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História

Da informática para música

Sinopse

Carlos Pinto Miziara é carioca, nasceu numa família de classe média, descendente de libaneses, no dia 24 de junho de 1947. Cresceu entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. 

Perdeu o pai aos 19 anos de quem herdou o gosto pela música e o amor pelo futebol. Torcedor do Flamengo, ficou na dúvida entre a carreira de jogador de futebol e estudar. Com a ausência do pai, o padrão de vida da família caiu e ele começou a trabalhar no Instituto Nacional de Marcas e Patentes (INPI) para ajudar a mãe e os irmãos, onde ficou por dois anos.

Após experiências profissionais em outras empresas, em 1971, por indicação de um tio, se inscreveu para o processo seletivo de FURNAS e passou para atuar na área administrativa. Ficou nesta área por 5 anos, quando em 1976, foi transferido para áreas de informática após concluir um curso de programação. Vivenciou a transição institucional do analógico para o digital. 

Apesar de ser graduado em administração, sempre gostou da área de comunicação, em especial a produção de imagens. Em 1988, após anos trabalhando na área de informática, conseguiu a transferência para a área de vídeo. Junto com o amigo João Marcos Ribeiro Leite desenvolveu vários projetos captando, editando, fazendo roteiro e locuções para os vídeos institucionais. Permaneceu por 2 anos neste setor. Durante o Governo Collor, por questões pessoais, aderiu ao Plano de Desligamento Voluntário.

Com a indenização, empreendeu com um amigo numa produtora durante 10 anos.

Em 2003, retornou à FURNAS, como Assessor Técnico na área de vídeo da comunicação social, através de uma decisão judicial. Foram os 18 anos mais produtivos da sua carreira.

Encantado pelas músicas americanas dos anos 40,50 e 60, se arriscou nos palcos num Festival de Talentos para funcionários de FURNAS, fazendo um dueto virtual com Frank Sinatra. Após essa experiência descobriu o prazer de cantar e nunca mais parou. No ano de 2021, participou da edição do The Voice + na TV Globo. 

Carlos Miziara é casado com Regina, sua terceira esposa e grande amor da sua vida. É pai de Guilherme, Renata e Julia.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a vida de Carlos 

Eu fiquei impressionado quando vi a Usina de Furnas pela primeira vez, porque eu não tinha ideia do tamanho, você via em fotografia, você via aquelas coisinhas, mas quando você vê pessoalmente, é um mundo, eu fiquei impressionado. E você sente um orgulho muito grande, eu me lembro que eu senti orgulho: “Eu trabalho numa empresa que tem um negócio desse aqui.

 

Em 1996, eu fui ser programador, programador COBOL.  A informática era o coração da empresa, você tinha um IBM-360 lá, que era um computador de última geração, que ocupava um andar inteiro! Hoje, o meu laptop que tá aqui, acho que ele tem mais memória do que aquele computador que ocupava um andar inteiro, talvez meu próprio celular. Mas era o que tinha de mais moderno, e era o coração da empresa, pelo seguinte, tudo era informática, tudo era informatizado, os programas todos, de pagamento, da parte de engenharia. Tinha assim, mais ou menos uns 30 analistas de sistemas, mais de 40 programadores, e a gente trabalhava diuturnamente. 

Tudo dependia da informática, tudo, pagamento, principalmente. Era impressionante, tudo informatizado. E eram os salários mais altos. O pessoal da informática era considerado uma casta, geniais, um absurdo, não era bem isso. Mas era o início. Com o tempo a coisa foi piorando mais. Piorando em termos de ficar mais dependente de informática. Tinha coisas que você fazia manualmente, que de repente, “isso aqui nós vamos informatizar”. Era um pessoal muito competente, funcionava muito bem.

A partir de 1980, mais ou menos, 1983, surge a microinformática. Aí começa uma briga dentro da empresa porque as pessoas achavam que a microinformática ia substituir o mainframe. Então surgem os camaradas: “Não, eu vou fazer um programinha aqui, que vai resolver essa minha parte aqui”. Então, teve uma briga muito grande, porque o DDS, que era o Departamento de Desenvolvimento do Sistema, ele era o único que desenvolvia os sistemas, e seguia todo um protocolo. Você vai desenvolver um sistema, você tem que registrar aquilo, você tem que documentar aquilo, tudo mais, que é para fazer a manutenção. E as pessoas achavam que não, você tinha um microcomputador lá, “vou fazer um programa aqui, que vai controlar aqui o bebedouro da usina tal, isso aqui é coisa minha”. Começou uma briga terrível. Teve um chefe da informática que bateu de frente com isso, ia virar uma bagunça, cada um ia ter um sistema, não tinha acesso a todo mundo. E essa parte do analógico para o digital, isso, na verdade, é até mais recente, não faz muito tempo. 

Hoje, por exemplo, eu até acho que, em função do que você tem, tem muito programa antigo que ainda roda lá, que está sendo atualizado e tal. E já tem muita coisa que não é feito especificamente pela informática, deve ter aberto um pouquinho para você ter um controle mais interno, seu, que não seja para a empresa toda, acredito. Mas foi uma evolução muito grande, realmente! Você vê, o próprio celular... Primeiro celular que eu comprei foi em 1994, mal falava. Hoje, o que você menos faz no celular é falar com as pessoas, ligar para as pessoas. Isso é um computador, você tem acesso a tudo, impressionante.

 

Eu trabalhei na área administrativa de 1971 a 1976. De 76 até 88 fiquei na área de informática. Foi quando surgiu a tal sonhada oportunidade. Em 88, uma pessoa que eu conhecia, que trabalhava na área de documentação e comunicação, sabia que eu fazia filmes em VHS, e surgiu um trabalho para fazer aqui no estado do Rio, sobre mapeamento para uma usina que eles iriam construir. O cara me chamou para saber se eu podia fazer um trabalho para eles. Eu gostei, era tudo que eu queria. Aí ele me convidou para trabalhar lá. Eu fui no chefe da informática. “Tem um convite aqui para trabalhar num lugar que eu adoro, acho que tem tudo a ver comigo”. Aí acertei tudo e foi quando eu me transferi para a área de comunicação. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu trabalhei nos três blocos de Furnas. Quando eu comecei, eu trabalhei no sexto andar do bloco B, depois, quando eu fui para informática, passei para o segundo andar do bloco A. Ainda na informática fui para o terceiro andar do bloco C. E ultimamente voltei, fiquei no quarto andar do bloco B, quer dizer, conheci os três blocos.

Os prédios onde ficava FURNAS são abertos. Os andares são como se fossem campos de futebol, abertos. Então, lá dentro, você pega e faz as divisórias. As únicas estruturas fixas são os banheiros, ele é todo modular, você monta da forma que você quiser. Você pode fazer uma sala grande, uma sala pequena, pode dividir de várias formas, é muito funcional, todos eles. É fácil de trabalhar, depois que cada um recebeu seu computador, criou-se as baias, e ficou bem fácil de trabalhar. 

A nossa área, comunicação, por exemplo, era uma coisa aberta, com as baias dividindo só por setor, mas sem paredes. Na minha área, tinha um box, uma sala separada, porque a gente fazia locução, fazia edição. Então tinha que de alguma forma ter silêncio, mas o resto era tudo aberto, era muito funcional. O auditório era muito bom para eventos, tinha toda uma estrutura para a gente fazer gravações no auditório, transmissão para as áreas regionais, era muito bacana.

Também tem um refeitório muito grande, que atende há muitos anos, desde 1972. Tem um comércio muito bom em volta... Tinha, porque agora FURNAS não está mais lá, o pessoal não está mais lá. Tinha uma academia de ginástica, que podia ser usada, não muito bem montada, mas dava para fazer. O auditório era muito bom. Lembro das apresentações de coral de FURNAS, que o pessoal cantava. Tinham festivais de música, que eram realizados lá. Era uma cidade!

Nós da comunicação já promovemos alguns eventos, mas quem promovia mais era uma área social, a APA, eles promoviam a cada dois anos um festival de música, e outros festivais também. O auditório de FURNAS vivia lotado com eventos. Eu participei várias vezes do festival de música. Tinha a eliminatória nacional, aqui nas áreas regionais, tinha do escritório central, depois juntava todo mundo, vinha aqui para o Rio, podia ser aqui no escritório central, algumas vezes até fora do escritório central. Teve final de festival ali no Scala Rio, depois teve aqui na aeronáutica, ali perto da Praça Quinze. 

Eram eventos fantásticos, que tinha muita receptividade entre os funcionários. Tinha campeonatos internos de futebol, eventos sociais, tinha muita coisa. Tinha um centro cultural debaixo do bloco A que tinha exposições, apresentações, coquetéis, uma série de coisas, era bem dinâmico.

Em 1980, surgiu a primeira Olimpíada interna. Era o seguinte: a área em que eu trabalhava, informática, tinha pouca gente, então, você jogava futebol de salão, futebol de campo, basquete, vôlei, saltava em altura. Tinha pouca gente, então, meu caro, a gente inventava. “Você faz o quê?” “Ah, eu... corro.” “Então, você vai correr” “Ah, e assim que você acabar de correr vai ter o futebol de salão ali, você tem que estar lá”. E por incrível que pareça, era de DPDI, a informática era ligada à presidência, DPDI que teve que juntar duas diretorias. E ganhamos as Olimpíadas! Impressionante, no cômputo geral. 

Nós tínhamos um jogador de tênis que era semiprofissional, o cara ganhou. O futebol foi o segundo lugar, o basquete a gente ganhou, então, no total, a gente ganhou de dois pontos de outras diretorias. Mas eu jogava tudo, jogava basquete, que nunca tinha jogado, jogava vôlei, também não tinha jogado, jogava futebol, futebol de salão. A gente inventava um monte de coisas. E era super concorrido, muito legal!

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