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História

Da vida no mar para a vida na terra

História de: Roberto da Cruz Raposo
Autor: Sophia Donadelli
Publicado em: 11/06/2021

Sinopse

Ingresso na Petrobras. Vida profissional. Mudança de cargo. Viagens no navio. Relações de trabalho. Transferência para o trabalho em terra. Escolhas profissionais. Memórias de trabalho. Amadurecimento.

Tags

História completa

Projeto Memória da Petrobras 

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Roberto da Cruz Raposo

Entrevistado por Eliana Santos

Garoupa, 26 de janeiro de 2004

Código: Petro_CAB004_UNBC

Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha

Revisado por Igor Gabriel de Sousa Galindo

 

P – Boa tarde.


R – Boa tarde. 


P – Eu gostaria de começar pedindo que o senhor nos fale o seu nome completo, local e data de nascimento. 


R – O meu nome é Roberto da Cruz Raposo. Eu nasci em Belém do Pará no dia 6 de junho de 1958. 


P – Sr. Roberto, o senhor pode contar pra gente como que foi o seu ingresso na Petrobras? Como foi e quando foi?


R – Bem, meu ingresso na Petrobras se deu em 1980. Eu fiz um curso de formação de oficiais da Marinha Mercante. Aí eu fiz minha opção para trabalhar na Petrobras e trabalhar embarcado, viajando no navio da Petrobras. E, nessa ocasião, eu vim fazer meu estágio diretamente aqui. Após seis meses desse estágio probatório, eu fui aprovado e fiz uma prova de avaliação para ser admitido e fui aprovado. Fiquei desta época de 1980 até 1987 trabalhando como oficial da Marinha Mercante e em seguida eu fiz um curso de Técnico de Segurança no Trabalho. Fiz uma, até nessa época de 1987 para 1988 também se podia fazer admissão, processo seletivo interno. Eu fiz um processo seletivo interno para  trabalhar no quadro de terra. Daí em diante eu fiquei trabalhando como técnico de segurança e vim até aqui até hoje. 


P – Me fala uma coisa, o senhor quando entrou foi o concurso, não?


R – Não, na ocasião...


P – O senhor fez o concurso ou o estágio é que encaminhava o senhor para Petrobras?


R – O estágio encaminhava e nós fazíamos uma prova. Nós fazíamos uma prova que naquela ocasião, como a empresa precisava de gente, a gente só fazia uma seleção. A gente fazia uma seleção e nessa ocasião foi quando eu fui aprovado. 


P – Aí o senhor entrou como oficial. 


R – Eu entrei como oficial da Marinha Mercante, fiquei viajando de 1980 até 1987. Foi na ocasião que eu fiz esse, fiz curso, fiz Técnico de Segurança do Trabalho.


P – Porque esse interesse em fazer para técnico de segurança?


R – É porque viajar é bom, mas tem os contratempos, essa história de ficar muito tempo ausente de casa, essas coisas todas. E nessa ocasião eu fiz essa opção porque eu acreditava que eu teria mais oportunidade vindo trabalhar em terra, que na ocasião seria para trabalhar em terra. Então foi por isso que eu fiz essa opção. 


P – Então conta pra gente um pouquinho como que foi essa sua primeira experiência como oficial, viajando. O que foi que o senhor, como que era o seu trabalho?


R – Não, o meu trabalho era, embarcava, trabalhava nesses navios que traziam petróleo e fui trabalhar ao longo curso. Nessa ocasião a gente  viaja pro exterior. Então havia uma carência do país muito grande de petróleo. Então nós trabalhávamos direto indo pro Golfo Pérsico, indo nas áreas onde o Brasil importava petróleo. Nós íamos buscar esse óleo. Aí, por ocasião desse trabalho, eu tive a oportunidade de conhecer alguns lugares exóticos, de repente. E nessa oportunidade o nosso trabalho era um trabalho simples mas de muita responsabilidade. 


P – Como que era o trabalho de vocês?


R – Oficial de náutica cuida da parte de navegação da embarcação. Existe um, a gente trabalhava com o segundo oficial de náutica, que é o primeiro posto. E como segundo oficial de náutica a gente era responsável pela salvatagem, pela segurança, e fazia quartos de serviços de  navegação. A gente é como se fosse vigia de navegação. A gente fazia esse tipo de trabalho. 


P – Isso já eram quartos de navegação, essa _________. 


R – Quarto de navegação é, a gente trabalha quatro horas, folga oito. Quarta do serviço. A gente trabalha quatro horas e folga oito durante toda a viagem do navio. A partir do momento que o navio chegou num porto a gente entra em outro regime de trabalho. Entra a escala que pode ser 12 horas por 24, ou 24 por 48, depende, 24 horas de trabalho por 48 de folga. Isso dependendo da estadia do navio no porto. Normalmente, como as estadias eram curtas, então era de 12 por 24. A gente trabalhava 12 horas e folgava 24.


P – Como que era trabalhar embarcado? 


R – É uma ótima experiência porque, numa embarcação, assim como numa plataforma, é um mundo próprio, é como se fosse uma cidade que tivesse toda a sua independência ali. Então, nós somos obrigados a nos adaptar, trabalhar naquele ambiente e tirar o máximo de tudo ali de dentro, tanto na parte profissional quanto na parte pessoal, porque a gente é obrigado a estar se relacionando com a pessoa durante  muito tempo, e sem ter, vamos dizer, não ter como fugir. A gente vai no refeitório, vai junto. A gente pra dormir tinha os camarotes que eram as áreas comuns. A gente está sempre lidando com aquela pessoa. Então, é uma experiência gratificante lidar com o ser humano. A gente tem que se adaptar e conviver com isso. E pro profissional muito bom, porque a gente tem a oportunidade de conhecer um sistema de trabalho bem diferenciado. Porque a gente, por força das circunstâncias a gente é obrigado, além de conhecer a nossa área, a gente tem que conhecer as outras áreas, como elas interagem, a gente tem que entender muito da área  do outro, do colega, pra gente não entrar em conflito. Então, é uma experiência gratificante, levando em consideração que o trabalho, o desenvolvimento do trabalho para eficiência desta operação,  é necessário que a gente tenha perfeita harmonia com a função do colega, para que não haja conflito. Uma coisa depende da outra. 


P – Vocês estão o tempo todo juntos?


R – O tempo todo junto. Eu não posso aqui imaginar que eu posso trabalhar sozinho. É como se fosse naquele barco, que a gente, um está na parte da popa, o outro está na parte da proa. Um está na frente, um está atrás. Se abrir um buraco no casco junto do colega, eu estou no mesmo barco, eu tenho que ajudá-lo porque, caso contrário, nós dois vamos pro fundo. É mais ou menos assim que funciona. 


P – E aí o senhor foi fazer o curso pra ser técnico de segurança. Como que foi essa sua transferência para terra. O quê que o senhor sentiu?


R – Eu, na ocasião, estava trabalhando embarcado ainda. Foi quando a Bacia de Campos aqui estava precisando de técnicos de segurança e fez uma solicitação para Fronape [Frota Nacional de Petroleiros] onde eu trabalhava, porque nós tínhamos uma, nós temos um encarregado da parte de segurança e salvatagem, na nossa formação está embutido isso. Então eles fizeram a solicitação para aproveitar essa mão de obra que tinha lá, pra nós trabalharmos aqui. Então  eles fizeram um concurso, quer dizer, um processo seletivo interno, para nós virmos...


P – Você já estava em terra?


R – Não, enquanto isso eu estava trabalhando embarcado. 


P – Estava embarcado como oficial ainda?


R – Isso. Aí nesse processo seletivo era pra trabalhar embarcado aqui na Bacia de Campos. Então eles queriam aproveitar os oficiais de náutica por terem conhecimento específico, segundo eles falavam. Aí nessa ocasião aconteceu de nós fazermos um processo seletivo. Tive sorte de ser aprovado. E quando eu me apresentei aqui na Bacia de Campos, tinha um pequeno porém. Nós precisávamos, pra ser técnico de segurança na Petrobras, temos que ter registro no Ministério do Trabalho. E como oficial de náutica não tinha esse registro. Então, não foi possível nos aproveitar na Bacia de Campos. Mas como lá a força de trabalho estava carente também, precisavam de gente lá no Rio, desde que nós comprovássemos que nós iríamos fazer um curso reconhecido pelo Ministério do Trabalho, eles davam condição, não iam pagar, mas davam condição pra gente estudar. Aí eu peguei, achei por bem fazer. Fiz essa opção de estudar. Eu estudei, fiz esse curso de Técnico de Segurança do Trabalho. A duração desse curso era um período letivo, começou em março, foi até dezembro de 1977. O compromisso da empresa comigo era de não me embarcar, não me colocar pra viajar pra longe. Ia me colocar em disponibilidade justamente pra eu ter a oportunidade de fazer o curso. Eu fiz esse curso por conta própria e no final do ano eles fizeram a minha transferência do quadro de marítimo para o quadro de terra. 


P – E aí o senhor gostou de voltar pra terra?


R – Gostei de voltar pra terra porque eu trabalhava ligado diretamente, fazendo inspeção de segurança em navios. Quer dizer, a minha área é navegação, a minha área era com navio, com transporte de petróleo. Eu fiquei nessa área praticamente, meio só vendo, fazendo inspeção de segurança. Então, o quê que aconteceu? Eu ficava lidando diretamente com os próprios navios que eu já havia trabalhado, com os próprios colegas que eu já havia trabalhado, só que numa posição diferente. Eu trabalhava como inspetor no quadro de terra. Que na época não era técnico de segurança. Na época era inspetor de segurança o nome. 


P – Isso significava que o senhor  fazia essa inspeção quando os navios estavam no porto. 


R – Justamente. Quando o navio estava no porto, em qualquer porto que o navio estivesse, no território nacional. E até no exterior, dependendo. Mas normalmente nos portos nacionais. Nós íamos fazer inspeção, fazer verificação, dar orientação, instrução, tudo isso nós fazíamos. 


P – E aí como foi a sua transferência pra cá, para a Bacia de Campos?


R – Para Bacia de Campos aconteceu que a gente fazia essa inspeção, o cenário foi mudando e nós passamos, deixamos de ser executantes, de fazer inspeção, para fazer auditoria, em função dessas várias certificações. Isso a partir de 1996. A partir de 1996 foi quando nós começamos a trabalhar com certificação. Aí eu fui trabalhar com auditoria. Então a gente era, os navios não faziam simplesmente inspeção operacional, algumas vezes fazíamos inspeção operacional, mas muitas vezes nós fazíamos auditoria. E quando o sistema de gestão lá no Rio de Janeiro foi implantado, nós fomos treinados para sermos auditores disso. Aí nós começamos a fazer auditoria no sistema de gestão. Nessa ocasião a Petrobras, vamos dizer assim, criou  a Transpetro. Com a criação da Transpetro, o órgão que eu trabalhava que era da Petrobras, a Fronape, passou a ser vinculado à Transpetro. Então a Transpetro foi criada, não tinha funcionários próprios. Então nós, empregados da Petrobras, ficaríamos cedidos à Transpetro [Petrobras Transporte], emprestados à Transpetro. Era uma situação não muito confortável porque a Transpetro queria trabalhar com menos gente possível. Então, não poderia aproveitar todo mundo. E nós íamos trabalhar ali, mas estávamos sujeitos a qualquer hora a ser colocado em disponibilidade. Então, antes que alguém me propusesse um outro lugar, eu mesmo procurei um lugar pra ir. Então, eu fiz duas opções, para mandar meu currículo aqui para a Bacia de Campos e ir lá pra área de Urucu, no Amazonas. E aqui me chamaram  pra fazer um período de experiência. Eu vim pra cá e quase que imediatamente eu fui aceito.. Fiquei muito feliz pelo sistema de trabalho aqui, principalmente pelo regime de folga, o que mais empolga a gente a trabalhar aqui. 


P – E porque esse interesse na Bacia de Campos e Urucu, por  exemplo? Porque você teve esse interesse tão distante?


R – Em termos de localização, é distante. Mas em termos de regime de trabalho, são muito parecidos, que seriam regimes embarcados com regimes fixos. Tipo assim, aqui é 14 por 21. Lá, na ocasião, fazia assim 14 por 14. Depois passou para 14 por 21 também. Então, o regime de trabalho é igual. Como eu falei pra você, o bom é a folga. Pra mim o bom é a folga. A gente procura aproveitar da melhor maneira possível. Quando você trabalha _____ você está todo dia em casa. Em compensação, você tem o dia todo ocupado, só sobrando os finais de semana. Então eu achei, um pouco pela condição financeira, ajuda muito. E principalmente pela questão de folga. Por isso que eu fiz essa opção. E por eu ser lá de Belém do Pará, no Amazonas, na ocasião que, o órgão de lá de Urucu era tudo gerenciado por Belém ainda. Nessa ocasião é gerenciado por Belém. Então, seria possível eu morar lá, seria uma oportunidade de voltar pra terra natal. 


P – E o quê que o senhor acha que mudou então o senhor vindo para a Bacia de Campos? O quê que o senhor acha que mudou na sua atividade de trabalho?


R – Eu me adaptei muito rapidamente em função da minha formação original. Minha formação original de trabalhar viajando, chegar a ter a oportunidade de passar dois, três meses fora de casa, e sendo que aqui a gente não passa mais do que 14, normalmente. Então o normal não é passar mais que 14 dias. Então, pra mim essa adaptação foi muito fácil. E, como eu falei anteriormente, o sistema de plataforma é muito parecido com o navio levando em consideração que aqui funciona com autonomia própria praticamente. Geração de energia. Todos os trabalhos aqui têm que estar, a gente tem que resolver nossos problemas aqui mesmo. Lógico que a gente tem apoio de terra. Mas, comparando com embarcação que a gente sai por aí, não tinha tantos recursos quanto tem aqui, então a adaptação aqui ficou fácil. Então, o que é que me levou a, comparando, por exemplo, ir lá pra Urucu e vir pra cá. Bem, aqui o regime de trabalho, estaria mais perto do Rio, que essa parte de Urucu também me saiu da ideia porque o órgão que era em Belém, a sede que era em Belém passou pra Manaus. Todo mundo que estava em Belém foi transferido para Manaus. Então pra mim o interesse não era o mesmo. Eu aqui na bacia eu ficaria perto do Rio, perto de casa. Ficou bem cômodo pra mim trabalhar aqui. 


P – E, seu Roberto, eu queria perguntar pro senhor, nesse tempo que o senhor viajou, nessas suas experiências, tem alguma história marcante que o senhor tenha vivido, engraçada, que o senhor queira registrar contando pra gente?


R – As engraçadas existem bastante. Mas o que mais me marcou assim foi a parte mais emocionante, foi dois casos que aconteceram. Vou relatar um. Na ocasião que eu viajava ainda, a gente estava fazendo uma viagem ali no Mar Mediterrâneo para o Brasil. Chegando ali pelas Ilhas Canárias, mais pra baixo um pouquinho, nós, por ocasião, talvez isso tenha me marcado porque era eu que estava de serviço. Na ocasião, isso por volta de uma hora da manhã, eu estava trabalhando no passadiço. Quer dizer, a ponte do comando do navio estava trabalhando, uma pessoa, fica um oficial lá sozinho de noite normalmente, em viagem de longo curso. Então, nessa ocasião, eu recebi por um sistema de alarme de emergência, estava tocando o alarme e dando uma posição de uma embarcação que estava em perigo. Imediatamente eu chamei o comandante, acionei para a sala de rádio. A gente foi localizar o navio, a embarcação. Era um barco pequeno. As pessoas estavam passando, nós tivemos assim alguma dificuldade. Fizemos um cálculo para poder, da posição que nos foi dada até aonde nós íamos, nós poderíamos interceptá-lo. Nós desviamos um pouquinho da nossa rota e nós fomos em socorro desse pessoal. Quando a gente chegou tem um nevoeiro muito grande, o nevoeiro era muito forte. A gente teve uma dificuldade para achá-lo, mas quando a gente achou, o resgate, salvamento que a gente fez dessas pessoas foi a parte muito emocionante do negócio, que a gente percebe que o povo do mar, os marítimos de uma maneira geral, eles são todos solidários. São muito solidários nessas circunstâncias. Então a gente percebe que, mesmo passando as dificuldades, as pessoas que nós socorremos, elas tentaram retribuir. A gente fornecia, por exemplo, via que eles não tinham nada naquele barco deles. E a gente, por exemplo, a roupa que a gente tinha, quer dizer, a gente leva praticamente uma roupa pra gente usar no nosso dia a dia na plataforma. Na plataforma não, na ocasião no navio. A gente juntou roupa, juntou alguma coisa pra fornecer pra eles. E o pouco que eles tinham lá de alguma coisa eles queriam trocar conosco. Então essa experiência marcou muito e foi gratificante. É o que, vamos dizer, é o que valoriza o homem do mar é essa solidariedade.


P – E, ainda nessa experiência, tem alguma história marcante que o senhor tenha vivido aqui na Bacia de Campos, que o senhor queira contar pra gente?


R – Da Bacia de Campos, o que é mais interessante. A minha função, por ser técnico de segurança, a gente está na frente de muitas ações, principalmente para mitigar os problemas. Então, tem ocorrido, quando ocorre, vamos dizer assim, uma situação de emergência, a adrenalina sobe, porque a gente está acostumado com o treinamento, então a gente sai como se fosse um treinamento. Quando você verifica que é real, o coração bate um pouco mais forte. Mas a gente, por sermos treinados, a gente parte pra ação mesmo. A gente consegue raciocinar e executar o trabalho. Então, aqui o susto de toca alarme, aí a gente vai, quer dizer, a gente, cai isso no sangue. Um outro caso que eu ia comentar foi isso. Estava no Rio de Janeiro, foi num navio pequeno também, que eu estava trabalhando nessa ocasião. Foi um ano antes de eu passar para o quadro de terra, que nós, infelizmente, perdemos dois colegas. Que eu estava trabalhando como oficial também. E nessa situação veio o navio de Ipanema, pegou fogo no Rio de Janeiro. Então, nós sozinhos pra tomar todas as ações, quer dizer, como o comandante não estava eu era o único oficial de náutica. Existia um oficial de máquina, que esse colega inclusive morreu. Então eu tinha que tomar todas a ações. E eu me considerava um rapaz muito novo, vamos dizer assim, pra assumir tanta responsabilidade. Então, a gente percebe que na verdade, a gente é maduro. A vida no mar torna a gente maduro. Então percebemos que nessas dificuldades a gente realmente reage bem. Eu só lamento não poder, vamos dizer, fazer mais pra ter a vida dos colegas. Mas depois que a gente vai ver, que passa por inquérito, todo mundo começa a se justificar,  sempre achamos que poderíamos fazer alguma coisa. Mas depois a gente cai na real, percebe-se que a gente fez o que podia, entendeu? Então isso foi, outro fato marcante foi esse aí. Quer dizer, essa é a parte triste. Agora, tem as partes alegres. Por exemplo, o momento de solidariedade, o momento das brincadeiras, tudo isso a gente lembra com muito prazer. 


P – Mudando assim um pouquinho de assunto, um pouco mais diferente, eu queria saber se o senhor é filiado ao sindicato, e assim quais são os movimentos que o senhor lembra ou que o senhor tenha participado, que marcou as reivindicações do sindicato para o senhor.


R – Eu entrei no sindicato desde a greve de 1995, como eu estava falando. Que eu passei pra terra foi em 1995. Então, na greve eu estava no Rio de Janeiro ainda. Quando estourou a greve a gente ficou naquele anseio de reivindicar. Acha que está precisando a turma se unir. Foi nessa ocasião que eu me sindicalizei. Daí em diante eu continuo sindicalizado. Eu não sou ativo, eu não sou aqueles que tomam a frente não, mas eu participo, eu acato o que é a decisão da maioria. E fico, a gente sempre fica esperando que não haja confronto. Mas a gente, através do sindicato, a gente acha que é uma grande oportunidade nós juntos emitir uma opinião, formarmos opinião e conseguirmos alguma coisa. 


P – Entendi, Sr. Roberto. O quê que o senhor achou de ter participado da nossa entrevista, de ter contribuído com o seu depoimento pro Projeto Memória Petrobras?


R – O projeto em si eu acho muito interessante porque a gente sempre mantêm viva a memória, principalmente da Petrobras e seus trabalhadores,  a Petrobras é formada pelos seus trabalhadores. As histórias dos seus trabalhadores que é a formação da Petrobras. Então, eu sou orgulhoso de trabalhar nessa empresa. E esse projeto, muito pouco, qualquer experiência que a gente possa passar, eu acho que a gente _____ é importante porque passa para os colegas o que foi a Petrobras, o que é. E, muito tempo atrás, sempre vai ter um colega que vai contar uma história que antigamente era assim, agora é assim. A gente percebe que houve uma melhoria, percebe que as coisas estão mudando, que está a muito tempo aqui. No início era de um jeito, agora a gente vê que está melhor. E aqui dentro, a gente pouco vai percebendo a mudança. Então, nesses momentos, que a gente para pra pensar, que a gente vê que houve uma mudança significativa. E pra mim, estar participando e ter contado alguma coisa, porque muitas vezes conversamos informalmente, e isso acaba se perdendo. Se puder juntar, registrar, pra ficar marcado, perene, melhor ainda. 


P – Eu queria agradecer muito. Obrigado pela entrevista, Sr. Roberto. 


R – Ta. Obrigado a vocês. 

 

-- FIM DA ENTREVISTA --

 

 

 

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