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História de: Cleide Sudré de Simone
Autor: Cleide Sudré de Simone
Publicado em: 03/05/2009

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História completa



Apresente-se
Nasci em São Paulo em 19/07/1957. Minha casa era simples, sala, cozinha e banheiro, com quintal de terra vermelha. Minha familia era de cinco pessoas. Fui adotada quando não tinha ainda três anos pelos pais dos meus primos. Vivi com eles até meus 29 anos, quando casei. Onde eu morava, era sempre um ajudando o outro.

Conte sobre a sua infância/adolescência
Apesar de eu ter sido criada pelos meus pais adotivos, e não ser criada pelos pais biológicos, sofri muita indiferença. Não tive um beijo e abraço de um pai e mãe, me ensinaram, sim, a trabalhar com honestidade.Tive que estudar, escondida do meu pai adotivo, até a quarta série primária, porque ele achava que mulher não precisava estudar. E se eu quisesse estudar, tinha que trabalhar. Foi o que eu fiz até o segundo colegial, a escola primária era municipal. O ginásio e o colegial eu tive de pagar, porque o horário do meu trabalho não coincidia com a escola pública. Mas não consegui completar o colegial, porque fiquei desempregada, vieram as dificuldades e não consegui terminar.

Suas primeiras idéias
Eu percebi que o mundo poderia ser diferente com projetos sociais. Quando me deparei com uma população carente, mal nutrida, com crianças nas ruas e idosos maltratados, me tornei Conselheira-Presidente do CONSEA-Conselho de Segurança Alimentar do Município de Mongaguá (Sociedade Civil),onde fiz e faço projetos sociais para a população de baixa renda e extrema pobreza. Me qualifiquei no Projeto Envolver para o aprimoramento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e Adolescente; Capacitação RISolidaria; Agregação de Valor ao Pescado; Controle de qualidade e processamento da Segurança Alimentar; Formação de conselheiros em Direitos Humanos/Brasilia; Formação em Direitos a Alimentação Adequada; Formação de conselheiros em Direitos Humanos/ São Paulo. Eu me senti e sinto muito bem realizando estes projetos sociais.

Conte a sua história de mudança social
O senhor Jones Cunico, que já fazia o social na cidade, ele vendo que eu já tinha 10 crianças às quais dava assistência, me mostrou o projeto CONSEA, do Governo Federal. Foi aí que tudo começou, atrás de muitas e muitas reuniões formamos este Conselho, aonde começou o trâmite legal de passar este projeto na Câmara, este projeto foi aprovado unanimimente em 2004, e assim fizemos o registro do mesmo. Aí começaram nossas dificuldades com o governo, que não aceitava o conselho, porque ele é um órgão fiscalizador. Mesmo assim, conseguimos fazer o trabalho social. Ainda temos dificuldades com o novo governo em aceitar o CONSEA no município.

Conte sobre as mudanças que sua idéia provocou
O trabalho mudou na minha comunidade, a partir de 2004, com 22 crianças, começamos a fazer apadrinhamento para o Natal, com roupa, sapato e brinquedo. Hoje temos 150 crianças. Além disso, temos uma parceria com uma fundação social da cidade há seis anos, por meio da qual levo 97 crianças para passar o dia em recreações ao fim das quais ganham material escolar. Em 2008, este conselho conseguiu ter seus projetos aprovados pelo PAA-Programa de Aquisição de Alimentos, em Porto Feliz/São Paulo, onde os pequenos agricultores fizeram parceria com o governo federal e os alimentos são distribuídos às associações, Ongs, pastorais, tribos indígenas e famílias de baixa renda e extrema pobreza, em forma de doações. O que mudou em minha vida é que me sinto satisfeita em ver as famílias que por alguns dias serão bem alimentadas, com esse complemento alimentar mensal. Apesar das grandes dificuldades financeiras, faço tudo voluntariamente.

Conte sobre o potencial de mudança de sua idéia
Além deste trabalho de grande responsabilidade, tenho um sonho no que se refere a crianças de 0 a 14 anos. Pretendo ter um local com estrutura para que estas crianças possam ser assitidas conforme sua idade e seu hoorário escolar, com atividades de reforço, oficinas, esportes, cultura, dança, brincadeiras, diversão e educação para que não entrem desde pequenos no mundo das drogas, em prol de sua subsistência e de seu futuro. Entre 10 pessoas, se duas pessoas fizessem um pouco em prol de nossas crianças, que serão nosso futuro, o mundo começaria a ser um pouquinho melhor. No processo da dificuldade desse conselho, o CONSEA,nunca deixaremos de fazer a nossa parte. (3 de maio de 2009)

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