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História

De Canoinhas a Costa Rica

História de: Paula Volkmann Godoi Rosa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Com uma irmã um pouco mais velha, Paula conta como foi crescer numa pequena cidade do interior de Santa Cataria e, desde pequena, ela já tinha a vontade de viajar e estudar fora. Paula conta como foi começar a usar óculos e o bullying que sofreu na escola. Com a dica da mãe, Paula pesquisou as possibilidades de bolsa do AFS e se inscreveu pela primeira vez no processo seletivo, que ficou em segundo lugar. Na segunda tentativa para uma bolsa na América Latina, conseguiu. Paula conta os pormenores de como foi a viagem, a chegada num país diferente, o processo de conhecer a família e as atividades escolares. Além disso, Paula conta também como foi a volta ao Brasil e o ingresso na faculdade, cheia de sonhos e expectativas, uma delas é de, quem sabe um dia, trabalhar na Secretaria Executiva do AFS.

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História completa

A vontade do intercâmbio eu posso dizer que eu tive desde criança, porque, sabe, eu comecei a pesquisar e aí eu via que tinha gente que saía do Brasil pra estudar fora. Eu falava: “Mas como isso? Eu também quero!”. Quanto mais eu pesquisava, mais eu queria aquilo, só que minha família nunca... Assim, meus pais se separaram quando eu tinha seis meses. Meu pai morava em outra cidade, já tinha outra família, outra mulher e a gente não tinha muito contato, eu só tinha a minha mãe e a minha irmã. Aí a minha mãe sozinha não podia pagar o intercâmbio e ela também falou: “Paula, você não vai. Desista”. Só que eu falei: “Eu não vou desistir, porque eu quero isso, é provavelmente a coisa que eu mais quero na minha vida é fazer o meu intercâmbio. E não importa o país que seja, pode ser pra Índia, pra China, sei lá, Tailândia, eu vou. Eu quero ir”. Aí, um dia, teve uma menina de uma cidade do lado de Canoinhas que é Major Vieira, bem pequena, a minha mãe ouviu falar que a menina tinha ido pros Estados Unidos com uma bolsa. Ela falou: “Paula, dá uma olhada”. Eu procurei e eu descobri que era da AFS. No próximo ano, já teve a nova inscrição da bolsa eu me inscrevi. Daí eu participei da seleção, só que eu não passei. Na verdade, eu passei, só que eu fiquei como suplente do menino. Aí eu fiquei, caso desse alguma coisa errada com ele, eu ia. Só que eu sempre fiquei acompanhando a AFS, acompanhando, aí surgiu a bolsa que foi a que eu fui no meu intercâmbio.

O que eu mais salientei [na carta de motivações] é que intercâmbio é uma coisa necessária porque é uma coisa que você aprende a respeitar o outro e os outros aprendem a respeitar a tua cultura. Então é uma troca muito legal. Antes de ir, comecei a pesquisar da AFS, porque eu falei: “Eu não vou querer aplicar pra uma bolsa de um lugar que eu não sei o que tá acontecendo”. Eu queria conhecer a história da organização. Uma coisa que eu falei que eu concordo muito que é com a ideia... Como é que eu posso dizer? Com o lema da AFS que é estabelecer a paz entre os povos através do intercâmbio. Eu acho que realmente é uma coisa necessária. Então, eu falei muito sobre isso e também sobre a minha vontade que eu tinha de fazer o intercâmbio algum dia.

Eu sabia que [o resultado] ia sair tal dia, tal hora, aí chegou a hora não tava lá, eu ficava no F5 lá da internet, né? Daí saiu. Eu fiquei assim tremendo. Eu falei: “Não. Será?”. Eu atualizava, eu olhava “Paula”, mas não. E minha mãe tava com uma cliente em casa recebendo, porque ela tava fazendo uma prova de roupa pra ajustar e fazer um negocinho, eu só cheguei na sala: “Mãe, passei.” “Passou o que, Paula?” “Passei, mãe, no intercâmbio.” “Meu Deus, Paula, como assim?”. Ela também, ela não acreditava muito em mim, sabe? Ela falava: “Você não vai conseguir bolsa. Intercâmbio, negócio grande”. Aí ela ficou muito feliz, eu acho que ela ficou quase mais feliz que eu, ela já tava tremendo, ela falou: “Meu Deus, a Paula vai. Ai, meu Deus, to tremendo”. Eu falei: “Calma, mãe, não vou porque tem a outra seleção ainda”. Mas eu fiquei muito feliz, eu tava pulando assim... Eu queria que chegasse logo o e-mail dos detalhes de como que ia ser a próxima etapa, porque eu fiquei muito, muito feliz. E foi a partir daí que eu acho que ela começou a acreditar que eu tinha potencial pra fazer, pra realizar o meu sonho, que eu ia conseguir aquilo algum dia.

Porque eu fiquei pensando assim: “Mas eu cheguei aqui pra ficar em segundo?!”. Porque você fica pensando onde que eu errei? Onde que não sei o quê? Sabe? Mas aí depois quando eu falei com a moça que era voluntária, ela falou: “Paula, a gente realmente não sabia decidir porque tinha o menino lá, tinha você, os dois a entrevista muito boa, era realmente o que a gente queria dar a bolsa, só que é uma só e a gente tinha que decidir”. Daí foi que eles fizeram por causa da renda. Mas eu acho que mesmo assim é uma conquista eu ter chegado até lá, principalmente porque foi o que me abriu a porta pra conhecer a AFS. Porque se eu não tivesse conhecido ali eu não teria feito o meu intercâmbio até hoje.

Quando eu apliquei, eu tava indo pro segundo ano do Ensino Médio. Aí eu fiquei pensando: “Nossa, mas já tá acabando o tempo. Já não vai mais dar pra fazer intercâmbio. Minha mãe não vai pagar intercâmbio. Não vai ser dessa vez”. Aí eu já comecei a procurar outros programas, programa de voluntariado, coisa assim, só que eu nunca desisti da minha vontade de querer ir. Então, eu falei: “Algum dia eu vou. Se eu não for agora no Ensino Médio, eu vou quando eu estiver na faculdade”. Porque existem milhões de portas, existem milhões de oportunidades e eu sei que alguma vez vai dar certo. E daí foi também que apareceu a bolsa da América Latina da AFS. Eu falei pra minha mãe: “Mãe, eu vou aplicar. Eu não tenho nada a perder”. E era uma bolsa parcial, eu falei: “Mãe, eu to guardando o meu dinheiro a muito tempo”. Que eu ganhava de aniversário, eu ganhava de Natal, eu ganhava de Páscoa, qualquer coisa eu guardava o meu dinheiro porque eu falava que um dia eu vou fazer uma coisa grande. Eu falei: “Se você não quiser pagar tudo, pega o meu dinheiro, leva, eu pago”. Ela falou: “Tá, Paula, pode ir. Pode ir, só não sei se você vai conseguir também”. Porque também eram poucas bolsas pro Brasil inteiro. Mas aí eu apliquei, fiz minha carta de motivação, do porquê eu queria, daí me aprovaram. Aí sim minha felicidade foi maior do que da primeira vez!

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