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História

Da militância pela redemocratização até a atuação sindical

História de: Laerte Teixeira da Costa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/05/2020

Sinopse

Relatando sobre a sua vida, Laerte descreve sua trajetória no sindicalismo. Iniciando por alguns momentos da infância, a tragédia do assassinato de seu pai, os diversos trabalho que teve, o esforço para estar sempre estudando, a luta pela redemocratização do Brasil por meio da militância até chegar em suas atividades em conselhos sindicais e fundação da Central Autônoma de Trabalhadores. Sua história pessoal se mistura com o movimento sindical, onde sua esposa Regina também tem conhecimento e atua de outras formas.

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História completa

P1 – Pra começar, qual é o seu nome completo, local e data de nascimento?

 

R – Meu nome é Laerte Teixeira da Costa, nasci em José Bonifácio, uma cidade próxima de São José do Rio Preto, estado de São Paulo, em 25 de abril de 1945. Faz tempo.

 

P1 – OK, Laerte. E qual o nome dos seus pais?

 

R – Meu pai é Sebastião Teixeira da Costa e minha mãe, Olívia Domingues Costa.

 

P1 – Você se lembra dos seus avós?

 

R - Lembro dos avós paternos e de minha avó materna. Quando eu nasci, meu avô materno já havia falecido. Mas lembro, sim. Eram mineiros, os avós paternos e vieram pra desbravar o chamado sertão paulista. Eu os conheci, sim.

 

P1 – Você falou que eles vieram desbravar o sertão paulista. Qual era a ocupação deles? Eles trabalhavam com o quê?

R – Roça. Todos eles compraram terras naquela região de São José do Rio Preto. Derrubaram mato e plantaram café, no começo do século passado, 1920, 1930. E depois foi feita uma inversão, vieram pra cidade a partir do êxodo rural, na década de 60. 

 

P1 – Você tem irmãos?

 

R – Tenho quatro irmãos.

 

P1 – O que eles fazem?

 

R – Tenho uma irmã que é administradora de empresas, já está aposentada. Tenho um irmão que é gerente de uma indústria de reciclagem em São José do Rio Preto. Outro já é pensionista do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. E a minha mãe, com 80 anos, está aposentada. Tenho uma irmã ainda, que está em Campinas, e é advogada.

 

P1 – Você se criou ali, então na região de...

 

R – Sempre na região de São José do Rio Preto. Só uma vez que eu saí de Rio Preto, fui a Curitiba gerenciar uma indústria de fertilizantes. Fiquei três, quatro anos e voltei pra São José do Rio Preto. 

 

P1 – Como era crescer no interior paulista nessa época?

 

R – Olha, eu gostei muito, acho que tive uma infância muito boa. Primeiro, eu nasci na roça. Então, os primeiros sete anos de vida, eu fiquei no sítio com meus pais, etc. Meus pais eram proprietários rurais e nós ficamos ali no município de José Bonifácio mesmo. O sítio de meu pai era na divisa de José Bonifácio. Depois quando eu fiz sete anos, meu pai disse o seguinte: “esses meninos precisam estudar”. E aí mudamos pra Mirassol, que é uma cidade muito próxima ali de Rio Preto, 12 quilômetros. Mas depois tivemos uma fatalidade na família: meu pai morreu assassinado. Foi o primeiro crime que existiu no interior do estado de São Paulo contra motorista de táxi, que naquele tempo chamava chofer de praça. E aí a vida se transformou. Mudamos pra São José do Rio Preto. Passei a trabalhar com 14 anos de idade e não parei mais.

 

P1 – Você falou que a sua infância foi muito feliz, muito agradável. Como era o dia a dia na sua casa? No sítio, como eram as brincadeiras?

 

R – Meu pai era um homem muito ativo e a casa era sempre cheia de parentes. Nos reuníamos nos natais. Eu me lembro claramente disso, que eram momentos muito felizes, muito agradáveis junto com os primos. Havia uma convivência familiar muito intensa. Mesmo depois morando em Mirassol, fazendo o Grupo Escolar - naquele tempo chamava de Grupo Escolar o Primeiro Grau de hoje - a gente estudava, caçava passarinho, jogava futebol. Essas coisas que todas as crianças fazem. Talvez hoje com mais dificuldades, porque antigamente a gente podia ficar na rua, jogar futebol na rua e hoje talvez já não seja tão fácil fazer isso.

 

P1 – Você falou do Grupo Escolar. Qual a lembrança mais marcante que você tem dessa época de escola?

 

R – Olha, não me recordo bem, mas me lembro dos amigos, dos colegas, da turma que nadava junto, da turma que caçava junto. Não me lembro muito da escola, não. Acho que eu não era muito bom aluno, não.

 

P1 – Por acaso, alguma coisa desse período de escola influenciou no que você viria a ser, na sua atuação sindical? Acha que alguma coisa germinou ali?

 

R – Não creio. O meu pai tinha um agudo sentido político. Apesar de ser motorista de praça, de ter nascido na roça, etc., ter sido sitiante, ele tinha um agudo sentido político, participava da política. Eu me lembro que na eleição do Getúlio, acho que foi 1950 - tinha cinco anos, mas me lembro claramente disso – ele foi ver o comício do Getúlio em São José do Rio Preto. Nós morávamos no sitio, e eu me lembro de estar de cavalinho nas costas dele e nós assistimos o comício do Getúlio Vargas. Isso eu me lembro. Não me esqueci dessa imagem apesar de ser muito criança, ter quatro ou cinco anos, eu me lembro dessa imagem. Então, ele tinha um agudo sentido político. Depois já em Mirassol, também, ele foi muito “anti-ademarista”. Ele foi uma pessoa muito rigorosa e achava que o Ademar tinha envolvimentos ilícitos na política, com corrupção etc. Ele foi “janista” na primeira hora, Jânio Quadros. Depois se decepcionou também, mas enfim, tinha um agudo sentido político. Talvez por isso... Mas nós não tivemos nenhum sindicalista na família, não tivemos assim nenhuma atividade que indicasse que eu me tornaria sindicalista.

 

P1 – O senhor falou que começou a trabalhar com 14 anos?

 

R – Na verdade, eu comecei a trabalhar com 11, 12 anos. Mas com 15, eu tive meu primeiro registro, que foi nas Indústrias Matarazzo, já em São José do Rio Preto. Mas antes eu tinha trabalhado em farmácia, em escritório de contabilidade, vendendo fruta na rua, essas coisas que criança faz. Engraxate, fui engraxate também. A vida ficou muito difícil depois que meu pai faleceu, porque meu pai não pagava naquele tempo o Iapetec [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Estivadores e Transportes de Carga], que era a aposentadoria do pessoal de transporte. E lá no interior não se pagava isso. Então, minha mãe ficou viúva, com cinco filhos e tivemos que todo mundo trabalhar. Houve uma transformação do ponto de vista da necessidade, porque meu pai era o provedor, colocava as coisas dentro de casa. No momento em que ele faltou, nós tivemos que fazer isso. Então eu trabalhei, aprendi muito, principalmente em escritório de contabilidade. Eu tenho uma dívida enorme com escritório de contabilidade, porque ali você aprende tudo quanto é coisa: fazer livro contábil, escrever, essas coisas. Depois trabalhei nas Indústrias Matarazzo, mas ainda não fui pra sindicato. Depois eu fui pro Banco Comind, Banco Grupo Comércio e Indústria. Aí, sim. Eu tinha um amigo que era presidente do sindicato dos bancários, que acabou me levando para o sindicato. Aí, como militante inicialmente do sindicato dos bancários em São José do Rio Preto, o presidente na ocasião era o Eribelto, que já faleceu, chegou a ser presidente aqui na Federação dos Bancários, o Misael é o seu substituto. Enfim, aí é que a coisa começou um pouco.

 

P2 – Pra chegar então do Grupo Escolar até o Matarazzo, você fez algum curso, alguma coisa?

 

R – Sempre estudei. Uma das coisas que minha mãe exigiu de todos lá em casa e esse foi talvez o principal talento da minha mãe nesse momento de dificuldade, foi exigir que os filhos não parassem de estudar. Então, eu fiz o ginásio comercial no Senac [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial], depois fiz o curso técnico de contabilidade, me transformei em contador, também no Senac. E, em função disso, sempre estudando e trabalhando, acabei entrando em curso superior e me formando no curso superior etc.

 

P2 – Qual curso?

 

R – Fiz Economia, fiz Direito. Sou economista, advogado e contador. Tudo estudando à noite. Não foi assim cursos em universidade oficial, só estudando. Nós tivemos que trabalhar junto e estudar à noite, sempre à noite. Mas era uma exigência da “velha” lá em casa, não deixava a gente relaxar, não.

 

P1 – E quando você começa a se envolver com o universo do mundo sindical, quais são as suas principais motivações? O que te levou?

 

R – Nessa época, era já um pouco rica, porque coincidiu com 1964, 1965, com a militarização do Brasil, com a ditadura militar. E nós tínhamos uma militância de estudantes contra o regime militar. Então, talvez a presença no sindicato tenha sido muito mais em função da necessidade de combater a ditadura de fazer um trabalho político de redemocratização, porque o sonho da gente era ver o país democrático. Talvez isso tenha chamado mais do que a própria vida sindical. Mas o sindicato foi um instrumento pra isso, a gente acabou entrando na militância sindical. Primeiro nos bancários, depois quando saí do banco fui trabalhar numa agência de automóveis, já como contador. E aí pela primeira vez eu tive um cargo sindical: fui diretor suplente do sindicato dos comerciários de São José do Rio Preto, cujo presidente era o Paulo Lucania, que hoje é presidente da Fecesp, a Federação dos Comerciários. Então, o Paulo era presidente do sindicato dos comerciários e me levou, por conhecer a militância no sindicato dos bancários e a minha atuação como estudante, que eu fui do grêmio estudantil, diretor do grêmio. Então o Paulo acabou me levando e já começamos a ter um desenvolvimento melhor em sindicato. Em 1965, por força dessas circunstâncias todas, eu fui convidado pra fazer, aqui em São Paulo, um curso do Instituto Cultural do Trabalho, antigo ICT. Um curso de três meses, que ficava, um curso importante da época, com professores da USP [Universidade de São Paulo], etc., um curso muito consistente. E eu aprendi muito nesse curso. Mas nunca tive uma vida inteiramente voltada ao sindicalismo. Fui presidente de diretório acadêmico, quando fiz faculdade de economia, mas em nenhum momento assim focado na área sindical. Isso veio a acontecer muitos anos depois. 

 

P2 – Você participou de alguma organização política?

 

R – Eu fui do MDB, antigo Movimento Democrático Brasileiro, e cheguei a ser eleito vereador. Fui eleito vereador em São José do Rio Preto em 1976. Fui vereador por quase 20 anos na minha terra, mas tudo sempre dentro da história da redemocratização, idealismo de ver um país democrático e etc. Naquele tempo só tinha dois partidos: Arena e MDB. Nós entramos tudo na oposição, no MDB. Na verdade, não tinha muita escolha. Nunca fui militante assim de uma organização de esquerda consolidada, com exceção do MDB, mas participei de muitas reuniões na minha terra do Partidão, da AP (AP?). Acabei não entrando por circunstância de que na época já estava um pouco difícil, havia uma vigilância um pouco maior, depois veio o AI-5 [Ato Institucional nº 5], essas coisas. E como eu não tinha uma... Militava, acabei me elegendo vereador e fui levando, fui tocando.

 

P1 – E quando o Dieese [Departamento Intersindical Estatísticas e Estudos Socioeconômicos] aparece pro senhor? Qual a primeira lembrança?

 

R – O Dieese aparece nos cursos. A primeira ocasião em que tive contato com o Dieese foi no cursos de formação. Acho que devo ter feito cursos de formação no Dieese, não me lembro exatamente quais, mas a gente teve muita reunião no Dieese. Muitas vezes o Dieese também andou fazendo cursos lá na minha terra, ia fazer palestras. Enfim, passei a ter um contato mais íntimo com o Dieese quando o Barelli foi o Diretor Técnico, porque aí já estava um pouco mais próximo. Mas uma coisa mais ou menos acidental, não foi nada programado. Mais pela necessidade. Como o Dieese atuava no movimento sindical e eu estava no movimento sindical, quer dizer, acabei por essas circunstâncias fazendo parte de seminários, de cursos, de encontros, de palestras. Foi essa a relação que eu tive com o Dieese. E depois da central, da CAT [Central Autônoma dos Trabalhadores], aí sim então uma relação mais intensa.

 

P2 – E como surgiu a CAT? Como foi essa trajetória de dirigente sindical até a CAT?

 

R – Na verdade, tem algumas coincidências na minha vida, alguns acasos, porque a vida também é feita de acasos. Como eu estava no PMDB [Partido do Movimento Democrático Brasileiro], quando o Montoro se elegeu Governador, ele, através do Ministro do Trabalho, o então Ministro do Trabalho Almir Pazzianoto Pinto, me convidou pra chefiar a Secretaria do Trabalho da minha terra. E eu promovi uma intensa, fiz um intenso trabalho de revigoramento dos sindicatos locais e também montagem de sindicatos em algumas categorias que não existiam sindicatos. Nessa altura eu já era contador de indústrias de confecção, que lá em Rio Preto existiam muitas, eu era contador especializado na área financeira. E nós formamos também o sindicato da indústria de confecção. Eu iniciei como militante, depois como vice-presidente e depois posteriormente como presidente. Nessa altura, o Eribelto, que tinha me levado para o sindicato dos bancários, tinha assumido a federação e tinha assumido a CAT, que na época não era central, era Coordenação Autônoma de Trabalhadores, cujo objetivo era ser uma tendência tanto dentro da CUT [Central Única dos Trabalhadores], quanto da CGT [Confederação Geral dos Trabalhadores], que foram as duas centrais que apareceram no Conclat [Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora]. Até então, as centrais brasileiras não tinham filiação internacional e nós éramos ligados por laços de… O Eribelto, que foi trazido pelo Rui Brito de Oliveira Pedroza, o Rui era ligado a Clat [Confederação Latino Americana de Trabalhadores], era membro do comitê executivo da Clat. E nós tínhamos uma ligação com a Clat e CMT, então Confederação Latino Americana de Trabalhadores e Confederação Mundial de Trabalho. E a Clat era uma coordenação. Quando começou a ficar um pouco mais plural as centrais brasileiras, a CUT foi pra Ciosl/Orit [Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres/Organização Regional Interamericana de Trabalhadores] (Ciosl/Orit?), A CGT acabou rachando. A CGT foi também pra Ciosl/Orit. Depois surgiu a Força Sindical, talvez como um braço da própria CGT. E nós ficamos sem representação no Brasil. A Clat e a CMT ficaram sem representação, porque todos foram para a Ciosl/Orit. E aí nós começamos a pensar em transformar a CAT de Coordenação em CAT Central e isso foi feito em 1995, oito de dezembro de 1995. Então a CAT tem 11 anos como central, dia oito de dezembro, agora, a CAT faz 11 anos com central. Foi muito mais uma decorrência que as centrais se dividiram e nós precisávamos ter uma representação no Brasil. E aí a CAT foi fundada com esse propósito de ter uma representação da Clat e CMT no Brasil. E aí eu já participei da fundação, já participei da coordenação e fui primeiro presidente, mais ungido pelo próprio Rui Brito do que por méritos pessoais. E foi bem, graças a Deus. 

 

P1 – Preparando o roteiro, eu vi que a CAT tem relação com o Ipros [Instituto de Promoção Social]. O senhor poderia falar um pouco pra gente sobre o Ipros?

 

R – É interessante isso, porque o Ipros nasceu primeiro do que a CAT. Quando o pessoal que era ligado à Central Latino Americana de Trabalhadores começou a atuar no Brasil, fazer curso, etc., precisava de uma instituição. Em 1981, na época do Conclat se criou o Ipros. O Ipros é uma das primeiras ONGs do universo sindical. Foi criado em 1981. Como surgiu a Comissão Pró CUT e a CGT, se criou o Instituto de Promoção Social. A CAT veio depois do Ipros. O Ipros foi o organismo que recebia projetos, onde vinha o dinheiro da Clat. E o Ipros passou... O Rui Brito foi presidente por longo período e eu vim a substituí-lo. Nossa ONG funciona até hoje, é um Instituto de formação, organização de eventos, já tem 25 anos, e é uma ONG de muito prestígio. Tem convênios com a Bélgica, com a Holanda, com o Ilact [Iniciativa Latino-Americana de Ciência e Tecnologia] (Ilact?) da América Latina, com o Icasur (Icasur?) da Argentina. Então, o Ipros hoje, como ONG, tem um leque de convênios com várias organizações internacionais.

 

P2 – Como vocês usam o Dieese?

 

R – O primeiro serviço que a gente contratou do Dieese foi a elaboração de uma monografia, não sei se pode chamar de monografia, mas de um livrinho, né? Nós estávamos naquela época começando a falar muito em reconversão produtiva e a CAT contratou o Dieese, através do Ipros, para fazer um trabalho sobre a reconversão produtiva. E nós fizemos alguns trabalhos que resultaram em livros com o Dieese, publicações com o Dieese. Foi muito importante e deu prestígio à CAT, ao Ipros, no sentido de que fez um trabalho junto ao Dieese, um trabalho de peso, que foi muito útil ao movimento sindical brasileiro. Acho que esse foi o primeiro grande trabalho. Independente dos cursos de formação, dos encontros, dos convites que a gente recebia do Dieese pra participar das suas atividades, esse foi o primeiro grande trabalho que a gente fez com o Dieese. E é uma parceria que não parou mais.

 

P2 – Qual o nome da publicação?

 

R – Eu não tenho aqui a publicação, mas é sobre reconversão produtiva. A Reconversão Produtiva no Brasil. Um trabalho do Dieese, do Instituto de Promoção Social e da CAT.

 

P1 – O Dieese é um lugar onde todas as correntes do movimento sindical se encontram. Como o senhor vê essa relação?

 

R – Olha, eu acho que o Dieese é uma invenção brasileira bem sucedida. Acho que existem poucas invenções brasileiras bem sucedidas nas áreas institucional e sindical. Mas o Dieese é essa criação bem sucedida. O Dieese foi uma idéia que surgiu de um punhado de pioneiro e que deu certo. Deu tão certo que hoje a gente vê alguns países querendo imitar, querendo fazer alguma coisa igual ao Dieese. Então essa nossa experiência com o Dieese, pro movimento sindical brasileiro, é uma experiência que precisa ser reproduzida, sim. Acho que é uma experiência bem sucedida, como poucas que existiram no Brasil nessa área institucional e sindical.

 

P1 – Na sua fala, o senhor falou que fez cursos no Dieese. Como o senhor vê dentro do movimento sindical, como uma pessoa participante do movimento sindical, como o senhor vê essa atuação do Dieese nessa questão de formação?

 

R – Eu vejo que o Dieese cresceu, eu vejo que o Dieese se agigantou, porque o Dieese foi capaz, em toda a sua história, em todos os seus 50 anos, o Dieese foi capaz de separar o que era política sindical da formação sindical. Isso parece pouco, mas não é. É uma coisa difícil no sindicalismo, o sindicato separar o projeto de formação das circunstâncias políticas, dos matizes políticos do movimento sindical. E o Dieese na sua história conseguiu separar isso. Quer dizer, fazer um projeto de formação, fazer um projeto de informação, de assessoria sindical sem se imiscuir, sem ser contaminado pela política sindical. Eu acho, a impressão que eu tenho é que o Dieese se agigantou, cresceu, em função dessa capacidade. Eu não sei a quem nós devemos isso, devemos ao conjunto de pessoas que naturalmente comandaram o Dieese. E é importante que isso seja bem caracterizado, porque é realmente um dos motivos do sucesso. 

 

P1 – O senhor estava falando desse pioneirismo do movimento sindical brasileiro de criar o Dieese. Do seu ponto de vista, qual o principal desdobramento que a criação do Dieese tem para o movimento sindical, já que é uma experiência única no mundo?

 

R – Eu tenho o Dieese como a inteligência sindical brasileira. O Dieese é a inteligência do sindicalismo brasileiro. Acho que o sindicalista brasileiro é o sindicalista de base, que saiu do chão da fábrica, né? Não são todos, por exemplo, que tiveram oportunidade de fazer curso superior, como eu tive, mesmo à noite, com dificuldades. Então o Dieese supre essa falha que a maioria de nós temos, quando saímos do chão da fábrica, do escritório, de algum lugar pra vir pro sindicato. A gente não tem uma formação adequada pra dirigir um sindicato, pra fazer uma luta sindical, pra fazer um processo reivindicativo com consistência e com qualidade. Acho que aí entra o Dieese. O Dieese é essa inteligência. O que falta ao movimento sindical, o Dieese supre. Acho que o Dieese, ao separar a questão política da formação, da informação e da assessoria, juntamente com essa capacidade de se tornar a inteligência sindical do Brasil, ele acabou sendo muito eficiente. E hoje não dá pra pensar mais no sindicalismo brasileiro sem o Dieese. Tenho a impressão que o sindicalismo hoje, sem o Dieese, seria um sindicalismo vesgo. Alguma coisa olhando pro lado errado. Acho que o Dieese hoje é imprescindível ao movimento sindical. Acho até que ele tem pouco apoio do movimento sindical. Deveria ter mais apoio do movimento sindical. O Dieese é uma instituição que luta pela sobrevivência e que algumas vezes depende de convênios governamentais, que depende de uma série de circunstâncias. O movimento sindical tem que ajudar mais o Dieese. Eu faço parte desse grupo que acha que o Dieese necessita mais de um apoio financeiro, de um apoio mais consistente das organizações sindicais. O Dieese não pode ficar entregue exclusivamente a sobrevivência através de convênios com os governos. Isso tem dado certo, está funcionando até hoje, mas não sabemos até quando isso funciona bem. É preciso que o movimento sindical apoie, para que essa questão de relações como governo - que são importantes, são relações de discernimentos, que são serviços que o Dieese presta – como, por exemplo, na pesquisa de emprego e desemprego, isso é importante, mas não deve ser a maior parte do financiamento do Dieese, deveria ser a menor parte. A maior parte deveria ficar com o movimento sindical. Mas essa é uma opinião muito particular, que não sei nem se cabe aqui nesse momento.

 

P1 – Voltando ao movimento sindical, o senhor está a um tempo considerável. Como o senhor vê essa transformação sindical? Principalmente porque o senhor veio de baixo, teve toda uma formação, passou por um sindicato e hoje numa central. 

 

R – Eu vejo o movimento sindical brasileiro como um movimento muito conservador. Em que pese a gente ter o Dieese, que é uma organização de vanguarda, o movimento sindical em sua maior parte é conservador. Hoje grande parte do movimento sindical, pra ele, pra esse movimento sindical conservador não se pode mexer na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], não se pode mexer na forma de financiamento da atividade sindical, não se podia mexer na justiça do trabalho, não se pode mexer na pirâmide sindical brasileira. E isso é de 1943, da consolidação das leis do trabalho. E quando chama Consolidação das Leis do Trabalho, significa que a lei foi consolidada em 1943, mas que muita coisa está ali desde o começo do século, desde o início da República, que foi consolidada em 1943. Então, é uma legislação antiga, arcaica, que mereceria uma revisão. Essa opinião não é da maioria dos sindicalistas brasileiros, mas eu acho que mereceria uma revisão, uma modernização. E no caso do próprio sindicalismo brasileiro, ele mereceria estar mais próximo das convenções da Organização Mundial do Trabalho. 

 

P1 – A CAT está ligada à Ciosl?

 

R – Está ligada, estava ligada até novembro de 2006 à Central Latino Americana dos Trabalhadores, em termos continentais e a Confederação Mundial do Trabalho, em termos mundiais. Como houve a união de Ciosl e CMT, Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres se uniu com a Confederação Mundial do Trabalho, surgiu no lugar a Confederação Sindical Internacional, a CSI. Então a CAT, a CUT, a Força Sindical, a CGT e a SDS [Social Democracia Sindical] fazem parte dessa mesma liga.

 

P1 – Como o senhor vê essa articulação do movimento sindical brasileiro com essas organizações mundiais?

 

R – Ela é recente. Eu acho que a vinculação dos sindicatos brasileiros com essas organizações mundiais é um pouco recente. É mais antiga a vinculação dos setores com as chamada Setoriais. Então, o movimento global de setoriais, por exemplo, a Fitim [Federação Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas] dos metalúrgicos, Uita [União Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins] da alimentação e essas coisas todas. Há um projeto, um processo de fusão internacional muito grande. Não é só a fusão da CMT e Ciosl, mas também a fusão das setoriais. Então, grande parte dos sindicatos tinha vinculações com essas setoriais internacionais. A filiação das centrais – e as próprias centrais são experiências novas no Brasil, vêm da década de 80, ainda, não faz três décadas – a própria filiação das centrais brasileiras com as centrais internacionais são da década de 90, da década passada. Então, é uma coisa muito recente. Agora que nós estamos compreendendo mais e melhor esse jogo. Mas uma verdade tem que ser dita: cada vez mais o sindicalismo internacional vai ser mais importante, cada vez mais será importante. Por que? Porque hoje as multinacionais, as organizações transnacionais, elas mudam de um país para o outro, ela vai onde a mão de obras está mais barata, onde as leis são mais favoráveis. Enfim, para essa economia global, só um sindicalismo global. Então, a globalização da economia exige um sindicalismo cada vez mais internacional, cada vez mais globalizado, senão não teremos como enfrentar essa mobilidade das organizações transnacionais.

 

P1 – Falando dessa articulação sindical global, o Dieese também está muito envolvido nisso, mas eu quero puxar a questão para o nosso mundo mesmo. Qual a maior importância do Dieese pra nossa sociedade?

 

R – Bem, eu acho que o Dieese cumpriu algumas etapas. Eu acho que hoje o Dieese é uma organização da sociedade brasileira, não é mais só do sindicalismo. Hoje a pesquisa de desemprego, as publicações do Dieese, os convênios que o Dieese tem com universidades, eu acho que o Dieese acabou se transformando numa organização brasileira. O Dieese hoje tem uma atuação que transcende o movimento sindical, que ultrapassa a ação do movimento sindical. Então, é muito importante. O Dieese, me parece, deve seguir essa linha, como organização social, da sociedade brasileira, que transcenda o movimento sindical, mas que não se desvincule dele. Que seja sempre uma organização a serviço da sociedade brasileira, entendido nessa expressão a sua maioria, os trabalhadores.

 

P1 – Qual, na sua opinião, a sua perspectiva da atuação para o Dieese pro futuro?

 

R – Eu acho que o Dieese pode aperfeiçoar a questão da formação. A formação cada vez mais se sofistica. Há uma sofisticação do processo de formação sindical no mundo. Aqueles cursinhos em que se aprendia as coisinhas do dia a dia de um sindicato, isso, eu tenho a impressão que ainda é útil, mas nós precisamos dar um salto de qualidade nessa formação sindical. Hoje, o líder sindical precisa ter uma formação de caráter econômico, de caráter financeiro, de caráter sociológico, que abranja, que tenha uma amplitude maior, que não seja muito umbilical. Umbilical, no sentido de só olhar a sua categoria. Tem que olhar a sociedade. Eu dou um exemplo: se você é de um sindicato, por exemplo, da área de transporte. E você quer aumento para os seus trabalhadores, mas ao mesmo tempo você admite o aumento no preço da passagem, você é um sindicato que está trabalhando para os seus trabalhadores, mas está trabalhando na contramão da sociedade. Porque o aumento na passagem de ônibus - estou dando um exemplo aleatório, não quero que meus amigos “transportistas” fiquem incomodados com isso, mas é o exemplo que me veio à mente nesse momento. Nós não podemos deixar a sociedade de lado. Quer dizer, aquilo que nós fazemos, de deixar a sociedade de lado, a gente precisa... Não podemos deixar prejudicar os nossos companheiros, os nossos trabalhadores, mas temos que ter responsabilidade na nossa atuação. Em outras palavras é mais ou menos isso. Acho que o Dieese pode prestar um serviço muito grande nessa área, dizer: “isso é possível, aquilo não é”. A formação sindical tem que passar por essa abrangência social, não enxergar só umbilicalmente meu salário, minha categoria, etc. Temos que enxergar o Brasil como um todo, a sociedade como um todo, etc.

 

P1 – Ainda a pouco, nessa última fala, o senhor falou dessa formação do Dieese e de que haveria uma necessidade de se formar com um caráter econômico, sociológico. E a gente sabe que isso é a base do Dieese . A gente sabe que o Dieese é formado essencialmente de técnicos que são ou sociólogos ou economistas ou de áreas similares. Por outro lado, o que funde o Dieese é a relação dele com esse corpo técnico dessa formação, com os sindicalistas. Na sua Central, na sua formação toda, você já teve uma ligação mais aproximada com o Dieese . Como você vê essa relação dos técnicos com os sindicalistas?

 

R – Eu acho que esse é um dos motivos do sucesso do Dieese, quer dizer, a diretoria técnica e seus técnicos ficaram protegidos das interferências políticas e das circunstâncias que permeiam esse universo sindical. Então, no momento em que a formação, a assessoria foi fornecida pelos técnicos do Dieese, equidistante das questões político-sindical, isso teve mais eficiência. Teve mais eficiência e menos envolvimento. E menos envolvimento fortaleceu a eficiência. Então, os técnicos do Dieese, hoje, têm conceito. Se você leva um técnico do Dieese na negociação, os patrões respeitam. Se você chega na negociação acompanhado de um técnico do Dieese, o patrão pode levar qualquer assessoria – a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] tem assessorias econômicas de grande talento – mas quando têm diante de si técnicos do Dieese, o respeito é outro. É diferente de quando a gente vai negociar sem ter do lado um técnico do Dieese. Quando a gente tem um técnico do Dieese do lado, há um respeito dos nossos interlocutores. Acho que essa separação do corpo técnico fora de ingerências de natureza político-sindical, ou fora de qualquer outro tipo de ingerência política-partidária, poderia ser, essa proteção que se deu, que é da estrutura do Dieese, é uma das razões do sucesso.

 

P2 – Sobre isso que você falou da importância de ter um técnico acompanhando, você lembra de alguma situação em que você vivenciou?

 

R – Ah, lembro sim. Lembro de momento que a gente teve. Uma vez, eu estive com o Paulo Lucania, da Federação dos Comerciários, fazendo uma negociação com a turma do Abram Szajman, na Federação do Comércio, no momento em que tinha gente do Dieese havia outro respeito. E a contestação de quando se apresenta um número, como o Dieese tem estudos, isso é crível, as pessoas acreditam. Então, morria o assunto, porque o Dieese estava ali pra dizer que aquele número não era correto, etc. e tal. E nós temos inúmeros exemplos desses na vida diária. Acho que são inúmeras as contribuições do Dieese nas negociações coletivas do país, né?  Acho que esse tipo de assessoria em negociações coletivas foi fundamental para o movimento sindical, sobretudo no período de alta inflação. Hoje não existe mais esse período de alta inflação, mas naquele período essa assessoria era fundamental, porque você tinha um aumento de salário percentualmente muito generoso, entre aspas, e de repente, dois meses depois isso não valia mais nada, porque a inflação já tinha comido seu salário, etc. e tal. Por isso, quando a gente conversa sobre essa questão de inflação, Deus me livre, nós que somos mais velhos, como no meu caso – que já ultrapassei os 60 anos – a memória da inflação ainda está muito presente. Então, nada substitui a estabilidade da moeda, acho que é muito importante, e essa também é uma das tarefas do Dieese. Quando o governo estiver começando a entrar no canto daqueles que acham que poderia ter uma inflação um pouquinho maior pra ter um crescimento um pouquinho maior, acho que isso está errado. Acho que nós devemos controlar a inflação, acima de qualquer coisa controlar a inflação, e fortalecendo o salário mínimo, que foi um dos grandes trabalhos do Dieese. Eu me lembro da atuação do Zaia, por exemplo, que é nosso vice-presidente, da CAT, o David Zaia quando foi presidente do Dieese, uma das bandeiras foi o salário mínimo. Naquele momento o Dieese começou a trabalhar mais firmemente essa questão do salário mínimo. Hoje, esse governo que termina atualmente deu uma valorização maior do salário mínimo, e talvez tenha sido reeleito por isso, por ter aumentado o poder de compra do trabalhador. Isso é muito importante: controlar a inflação, subir o salário mínimo, fazer com que as camadas mais desfavorecidas ou mais pobres possam adentrar à área de consumo. Eu acho que é o ideal. A gente não pode sucumbir ao canto de uma inflação maior.

 

P1 – Quais os principais desafios colocados pro Dieese, do seu ponto de vista?

 

R – O Dieese é uma entidade que cresceu e se consolidou. Como toda entidade que cresce e se consolida, ela tem sobre si os olhares da sociedade e não pode falhar mais. Então, o Dieese tem agora que se aperfeiçoar. Se aperfeiçoar, seus serviços têm que ser constantemente de alta qualidade. O Dieese tem que se policiar, hoje, pra continuar sendo um produto de excelência, porque como ele conseguiu se consolidar como um produto de excelência, não pode cair. Eu acho que essa vai ser umas das maiores dificuldades do Dieese nas próximas décadas. Eu estou dizendo próximas décadas, porque acredito que o Dieese é uma instituição perene. E nós todos devemos fazer do Dieese uma instituição perene, interminável no tempo. Que daqui a 50, 100 anos, o Dieese exista, cada vez mais forte, cada vez mais pujante e cada vez mais eficiente. Então, a grande tarefa do Dieese agora é conservar o nível de excelência. 

 

P1 – Agora a gente vai entrar no bloco final. O Senhor é casado?

 

R – Sou casado.

 

P2 – O nome da sua esposa?

 

R – Minha esposa chama Regina. Eu tenho dois filhos: o Alex e o Marcelo. O Marcelo é o mais velho, engenheiro. O Alex é o mais novo, é médico. São solteiros, os filhos. Tenho uma família feliz, graças a Deus, que só ressente [?]desse sindicalista que viaja muito. As minhas atividades, eu tenho cargo na Clat, tenho cargo no Conselho de trabalhadores do Cone Sul, tinha cargo na CMT e agora tenho cargo na CSI. Sou do conselho da CSI nessa nova internacional sindical. Então a gente tem muitas atividades dentro do Brasil, fora do Brasil e viajo muito. Mas eu tenho como lema, mesmo que viaje muito, onde eu estou, não sei como faço, mas preciso estar o fim de semana em casa. É uma das minhas, um dos contratos que eu tenho com minha mulher. Mesmo que a gente esteja com muitas atividades, passar o fim de semana em casa. E eu faço isso com muita alegria. Às vezes, não dá. Há umas duas ou três semanas, por exemplo, estive em Cochabamba, na delegação oficial, fazendo parte da reunião da comunidade sul-americana de nações e infelizmente não tinha vôo. Terminou no sábado e não tinha vôo e eu só fui chegar em casa no domingo às 10 e meia da noite. Às vezes ocorre. Muitas vezes quando é um congresso internacional longo, como foi esse da criação da Confederação Sindical Internacional, que a gente teve que ficar uma semana inteira na Áustria, ai a gente vai acumulando milhagem e numa dessas deu pra levar a Regina e ela ficou muito satisfeita.

 

P1 – Que bom! Laerte, ainda dentro dessa questão pessoal, às vezes a luta, todo trabalho que você tem acaba entrando dentro de sua vida. Como é administrar isso?

 

R – Olha, eu tenho mulher que tem uma atividade muito intensa. Ela foi funcionária de uma estatal, da Companhia Paulista de Força e Luz, já está aposentada, mas além de ser formada em letras, é jornalista, faz uma revista. E a revista que ela faz está um pouco ligada a essa questão da área sindical, então compreende um pouco melhor. Mas, evidente que às vezes passa o tempo e quando você vê, seus filhos cresceram. E você falhou, algumas vezes. A gente tem que confessar isso. Muitas vezes a gente falha na educação dos filhos, às vezes por omissão, às vezes por ausência. Mas a gente procura de alguma forma resolver isso. Eu me lembro de uma ocasião, levando ao dentista, ele falou assim: “se já levou teu filho pra pescar?” Falei: “já, duas vezes”. “E quantos anos ele tem?” “12”. Na época, tinha 12. Ele disse: “é uma média boa, uma pescaria a cada seis anos”. Eu parei para pensar. Ele me deu uma lição. Não é média nenhuma, se fosse uma a cada seis meses tudo bem, mas não a cada seis anos. Melhorei um pouco depois daquela vez. 

 

P1- Quais as principais lições que você tirou desses momentos em que você se relacionou com o Dieese?

 

R – Olha, me ajudou muito no Ipros – Instituto de Promoção Social. Olhando o Dieese como um espelho, a nossa ONG, a ONG da CAT procurou ficar também alheia a essas questões de ingerência política, procurando entregar mais aos técnicos de formação do Ipros. E isso deu certo. Eu acho que foi uma lição que o Dieese deu a nós. Nós nos espelhamos no Dieese pra constituir o Ipros, de forma que ele não tivesse essa contaminação da política sindical. E o Ipros sobrevive bem em função disso. Acho que foi um espelho.

 

P1 – O que você acha do Dieese, depois desses anos, todos estar trabalhando nesse projeto de memória?

 

R – Olha, acho importante. Acho importante porque o Dieese venha resgatar essa memória. Porque toda organização bem sucedida, como é o Dieese, precisa ter como mostrar às gerações futuras como isso se deu, como se fortaleceu. Então eu acho que o Dieese faz bem em reavivar essa memória. Ouvir pessoas que ainda estão aí, atuando, como no caso do Tenorinho, por exemplo, que é uma figura extraordinária do ponto de vista de exemplo, por estar atuando numa idade já bastante avançada. Enfim, eu acho que o Dieese faz muito bem. Acho que o Dieese tem que procurar com essas memórias, fazer alguma coisa que mostre pras futuras gerações como foi isso, o que aconteceu, o que acontece, como foi a consolidação. Pra que essas futuras gerações que venham passar aqui pelo Dieese tenham a responsabilidade de manter a excelência e manter o Dieese perene.

 

P1 – E o que você achou de fazer parte dessa memória?

 

R – Bom, eu acho que não tenho a importância necessária pra vocês estarem me entrevistando aqui. Acho que sou uma figura menor no sindicalismo brasileiro. Existem figuras muito mais importantes, com maior estatura sindical. Mas, de qualquer forma, vocês me convidaram e eu estou aqui e me sinto envaidecido por estar aqui sendo entrevistado. Nunca pensei que isso fosse acontecer. Mas aconteceu e muito obrigado.

 

P1 – A gente que agradece.

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