Busca avançada



Criar

História

De Sergipe para a República Tcheca

História de: Rangel Rodrigues de Amorim
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Rangel conta como foi a infância no Povoado Nobre (SE), as escolas por onde passou e como se dedicou e galgou oportunidades de melhorias. Conseguiu participar do projeto Jovens Embaixadores que o levou aos Estados Unidos, junto com outros jovens de todo o Brasil e, na sequência, Rangel aplicou para a bolsa do AFS, do Fundo Nacional, para a República Tcheca. Rangel conta como foi o choque cultural e um pouco das aventuras e aprendizados dessa experiência. Além disso, ele narra também o processo de readaptação depois de sua volta ao Brasil e como estão suas atividades hoje, divididas entre as atividades culturais do Rio de Janeiro, as aulas e estudos da Faculdade de Relações Internacionais e o trabalho voluntário no AFS.

Tags

História completa

A infância é uma coisa que marcou muito pra mim porque eu não morava exatamente na cidade de Lagarto (SE), eu morava em uma área rural, um povoado chamado Povoado Nobre, que tem pouquíssimas casas. Então, praticamente, todos que moravam lá são da minha família. Nós brincávamos muito. A minha vó tem um pasto, uma roça, onde ficam umas vacas e tem uma ladeira muito íngreme e a gente brincava de ficar subindo e descendo essa ladeira o tempo inteiro. Tem um tanque lá que a gente tomava banho e ia muita criança lá pra tomar banho nesse tanque, mas também tinham algumas outras coisas como queimada. A gente ficava na estrada brincando de queimada durante a noite com os meus primos, minha irmã. Foi uma infância muito saudável em todos os sentidos.

Eu conheci o AFS por um amigo que estudava na mesma escola que eu. Ele já era voluntário da AFS, não lembro como, e ele colocou um pôster na porta da escola sobre uma bolsa da República Tcheca direcionada a pessoas da Bahia e de Sergipe. Eu pensei: “Nossa, legal! República Tcheca é um país muito legal, tem uma arquitetura e natureza muito bonitas, só que as pessoas lá parecem um pouco frias e o idioma não parece ser tão fácil”, mas queria muito ir pra República Tcheca, então eu apliquei, passei pelo processo de seleção com provas e entrevistas. Consegui, fiquei muito feliz! Durante esse processo, eu não poderia ser voluntário, mas depois do processo eu me voluntariei, conversando com alguns voluntários da região Axé, que é Bahia e Sergipe. Eles me incentivaram a voluntariar depois do processo seletivo e eu não pensei duas vezes. Eu sabia que eu queria voluntariar no AFS porque eu me identifiquei muito com a missão da organização, eu gostava de ver as pessoas voluntariando, fazendo aquilo de forma voluntária, isso me enxia os olhos, então eu decidi que seria voluntário do AFS. Ainda não existia um comitê em Sergipe, tinha apenas um voluntário que fazia algumas coisas na cidade, então juntamos quatro amigos, Richardson, Jumário, Cassiano e eu, e demos início a representação Lagarto. Começamos a receber estudantes e a enviar, principalmente bolsistas porque a maioria de estudantes que saíram de Lagarto é de bolsistas.

Eu nunca achei que eu sairia do país com 16 anos. O meu primeiro contato com o internacional foi com o Jovens Embaixadores mas logo em seguida, veio o AFS que foi uma experiência muito mais duradoura que eu aprendi muito mais sobre a cultura na qual eu estava inserida. Ficou muito marcado o estilo de vida das pessoas porque eu não tinha ideia de como as pessoas poderiam ser tão diferentes em um lugar diferente do meu, eu achava que as pessoas eram como eu era, comiam como eu comia, que elas se comunicavam como eu me comunico.

Eu fui pra República Tcheca depois de voltar dos Estados Unidos, cinco meses depois. Eu já falava inglês, sabia algumas coisas de espanhol porque eu fazia um curso, então eu tinha o espanhol um pouco arranhado, um pouco ruim. Lá na República Tcheca, eu conheci muita gente da América do Sul, então já pensava: “Nossa, eu quero praticar meu espanhol aqui, não quero saber de inglês, quero praticar meu espanhol e aprender tcheco!”.

O tcheco foi muito difícil porque é um idioma extremamente complicado, eles têm sete casas e demorou muito pra que eu aprendesse, para que eu começasse a entender de fato o que as pessoas queriam dizer. Me custou bastante, eu estudava muito quando eu cheguei lá, eu não entendia o que as professoras e os professores diziam, alguns colegas meus me ajudavam, traduziam pra mim ou eu ficava estudando tcheco no meu livro durante a aula porque pra mim fazia mais sentido, porque eu realmente ficava estudando e estudava a matéria em casa, fazia isso quando eu voltava. Esse tempo que eu estava na aula estudando tcheco me ajudou bastante.

Quando eu era responsável pelo envio, eu falava com uma pessoa quando eu estava no recebimento, falava com outra pessoa. Comecei a fazer mais conexões, a fazer mais pontes. No ano passado – ou foi nesse ano, não lembro! –, eu me tornei treinador regional lá na minha região, Sergipe Alagoas. Me tornei treinador, tive mais contato ainda com pessoas a nível nacional é o que eu mais gosto de fazer dentro do AFS, treinar voluntários, dar treinamentos. Primeiro, porque eu adoro falar (risos), e treinador falava bastante, eu gosto de ter contato com voluntários, e treinador faz exatamente isso, capacita voluntários. Eles são o futuro da organização então quanto melhor você capacita eles, melhor vai ser a organização!

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+