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História

Da feira livre ao sindicato: uma vida dedicada ao comércio

História de: Atílio Carlos Danezi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/07/2021

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Breve descrição da atividade dos pais. Infância no sítio dos avós maternos e paternos. O ingresso na escola, o primeiro emprego aos 13 anos em um bar. O alistamento no exército e a opção pela aeronáutica. O casamento, a chegada dos filhos e a dura tentativa de conciliar o quartel com a família em plena ditadura militar. A saída da aeronáutica e o ingresso na feira livre, como vendedor de roupas. O convite à presidência do Sindicato dos Feirantes e Ambulantes. A descrição da Vila Tibério. Os tempos de ouro do futebol que lançou Sócrates e Leão para o Futebol nacional. A chegada da pandemia e o afastamento dos serviços por motivos de saúde. As medidas protetivas e a conscientização da categoria contra o vírus. O orgulho de sua profissão e de ter sido através dela, a formação de seus filhos e sua família.

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História completa

Eu nasci em Ribeirão Preto, no dia 23 de abril de 1948. A origem da família é italiana, por parte de pai, e austríaca, por parte de mãe.

          Quando houve o problema da Primeira Guerra Mundial, ele já tinha filhos em idade de servir o Exército. Então ele se mudou pro Brasil e aqui ele se fincou, veio ser administrador de fazenda. Inclusive, a fazenda que ele administrava era aqui na Nova Aliança, onde nós temos o shopping hoje. Era uma fazenda de alemães.

          Depois ele comprou uma fazenda na cidade de Dumont, vizinha nossa aqui, que anteriormente era distrito de Ribeirão Preto. E lá ele aglutinou todos os filhos com ele. E só o meu pai permaneceu em Ribeirão Preto. Nós ainda temos, de herança, um sitiozinho lá nessa cidade de Dumont.

          Mas eu fiz o primário e depois fui pra Associação de Ensino, que na época era o Bonini, o dono, e que hoje é a nossa Unaerp. E nessa época eu comecei a trabalhar, com 13 pra 14 anos. Eu trabalhava num bar ali na General Osório, em frente ao Hotel Brasil. Até tinha a estação da Mogiana, na época, onde é a rodoviária. Ali eu já iniciei a minha atividade no comércio. Fiquei uns três anos, mais ou menos, e saí pra ser vendedor pracista. Eu tinha uma bicicleta e vendia cereais na praça, pros atacadistas de alimentos, aqui na cidade.

          Aí eu me alistei no Exército, mas eu não queria ir, porque naquela época eles estavam mandando pro Mato Grosso. Então eu fiz um concurso na Aeronáutica, e em 1965 eu fui lá pra me apresentar. Em 1966 eu fiz a incorporação na Academia, que hoje é a Academia da Força Aérea de Pirassununga. Lá eu permaneci por aproximadamente oito anos. Casei lá, já tinha dois filhos, quando eu resolvi achar que o militarismo era muito rígido. E eu continuei residindo em Ribeirão Preto, fazendo a viagem toda a semana pra Pirassununga. Eu tinha dois filhos pequenos.

          Eu falei com a minha esposa: “Eu vou sair, com a ajuda dos meus pais” - que eu tive muita. Quando eu retornei, eu criei amizade na feira livre de Ribeirão, que é a mais antiga. Aí o meu pai me ajudou a comprar uma barraca, que era de confecções de roupas feitas. Então eu iniciei a minha trajetória na feira livre, mais ou menos em julho de 1974. Daí nasceu mais um outro filho - fiquei com três. E consegui formar todos eles com feira livre. Uma filha é odontóloga, e dois advogados. E tem um temporão, depois de 18 anos e meio, o caçula, que hoje tem 28 anos e é engenheiro. Então, são os quatro filhos, praticamente, que eu formei trabalhando na feira.

          Eu sou feirante até hoje. Tenho a minha inscrição, sou um microempresário com CNPJ, tudo direitinho. Só que eu estou afastado, em virtude de um problema de saúde que a minha esposa teve, e aí veio a pandemia. Então eu continuo feirante, presidente do Sindicato dos Feirantes, só que eu estou afastado no momento. 

          Aí você vai perguntar: “Mas espera aí: produtor, que eu sei, é de hortifrutigranjeiros, né? Hortaliça, ovos, uma série de coisa”. E eu vendia roupa. Isso aconteceu porque foi criada a possibilidade, no decreto que regulamenta as feiras, de termos produtos atípicos. E foi quando eu entrei com confecções. Depois vieram calçados, depois frios, veio o caldo de cana, muito famoso. Vieram também os pasteleiros, e a feira virou uma grande atração, principalmente nos finais de semana.

          Quando eu levei a minha esposa pra banca, o movimento foi outro. Porque normalmente a frequência na feira era de senhoras. A gente tinha uns tipos de calcinhas de tamanhos avantajados, mas as senhoras não tinham coragem de chegar ali e adquirir. Com a minha esposa lá veio a facilidade de vender roupas íntimas, e o meu movimento foi parar lá em cima. Então eu falei: “Mulher, agora você tem que continuar comigo”. E ela continuou, porque mulher com mulher se entende. Quando eu levei a minha esposa, essa venda aumentou assustadoramente. Pra mim foi um sucesso.

          Mas o movimento era completamente outro, porque não tínhamos essa concorrência de grandes equipamentos que temos hoje. Naquela época, quem ingressava na feira ia até a aposentadoria, porque realmente você tinha condição de sobrevivência com as vendas que você realizava. Agora, hoje, já está mais apertado. Tanto que a feira um, que é essa que eu estou inscrito, tinha 230 bancas - ela tinha vários quarteirões. Hoje ela foi reduzida quase que pela metade. Primeiro porque os jovens, hoje, não gostam de trabalhar no feriado e no final de semana, quando tem maior movimento. Eles vão pras baladas, vão pra passeios noturnos, e os feirantes mais antigos foram se aposentando, ou foram desistindo.

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