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História

De estagiário a presidente da CIPA

História de: José Jorge da Silva Marques
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2018

Sinopse

José Jorge em sua entrevista ao Museu da Pessoa nos conta sobre o seu ingresso no BNDE em 1978 como estagiário em contabilidade, ao mesmo tempo servia a marinha de guerra e então era tido como um possível infiltrado militar no Banco. Conta sobre divertidas histórias de trabalho e de como posteriormente passou a atuar na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, da qual é presidente, e conta sobre os projetos que ajudam a manter a saúde dos trabalhadores do Banco.

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História completa

P/1 – Então, por favor, diga o seu nome, o local e a data do seu nascimento.

 

R - Meu nome é José Jorge, eu nasci aqui Rio de Janeiro em 20/04/1958.

 

P/1 - Quando e como se deu seu ingresso no BNDES?

 

R - Meu ingresso no BNDE foi no ano de 1978. Eu fiz um concurso, uma seleção pública para estagiário, na época eu passei em primeiro lugar, e ainda não tinha completado vinte anos quando entrei no banco. A data que consta nos documentos é o dia 1/4/1978, ou seja, exatamente há vinte e quatro anos atrás.

 

P/1 - Quais são as atribuições da sua área?

 

R - Eu trabalhei vinte anos na área operacional, eu fiz a seleção pública para contador, depois eu fui aproveitado como contador do banco através de uma seleção interna, trabalhei durante vinte anos na área operacional, e depois fui chamado para fazer parte da CIPA [Comissão Interna de Prevenção de Acidentes] do BNDES, inicialmente como suplente e gostaram do trabalho que eu vinha desenvolvendo como suplente, trazendo sugestões para implantar o projeto Saúde, e o Hugo Santos, que é o engenheiro do trabalho, me convidou para ser no ano seguinte presidente da CIPA do BNDES, então eu fui para a CIPA realizando uma série de coisas. Com o apoio da administração a gente conseguiu implantar o projeto Saúde do BNDES, e hoje ele tem uma série de atividades que estão disponibilizadas para os funcionários como dança de salão, oficinas, patchwork, ikebana, tem a parte de desenho livre, tem também yoga terapia, uma série de coisas.

 

P/1 – E quais dos projetos que o senhor participou que considera mais importante?

 

R - Eu penso que o projeto mais importante é sempre aquele que você está fazendo agora. E o meu projeto hoje, mais importante, é o Agita BNDES, que está sendo lançado este mês, nós participamos, na Quinta da Boa Vista do Agita Rio, a Organização Mundial da Saúde dedicou o dia mundial da saúde à atividade física, e estamos trazendo isto para o BNDE, então certamente este é o mais importante. A gente vê hoje claramente dois fatores de risco dentro do banco, primeiro que é o sedentarismo e o segundo que é o estresse. Tanto o sedentarismo quanto o estresse trazem uma série de problemas para os funcionários, desde problemas crônicos como obesidade, diabetes, hipertensão, e até mesmo problemas de relacionamento. Então a gente está trazendo a Ginástica Laboral estamos realizando uma série de atividades, que visam ao mesmo tempo integrar os funcionários e ao mesmo e combater dois fatores de risco.

 

P/1 - Conte uma lembrança marcante da sua vida no BNDES do seu dia a dia.

 

R - Têm várias lembranças marcantes, eu vou contar três. A primeira foi justamente no meu ingresso, e naquela época além de eu fazer estágio no BNDES, eu fazia marinha de guerra, corpo de oficial da reserva da marinha, trabalhava no escritório de contabilidade do meu pai e fazia faculdade. Então como eu tinha a vida bastante agitada, acho que hoje não é muito diferente, então eu saía da marinha, eu fazia a parte da marinha de manhã e vinha fazer o estágio de tarde aqui no banco, e eu vinha fardado naquela época, e eu colocava numa sala com a Imaculada, só que o Mário Guedes, a Imaculada vai dar entrevista, pode confirmar estas minhas palavras, o Mário Guedes disse para a Imaculada que eu fazia parte do SENIMAR, que o SENIMAR tinha me colocado dentro do BNDE para fazer umas apurações, umas investigações.

 

P/1 - O que era o SENIMAR?

 

R - O SENIMAR era o Serviço de Informações da Marinha. E naquela época, era 78, a ditadura militar né? Ela não acreditou muito no Mário Guedes não. Mas quando ela me viu fardado, ela achou que era verdade isso. E aí ela foi lá dizer que não ficava comigo na sala. E hoje ela é uma grande amiga minha aqui dentro do BNDES.

 

P/1 - Como foi que ela descobriu que você não era do SENIMAR?

 

R - Depois o pessoal teve que desmentir, né? Agora a segunda lembrança marcante já foi mais adiante, dez anos depois, em 1988. Eu fui chamado para fazer parte do grupo que fez a análise e acompanhamento do projeto seringueira da Amazônia, e me mandaram de viagem lá para a Amazônia, coisa de política, estavam... apesar de ser fundo perdido, começaram a desconfiar que os seringueiros estavam desviando recursos, essas coisas assim. E como eu era contador, eu fui junto com outros colegas, e nós nos separamos, eu fui para a cidade de Cruzeiro do Sul, porque eu tinha de fazer o acompanhamento justamente das tribos indígenas que eram seringueiros também, e ocorreu uma coisa muito interessante, eu cheguei lá no domingo, e índio não tem este negócio de dia de semana, domingo... Eu fui na tribo dos Catuquinas do Barão, e uma missão minha era explicar para os índios o que era capital de giro, porque os estoques todos já tinham se perdido, então já começou, porque para mim explicar isto eles tiveram que parar o futebol deles. Então você pega um tribo de índios, faz parar o futebol, para poder explicar o que é capital de giro. E para engrossar ainda mais o problema, porque eu achei realmente que aquilo foi uma atividade muito arriscada que o banco me colocou, para engrossar o problema, esta tribo não ficava ali perto da cidade de Cruzeiro do Sul, então eu tive de me deslocar até lá pela Transamazônica numa época de chuva, e me colocaram numa caminhonete, uma Toyota, e ela trazia quatro índios fortes, encima, na caçamba, aí eu perguntei para o rapaz que estava me levando: “Por que estes quatro índios aí?” “Ah, o senhor vai ver mais adiante.” Aí começava aquela chuva, e a caminhonete atolava, então os índios pulavam da caçamba e levantavam a caminhonete para pode prosseguir viagem. Depois de umas cinco ou seis atoladas nós chegamos até a tribo, e aí eu fui explicar o que era capital de giro, juntou a tribo toda e pra engrossar o problema só quem falava lá era o cacique e os homens, e eu perguntei assim: “E as mulheres? As mulheres daqui não falam?” Aí deu muita confusão lá na tribo, mas graças a Deus acabou tudo bem. E outro problema da viagem era que o Chico Mendes havia sido morto há mais ou menos um mês atrás e o atual presidente dos seringueiros já havia, naquela semana, sofrido dois atentados. Então eu falei para ele: “O senhor não precisa me acompanhar na viagem não, tem muitas coisas pra fazer, pode deixar, manda outra pessoa”. Mas não teve como convencer o homem, então realmente eu passei um risco de vida naquela viagem. Uma experiência marcante que eu tive no ano passado foi quando antes do natal, nós tivemos enchentes aqui no Rio e me ligou o Hemorio [Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti], um responsável do Hemorio me pedindo para que eu enviar pelo menos quatro colegas lá para doar sangue, eu falei: “Não, você não vai fazer isto não, eu não vou te enviar quatro colegas. Você faz o seguinte: você manda para cá o caminhão do Hemorio, a gente coloca aqui no térreo, eu vou falar com o Dr. Durval, que é o meu superintendente de administração, tenho certeza de que ele vai concordar com isto. E a gente vai conseguir muito mais doadores.” Foi uma semana entre o natal e o ano novo,  e os funcionários realmente atenderam aos nossos pedidos e a gente conseguiu mais de cem bolsas de sangue, isto foi muito marcante e é marcante para mim essa solidariedade toda que funcionários do BNDES sempre demonstraram.

 

P/1 - O que é o BNDES para você?

 

R - O BNDES para mim faz parte da minha vida. Eu tenho 44 anos de idade e 24 dedicados ao BNDE e é uma oportunidade que a gente tem de participar direta ou indiretamente das questões sociais, econômicas, não só do desenvolvimento como um todo, mas principalmente para reduzir as diferenças regionais. Isto para mim é muito importante, você saber que o seu trabalho está tendo um impacto na comunidade, no Brasil, uma coisa bem maior que um trabalho burocrático. Tem uma frase que eu li que achei muito interessante, que o mais importante não é o que homem ganha com seu trabalho, mas sim o que ele se torna. O BNDES para mim hoje é um tesouro incalculável porque faz parte da minha vida. Através do BNDES eu encontrei um sentido de poder servir e me tornar uma pessoa melhor.

 

P/1 - O que senhor achou de ter participado desta entrevista e ter contribuido para do projeto de 50 do BNDES?

 

R - Eu achei uma coisa natural, acho que todos deveriam dar sua contribuição, pois afinal de contas o banco de tanto para a gente, não custa nada a gente retribuir de alguma forma. Eu me realizo mais quando chego no banco, eu trabalho em uma sobreloja, e passo pelo teatro e vejo as pessoas fazendo teatro. Então eu me sinto bem de saber que de alguma maneira eu contribui com um ambiente melhor dentro do BNDE. Fazer parte desta entrevista é justamente você contribuir com um ambiente melhor dentro da instituição. Obrigado.

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