. Moraes, e todos eles com muita afinidade, com muito carinho. Ele sempre tratava a gente com muito carinho. Aliás, como todos, não é dizer que tenha sido para [o] Nelson Teixeira. Não, é com todo mundo.

 

P/1 – E como foi a primeira vez, quando que o senhor se deu conta que estava desfrutando da amizade dessa família, que o senhor começou a...?

 

R – Não, na verdade, é o seguinte: eu desfruto da amizade deles como profissional, não no sentido de uma coisa ou outra festa social. Mas a intimidade minha é extremamente profissional com todos eles.

 

P/2 – E a Dona Helena era...?

 

R – Era uma mulher extraordinária, de simplicidade, de bondade. O senhor não pode imaginar como ela é uma mulher simples.

 

P/1– E me conta uma coisa: o Dr. Antônio, além de fazer todo o trabalho social, todo o trabalho ali dentro da empresa, para crescimento, ele estreou no teatro como autor. O senhor acompanhou essa paixão dele?

 

R – Acompanhei sim, é lógico que acompanhei, a gente sempre trocava ideias, ele falava sempre com muito entusiasmo daquilo que estava fazendo. Enquanto ele escrevia as peças, a gente trocava umas ideias e ele dava o seu pensamento, como ele estava pensando, como estava desenvolvendo. Ele sempre, e mesmo agora, ele ainda, acho que está preparando outras peças, também.

 

P/1 – E foi de repente que vocês descobriram que ele escrevia peças?

 

R – Diz ele que na sua infância tinha uma professora de português que foi fantástica e um professor também, e que a ideia dele era ser professor de Português e ele teve sempre muita facilidade de escrever, de se expressar - tanto é que ele é hoje membro da Academia Paulista de Letras. É um imortal. (risos)

 

P/2 – E as peças dele, fizeram sucesso?

 

R – Ah, foram um tremendo sucesso, porque foram peças reais que ele teve da sua lição de vida. Então, o que ele aprendeu, o que ele acompanhou na vida de pessoas que exploram, de pessoas que usufruem dos mais humildes, então ele fez a peça que todas elas é baseada em assuntos hospitalares, na qual ele tem um perfeito domínio. Porque ele teve primeiro na Cruz Vermelha Brasileira, na Cruz Verde e, agora, 35 anos como presidente da Beneficência Portuguesa, ele sabe todas as mazelas que se passam.

 

P/2 – Ele se referia à fábrica ou à indústria?

 

R – Não, essa aí não teve, que eu conheça, não. Eu tenho conhecimento das outras peças que ele fez.

 

P/2 - Ele realmente tem uma grande capacidade de expressão. Toda vez que ele dá entrevista na televisão, as posições dele são maravilhosas. Como é, o senhor assistiu aqueles embates da candidatura dele?

 

R - Foram anos terríveis, eu muitas vezes falei: “Dr. Antônio, o senhor vai me desculpar, mas a melhor coisa que aconteceu na sua vida foi o senhor ter perdido as eleições”. Ele sofreu demais com as eleições, porque ele conheceu homens, o que são as mazelas dos homens públicos, e ele sempre conversava muito comigo, até hoje conversa, sobre o que se passava, coisas terríveis. De modo que, para mim, para nós do Grupo Votorantim, foi uma felicidade ele ter perdido as eleições. Aliás, o Dr. Moraes sofreu demais como senador. É um homem extremamente patriota, que gostava e que tinha uma esperança enorme no Brasil e, no fim, ele conheceu quem eram os políticos, sofreu tremendamente, porque ele tinha as suas opiniões de construir um Brasil grande, moderno e tudo, ele se viu extremamente frustrado. E acredito que tenha morrido mais em função de desgosto da política do que de outra doença qualquer, porque ele era um homem extremamente vigoroso e, infelizmente, e entende... Eu não sei se me bem recordo, não sei se poderia falar isso ou não, mas o Dr. Moraes tinha pedido aos seus filhos que jamais entrassem para a política e o Dr. Antônio se arrependeu de ter sido candidato.

 

P/2 – Durante os anos de repressão, ele fazia pronunciamentos muito corajosos enquanto empresário.

 

R – Dr. Antônio e o Dr. Moraes foram, tem sempre essa personalidade: eles sempre falaram aquilo que eles pensavam e ainda da forma que ele pensa e não com a repercussão que as suas palavras pudessem dar. Isso tem me causado e causou também ao Dr. Moraes alguns constrangimentos, algumas dificuldades, mas eles tinham certeza de que jamais mudariam esse pensamento.

 

P/2 – Mas a repressão não perseguiu o Dr. Antônio pelos pronunciamentos que ele fez enquanto empresário?

 

R – Na época do Ato Institucional número 5, ele sofreu bastante, sim, principalmente no regime militar. Eu não vou falar, citar fatos aqui que não são de meu pleno domínio, mas só sei que sofreram muito.

 

P/2 – Sofreram durante o AI-5?

 

R – Sofreram bastante.

 

P/2 – Mas ele não perdeu a coragem.

 

R – Não, o Dr. Moraes não perde a coragem, os Moraes não perdem a coragem, são homens corajosos, são nordestinos, e nordestino geralmente é homem violento. (risos) De muita fibra.

 

P/2 – Dr. Nelson, o senhor está há 62 anos no Grupo. Como que o senhor vê essa nova geração que não é tão nova, os filhos do Dr. Antônio, do doutor José?

 

R – Há algumas coisas que deixam a gente feliz na vida e isso aqui é um dos motivos que eu tenho muita alegria, porque trabalhando com três gerações de homens voluntariosos e que enfrentaram tudo para construir o que é hoje a Votorantim. A gente vê que essa nova geração que vem herdou a mesma estirpe dos Moraes. Eles poderiam perfeitamente com o que têm estar usufruindo do que os seus pais e o que os seus avós construíram e fizeram, mas não. Estão enveredando para um caminho dos desafios e a gente nota que são rapazes extremamente competentes, muito bem formados, com muita educação, muita humildade, e eles estão trabalhando no dia a dia. Para nossa surpresa e satisfação, a gente vê que a Votorantim, hoje, já tem um programa que em 10 anos triplicaram o que é o tamanho da Votorantim hoje. Vocês veem o seguinte: eles que poderiam estar usufruindo dos prazeres da vida, estão procurando é o trabalho, novos desafios. Isso é que nos alegra muito, porque a gente vê que não foi um trabalho em vão, todos os sacrifícios que foi, que eles, os Moraes fizeram e que os seus colaboradores também fizeram - porque a Votorantim não se faz somente dos Moraes, se faz também com uma equipe enorme de colaboradores -, e a gente vê que isso aqui vai, tem uma continuidade. Então não foi um trabalho em vão, eu fico com isso aqui muito feliz e até emocionado de ver isso.

 

P/2 – O que a gente sente é que o espírito dos Moraes é ele, se manifesta, esse pique, em todos os funcionários, mas como uma comunhão.

 

R – Graças a Deus nós somos uma equipe de trabalho extremamente dedicada, aquilo que poderia se falar com o jargão: os funcionários da Votorantim vestem a camisa da Votorantim. Eu não sei porquê, qual a razão, talvez seja devido a simplicidade ou a humildade dos nossos acionistas é que nos levam a isso. Nós não pedimos a ninguém, nós todo dia de manhã entramos às 7 horas da manhã e às 8 horas nos reunimos no café para trocarmos opiniões dos assuntos mais graves que nós temos, das decisões que nós tivemos de tomar e isso aqui não é pedido para ninguém, isso é... A gente não nota isso em outras companhias. Esse talvez seja o grande segredo da Votorantim: o amor que nós temos pela companhia.

 

P/1 – Dr. Nelson, 62 anos de trabalho pressupõe muita coisa, ou seja, uma vida inteira. E a minha pergunta é: quais os valores que o senhor recebeu da Votorantim que o senhor aplicou na sua vida, como que esses valores se manifestam?

 

R – Puxa vida... É uma pergunta difícil de ser respondida, assim, rapidamente. Eu acho que o que eu mais recebi da Votorantim foi o ensinamento que ela me deu, eu aproveitei isso em toda a minha vida. Realmente, talvez, se olhar pelo lado econômico, talvez seja o lado que o senhor tenha perguntado, e eu já disse ao senhor que eu entrei, era de uma família extremamente humilde e quando eu comecei a trabalhar com os 14 anos, não foi para passar o tempo, não. Em parte, era por necessidade, que eu também tinha que pagar a escola. E hoje eu me sinto um homem realizado, não em trabalho, realizado em sentido financeiro. Realmente, tive a felicidade de fazer. Tenho uma independência econômica e financeira. Não sou rico, não, mas tenho muita coisa, graças a Deus, que dá para... E isso tudo foi feito com trabalho, com economias, aprendendo como é que se fazia na Votorantim, e aplicando aquilo que eu aprendia do lado de lá, aplicando no lado de cá para a gente construir uma família [para] que eles possam, que seria essa a minha maior riqueza, que os meus filhos, se é que tenham feito alguma coisa de bom, que os meus filhos aprendessem e continuassem essa mesma bandeira.

 

P/1 – Dr. Nelson, o senhor tem 62 anos de trabalho.

 

R – Certo.

 

P/1 – Vamos dizer que a grande maioria da população com 62 anos de trabalho já está querendo aposentadoria. Por que o senhor permaneceu trabalhando?

 

R – A maior paixão da minha vida é o trabalho. Depois da minha família, é o trabalho. O trabalho dá para mim a satisfação daquilo que eu preciso, que eu faço por prazer e não por ganhos financeiros ou qualquer outra coisa. Isso é que para mim talvez seja até uma doença, e se eu peço alguma coisa a Deus, eu sempre peço a Deus que eu gostaria de morrer na plenitude da minha capacidade intelectual e trabalhando. Esse seria o maior prazer da minha vida.

 

P/2 – O senhor tem algum sonho ainda para realizar?

 

R – Se eu tenho sonho para realizar? (risos) Todos nós temos sonhos. 

 

P/2 – Mas o senhor já realizou todos?

 

R - Não, acho que uma pessoa só se realiza quando morre. É evidente que todos nós temos sonhos, mas não são sonhos ambiciosos nem sonhos mirabolantes que eu não posso fazer. Os meus sonhos são sempre de formação simples e ainda continuam de formação muito simples: é poder criar a minha família dentro de dignidade e, se puder, transferir aos meus filhos o ensinamento de dignidade, trabalho, humildade. É o que é o meu maior sonho da minha vida, e aos meus netos também, que virão.

 

P/2 – Agora, o que o senhor está achando desse projeto que a Votorantim está fazendo de levantar memória?

 

R – Eu acho muito importante. Eu acho que a vida se faz de história. Se não existisse a história, ninguém saberia do descobrimento do Brasil, de todas essas coisas que se passaram. Todo mundo acha que hoje a Votorantim é um grande coisa, uma grande companhia e que tudo foi fácil. Não, não foi não, minha senhora. A senhora tinha que ver a luta que nós tínhamos. A minha vida e a vida do Dr. Antônio era [de] a gente correr todo dia de manhã, correr aos bancos pedindo para fazer descontos, eles davam os descontos, eu tinha que vir, fazer inversão de duplicata para pagar, receber dinheiro para comprar mercadoria para entregar aquilo que tinha sido vendido. Foi feito tudo com muito sacrifício. E quando a gente vê que hoje, essa nova juventude, esses rapazes que vêm aí, eles vêm com muito mais condições que nós tivemos no passado e a gente fica satisfeito porque, realmente, eles poderiam fazer na Votorantim, como já é hoje uma companhia internacional de grande porte.

 

P/2 – Já começou.

 

R - Já começou. A Votorantim já tem fábrica nos Estados Unidos, no Canadá. Tem a Votorantim Internacional.

 

P/2 – Quais fábricas?

 

R – Fábricas de cimento lá, de estar explorando. Naturalmente, sempre a Votorantim teve sempre uma imagem voltada para o Brasil e será o foco, tenho certeza, naturalmente, mas não se pode também descuidar da parte internacional.

 

P/2 - Quer dizer, fábrica no Estados Unidos, só. E mercado em vários países?

 

R – Ah, o mercado sim. Hoje, na Companhia Brasileira de Alumínio, nós exportamos, 60% da nossa produção é destinada ao exterior porque não tem o consumo aqui no país. Eu sei que papel e celulose também, no momento, estão exportando e 50% da produção vai para o exterior. Zinco também, níquel. Hoje em dia, com a globalização, as grandes companhias não podem só pensar no mercado interno - a não ser que queiram ficar confinadas.

 

P/1 – Dr. Nelson, quando o senhor entrou no Grupo Votorantim, tinha a Santa Helena, de cimento, a fábrica de tecidos, a fábrica de óleo comestível e sabão e a Nitro Química Brasileira.

 

R – É associada ao Klabin.

 

P/1 – Associada ao Klabin.

 

R – Exatamente.

 

P/1 - Por que, por exemplo, o Grupo Votorantim poderia ter ficado nesses setores... Por que, de repente, o Grupo resolveu...?

 

R – Olha, eu acredito que eu já tenha dito anteriormente, a oportunidade de falar com o senhor, porque o Dr. Moraes era um homem de extrema visão, que pensava muito além da sua geração. E, naquela ocasião, não se tinha tecnologias como hoje se compra uma tecnologia “know how” com grande facilidade. Não obstante a tudo isso, o Dr. Moraes tinha uma coragem incomensurável e uma visão muito grande do futuro e ele, naquela ocasião, fundou e lançou as sementes de uma porção de companhias, como a Companhia Brasileira de Alumínio, a Companhia Níquel Tocantins, a Companhia Mineira de Metais, com zinco, e uma série de outras companhias. De modo que, realmente, eu não sei como que o Dr. Moraes tinha tanta capacidade e tanta coragem de fazer o que ele fez, e ali é que foi o grande, foi a grande semente, foi a grande árvore plantada que hoje frutificou depois de tudo isso.

 

P/1 – Ele se arriscava mesmo, colocava todo...

 

R – E com a coragem porque não sabia como ia fazer. É uma coragem muito grande, realmente, de um homem, somente um homem brilhante como ele foi. E a grande virtude de seus filhos e, agora, do seu neto, foi de dizer tudo isso aqui de uma forma muito grande, como é até hoje, porque é como uma árvore que joga a semente, frutifica [e] depois de muitos anos, é uma árvore frondosa e bonita.

 

P/2 - Nós gostaríamos de perguntar como que é o seu dia a dia hoje?

 

R - Eu levanto às 5 e meia da manhã, às 6 e meia eu já estou no escritório, saio, trabalho, faço as coisas, saio meio dia, vou para minha residência - que eu moro perto, moro ali na Rua Artur Prado. Em 5, 10 minutos estou na minha casa, almoço correndo, descanso uns 20 minutos, retorno, à 1 e meia [da tarde] eu já estou no escritório, vou às 5 horas [da tarde] - nessa questão eu sou um pouquinho rigoroso, eu realmente obedeço ao horário das 5 horas. Vou para a minha residência, lá eu ponho o meu pijama, fico com a minha família, sento, jantamos, assistimos um poço de televisão e vamos dormir. Essa é minha vida, onde eu estou.

 

P/2 - Essa é a sua vida pessoal. E a de trabalho?

 

R – A do trabalho é essa...

 

P/2 – O papel que o senhor desempenha?

 

R – Ah, isso é a coisa que mais me alegra, é a minha atividade. Eu não tenho trabalhos que sejam repetitivos, é o dia todo. Às 7 horas da manhã eu já ligo com todos os superintendentes de setores da nossa fábrica, às 8 horas da manhã eu já tenho um quadro geral de todas as dificuldades que tiveram no dia anterior, de tudo aquilo, que providências que são necessárias tomar. E depois, então, é atendimento ao fornecedor, aos clientes, aos funcionários. É uma vida extremamente cheia, não dá tempo da gente... A gente não vê o horário passar.

 

P/2 – O senhor deixaria uma mensagem para os funcionários pelo aniversário do Grupo, uma mensagem a todos os funcionários da companhia, um recado?

 

R – É difícil isso aqui. O recado que eu poderia dizer é o seguinte: fazer uma, pedir a Deus que realmente continue a dar a Votorantim aquilo que ele tem dado até hoje, aos seus dirigentes, aos seus proprietários; os Moraes, que continuem sempre a fazer o que fizeram até hoje, um trabalho de dignidade, fazendo com que a Votorantim prospere, não só pela Votorantim, porque o crescimento da Votorantim não é o crescimento dos Moraes - é o crescimento do Brasil, onde se empregam muitas pessoas, muitas famílias vivem, não só de empregos diretos como indiretos, de tudo aquilo que é feito na Votorantim. É um trabalho extremamente nobre, eu pediria a Deus que continuasse a iluminando esses homens para que continuasse com a mesma política, a dar oportunidade aos funcionários - como aquela que eu tive também de simples “office boy” e já, 7 anos depois, ser diretor da companhia. Acho que isso é muito importante. Se eu pudesse deixar uma mensagem, era essa que eu queria dar: que eles continuassem esse trabalho que os seus antecessores fizeram para o crescimento da Votorantim e do Brasil.

 

P/1 – Senhor Nelson, o senhor falou bastante do Dr. Antônio, do senador. Eu gostaria de saber qual foi a pessoa do Grupo Votorantim que o senhor, pensando nos colegas de trabalho, na família Moraes e nos outros acionistas, qual foi a pessoa em que você mais se espelhou e tomou como exemplo para sua vida?

 

R – Olha, eu já disse no passado, o livro de cabeceira da minha vida é o Dr. José Ermírio de Moraes, pela sua... Achei, para mim, era um tipo de uma pessoa que achei extraordinário, um homem em que eu via nele, já com pouca idade, com 14, 15 anos de idade, via nele uma pessoa que é realmente um homem, de uma pessoa que deveria ser imitada, ser seguida, porque o exemplo dele era extraordinário.

 

P/1 – Se o senhor fizesse um balanço da carreira nesses 62 anos, o que o senhor diria?

 

R – Eu diria que eu me sinto feliz hoje, não realizado, feliz, porque tive uma convivência realmente saudável e com os familiares dos Moraes e principalmente com os meus colegas de trabalho. Felizmente, tive a felicidade, e eu acho que não posso precisar, mas mais de uma dezena, ou talvez umas duas dezenas de pessoas que eu indiquei para continuar como diretores e todos eles foram realmente pessoas extraordinárias, que tiveram dentro da Votorantim um desenvolvimento muito grande, ainda estão trabalhando lá, e isso aqui é meu motivo de satisfação. E outro motivo de satisfação que eu tenho é que, realmente, não sei porquê, mas eu tenho uma relação extremamente grande e saudável, não só com os homens do escritório, como da fábrica. Quando vou, me sinto extremamente à vontade com todas as equipes, desde os gerentes até o mais humilde dos funcionários, todos eles, eu tenho, felizmente, um relacionamento extremamente saudável e feliz. Me engrandece quando à noite, eu junto com o meu travesseiro, fico fazendo uma análise da minha vida. Eu fico muito satisfeito com isso.

 

P/1 – Senhor Nelson Teixeira, eu quero agradecer imensamente a sua presença. Agradecer em nome do Grupo Votorantim, agradecer em nome do Instituto Museu da Pessoa e agradecendo pela nossa equipe, por ter enriquecido o nosso projeto. Muito obrigado.

 

R – Eu é que agradeço, vocês é que foram muito gentis fazendo perguntas que realmente, algumas coisa que até me emocionam. Eu é que me sinto agradecido e agradeço a vocês. Muito obrigado.

 

P/2 – Muito obrigada.

 

[Fim do depoimento]

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