Busca avançada



Criar

História

Dança da alegria

História de: Vinicius Lelli
Autor: Vinicius Lelli
Publicado em: 15/09/2020

Sinopse

Diário de Vinicius Henrique Gomes Lelli, 26 de agosto de 2020. Jornada, dia 5.

Tags

História completa

Hoje, em São Paulo faz e continua fazendo frio, um frio que doeu as pernas e congelou os dedos, e foi fugindo do frio, ainda no meio do dia, contando às três horas da tarde, que tomei um banho para esquentar o corpo, principalmente os dedos duros das mãos e as pernas doidas de tanto frio que se acumulava em meu quarto (risos gélidos), fui tomar banho, não o banho da água quente do chuveiro, mas o banho que incrivelmente havia na varanda da casa que moro. No ambiente, como companhia, além do sol e das muitas plantas ao redor, Bigu, meu querido e amável cão coragem (mas aqui não me atreverei falar de suas aventuras nada corajosas), da raça pinscher, em seu pequenino corpo, uma roupinha contra o frio o esquentava e ocultava a linda pelugem preta amarronzada dele e ele sempre em alerta (principalmente quando o assunto é comida), acompanhava atento os movimentos de minha mão, onde depositava com disciplina uma colher à boca, pois comia canjica, depositada numa xícara branca e grande que adoro. Mais do que com a boca, os cachorros comem com os olhos, não seria diferente com Bigu, uma das coisas que ele mais ama é se alimentar, não seria diferente de nós, humanos, que a todo momento estamos com olhos e bocas, comendo. Neste momento, ri, não só por causa do poder de observação, olfato apurado e demasiado interesse, mas porque me observava, percebeu que não fazia nenhum movimento de oferenda alimentar, logo, foi alegre brincar com os tecidos laterais, artesanalmente trançados e sobressalentes, ali brincava de enfiar o focinho na parte vazada da rede (tirava e colocava, para depois morder de leve o tecido), fiel e igualmente disciplinado nesse ato religioso, abanava o rabo, enquanto por um momento, achei que seus movimentos eram uma espécie de dança da alegria. Eu, ali permanecia imóvel concluindo que Bigu, estava muito feliz, parecia um bebê que ri com o som de uma folha sendo rasgada, que ri com pouco e sem o apuro frio da razão se diverte muito e vendo tudo isso, senti um quente no corpo, não era só o quente do sol que já me torrava, era um quente que vinha de dentro, que de supetão me tocava instantaneamente, gradativamente me fazia cócegas e me forçava de forma leve e libertária explodir na boca um riso igualmente quente.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+