Busca avançada



Criar

História

Dar e receber: um enlace significativo

História de: Antônio Severo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Adolescência e regras. Mudança para São Paulo e vida no Parque Nova Santo Amaro. Perspectivas acerca da violência no bairro. Trabalho com enfoque nos direitos humanos e com os jovens no âmbito escolar público. Participação no evento. Importância da comunidade.

Tags

História completa

Projeto Heliópolis dos Sonhos

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Antônio Severo

Entrevistado por Leila Ap. Costa e Adriana

São Paulo, 07 de maio de 2005

Código: HEL_CB002

Transcrito por Anna Victória Rodrigues

Revisado por Rhaíssa Hannecker Barbosa

 

 

 

 

P/1 - Qual seu nome, local e data de nascimento? 


R - É, meu nome é Severo, eu sou Pernambucano de Cabo de Santo Agostinho, uma cidade que fica a 34 quilômetros mais ou menos da capital Recife.


P/1 - E a data de nascimento?


R - É, eu nasci no dia 29 do cinco de 1973.


P/1 - Como foi sua adolescência?


R - Oh, a minha adolescência foi bastante legal, assim, interessante porque é perto do que eu vejo hoje, da adolescência que eu tive hoje. Ela foi bastante diferenciada, foi muito regrada, eu não tive uma adolescência, com muitas aberturas, de estilos de se vestir, de comportamento, de frequentar determinados ambientes. Até porque eu faço parte de uma outra geração, diferente dessas de hoje, então assim, a minha adolescência ela foi marcada por muitas regras. Eu fazia muitas coisas que meus pais julgavam que era correto e não tinha muita autonomia de dizer o que era legal ou o que não era legal, então eu tinha consciência para mim o que que era aquilo, o que eu curtia, mas os meus pais ao longo do tempo, eles me direcionaram bastante, o que seria legal e o que não seria legal.


P/1 - Como você costumava se divertir?


R - Eu costumava durante os 12 a 13, 14, 15 anos, os momentos de diversão eram mais na escola. Tipo, nos intervalos, muito pouco na rua, mas com os meus colegas que cresceram junto comigo e que tinham uma vida muito parecida com a minha. Eu não morava em apartamento, não morava em condomínio fechado, mas tinha uma coisa assim, muito de segurança, essa coisa de o cerco era muito fechado, para que eu não, sei lá, eu acho que era uma preocupação muito de que a gente não fizesse coisas erradas, que na época tinha um pouco esse tabu de criar os filhos muito ali, segurando a rédea, as rédeas curtas. [Eu posso ficar olhando para vocês, ao invés de olhar para a câmera? Então tá bom].


P/1 - Onde você mora atualmente?


R - Então, atualmente eu moro no Parque Nova Santo Amaro, é um bairro da região Sul de São Paulo. E assim, é um bairro que foi considerado, é distrito do Jardim Ângela, que foi considerado durante muito tempo como o bairro mais violento do mundo. Então assim, como eu vim de uma outra cidade, eu trabalho em uma instituição que trabalha com a questão de direitos humanos e trabalha com essa questão da paz, do desarmamento, essa instituição que eu trabalho hoje, ela tem sua área de atuação, também é lá, na região mais periférica da cidade, e eu queria muito conhecer de perto um pouco deste mito, que violência é essa que era tão falada, de que tipo são os riscos que se tem morando em um ambiente como esse, se de fato os riscos existem. Eu tinha muito essa curiosidade, eu quero passar um tempo lá, sei lá, um ano, seis meses, um ano e meio e tentar conhecer um pouco de perto que mundo que é esse e que, pessoas, sei lá, jornalistas de outros países vem e colocam a matéria e que correm o mundo com essa fama de que é o mais violento do mundo. Então eu moro lá, ainda tô lá, tô a mais de um ano, mais do que eu planejava e não sei se eu continuo ou se eu vou sair, mas não pela questão do mito da violência, eu já me apropriei um pouco de que violências são essas que são ditas.


P/1 - Como é desenvolvido o trabalho nessa organização?


R - Então, a organização que eu trabalho ela tem frente de trabalhos, trabalha na área da mobilização e na área de intervenção. E o trabalho que eu trabalho, trabalha exatamente com jovens nas escolas públicas da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo e trabalha com a formação de grêmios estudantis e também assessoria aos grêmios que já estão formados. Então, trabalha um pouco também a questão do associativismo juvenil, a lidar com resolução pacífica de conflitos, a questão de como montar, de estar redemocratizando o espaço público e como é pode ser dada a participação dos jovens nas tomadas de decisões a partir de um diálogo, de uma proposta inovadora de trabalho dentro da escola.


P/1 - Como você ficou sabendo do evento hoje?


R - Eu recebi o convite pela internet de uma pessoa que eu não sei quem é, que eu acredito que me conhece por algum amigo dela e acabou, eu acho, repassando. Mas a instituição que eu trabalho, também recebeu o convite e por a gente estar fazendo exatamente hoje uma atividade, infelizmente, a pessoa que recebeu o convite não pode estar aqui presente hoje, mas julgou extremamente importante estar acompanhando, estar vendo como funciona uma atividade como esta e até mesmo para, de repente, estar trocando experiências, estar trazendo coisa nova e também estar levando coisa nova.


P/1 - E o que você está achando do evento?


R - Inicialmente, eu estou achando bastante legal, tô vendo que tem muitos jovens trabalhando, estou com uma satisfação imensa de estar pela primeira vez, conseguindo juntar, estar tentando, sei lá, colocar para as pessoas da própria comunidade o que se faz aqui, como se faz e o que é possível se fazer no coletivo. Eu estou curtindo para caramba, tem muita coisa por vir ainda por estar apenas começando, mas inicialmente eu já curti bastante.


P/1 - Queria que você dissesse alguma frase, alguma mensagem com a qual você se identifique.


R - Ah, uma frase que eu me identifico bastante é: "Ninguém é tão pobre que não possa dar e ninguém é tão rico que não possa receber", então eu acho que é uma coisa muito legal da gente estar refletindo sobre essa frase.


P/1 - Bom, obrigada pela participação.


R - Obrigada você. Prontinho?


P/1 - Prontinho.


[Continuação da Entrevista].


[Repete os dados iniciais da Entrevista e do Entrevistado].


P/1 - Onde você mora atualmente?


R - Então, atualmente eu moro no Parque Nova Santo Amaro que é um dos distritos do Jardim Ângela, que há um tempo atrás ele tinha uma visão muito diferente da que tem hoje. Hoje a comunidade do Jardim Ângela é super famosa, conhecida no Brasil inteiro, inclusive fora do Brasil também, mas não por essa questão da violência, essa questão dos mitos da violência que a gente ouviu durante um tempo falar. Hoje a comunidade é super conhecida pela mobilização, pelas atitudes que a juventude tem desenvolvido na comunidade, a população em geral, então assim, a gente percebe que hoje as associações de moradores tem um papel muito importante dentro da comunidade, a juventude principalmente, vem fazendo ações super transformadoras tanto na área de educação, na área de esporte, na área de lazer, na área de cultura e assim tem se mobilizado bastante para a questão da cultura de paz, da resolução pacífica de conflitos e isso é o que está marcando ponto dentro da região. Então a gente percebe que a comunidade hoje, tem uma fama muito positiva, muito inovadora, então a gente percebe que o que tem sido feito, tem sido bem aproveitado: o investimento em capital social. Então, o investimento social, a gente percebe que é o que tem dado a diferença dentro da comunidade do Jardim Ângela, acho que é um pouco do que está acontecendo aqui hoje. Essas atividades extracurriculares que a gente, que vocês estão desenvolvendo aqui, a gente acredita muito nessa coisa de que não apenas a escola é o espaço único de aprendizagem, de democratização, mas também a comunidade. É a principal escola, é a principal fábrica da construção, da base, da cultura, do lazer e da experiência e de acreditar no novo, de acreditar nos jovens, acreditar muito nessas coisas legais que vocês estão fazendo aqui hoje e que é um exemplo para Heliópolis, para São Paulo e com certeza será referência para o Brasil. Ok? Acho que agora estou com a minha consciência mais tranquila.



---FIM DA ENTREVISTA---


Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+