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História

Da manutenção de aviões à saboaria artesanal

História de: Amanda Pazemecxas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/04/2021

Sinopse

Amanda Pazemecxas nasceu em 15 de janeiro de 1977, na cidade de Osasco – SP, se mudando para Ribeirão Preto aos 12 anos de idade. Os seus avós tem ascendência lituana e polonesa. Amanda trabalhou ajudando seu tio numa oficina mecânica, e posteriormente em um auto center. Houveram diversos olhares estranhos ao que ela gostava de fazer devido ao fato de não ser uma atividade “típica feminina”. Se casou e começou a cursar Filosofia. Descobriu o curso de Tecnólogo de Manutenção Aeronáutica e se graduou na área. Ela acabou desenvolvendo uma alergia na pele devido ao contato de óleos e graxa aeronáutica. Hoje possui sua loja, a Senhora Essência, especializada em fabricação de sabonetes artesanais, hidratantes e cosméticos artesanais. Amanda tem dois filhos.

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História completa

          Eu sou Amanda Pazemecxas. Nasci em 15 de janeiro de 1977, na cidade de Osasco, onde vivi até os 12 anos. E depois me mudei pra cidade de Ribeirão Preto. Minha mãe é a Vitória. E meu pai é o Anastácio Pazemecxas. Conheci a minha avó, a Antonina, que morou em Guarulhos. O meu avô, que eu não conheci, se chamava Antanas – a avó é polonesa, e o avô é lituano. Meu avô era perseguido político lá, então ele entrou pela Argentina. Existem muitas dificuldades de saber a história verídica, porque a minha avó sentia medo e vergonha de falar sobre a cultura lituana, sobre o que aconteceu. Às vezes, ela se arriscava a ensinar algumas palavras, algumas comidas, mas eu via que era vergonhoso, tinha medo.

          Mas eu nunca imaginei que eu fosse ser uma comerciante, muito embora minha mãe sempre tenha sido uma. A minha formação é Tecnólogo em Manutenção Aeronáutica. Eu sempre gostei de desmontar coisas, e quando eu mudei pra Ribeirão Preto, meu tio tinha uma oficina aqui. Com 12 anos, eu fui ajudá-lo na oficina, a lavar peça, desentupir carburador, giclê, arrumava a bancada, ferramentas. Só que isso não era uma coisa muito bem-vista - uma menininha, imagina você, com o estereótipo de loirinha, magrinha, parecidinha com a Barbie, não era uma coisa que agradava muito à minha mãe.

          Depois que eu já tinha me casado, eu descobri um curso em São Carlos e em Pirassununga, de Tecnólogo de Manutenção Aeronáutica. Fiz o curso, que durou mais ou menos quatro anos e meio. Passei pela escola, fui pra Anac, passei de primeira, e deixei os meninos da sala com o queixo caído. Mas foi muito difícil a integração na área profissional. Arrumei um emprego num autocenter e fazia o estágio não remunerado aqui em Ribeirão, no aeroporto. Fiquei um ano, e aí eles contrataram um outro profissional, que era bem menos qualificado. Passou seis meses, essa mesma empresa me ligou: “Ó, surgiu uma vaga aqui, você aceita?” Trabalhei três anos e meio lá, e foi superbacana. Aí, uma outra empresa que estava aqui em Ribeirão me convidou pra ir pra lá - uma empresa que era de BH. Eu fui, e depois eu ainda trabalhei em uma outra empresa aérea, grandona, que está aí no mercado, por oito anos.

          Mas aí, nessa última empresa, nesses últimos oito anos, o meu filho apresentou um quadro de depressão. Nessa época, eu já mexia com sabonetes pro meu uso, com sabonetes artesanais. E eu pensava: qual é a única forma que eu tenho de recuperar o meu filho? Como que a gente ressocializa alguém? Fazendo alguém se sentir útil, trabalhando, produzindo, colhendo. Falei: “Então, e se a gente montar uma loja?

          Abri mão da minha carreira na aviação, montamos a loja, e ele veio trabalhar com a gente. Seis meses depois, meu filho não usava nenhum tipo de medicamento. Ele é superquerido pelas clientes da loja, e foi uma decisão muito acertada da minha parte.

          Mas nós começamos com pouquíssimo. A gente vende essências de matéria-prima pra saboaria. As essências são produtos muito caros, porque são vendidos em dólar, e você precisa ter um recurso financeiro legal pra ter uma variedade de essências. Nós temos uma coisa muito simples, sempre dentro de um conceito artesanal: os móveis feitos a mão, tudo o que a gente puder fazer pra deixar com cara de artesanal. Meu marido fez a mobília da loja toda.

          Eu já fazia os sabonetes pro meu uso pessoal, em casa. Comecei a presentear parentes, amigos, o pessoal no aeroporto. E eu caprichava na embalagem, colocava laço, caixa bonita, craft… eu personalizava as embalagens. E eles se encantavam, porque eu colocava a maior concentração de essências, de extratos, de manteiga. Lá no aeroporto mesmo, eu vendi muito. Eu levava as caixas e vendia lá.

          Então, eu já tinha as redes sociais, com a marca “Senhora Essência”, antes de abrir a loja. Quando a gente foi inaugurar a loja, a gente usou rede social, porque eu não tinha recurso pra rádio e nenhum outro tipo de mídia. Na época, era mais Facebook do que Instagram que atendia o perfil do nosso cliente. E no início as vendas eram pequenas. As vendas diárias eram, às vezes, desanimadoras. Só que, ao contrário do que eu imaginava, que seriam os primeiros quatro anos muito difíceis, mesmo com a pandemia, com a loja fechada, ainda assim houve um crescimento muito maior do que eu esperava. Foi através de vendas nas redes sociais. Ao longo da pandemia, permaneci com as duas funcionárias que estão aqui na loja, e nossos compromissos financeiros estão todos em dia. Não atrasamos nada.

          O movimento vem crescendo bastante. Eu tenho os produtos prontos, os sabonetes, hidratantes e aromatizador de ambiente, que você pode usar como varetas ou como um home spray. Aqui na loja, a gente trabalha com uma concentração máxima da essência, pra você ter um produto de excelente qualidade, semelhante ao das grandes marcas. E nós também temos o refil, pois você pode reutilizar o seu vidro. Então, você pode ter um alecrim daquela marca famosa, um bambu daquela marca famosa, a um custo muito menor e de excelente qualidade!!!

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