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História de: Milton Ferraz de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/07/2010

Sinopse

Milton Ferraz de Oliveira nascido em 16 de março de 1950 na cidade de Montes Claros, MG. Aos 11 anos, sua família firma-se em São Paulo e é onde constrói a maior parte de sua história. Desde jovem, enquanto estudava também passa a trabalhar, sendo ajudante de padeiro e office-boy. Quando salva os negócios de seu chefe no escritório de contabilidade, este pretende lhe retribuir pagando uma faculdade. Milton inicia então o curso de Administração na Faculdade Santana, ao mesmo tempo que trabalha na área. Passa por outros serviços, onde também reúne muito conhecimento, tanto estudando sozinho, quanto aprendendo com outros profissionais. Demonstrando muita capacidade e esforço, é chamado para trabalhar na Votorantim, lugar onde constrói a maior parte de sua carreira. Com mais de 30 anos de trabalho na empresa, Milton faz parte da história dela, conheceu pessoas importantes, passou por fases históricas e realizou trabalhos valorosos. Após algum tempo e mudanças de cidade, devido ao trabalho e por vontade própria, se dedica à vida na comunidade, criando uma escola de educação infantil e ajuda na criação e organização de uma sociedade de amigos do bairro em Sorocaba. Hoje, sr. Milton é casado, pai de quatro filhos e avô de 2 netos, ainda não pensa em parar de trabalhar, pois considera seu trabalho muito rico e valoriza sua experiência.

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História completa

P/1 — Sr. Milton, a gente quer começar nosso depoimento perguntando para o senhor seu nome completo, o local e data do seu nascimento.

R — Meu nome completo é Milton Ferraz de Oliveira, nasci em Montes Claros, Minas Gerais. 

 

P/1 — Quando o senhor nasceu? 

R — 16 de março de 1950.

 

P/1 — Sr. Milton, qual o nome dos seus pais?

R — Meu pai chamava Edson Ferraz de Oliveira e Geralda Maria de Jesus Ferraz, minha mãe.

 

P/1 — A família do senhor é dessa região de Montes Claros?

R — Não. Minha família na verdade é da Bahia. Minha mãe e meu pai são da Bahia, de uma cidade chamada Vitória da Conquista. Meu avô era português, minha avó também portuguesa. Minha mãe era filha de português com índio, casou com, quer dizer, filha da minha avó e o pai dela era africano, então, deu essa mistura.

 

P/1 — E o senhor sabe por que eles saíram de Vitória da Conquista e foram para Montes Claros?

R — Olha, foi o seguinte: a minha mãe ficou viúva e meu pai era filho de fazendeiro, né, português. Minha mãe era negra então, havia uma dificuldade muito grande de conviver na região. O pessoal até achava que a minha mãe tinha feito alguma coisa. Então, eles tiveram que sair de lá e vieram andando. Vieram, passaram em São Paulo, aí, o meu pai foi trabalhar em Cubatão, só que chegou em Cubatão vivendo lá e tal,  nasceu uma irmã minha, chamada Maria e ela teve problema depois com a poluição de Cubatão. O médico falou: “olha você tem que sair daqui porque não tem condição”. Com esse fato o meu pai teve que mudar, falou: “ó, vamos pra Minas, porque em Minas tinha umas fazendas, tal e tal”. Aí, ele chegou lá em Minas, eu nasci, então, era pra eu nascer em Cubatão, acabei nascendo em Minas, em Montes Claros.

 

P/1 — Então o senhor é o segundo filho?

R — É, o segundo filho.

 

P/1 — Eles tiveram mais?

R — Teve uma irmã, chamada Raquel e teve um irmãozinho, mas ele faleceu.

 

P/1 — Então eram três filhos?

R — É. Três filhos.

 

P/1 — Eles vão para Montes Claros eles vão fazer o que lá em Montes Claros? Eles vão trabalhar em quê?

R — Eles foram trabalhar numa fazenda, meu pai trabalhou de, chamava de meeiro na época, então, ele trabalhava na fazenda, plantava e dividia a produção. E depois de um certo tempo, surgiu uma cidade que chamava Tupã, estava crescendo e tal, cidade planejada e tal, ele resolveu mudar para Tupã. Eu fui pra lá com uns três anos mais ou menos.

 

P/1 — Deixa-me perguntar uma coisa para o senhor: o senhor lembra-se desse período lá em Montes Claros, quando o senhor tinha os três anos?

R — Ah, não lembro não. Não lembro nada. Já lembro já em Tupã. Aí, eu lembro.

 

P/1 — Tupã é interior de São Paulo, né?

R — É, interior de São Paulo, perto de Marília.

 

P/1 — Conta pra gente então o que o senhor lembra-se deste período em Tupã.

R — Ah, em Tupã eu lembro que nós morávamos assim, perto de um cemitério, próximo de um sitiozinho e o pessoal da família, eles trabalhavam neste sítio pra debulhar milho. E minha primeira lembrança é que eu levava café pra eles, um lanche da tarde. E, um dia, chegou uma vaca, com os bezerrinhos e tal, e avisaram: “essa vaca é muito brava e tal”, né? Mas eu era pequeno e não dei bola. Aí, quando eu fui levar o lanche da tarde, fui atravessar assim uma passagem lá e a vaca estava do lado do bezerrinho, a vaca veio correndo pra me pegar. A hora que eu vi, saí correndo e tinha uns milhos e ficava próximo da cerca, aí, eu subi correndo assim em um monte de milho e caí lá no meio de todo mundo que estava trabalhando lá. Maior desespero, eu caí no meio e ninguém sabia o que estava acontecendo né? Aí, pra me achar lá foi uma dificuldade, pra me achar no meio dos milhos lá. E a vaca quase que me pegou. Então, essa é a primeira lembrança que eu tenho, assim. Depois, meu pai recebeu uma informação que a minha avó tinha falecido e naquela época era o Repórter Esso que avisava. Eles tinham dificuldade de comunicação. E pediam pra ele ir urgente pra Bahia para receber, pra resolver problema de herança e tal. Ele foi, e eu lembro que naquela época ele teve que ir de Maria Fumaça, chegamos na estação, despedimos, aquela coisa toda... Foi pra Bahia, recebeu a herança dele, voltou de avião, ele ficou a vida inteira falando como era a viagem de avião pra todo mundo e contou também toda a dificuldade de ter viajado, né? Aí, meu pai comprou um tipo de um empório, os secos e molhados que o pessoal chamava. Ele comprou esse empório, começamos a trabalhar atendendo a comunidade dali mesmo, tocando a vida. E eu crescendo na cidade.

 

P/1 — E nesse período vocês moravam na cidade, né?

R — É, na cidade de Tupã.

 

P/1 — Mas não era em sítio, você moravam dentro da cidade?

R — Não, não. Era na cidade.

 

P/1 — E a escola Sr. Milton? O senhor frequentava alguma escola?

R — É, eu frequentava uma escola chamava Índia Vanuire, e eu lembro que a diretora era amiga da minha mãe, então, eu era obrigado a estudar muito, entendeu, porque qualquer coisa... De vez em quando dava umas brigas lá, mas minha mãe ficava sabendo. Nessa Índia Vanuire eu fiz um, naquela época chamava madureza, pra entrar no ginásio. Consegui entrar numa escola industrial. Na verdade, é como se fosse o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial]. Estudei nessa escola, aí, o que aconteceu: eu era muito bom aluno, o meu pai resolveu mudar pra São Paulo. E o diretor chegou na minha casa e falou: “Ó, se a senhora não colocar esse menino na escola, a senhora pode ser presa”. Isso assustou minha mãe.  Aí, quando nós viemos pra São Paulo, eu que sofri, porque eu não arrumava escola pra estudar, não tinha vaga em lugar nenhum. Isso já é outra história, em São Paulo.

 

P/1 — Antes da gente falar desse período de São Paulo, queria que o senhor contasse pra gente, lá em Tupã, as brincadeiras, que tipo de brincadeiras vocês faziam nessa época?

R — Olha, lá eu jogava muita bola. Era viciado em bola. E minha mãe era evangélica, ela fazia assim até culto em casa pra ver se eu largava de jogar bola. Mas era tudo brincadeira de criança mesmo. E quando chegava na época de férias escolar, minha mãe obrigava a gente a trabalhar, tinha que fazer qualquer coisa, que não podia ficar parado. Aí, surgiu o tal de boia-fria, a molecada pegava os caminhões e ia trabalhar nos sítios, então a gente ia sempre no sítio que tinha lagoa e tal. A gente trabalhava um pouquinho e depois ia nadar. E esse tipo de brincadeira normal, de criança mesmo.

 

P/1 — O senhor falou que sua mãe era evangélica, né?

R — Isso.

 

P/1 — Vocês frequentavam a igreja, como que era?

R — Frequentava. Era a Igreja Presbiteriana Independente. Frequentava normalmente, eu também frequentei. E a diretora era também evangélica, então, estava amarrado ali na cidade. Mas era muito bom.

 

P/1 — O seu pai vendeu esse comércio para vir pra São Paulo?

R — O meu pai sofreu um tipo de uma malandragem de uma pessoa. Chegou lá e era um armazém bem grande. Aí, uma pessoa chegou e resolveu comprar dele. Ofereceu um valor alto e ele ficou entusiasmado pelo valor que ele ofereceu.  Mas era só a mercadoria. O meu pai ficou impressionado pelo valor, e resolveu vender. Só que o malandro lá, deu um cheque pra 30 dias. Naquela época você tinha que ir ao banco, pedia pro gerente, o gerente mandava o cheque pra outro banco pra ver se tinha saldo e tal. Depois de 30 dias, uns dois dias antes de vencer o prazo, o armazém apareceu com a porta fechada. O meu pai achou estranho e tal, no outro dia também, porta fechada. Ele foi ao banco e chegou lá descobriu que o cheque não tinha fundo. Quando ele foi verificar o que tinha dentro do armazém, não tinha mais nada. O cara levou... deixou só porcaria lá. Ele teve que recompor tudo novamente. Foi muito difícil, eu percebia que... a família sofreu demais, sabe?  Aí, foi tentando, tentando, não estava conseguindo, surgiu a oportunidade de ele vender o imóvel. Ele vendeu e nós viemos pra São Paulo.

 

P/1 — Essa casa que o senhor morava lá era do lado do armazém, era perto, como era?

R — A minha casa era no fundo do armazém. Era uma casa muito grande. Tinha uns 14 cômodos assim... era enorme a casa. E na frente era o armazém.

 

P/1 — Então vocês venderam tudo, a casa e o armazém?

R — É, vendemos tudo.

 

P/1 — E aqui em São Paulo, vocês vieram morar aonde?

R — Aqui em São Paulo o meu pai comprou uma casa no Jardim Tremembé, perto do Tucuruvi.

 

P/1 — Tinha algum motivo pra ele vir pra esse bairro? Ele conhecia alguém?

R — Não, não sei exatamente porque, viu? Ele veio primeiro pra São Paulo, porque a minha irmã mais velha estava morando aqui, ele veio, não sei exatamente porque, ele acabou comprando essa casa no Jardim Tremembé.

 

P/1 — E o senhor tinha quantos anos?

R — Eu tinha 11 anos.

 

P/1 — E ele veio e começou a trabalhar com o que aqui em São Paulo?

R — Meu pai, ele começou a trabalhar numa construtora. Ele foi trabalhar na construtora, não sei exatamente o que ele fazia, e ficou lá a vida inteira trabalhando nesta construtora, acho que Mendes Júnior, um negócio assim. Ele já tinha um pouco de experiência, antes de ir pra Minas, ele tinha uma experiência assim, com construtora de quando ele estava em Cubatão.

 

P/1 — E essa casa do Jardim Tremembé?

R — Essa casa era uma casa grande. Nós vivemos lá bastante tempo, uns 15 anos, mais ou menos.

 

P/1 — Como que ela era?

R — Uma casa assim, muito comprida, sabe? Mas era confortável, cada um tinha o seu quarto. Sala, cozinha, banheiro, espaço bem grande. Então, era muito boa.

 

P/1 — O senhor falou que tinha 11 anos, né? O senhor fez amizades com o pessoal da rua?

R — É, tinha muitos amigos. Em Tupã tem muito japonês. Eu tinha muito amigo japonês. Então, eu morava do lado de uma igreja de japonês também.  Só que a igreja, naquela época, havia muita segregação com japonês, por causa da guerra e tal. Então, esse templo japonês, ele abria só nas festas deles e eles convidavam eu e minhas irmãs para assistir a cerimônia. Então, eu achava muito bom, porque quando terminava a cerimônia eles davam uns doces de japonês. Doce de feijão, assim... Então, pra nós era uma delícia. E a maioria dos meus amigos era de japoneses.

 

P/1 — E as brincadeiras, quais eram?

R — Sempre foi futebol, né? Futebol, pipa, a gente chamava burica, aquela bolinha de gude, pião, brincadeira normal mesmo. Agora, aqui em São Paulo, quando eu cheguei com 11 anos, eu tinha aquela recomendação do diretor que falou que eu tinha que estudar de qualquer maneira, foi aí que foi o meu sofrimento aqui, porque minha mãe não conhecia São Paulo, eu tinha 11 anos e também não conhecia nada, eu fui numa escola chamada Conselheiro Ruy Barbosa, no Tremembé. Cheguei lá, levei os documentos e tal, a diretora estranhou a grade do meu histórico. Ela falou: “olha, não sei o que e tal, não tem vaga”. Já tinha rodado toda a região ali, não tem vaga. Aí, quando eu estava saindo, tinha uma senhora que estava lá varrendo lá, o pátio, né, ela falou pra mim assim: “olha, tem vaga sim. Vai na Secretaria da Educação, que tem vaga. Mas não fala que eu falei pra você”. E eu peguei, falei pra minha mãe, ela falou assim: “então, você vai lá na Secretaria da Educação”. Mas eu nem sabia onde era isso. Me falaram: “olha, é no Largo do Arouche”. Tá bom, desci lá na Praça do Correio, ao invés de eu pegar ali a Barão de Itapetininga, eu peguei a São João, fui até o fim da São João, lá no Largo do Arouche. Me explicaram direito e eu consegui chegar no Largo do Arouche. Aí, Secretaria da Educação e tal, era um prédio que tinha 11 andares. Subi, os ascensoristas todos riam de mim, do jeito, “o que esse moleque está fazendo aqui?”. Cheguei lá, o chefe do gabinete falou assim: “Oh general, o que você quer aqui?” “Ah, eu preciso falar com o Secretário da Educação”. Eu era pequenininho, né? “Espera um pouquinho, senta aí”. Sentei, num sofázão assim. Fiquei esperando, as portas enormes, não demorou nem dez minutos. Veio um envelope, o chefe do gabinete falou o seguinte: “Olha, entrega isso aqui pra Diretora”. Bom, eu saí, eu resolvi ler. Estava escrito assim: “Senhora Diretora do Colégio Conselheiro Ruy Barbosa, não vejo nenhum motivo para que a senhora não matricule o senhor Milton Ferraz”. Já fiquei contente. Depois, conhecendo melhor, o Secretário da Educação era o Moreira Cintra, muito conhecido aqui. Foi um dos melhores secretários que nós tivemos aqui. Eu cheguei no colégio, entreguei o envelope, a diretora ficou louca da vida comigo. Me chamou na sala, a sala dela super bonita, carpetada, chamou mais duas professoras, me deu uma bronca: “por que você fez isso? Você foi me sujar, levar o nome do nosso Colégio lá na Secretaria da Educação”. Me esculhambou lá. Aí, resolveram me dar a vaga. Estudei neste colégio. Não fui muito bem, mas aprendi muita coisa lá.

 

P/1 — Mas por que o senhor não foi muito bem? Você foi perseguido lá dentro?

R — Eu acho que eu fui perseguido por algumas professoras, sabe? Eu era muito bom em Matemática, era bom em História, Biologia, mas em Português, Inglês, eu era ruim. Não tinha jeito. Tirava nota boa, uma e outra,  mas nestas aí me ferrava. Mas tudo bem, continuei.

 

P/1 — Esse aí já era o Ginásio que o senhor estava fazendo?

R — O Ginásio. 

 

P/1 — O senhor chegou fazer admissão, naquele período tinha admissão?

R — Era admissão, tinha que fazer admissão. Era assim, antes para entrar neste colégio, no Ginásio, era madureza, um negócio assim, depois, passou a ser admissão. Era muito difícil de arrumar escola, vaga nas escolas pra estudar, era uma dificuldade. Consegui entrar no Ginásio numa escola próxima da minha casa, no Jardim Tremembé. Me dei bem nessa escola. Naquela época estava mudando, Matemática Moderna e essas coisas, na época da Revolução também, mas foi tudo beleza.

 

P/1 — E o senhor fez o Ginásio nesta escola?

R — Fiz o Ginásio e o Colegial.

 

P/1 — E o senhor falou que fez uma espécie de um Senai que existia na época. Era esse o Colegial?

R — Não. Eu fiz o Senai em Tupã, como se fosse um Ginásio, chamava Escola Profissional, na verdade.

 

P/1 — Mas isso o senhor fez antes de fazer o Colegial, então?

R — Isso, fiz antes. Eu não fiz o Colegial, eu fiz o Científico. Fiz o Científico no Bom Retiro, porque eu trabalhava no Bom Retiro. Isso é uma história também diferente.

 

P/1 — É. Essa a gente quer que o senhor conte também. O senhor veio pra São Paulo e estava estudando, certo? Quando é que começa a trabalhar então?

R — Bom, estava estudando. Logo que cheguei minha mãe arrumou um emprego pra mim numa padaria. Eu tinha 11 anos, depois dos 12, 13 anos comecei trabalhar numa padaria.  Ajudando o padeiro lá. Eu já estava fazendo pão. Só que havia muita briga entre eu, o padeiro e o dono da padaria, que também era muito estúpido. Português, assim, estúpido. Um dia, ele começou a sonegar, acho que açúcar, na época, e leite. Havia um problema de sonegação de açúcar e leite. Era difícil no Brasil essas coisas. A Polícia Federal chegou lá e ele fugiu, passou correndo por dentro do salão onde nós fazíamos o pão e fugiu, pulou o fundo lá da padaria. E foi embora, mas eu não sabia o que era, vi ele correndo lá. Daqui a pouco chega um policial da Polícia Federal me chamou e falou: “Você sabe onde que mora o dono aqui da padaria?” Eu falei: “Sei.” “Então vem aqui”. Me levou lá fora, tinha um monte de gente em frente da padaria, me colocaram dentro do carro da polícia e eu levei eles lá na casa do português. Chegou lá, era um sobrado, bateram palma e tal, procuram o português e o português não estava mais. Sumiu o português. Passou uma semana, o português apareceu  e chegou lá me xingando: “Seu moleque, seu filho não sei do quê, você me fez pular aqui, agora me fez pular mais de três metros de altura lá na minha casa. Por que você foi me levar a polícia lá?” Entendeu? Eu fiquei muito nervoso porque ele começou a me xingar, eu resolvi pedir a conta lá e parei de trabalhar lá. Agora, aqui em São Paulo, aliás, parei de trabalhar. Aí, o que acontece? Eu tinha uma tia que trabalhou para um judeu lá em Tupã. Chama Hamilton Krausz e, logo depois que eu vim pra cá, ela veio também, e ela foi indicada pra trabalhar com outra pessoa aqui de São Paulo, era judeu também. E eu levava ela, fim de semana ela ficava em casa e depois na segunda-feira eu levava ela, morava aqui no Jardim Paulistano. Nesse negócio de levar ela constantemente pra casa, eu já estava fazendo 13 pra 14 anos, essa minha tia pediu, a gente a chamava de Tia Preta, pediu pra que o patrão dela arrumasse um emprego pra mim de office-boy. Aí, tudo bem, ele me levou junto com ele, quando chegou lá, falou assim: “Ó, registra esse garoto aí, esse Tarzan, aí”.  Eu era magrelo, né? Ele me registrou e tal, era Rua Ribeiro de Lima, no Bom Retiro. Comecei trabalhar como office-boy em São Paulo e estudando, de repente quando eu entrei no Científico, eu estudava no Alarico Silveira, também no Bom Retiro. Fiz o Científico, depois passou mais um tempo, eu acabei entrando na faculdade de Administração. Mas isso aí em função também dessas histórias que aconteceu com esse meu patrão.

 

P/1 — Conta pra gente então dessa história.

R — A história é o seguinte: ele era muito bom comigo, sabe? Então, eu comecei com ele quando ele também estava começando, ele era advogado, estava crescendo também, só que na época, era o seguinte: até eu passei agora a pouco aqui na Consolação e tinha o edifício Pampulha. Então, toda a vez que ele fazia um prédio, ele fazia: “Sociedade Civil Pampulha, Sociedade Civil Marechal Deodoro”, e assim por diante. O nome do prédio. E na época, para pagar o Imposto de Renda, você pegava a promissória, você vendia alguma coisa, pegava a promissória e passava tipo, numa máquina e cobrava tarifa. Ele vendeu bastante imóvel e pagou esse valor do Imposto de Renda. Aí, o que aconteceu: ele tinha um cofre e guardava aquele monte de promissória. Eu saí um dia pra trabalhar e tal, quando eu voltei, encontrei dois Policiais Federais, outra vez na minha vida, né? (risos). Polícia Federal na porta da empresa. Perguntou: “O que você vai fazer aí garoto?” “Eu trabalho aqui”. Eu subi. Quando eu subi a escada, logo assim próximo, tinha um Gerente, chamava Sr. Elias Sitzer. O senhor Elias falou assim: “Miltinho, vai na cozinha”... ele pegou a minha pasta, porque eu levava marmita. Ele tirou a marmita da minha pasta e encheu de nota promissória, falou assim: “vai lá, pega a sua bolsa e vai embora pro Bom Retiro, lá com o Krausz”. Então, eu era meio esperto. Já desconfiei de alguma coisa, fui lá, peguei a minha bolsa e desci. Como o rapaz me viu com a bolsa, eu desci, não falaram nada e fui embora. Quando eu cheguei no escritório do Dr. Krausz, ele ficou super contente. Nossa... “Milton, você me salvou a vida” “Puxa vida!” A bolsa lotada de nota promissória. A partir daí ele falou assim pra mim: “Olha, depois se você estudar, entrar na faculdade eu pago pra você a faculdade”. Ele me ajudou muito assim em termo de crescimento na empresa. Então, eu fui crescendo, comecei a trabalhar depois na área de Contabilidade, dentro da empresa dele, Custo, Imobilizado, e fui crescendo. Entrei na faculdade. Eu ia tentar a GV [Fundação Getúlio Vargas], mas ele falou assim: “Tenta outra!” Tem várias. Aí um dia assim, com um amigo, fizemos inscrição na Faculdade Santana, porque meu amigo ia fazer lá, aí bom, vamos fazer também. Passamos. Ele falou assim: “Estuda lá mesmo, não tem problema nenhum. Eu pago tudo pra você. Compra os livros.” Porque naquela época os professores da GV, da USP [Universidade de São Paulo], davam aulas nestas escolas porque estava surgindo e não tinha muita faculdade. “E a mesma coisa, eu compro os livros pra você”. Eu trabalhava com pessoas muito boas também, ah, então, pra mim foi ótimo. Ele pagou a minha faculdade. Então, você vê, um fato que aconteceu meio na sorte, (risos) né?

 

P/2 — Essa empresa que o senhor trabalhava era um escritório de Advocacia, Contabilidade?

R — Não. Ele era advogado, ele tinha um escritório de Contabilidade. E ele prestava serviço assim para empresas, fazia contabilidade para os outros, advocacia um modo geral, e ele montou essa construtora e eu trabalhava na construtora dele. Era na Praça João Mendes.

 

P/1 — Mas o senhor trabalhava na Praça João Mendes, né?

R — Eu trabalhei no Bom Retiro, depois quando ele montou essa Construtora eu fui para a Praça João Mendes.

 

P/1 — Nesse período que o senhor estava fazendo Administração, o senhor trabalhava com o que lá na empresa?

R — Eu trabalhava com... tinha um economista que ele tinha empresa de pesca, ele criou outra empresa, chamava Interpesca Companhia Internacional de Pesca. Eu fui transferido para esta empresa. E tinha um economista que ele tinha que desenvolver um projeto de pesca, então, eu trabalhava junto com ele. Eu aprendi muita coisa com esse economista. Ele dava aula na USP também, então... Ele queria usar todos os métodos americanos, de controle, de não sei o quê, de elaboração de projetos. Então, eu seguia tudo conforme ele definia. Estava nos livros, ele queria que seguisse os livros, Glenn Welch e, pra mim, foi excelente.

 

P/1 — E quando o senhor terminou a faculdade, o senhor continuou trabalhando lá?

R — Eu tranquei a faculdade no último ano. Porque aí eu casei também, eu casei muito cedo, eu casei com 24 anos. Eu tranquei e depois voltei e concluí.

 

P/1 — Vamos voltar um pouquinho. O senhor falou que casou. O senhor conheceu sua esposa onde?

R — Conheci minha esposa no colégio que eu estudava lá no Jardim Tremembé. Foi assim: ela estava fazendo o Colegial, eu estudei dois anos Científicos e depois no último ano mudou, na verdade era o Científico e depois surgiu o Colegial. Fiz o último ano do Colegial, conheci ela nesta escola.

 

P/1 — Vocês começaram a namorar logo?

R — Ah, logo. Começamos a namorar em Setembro de 1972. Foi assim, rápido.

 

P/1 — E o senhor tinha quantos anos?

R — Eu tinha 22 anos. Então, até os 22 anos, eu fazia bailes. Depois dos 18 anos, eu fazia bailes, porque na época eu achava que eu ganhava muito bem, então, eu tinha um aparelho de som incrementado, gostava muito de música, estava sempre atualizado com música e na minha época, a música era o máximo. Porque era a época dos Beatles, Rolling Stones, pessoal, tudo coisa boa. E naquela época a gente fazia baile nas casas, como eu tinha esse aparelho de som, eu estava sempre rodando, fazendo bailes. Então, eu namorava bastante também. Só que a minha mãe faleceu em 1971, aí, eu fiquei meio, assim, meio baleado e tal, eu comecei a pensar na vida, falei: “Bom, eu preciso resolver arrumar uma namorada mais... né, mais comportada na verdade”. Aconteceu de eu encontrar a minha esposa na escola. E ela era totalmente bem recatada e tal, não era de baile, então pra mim foi uma coisa nova. Aí, conquistou! Eu conjuguei já o fato de gostar dela, vendo que ela era talvez a pessoa que encaixa certinho. Falei: “Então é com essa que eu vou mesmo!” Depois, namoramos o quê? Acho que uns dois anos, e em 1974 nós casamos.

 

P/1 — As suas irmãs ainda moravam em casa?

R — Minha irmã casou, a outra foi morar com as amigas porque era moda na época, logo depois, casou também. Na verdade, ficou eu e meu pai só. Então era ruim, só eu e ele e tal, então, quando eu encontrei minha esposa, pra mim foi um tipo de uma luz no fim do túnel.

 

P/1 — E vocês casaram e ficaram morando na sua casa ou foram para outra casa?

R — Não. Nós casamos e fomos morar aqui no Itaim. No Imirim, aliás, zona norte. Aí, nasceu meu filho, então, nesse ínterim, foi assim: quando eu casei, esse meu patrão que me ajudou muito falou: “Milton, vamos fazer o seguinte: você sai, você recebe o Fundo de Garantia e depois você volta”. Tá bom, eu saí, só que eu achava que eu estava muito bom. Em termos de competência, porque eu fazia bastante coisa, pra ele inclusive. Trabalhava na parte Financeira, Planejamento, Projeto, aí pensei: “Vou fazer um teste numa empresa, né?” Aí eu fiz um teste numa empresa chamada Transpavi Codrasa. Só que na primeira semana o controller falou assim: “Olha, você não quer fazer um teste na...” No Brasil tinha Burroughs e a IBM [International Business Machines] computadores. “Você não quer fazer um teste lá na Burroughs, porque o pessoal aqui da Transpavi, todo mundo fez teste, todo mundo repetiu, só quatro engenheiros que passaram”. Não sei o que tal, aí os caras começaram a por medo em mim: “Ó, esse negócio é difícil demais, lógica, não sei o quê...” Bá-bá-bá-bá-bá-bá, não estava muito interessado em ir não. Mas como na hora do almoço, eles começaram a tirar sarro, se eu ia ou não ia, eu brincando falei pro controller: “Olha, tá bom eu vou. Mas se eu passar, você me dá 50% de aumento?” Ele falou: “Dou”. “Ah, então eu vou”, né? Meio na brincadeira. Eu fui fazer o teste em Santo Amaro, Parelheiros. Eu fiz o teste, passou uns três, quatros dias, veio a resposta: eu tinha passado. Eu comecei estudar. Entrava sete horas e estudava até uma hora da tarde. Mas diretamente na fábrica da Burroughs, fábrica de montagem de computadores. Então, eu aprendi programação. Naquela época, programação de linguagem Cobol e tal. Bom, aí ele falou pra mim: “Ó, quando você terminar o curso nós vamos te pagar”. Então, tá bom. Fiquei seis meses, na verdade, nessa empresa, só estudando. Eu saía uma hora, chegava duas horas, trabalhava uma hora no máximo, duas horas só. Fiz o curso, passei no curso, fui ver o aumento e ele falou assim: “Vamos te dar dez por cento de aumento todo mês, até chegar nos 50”. Eu falei: “Tudo bem, mas se aparecer alguma coisa, você já sabe, nós combinamos que me daria esses 50% de aumento e me liberaria se não me desse para eu arrumar um outro emprego”. Então, tudo bem. Eu terminei o curso e um dia estava eu numa festinha com minha esposa e tomei umas e outras, aí, na segunda-feira, estava duro de levantar, ela também não acordou cedo, eu também não, então, eu entrava sete horas aqui no Jaguaré. Eu sei que eu acordei tarde. Falei: “Ah, não sei se eu vou ou não vou...” e resolvi vir, só que no meio do caminho, ali no Largo da Lapa, eu achei que ia chegar muito tarde. “Sabe de uma coisa, eu não vou não”. Estava meio de ressaca também. Aí, eu vi lá, não sei o quê, empregos, agência de empregos. Eu achei interessante, analista de custo, encarregado de custo, eu entrei lá e eles falaram pra mim: “Olha, tem uma empresa...”, chamava Ital, parece, era a Coca-Cola na verdade, é na Paulista, era pra eu fazer um teste nessa empresa. Acho que eu fui bem no teste, só que na entrevista a pessoa falou: “Ah, você é muito novo..”, se eu tinha alguma amizade lá em Brasília. Porque naquela época, em Brasília tinha um negócio que chamava CIP, pra você conseguir aumentar o preço, pra conseguir o preço fixo, tinha que fazer umas planilhas, tinha que ter algumas amizades também lá em Brasília. Falei: “Ah, eu não conheço ninguém em Brasília”, aí falou: “Ah, você é muito novo e tal, mas vamos ver, qualquer coisa a gente chama você”. Tá bom. Fui pra minha casa, quando eu cheguei no outro dia na empresa, tinha uma aviso lá: “Ó, uma tal de Votorantim ligou pra você aqui, pra você ir lá conversar com um tal de Valdir Soprani”. Eu falei: “Será que eu estou devendo pra esta empresa?” (risos). Estava meio duro, falei: “Acho que eu estou devendo pra esta empresa, né?” (risos). Aí, saí. Eu conhecia a Nitro Química, do ramo da Votorantim, só a Nitro Química. Eu peguei e vim na Votorantim.

 

(Troca de fita)

 

P/1 — Aonde era?

R — Na Praça Ramos. Cheguei na Votorantim, tinha um professor da GV, de econometria, chamava Luis Fabiani, era tipo de um controller. Eu cheguei lá e ele falou assim pra mim: “Nós estamos precisando de um auditor”. “Tá bom, não tem problema”. “Só que nós temos que viajar, tem que ir nas unidades e tal”. Eu falei: “Viajar não, eu não quero viajar, não quero trabalhar porque eu sou casadinho e tal, tal”. Ele falou: “Mas ó, tem uma área aí de ativo imobilizado. Sabe mexer nisso?”. Falei: “Sei”. “Como é que faz imobilizado?” Eu expliquei como é que fazia controle de imobilizado. Ele falou assim: “É, então você está aprovado”. Então assim, eu fui admitido em dez minutos, nem isso. Ele falou: “Ó, você fala com o Valdir Soprani, leva lá, está tudo bem”. Eu desci, falei para o Valdir, aí o Valdir falou: “Ó, precisa destes documentos...”, não sei o que e tal, ele falou um salário lá pra mim, mas assim, falou rápido e eu não tinha prestado atenção. O salário era bom. Bem bom mesmo. Ele começou a procurar os documentos e tal e mexendo em um monte de documentos e não resolvia a situação. Ele falou assim: “Quanto que eu falei mesmo o salário?” “Eu não estou lembrando de quanto você falou”. Ele falou: “É 3.105 ou é 2.750?” Eu falei: “3.105”. (risos). Pergunta, né? Ele colocou 3.105. Foi ótimo, recebi um aumento assim, na verdade eu não lembrava o número anterior. Passou mais de uma semana e ele falou assim pra mim: “É, senhor Milton, o número não era 3.105 não”. (risos). Aí eu falei: “Mas você que tinha que saber disso, não sou eu né, pô!”.  Aí ele falou: “Ah, vai ficar assim mesmo”. Eu: “Ótimo né?” Mas com esse Valdir, nesse mesmo dia, aconteceu um fato interessante também. Ele me deu toda a relação dos documentos, eu saí e estava esperando o elevador. De repente, eu escutei um barulho, “pow”, correndo assim no corredor, quando eu olhei era o Valdir, falou assim: “Ô, Milton, Milton, Milton, é o seguinte...” Eu usava cavanhaque, usava um bigodinho e um cavanhaque, ele pegou e falou assim: “Olha, tem um problema aqui. Aqui na Votorantim não pode trabalhar de bigode, nem de cavanhaque”. Falei: “Espera aí, então não vou trabalhar”. “Não, porque não sei o quê, imagem da empresa...” “Olha, infelizmente, eu não vou raspar o meu bigode”. Era bem ralinho na época. “Ah, então dá pra você raspar o cavanhaque?”. Falei: “Dá, o cavanhaque dá”. “E dá pra você dar uma aparadinha no bigode?”. Falei: “Também dá”. “Então, tá legal”. Normal, tirei a documentação e comecei a trabalhar. Eu comecei a trabalhar, inclusive tinha um funcionário que trabalhava há muitos anos, o Valdemar Martinez, ele era acho que assessor do doutor José, então ele até comentou. Falou assim: “Olha, o Major Simão, a hora que ele ver você com esse bigodinho aí ó, ele vai mandar você raspar”. Eu falei: “Eu não vou raspar não. Eu já conversei com o Valdir e tenho que deixar”. Todo mundo começou a me conhecer e todo mundo estranhava, né? “Ô, por que esse rapaz está andando com bigode? Não pode ter bigode aqui. Que privilégio é esse?” Os caras falavam: “Daqui uma semana você vai ter que raspar o bigode”. E eu falei: “Duvido que eu vou ter que raspar esse bigode!” Começou virar tipo uma birra minha. Falava: “Eu não vou raspar esse bigode!” Mas não aconteceu nada também. Só que o dia que eu resolvi raspar o bigode, a minha esposa não queria que eu raspasse mais o bigode. É que era aquela coisa assim, aleatória, sabe? Deixava, voltava, era assim... E até hoje eu estou com esse bigode, entendeu? Então foi um fato ali que aconteceu ,de imagem na Votorantim. Na época tinham muita preocupação com barba, tinha que fazer barba, não podia ser cabeludo, essas coisas...

 

P/1 — Quem era esse Major Simão? 

R — O Major Simão é o seguinte: na época da Revolução, muitas empresas, por questão de segurança, sempre tinham um major, um tenente que cuidava da segurança. Então, esse major ele planejava toda a segurança do prédio ali, dos funcionários. Interessante que assim, logo uns dez dias que eu estava trabalhando, tinha uns fuzileiros navais que eram aposentados ou destacados, trabalhavam ali no prédio e levantavam as fichas dos funcionários para ver se tinha problemas... Por causa do DOI – CODI, essas coisas, negócio de subversão. Eu estava conversando com o Martinez, que era o meu amigo, aí esse fuzileiro entrou com o segurança e falou assim... entrou dois, um na frente do outro, foram para o banheiro e falou: “Ó, esse tal de Milton Ferraz aí ó, ele está limpo. Pode ficar tranquilo que ele está limpo”. “Ué! Que é isso, Milton Ferraz?” Aí, eu perguntei: “Ô Martinez, o que é isso que o cara está perguntando, se eu estou limpo?” Aí ele me explicou o que tenente faz. Ele disse: “Ó, eles levantam a vida da pessoa.”

 

P/1 — Senhor Milton, voltando um pouquinho, o senhor descobriu por que a Votorantim foi atrás do senhor? Como ela chegou até o senhor?

R — Ah, foi assim: eu tinha feito esse teste na Coca-Cola, e ele disse: “Olha, posteriormente, nós vamos talvez procurar você”. A Votorantim, na época, não publicava solicitação de funcionário no jornal. Então, esse Valdir telefonava para várias empresas, dizendo: “Ó, quem você acha que foi bom, mas você não vai aproveitar?” Entendeu?  Então, ele ligou para essa empresa e eles falaram assim: “Olha, tem uma pessoa aqui chamada Milton, ele foi bem e tal, mas não vai dar pra aproveitar ele”. Foi aí que o Valdir ligou lá na empresa pedindo para eu vir até aqui. E foi aí que começou minha história Votorantinense.

 

P/2 — E depois que o senhor fez aquele teste, que o senhor tinha comentado, na outra empresa que o senhor falou “Se eu passar no teste o senhor me aumenta 50%”, o senhor chegou a cobrar deles, ficou um tempo lá ainda?

R — Não, não. Depois de um mês que eu passei no curso lá da Burroughs, aí eu saí. Eu tinha combinado, o controller falou: “Olha, eu combinei com você, eu tenho que cumprir”. Um japonês muito correto na verdade. Então, eu arrumei um emprego também e ele me liberou tranquilamente. Aí não tive problema nenhum.

 

P/1 — O senhor ficou então trabalhando ali na Praça Ramos né?

R — Fiquei trabalhando na Praça Ramos.

 

P/1 — Que andar o senhor trabalhava nessa época? 

R — Trabalhava no segundo andar. Eu trabalhava junto com o pessoal da..., porque a Votorantim não tinha computador, então eles alugavam computador das Casas Pernambucanas, ali na Paulista com a Consolação. Então, a gente analisava as documentações, fazia programação, eu não chegava a fazer programação. Nós compramos um sistema da empresa, chamava acho que Consult, e...  chama customizar, começamos a adaptar o sistema para a necessidade da Votorantim. Então, como eu já tinha experiência em programação, as críticas que dava no computador, preparar as planilhas, eu que fiquei encarregado disso, de preencher as planilhas e acompanhar o processamento. Toda essa documentação que nós preparávamos ia para as Casas Pernambucanas onde era processado. E aí, no outro dia de manhã, chegavam todas as críticas e a gente resolvia. Eu trabalhava no segundo andar, misturado com o pessoal de sistema.

 

P/1 — Mas me deixa só entender. O senhor falou que lá não tinham computadores, é isso? Como é que vocês preparavam então esse material?

R — Tinham as planilhas, naquela época eram umas planilhas todas quadriculadas, então você escrevia tudo nas planilhas. Ia para a digitadora, a digitadora digitava e saía em uns cartõezinhos perfurados. De madrugada eles levavam esses cartões e passava no computador. Era lindo assim, que nem cédula de dinheiro, né? Aí dava alguma crítica, algum erro, aí voltava uma listagem, dizendo: “Olha, errou...” A gente arrumava e devolvia. A digitadora...  A Votorantim não tinha computador, mas tinha digitadora, né?

 

P/1 — Ela digitava nos cartões?

R — Isso.

 

P/1 — E que tipo de informações vocês processavam? Informações de controladoria?

R — Na verdade, em função do que eu tinha combinado com o doutor Luis Fabiani, minha função era fazer o meio de campo para nós migrarmos do manual para o sistema de controle de patrimônio ou de ativo imobilizado, né? Então, eu tinha que preencher os dados dos equipamentos. Então, foi assim: as unidades mandavam as fichas dizendo qual o equipamento, o número da chapinha e eu transcrevia isso para as planilhas e essas planilhas depois eram digitadas, então, todo o imobilizado da Votorantim, na verdade, eu e uma outra colega de trabalho que preenchemos, que era tudo manual. Todo o ativo imobilizado hoje, que está lá, foi preenchido a mão mesmo. Então eu participei. E, fora isso, tinha o problema da inflação, correção monetária, que tinha que corrigir praticamente todas as demonstrações da Votorantim. Balanço, balancete, praticamente todos os documentos tinham que ter correção monetária. E nosso setor que acabou fazendo esse tipo de trabalho.

 

P/1 — Os outros processamentos da empresa também eram feitos nestes computadores das Pernambucanas?

R — Era. Folha de pagamento e imobilizado.

 

P/1 — E nesse trabalho que o senhor fazia, o senhor convivia com o doutor José, doutor Antônio?

R — Não. Eu via de vez em quando eles, mas convivia mais com os diretores. Tinha um diretor, chamado Rubens Ometto, hoje é considerado um dos maiores usineiros do Brasil, produção de álcool, tinha um tipo de controller também, era o doutor Wilson Masao que hoje é vice-presidente do Banco Votorantim e o doutor Luis Fabiani. E tinha o meu chefe que chamava Idio Fernandes, hoje ele dá aulas acho que numa faculdade da zona leste. Nosso contador era o senhor Herzio Ranzani e, auxiliar do senhor Herzio, era o Sérgio Picazzio, que depois virou contador da Votorantim. Mas o doutor José, só os via, assim, normalmente, mas não tinha ligação.

 

P/1 — O senhor ficou quanto tempo neste trabalho Sr. Milton?

R — Fiquei, na verdade, até o ano 2000, porque eu fui recebendo mais atribuições, entendeu? Então eu passei, em função dessa questão da correção monetária, todas as demonstrações financeiras, tinha que ter correção monetária. O pessoal falava: “Olha, a melhor pessoa pra fazer essas demonstrações é o Milton”. Então, eu que era administrador, muita gente pensou que eu sou contador, porque todas as demonstrações de valores eu tinha que fazer. Era o balanço para publicar, eram demonstrações de mutação de patrimônio líquido, outros chamavam DOAR [Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos], balancete de resultado, controle de participações acionárias. Então eu acabei fazendo tanto essas demonstrações, em função da questão da correção monetária e, toda vez que surgia a questão das inflações, problema de inflação muito alta, surgiam os planos do governo que estava na ativa. Então, tinha o plano do Sarney e tinha que adaptar todos os controles para... mudava a moeda e tal, as correções eram baseadas vamos supor em ORTN [Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional], aí vinha outro governo, vinha o plano Bresser, por exemplo, era outra moeda, outro tipo de correção. E naquela época tinha correção também mensal, outra semestral, anual. Veio o plano Collor, depois o plano Real, então cada plano desse, o patrimônio da Votorantim é enorme e alguém tinha que acompanhar de perto ali, como mudavam todas as moedas, as correções, aquelas coisas todas. A própria depreciação, né? E com isso eu acabei ficando chefe desse setor, na verdade. Era eu e mais uns cinco funcionários, então a gente fazia balancete, correção, não sei o quê, balanços, equivalência patrimonial que é o controle de participação das empresas dentro da Votorantim. Então, a função minha ficou horizontal, eu não subia... Eu fiquei sendo assessor do senhor Sérgio Picazzio, trabalhei bastante tempo com ele e eu fiquei como se fosse, parecendo que era um contador, que eu trabalhava diretamente com ele que era o contador. E todas as demonstrações do contador eu acabava fazendo. Eu trabalhei nessa função de ativo imobilizado, demonstrações financeiras, participações de empresas controladas. Depois, quando nós fomos lá para Sorocaba, chegando lá, acabou a correção monetária, aí já folgou mais um pouco a minha função, eu passei a ajudar em outros processos, mais pela experiência, ajudava o setor com outras contas, eu procurava dar uma contribuição para melhorar os controles e tal, sempre tinha uma coisa nova. Por exemplo, reengenharia, eu fazia parte da reengenharia, toda implantação nova de controle, eu acabava participando e a Votorantim contratava sempre assim, professores da Getúlio Vargas, da USP, professores bons, e eu sempre ficava como interlocutor na área nossa de controladoria. E com isso eu também aprendia muita coisa nova. E acabava vindo pra mim também muitas funções. No fim, eu acabei sendo um assessor, passei a ser supervisor contábil, mas eu era mais assessor mesmo do contador.

 

P/1 — Antes de a gente continuar um pouco nisso, eu queria voltar um pouco lá na Praça Ramos, porque o senhor falou que já foi lá pra Sorocaba, como era ali? No prédio, tinha lanchonete, restaurante para os funcionários?

R — Na Praça Ramos, antes não tinha lanchonete, a gente tinha que almoçar pelos bares ali da Sete de Abril, na Praça Ramos, ali. Depois foi construída a lanchonete. Só que a lanchonete foi assim: era muito boa e tal, só que tinha um problema sério que, um exemplo, você podia escolher os ovos malpassados, bem-passados ou médios. Então, você sentava lá e tinha umas moças que pediam malpassado, aí de repente vinha um pouquinho bem-passado, aí era uma briga. Tinha que voltar tudo pra fazer do jeito que elas queriam. Aí, voltava e tinha pessoa que não aceitava de jeito nenhum. Virava uma confusão ali na lanchonete, na verdade, entendeu? Tudo por causa desta questão dos ovos aí. Ninguém acertava o ponto lá, isso começou a gerar uma confusão e eu mesmo já ficava nervoso, porque eu achava um absurdo e começavam a brigar com os colegas já: “Poxa, mas você não pediu assim?” Aí, tinha moça que queria brigar mesmo com o pessoal da cozinha, sabe? Então, acho que resolveram, falaram: “Ó, vamos fazer o seguinte: vamos dar o ticket aí pro pessoal...” e tal, aí tinha um pessoal que trazia marmita e tinha outro pessoal que gastava normalmente nos bares ali. Quando eles instituíram a lanchonete, aí todo mundo começou a usar a lanchonete. Mas, começou a surgir muita confusão, o pessoal começou a se sentir, quase todo mundo brigando antes de almoçar já, né, aí, resolveram acabar com a lanchonete.

 

P/2 — Essa lanchonete era como um refeitório?

R — É, um refeitório.

 

P/2 — Ficava em que andar?

R — Ficava ali embaixo, entrando pelo lado esquerdo.

 

P/2— Onde hoje é o correio?

R — Isso. Entrando do lado esquerdo. É o correio lá, né? Então. Mas era boa a lanchonete, era gostoso assim, a instalação muito boa. Só que tinham essas brigas aí e você ficava mais nervoso do que resolvia o problema da fome, entendeu?

 

P/2 — Quando instalaram esse refeitório lá o senhor já estava lá?

R — Já.

 

P/2 — E quanto tempo ela durou, o senhor sabe?

R — Ah, não durou muito não. Não sei assim, chutando, um ano, dois anos.  Aí veio essa questão do ticket e tal, aí o pessoal achou mais fácil usar o ticket.

 

P/1 — Esse período que o senhor trabalhava na Praça Ramos, o senhor morava ainda no Imirim?

R — Não. Do Imirim, foi assim: eu fui morar no Jardim Joamar, perto do Jardim Tremembé. Tinha um tio da minha esposa que morava lá, ele saiu da casa e resolveu alugar pra mim e eu fiquei morando lá, nessa casa. Jardim Joamar.

 

P/1 — Vamos voltar um pouquinho pra Votorantim. O senhor falou desse major, desses militares. Como era a convivência dos funcionários nessa época? Havia desconfiança em relação ao fato de ter sempre um militar lá dentro?

R — Ah, o pessoal tinha um pouco de medo dos seguranças, sabe? Os seguranças, eu achava eles muito arrogantes, prepotentes, eu acho. Eles ficavam assim, ao lado do cartão de ponto, ostensivo assim. Olhando assim, então quando eu chegava eu dava uma passada de mão no bigode, pra ver se estava aparadinho mesmo (risos), e o cara cabeludo já olhava bem assim, já anotava, um decote assim, muito generoso, também uma observaçãozinha, se a gravata estava muito frouxa, também sabe? Então, eles faziam umas observações, aí, logo depois o pessoal ficava esperando o telefone tocar. Até as nove horas se ele não tocasse, não tinha problema, ficava todo mundo esperando o telefone tocar. Se ele tocava: “Olha, o seu funcionário está cabeludo”, pro chefe, né? “O seu funcionário está barbudo”. Era assim quando vinha alguma reclamação. Aí, a pessoa tinha que... E como eles ficavam assim andando pelos corredores e a gente tinha medo de falar alguma coisa sobre política, sobre religião, essas coisas, assim, que era proibido, né, discutir essas coisas. Mas sempre dava vontade. Então, eles sempre ficavam girando lá, então o pessoal tinha um pouco de... naquela época, tinha uma agitação política muito forte. Era a época da música contestando, aquele negócio todo, a ditadura estava muito, né, aí a gente sempre tinha vontade de discutir essas coisas, mas tinha que tomar cuidado, senão o pessoal achava que a gente era subversivo.

 

P/1 — Sabe até quando ficou esse pessoal aí na Votorantim?

R — Olha, eu não sei exatamente quando foi, mas é, depois que começou surgir a distensão e tal, foi dissolvendo assim,  naturalmente. Não sei exatamente.

 

P/1 — Eles eram funcionários da Votorantim? Não né?

R — Não. Que eu saiba, funcionários de outras empresas e tal que prestavam serviços aí. Agora, o que acontecia, que eu lembro que aconteceu de interessante nessa fase também. Aconteceu um fato assim, que eu saí para almoçar com o meu amigo, aí nós voltamos uma e pouco mais ou menos, sentimos um cheiro de queimado no segundo andar, mas, nós ainda estávamos no setor da contabilidade, nós tínhamos mudado uma parte que trabalhava junto com a área de sistema, estava na parte de contabilidade pura mesmo. Aí, sentimos um cheiro de queimado. Eu falei pro meu amigo: “Você está sentindo um cheiro de queimado?” “Eu não, estou sentindo pouco”. Aí, que peguei e saí e fui andar no prédio assim, no segundo andar. Tinha uma seção chamada Seção de Fornecedores, quando eu abri a porta assim, aquela fumaceira assim dentro da sala, né? Eu cheguei, abri um armário assim, na hora que eu abri o armário, veio um fogo assim em cima de mim, sabe? Aí, comecei a gritar né, “Chama a segurança” e tal, aí, o meu amigo desceu correndo, chamou o segurança, só que ninguém sabia onde que estava o extintor, como funcionava o extintor (risos). Aí, a gente “Poxa, segurança pra ficar pegando no pé da gente, não adianta”, né? Foi o maior desespero. E o fogo saindo assim pelo armário da contabilidade, depois apareceu alguém lá e conseguiram apagar o fogo. Mas, depois descobriram que foi um funcionário que estava cumprindo aviso prévio, e ele jogou um palito de fósforo dentro da caixa de papel e foi embora. Verificaram lá e tinha um fósforo. Mas nós verificamos que tinha que ter mais segurança mesmo. Aí, resolveram melhorar a questão de extintores e assim por diante. Todo mundo começou a criticar: “É, na hora de resolver o problema, ninguém sabia nem como”, né?

 

P/1 — Dessas advertências o senhor foi advertido alguma vez?

R — Quem, eu?

 

P/1 — É.

R — Nunca fui. Eu sempre fui correto aqui na Votorantim.

 

P/1 — Nunca implicaram com o bigode do senhor?

R — Não. Nunca tive problema nenhum na Votorantim. Acho que eu sou um dos funcionários que menos faltou na Votorantim. A empresa era correta comigo e eu sempre fui correto com ela. Até hoje. Você vê que eu estou há 34 anos na empresa, né? 

 

P/1 — E lá da Praça Ramos o senhor veio para Amauri, como foi?

R — Não, da Praça Ramos, nós fomos para Sorocaba na verdade.

 

P/1 — Quando foi isso?

R — Foi em 1992, 1993. Foi feito um estudo que eles achavam melhor a administração ficar próximo da produção que era em Santa Helena e Salto, nós fomos para lá e nisso foi feita uma análise de qual funcionário deveria ir realmente e eu fui considerado um dos que tinham que ir de qualquer maneira. Só que eu achei que eu não deveria ir de toda maneira (risos), foi uma briga interessante: eu não ia de jeito nenhum, nisso aí o senhor Sérgio Picazzio não ia para Sorocaba, aí, assumiu o controle o chamado Edson Turra e o nosso diretor chamava Nelson Shimada, até hoje ele é diretor. E o Nelson Shimada definiu lá um PDV [Ponto de venda] pro pessoal e tal, muito bom, né, eu achava bem interessante esse PDV na época e quem fosse considerado essencial nas funções, teria que ir para Sorocaba. Só que eles dariam uma condição pra você adquirir uma casa. Tinha que morar lá. E eu fui um dos que entrou neste plano. Liberaram uma verba e eu comprei uma casa lá em Sorocaba, em Votorantim na verdade, próximo do Seara.

 

P/1 — O senhor aqui morava de aluguel ou o senhor já tinha imóvel aqui?

R — Não, eu tinha imóvel. Eu morava de aluguel, aí o que aconteceu: o meu pai vendeu a casa dele e resolveu comprar uma casa num lugar chamado Francisco Morato, próximo de Jundiaí. Só que a empresa que vendeu pra ele tinha dificuldade de negociação de cálculo, não sei o quê, aí, eles pediram para eu ajudar eles. Eu acabei ajudando eles lá, para dar entrada dos documentos na Caixa Econômica pra financiar, era um tipo de um conjunto. Pelo fato de ajudar eles, eu sabia todos os tamanhos das casas e tal, e eu queria que meu irmão comprasse uma casa do lado da casa do meu pai. O meu irmão resolveu não querer comprar essa casa, eu achei uma esquema muito bom e acabei comprando, mas não para morar, comprei e deixei os irmãos da minha esposa irem morar lá. Aí, eles foram morar lá.  Continuei morando aqui em São Paulo, lá no Jardim Joamar. Eu fumava muito, fumava dois maços de cigarros por dia, já estava chegando no terceiro maço e começou surgir essa onda de ecologia, não sei o quê e tal, e eu ia muito lá visitar o meu pai e lá era um lugar muito cheio de florestamento, muito bonito lá, gostoso. E eu fumava muito e eu comecei a desenvolver uma consciência mais crítica, né, “puxa vida, tão bonito aqui, tanta ecologia e não sei o quê e eu fumo como um louco”. Aí eu já estava chegando no terceiro maço, fim de semana, eu conversei com a minha esposa e na minha casa também começou ir muita gente, muitos amigos pra discutir política, eu gostava muito, gosto ainda de ler filosofia, economia e a gente discutia muito. E de fim de semana a minha casa ficava lotada de artista, cara metido a artista e a minha esposa começou a reclamar, nós não tínhamos mais convívio dessa maneira, aí, “sabe de uma coisa, vamos fazer uma loucura, vamos morar lá nesse cidadezinha perto de Jundiaí”. Aí, não dei o endereço pra ninguém porque eu queria largar de fumar, era a maior angústia que eu tinha. Eu falei: “Vamos pra lá porque esse negócio de fim de semana lotava a minha casa e tinha que fumar.” Fizemos um planejamento, “vamos pra lá, chegando lá a gente muda a vida”. Fomos pra lá e mudou mesmo a nossa vida, entendeu? Eu consegui largar de fumar, eu me envolvi muito com a comunidade onde eu vivia e fomos felizes durante muitos anos lá, pelo menos uns 13 anos, antes de mudar para Sorocaba.

 

P/1 — E aí o senhor estava falando que foi pra Sorocaba e com a ajuda da Votorantim o senhor comprou uma casa lá?

R — Comprei uma casa.

 

P/1 — Lá em Votorantim mesmo, né?

R — Em Votorantim.

 

P/1 — E levou a família inteira pra lá?

R — Isso. Inicialmente nós ficamos morando num hotel, a Votorantim pagou um hotel, depois nós achamos uma casa lá e estamos até hoje.

 

P/1 — E a sua família se adaptou bem lá?

R — No início não. Nos primeiros meses foi difícil para os meus filhos. Eu tinha dois filhos adolescentes, então os amigos deles eram aqui de São Paulo. Então, toda vez que eles vinham para São Paulo era uma angústia, né, porque eles não queriam de jeito nenhum largar os amigos. Aí, com uma questão de tempo, eles começaram a se juntar com o pessoal de lá, e aí não tem mais problema também, né? (risos)

 

P/1 — E como é que foi? O senhor está falando do ponto de vista do senhor, mas outras pessoas também que tiveram que mudar, como foi essa mudança para essas pessoas?

R — Olha, de um modo geral foi interessante, porque o pessoal estava preparado para mudança, de modo geral.  Cidade nova, então, acho que projeto de vida das pessoas. Todo mundo que mudou, que eu sei que saiu da Praça Ramos e foi pra lá, mudando mesmo, eu achei que eles estavam contentes. Só que tinha um pessoal que ia todo dia e voltava de ônibus, esse pessoal que não achava muito agradável, né, mas quem estava morando lá, teve que mudar a vida também, adaptação e tal. Pra mim foi muito bom.

 

P/1 — E a Votorantim tinha transporte lá pra levar as pessoas pra cidade?

R — Tinha. Ela levava e trazia pra São Paulo e lá na cidade também, tinha um ônibus que levava de Votorantim para o C.A.

 

P/1 — E vocês almoçavam onde lá?

R — Lá nós tínhamos um restaurante muito bom. Engordava bastante (risos) e era ótimo.

 

P/1 — O senhor sabe por que foi desativado lá?

R — Lá foi desativado pelo seguinte: porque a Votorantim em função dessa questão da informática começou surgir novos sistemas, entendeu? Reengenharia, não sei o que e tal, então, tinha dois diretores, um da produção chamava Nildo Máximo e outro lá de Rio Branco, engenheiro Vilar, então, a gente sabia que era um ou outro que, na verdade, comandava toda a situação da Votorantim na parte de produção. Então quando o Nildo acho que se aposentou, o Vilar que assumiu e como ele morava lá em Curitiba, ficou uma dúvida, durante o ano de 2000, nós ficamos numa angústia, o pessoal dizia que ia ser lá o CSC, o Centro de Serviço Compartilhado, seria lá em Votorantim ou Curitiba, mas ninguém abria pra nenhum outro funcionário, então, nós começamos viver numa angústia lá. Eu, particularmente, não, porque pelo escopo, do perfil, eu não enquadrava no perfil mais pra ir pra Curitiba. Então, eu não estava preocupado. Eu estava mais interessado em receber o PDV, porque, como eu mudei para Sorocaba, pra Votorantim, a minha casa era grande lá onde eu morava, aí, eu montei uma escola infantil. Então, minha esposa começou estudar pedagogia e eu também comecei a ler todos os livros de pedagogia, Piaget, Vygotsky, Montessori, aí, eu virei diretor de escola infantil e essa escola funcionou até o ano de 2008. Mas foi muito interessante isso aí, foi uma experiência muito rica. De 1999 até o ano de 2008. Então todas as crianças, amigos nossos, porque minha casa era grande lá, tinha quadra pra jogar basquete, vôlei, uma quadra multi-esportiva e com isso no fim de semana eu trazia todo o pessoal do bairro pra jogar em casa, a gente fazia disputa, gincanas e campeonatos, então, sempre a gente fazia umas competições assim e chamava um vereador, o prefeito, eram todos amigos da gente. Eles vinham premiar esses jovens, então, isso aí dava uma auto-estima nos moleques que ia lá em cima, né? Então a gente era muito envolvido com a comunidade e como era um lugar muito novo, a assistente social  da Prefeitura, pediu se dava pra eu organizar lá a sociedade lá deles, sociedade de amigos. Aí eu montei uma Sociedade de Amigos de Bairro, e como na época tinha um negócio chamado ticket de leite, então tinha que montar uns balanços para receber esses tickets de leite na época do Governo Federal e a Sociedade dos Bairros, de um modo geral ninguém sabia fazer esses balancetes, declaração, aí, eu fiquei conhecido lá por fazer, né, eu trabalhava na Votorantim, sabia fazer tranquilo isso. Eu comecei a fazer pra todo mundo, na verdade, todo mundo da cidade vinha. Então, eu chegava em casa, sempre tinha alguém lá no portão me esperando. “Eu sou da Sociedade de Amigos lá do Bairro tal. Dá para o senhor fazer o nosso balancete?” Aí, acabei fazendo amizade com todo mundo lá na cidade, né? Aí no fim acabei virando secretário do PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira] na cidade e se eu não viesse aqui pra Votorantim eu teria virado um político lá na cidade. Ainda bem que eu vim pra Votorantim. (risos)

 

P/1 — Então esse PDV o senhor aderiu a ele então?

R — Aderi. Não, dentro desse PDV tinha essa questão que eles dariam esta verba e a pessoa ir pra Curitiba, pra Curitiba não, pra Votorantim. Aí eu fui pra Votorantim. O PDV, pra quem ir para Curitiba, eu não aderi, eu fui obrigado, na verdade, sabe? Eu não estava dentro do perfil, porque as pessoas que queriam ser transferidas da Votorantim para Curitiba, tinham uma certa idade, não sei o quê, eu tinha até me aposentado já. Me aposentei em 1997. Mas eu estava muito ligado nos processos todos e quando o controller de lá foi para Curitiba ele combinou comigo: “Olha Milton, você vai sair, nós vamos pagar tudo pra você, mas só que você vai ter que trabalhar lá na Rua Amauri pra fazer o balanço de 2000”. Aí eu fui lá pra Rua Amauri, trabalhei uns dois, três meses lá pra fazer esse balanço do ano 2000. Trabalhei junto com um rapaz chamado Pedro Togni, trabalhamos neste processo todo, aí, depois que publicamos o balanço eu fiquei prestando consultoria lá em Curitiba, eu ia assim, ficava uns 15 dias, passava, “pá, pá, pá”, até 2005 eu fiquei indo direto lá  em Curitiba, prestando serviços lá, com esse Edson Turra, que era o chefe lá do CSC.

 

P/1 — Mas o senhor ficava em casa e só ia pra Curitiba ou o senhor tinha um espaço lá no C.A.?

R — Eu tinha um lugar. Eu trabalhava com o pessoal do setor de ativo imobilizado lá.

 

P/1 — Mas aqui em Votorantim o senhor já não trabalhava mais? Não ficava mais no C.A.?

R — Não.

 

P/1 — O C.A. já tinha sido desativado, é isso?

R — Tinha sido desativado, eu trazia serviço pra minha casa e ia pra Curitiba. Até o ano de 2005. Aí em 2005 a Votorantim decidiu fazer um tipo de um inventário geral, eu fui chamado pra trabalhar na Berrini, aí, tinha um controller chamado Cássio Schreiner, fui trabalhar com ele. Nós fizemos esse inventário até 2007, aí, o que aconteceu: a Votorantim ela tinha um monte de documentos que estavam guardados em Jaguaré, mas houve um problema de enchente lá e eles resolveram transferir tudo pra Itapevi e formou lá um arquivo geral bem desorganizado em Itapevi. Como ela vendeu Itapevi, teve que transferir toda aquela massa de caixas, documentação pro C.A. que estava vazio em Votorantim. Eu estava nessa época aqui na Berrini. Aí esse controller ele foi transferido para a Votorantim Metais e no dia que ele devia ser transferido, o Walter Schalka, que é o presidente falou assim: “Ó, você precisa resolver o problema lá de Santa Helena. Tem que resolver aquilo lá, que é um caos total”.  Aí, ele numa reunião ficou “Puxa, como é que vamos resolver esse problema” e começou: “Milton, você conhece alguém lá, algum contador lá em Votorantim, da Golden Service, do Renato Delanhesi ...”, que era um diretor antigo. Falei: “Ó, eu não conheço ninguém lá”. “Ah, mas você não conhece nenhum contador?” “Não, não conheço ninguém lá”. Aí, um colega do lado, né, falou assim: “Poxa Milton, já que você está lá, você vem todo dia de Votorantim pra cá e tal, por que você não fica lá e resolve esse problema?” “Ah, é isso mesmo Milton. Quebra o galho...”, não sei o quê, sabe? Aí, veio na mente e eu falei: “Tudo bem então, já que é pra resolver uma crise tão grave assim, né, tá bom, eu vou pra lá”. Aí, já liberou, “Ó, está resolvido o problema”. Quando eu cheguei lá no prédio, quando eu abri a porta que eu vi, nossa, eu fiquei louco. “Não é possível eu ter aceitado uma coisa dessa”. Eu troquei o luxo pelo lixo. (risos) A hora que eu vi aquele monte de caixas assim, eu não conseguia nem entrar no prédio de tanta caixa. Caixas no banheiro, tudo... e sem luz ainda. Eu sei que durante um mês ali foi uma dificuldade enorme, no primeiro mês, né? Estava tudo fechado e foi um caos total. Fungos pra todo lado e conseguimos eu e um rapaz chamado Samuel que trabalhava comigo lá, nós adaptamos lá, fomos limpando, limpando e tal, e fiquei doente pelo menos um mês de alergia. Eu não tenho alergia, mas fiquei tipo com uma gripe que não sarava, sabe? Aí, os anticorpos já reconheceram todos os fungos, né, (risos), aí, tranquilo.

 

(Troca de Fita)

 

P/1 — O senhor estava falando então de quando chegou no C.A. e levou esse susto, né?

R — É. Aí, depois nós fomos arrumando, então, as pessoas que iam nos visitar, eu ficava com dó deles porque, não tinha erro, todo mundo que foi nos visitar no início, ficava doente. Fomos arrumando e fizemos uma triagem da documentação voltada pra questão contábil, jurídica, aí começou a surgir muito documento histórico, né? Foi aí que eu falei: “Poxa, eu vim aqui pra ver um negócio e começaram a surgir outras questões de história”. Eu liguei pra Inês falando da situação, logo depois conversei com a Tânia também sobre essa situação e o pessoal falou: “Olha, tem que mudar o escopo aí do projeto, tem que dar mais atenção para a questão histórica”. Começaram a surgir coisas interessantíssimas, como eu gostava muito de ler, história e tal e tinha lido o livro “Uma Obra” do doutor José, eu consegui amarrar muitos fatos, né, e aí começou a surgir muita documentação. O primeiro que surgiu, assim, que assustou a nós, assim, foi o Banco União, né, falando do financiamento da Votorantim com o Banco União, então, eles descreviam todo o processo de produção de chita e o que a Votorantim tinha pra oferecer em garantia e tal, e tudo letra gótica, muito bonito, então, eu deduzi que o livro, ele tinha 30 páginas mais ou menos em branco, as primeiras páginas, acho que ninguém deu bola pra esse livro justamente em questão disso, aí , eu disse assim pro Samuel: “Samuel põe todos esses livros que estão em branco naquele monte ali”. Só que quando ele foi levando, caiu. Na hora que caiu assim, eu vi uma mancha escura, e quando eu fui ver o que era e foi aí que surgiu tudo essa coisa da história, sabe? Eram importantes essas informações, depois encontramos uns outros livros lá de 1919, 1920 e foi indo assim, diários, né? Mudou até um pouco a expectativa do meu trabalho lá. E começou a surgir muita coisa interessante, manuscrito do Pereira Inácio, manuscrito do doutor José, quando ele estava escrevendo o livro, muitas fotografias, alguns objetos também interessantes. E até hoje eu estou cuidando da parte dos arquivos e trocando figurinha com o pessoal da memória. Agora, atualmente mesmo, eu estou num projeto de controle imobiliário. A Votorantim resolveu fazer um inventário físico e contábil, especificamente da área de imobiliária. Então, eu estou participando junto com o pessoal da Berrini, o Marcelo Weber e o Roberto Akiau, que estão coordenando isso, então, eu estou colaborando com eles hoje com esse trabalho.

 

P/1 — Vocês estão levantando os imóveis que a Votorantim tem, é isso?

R — Votorantim, da área de cimentos.

 

P/1 — Só de cimentos?

R — Cimentos. O Brasil inteiro. Então, nós estamos levantando nos cartórios, criando um sistema de controle de informática pra controlar isso aí, porque tem muitas áreas que são rurais, outra área é urbana, outra é produtiva, outra improdutiva, então, precisa cadastrar isso pra efeito de controle, né?

 

P/1 — E são muitos imóveis?

R — Muitos imóveis. Brasil inteiro, nordeste, sul.

 

P/1 — Nesse período que o senhor está no C.A., praticamente só o senhor e o Samuel trabalhando, aconteceu algum fato engraçado lá?

R — O fato engraçado é que nós temos lá os lagartos lá enormes que sempre entram lá pra visitar a gente. Uma vez eu até lacei um e começamos andar lá, falei: “Vou apresentar o C.A. pra você!” Andamos bastante e tal, mas, soltamos ele e de vez em quando ele ia lá visitar a gente. Aí, apareceu uma cadelinha muito bonitinha, nós criamos ela lá, então, nós acabamos sendo os pais dessa cadelinha. Chamava Belinha. A gente gostava demais dela, mas, ela morreu, infelizmente. Deixa eu ver o que mais... são essas coisas assim, do dia-a-dia mesmo.

 

P/1 — Deixa eu perguntar uma coisa pro senhor: a Votorantim ela tinha grêmio, ela tinha clube para os funcionários?

R — Lá no C.A. é um clube na verdade. Tem piscina, quadra multi-esportiva, tem campo de futebol, tem essa piscina que é grande.

 

P/1 — E os funcionários frequentam lá?

R — Frequentavam. Depois que mudou pra Curitiba, simplesmente, foi desativado. Só usam a quadra pra jogar futebol de salão lá e uns jogos assim de futebol de campo. Mas é muito pouco usado.

 

P/2 — O senhor chegou frequentar o clube?

R — É, nós jogávamos bola lá. O próprio C.A. era o clube.

 

P/2 — Então, mas quando funcionava como clube o senhor chegou a frequentar?

R — Frequentávamos. Jogávamos bola lá e tudo. De sexta-feira fazíamos churrasco lá e jogava tênis de mesa, era muito bom.

 

P/2 — Por que o clube deixou de existir, o senhor sabe?

R — Ah, porque como fomos transferidos para Curitiba, houve umas alterações de gerenciamento,  então o pessoal resolveu não gastar mais pra manutenção, aí foi desativado.

 

P/1 — O pessoal da fábrica de Santa Helena não usa?

R — Hoje eles usam só pra jogar futebol de salão. Mas eu acho que houve um corte de despesa, custo e desativaram, né? Eles cortaram até a luz lá. Nós não tínhamos luz, telefone, nada. Quando eu cheguei lá que eu vi as caixas naquela escuridão, foi uma dificuldade. Teve que negociar com o pessoal da fábrica pra colaborar, pra instalar luz, telefone. Então, o pessoal da Fábrica de Santa Helena que facilita minha vida lá, sabe? Agora, faz o quê? Uns dois meses que conseguimos ligar a internet lá, porque a fibra ótica que tinha lá quebrou, então, fizemos um outro esquema lá, uma gambiarra pra funcionar.

 

P/1 — Sr. Milton, nessa sua trajetória de vida na Votorantim o que o senhor poderia falar que o senhor acha importante dentro da sua trajetória?

R — Olha, na minha trajetória, eu trabalhei na Votorantim muitos anos, mas eu tive uma trajetória paralela eu acho, entendeu? Eu acho que foi rica também. Mas, da Votorantim , eu achei que foi positiva porque eu conheci muita gente interessante, gente boa mesmo, gente muito inteligente. Então, o fato da Votorantim contratar muitos consultores, muitos auditores, nessa troca de experiências eu aprendi muita coisa na vida. E usei muito do que eu aprendi na Votorantim na minha vida. Na comunidade, por exemplo, que eu vivi. Sempre procurei trazer a experiência da Votorantim na comunidade, entendeu? E a própria postura correta, que eu acho que a Votorantim tem, pelo menos da área que eu trabalhei sempre foi muito correta, então eu sempre tive esse norte, assim, de comportamento.  Não deu pra ficar rico ainda, mas (risos) em termos assim de personalidade, eu acho que foi muito importante.

 

P/1 — E o senhor pretende trabalhar até quando na Votorantim?

R — Olha, eu não sei o que é trabalhar em outro lugar, na verdade, né, há tantos anos. Mas, enquanto tiver projetos e tiver saúde, eu continuo trabalhando, porque, trabalhar pra mim hoje, não é assim um fardo na verdade. Pra mim, eu consegui adaptar bem o meu jeito, eu sou meio cientista, na verdade, eu gosto de pesquisar, gosto de analisar, então, tendo esses desafios, eu vou continuando normal porque eu sei que faz bem pra saúde, pra cabeça de um modo geral. E a Votorantim é muito rica em termos até de relacionamento de pessoas, muitas pessoas, então isso é uma coisa que você vai sempre desdobrando. Vai se enriquecendo sempre, na realidade.

 

P/1 — A gente está encaminhando para o final do depoimento, a gente tem umas perguntas de avaliação. Em relação a sua vida pessoal, o senhor tem ainda algum sonho? 

R — Olha, o meu sonho mesmo, é manter a felicidade que eu sinto hoje de viver com minha esposa e com os meus filhos. Esse é o meu sonho, é manter isso. Não é que eu seja um cara conservador não, muito pelo contrário, mas o meu sonho é sempre manter isso, porque eu li uma vez assim que “a somatória de toda minha ambição é ser feliz dentro da minha casa”. Então, eu tendo esse tipo de vida, moro numa cidade tranquila, tenho um serviço que eu acho que eu faço tranquilamente, tenho uma família ótima, meu sonho é esse: manter essa felicidade. É isso que é importante.

 

P/1 — O senhor já tem netos?

R — Tenho dois netos. Tenho uma neta e um neto.

 

P/1 — Como eles chamam?

R — Um chama Gabriel e outra chama Luiza.

 

P/1 — E o nome dos seus filhos?

R — Rafael, Renata, Juarez e Gabriela.

 

P/1 — Estão todos casados ou não?

R — Dois são casados e dois solteiros.

 

P/1 — E qual o nome da sua esposa?

R — Edinéia Ferraz de Oliveira.

 

P/1 — Sr. Milton, o que o senhor achou de ter dado esse depoimento para este projeto da Votorantim e para o Museu da Pessoa?

R — Achei interessante. A gente resgata, assim, algumas coisas da vida da gente, né? Então um professor meu que sempre dizia que “o mundo são as pessoas”. Se a gente quiser conhecer o mundo, tem que conhecer as pessoas. Então a gente tem que deixar registrado. Eu, como gosto de ler e tal, já li muita coisa, aprendi muita coisa que os outros escreveram, deixaram registrado, alguém vai ler alguma coisa, vai ouvir alguma coisa do que eu falei... Faz parte da história, dinâmica da história.

 

P/1 — Então a gente gostaria de agradecer a sua presença aqui hoje, está bem? Obrigada.

R — Estou à disposição.

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