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História de: Ramiro Barcellos Tostes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/01/2021

Sinopse

Nascido no Rio Grande do Sul. Formação em Economia. Trabalhou por muito tempo na Organização Nacional do Trabalho na Petrobras. Convidado a ingressar no grupo de trabalho da Fundação Petrobras de Seguridade Social. Ajudou a fundar e divulgar a Petros e Ambep.

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História completa

P/1 – Eu vou começar pedindo que você diga o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R – Meu nome é Ramiro Barcellos Tostes, eu nasci no Rio Grande do Sul em 01 de agosto de 1925.

P/1 – E qual é a sua formação, senhor Ramiro?

R - Bom, eu fiz naquele tempo quando eu fui pra faculdade... eu entrei... Chamava economia, era a faculdade que dava o título de economista, e aí eu fiz o curso, mas era Administração em Finanças o meu curso superior. E eu saí com título de economista, mas eu não gostava, eu preferia o de administrador e passei muito tempo trabalhando em Organização Nacional do Trabalho e depois surgiu o Conselho Regional Federal de administrador, eu passei pra lá e escolhi ficar como administrador na Petrobras e não mais como economista. Eu não era muito chegado a ficar lá fazendo aquelas contas, né? Então eu fiquei assim... Eu comecei assim no orçamento, foi o primeiro orçamento econômico que se fez no Brasil, isso foi em 1959.

P/1 – Isso foi na Petrobras?

R – Na Petrobras. E eu colaborei muito nisso aí, fizemos um orçamento que perdurou durante muito tempo e ainda hoje eu não sei se ainda perdura, mas muito da base do negócio continua, a parte econômica. Ele incluía a parte financeira, mas era mais a parte econômica, os resultados, as aplicações, os investimentos, dimensionamentos de estudos, o correr dos períodos de curto prazo, médio prazo e longo prazo. A nossa parte ficava no curto prazo, porque era um ano, em um ano a gente tinha que renovar toda a programação econômica da empresa.

P/1 – E era um trabalho braçal?

R – Era um trabalho braçal também. Nessa parte... Eu lembro um nome de um rapaz que foi uma cabeça, o Paulo Rodrigues, ele faleceu trabalhando lá conosco, moço ainda, brilhante e eu trabalhava com ele. Então eu tinha prazer de trabalhar ali, eu trabalhei assim durante muito tempo, ficamos no orçamento até que eu fui convidado pra integrar o grupo... Isso em 1965 já, eu entrei em 1959, seis anos depois me convidaram pra integrar o grupo de trabalho da Fundação Petrobras de Seguridade Social que não tinha esse nome naquele tempo. Queriam fazer... Chamava complementação do salário para aqueles que se apresentassem receberem alguma coisa além do que o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] pagava naquela ocasião e mais um tanto procurando chegar ao valor do salário que o camarada recebia quando na ativa. Isso levou... Com marchas e contramarchas, nós ficamos cinco anos trabalhando nisso, claro que tivemos assistência de um mestre, o professor João Nogueira que era o presidente da Estatística e Atuária, serviço de Estatística e Atuária, e o doutor Dafne Souto, que era o chefe do serviço médico da Petrobras, que se dedicou de corpo e alma a esse trabalho. Era um trabalho entusiasmante, eu sempre gostei do trabalho, eu tinha entusiasmo, eu sempre trabalhei em coisa social em grupo, eu nunca praticamente fiz nada sozinho a não ser escrever, mas sempre dentro desse rumo que a minha vida foi traçada.

P/1 – O senhor então sempre teve esse espírito de coletividade, né? E quando o senhor começou a se envolver mais diretamente com as questões trabalhistas? Dos trabalhadores? 

R – Eu não entro nas questões trabalhistas, né? Eu entro na vida do indivíduo, com o bem estar dele, porque quando nós fizemos a Petros [Fundação Petrobras de Seguridade Social] que é a que dá, vamos dizer, a solução financeira do indivíduo...

P/1 – Quando foi?

R – Isso foi em 1970, nós fizemos a Petros que dava então a possibilidade do indivíduo continuar vivendo dentro de um padrão financeiro bom, quase... praticamente o salário que ele recebia quando na ativa e assim foram indo vários... Até que no ano de 1970, não, ainda em 1968, 1969, nós começamos a ver que estava havendo uma perda principalmente dos benefícios que a gente recebia quando trabalhava, por exemplo, a parte médica que nós não tínhamos, estávamos nos distanciando praticamente do grupo, cada um no seu lado, cada um no seu rumo e isso era muito ruim. Então estávamos sentindo a necessidade de congregar esse fundo de novo, até que em 1970... não, me desculpa, em 1981 fizemos a Ambep [Associação Mantenedores Beneficiários Petros], foi um grupo de 34 que se reuniu e começou então esse trabalho que hoje em dia... Dos 34 daquela época pra cá, hoje em dia tem mais de 30 mil associados e naquele tempo era um grupo de 34. E o que nós procurávamos? Dar ao aposentado alguma coisa além do dinheiro que ele recebia: os benefícios, o bem estar, a atenção, a parte, vamos dizer, do noticiário, dizer como estava a vida, não perder o contato com a vida. Era ele continuar vivendo como se estivesse vivendo com os amigos, os colegas. Então fizemos a Ambep e o que nos preocupou foi congregar todo mundo, unir essa gente toda, e pra fazer isso a gente não podia entrar em certas coisas que poderiam nos levar a ficar numa situação difícil. Essas reivindicações trabalhistas, essas coisas todas que são naturais, nós deixamos com o sindicato e com as associações que foram fundadas para isso, nós procuramos sair disso senão nós íamos envolver-nos em negócio de reivindicações, de briga com patrão e essas coisas todas, longe disso. Procuramos levar pra empresa, desenvolvê-la e congregados o quanto mais era melhor, tanto que fizemos um dístico que é: “O Elo Que Nos Une”. Quer dizer, quando acabou tudo, aquilo ficou ainda me espremendo ao conjunto e esse “Elo Que Nos Une” continua até hoje.

P/1 – E como foi nesse primeiro momento conquistar novos associados?

R – Foi uma campanha que demorou anos, porque ela começou no Rio de Janeiro, mas nós tivemos que expandi-la pelo Brasil inteiro. Começou aqui, começaram a aparecer, mas o pessoal já começou a sentir que estava havendo alguma coisa, né? Fizemos primeiro umas representações em Belém e Santos, aí já começamos a chamar gente pra se associar, aí começamos a crescer, fomos agindo aos pouquinhos procurando localizar representações da Ambep, hoje em dia atende praticamente em todos os estados do Brasil. Mas começamos devagar, não podíamos começar da noite para o dia porque não tínhamos nem dinheiro.

P/1 – Como era feita essa comunicação com outros Estados? Como era essa organização?

R – Bom, aí está faltando o Jorge.

P/1 – Fala o que o senhor lembra.

R – A gente fazia mais ou menos publicações e tal e começava a mandar, pedíamos aos colegas dos locais para entrar em contato com os conhecidos e tal e coisa, foi crescendo num bolo de conversa. Uma coisa que levou muito logo a trazer maior fluxo de pessoas, de associados, foi que nós víamos que perdíamos... Quando a gente se aposentava naquela época, a gente perdia a assistência médica, não tinha mais assistência médica que nós tínhamos durante o tempo de ativos. Então a nossa ideia vem aí, o Mário Gracindo que vai falar, que foi o que botou pra funcionar isso, mas a ideia foi do conjunto de procurar fazer um convênio com aqueles médicos que atendiam na Petrobras no Brasil inteiro pra eles manterem pra nós os mesmos preços que eles cobravam da empresa quando nos atendiam. Só que os da empresa, a empresa os paga e quando a gente usa, quem tem que pagar é a gente, não é a Ambep, é o usuário. E isso levou a coisa a rapidamente se espalhar pelo trabalho de procura de médicos, dentistas, hospitais, nós começamos por aí, foi o nosso passo inicial nesse trabalho que é justamente a ideia de atender uma falta muito grande, porque o dinheiro no bolso o indivíduo tinha, porque a Petros dava, alguns nem sabiam o que fazer com aquele dinheiro. Então a orientação... Tudo isso já começamos então a pedir, a indicar dando rumos levando sempre a coisa pra esse lado da seriedade e da amizade e assim nós vivemos muitos anos e crescemos muito. Eu não vou falar como que está agora, porque tem uma parte que eu divirjo muito, mas eu não vou falar.

P/1 – Senhor Ramiro, ainda sobre esse primeiro momento, existiam outras entidades parecidas com o que foi a Ambep?

R – Eu não vou dizer que nenhuma, existia uma em Santos, uma na Bahia pequena, mas eles não tinham essa visão assim, era uma coisa diferente, esse início foi todo nosso. Aí nós começamos também a constituir uma defesa da Petrobras e da Petros nas causas nacionais, não problemas trabalhistas, nada disso, mas causas nacionais, o Jorge deve ter falado nisso. Foram algumas leis que levaram a empresa e já Petros foi começando a ficar com recursos muito grandes e o Governo já queria pegar aquilo de algum jeito. Então fizeram alguns planos pra pegar depósito, recursos nossos pra empréstimo a longo prazo, mas aí nem a Petros  e nem a Petrobras podiam negar, reclamar disso, mas nós entramos no lugar deles e conseguimos vencer todas essas ações, não houve Fundo Nacional de Desenvolvimento, tudo isso, eles nos deram recurso e deixaram a Petros em paz, porque a Petros em paz era o que nós queríamos e até hoje a gente se preocupa com o andamento das coisas. Outra coisa era manter sempre um bom relacionamento com a Petros e com a Petrobras.

P/1 – Eu só vou voltar um pouquinho, o senhor está falando da relação da Ambep bem próximo com a Petros, né? O senhor participou da criação da Petros?

R – Sim, senhor.

P/1 – Como é que foi isso? Só pra voltar um pouquinho, só pra entender.

R – Eu disse já. Em 1965 eu fui chamado pra constituir um grupo de trabalho pra estudar o problema da complementação salarial dos empregados, que a Petrobras viu que havia necessidade de atender os aposentados dela, o tratamento... Levar aquilo de alguma forma é claro que não era uma coisa gratuita, era uma participação meio a meio praticamente onde a gente começou a estudar. E o negócio não foi fácil, não, porque inicialmente demandava um recurso que a Petrobras teria que dar como Fundação, porque também como é que nós íamos fazer negócio? E resolvemos criar a Fundação, uma fundação que hoje em dia é a Fundação Petrobras de Seguridade Social. E o que é a Fundação? É um dinheiro posto ao serviço determinado. Então a Petrobras deu esse dinheiro pra nós atendermos uma parte daqueles empregados que já tinham se aposentado ou que estavam prestes a se aposentar que não iria pesar na contribuição daqueles que estavam na ativa. Então esse dinheiro foi que deu margem ao início da Fundação, é lógico que depois com a contribuição de todo mundo aquilo se desenvolveu e cresceu.

P/1 – E na época houve uma resistência na aceitação? O senhor lembra?

R – Não, houve, vamos dizer...  Pela Petros em si? 

P/1 – Pelo corpo dos trabalhadores.

R – Não, o Ministro de Minas e Energia, que era o contato com a Petrobras, exigiu que 30% dos empregados aderissem a esse plano, porque o plano já estava aprovado, mas para botar em funcionamento e aprovar definitivamente o plano que levou cinco anos pra fazer: “Eu quero 30% dos empregados aceitando esse plano, senão nada feito”, aí tivemos um trabalho. Aí... Na Petrobras, né? E conseguimos 91% de adesões.

P/1 – Mas por que tiveram um trabalho?

R – Ah, pra divulgar pro pessoal vir, pra aceitar, pra crescer, pra fazer a Fundação e eles aceitaram, 91% de todos os empregados da Petrobras entraram, só 9% não entraram desconfiados não sei de quê. Depois mais tarde vieram dizer que não sabiam pra querer entrar e entraram, muitos deles entraram depois.

P/1 – E senhor Ramiro, o senhor foi um dos fundadores, né? E quando o senhor passa a assumir uma diretoria? Como foi essa sua trajetória?

R – Na Ambep?

P/1 – É na Ambep.

R – Eu sou o associado número dois, o um infelizmente foi o Bastos, já morreu. Eu comecei no primeiro dia, quando foi no dia 14 de outubro de 1981, eu me engajei nisso e fiquei nisso, eu passei 20 e tantos anos nesse negócio, não tinha remuneração nenhuma, mas tinha que dar uma prestação de serviço muito grande e muito trabalho e muita cuca queimada. 

P/1 – O senhor ficou até quando?

R – Você sabe que eu não me lembro... Pena que o Jorge não esteja aqui, mas faz uns quatro anos que eu saí, uns quatro ou cinco no máximo.

P/1 – E dessa trajetória que momentos o senhor marcaria?

R – Todas, porque foi muita coisa que a gente fez, principalmente nós fizemos um plano... deve-se muito ao doutor Dafne, que eu já falei nele, eu trabalhei muito com ele nisso, era o Cedis, Centro de desenvolvimento e Integração Social, nesse Centro você... Ele ainda não está montado como tem que ser, porque pode ser parcelado, mas você determina que ali você vai levar o aposentado para conviver, para se distrair, para se ilustrar, para ser atendido até assistencialmente, podendo, em alguns lugares, morar em determinados lugares só nosso, entendeu, com habitações e tal. Aqui mesmo na Pacuí 931, em Vargem Grande, nós temos uma área muito boa de 48 mil metros quadrados, mas hoje em dia ela não se efetivou naquilo que a gente pensa. Mas isso pelo Brasil inteiro vai indo e de alguma forma alguma coisa tem-se feito, visitas a doentes... Enfim é um trabalho incessante porque é de várias partes, é da parte de lazer, parte de assistência, parte da previdência, tudo isso, a gente está enfiado dentro desse conjunto e aquilo é interessantíssimo. 

P/1 – Você destacaria outras?

R – Bom, eu destaco tudo que a gente fez lá, eu não me lembro assim de detalhes, mas vamos ver, deixa eu pensar um pouquinho.

P/1 – Senhor Ramiro, o senhor pode voltar então a falar sobre isso... E ao longo da história da Ambep que o senhor participou como é que tem sido... Como foi a relação com as outras entidades dos trabalhadores? 

R – Nós não tínhamos muita preocupação com as outras entidades, é claro que nós convivemos com elas, mas algumas têm alguns objetivos diferentes da nossa, a nossa era pra congregar, pra unir e para ficarmos, vamos dizer, ao lado dos nossos dirigentes. Isso nós devemos muito a empresa, porque a Petrobras, por exemplo, nos cedeu a possibilidade de arranjar recursos pra comprar esse terreno que eu falei a pouco de 48 mil metros quadrados. Nós participamos de uma parte do seguro da empresa, porque no início todos os recursos que saíam da empresa, quando fazia seguro, ia pro Instituto Resseguros, 8% isso é lei, mas aí eles abriram a possibilidade daquelas empresas que tivessem um administrador de seguro, uma companhia administradora do seguro dela, poderia não participar desse recolhimento de 8% e ficar com ele. Nessa hora nós que estávamos fazendo... Nós fizemos dois empreendimentos grandes, a corretora de seguros que hoje é uma das maiores corretoras de seguros de automóveis do Brasil, a DECO corretora, é corretora e administradora de seguros S/A. E essa administradora é que deu margem de podermos participar de uma parte daqueles 8% que a Petrobras deixou de pagar e com isso nós obtivemos o dinheiro que finalmente nos deu a possibilidade de comprar Vargem Grande lá em Pacuí onde é o Cedis. E se a gente não tivesse ótimas relações com e empresa, nós não íamos receber isso nunca, como nenhum desses outros receberam nada. Então a coisa não é “puxa saquismo”, não, é porque nós acreditamos na Petrobras desde o início, uma empresa muito séria e uma empresa que nós temos que dar apoio. É lógico que de vez em quando surgem problemas, mas a gente procura amenizá-los, compreendê-los pra podermos chegar a um final juntos de uma forma satisfatória pra todo mundo.

P/1 – Existe uma singularidade de ser um trabalhador da Petrobras?

R – Muita. Eu estava até falando com ela que no início eu não animei muito com a ideia de vir pra Petrobras, porque eu trabalhava num lugar que eu gostava muito, mas acabei vindo e aí comecei a acreditar naquilo que eu ouvia e senti realmente assim como um patriotismo trabalhando, entendeu? E todo mundo era assim, não é o meu caso, não, é o caso de todo aquele grupo inicial que começou na Petrobras, aqueles erros, tudo que a gente tinha... A gente manteve até hoje, agora quase como recordação e saudade.

P/1 – Por que você não queria ir pra Petrobras?

R – Eu não queria ir, porque eu gostava muito do que eu fazia, eu trabalhava com... Eu tinha um chefe muito bom, eu até contei pra Inês...

P/1 – Conta pra mim também?

R – Mas aí é fora da Petrobras, né? Escritório Técnico César Cantanhede, o professor Cesar Cantanhede era irmão do Plínio Cantanhede, que era do Conselho Nacional de Petróleo, um homem que a gente deve muito... O petróleo ao Conselho. E eu trabalhava lá e era um trabalho encantador, um trabalho todo de jovens e esse chefe meu era um camarada fabuloso, eu podia dizer assim: “Foi um tipo inesquecível.” Então enquanto ele estava lá, eu não queria sair de lá, eu fui chamado e fiz entrevista na Petrobras, eu já estava tarimbado no trabalho desse tipo e eles gostaram de mim e eu também gostei deles. Eu fui convidado pra ir pra Bahia, isso em 1957, eu cheguei lá e gostei do trabalho, estava inaugurando a refinaria Rlam Gonçalves. Mas alguma coisa que agora eu não quero tocar aqui, eu falei com ela, o jeito de tratar de certos indivíduos lá não me agradaram muito e eu ligado a esse escritório que eu trabalhei muito tempo, eu comecei a fugir, porque era muita gente a me chamar: “Vem pra cá”. Porque eu fui selecionado num grupo que... Foi entrevista, não houve prova, não, na entrevista eu já tinha um bocado de trabalho feito, aí eu fiquei dois anos pra resolver vir, até que eu cedi e vim. E aí eu conheci a Petrobras e começamos a nos relacionar e eu entrei então pra Petrobras como empregado uns quatro ou cinco meses depois de ter entrado na empresa, eu não entrei como empregado.

P/1 – Não?

R – Não, eu entrei como serviço de terceiro, mas aí me disseram: “Agora você decide”, eu digo: “Não, eu vou ficar”. Fizemos várias campanhas, nessa Ambep tivemos muita coisa. A Petros resolveu mudar o sistema de contribuição definida pra benefício definido... não, é o contrário, é benefício definido pra contribuição definida. Isso é o seguinte: no início a Petros começou e você pagava, e você sabia de antemão para o que você estava pagando, você ia receber 1X que era relativo ao seu ordenado e a sua contribuição. Passado agora... Uns quatro anos atrás ou cinco, não me lembro exatamente quanto tempo tem que mudaram esse sistema chamado BD pra sistema CD contribuição definida, você hoje tem a contribuição definida e o benefício é em função do dinheiro que foi acumulado, com algumas nuances, é claro, mas é diferente. O outro não, você pagava e sabia o que ia receber, e nesse você paga e espera receber uma quantia que você não sabe direito quanto é. Isso causou uma celeuma danada e até hoje causa, mas a lei... a Constituição Federal estabeleceu isso, criou essa possibilidade e hoje em dia não tem praticamente mais ninguém que seja BD, só nós que ficamos ainda no resquício daquele tempo. Mas então houve uma porção de gente se metendo aí... As outras associações, conforme você disse, resolveram tomar isso a peito, fazer briga, mas não adianta porque é uma coisa que a gente tem que procurar contornar e achar soluções melhores e entendimentos, e não brigando porque não vai adiantar, mas o pessoal aí... Tem muita gente brigando e eu não acho bom, não, eu acho bom conversar acertar e conquistar.

P/1 – Senhor Ramiro, esse seu envolvimento do senhor com a Ambep em algum momento vem interferindo ou interferiu muito na sua vida?

R – Interferir na vida no sentido de estímulo, né? Nunca no sentido negativo, sempre foi muito bom: “Ah, você trabalha e não ganha nada”, não tem importância, estão sendo úteis.

P/1 – Valeu a pena, né?

R – Ah, valeu e valeu muito, agora não quero que se deteriore o que está aí.

P/1 – E como o senhor vê a Ambep no futuro?

R – Aí é que está, depende de quem conduzi-la, do jeito que hoje em dia está eu tenho medo, eu tenho medo porque há um ligeiro atrito que deve acabar e nós temos que sair desse atrito, nós temos que voltar a conviver, porque a gente não consegue mais ganhar nada, como conseguimos aquele dinheiro pra comprar o Cedis conforme eu disse. Hoje em dia... Se fosse hoje com essa situação que está, a gente não receberia aquilo nunca e mesmo que agressões a empresa eu acho muito ruim, nós temos que procurar entendimento, haja vista... Nós fizemos um jornal e durante todo o nosso tempo, até a uns quatro anos atrás, sempre procurando o entendimento, pode pegar os jornais e ver entendimentos, acordos e tal. Hoje em dia a coisa está meio feia.

P/1 – Senhor Ramiro, a gente está indo pro final já da entrevista, o senhor teria alguma coisa pra falar que eu não perguntei e que gostaria de registrar aqui agora?

R – A minha esperança é que a Petrobras seja cada vez melhor, cresça séria, sem interveniências, e pro pessoal que lá está e deve se juntar também a nós da Ambep, crescer confiando que esse é o nosso futuro, o nosso desígnio, conquistar coisas boas pra nossa terra. 

P/1 – Senhor Ramiro, a Ambep tem algum projeto de memória entre aqueles associados?

R – Nós já tivemos vários, mas eu não sei como é que anda, parece que desmancharam tudo, eu não sei.

P/1 – O senhor se lembra de algum que tenha participado? Uma iniciativa?

R – Bom, nós fizemos um arquivo enorme de tudo que estava resolvido, do que se fazia microfilme e tudo mais e aquilo tudo, eu não sei que fim levou, eu não sei, pode ser que esteja lá, mas ninguém me fala mais nada. Quando nós estávamos começando, eu trazia tudo pra dentro disso, pra ficar lá a nossa memória também como a Petros também tem a memória dela, né? Hoje mesmo eu descobri um... Procurando uma coisa que eu queria trazer, que é o estudo desse Cedis, eu descobri lá o primeiro plano de contas que foi bolado para a Petros, ainda manuscrito que eu vou dar até pra Petros. Olha, valeu a pena, a minha vida valeu a pena, foi útil.

P/1 – Muitos amigos...

R – Ah, eu não tive inimigos, procurei não ter inimigos na minha vida, pode ser que apareça algum ou outro, porque ouvir desaforo é muito chato e eu ouvi alguns, mas isso deixa pra lá, todos foram castigados.

P/1 – Senhor Ramiro, pra terminar, o que o senhor achou de ter participado do Projeto Memória Petrobras?

R – Gostei muito. Eu acho que é muito bom isso, é muito bom, eu faço votos que vocês tenham o maior sucesso nesse trabalho, que não se perca como um que nós começamos.

P/1 – Ok então, senhor Ramiro, então está tudo certo.

R – Eu estou à disposição de vocês e se eu puder, eu mando o plano do Cedis que eu falei que não achei, mas se eu achar eu mando pra vocês.

P/1 – Tá bom, então obrigado.

R – Obrigado a vocês. 

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