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História

De nordestino sertanejo a engenheiro paulistano

História de: Felipe de Souza Ormundo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/06/2017

Sinopse

Nascido em uma pequena cidade sertaneja do interior baiano, Felipe Ormundo é o caçula dos seis filhos do casal Joana e Pedro Ormundo. Cresceu ajudando em pequenos serviços da fazenda do seu tio, brincava em meio aos porcos e galinhas do curral. Durante a adolescente, viajou ao estado de São Paulo, na companhia do quarto irmão mais velho, para trabalhar com o primeiro registro em carteira. Foi quando andou pela primeira vez de Maria-Fumaça e conheceu a cidade mais populosa do país. Após prestar o serviço militar, foi morar na zona leste da cidade e entrou como funcionário da indústria Matarazzo. Retornou aos estudos, formou-se em técnico em mecânica e graduou-se no mesmo segmento. Casado, passou a morar junto a esposa no Jardim Coimbra e acompanhou todo o crescimento  local, incluindo a construção do Estádio de Itaquera - sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. Pai de dois filhos e avô de dois netos, driblou todas as adversidades da vida com honra e honestidade, sendo hoje personagem fundamental para a história da maior cidade da América Latina.

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História completa

Meu nome é Felipe Ormundo. Sou baiano, tenho 84 anos e desde a adolescência moro na capital de São Paulo. Sou filho de Pedro e Joana Ormundo, donos de uma pequena fazenda do sertão nordestino. Nasci no dia 26 de janeiro de 1933, na cidade de Condeúba, no interior da Bahia. Doze meses após o meu nascimento, o pai faleceu. A minha mãe, mulher forte e muito temente a Deus, batalhou sozinha para criar os seis filhos e tocar a fazenda. Dos seis, sou o mais novo. Cresci ajudando na criação dos porcos e galinhas. Nossa vida era bastante humilde: casa de pau-a-pique, telhado de cana, comida caipira e de roça. Logo que meu pai partiu, a febre aftosa afetou a nossa criação de gado e, apesar de termos os medicamentos certos guardados, a minha mãe não sabia como usá-los. Perdemos todos os animais de corte e desde então passamos a trabalhar fora.

 

A vida no sertão era diferente: não tínhamos transporte, meios de comunicação eficazes e educação. As famílias que desejavam ensinar os filhos tinham que contratar professores particulares para darem aulas dentro das casas. O meu pai, responsável e generoso, chegou a construir uma escola na fazenda e chamou um professor da cidade. Mas, depois que o gado morreu ficamos sem dinheiro para mantê-la e tivemos que desativá-la. Por conta, quando completei seis anos, fui obrigado a morar na fazenda do meu tio que ficava na mesma região que a nossa. Todos os domingo era de lei: após o almoço, caminhava cerca de seis quilômetros até a casa dele. De segunda a sexta-feira, estudava junto aos meus primos na parte da manhã com a professora particular e durante a tarde trabalhava ordenhando as cabras. Tinha tanta cabra naquele curral que no final do dia mal sentia as pontas dos dedos! E sexta-feira, no final da tarde, voltava pra casa.

 

A vida era assim: a gente trabalhava logo que aprendia a andar. Quando chegava sábado, acompanhava a minha mãe até o centro, íamos de carroça, para vendermos o requeijão de corte que ela produzia. Era gostoso e especial! Servia na montagem de lanches. O meu tio era uma pessoa bastante influente, fazia amigos fácil e acabou entrando na política. E após participar de uma reunião na capital, conseguiu construir uma escola no centro da nossa cidade. Foi quando eu e todas as crianças passamos a usar uniformes e mochilas. Lembro-me como se fosse hoje, tinha oito anos. Porém, durante a visita de um primo distante, em um ano a escola fechou: o danado casou com a professora e a levou embora!

 

O meu tio político não conseguiu contratar mais ninguém. Então, preferi voltar a viver com minha mãe. Quando completei 17, viajei com um dos meus irmão a Penápolis, no interior de São Paulo. Ele recebeu uma proposta de trabalho e me carregou junto. Caminhamos até a cidade vizinha e de lá subimos na boleia de um caminhão que seguia para Monte Azul, em Minas Gerais. Os nordestinos costumavam viajar de navio para o sul e sudeste do país, mas como éramos da roça tínhamos que nos virar pra chegar o mais próximo possível da estação de trem. Em Monte Azul, pela primeira vez embarquei na Maria Fumaça. Fiquei encantado! Tudo feito de madeira. O trem andava com a queima da lenha ou do carvão e parávamos sempre para abastecer.

 

A viagem durou quatro dias e passamos por Belo Horizonte. Em São Paulo, fiquei impressionado com a quantidade de gente: nunca tinha visto uma cidade tão populosa! Descemos na Estação Brás e fomos encaminhados a uma pousada gratuita, destinada apenas para imigrantes que aguardavam pela baldeação. Pousamos por um dia e ganhei a oportunidade de passear pela cidade durante a noite. Gostei muito de andar pelas ruas escuras do centro, ouvindo o som dos violeiros. Cheguei até a observar as vitrines, perguntando se aqueles manequins eram mulheres de verdade! Alguns jovens partiram acreditando que eram mesmo. Gozado! E fiquei orgulhoso quando ouvi dizerem que os prédios construídos eram obras do nordeste. Os nordestinos eram famosos pela força de trabalho na construção civil.

 

Retornando à Estação Brás, quem tinha documentos que provavam o vínculo empregatício não precisava pagar pela passagem. O meu irmão tinha, mas quando fui entrar no vagão o guarda  nos parou: “Quem é você? Está sozinho?!” Não sabíamos, menores de idade só podiam viajar acompanhados. O meu irmão teve que assinar um documento dizendo que era o meu responsável. Se eu estivesse sozinho, não sei. Acho que seria preso!

 

Algumas pessoas estranharam os nordestinos procurarem emprego em São Paulo, mas naquele tempo a cidade era conhecida como a capital do trabalho. Na Estação Brás, quem descia desempregado era encaminhado para trabalhar em qualquer região do país que estivesse precisando. Você desembarcava do trem e um funcionário do governo lhe abordava: “Tem lugar pra ir?” Caso não tivesse, eles orientavam você a entrar numa fila e emitir documentos. Pronto, saia empregado! Em Penápolis, recebi meu primeiro registro em carteira:  assistente de fazenda. Cortava cana, capinava o mato, ordenhava as vacas, jogava milho pras galinhas. O meu irmão tratava somente dos animais e orientava o meu serviço. Fiquei dez meses com ele, até recebermos uma carta dizendo que um dos nossos primos tinha ganhado a vida em São Paulo.

 

Com dinheiro guardado, comprei a primeira passagem sentido capital. Abracei o meu irmão e fui embora. Viajei sozinho, sabia como funcionava, nem fiquei com medo. Desta vez, desembarquei na Estação da Luz e com o endereço do meu primo anotado na carteira de trabalho. E caminhei até o carro de praça, hoje o chamam de táxi ilegal. Eu era muito simples e inocente, cresci na roça. Cheguei vestindo sandálias e chapéu de palha. “Você vai morrer de frio!”, ouvi do motorista quando o abordei. Levei a informação no pé da letra, achei que realmente morreria de frio! Pode? E entrei num carro pela primeira vez na vida! Sensacional, fomos sentido Vila Guilhermina, na zona leste. Chegando lá, parecia uma vila rural: chão de barro, casas de madeira, nada de luz e água encanada. Sai no escuro perguntando o endereço do meu primo e cheguei num barraquinho de madeira.

 

A esposa dele mais um monte de criança me receberam. E cheguei já ganhando dinheiro! Enquanto aguardava o meu primo retornar do trabalho, um vizinho pediu ajuda para erguer uma casa. Arregacei as mangas e ajudei. No final, recebi alguns humildes trocadinhos. Depois, acabei indo morar com outro primo que meu irmão havia ajudado a chegar em São Paulo. Por ter registro em carteira, em poucos dias fui contratado como auxiliar de pedreiro. Pinguei de empresa em empresa até ser contratado como operador de moinho na indústria Matarazzo. A  minha função era receber o trigo na estação de trem, levá-lo ao setor de moinho e transformá-lo em farinha e farelo de trigo. Com a farinha, a fábrica produzia macarrões e só neste setor trabalhavam 700 mulheres. E  era uma falação, nem dava para escutar os próprios pensamentos.

 

A maioria dos funcionários da fábrica eram italianos e o meu primeiro melhor amigo foi o Angeli. Nos dávamos tão bem que acabei sendo adotado como parente pela família dele. Morávamos todos juntos numa casinha localizada no Brás. Considero esse italiano como um irmão de sangue! Trabalhando na Matarazzo, fui incentivado pelo Seu Panteleão a retornar aos estudos. Foi quando eu e o Angeli entramos na Escola Técnica Getúlio Vargas, no técnico de mecânica. A gente não passou na prova, mas um professor ajudou muito nos encaixando nas vagas remanescentes: “Justamente quem não sabe de nada é que precisa estudar”, dizia ele.

 

Aprendi a ler e a escrever corretamente e fui promovido. As pessoas tinham certo ciúmes da minha relação com o Seu Panteleão, penso eu. Quando ele aposentou, no dia seguinte fui dispensado. Não cheguei a ficar preocupado, estava com a carreira em mente - já cursando o superior de mecânica. Logo, entrei na Fábrica Sucuri, de peças industriais e móveis de aço, como assistente de maquinário e em pouco tempo virei técnico geral. No decorrer desta etapa, conheci a minha Neusa. Ficamos noivos e com o apoio da cooperativa arrecadamos dinheiro suficiente para o nosso casamento. Depois da festa, que encheu de amigos e parentes, fomos morar na Penha.

 

Quando retornei ao trabalho, fui demitido. Legal, né? O nosso contrato de aluguel era de um ano, morávamos numa casa que vivia sofrendo de enchentes e a Neusa estava grávida. Tudo tranquilo! Consegui emprego na Arno e na Toyota. Fiquei pouco tempo neles, não deu certo. E lendo a Gazeta Esportiva vi que a fábrica SKF estava procurando especialista do meu setor. Foi a primeira vez na vida que passei por teste de emprego. A fábrica inaugurou em primeiro de junho e dia 29 já estava trabalhando. Empresa muito boa! Sueca. Foi a melhor que trabalhei! No refeitório, todo dia serviam um prato diferente. O chefe de cozinha era francês e experimentei receitas bem diferentes. “O que é isto?!”; “É carne de vitela! Come que é bom!”. Depois explicaram que a carne era bezerrinhos que não tinham nascido. Parecia mocotó.

 

Os benefícios da SKF eram excelentes, tinha assistência médica, cooperativa e serviço de motorista para nos levar e acompanhar nas consultas. Assim que entrei, a Neusa ganhou neném. A nossa Joana nasceu dia 28 de julho. A empresa nos deu todo o enxoval cor-de-rosa, comprado com apoio da cooperativa. Na véspera de Natal, ano seguinte, chegou o Mário, o meu garoto!  Durante a gestação do Mário, um dos meus primos nos convidou para conhecer o Jardim Coimbra. Fiquei interessado no lote do terreno, dava para pagarmos, tinha dinheiro guardado. Levei o meu sogro: “Aqui é bom! A região vai desenvolver” Era um homem de visão porque acertou! Comprei o terreno e comecei a construir a nossa casa. No começo não tinha nada: luz, água, transporte. Nada! Um mês antes do Mário nascer nos mudamos. Usávamos o poço de água e a energia puxada a gato do vizinho.

 

Foi quando criamos a Sajabrica - Sociedade Amigos do Jardim Coimbra - para cobrarmos das autoridades a instalação de água, luz e transporte. Fomos praticamente os primeiros moradores. Vimos o bairro crescer e procurávamos ajudar a todos que chegavam. Lembro-me que um dos vizinhos era funcionário da prefeitura de Jânio Quadros e nos ajudou bastante nas cobranças da chegada de luz. Com apenas uma cobrança dele na Companhia Brasil - que nos vendeu o terreno - a energia foi instalada em 15 dias. Ele também foi peça fundamental na cobrança do transporte público. Era conhecido do Juvenal Juvêncio, que ainda não era presidente de clube e trabalhava no setor da administração pública. O Juvenal nos ajudou a instalar a linha de ônibus, época da prefeitura Paulo Maluf. Estouramos fogos de artifício em comemoração ao primeiro ônibus que circulou. Antes, tínhamos que caminhar até o bairro vizinho para tomar qualquer transporte sentido centro. Era uma luta!

 

Fiquei cinco anos na SKF. Depois, entrei na fábrica do Olavo Setúbal: a Deca - fornecia materiais de decoração para os Estados Unidos e Alemanha. Eram “Anos 70”, fabricávamos a torneira de jato temporal, que hoje podemos encontrar em quase todos os comércios. O brasileiro não tinha recursos pra comprar tais peças. E foi algo que o Governo Lula melhorou com liberação de crédito e o aumento no poder de compra: agora, quase todo mundo que conheço têm produtos Deca. Em seguida me tornei retificador de peças - trabalho extremamente minucioso - em outra indústria e após onze anos decidi me aposentar, foi o período da transição do governo Fernando Collor, em 1992. A partir daí, passei a trabalhar como autônomo para um amigo protéico.

 

Virei vendedor de porta em porta e visitava todas as clínicas odontológicas da cidade. Fazia tudo por condução. Eu começava saindo do extremo leste: Ferraz de Vasconcelos; Guaianases; Jabaquara; Barra-Funda; Lapa e parava em Osasco. Não pegava trânsito. Numa visita, conheci a Dona Shirley, que me convidou para o mesmo serviço. Trabalhei com ela por mais alguns anos e retornei a prestar serviço para protéico. Em 2003, aposentei de vez quando a minha Neusa faleceu. Ela estava recebendo pela Caixa Econômica Federal havia anos; tinha diabetes avançada e não enxergava mais. Mesmo assim, fazia um monte de serviço em casa. Não parava! A partida dela foi repentina. Quando recebi a notícia estava na minha irmã e o meu mundo parou. A minha pressão subiu e me levaram no pronto - socorro. Foi dureza! Tínhamos discutido na noite anterior. Sinto muita saudade. Continuo na mesma casa que vivemos, sempre seguindo em frente.

 

Tenho recordações felizes da época em que estávamos juntos. Por exemplo, sempre que comprávamos um eletrodoméstico novo era motivo de comemoração. Fui o primeiro morador do bairro a ter geladeira e televisão. Todos os vizinhos se reuniam em casa, tremenda festa, pra assistir as partidas de futebol. Tinha até um que abaixava as portas do mercadinho e o bairro não podia comprar nada por 90 minutos! Como eu era da indústria, conseguia bons descontos. Também trabalhava de domingo à domingo. Acompanhei de longe as casas que iam brotando, o comércio, o aumento da circulação de ônibus. Pisquei os olhos, a profecia do meu sogro concretizou. Vi de perto a construção do Estádio do Corinthians - erguido na prefeitura do Gilberto Kassab. Fico triste quando lembro que ninguém do bairro foi empregado da construção. Todos que vieram eram de fora, até os materiais de construção foram importados da Alemanha.

 

Os responsáveis pelo levantamento da arena, Presidente da FIFA (aquele que falou em nos dar um pé na bunda) e o Ricardo Teixeira, disseram que íamos desenvolver mas foi tudo mentira! Nem uma mosca do bairro entrou na obra. Por isso não gosto do estádio e o pior é que ele fica perto da minha casa, subindo a rua. Apesar de não gostar dele, amo futebol. Sou são-paulino desde que cheguei na cidade. Escolhi o time pelas cores, durante uma comemoração de Carnaval. Eu não tinha dinheiro para comprar fantasia, tinha 18 anos, e me emprestaram o gorrinho do São Paulo. Adorei as cores: branca, vermelha e preta. Assisti a várias partidas, incluindo aquelas dos campos de várzea. Cheguei até a contribuir pras vaquinhas que compravam os uniformes. E a partida que nunca esquecerei foi a de 1957, conhecida como “Jogo das Garrafadas”, que aconteceu lá no Pacaembu. Era difícil ganhar do Corinthians!

 

Lembro que não queria ir, tinha certeza que o São Paulo perderia. Os meus amigos me pegaram a força e me jogaram dentro do carro. Entrei no Pacaembu desanimado, e no começo da partida o Amaury Marreco - meu amigo, nos conhecemos nos tempos que morei no Brás, éramos vizinhos - marcou o primeiro gol do São Paulo. Nem acreditei! No final do primeiro tempo, o placar marcava dois a um pro tricolor. As arquibancadas estavam em êxtase, era a primeira vez que um primo meu entrava visitava um estádio em dia de jogo. Começou o segundo tempo, veio terceiro gol. O goleiro do Corinthians, Gilmar, não aceitou uma provocação e começou a pancadaria. O céu ficou azul, os torcedores começaram a atirar garrafas de cerveja no campo. Eu nem sabia pra onde correr, tinha gente brigando por todo o lado. Dizem que dois torcedores morreram neste dia, mas a mídia não confirmou. O São Paulo virou o Campeão Paulista de 57. O meu primo nunca mais entrou num estádio. Foi o jogo da minha vida! No ano seguinte, a seleção brasileira venceu a Copa de 58. Sensacional!

 

São tantas lembranças. Só quando paramos para recordar é que percebemos o volume de histórias da nossa vida. E é assim: trupica, levanta. Trupica novamente. Às vezes, costumo fechar os olhos e a primeira memória que surge é dos tempos de infância. Adora brincar com os meus irmãos. Sinto falta dos animais, das árvores, dos rios. Éramos pobres e felizes. Daí eu pego o notebook e ouços as músicas de 1917. Que saudade! Não posso reclamar, sabe? Cheguei em São Paulo com 17 anos e não sabia exatamente o que estava fazendo. Apenas seguia em frente e as coisas davam certo. Tudo vinha por meio de muita luta e hoje, com a idade em que me encontro, não preciso mais correr. Conquistei o necessário.

 

Todos os dias rezo para que eu amanheça com saúde; que depois de amanhã eu amanheça com saúde; e que Deus me ajude a não sofrer, porque o sofrimento na velhice é a doença. Sinto falta dos meus amigos que partiam e estou contente pelos que ficaram. A minha filha é mestre e doutora em direito. O meu filho é técnico e engenheiro mecânico. Tenho uma neta danada de inteligente, passou na OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - de primeira; e um neto meio preguiçoso. Sou um homem livre e sigo sempre feliz!


 

Editado por Renata Pereira Rotunno


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