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De um sonho a outro

História de: Entrevista de Luciano Dutra Fernandes
Autor: Kathleen Loureiro Reis
Publicado em: 21/07/2021

Sinopse

Após cinco meses desempregado foi convidado para uma seleção no Aché, onde teve uma sensação diferente. Premiações. A sorte de trabalhar em um ambiente familiar.

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História completa

Projeto Aché Vai Contar Sua História


Realização Instituto Museu da Pessoa


Entrevista de Luciano Dutra Fernandes


Entrevistado por Immaculada Lopez


Brusque, 24 de janeiro de 2002 


Código: ACHÉ_CB085


Transcrito por Cristina Eira Velha e Marília Ursini

 

Revisado por Letícia Manginelli dos Santos

 

P/1 - Queria começar perguntando seu nome completo, data e local de nascimento.



R - Bom, meu nome completo é Luciano Dutra Fernandes, eu nasci no dia 25 de setembro de 1973, e o local foi Porto Alegre, Rio Grande do Sul.



P/1 - E foi em Porto Alegre que você entrou no Aché?



R - Foi em Porto Alegre que eu entrei no Aché, na filial sul de Porto Alegre.



P/1 - E como é que foi essa entrada?


R - Olha, foi uma situação diferente, inusitada. Eu estava cinco meses desempregado. Eu sou um cara casado, então tem aquela responsabilidade. Então a gente começa, os amigos: "Pô, meu currículo aqui, meu currículo ali." E nisso um colega da minha esposa trabalhava numa outra corretora, que ela também é corretora, e o irmão desse colega trabalhava no Laboratório Aché, trabalha até hoje, nosso amigo Gustavo. Então, foi o seguinte, aí conversando com o rapaz, ele: "Pô, quem sabe tu não leva lá o teu currículo? Larga lá! Uma chance, que o laboratório às vezes dá vaga, fica um tempo sem dar..." Mas como eu estava procurando emprego, então eu fui lá e deixei o meu currículo no Laboratório Aché. Passado algum tempo, eu fui convidado a fazer a seleção. Muitas pessoas. E no final ficaram três pessoas para duas vagas, sendo que uma dessas pessoas já havia participado de outras seleções. E um outro rapaz já tinha alguma experiência, noção de Laboratório Farmacêutico. Então, ficou mais fácil para eles e eu, infelizmente, nesse caso, eu não consegui entrar. Mas, o pessoal gostou muito de mim. Na época era o supervisor, Caí , que fez a seleção e o gerente Lino. E o Caí, eu senti... Eu fiz até uma certa amizade com ele. Ele falou para mim que: “Olha, assim que ele tivesse uma posição, o chinês que eu tenho esse olhinho puxado aqui, até ficou o apelido, “Chinês.” “Chinês, a gente vai entrar em contato contigo.” E até naquele dia, conversando com o Lino no final de tarde e se estendeu até às 21:00, eu conversando com ele, ele dizia para mim: “E se tu vier para cá para varrer o meu chão?” “Eu venho. Eu venho limpar a tua mesa, eu quero entrar aqui dentro. Eu quero fazer parte dessa família porque...” E quando eu entrei dentro do Aché, que eu tive uma impressão diferente, uma empresa... “O que eles fazem aqui? Falam com médicos? Ah, é aquele pessoal que entra, aqueles chatos com a maletinha, com caixinha.” Mas, hoje, a gente sabe que é um processo bem diferente. Então, eu fiquei no aguardo e ele falou para mim: “Olha tchê, a gente tem um projeto, um coringa”, que é também o outro apelido que hoje eu tenho, “Coringa”, que seria um rapaz para atuar em deficiências de outras linhas. E eu: “Olha, por mim, na hora que precisar, eu quero trabalhar, realmente eu quero é trabalhar.” Passado um certo tempo, eu não fiquei só esperando o Aché, eu precisava trabalhar. Eu fiz seletiva sempre entrando em contato com o Carê: “Carê?” “Por enquanto ainda não, Luciano.” Então, eu fiz processo seletivo numa outra empresa, concessionária de automóvel importado, em Porto Alegre e passei. De 80 candidatos, eu entrei, fui selecionado. Isto, depois terminado, numa sexta-feira, eu começava na quarta-feira, que tinha o feriadão, sábado, domingo, segunda-feira e terça-feira. Quarta-feira, eu começava a trabalhar nessa empresa de automóvel, mas sempre com o Aché na cabeça, o Aché na cabeça, não me saiu o Aché da cabeça. Então, nisso, lá no Laboratório Aché, na sexta-feira de tarde, apareceu a vaga do coringa e isso eram 18:00 e eu lá, o nosso (CPD?), as gurias fecham às 17:00, onde tem todos os arquivos porque quando eu fiz a entrevista, estava o telefone, toda a minha vida ficou lá. E o Lino falou: “Cari, eu tenho uma vaga.” E o Cari: “O Chinês, o Chinês, eu vou ligar para o Chinês. Cadê o telefone do Chinês, não tem telefone.” E o Lino disse assim: “Eu preciso desse rapaz quarta-feira da manhã aqui.” Não tem telefone e ligou no Gustavo, aquele cara que me indicou, telefone desligado, não conseguiu entrar em contato. E o Lino: “Se quarta-feira ele não estiver aqui, eu vou ter que contratar outra pessoa.” E o Cari gostou de mim: “Então, eu vou ter que achar o Chinês.” Mas, eu fui para a praia, feriadão. E eu lá na praia, quarta-feira começaria a trabalhar na (Kaizen?), um amigo meu me convidou: “Vamos pescar na beira da praia?”, na praia Presidente. Nunca fui a Presidente, uma praia, litoral norte gaúcho. E eu: “Vamos.” Gosto de pescar, pescaria de beira de praia. Fui pescar. Chegando lá, pescamos só eu e o meu colega, o Edson, pescando, mais ninguém na beira da praia e um vento, um vento horrível. Tomando uma cervejinha, tranquilo, deu vontade de fazer xixi. Eu fui para trás, lá nos cômodos, quando estou voltando, vem vindo um Palio, um Paliozinho se aproximando. Quando eu olhei, era o Cari, passou por mim. Eu: “Oi Cari, tudo bom?” Parou... correndo o carro, desceu do carro: “Cara, tu acredita em destino? Tu acredita que a gente passou o final de semana inteiro te procurando? Ninguém tinha o teu telefone. Tu está aqui em Presidente, cara, numa extensão de 10 quilômetros, só tem tu e o teu carro aqui, teu amigo aqui, pescando. Tu acredita em destino?” Eu, lá na mesma hora, eu fiz uma maior festa, uma maior festa, e me veio na cabeça: “Quarta-feira eu começo a trabalhar na Kaizen, e agora? Eu quero o Aché. Era o meu sonho entrar no Aché.” “Tudo bem, quarta-feira, 7:00, estou no Aché.” Às 9:00, eu entrava na empresa, primeiro dia de trabalho. Cheguei lá, o Lino e o Cari conversando comigo, e o Lino assim: “Quem sabe, de repente, tu dá mais uma olhadinha numa mensagem”, que é uma forma de seleção, “só para dar uma olhada e tu vem 12:00 aqui para passar para nós.” “Sem problemas.” E fui trabalhar na outra empresa. Cheguei na empresa, um rapaz mostrando: “Ôh, vai trabalhar aqui. Aqui é os seus carros”, e eu olhando a formulação do Tandrilax, olhando aquilo. “Márcio, eu tenho vontade de ir no banheiro.” E no banheiro, sentado, eu decorava o troço. Decorado, saía dali, não almocei, fui direto lá no Aché, passei a mensagem para o Lino e ele adorou. O Cari, adoraram, e estou até hoje no laboratório, depois de dois anos e quatro meses.



P/1 - E por que esse sonho de trabalhar no Aché? O que te atraía?



R - Olha, foi assim, que nem eu te falei, eu entrei lá dentro e vi fotos, placas, tanto tempo de casa, tanto tempo de casa, foi um ambiente diferente. Olhei: “Mas o que será aqui?” E comecei a conversar com o pessoal. É um emprego muito bom, é remuneração atrativa, vários benefícios. Então, aquilo me foi, me salientou os olhos, apesar de meu sonho sempre for... Tinha sido trabalhar com automóvel. Mas o Aché me despertou uma coisa diferente. Eu tive uma sensação diferente quando entrei naquele prédio.



P/1 - Mas qual você acha a característica mais marcante da empresa?



R - Olha, a característica da empresa hoje, eu vejo assim: é um ambiente família, é uma família, a segunda família que eu tenho é o Aché. Porque é uma empresa, ela valoriza muito o funcionário, ela te dá motivação; os profissionais, os teus superiores imediatos são pessoas extremamente capacitadas, são pessoas que acreditam em ti, te dão uma força, te dão apoio, te dão força. Nos momentos difíceis, eles estão lá ao teu lado, nos momentos alegres eles estão sempre compartilhando. Eu vivo lá como a minha segunda família. Esse é um grande... Uma empresa... Eu trabalhei em quatro outras empresas anteriores ao Aché e eu não tinha sentido esse ambiente familiar, esse ambiente de conquistas, esse ambiente de objetivos que o Aché, hoje, proporciona.



P/1 - E vocês têm esse ponto de encontros?



R - Temos ponto de encontro.



P/1 - Como que é?



R - Bom, ponto de encontro já diz, ponto de encontro para encontrar o teu gerente hoje, o gerente distrital, gerente regional, porque...



P/1 - Mas se tornou uma tradição, vocês costumam se encontrar no mesmo bar, num restaurante?



R - Olha, existem, existem. Têm pessoas que faz o ponto de encontro cedinho, se encontra mais cedo normalmente, 7:30, o pessoal se encontra às 7:00, toma um cafezinho, se reúne, bota as fofocas em dia, vai fazer um ponto de encontro. É bem interessante, 7:30 e depois 13:30. Hoje, agora, não é mais 7:30, é 8:00.



P/1 - E sobre o trabalho, quer dizer, vender remédios é diferente que vender carros? Como é essa atividade de ser propagandista?



R - Ser propagandista, eu vejo assim: a gente não vende remédios, a gente vende a ideia de prescrição. O automóvel, você vai comprar um automóvel de mim, eu estou lá no showroom, eu vou te mostrar aqui. Vai apertar, sentar, vai dirigir; eu estou vendendo uma idéia, estou vendendo um produto, estou vendendo uma forma de terapia que o médico vai proporcionar para o paciente. É completamente diferente. A gente tem que se superar porque essa venda de ideia é uma venda diferente, como eu te falei. Você está vendo ali o produto de venda, o automóvel zero quilômetro. Você está vendendo mensagens, tópicos, vantagens do seu produto. Isso é completamente diferente.



P/1 – Tem algum produto que te marcou de forma especial?



R – Tem, tem um produto que me marcou, que ainda me marca. Hoje, eu faço parte da quinta linha, uma linha especial desenvolvida pelo Aché para fazer um trabalho diferenciado em cima de residentes. Mas, eu continuo com um produto Tandrilax que foi o meu produto do ano passado na (Betes Esmeralda?). E esse produto, é um produto altamente rentável para a empresa, mas um produto que tem as suas complicações, concorrentes, hoje têm os similares no mercado, mas um produto muito gostoso de trabalhar. E o ano passado, o Tandrilax, eu participei de uma promoção num concurso interno na Betes Esmeralda, supervisionada pelo Cari. Depois eu voltei a trabalhar com o Cari e o  gerente regional Miot, onde três meses de 17 representantes, eu fiquei em terceiro lugar em venda na capital, Porto Alegre, do Estado do Rio Grande do Sul. Estado do Rio Grande do Sul, eu fiquei em terceiro lugar.



P/1 – Está certo. Para finalizar, eu queria perguntar, o que você acha dessa decisão da empresa contar a sua história?



R – Olha, eu achei até interessante porque assim, essa história da forma que eu entrei no Aché, no destino, eu conto para várias pessoas, o Nilo conta: “Pá, vem cá, vou te apresentar o Chinês. Conta para ele, Chinês, como é que tu entrou no Aché?” E, hoje, eu estou falando para muitas pessoas que eu não conheço também. Então, eu estou compartilhando essa minha experiência de vida com várias pessoas que vão olhar e vão ver assim que, realmente quando é para ser teu, vai ser teu. Não precisa se preocupar. Aquilo vem a ti. Isso faz parte do destino. Ele está lá, “isso vai ser teu.” Então, essa experiência eu queria contar. Quando eu vi vocês ali: “Ah, Museu da Pessoa, né? Ah, eu vou ter que contar, eu tenho que contar, eu tenho que compartilhar isso aí.” Porque a gente não pode desistir nunca dos nossos sonhos, das nossas realizações. Então, foi um sonho eu entrar. Sorte, que ele lá de cima, incorre, “é teu”, me deu de presente assim. Então, o que vocês estão fazendo, eu acho excepcional porque eu posso compartilhar um pouco da minha história e também ver as histórias dos outros colegas, outras pessoas que também, com certeza, tem histórias maravilhosas para contar também.



P/1 – Obrigada pela participação.



R – Eu que agradeço, muito obrigado.

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