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Dançando a vida

História de: Ady Lucia Addor Gilioli (Ady Addor)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/04/2010

Sinopse

Em seu depoimento, Ady Addor fala sobre seu aprendizado no balé e as dificuldades que enfrentou tecnicamente. Conta sobre espetáculos em que se apresentou e sobre os professores com quem teve contato, além dos lugares para qual foi se apresentar e viajar. Aborda também sua carreira como professora de balé e jurada em festivais até hoje.

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História completa

Meu nome é Ady Addor, eu nasci no Rio de Janeiro, 01 de dezembro de 1935. Meu pai é Arnaldo Augusto Addor, ele era químico agrícola e minha mãe era dona de casa e costurava pra fora também, era uma excelente costureira. Tenho dois irmãos, eu sou a caçula, o mais velho já falecido era Alberto Pereira Addor e o outro, Arnaldo Augusto Addor Filho e eu. Os dois são casados, os dois têm filhos, eu tenho três filhas, já sou separada.

Eu tinha dez anos de idade e comecei a estudar balé,  eu já fazia muitas aulas. Eu tinha dez anos, eu entrei na escola de bailado de Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Eu fazia aula de manhã cedo e o colégio à tarde, com 12 ou 13 anos, eu até mostrei o programa pra você. Com 13 anos mais ou menos eu entrei no Balé da Juventude que era da Sede da União Nacional dos Estudantes na Praia do Flamengo, então eu entrei menina ainda, então eu já fazia o balé da Escola de Teatro e à tarde eu fazia na União Nacional dos Estudantes que era do Balé da Juventude.

Eu entrei na escola de bailado que são oito anos pra se formar e eu com 16 anos já passei pro Corpo de Baile, então eu já virei profissional com 16 anos, eu não cheguei a terminar os oito anos e já era profissional. Ela dizia: “Você corre lá ajoelha e sai” e a gente entrava, ajoelhava, corria e saía. Você corre e fica olhando com a mãozinha pra cima, a gente fazia isso e isso tinha cachê, a gente ganhava cachê, eu estava na escola de dança lá e assistia as óperas com isso. Então eu vi Tebaldi, vi Dilly, vi grandes cantores.

Eu passei para o Corpo de Baile, e no Corpo de Baile eu comecei a fazer aula todo dia e vinha a história. Tinha espetáculo à noite,  eu passei a estudar à noite pra terminar o ginasial à noite, eu tinha 16 anos e  tinha espetáculo eu não ia, tinha prova à noite eu não ia porque tinha espetáculo, resolvi parar. Eu vim pro Balé do IV Centenário, eu tinha acho que 18 anos, eu saí de lá e foi um crítico de dança que foi à minha casa com a ficha de inscrição falar com meus pais, eu já tinha dançado bastante solo, já tinha feito bastante coisa e tinha críticas bastante boas. E ele era uma das pessoas que sempre faziam crítica boa pra mim e levou a ficha de inscrição pra falar com meus pais porque eles deviam me incentivar a vir pra São Paulo que ia ser uma companhia muito boa, muito importante, um coreógrafo muito bom e que eu devia vir.

Meu teste foi assim, eu escolhi uma avaliação que foi Prelúdio de Silves que não tem nada de brilhante de impacto. Muito suave que eu gosto muito até hoje, eu gostei muito de dançar e gosto de ver hoje ainda. Teve essa audição que foi a coreografia escolhida, teve uma improvisação e teve uma aula. Foram três dias e assisti algumas audições de algumas colegas lá no dia que eu fiz. E foi tranquilo quando terminou a audição, ele me chamou e disse que tinha gostado muito de mim e que eu era muito talentosa e que ele me daria um contrato de solista pra começar.

Eu lembro assim: faltar ensaio não ocorria a ninguém só se estivesse morto ou proibido de ir, como foi o caso da rubéola que eu tive, o meu pai ficou doente e a minha mãe foi pra lá e meu irmão ligou: “Papai está muito mal. É bom você vir.” Eu não peguei a malinha e saí não, eu fui falar com ele, eu falei: “Olha, eu recebi um telefonema que meu pai não está bem e eu preciso ir pro Rio”. Ele falou: “De jeito nenhum, seu pai não deve estar tão mal e se for mais grave, eles vão te avisar.” Quer dizer, se ele morrer. Porque grave já tinham me dito que estava. Me pergunta se eu fui? Não fui, quer dizer, era de uma dedicação louca. Se meu pai morre, eu mato ele, então era tudo muito... Ele me chamou na sala e me falou: “Olha, você tem um talento muito especial, você tem uma dádiva. Deus te deu esse talento e você por isso tem um compromisso com ele. Você não pode parar de dançar, você não pode recusar uma dádiva de Deus, então continue dançando sempre, não pare porque você tem que retribuir”. Ele quis dizer Deus deu e você não vai fazer nada com isso. Quando eu parei de dançar, me deu uma culpa e eu falei: “Gente, será que...” Porque eu parei muito cedo. Eu parei com 24 anos, eu parei bem no auge mesmo. Eu pensei: “Será que eu vou ser castigada? Será que papai do céu vai ficar bravo comigo porque eu vou parar?”. Pesou. Ele falou muito sério: “Meu Deus, ele tinha que ter falado isso pra mim, podia ter ficado com ele isso.” Quando eu parei, eu cheguei a ficar com medo, eu falei: “Eu acho que vou ser castigada.”

Tudo, como solista, como artista, como interpretação, como... Tinha outra coisa muito engraçada no Milloss que... A gente era magra. E bailarina, menina não tinha nada e ele dizia assim: “Mas tem que ser mulher”. E mandou botar enchimento em todas as roupas pra gente ficar com seios fartos, com peito de mulher. Porque bailarina não tinha nada e aquilo foi uma humilhação horrorosa que a gente sentiu. “Que coisa horrível ter que botar enchimento dentro da roupa pra gente dançar.”

E depois uma carreira muito curta no American Ballet Theatre, mas foi também muito boa. Eu comecei a dar aulas também lá em Caracas, porque agora eu sou professora, eu dei aula no Balé da Cidade durante dez anos seguidos pra profissionais, dei algumas poucas aulas no Cisne Negro, dei aula no Rio de Janeiro pro Corpo de Baile, dei aula pra escola do Rio de Janeiro e fui diretora da escola de Bailados aqui e dei aulas em Campinas durante muito tempo, lá eu montei Lago dos Cisnes, Dom Quixote, Silfis. Eu fiz muitas coreografias pra Campinas, eu tive meu grupo chamado Ady Addor Companhia de Dança onde eu fiz coreografia, mas achei muito difícil ter um grupo aqui. Eu tive uma escola muito grande chamada Balé Teatro. Era eu e duas sócias que era a Marisa Magalhães e a Iara Van Linden. Nós éramos três sócias e pra fazer essa escola, eu fiz um curso de Psicodrama Pedagógico, eu fiz alguns trabalhos de Pedagogia e de ensino mesmo.

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