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História

De Estiva Grande a São Paulo

História de: Estevinha Pavan Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/08/2011

Sinopse

Aos noventa e dois anos de idade, Estevinha Pavan Ribeiro recorda diferentes lugares por onde passou ao longo de sua trajetória. Nascida em 1919, em Estiva Grande, em Pirajuí, São Paulo, já viveu em Ilha Grande, Salvador e Paraná. Traz lembranças da infância, do tempo em que o pai tinha fazenda de café. Fala sobre os estudos em colégio religioso e a formação profissional como professora. Conta como conheceu Yves, um médico baiano que morava no Rio de Janeiro, com quem veio a se casar e ter quatro filhos. Estevinha tem orgulho de seus descendentes e compartilha o sentimento de ser uma avó amada.

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História completa

P/1 – Dona Estevinha, eu sei que a senhora já falou, mas a senhora podia repetir pra deixar registrado, o seu nome, a data de nascimento e onde a senhora nasceu. Seu nome completo.

 

R – Meu nome, Estevinha Pavan Ribeiro. Nasci a quinze de fevereiro de 1919.

 

P/1 – Em que lugar a senhora nasceu?

 

R – Em Pirajuí, Estiva Grande. O que mais?

 

P/1 – Só isto. Só pra deixar registrado. E qual eram os nomes dos seus pais?

 

R – Ângelo, ele tinha outro nome, mas a gente quase não falava, tanto é que agora esqueci. Não sei o nome dele completo. É Ângelo Pavan, italiano.

 

P/1 – E sua mãe, como chamava?

 

R – Não sei a idade dele. Ah, não sei não. Não lembro.

 

P/1 – E a sua mãe como chamava?

 

R – Minha mãe chamava-se Vitória Olívia Bonadio Pavan.

 

P/1 – E seu pai de onde veio?

 

R – Ele veio da Itália acompanhando a família, como imigrantes e foram morar na Sorocabana. Na parte da Sorocabana Jardinópolis. Eu esqueci de falar. Que eu não me lembrava mais do nome. Lá eles viveram muitos anos. Ele chegou criança; casou lá. Depois de lá ele comprou umas terras em Pirajuí e ficou morando lá em Pirajuí e depois comprou as terras pra fazer uma fazenda. Era um sítio no começo. Depois foi aumentando. E plantação de café. A maior parte era café. Ele competia com o rei do café, que era um ricaço mesmo. Muito rico. Mas depois em 1934.

 

P/1 – Ah, aí a senhora já tinha nascido. Espera um pouquinho. A senhora nasceu em Pirajuí, como era a sua casa da infância?

 

R – Nasci na Estiva Grande, naquele primeiro pedaço que ele comprou. Depois que ele comprou em Pirajuí pra construir uma casa pra morar em Pirajuí. Saiu daquela casinha da fazenda, lá das terras. Eu nasci ali, em 1919, dia quinze de fevereiro. Primeiro de março eu fui registrada.

 

P/1 – E a senhora ia à escola? Tinha uma escola na colônia?

 

R – Escola? Já não me lembro se tinha porque normalmente eu não andava na colônia lá embaixo. Você só ia lá pegar correspondência. E tinha uma capelinha também. E tinha missa quando o padre ia. A gente ia à missa. Nós somos católicos. Mas aí, em 1934 meu pai construiu uma grande casa, que ele já estava com a fazenda muito grande. Tinha uma casa de máquinas pra beneficiar café. A gente ia lá passar as férias com as amigas e era muito bom. Eu fiz aniversário lá, fiz quinze anos lá com orquestra.

 

P/1 – Como foi esta festa de quinze anos?

 

R – Aí meu pai cansado já daquela fazenda procurou no Paraná. Ficou sabendo das terras do Paraná, do Norte do Paraná, e comprou um pedaço de terra muito grande lá. E fundou, abriu uma pequena vila. Botou tudo que precisava: luz, água. Botou tudo. Mandou fazer uma capelinha, onde rezamos a missa com um padre chamado Frei Henrique, __ do Brasil. Então nós fizemos a nossa fazenda produzindo muito café também. Depois ele começou a produzir outras coisas. Tinha uma serraria. Construiu uma serraria. Eu sei que agora botaram o nome a fazenda de Santa Amélia, em homenagem a filha dele que morreu, a mais velha. Agora já é município, o Governo já registrou como Santa Amélia.

E continuou ali. Mas ele quase não ia pra fazenda. Ele deixava meus irmãos cuidarem de tudo.

 

P/1 – E quantos irmãos a senhora tinha?

 

R – Nós éramos nove na família. Eu fui morar lá; a outra foi morar lá; a Albina  foi morar lá e depois eu também. Mas aí já na cidade de Bandeirantes eu fui morar. Quando meu pai mandou pedir pra sair da Ilha Grande e ofereceu a ele milhões de coisas para ele poder morar lá e no fim não aconteceu nada disso. Ficamos lá sofrendo.

 

P/1 – Isto a senhora já era casada, né?

 

R – Já tinha quatro filhos.

 

P/1 – Então espera. A senhora está indo muito rápido.

 

R – Já tinha três filhos quando fui pra lá. Depois nasceu o Eduardo e a Marisa. Eu vivia em São Paulo; eles nasceram em São Paulo. Só um que nasceu no Paraná. Nasceu numa cidade chamada Cambará. Você conhece o Paraná?

 

P/1 – Quando a senhora casou onde a senhora morava? Como foi que a senhora conheceu o seu marido?

 

R – Eu casei dois anos depois que já estava de namoro. Ele morando na Ilha Grande, que era médico, solteiro ainda. Ele veio da Bahia. Começou a trabalhar no consultório do cunhado dele que estava no Rio. De lá ele conseguiu este emprego na Ilha Grande. Aí ele foi pra lá e ficou um ano lá antes da gente casar. Ficou trabalhando lá um ano. Eu fiquei conhecendo quando numa ocasião eu fui para o Rio de Janeiro, na casa de uma amiga, hospedada lá. Era o aniversário dela que o convidou também. Ele morava numa pensão junto com meu irmão. Aí se conheceram assim. Mas daí me apresentaram e ele disse que gostou de mim logo na primeira vista e me pediu em namoro. A gente casou dois anos depois porque ele ficava longe, eu em São Paulo e ele na Ilha.

 

P/1 – Vocês casaram em São Paulo?

 

R – Casamos em São Paulo.

 

P/1 – E como foi o seu casamento?

 

R – Igual o dos outros. Simples, mas bom. Aí pegamos o trem pra viajar pro Rio de Janeiro onde a gente ia morar. Ficamos num hotel, que foi dado de presente por um amigo dele que tem hotel. E aí fomos pra Ilha Grande de uma vez. Chegamos à Ilha Grande, aquele lugarzinho ali. Era uma coisa horrível. Pra descer da barca. Era uma coisa simples. Mas a gente desceu ali e depois a gente ficou ali durante um ano, morando no Abraão, numa casinha pertinho de onde havia os barcos. Aí nós fomos pro outro presídio, que lá ofereciam um ordenado melhor. O nome das pessoas que trabalhavam lá – do diretor, do secretário – não me lembro mais. Fui morar numa rua que eram casas todas novinhas. Já tinham mandado construir. Todas as casas bonitas, grandes. O que mais eu estava falando?

 

P/1 – A senhora foi morar no Abraão e depois mudou pra outro presídio, que eram casas novas que o Getúlio tinha mandado construir.

 

R – No Abraão a casa era bem na praia. Uma casa bem pequenininha ali na praia. Aí a gente saiu e foi para uma casa ótima, de alvenaria. A outra era de madeira. Aí a gente ficou ali até 1943. Casamos em 1943 e saímos em 1947.

 

P/1 – A senhora casou em 1943?

 

R – Nós saímos de lá da Ilha Grande em 1947, quando meu pai chamou meu marido pra conversar oferecendo milhões de coisas, mas não foi feito muita coisa. A gente viveu um pouquinho na penúria. Aí resolvemos sair de lá. Aliás, houve eleição de Eduardo Gomes, aquela coisa toda. Então ele disse: “Se eu ganhar eu vou pra Curitiba”. Eu falei: “Ah, que pena, eu queria tanto ir morar em São Paulo”. Mas o coitadinho lutou tanto, mas não ganhou. Eram três cidades que votavam. Ele não ganhou. As pessoas iam lá buscar cédulas pra votar e diziam: “Ah, eu queria votar, mas disseram que o doutor Ives se ganhar vai embora pra Curitiba”. Falei: “Bom, se ele ganhar ou não ganhar ele vai embora daqui mesmo”. Aí saímos. Ele queria ir para Curitiba, mas eu não quis. Fomos pra São Paulo.

 

P/1 – Ele se candidatou a quê?

 

R – A vereador. Deputado não era não. Nem me lembro. Eu tomava conhecimento. Eu fazia voto que ele ganhasse. Não queria ficar lá. Aí fomos pra casa dos meus pais em São Paulo. E com o dinheiro que a gente trouxe de lá da venda do sitiozinho que o meu pai tinha deixado pra gente, construímos uma casa no alto da Lapa e ficamos no Alto da Lapa durante vinte anos.

 

P/1 – Como era o Alto da Lapa quando a senhora chegou?

 

R – O Alto da Lapa era terrenos. Não tinha nada. Tinha a Lapa, depois tinha, aí eles voltaram porque era muito alto. Tudo muito alto, muito grande. Construímos a casa lá e ficamos lá vinte anos. Depois ele resolveu ir embora. Aposentou-se e disse que estava cansado de morar no Sul e resolveu mandar fazer uma casa lá em Salvador. Ele foi a Salvador, eu não fui com ele esta vez, lá ele já comprou um terreno, perto de Itapuã. Construímos uma casa, casa de madeira, muito bonita, todo mundo parava pra ver. Ninguém conhecia aquela casa. Casa de madeira não existia ainda. Bem na frente do mar. Linda, linda. Pertinho do cantor, compositor, como era o nome dele?

 

P/1 – Vinicius de Moraes.

 

R – Vinicius de Moraes. Ali era maravilha, gostoso, muito bom.

 

P/1 – Você conheceu o Vinicius?

 

R – Conheci, a gente se dava muito. Ele ajudou a fornecer água pra construção da nossa casa. O meu marido sempre estava com ele. Mas eu não sou pessoa de sair de casa. Não vou à casa de ninguém.

 

P/1 – Ah, entendi. A senhora gosta mais de ficar na sua casa.

 

R – Não, não frequentava a casa. Meu marido não gostava de frequentar a casa. Sempre sai uma conversa que a pessoa não gosta. Então nunca saí com ele. Sempre ficava em casa.

 

P/1 – Quanto tempo vocês moraram em Salvador?

 

R – Dois anos depois. Ele entrou em depressão de aposentadoria e fumava muito. Foi morrer com câncer também. Morreu rápido. Ficou só um dia no posto de saúde.

 

P/1 – Que ano foi isto?

 

R – Nós fomos pra lá em 1976. Eu fiz sessenta anos lá. Um mês depois dele falecer eu fiz sessenta anos.

 

P/1 – Então a senhora foi pra lá em 1979. Depois vocês voltaram pra São Paulo e foram morar onde?

 

R – No apartamento que nós deixamos pro nosso filho, que ele não quis ir. A gente tinha comprado apartamento ali nas Perdizes. Aí a gente ficou lá. Estou ali há quase quarenta anos. Deixamos o apartamento lá com meu filho. Este que está aí. E estou lá até hoje. Já faz quase quarenta anos que ele faleceu.

 

P/1 – Agora vamos voltar um pouquinho pra senhor me contar algumas coisas melhor? A senhora contou a sua vida tão rápido. Vamos voltar um pouquinho agora? E na escola? Quando a senhora foi pra escola?

 

R – No Paraná eu não fui pra escola. Eu fui pra lá eu tinha trinta e cinco anos.

 

P/1 – Quando o seu pai tinha fazenda a senhora já morava aqui em São Paulo.

 

R – Quando meu pai tinha fazenda lá eu morava em São Paulo. Lá em Pirajuí, a fazenda não tinha nome.

 

P/1 – Mas vocês moravam aqui em São Paulo? Que bairro?

 

R – Nós moramos nas Perdizes, mas já era casada.

 

P/1 – E quando a senhora era pequena?

 

R – Quando vim de Pirajuí? Acho que em 1934. Meu pai chegou a São Paulo em vinte e sete de novembro de 1927. Quando eu tinha dez anos.

 

P/1 – A senhora então estudou aqui em São Paulo.

 

R – Comecei lá em Pirajuí, no grupo escolar. Depois a gente veio pra São Paulo e me colocaram num colégio de freiras.

 

P/1 – Que colégio era?

 

R – São Vicente de Paula. Na Alameda Barros.

 

P/1 – A senhora acabou o Ginásio lá?

 

R – Acabei só o Curso Primário. Era um orfanato. Tinha externato também. Mas era mais orfanato. No dia que eu terminei o curso lá tive que sair pra entrar no colégio Santa Inês, onde comecei a fazer o ginasial. Aí não gostei e comecei a fazer como professora. Fiz o curso de professora no Santa Inês. Fiquei no Santa Inês cinco anos, acho. Comecei a fazer o ginasial, mas aí não dava pra fazer o curso de professora. A gente vai esquecendo. Muita coisa a gente esquece.

 

P/1 – Acho que eram quatro ou cinco anos a escola normal. E a senhora nunca chegou a dar aulas, né?

 

R – Eu terminei em 1941 o curso de professora. Nunca dei aula, meu pai não queria que a gente. Porque tinha que fazer um estágio numa cidade do interior, mas ele não gostava que eu viajasse, então não fui. Então nunca dei aula. Nem em São Paulo. Ficamos noivos e casamos em 1943. Ele veio do presídio. Casamos, ficamos na casinha perto de onde descem os barcos. Lá tinha uma fábrica de sardinha.

 

P/1 – Que era de uns japoneses?

 

R – Não, não era japonês, não. Quando a gente foi pra lá era um senhor muito simpático, que até ajudou muito a gente. A gente comia muito peixe. Mas a gente continuou ali até passar pro outro presídio. E no outro presídio eu fiquei conhecendo vários presos do tempo dos integralistas e comunistas. Então tinha os dois presos. Preso de um lado, preso de outro. Aí fiquei conhecendo o doutor Sardinha, que era o diretor do presídio do Abraão. E tinha aquele que o filho dele é artista de televisão, o doutor Ribeiro. Ficamos conhecendo a família e fomos jantar na casa deles uma vez em São Paulo. A Maria e o menino. Ia levar verdura pra gente lá em casa na Ilha Grande. Porque eles faziam horta. Ele mandava verdura pra gente. Eles se davam muito, os presos. Meu marido se deu muito bem com todos os presos políticos.

 

P/1 – E quem mais a senhora conheceu?

 

R – Primeiro fui ali na escola e ele queria que eu fosse professora lá. Falei: “Não, não lecionei em São Paulo, não vou lecionar aqui. Eu falei aos empregados, os empregados eram presos, cozinhavam. Até um deles falou: “Dona, Estevinha, se minha família souber que estou cozinhando na casa do doutor". Dá risada. Porque ele disse: “Nunca cozinhei na minha vida. A senhora que está me ensinando”. Não falou nada. Ele só falou que era eu que estava ensinando. Mas tinha aquele que botava a mesa. Tinha empregado. Eu mandava lavar roupa fora. Uma moça que lavava roupa. Vinha passadinha, maravilhosa, branca. Lavava em cima das pedras, com aquele rio correndo. Era um lugar lindo.

 

P/1 – A senhora gostava de morar lá?

 

R – A gente não gostava porque não tinha nada o que fazer. Só o mar. O mar não dava pra ver de onde eu morava. A gente ia à praia todos os dias. Comia muito peixe, que adorei. Comecei a gostar muito de peixe por isto. Mas saímos de lá porque ele recebeu o convite do meu pai pra ir pro Paraná. Lá ele podia botar uma casa pra gente. Não botou nada. Aí começou a trabalhar como médico. Alugou uma casa pra ser consultório. Levava sempre gente pra minha casa pra ele cuidar lá em casa. Era uma tristeza. Sofri muito lá, muito, muito. Terra vermelha; foi um sufoco. Eu lavava a roupa, pendurava no varal, ficava vermelhão por causa da poeira, que não tinha calçamento, a roupa ficava vermelha. Era triste em Bandeirantes. Era o começo da Vila de Bandeirantes. Uma cidade baixa, onde passava trem. Morava lá também em casa de madeira. Uma casa que foi a antiga prefeitura. Que não tinha outra casa pra gente morar. Hoje que começaram a construir casas de tijolos, de alvenaria. Mas sofri muito já na minha vida. Não saía. Só quando havia uma festa no salão de festa. Um lugar onde tocava a orquestra. Mas às vezes a gente ia, às vezes não ia. Igreja nunca ia. Não dava tempo pra ir à igreja. E aí, com muita criança em casa, convidei uma prima minha pra morar comigo. Ela me ajudava muito. Ela morava na fazenda do Paraná. Lá ela morava com a família dela, mas a mãe queria que ela aprendesse a fazer muita coisa. Aí ela morou comigo e depois resolveu ir embora. Estava cansada a ficar lá. Aí meu marido se candidatou. Tinha um cavalo que nós ganhamos; um cavalo bonito. Eu dei o nome de Siroco. Vi uma vez num livro que Siroco era o nome de uma ventania. Então botei o nome de Siroco. Mas tinha três, quatro, cinco médicos. Nesta cidade que a gente morou a Santa casa estava começada. Meu marido deu impulso, ajudou também. Meu filho não nasceu na Santa Casa, nasceu em outra cidade, em Cambará, que eu já tinha hospital pra saúde. Fiquei lá duas semanas em Cambará, quando o nenê nasceu.

 

P/1 – Foi seu terceiro filho que nasceu em Cambará. E os dois primeiros?

 

R – Luiz Cássio, Carmem Lúcia e Eduardo Rui. Quando o Eduardo Gomes esteve lá resolvi botar o nome de Eduardo. Só Eduardo. Mas meu marido não gostou e falou: “Então bota Rui”. Eu falei: “Rui também não quero”. Então botamos os dois.

 

P/1 – Os seus dois primeiros filhos nasceram em Ilha Grande?

 

R – É, os outros dois, o mais velho nasceu na Ilha Grande e a menina também. Ela nasceu na outra casa. Um nasceu numa casa e outro na outra.

 

P/1 – E a senhora falou que quem fazia o parto era o seu marido mesmo.

 

R – Quem fez o parto foi meu marido. Da segunda filha, que foi um sufoco. Mas graças a Deus deu tudo certo. A menina tava com o cordão umbilical, mas Deus ajudou. Eu era muito devota, católica. Pedia muito. E esta mesmo uma vez quase morreu de disenteria. Meu marido não tinha como ajudar a menina a ficar boa. Aí nós resolvemos ir embora pro Rio de Janeiro, com médico especialista em criança. E fomos de barco até Mangaratiba. De lá pegava o trem. Minha mãe foi me visitar quando eu tive nenê lá. Ela não deixou ninguém saber que ela estava em Mangaratiba. Que ela foi me visitar e não tinha barco pra sair. Aí o meu marido ficou sabendo, pegou o barco grande que eles tinham lá, do Lazereto, o tal do Lazareto, e quando chegou no meio do caminho no mar, encontrou com a minha mãe no outro barco. Aí pegou e voltou com ele. Mas ela ficou só uns quatro, cinco dias. Chorei muito quando ela foi embora. Sozinha, nesta contingência. Eu nunca tinha visto uma criança nascer, nem nada. Não sabia nem como era. Mas sofri muito na minha vida. Mas no Paraná foi pior ainda. Sofri muito com a terra vermelha. Tinha cuidado com casa, com a roupa, tudo vermelho. As crianças se sujavam de terra vermelha. O chão era só terra. Não tinha água, não tinha poço. Não tinha água pra fornecer. Tinha que pegar água na casa do vizinho e o vizinho não queria dar porque era época da seca. Foi um caso sério. Aí o meu marido resolveu chamar um especialista pra mostrar onde a gente podia arranjar poço. E eles mostraram tudo. Botavam uma vara de aço, não sei o que era, e falavam: “Aqui tem água, poder furar”. Então ele furou num lado que não tinha. Que ele não tinha posto a vara. Aí quando acharam no outro a água vinha como uma maravilha. Quando pegava em cima a torneira logo na saída, onde botava a tampa que ficava em cima, escondida, a água vinha geladinha. A torneira ficava geladinha, com gelo tudo em volta. Coisa linda. Tinha umas árvores grandes na minha casa, muito boas. E meus filhos brincavam muito por ali.

 

P/1 – Árvore de fruta?

 

R – Feito uns tatuzinhos. Mas, enfim, tanta coisa boa.

 

P/1 – E a sua festa de quinze anos que a senhora começou a contar e não acabou?

 

R – Aquela festa? Chamaram a orquestra de Pirajuí. Foi muita gente. Foi muita alegria. Foi muito bom. Uma senhora que estava hospedada em casa me ajudou muito. Ajudou a enfeitar a mesa. Aí quando meu irmão que foi comandante da marinha, que morava no Rio de Janeiro, estava fazendo curso da escola naval, ia todo ano passar as férias com ele na fazenda. Aí a gente fazia festa. Vestia-me de marinheiro. Recitava. Decorava poesias. Cantava. Tudo que ele sabia a gente cantava também. Até outro dia eu falei: “Olha esta música”. O Cisne Branco. Eu falei, Cisne branco é lindo! Pedi pra minha filha procurar. Sabia de cor. Ainda sei.

 

P/1 – E como é?

 

R – Não. A minha filha dizia que na marinha não cantam mais esta música. Diz que dava azar. Eu não sabia. Tanto é que eu falei pra ela, eu to cantando agora pelo telefone. Eu falava muito com ela pelo telefone. Estou. Mas nunca fui pra lá. Fui à escola naval visitá-lo uma vez. É, fui à escola naval. Ele casou lá. Eu fui ao casamento dele. Ele casou com uma moça muito bonita. Agora estou sem ele. A família inteira já morreu. Todos os meus parentes já morreram. Primos, primas, irmãos, pai, mãe. Não tenho mais ninguém. Aliás, tenho um irmão com oitenta e dois anos. O mais novo da família. Eu estou sozinha.

 

P/1 – E o seu irmão mora onde?

 

R – Ele mora no Paraná. Mora lá. Eu telefono sempre pra ele. Fala com ele. O filho dele é meu afilhado. Eu estive no Paraná há pouco tempo na casa de meu filho, que ele mora lá na fazenda. Que papai tinha muitas terras, a fazenda era muito grande e ele dividiu as terras. Deu as terras pra gente e a gente dividiu em nove pedaços. Que eram nove filhos. Aí no meu pedaço nós construímos a casa pro meu filho. Meu filho mora lá há quantos anos? Mais de vinte anos também. Mas uma casa ótima. A casa deles é maravilhosa. Agora eles reformaram. Tem uma bela piscina. Tem muita planta. Tem sete pés de coco. Tem coco como nunca. E falam que o chão da terra do Paraná tem muito ferro. É vermelha. Então suja a roupa. E lava, e lava. Agora, não. Agora ele toma cuidado. O quintal é só grama. Só pisa em grama, mas tem muito carrapato. Meu filho tinha bois; tinha cavalos. Ainda tem três cavalos lá. Mas o carrapato dá mais no gramado. Eu vou pra lá este fim de semana. Domingo agora vou com eles pra lá. Eles estão aí em Itu, na casa da filha deles. E eu vou com eles pra lá. Todo ano vou dar uma passada lá. Eu ia de ônibus e voltava de ônibus. Nunca viajei de carro. Agora tenho que ir de carro. Eu ia sempre sozinha. Seis horas de ônibus.

 

P/1 – Até quando a senhora ia sozinha?

 

R – Até quando eu estava com oitenta e dois anos. Faz dez anos que não viajo mais de ônibus. Agora estou com noventa e dois. Então, não sei até quando vou parar!

 

P/1 – Acho que vai longe!

 

R – Não vai longe. Pelo amor de Deus. Moro sozinha ainda. Sempre sozinha.

 

P/1 – E como é o seu cotidiano?

 

R – Fico em casa. Costuro. Tem uma creche perto de casa e eu sempre vou fazer costura lá para o bazar de fim de ano. Aí eu faço muita coisa e levo lá pra lá e vendo. Primeiro mostro em casa: “Vocês querem comprar? Alguém vai querer comprar isto?”. A minha filha mais velha que sempre compra as coisas que eu faço. Aí levo no centro social da creche e ela vai acumulando e fechando e no fim do ano faz o bazar.

 

P/1 – E o que a senhora costura?

 

R – Faz estas bolas. Faz isto daí! Faz não sei o quê. O que eles pedirem eu faço. Só não faço crochê. Sei fazer crochê, mas não sei fazer crochê especial, bem trabalhado, que é difícil. Eu faço fuxico, faço almofadas, faço colchas pra criança. Fiz muita coisa que já nem lembro. Trabalho na creche há vinte anos. A gente fazia roupinha pra nenê também. Fiz muita roupinha. Fiz muita coisa lá. A diretora fala, quando vai gente lá e estou trabalhando: “Esta já há vinte anos que trabalha aqui”. Eu falo assim: “Já não escuto nada”. Elas conversam. As outras companheiras lá conversam, conversam. Não estou ouvindo nada. Sei que elas estão falando, mas o quê está falando não sei.

 

P/1 – Mas este trabalho a senhora faz em casa?

 

(Troca de fita)

 

P/1 – A senhora estava contando do seu neto que é arquiteto.

 

R – É um neto meu. Ele precisava terminar. Porque ele terminou o Curso Primário em Itu, depois ele tinha que fazer qualquer coisa pra se formar. Aí ele saiu de lá e escolheu Física e Química, mas chegou lá em Santa Catarina não deu certo. Ele não gostou. Saiu, veio embora pra São Paulo. Aí ele falou: “Minha mãe, acho que vou fazer Arquitetura igual meu pai”. O pai dele é argentino. Casaram; se conheceram em Bariloche, aí vieram pra São Paulo, ele também veio. Ficou morando lá em casa. Aí resolveram casar. Casaram na igreja da PUC, ali na frente, pertinho de casa. Na Rua Monte Alegre. Eu moro na esquina da Monte Alegre com a Itapicuru. Aí a minha filha disse: “Ah, minha mãe, o Pablo quer estudar Arquitetura, mas aqui em Itu não tem e ele precisaria ir pra são Paulo”. Mas era tão caro. Ela começou a pagar, mas era caro. Aí ela arranjou outra faculdade, a escola da cidade. A faculdade da cidade que cobrava caro. Aí um belo dia ele falou: “Vó, eu vou prestar exame na USP, que eu li no jornal que ainda tem vaga”. Eu falei: “Poxa, que ótimo meu filho que você leu isto no jornal”. Aí ele chegou lá, fez prova e, quando foi saber o resultado, passou em décimo lugar. Entrou na faculdade, continuou estudando lá. Toma ônibus todo dia, tomava, que agora terminou a USP. Termina este ano. A formatura dele. Tanto é que ele chegou ontem à noite lá de Goiás. Que ele foi lá dar aulas pra uns rapazes. Passou em Brasília. Falou com meu filho que está lá em Brasília. Que meu filho trabalha pra UNICEF há muitos anos. Ele estava lá nesta ocasião recebendo pessoal dos Estados Unidos, não sei de onde, aí ele telefonou pro meu filho, conversaram pelo telefone, mas ele não pôde ficar com meu filho porque ele tinha que estar com os rapazes lá em Goiás.

Ele dizia: “Ai, vó. Você tá me ensinando tanta coisa!”. Ele me adora! Eu babo. É um amor. Um menino maravilhoso. A minha filha tem os dois filhos maravilhosos. O outro foi estudar numa faculdade no Estado do Rio de Janeiro, numa cidade com o nome atrapalhado, sabe? Foi fazer... Não me lembro o nome. Uma faculdade que tem lá que é de cultura.

 

P/1 – Ah, eu sei, Produção Cultural, ele foi estudar.

 

R – Cortou o pé duas vezes com o facão porque só anda descalço lá, de chinelo. Ele terminou também este ano.

 

P/1 – Não é Produção Cultural que ele foi estudar?

 

R – Acho que é. Eu sei que ele tem notas dez. Sempre é convidado pra ir pra todo lugar. Agora ele terminou e vai começar a fazer Agronomia. Que trabalha com terra. Vai fazer Agronomia. Telefona sempre pra mãe a cobrar. Telefona pra mim a cobrar. Mas tudo bom. Gosto deles. Adoro os dois. Dois netos lindos, maravilhosos. Atualmente ele mora com a mãe porque já está construindo. Está construindo quatro casas. Todos os projetos que ele faz todo mundo gosta. Ele já está com vinte e oito anos. Demorou pra terminar.

 

P/1 – São seus netos mais velhos?

 

R – Não, meu neto mais velho é do Luiz Cássio, meu filho que mora no Paraná. É o Bruno. Formou-se advogado e está morando em Curitiba há muitos anos. Agora ficou noivo, vai casar. O outro fez um curso nos Estados Unidos, voltou, mas não consegue fazer mais nada. Então o pai botou lá pra ele fazer uma plantação. Existe uma plantação agora que cobre toda com arame bem fininho. Aquela tela fininha. Que vende tudo quanto é muda pro pessoal que quer fazer horta. Ele está lá trabalhando e está gostando.

 

P/1 – A senhora é bisavó?

 

R – Tenho três bisnetos. Duas meninas e um menino. Tenho dez netos. Um mora na Bahia. A filha dele, a Maíra, se formou em Inglês, se formou em balé. Fez milhões de coisas, aí casou e foi morar na Espanha. Agora, atualmente ela está na Inglaterra fazendo curso de Inglês completo. Enquanto ela estava em Salvador, solteira, ela fez o curso de Inglês, mas não achava que estava falando bem, então ela preferiu fazer outro curso. E como em casa tinha computador, que meu neto trabalhava lá. Ele morava lá e precisava de computador pra ele. Porque ele fazia tudo pelo computador: trabalhava, falava com a faculdade no computador. Sabia se podia ir; se não podia ir. Então pra ele foi ótimo com computador na minha casa. Então ela o mandava olhar os sites. Agora o quarto está vazio e não posso mais falar com ela pelo computador. Meu neto saiu e foi morar com a mãe. Por isto que ele está construindo as casinhas. Antes o pai ajudava um pouquinho, depois que ele foi pra lá, depois que ele terminou o curso. Que tá terminando o curso. Termina este ano, que a formatura é este ano. Mas ele tem viajado. Ele já está fazendo coisas pra ele mesmo. Então tá morando com a mãe. Que a mãe morava lá. Casaram e foi morar num condomínio maravilhoso que eles moravam. O primeiro condomínio que foi feito em São Paulo, o condomínio das terras de São José. Porque ali era o colégio das irmãs de São José. Então quem comprou aquelas terras botou o nome de terras de São José. Então eles fizeram uma casa pra eles. No começo alugaram, depois compraram um pedaço de terra e construíram uma casa pra eles. Depois ela quis vender a casa porque ela estava precisando de dinheiro e ele não estava ajudando. E aí então ela separou. E o pai deles continuou lá. Agora que ele estava começando a ensinar o filho. Ele é um grande arquiteto. Tem casa que ele fez lá nas terras de São José, em todo lado, na cidade. Mas infelizmente não deu certo e ele faleceu. Ele estava lá em Brasília. Não, tinha ido para os Estados Unidos. A mãe telefonou pra ele que o pai tinha morrido. Ele chorava tanto. Queria voltar. A mãe: “Não, não vai voltar não senhor. Não adianta nada que você não vai chegar a tempo de ver o seu pai. O seu pai já morreu; foi enterrado”. Coitadinho.

 

P/1 – Ele morava com a senhora ainda?

 

R – Ele que morava comigo. Chorou, mas chorou. O outro, não. O outro como era no Rio de Janeiro, vai com aviãozinho até lá e foi no enterro do pai. O pai morava em um hotel, porque estava separado. E ela, por caridade, durante quatro semanas tornou a botar o pai em casa pra ajudar ele. Porque ele tinha vício de bebida. Isto que ajudou ele a morrer também. Triste a vida deles.

 

P/1 – Dona Estevinha: quais são os seus sonhos?

 

R – Meus sonhos?

 

P/1 – É. Não acredito.

 

R – Não tenho mais nada o que fazer. Agora foi embora o Pablo. Ainda hoje ele telefonou: “Vó, só agora que eu estou ligando pra você”. “Pois é. Eu sei que é só agora”. “Tava fazendo a casa. Eu já deixei a casa.” Ficou dez dias viajando, então ele deixou. Então duas já estão quase prontas. Depois tem mais duas. Então ele: “Ah, vó. Que saudades. Você não pode vir?”. “Não, agora a gente só se fala pelo computador.” “Eu falei com a faculdade que...”. Não me lembro o que a faculdade falou pra ele que ele não precisou ir. E era um trabalho que ele tinha que ganhar pra ele ganhar nota dez. Ele ganhava notas ótimas. Ele é muito querido na faculdade. Agora vem a formatura, né? E o outro também terminou. Também tirou nota dez. Todos os dois. Mas lá em Itu todo mundo adorava estes meus netos. Achavam que eles eram bem educados. Meninos alegres, brincalhões. Tinham amizade com todo mundo. Eles aceitavam tudo. Eles nunca reclamavam de nada. Eram uns amores. O mais novo, no dia da formatura dele de Ginásio, estava cheia a sala da formatura. Como cheguei um pouquinho tarde, eu fiquei um pouquinho longe. Não dava pra ouvir o que estavam falando no palco. Aí uma hora, depois de muita coisa que falaram no palco, entrou um senhor que era professor dele, deste mais novo, e começou a falar maravilhas do meu neto. Em pleno (risos). Aquela sala cheia. Meu filho estava assistindo em pé, porque não tinha mais lugar pra assistir. Chegamos tarde. Aí ele ficava: “Ai, mamãe, quando eu fui lá falar pra ela: “poxa, Marisa, ele deve ter falado coisas lindas". Porque uma hora eu vi. Eu falei: “Coisa linda falando o nome do Pablo”. Aí ela disse: “Pois é. Falou coisas lindas do meu filho. Fiquei até acanhada na frente das outras amigas”. Não é uma alegria. Isto tudo é um presente pra mim. A gente fica tão feliz. Então eu cuidei deste neto que morou em casa. Ele gostava da minha comida. Ele gostava de tudo. Tudo ele gostava. Mas é um amor de criança. E beija, abraça, agarra, puxa, vai. É uma gostosura. Também dois netos que me agradam muito são eles. Os outros não. Os outros abraçam normalmente, beijam, abraçam. Mas estes dois chegam até a me carregar. Ah, meu Deus. É tão bom. Só nestas horas que a gente é feliz. Sempre sozinha, né? Por isto que pode vir trabalhar aqui. Pode vir estudar aqui. Um quartinho só pra ele. Botou prateleira, uma mesa. Tudo pra ele. Agora ele não me viu depois que chegou porque foi direto pra casa da mãe em Itu. Ele já está noivo. Faz tempo que namora esta moça. Ela é um amor também. Esteve em casa há poucos dias. Ela que foi buscá-lo no aeroporto quando ele chegou e foram pra Itu direto. Não chegou a ir pra casa. Mas a roupa dele está toda no armário. A cama, tá tudo lá. “Ah, deixa aí, vó. De repente eu preciso de alguma coisa aí e não tenho”. Então deixa lá. Tá cheio o guarda-roupa, todo cheio. Ele não sente frio. Quase toda a roupa dele de lã fica lá guardada. Não sente frio. Eu tenho uma empregada. Demorei pra conseguir uma empregada que me servisse. Roubavam. Fui muito roubada com empregada. Fui muito roubada. Com esta eu consegui. Chama-se Maria. E a minha bisneta que nasceu agora também se chama Maria. Todas as duas Maria. Ela trabalha três vezes por semana pra mim. Agora vou viajar pro Paraná com a minha nora e meu filho que estão aí. Que vieram no aniversário da filha. Então eu vou com eles pro Paraná de carro. Ela vai precisar arranjar outro lugar pra trabalhar e eu vou ficar sem ninguém. Eu não sei se vai dar certo. O meu filho da Bahia falou que ia me visitar. Falei assim: “Mas agora que eu vou pro Paraná?”. “Ah, então você vai. Eu vou outro dia”. Faz tempo que ele não vem me visitar. Antes ele vinha a cada dois meses. Agora ele está fazendo um pouco de economia porque está ajudando a filha na Inglaterra. E o marido ficou lá trabalhando na UNICEF também. Não podia sair. Ela foi sozinha.

 

P/1 – Dona Estevinha, como foi contar a sua história aqui?

 

R – Ah, foi tudo bem. A gente fica meio acanhada. Esquece. A cabeça meio atrapalhada. Foi bom. Não sei. Isto é bom? Foi bom.

 

P/1 – Obrigada.

 

R – Eu não sabia nem pra onde eu vinha. Ele falava, falava, e eu não entendia o que ele falava. Eu falei: “Não é possível. Bem que você falou uma vez. Eu não queria, não queria, não queria. No fim acabou trazendo”.

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