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História

De menor aprendiz a Administrador da Fundação Banco do Brasil

História de: Edimilson Soares de Andrade
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/03/2009

História completa



P - Edimilson , muito obrigada por ter vindo participar deste projeto conosco. Eu gostaria que você começasse a entrevista repetindo para mim o seu nome completo.

R - Edimilson Soares de Andrade.

P - Data e local de nascimento.

R - Três Marias, Minas Gerais, 05 de outubro de 1959.

P - Edimilson , registre também o nome dos seus pais.

R - Ezequiel Soares da Silva e Elza Amélia de Andrade e Silva.

P - Qual era a profissão de seu pai?

R - Papai é oriundo do nordeste e veio trabalhar em Três Marias como topógrafo, na construção da hidrelétrica, hoje, de Três Marias, e lá eu nasci. Não sei, acho que estou atropelando.

P - Não está não É isto mesmo, pode ir falando Não, não... você que manda Pode continuar

R - No ano de 1959, eu nasci em Três Marias.

P - Edimilson , você poderia registrar o nome de seus irmãos?

R - Eu sou o mais velho de cinco irmãos. Então, eu tenho a Edna – isto em ordem decrescente – Edvo, Ezequias e Elzanira. Quer dizer, tem uma mistura de Elzanira, de Elza com Ezequiel, então são esses meus irmãos.

P - Você disse que o seu pai sai de Três Marias e vem...

R - ... para Brasília.

P - É onde você passa a sua infância?

R - Sim, até hoje.

P - Então conta pra gente tudo (risos)

R - É, realmente, aquele início de Brasília, a construção por volta de 1960. Eu cheguei com seis meses. Morei na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirantes, que na verdade era o acampamento da construção de Brasília, e aos sete anos? Não, sete anos não... Aos três anos, eu fui morar numa cidade, onde eu resido até hoje, que é a cidade-satélite de nome Gama. E estou por lá até hoje. A minha infância... a minha infância, infância simples, de um nordestino que veio tentar a vida aqui em Brasília, mas graças a Deus, uma vida digna. Uma infância, o que? Infância de jogar finca, bolinha, aquele negócio... mas simples, estudante, pé-no-chão... não existe muito mais que isso que me vem agora pra falar da infância.

P - O seu pai foi topógrafo?

R - Topógrafo.

P - E ele veio pra construção de Brasília?

R - É. Ele exercia a função de topógrafo, numa empresa que não recordo o nome, em Três Marias. Findada a construção da barragem, ele veio pra Brasília. Aí então, aqui ele foi trabalhar em uma empresa chamada Novacap, que era “Nova Capital”, que empregava praticamente todos: o motorista, etc. Mas era uma primeira estatal daqui de Brasília – acho que não seria exatamente esta a palavra – mas aí ele ficou na Novacap, foi trabalhar como topógrafo também, né, e depois saiu pra outras divisões, lá da DI – departamento de quê, meu Deus do céu? Não me recordo. Mas veio exercendo também outras funções e bem mais pra frente ele mudou de profissão, aí foi ser fiscal. Ele se aposentou, como fiscal.

P - Edimilson , e em casa, como é que era o cotidiano da sua casa, assim, ainda na sua infância?

R - Olha, era aquele negócio... pai... a gente diz, a palavra é “ausente,” por conta do tempo do trabalho, né, trabalho. E eu lá, com mamãe na condição de mais velho, tive que logo cedo ajudar. Então quando um irmão saía da barriga, você tinha que começar a aprender as coisas, porque a mãe estava grávida, e foi indo, foi indo. Você ajudava com os afazeres de casa, com os afazeres domésticos, e estudava, brincava e corria: “Menino, vem pra cá,” coisas de antigamente, né?

P - O senhor freqüentou uma escola?

R - Sim. A minha primeira escola, na época o primário, foi a Escola Classe Nº 4. Isso no Gama. Depois, Escola Classe 16, tudo na rede pública. Depois passou para Centro de Ensino, cursei lá a sexta, sétima e oitava série, não... sexta e sétima série. A oitava série, eu já fui fazer no CG (Colégio do Gama) e lá também eu fiz o segundo grau. Depois passei por aquela situação: você tem que trabalhar pra ajudar, como não tinha condição, então você trabalhava. Eu já com 16 anos, foi quando? Dezesseis anos e dois meses, eu ingressei no Banco do Brasil como menor aprendiz. Foi um colega, o Carlos Eduardo, que já trabalhava no banco e era menor estagiário do Banco que chegou no CG com uma lista: “Ah, quem quer se inscrever? Quem quer...?” “Opa, coloca o meu nome aí” Ele colocou, a gente depois fez uma prova e eu passei, então foi uma felicidade. Mais adiante, eu fiquei assim muito triste, porque eu vim a sair do banco com 16 anos e dez meses, eu saí do banco porque era um contrato. Fiquei assim muito chateado, por quê? Eu acolhi inscrições para o concurso de escriturário, porém eu não poderia me inscrever, eu não tinha a idade mínima. Tinha que ter 16 anos e dez meses, e à época eu não tinha aquilo ali. Então chegou 16 anos e dez meses, eu tive que sair. Aí, eu saí, mas acho que você me perguntou se eu estudei em algum colégio... (risos). Depois que eu saí com 16 anos e dez meses, concluí o segundo grau – que era uma condição também, você tinha que estudar – saí, concluí o segundo grau, e certo dia, passeando, fui rever os amigos lá do banco no FUNCI (Departamento de Funcionalismo), onde eu trabalhava e eu encontrei o Rosane. “Rosane... ô, Rosane, tudo bem?” “Tudo bem, Edimilson . Edimilson , você está trabalhando?,” ele falou. “Estou não, Rosane.” “Ô, bicho, que te aconteceu?” Ele não perguntou nada e falou, “Não, peraí.” Ligou pro PACIEM, que era um departamento, DEIGE. Eles estavam contratando pessoas. Aí eu fui pra lá. “Não, manda o rapaz aqui.” Fui lá, fiz a entrevistazinha, passei, fui pra uma empresa terceirizada. Aí então trabalhei por três meses como contratado do banco lá no DEIG, depois o banco extinguiu esta política de contratação de empresa terceirizada, mas meu cadastro ficou, e logo em seguida, acho que três ou quatro meses depois, ele abriu um concurso pra contínuo e como já existia uma gama de pessoas que já conheciam o serviço, já conheciam o banco, já conheciam tudo, eles convocaram essas pessoas, quem quisesse se inscrever, a fazer a inscrição e fazer esse concurso e daí foi que eu voltei ao banco e lá fiquei até agora, quando me aposentei.

P - Então vamos dar uma paradinha, vamos voltar um pouquinho...

R - Vamos, exato, que eu estou interrompendo... era o colégio, né, desculpa (risos).

P - Onde que era essa agência do banco que você foi trabalhar e como que era o cotidiano de trabalho no banco nessa época? Como é que eram as pessoas? Conta pra gente um pouquinho.

R - Era no Edifício Sede I, no nono andar. Isso, o FUNCI, Departamento de Funcionalismo do banco, vinculado à Diretoria de Administração, Diretoria de Recursos Humanos, alguma coisa assim. Eu cheguei em um ambiente completamente diferente ao cotidiano em que eu vivia. O mundo em que eu vivia era um, o mundo do Gama, da cidade-satélite, mais distante, onde a escolaridade, as pessoas, a realidade era bem contrária. Então fui trabalhar lá. Um troço interessante, é que em casa não tinha telefone, mas no banco eu fui apresentado a um aparelho PABX de seis teclas. Fui trabalhar com o Lins, que era um contínuo também na recepção. “Aí, Edimilson , vamos aqui.” Começou a me ensinar o tal aparelho. E eu fiquei assim bastante deslumbrado, vamos dizer assim, com as pessoas, a forma como que as pessoas tratavam uns aos outros, os clientes, as ligações como eram atendidas, quem vinha por algum motivo obter alguma informação ali, de qual que era o tratamento, a educação que se dava... Eu, graças a Deus, muito embora, mesmo sendo humilde, não tendo esse contato com essa realidade, mas mamãe sempre primou por aquele negócio, a gente ouvir bem, falar baixo, responder, tudo “numa boa”. Então aquele ambiente de trabalho era completamente diferente pra mim, eu fiquei deslumbrado. Pode até parecer que estou fantasiando. Mas não, era realmente o que me passou... então quando eu cheguei, por exemplo, no primeiro dia que eu cheguei em casa, falei: “Mãe, é maravilhoso Realmente o pessoal lá, olha, é excelente, etc” E o telefone? Nossa Tocava... aí eu não sabia o que fazer, eu tirava do gancho mas aí, tocava outro. Eu falava: “Caramba, Lins.” “Não, rapaz, aperta aqui, etc”. E daí fui pegando, aprendendo com a vivência e fui me apaixonando – a verdade é essa – pelo banco. E o local em si – eu falei das pessoas – mas o local que a gente cuidava? Nessa época, o FUNCI, ele centralizava toda a papelada do funcionalismo. Tinha um documento chamado “fé-de-ofício”. Então, de todos os funcionários do Brasil o fé-de-ofício era localizado aqui de Brasília.

P - O que significa FUNCI mesmo, só pra gente poder registrar?

R - Departamento de Funcionalismo. Eu trabalhei no FUNCI. O gerente, um funcionário pedia remoção, caía aqui com a gente. E eu ia descobrindo aos poucos, eu também era sempre curioso, mas a função, a minha função mesmo de estagiário, o que era? Era fazer um pagamento ali na agência, era levar um documento lá no arquivo geral, que ficava no segundo subsolo, ia comprar um lanche, ia tirar uma xerox. Um outro troço que eu fiquei extasiado foi a microfilmagem. Aquela maquininha lá, roda pra cá, roda pra lá, então, quer dizer, tudo novo, e eu deslumbrado. Então, essa foi a minha apresentação ao Banco do Brasil. As pessoas e o local que eu trabalhava eram nesse modelo. E não sei se eu posso adiantar, mas depois, um troço que foi bastante marcante, é que quando eu tive que sair – acho que a palavra correta é essa – eu entrei “em parafuso”. Eu era um guri de 17 anos e dez meses, estava alistado na Marinha, e de repente eu me vi, assim, saindo daquela casa – por que ali, na verdade, é uma casa. São amigos que até hoje a gente tem; alguns faleceram, outros a gente perdeu o contato, mas muitos outros a gente mantêm a amizade até hoje – e de repente, eu me vi assim em casa, ia pro colégio, eu não saía, voltava na rua, encontrava aqueles que foram meus colegas, eram dez anos de convivência, mas depois de minha saída do banco, se eu viesse aqui da padaria e tivesse alguém ai na esquina eu dava a volta pela outra rua, entendeu? Entrei “em parafuso”. Eu cheguei e disse: “Papai eu não consigo ficar aqui. O senhor me manda pra casa da minha tia.” Aí fui tentar trabalhar essa situação. Foi bastante forte, realmente foi forte. E numa época em que você não tinha psicólogo, quer dizer, existia, mas não é como hoje, com esse acesso. Então, ter que trabalhar aquilo, foi bem pesado.

P - Mas aí você prestar concurso e voltar como contínuo pra dentro do banco?

R - Volto como contínuo.

P - E aí... ficou feliz demais.

R - Não, aí tudo bem. Eu já estava legal. Mas eu passei, o que, passei o que, acho que me parece que... talvez seis meses, é, do tempo que eu saí, eu fui pra Bahia... isso, fui, e tinha que me apresentar à Marinha. Voltei e fui dispensado por excesso de contingente e depois fiquei por ali, talvez uns dois meses depois, foi que eu vim visitar um colega. Ele chamou, sei lá, vamos imaginar oito meses, aí eu já estava de novo nesta casa chamada Banco do Brasil.

P - Edimilson , a gente falou de trabalho e tudo. Mas você saía, como é que era a juventude sua nessa época, como é que era Brasília? Descreve um pouco...

R - Olha, Brasília... é interessante a gente falar assim, porque na verdade você fala Brasília e a gente confunde muito, quando na verdade Brasília é esse centro aqui, é esse pólo aqui onde estão as asas, os ministérios... então eu, na minha infância, e como eu disse, onde eu vivo até hoje, é Gama. Gama é uma cidade que é localizada, a uns 40 quilômetros de Brasília. É mais na saída. Lá, o poder aquisitivo é bem menor, e a gente, a nossa infância, na adolescência, o que era? Era soltar pipa, era ir tomar banho nos córregos lá em baixo, era roubar manga na chácara da viúva. E aí vinham as festinhas, o tempo das festinhas, dos embalos, entendeu? Era festinha na casa de fulano. “Hoje tem festa na casa do Carlinhos” “Ah, tá, vamos lá”. Era bater uma “pelada”, todo sábado tinha uma “peladinha,” depois a gente ia pra casa de um colega, ouvia uma musiquinha, à tarde e ficava por ali... Então era uma coisa simples. Estudava à noite, mas era coisa assim, uma festinha, uma bola, uma peladinha no sábado, domingo a gente começa a jogar no time de fulano... Coisa assim, não é muito... não tem muito atrativo, porém era simplesmente maravilhoso, entendeu, porque era bem, a gente era assim, bem livre, não tinha essa preocupação que hoje tem, que tem que estar de olho em todo mundo. Era todo mundo tranqüilo.

P - E os namoros nas festinhas, como é que eram?

R - Os namoros... eu sempre fui um camarada meio desengonçado, grandão. Com 17 anos e dez meses eu já tinha praticamente a altura que tenho hoje, um metro e 86. Eu era magrelo, aquele “palitão”, não tinha muito namoro não... agora, o seguinte, dançava bem. Sempre dancei bem. Isso não é modéstia não... (risos)

P - É uma vantagem...

R - Falsa modéstia não se aplicaria aqui. Mas realmente então... eu gostava de dançar, a gente dançava o tal do soul, né. Então não sei se vocês lembram, talvez só de filme, sabe como é que era. Mas era música lenta, que você, para dar uma volta, usava praticamente meia música, aquele negócio, luzinha... e as festinhas, no caso lá, a gente não tinha... discoteca foi bem depois, boate... que boate? A gente nem pensava em boate. Então era festa na casa de fulano, festa na casa de cicrano. Quando tinha alguém mais ousado, trocava a lâmpada, colocava uma mais fraca para dar aquele clima, e era aquilo... você curtia a menina aqui, saía ali para fora para dar uma voltinha, dava uns amassos (risos), como se diz hoje, né? E aí voltava. Mas também, não tinham essas saídas não. Mas era gostoso, dava pro gasto.

P - Você, você faz curso superior logo nessa época ou demora um pouquinho?

R - Não, não. Isso aí foi algo assim que... hoje eu já não me culpo mais, não, mas eu já me culpei bastante. Concluído o segundo grau, aí eu deixei rolar. Deixei rolar, deixei rolar, deixei rolar... e depois, a minha mulher que veio: “Amor, você tem que... pô, você está novo, cara, vai fazer uma faculdade.” “Ah, mas aquele negócio, aquele saco sala de aula e não-sei-o-quê.” Então, tá, vamos. Tudo bem. Fui, fiz a inscrição no vestibular, vou ver qual é, né? Porque, o seguinte, eu saí do segundo grau, concluí o segundo grau, passei praticamente uns dez anos sem nada, e voltava aos estudos... aí não, vou fazer um supletivo para dar uma reciclada, que era algo assim mais barato, como um cursinho, e fui fazer esse, esse vestibular. Aí falei. “Puxa, o que eu vou fazer? Direito é muito concorrido. Mas o negócio é entrar, depois a gente muda. Aí, fui e fiquei entre economia e pedagogia. Pedagogia porque dava muita gente, mas também tinha muita vaga. Já economia é interessante porque está na minha área, está ali no dia-a-dia do banco, economia, tem a ver. Então, tá. Fui lá, fiz. Tal foi a minha surpresa com o resultado. “Passei, cara” Foi algo assim também que... eu fui tão descrente... na verdade eu queria, né? Eu estava meio assim mas... quando eu vi o resultado... Tinha um colega, da Fundação também, meu camarada da Fundação, nessa época, o Luís Eduardo, que fez também lá, e a gente saiu da Fundação direto pra ver o resultado. “Passei, passei” O Luís não passou... O Luís já estava... o Luís estava bem mais novo, mas não passou. “Não, não tem nada não, depois você passa.” Tanto que hoje ele é advogado. E eu não sabia que eu queria tanto aquilo, mas acho que foi aquele negócio: não, eu sou capaz. Tá, passei, fiz três semestres. Terceiro semestre... é, três semestres. Aí, veio o lance do meu guri, o meu filho Caio... tem umas coisas que... é, ele é filho do coração. Tem o Caio e a Maria Luíza, que são filhos adotivos nossos. Com Caio a gente entrou na fila. E eu me lembro que quando eu... no dia em que eu recebi a notícia que nós teríamos que ir à Vara do Juizado de Menor, eu tinha uma prova de contabilidade. E na prova de contabilidade, eu conhecia... conhecia bastante a matéria, era prova de consulta e o professor era “chegado”. Tudo bem, fui lá, entrei, fui lá para o meu cantinho atrás e começou a prova. Rapaz, tinha que fazer um balancete. Aí, não dava. Procurava aqui na pasta, nada, e fazia, fazia... havia passado uma meia hora mas pensei “o que que eu estou fazendo aqui?” Aí escrevi lá no rodapé, “Jorge, desculpa, velho, mas não dá não, amanhã vou ser pai.” Pronto, levantei, entreguei e saí. Eu tinha que buscar minha esposa no aeroporto, fui lá, voltei, e o que o Jorge fala? O pessoal estava saindo da sala e o Jorge: “Chega aí. Ô, bicho, que é isso, cara? Você fez o exercício, estava tudo correto, cara.” Falei: “Não, Jorge, deixa pra lá.” Tá, conclusão, eu, esse terceiro semestre, beleza. Levei essa prova aí, estava “de boa.” Não tirei uma nota legal nela, mas estava tranqüilo. Só que depois, eu falei: “São dez anos de casado, agora vem o Caio, eu vou ficar toda noite vindo para a faculdade? Ah, não vou. Vou curtir o moleque, né? ”Aí, deixei e tranquei. Aí passou-se mais algum tempo, mais uns dois anos talvez, aí eu voltei. Retomei. Aí mudaram a grade e eu tive que fazer duas ou três matérias que eram do primeiro semestre. Mas só que eu peguei um chefe da cadeira lá de Economia, que era o professor também de Metodologia Científica. O cara era um porre Aí não bati... não sei, é que a “falação” já estava em outro nível e eu não agüentei não, aí falei “tchau” e parei, deixei quieto.

P - Você falou passou... mas passou na UnB (Universidade de Brasília)?

R - Não, não. UnB realmente é uma faculdade, Universidade de Brasília, uma universidade pública, onde estão as melhores cabeças. Infelizmente não fiz parte desse universo. Eu fiz na FIPLAC. Uma faculdade aqui no Estado de Goiás, e uma cidade vizinha, a cidade de Valparaíso. Faculdades Integradas do Planalto Central.

P - Edimilson , é no DEIGE que você fica mais tempo?

R - DEIGE. Departamento de Informações Gerenciais e Estatísticas.

P - Conta para gente como é que funcionava, quais que eram as suas atribuições, um pouquinho desse cotidiano dentro desse departamento.

R - As minhas atribuições no DEIGE. Eu como contínuo. Então, aí era interessante, porque no contínuo a gente trabalhava, o DEIG funcionava em um prédio no Edifício Camargo Correia. Então, era apenas o DEIGE e alguns outros. O que é que o DEIGE fazia? O DEIGE era o Departamento de Informações Gerais e Estatísticas, então ele colhia as informações das agências, da gerência, da superintendência. Vamos tirar dados, valores de safra, de custeio, de EGF (Empréstimo do Governo Federal), AGF (Aquisições do Governo Federal), esse negócio todo, eu fazia condensava, trabalhava em grandes números, e a gente ia encaminhar para as diretorias, para presidência, a vice-presidência, Diretoria de Crédito Rural, para eles terem ciência do que estava acontecendo. E o que era eu, enquanto contínuo? Aí, voltava, era quase o trabalho como menor estagiário. Era pagamento, era cópia, era malote, um malote imenso, imenso, eram caixas e caixas de 063 – era um formulário que a gente recebia – absurdo. Carrinhos e carrinhos. Inclusive tem até (risos) eu não sei... o senhor Ricardo participa dessa. Ricardo foi um camarada que incentivou a sair dessa condição de contínuo. Ele era muito gaiato, um carioca “porreta,” meu amigo até hoje. Eu na posição de contínuo e às vezes a gente chegava empurrando uns carrinhos, era tipo um berço, ele chamava de “berço.” “Cadê o berço?” Tinha um berço e um skate. O skate era só a prancha com a rodinha, e o berço não, era fechado até em cima, a gente enchia aquilo de caixa, empurrando. Aí o Ricardo, quando eu pegava assim, eu chegava perto da sala dele e ele: “Smack, smack, smack (imita som que se faz para o burro andar) Vai, burro-sem-rabo Cá, cá, cá...” Dava aquela risada gostosa. Aí, tinha alguém que falava assim: “Não, (frescura, não é nada disso não?), que aquilo lá no Rio, aqueles camaradas que catam papel, o pessoal chama de burro-sem-rabo.” “Tá legal, sacana, me aguarde.” Então, tá. Mas nunca, nunca, nunca me senti ofendido de maneira nenhuma, sabe? Eu, muito pelo contrário, achava que esse cara estava querendo me dar uma cutucada para eu perceber o que estava acontecendo. No DEIGE tinha essa parada. Você leva e traz. Daí, aí eu passei em um concurso interno e fiquei no mesmo DEIGE, por que tinha vaga lá, então fiquei como PE (posto efetivo), não sei, talvez dois meses. Eu nem coloquei isso aí... PE.

P - Ficou onde?

R - PE, Posto Efetivo, no DEIGE. É que eu coloquei só como auxiliar administrativo. Daí, aí surgiu uma vaga, aí eu fui como auxiliar administrativo. Aí mudou, eu já ia recomendar os meninos (risos), os meus colegas que haviam ficado na condição de contínuo ainda. E, naquela parte de burocracia, bater uma carta, receber o malote, você ia abrir, você ia ver, que você ia verificar o destino, tomar providência, verificar o que era aquilo. Passado um tempo, fui assistente, aí você já vai começar a gerenciar, supervisionar, trabalhar com auxiliar, com os postos efetivos. E daí foi, até que eu fui trabalhar na época que teve um troço que foi pesado, extinguiu-se o DEIG...

P - Em que ano?

R - Em 89, 90... foi 90 que eu fui pra Fundação, aliás. Então tá.

P - Isso.

R - A gente viu que iam extinguir o departamento. Que é isso? Tinham móveis, tudo aquele troço. Então tinha que cuidar desta parte inventarial da coisa, o que tinha, o que não tinha, levantar, o que aconteceu, o que é que deu baixa, onde é que está, foi para lá, foi para cá... foi um pedacinho pesado, fiquei com essa parte de almoxarifado. E foi assim... bem, bem pesado. Extinguiu-se o DEIGE e eu fui para a Fundação. Acho que eu falei assim bem em linhas gerais o que eu fazia.

P - Tem algum outro momento de você no Banco do Brasil que você queira relembrar, alguma pessoa, um momento marcante? Você até o Banco do Brasil, até 90.

R - Não, agora não vem nada não. Sei que acho que tem alguma coisa aqui que estava batendo, mas agora acho que não é nada não.

P - Só mais uma perguntinha. Quando surge a Fundação Banco do Brasil, você trabalhando no DEIGE, isso tem alguma implicação?

R - Não, não...

P - Que que acontece? Você fica sabendo...?

R - É completamente distinto. Eu tinha um colega que já trabalhava na Fundação Banco do Brasil, o Rocha, morava também no Gama, colega com a gente, jogava até no mesmo time e ele trabalhou na Fundação, também trabalhava na COTEC, ligado à Fundação. E quando foi extinto o DEIGE, que acontecia? Você tem que se localizar, procurar um local para você se encaixar e que seja aceito. Aí, eu falei: “Pô, neguinho, acabou lá o DEIGE, como é que faz? Como é que é,?” falei, “e lá na Fundação, tem jeito?” “Ah, Magrão” – (Magrão, me chamavam de Magrão, né?) – “Magrão, não sei não, vou conversar com o pessoal lá, me parece que tem vaga, parece que tem alguém saindo lá.” “Então vê lá pra mim.” E eu fui, mandei para lá meu currículo, aquele negócio todo, fui chamado para fazer a entrevista, até com o Jacques. Fui aprovado, fiquei. Fui trabalhar no SETAD (Setor Administrativo) com o Lemes. Fiquei de 1990 até 2003.

P - Você pegou o início da Fundação?

R - É... a Fundação tinha pouco tempo lá. É isso. Vamos lá.

P - Você pegou esse início da Fundação. Como é que foi essa chegada na Fundação, sair do trabalho no banco, esta parte administrativa e, de repente, estar trabalhando na Fundação Banco do Brasil. O que significou isto para você, esta mudança?

R - É interessante também essa passagem, porque... o que acontece? Eu fui para Fundação, fui trabalhar também na área administrativa, trabalhava no SETAD, vistoria. Mas a diferença era o público alvo, a diferença era o público alvo porque, então, eles tinham vários programas, mas não é programa, é um negócio que daqui a pouco vou me recordar... as linhas de atuação da Fundação... a cultura, essa época a Fundação estava trabalhando bastante com cultura, tecnologia científica... bem, não me recordo. Mas era um negócio que todo mundo perguntava: “Mas que a Fundação faz?” “Então você saiu do banco?” Como Brasília tem a fundação educacional... não, é a Fundação Banco do Brasil. “Ah, você saiu do banco?” “Não, eu estou servindo a Fundação.” E a Fundação, quer dizer, não tem nada a ver com aquilo de banco, você não tem que perguntar de cheque, não é nada disso. Eles vão tratar de outros projetos, eles vão tratar agora com a sociedade. A Fundação agora é o braço social do banco. Então, realmente, não é diferente, mas no meu caso, na minha função, só em relação ao cliente final, que mudou, passou a ser uma empresa, uma prefeitura, uma empresa... a comunidade em si, não necessariamente correntista do banco ou até mesmo colegas e funcionários.

P - Você consegue identificar fases na Fundação? Da sua entrada até 2003, você consegue caracterizar de alguma forma?

R - Acho que não. Muito embora tenham sido várias, várias funções, mas como elas tiveram sempre relacionadas... ah, sim. Tinha uma parte que foi assim mais interessante na Fundação. Essa época eu já, já era supervisor. É. Então, tinha a área administrativa e a área operacional. Na área administrativa, a gente fazia com que aquilo que a área operacional trabalhou chegasse aonde deveria ser, a gente faz “a coisa acontecer”. Então a gente foi visitar um projeto, “O Homem do Campo”... Isso, Projeto Homem do Campo... onde pessoas que trabalhavam na área administrativa puderam trabalhar como operacional só que em campo. Isso eu não sei, as outras pessoas, outros colegas que vierem aqui, entrevistar os que virão, acho que vão falar assim, que foi uma fase realmente marcante, porque era aquele negócio de você receber um laudo técnico que uma agência mandou com respeito daquilo, eu vou interpretar aquilo que está escrito. “Ah, está aqui. Vou aprovar ou não, logicamente dentro dos parâmetros. O que é diferente daquilo, de uma entidade qualquer encaminhar aquele pedido, a gente analisar, falar: “Isso aqui é interessante, é viável, está dentro daquilo que a Fundação se propõe”, foi ir a campo e ver o que está acontecendo, você conhecer a comunidade, você conhecer a carência, se é aquilo que realmente estão pedindo. Porque o camarada escreve de uma forma bonita e ele te pega em um dia assim, que você está meio sentimental... “Pô, esse camarada aqui merece 100 por cento,” e outro dia, você estar mal, “Ah, esse cara aqui está querendo me engrupir Não, não vai.” Você tem aquilo ali e fala: “Poxa, foi selecionado dentre aqueles.” E você vai a campo, você vai ver, você vai pesquisar, você vai conversar com quem está tentando te vender o produto e quem é interessado direto, né? Então isso foi assim um troço maravilhoso. Pra mim, sei lá e acho que para a grande maioria da FBB. Um outro troço interessante, dentro desse projeto, desse contexto, foi que eu tive a oportunidade de ir ao sertão nordestino, fui ao Rio Grande do Norte, Santana do Siridó e Santo Antônio do Salto da Onça. Depois eu fui a Santa Catarina, lá no chamado Meio-Oeste. Fui a Mafra e Campos Novos. Então, quer dizer, eu convivi lá em cima com a pobreza, até que eu já conhecia, conhecia que meus pais vieram de lá. Então você vai passar umas férias lá, você vê. E vi a diferença da pobreza nordestina para a pobreza do sul, em Santa Catarina. Quer dizer, tudo começa pela paisagem, porque você vai na mesma época, lá em cima naquele deserto, e você vai aqui no outro, não, você vê verdinho, entendeu, você vê alguma coisinha irrigada – é pequeno, mas está irrigado. Então, quer dizer, realmente é uma divisão. Isso foi uma constatação do que a gente já imaginava. Mas o gostoso foi poder sair dali, da Fundação, daquele local, você preso ali, analisando a coisa, e você ir a campo, você botar uma bota mateira, você pisar na lama, entendeu? Você correr lá e ver aquilo. E depois, o que é mais interessante é que você volta, e aí foi aprovado o projeto, os valores, os cortes. Aquele projeto que você construiu juntamente com o parceiro do outro lado de lá, e depois você vê um ginásio, você vê uma escola, você vê funcionando, você vê a coisa acontecendo. Isso foi uma fase boa, excelente, marcante.

P - Edimilson , teve algum significado para você, que é filho de nordestino, seu pai saiu da terra natal, ver a Fundação entrar em um lugar, em um sertão e promover uma transformação? Tem algum significado pessoal para você?

R - Sim. Eu, enquanto funcionário da Fundação Banco do Brasil, e conseqüentemente do Banco do Brasil, é gratificante, porque, primeiramente, a gente pode perceber e mostrar também para as pessoas que o banco não é só aquele agente que fala: “Se você não fizer isso aqui, eu vou tomar a sua lavoura,” como muito gente pensa isso. “Se você não deu conta de pagar o trato, eu vou ter que tomar.” É o carrasco, ele empresta, mas pôxa, ele também tem outras obrigações para com seus acionistas. Mas essa parte do social mesmo, essa parte é gostosa, é a gratificação da pessoa, entendeu, de ver que ela pode ajudar diretamente, ou indiretamente algumas vezes, uma transformação de um lugar e de uma pessoa também, você poder levar lá no sertão do Sergipe ou do Ceará, poder ver aquele projeto, você trabalhou, você foi lá e viu que você trouxe água de tantos quilômetros e essa água está chegando naquela casa ali, entendeu? Um local que não tinha condições, e você vê que foi possível, colocar um poço, que seja, um poço comunitário, que seja um poço localizado ali. Então isso realmente é gratificante, e é bom demais, isso cresce a gente como pessoa. Então realmente mudou, deu para perceber, você sai do cru, muito embora eu não tenha trabalhado em agência, sempre foi mais na parte administrativa, mas essa diferença de banco e de Fundação, você mesmo como agente percebe e modifica.

P - Nessas andanças...

R - ... que foram poucas... ah, pela Fundação, tá...

P - ... eu gostaria de saber se teve algum personagem que o senhor conheceu ali da comunidade que lhe chamou a atenção, alguém com quem você fez amizade...

R - Dentro da Fundação?

P - Não, dentro desse...

P - ...desse projeto...

R - Ah, tá, tá. É, na verdade...

P - ... alguém que lhe chamou a atenção ali...

R - A gente tinha um prefeito, que ele chamava assim, “Amigo Edimilson , amigo Alfredo...”, que era o prefeito lá de Santana do Siridó, o Hudson, rapaz novo, mas bastante competente, novo, e como foi meu primeiro projeto, e como eu não tinha essa vida de ver como funciona uma prefeitura, ou um prefeito, a gente via, estava assim com ele, e o que acontecia? Em todo lugar que você estava, tinha alguém pedindo: “Seu prefeito, o senhor esqueceu, aquele carro de areia que ia pra lá...” “Ah, tá.” Aí ele anotava em um papelzinho. “Seu prefeito...” E tratando sempre todo mundo assim, política é política, não tem jeito. Mas ele é um camarada que, além dessa de política – eu acho também que ele tinha que fazer esse papel, ele não pode falar: “Não, sai para lá.” Pode ser isso, né? Mas era um camarada que a gente via que ele era justo e queria fazer a coisa acontecer. E fez. Agora eu acho que eu, eu dei aqui uma embolada no que realmente você queria de, vamos dizer, de pitoresco, ou de alguma coisa assim... não, não tem realmente nada de... que eu pudesse ilustrar bem, assim... Foi só a forma desse rapaz, acho que foi porque foi um primeiro contato direto, foi engraçado assim... mais ou menos engraçado. Na noite em que chegamos em Santana de Siridó, ele foi nos receber, daqui a pouco, a gente estava com um calor danado, tudo suado, tinha andado não sei quantas horas de carro, e daqui a pouco ele fala algo interessante... “Nós vamos abrir até a Câmara.” A Câmara Municipal era uma vendinha lá. Aí, abriram, e houve uma sessão solene. Tipo, oito horas da noite, aquele negócio lá, todos os vereadores, algo assim que... “Puxa,” eu falei, “Alfredo, estamos ‘bem na fita’, hein, cara? Sessão extraordinária aqui a essa hora” Então foi esse troço assim gostoso, mas não sei se a gente viu alguma coisa assim de triste... mas acho que não é bom falar disso, não.

P - Edimilson , você acompanhou a fase que a Fundação atendia os chamados “projetos de balcão”?

R - Sim.

P - Você lembra de quais eram...

R - Não, não...

P - ... como funcionava...

R - ...porque, porque nessa época eu não estava ligado diretamente. Então eu sei que o seguinte: era serviço à beça. Essa época, eu trabalhava cadastrando, então a gente recebia, pelo malote e tinha que colocar no sistema, mas era muita coisa. Foi uma época assim que você recebia, recebia, recebia, quer dizer, não dava vazão, porque do que saía, saía um, chegavam dez. Isso, então, sendo assim, bem “light”, porque era muita coisa, muita coisa. Um tempo que você tinha pedido de tudo quanto é lado, todos os campos, e pedia. Pede, pede, pede, pede... Então, realmente, os nossos colegas analistas suavam bastante, para selecionar, selecionar, selecionar, daí a pouco você passa um legal aqui, e está levando um que não era tão interessante. Era muita coisa. Acho que eu não sei falar o nome de todos, mas eu lembro quando a gente fazia o levantamento final do ano... como é que falava? Era assim: “Em análise, em ser deferido, indeferido...” Eram milhares... era um calhamaço de coisas que entravam, muita, muita, bota milhares nesse negócio aí.

P - Só pra eu poder entender quando eu lhe perguntei das fases, o senhor falou que tem uma certa hora que as pessoas de dentro da Fundação saem a campo...

R - Sim.

P - É quando começa a focar em projetos específicos, termina essa fase “detrás do balcão”?

R - Isso, isso. Aí, essa parte do projeto Homem do Campo, ela deixou de receber isso aí, e foi se basear no tripé: saúde, educação e agricultura familiar. Então você ficava em saúde, educação e agricultura. São um dos pilares... como se fala? Estão dentro dos campos de atuação, do espectro da Fundação, foi dessa época que a gente começou a sair. Na verdade, o projeto Homem do Campo, ele foi... tentava colocar piloto, para vê, para daí o que fosse... se eu aplico na comunidade “x”, ela deu certo assim, então vamos tentar replicá-la da forma que já foi trabalhada em outra comunidade.

P - Voltando um pouquinho... em 92, a Fundação sofreu algumas denúncias e sofreu intervenção também do Ministério Público, foi um período conturbado... Você estava na Fundação nesse período...

R - Sim.

P - Como é que foi? Como é que isso interveio no cotidiano de trabalho de vocês? Como é que foi receber estas notícias?

R - Olha, se a gente colocar, pelo lado da moralização, da ética, trata-se de uma questão muito interessante que acontece no funcionalismo do Banco do Brasil: o que for proposto a eles a fazerem, eles fazem, e fazem o melhor ou da melhor forma. Então, isso é uma coisa. E eu que estive lá, já vi “n” projetos, não só na Fundação, mas dentro do banco. O banco ele tem que alcançar tantos milhões de cotas. Alcançava, e alcançava mais, e é um produto bem vendido. Então, por esse lado, para desmoralizar, ele falou que o Banco do Brasil, a instituição até então – muito embora fundação, mas está ligado direto – das instituições com a maior credibilidade. E foi aquele negócio. Se você fosse em qualquer município, antes tinha o padre, o delegado, às vezes o prefeito e o gerente do banco. Isso, quase sempre foi assim. Para essa parte foi interessante pra se moralizar a coisa, se é que existia alguma coisa, tanto é que a intervenção foi curtíssima. Se percebeu que não era aquilo que estava sendo apregoado. Agora, você enquanto funcionário, enquanto agente lá da Fundação, foi bastante ruim. Você, enquanto pessoa, “Pô, bixo, estou pensando aqui, tentando trabalhar legal. O pessoal está pensando que está acontecendo isso.” E você enquanto funcionário também porque dá uma puxada. Assim, é tipo uma nódoa, você ter assim um local que, assim, não é tão visto assim de repente, chega o Ministério Público, repórter, click, click, click, click, e todo mundo lá, “O que que está acontecendo? O que que está acontecendo?” “(Não, está fechado, está aqui?).” Então foi chato, foi um troço chato. Como eu disse, interessante, sim, que se existia alguma coisa, foi moralizado e foi limpo, e não se mostrou que não existia. Por outro lado, o ruim de você estar fazendo parte daquela instituição. Então é aquilo que você passa... “Ah, eu trabalho lá...” Mas, é... por esse lado foi, foi ruim. Política e eu... (risos)

P - (risos) A gente tem que falar das coisas ruins também, né? Não tem só coisas boas nessas estórias.

R - Claro, claro.

P - O governo Collor, Edimilson , atinge de alguma forma a instituição, a Fundação Banco do Brasil em algum momento?

R - Tatiana, eu sinceramente não vou saber te dizer, porque eu me confundo em épocas, eu sou assim meio ruim nesse negócio de épocas, e isso na verdade eu não sei te precisar se... vou te dizer, não sei precisar... se a época dessa intervenção era governo Collor, ou não. Eu não consigo precisar. Eu sinceramente não sei, tenho que dar uma pulada nessa aí.

P - O Collor assume, aí retém as cadernetas de poupança e tal, e a intervenção é em 92, é mais ou menos nesse...

R - Acho, acho que é a mesma...

P - É em 11 de setembro. É em 11 de setembro, as notícias vazam...

P - Sim, mas quando o Collor assume, que ele retém as cadernetas de poupança...

R - Eu acredito que tenha... eu, enquanto pessoa física, com certeza. Eu, enquanto pessoa física, eu tinha conseguido fazer uma poupança, coisa que eu nunca tinha feito, de repente... Nessa época eu estava até fazendo um curso, então, quer dizer, eu estava no deserto, eu estava “ilhado”, e quando eu soube à noite, eu cheguei em casa, falei: “Puta merda,” mas tudo bem. Mas então, olha, sinceramente, eu não vou saber te precisar, te dizer, alguma coisa assim com relação aquilo, com relação às contas da Fundação, eu, sinceramente, não sei te dizer.

P - Tudo bem.

R - Eu fico devendo essa.

P - Vamos passar então para a fase de reestruturação da Fundação em 95, há um certo corte de pessoal e tudo... Você podia definir pra gente, você podia registrar e definir pra gente, como é que foi essa reestruturação estratégica da Fundação a partir de 95, se ela existiu, estou enganada?

R - Olha, ela existiu e ela foi dolorosa, ela foi doída, por quê? Porque você tem um grupo de pessoas que trabalham. E, quer queira, quer não, você vai ao Banco do Brasil, e a Fundação não fica atrás, são sempre muito apegados, são sempre muito família, muito grupo, entendeu? Enquanto funcionários ali, mas se dão muito bem. E foi dolorida, porque não sabíamos quem ia ficar, de repente coloca todo mundo para um lado, daqui a pouco, “Fulano, Fulano, Fulano sobem. Não, Fulano fica aqui.” E daí a pouco descem. “Que foi?” “Não, estamos indo embora.” Então, quer dizer, foi traumático, foi chato, foi um troço assim que foi dolorido, como é que fala - ah, essa época acho que foi até o tempo do doutor Rabelo, não sei se é ele que... acho que é ele que chega. É, então, quer dizer, é uma guinada, mudava completamente a forma da Fundação trabalhar. “Não vai sair mais dessa parte de balcão... vai passar mais pra essa parte de...” E foi interessante, foi bom, mas a forma de que foi feito... sempre é isso, diz-se que todo corte é dolorido. Então, ela foi traumática, não vou dizer que amizade se rompeu, mas deu assim uma trincada, por conta de que fica naquela: “Não, porque conhecia, porque era chegado de fulano...”, aquele negócio que sempre existiu e sempre vai existir em todo lugar. Então, foi com certeza foi traumática, foi um mal-estar geral na Fundação, tanto de quem ficava... de repente quem ficava, ficava contente porque ficou, que continuava no emprego, aquele negócio todo... não que quem tivesse saído estava desempregado, mas aquele emprego ali, aquele local, mas foi algo complicado de se remendar depois. Remendar relações mesmo, de pessoas, de setores, a administração com o administrado, ficou um clima pesado, isso enquanto funcionalismo, enquanto tecnicamente, eu acredito – muito embora que eu seja uma pessoa, assim, inapropriada pra falar, como praticamente não trabalhei na área operacional – mas a gente percebeu que a coisa deu mais uma caminhada, ficou mais fácil trabalhar. Deixou de entrar aquela quantidade enorme de projetos que entravam, o trabalho foi melhor direcionado.

P - A Fundação teve uma vitória muito grande, que foi a aquisição de sua sede própria. Vocês saíram do Edifício Camargo Correia para ir lá para o Number One. Como é que foi essa “chegada na casa própria”, como vocês mesmo definiram lá na Fundação?

R - É, essa chegada foi legal. Inclusive eu ralei à beça nesse... eu era o supervisor do SETAD, e coube a mim e à minha equipe fazer essa mudança física. Logicamente, que a gente sempre achava que a Fundação tinha que ter um local pra trabalhar, e esse local também tinha que ser um local bonito, apresentável, porque a gente estava recebendo pessoas, autoridades, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e sempre tinham parcerias que a gente tinha ou pretendia fazer, então você tem que se apresentar. E lá, nos outros locais, que é que tinha? A gente estava sempre mudando, porque de repente mudava, um camarada precisava, você tinha que sair. E o centro, também, não era de fácil... não era fácil chegar. Sobre a chegada lá. Eu lembro que o Luís Eduardo chegou, tinha que fazer algumas viagens ao Rio de Janeiro para contatar a PREVI, negociar, marcar reuniões, etc. Então, entra o Edimilson . E o Edimilson vai lá, tanto que não tinha nem que visitar a nova sede, fui umas duas vezes, essa visita cabia ao pessoal da engenharia.

P - Isso antes da mudança?

R - Isso antes da mudança. Eu fui olhar aquilo ali e daí chega a minha parte. Eu nunca gostei de estar de frente, assim, aos holofotes, eu gosto sempre de trabalhar na coxia, sabe? (risos) Então, o que acontecia? O pessoal ia lá, “e como é que está lá?” “Está ficando bonito, cara” “Pô, bacana. Então está bom. E aí, quando é que a gente vai mudar?” “Tanto.” Agora precisa saber com certeza a data da mudança, você tem que contratar um pessoal e organizar toda a equipe que vai trabalhar comigo, etc. Então, foi uma “ralada” tremenda, eu, aqui, o Edimilson , mais o pessoal que estava comigo. Agora que foi muito gostoso estar lá no Nomber One. Vocês conheceram? Conhecem logicamente, né?

P - É aquele prédio que eu fui, né? Sim, conheço.

R - Então, está bastante bonito. É já está pequeno.

P - Edimilson , eu vi pela sua trajetória aqui que você passa a gerenciar uma área da Fundação. Isso é desde o início, ou é a partir de que época? Só pra gente retornar...

R - Não, isso foi talvez em 2000, acho que 2000.

P - E o que que muda no seu cotidiano?

R - Muda, não. Praticamente não muda nada. O que mudam são só nomenclaturas. Vamos fazer uma reestruturação, “não, mas aqui não está bom. Na supervisão, vamos colocar você para gerenciar a área aqui, vai ficar assim...” enquanto nomenclatura mudou tudo. Na verdade, tudo isso, essa supervisão, gerência, tudo era em um setor administrativo, setor de infra-estrutura. Então o que era? Era sempre aquilo: receber, cuidar dos contínuos, das recepcionistas? Queimou uma lâmpada: “Porra, Ed, essa lâmpada daqui está queimada” “Pô, eu não sei, se você não me falar eu não sei, bicho...” “O cara deu descarga ali e não... jogou papel no chão” “Pô, bicho, me avisa...” (risos) Então é sempre essa parte ali, entendeu? É sempre de tentar fazer as coisas acontecerem, a Fundação funcionar. Essa foi a minha parte lá.

P - A chegada da Eloísa Helena mudou um pouco o foco da Fundação, com o surgimento do Banco de Tecnologias), dos prêmios. Como é que você encarou isso aí?

R - Repete, por favor, a pergunta, que me deu um branco... (risos)

P - (risos) Repete.

R - Você perguntou da chegada da Heloísa. Isso mudou o foco, a criação do banco de tecnologia...

P - Isso... como é que você encarou isso aí, se teve alguma mudança no seu cotidiano isso aí?...

R - Não. Na minha, na minha parte, enquanto parte administrativa. Se mudou, é muito pouco, não é nada significativo. Apenas uma opinião pessoal. Acho que é pequeno o tempo de gestão, agora são quatro anos, são dois podendo ser renovados por mais dois. Mas é tão pequeno, que quando a coisa começa a funcionar de uma certa forma, aí há uma nova eleição, chega uma nova diretoria e as coisas mudam. Chega uma nova direção lá na presidência e muda. “Vamos mudar” Pô, isso dá uma quebrada. Então de repente você está colocando uma pessoa na direção, você está trabalhando isso aqui para fazer... “Eu quero que nessa parede aqui, aqui nós vamos colocar os quadros, troféus, guardar a história da Fundação.” Aí você vai e faz. E contrata quem vai fazer aquilo ali, quem não vai. De repente, já chega uma outra administração, e fala: “Não, não é nada disso. Aqui nós vamos fazer uma outra coisa...” Então são mudanças que iam para minha área, e eu agora, enquanto funcionário na minha área, todas essas mudanças – que, como eu disse, eu acho muito pequeno o tempo – elas, praticamente, não afetam muita coisa na minha área de administração, que enquanto infra-estrutura, faz a peça girar. Então, eu vejo isso com uma certa satisfação. O banco de tecnologias é interessante. Isso aqui dá certo lá, então vamos tentar reaplicá-la em tal lugar, onde é que você pode. Você tem um banco onde alguém pode ir buscar. E tem aparecido cada coisa maravilhosa, coisas simples. Pô, tem um rapaz que é lá no nordeste, pegou um filtro lá que ninguém imaginava que uma água consegue dessalobrar e ele consegue quase que limpar lá. Beleza. Quer dizer, são coisas que são simples. Mas só que teve um gênio que a criou, então, realmente, é bom o banco de tecnologia. Mas, mudou daquilo que eu vivi lá atrás, naquele balcão, para você ter alguma coisa que alguém se interessa para vir buscar.

P - (risos) Oh, Edimilson , você já comentou do projeto Homem do Campo... tem algum outro projeto que você acompanha de perto, que você considere mais importante, algum...

R - Não, não...

P - Nenhum xodó, nenhum?

R - Tsk, tsk, tsk. Não. Porque, como eu te disse, depois... ah, sim. O Criança e Vida. Criança e Vida...

P - Tem algum

R - Criança e vida. Não, é... que depois você falou... interessante. Puxa, Criança e Vida é realmente interessante, Criança e Vida é o quê? Um programa que é para identificar, o câncer infantil, mortalidade... Até porque eu também aposentei por conta de um câncer (risos), para você ver a coisa, como é que funciona. Mas então é um programa muito, muito, muito interessante, programa Criança e Vida. Me parece até que agora que ele está...

P - ... findando...

R - ... findando, né? Por que o que era? A Fundação se propôs, juntamente com as outras entidades, criar centros de excelência onde pudesse ser diagnosticado, e tratado o câncer infantil. A pessoa tinha que sair lá de Manaus, tinha que vir para Brasília, tinha que ir para não-sei-pra-onde. O grande problema é diagnosticar. Uma vez diagnosticado, 80 por cento, com o tempo, graças a Deus, são salvos, são tratáveis. E tratado com sucesso. Então esse...

P - Desculpe...

R - Não, que é isso

P - Fora o Homem do Campo, você se desloca para alguma outra localidade por conta de algum outro programa?

R - Não. Foi só esse Homem do Campo, como eu te disse, onde ele foi chutado. Operacional e administrativo. Vamos ver como é que é, o pessoal sentir... era quem decidia. “Puxa, que é que o Operacional faz?” A gente sabia, mas achava que existia assim uma certa distância.

P - E quando o senhor se aposentou na Fundação, como é que foi?

R - Olha, foi algo assim... foi pesado pela condição em que eu saí, entendeu? Me recordo assim, quando eu entrei no banco, pensei que com 30 anos de trabalho, eu estarei me aposentando. Aos 49 anos de idade, eu estarei me aposentando. Com 30 anos. Aí depois mudou, 35, 53, etc. Mas sempre foi bem mais para cá. E, de repente, eu me vi, depois de... eu estava com o quê, eu estava com 23 anos de banco, é... 23 anos de banco, aí me vi de repente sendo obrigado, a deixar os colegas, deixar a Fundação, deixar o banco, por conta de um tumor. Você havia estudado, criado, feito um projeto seu... não, é para daqui a tanto tempo. E de repente você... “Não, você não trabalha mais aqui porque você não serve.” Graças a Deus não estou encostado ainda. Mas não era sempre assim. Ainda bem que fui diagnosticado precocemente, na hora certa. Deixa eu pensar bem... não foi doído ou dolorido para me aposentar, ou pela aposentadoria, porque eu tinha que pensar em viver. Então de repente eu compensei... não tive tempo de sentir essa ruptura, “Pô, agora, o que eu vou fazer? Amanhã eu vou ter que acordar e não vou ter que ir para o banco.” Porque eu tinha que trabalhar aqui nessa outra parte, né, na parte da saúde, então nesse ponto assim de eu sair da Fundação... e saí. Mas tenho muitos amigos lá. Amigos, não muitos, porque está tendo uma saída, uma mudança, mas por conta da doença não foi tão traumática por ter saído antes.

P - Mas e a saudade da Fundação?

R - Ah, não. A saudade, a saudade, ela existe. Saudade, ela existe. É, como diz, às vezes, quando eu vou visitar o pessoal lá, eu falo: “Não, não é saudade de trabalhar. A gente vem por vocês”... Porque parece até mentira minha, mas às vezes eu não vou mais, ou com mais freqüência, porque quando eu chego, aí paro para conversar, e às vezes tem um chefe lá, uma direção nova que diz assim: “Pô, o cara vai ficar de papo aí até que horas, hein?” Então, para não atrapalhar o colega lá, aí eu nem vou, então eu prefiro mais assim: seis, sete horas eu pego o Chicão, “vamos lá no Bar do Boró? Hoje, feijoada” - sexta-feira, então, a gente vai. Então, por exemplo, teve o casamento do Valdir esses dias, e aí vai aquela turma que é mais chegada e aí a gente se reúne lá, toma uma cerveja, conversa, dança, joga conversa fora. “Ed, ô, aparece, cara, não sei o que...” Eu falo, “Não, rapaz, aparece aqui em casa também.” Então tenho, tenho o contato com algumas pessoas, né, a grande maioria. Tem aqueles com que a gente trabalha, tem aqueles que a gente curte. Eu tenho saudade, tenho saudade sim. E, sei não... acho que também, algumas pessoas lá têm saudade de mim também, porque eu era gaiato eu era aquele cara tipo boa praça.

P - Edimilson , pessoas ou fases marcantes para você na Fundação, que você tenha lembrança. Você já citou alguns amigos... algum momento que você ache importante registrar?

R - Momentos, momentos, momentos, não. Momentos são... no dia da minha despedida, eu vi que o nosso auditório estava... não estava repleto, mas estava quase, e eu não contei, não visualizei quem não estava. Sei quem não estava, porque estava de férias, porque passava com a gente lá, a gente tinha o conhecimento que estava viajando, alguma coisa assim. Mas a grande maioria do pessoal estava lá, entendeu. Me confortaram na medida que podiam, que queriam, que gostavam, ou que gostam... na época que estive de licença, que eu estive internado, até mesmo quando fui para a cirurgia... a quantidade de telefonemas, de cartões, até tenho um cartão desse tamanho lá em casa, está lá guardadinho, com as mensagens que o pessoal me passava, entendeu, o que estava escrito, da forma como a minha esposa que ia lá buscar informações, tem o doutor Jairo que trabalha lá no projeto Criança e Vida, entendeu, da forma que eles vinham e a informavam, inclusive eles me pouparam bastante. Depois... “Você pensa que tu estava... tu estava é quase indo. Você pensa que foi simples, mas não foi não...” Quer dizer, então eles me deram uma poupada nesse ponto, esclareceram a ela, entendeu? A Rosa Neumann (pronuncia-se “nóiman”). Eu chamava ela de “Neumann,” e ela falava, “Não é “Neumann”, é “nóiman, que é alemão”. É... pôxa, o Fabrício, o Fabrício... camarada, é aquele garoto que ele tinha que... se ele não trabalhasse na Fundação, até mesmo, ele teria que ser esse camarada que trabalha em agência de publicidade, sabe? Que ele tinha umas tiradas assim, qualquer coisa aqui, ele já cria um slogan, tá, já dá... um camarada que é assim, ó: (estalada de dedos) Tum O Chicão... o Chicão é “praça” pra caramba, gente boa... Romano, muito embora tenha tido uns “pega” com ele, acho que foi a única pessoa com quem eu falei alto, que a gente discutia assim, mas amigão também. Romano... Naja, Estrela... E são pessoas assim que se eu for ficando falando aqui eu vou deixar alguns, entendeu, então... de momentos, assim, acho que foram muitos, muitos, muitos, muitos momentos bons. Poucos, muito poucos, momentos de tristeza, ruins, chatos. O salto, se a gente for colocar assim, bota lá... 90, que beleza Dez anos... aqui para não ficar a coisa chata...

P - Desse período que você falou de uma forma geral na FBB, tem algum fato engraçado, curioso, que aconteceu lá dentro da Fundação com você?

R - Comigo?

P - Ou com alguém que você queira contar, lógico... (risos)

R - Eu sabia que isso era uma pergunta que fatalmente viria, assim, mas... isso eu sabia desde que eu fui contatado, entendeu? (risos) Mas eu não me recordo. Com certeza tem, mas não vem (à memória?) que eu possa ilustrar.

P - Manda uma carta

R - Então, tá legal. Eu tenho o endereço de vocês, qualquer coisa eu... eu mando.

P - Edimilson , como é que você avalia a sua trajetória dentro da Fundação?

R - Olha, a minha trajetória na Fundação, ela foi, com certeza... eu nunca fui de brilho, eu não era aquele camarada que estava à frente, que estava aparecendo. Mas foi uma trajetória assim de responsabilidade, de entrega, e de responsabilidade. Que é um troço que eu aprendi lá quando eu era menor estagiário, é um troço que a gente aprende a gostar do que se fala, o que tem BB, então, o grupo. Então interessante, de repente, você vai ver isso com as demais pessoas, como é que a gente se entrega ao que seja... à Fundação, que seja ao banco. Então diria que não foi brilhante, até porque, como eu já disse, eu não sou aquele cara de aparecer, eu gosto de fazer as coisas aqui, sabe, as coisas simples mas que está sempre fazendo, está dando continuidade. E foi, acima de tudo, honesta, tanto para a Fundação, como para comigo, e de amizade com todos. Acho que não tem ninguém que eu tenha magoado, e se magoei, acho que com certeza fui perdoado, e depois foi uma coisa de momento. Também, se eu magoei, acho que... foi isso, mais ou menos (risos) a trajetória, uma passagem assim de camaradagem, acho que muito poucas vezes, há muito pouco tempo eu me vi assim como trabalhando lá com aquela obrigação, aquela coisa que fala, “Puta merda, tenho que estar lá, tenho que fazer isso.” Não, aconteceu sim, houve, mas foram poucas. O todo aí... (balançando?), o saldo é positivo.

P - E o que é que você aprendeu lá dentro, Edimilson ?

R - O que eu aprendi? Aprendi que as pessoas, todas elas, devem, sempre devem ser respeitadas, entendeu? Porque até aquilo, enquanto projeto... se chega um projeto que eu leio, e faço descaso daquilo, depois quando eu vou ver aquilo lá... “Puta merda, eu fiz... desrespeitei quem escreveu, eu não acreditei, e lá, aquela pessoa lá, como é que... conseqüência dessa, dessa ação. Está acontecendo isso.” Um negócio que virou jargão lá, que de vez em quando até o nosso presidente usa. A FBB não dá o peixe, ela ensina a pescar. Então, isso que é o interessante, é respeitar, era ensinar a pessoa a se respeitar também.. É para a gente estar ali do lado, em convivência, em harmonia. Não importa quem... se eu que mando hoje, posso ser o mandado amanhã. Tem muita coisa aí para mudar. Profissionalmente, tem os cursos. Isso não é interessante, não. Interessante é gente, ainda mais pela situação em que eu saí, né? Então a gente aprende isso... acho que é isso.

P - Edimilson , você pode traduzir pra gente a Fundação Banco do Brasil em algumas poucas palavras?

R - Acho que está... está até escrito em algum lugar, uma missão, alguma coisa da Fundação. É um agente de transformação que a gente tem que fazer valer mesmo. É agente de transformação. Essa é a Fundação Banco do Brasil. É o que deve: ser um agente de transformação.

P - Edimilson , a gente está caminhando pro final.

R - Oba...

P - Tem alguma coisa que a gente não te perguntou, que você gostaria de falar...

R - Não, talvez tenha uma coisa assim que eu tenha deixado passar. Com certeza deixei, inclusive acho que vou ficar até devendo alguma coisa hilária para mandar para vocês, mas acho que em linhas gerais, acho que é esse o recado...

P - O que você acha dessa... da importância desse projeto de registrar a memória da Fundação Banco do Brasil?

R - Ah, não, não, não. É importante, é importantíssimo, “importantissíssimo”, porque na própria área em que eu trabalhava, SETAD, de infra-estrutura, a gente, depois, a gente foi percebendo quando a gente foi fazer um trabalho, que existiam alguns projetos da Fundação, algumas peças de projetos em que a Fundação não tinha... quer dizer, a Fundação produzia “n” livros, ou discos, sei lá, o que fosse, material, revista “x”, depois descobriram que a Fundação tinha alguns, e alguns que a Fundação não tinha uma unidade daquela. Pôxa, a gente precisa ter aquilo ali, uma história de projetos, até mesmo para pesquisa. Então, é importante, sim. E que agora, além de quê, além de a gente estar tratando de projetos, a Fundação neste vai estar tratando de pessoas, vai estar mostrando pessoas que, de uma forma ou de outra, elas participaram do crescimento da Fundação. Então é de suma importância.

P - O que o senhor achou de ter participado dessa entrevista aqui?

R - É... (risos) É, realmente, assim, eu, quando, quando eu recebi a ligação – para falar a verdade quem recebeu não fui eu, foi a minha esposa, me parece que foi o seu Timóteo, não sei, um nome assim, não me recordo... Eu falei assim, “O quê, amor?” “Ô, ligaram aqui para você. É uma entrevista para a Fundação, não-sei-o-quê...” “Ah, tá bom.” Aí, foi, foi, foi... Pôxa, ou eu estou importante ou a Fundação está andando assim muito... (risos). Eu fiquei feliz, até orgulhoso. Olha, pôxa. Bacana. Quer dizer, a minha parte ali, se eles acham que eu tenho alguma coisa para mostrar, para contribuir para esse memorial, para esse livro... fiquei feliz de ser lembrado.

P - Então, Edimilson , em nome da Fundação, em nome do Museu da Pessoa, nós gostaríamos de agradecer a sua presença aqui, ter passado essa tarde agradabilíssima com a gente, adorei a sua história, muito legal, viu?

R - Eu é que agradeço.

P - Muito obrigada.

R - Obrigado.

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