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História

Da escola para a comunidade

História de: Maria Nazaré Gonçalves
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 28/06/2021

Sinopse

Maria nos trás sua perspectiva sobre os projetos Prevenção Também se Aprende e Comunidade Presente e como esses projetos tem auxiliado as escolas com o diálogo com a comunidade e melhor orientação aos jovens, principalmente em relação a sexualidade e o uso de drogas.

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História completa

Projeto – O Presente da Prevenção na Escola Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Maria Nazaré Gonçalves Entrevistada por Jurema de Carvalho São Paulo, 6 de novembro de 2001 Código: FDE_CB045 Transcrito por Neuza Guerreiro de Carvalho Revisado por Thaís Bender Cardoso P/1 – Bom Dia. R – Bom Dia. P/1 – Por favor, diga seu nome completo, local e data de nascimento. R- Maria Nazaré Gonçalves, nasci em São Paulo, no dia 5 de outubro de 1947. P/1 - Nazaré, a gente quer que você exponha pra gente sobre os dois projetos que estão acontecendo, o Prevenção Também se Aprende e o Comunidade Presente. R – O projeto Prevenção, a gente já trabalha na diretoria há cerca de quatro anos. Então, ele já está assim bem decolado, é um projeto que já se incorporou na proposta pedagógica, no projeto pedagógico da escola. Todos os professores têm, assim, a consciência da importância do trabalho de prevenção ser realizado por toda a equipe escolar. Então a gente tem grandes ganhos, inclusive hoje eu comentei com o Nivaldo, que escolas em que a gente tinha uma média de 10 á 15 casos de gravidez na adolescência, neste ano teve a suspeita de um caso apenas. Então a gente já tem muitos ganhos em relação à conscientização da relação sexual segura, a gente faz questionários todo início de ano pra ir percebendo a evolução da conscientização do jovem em relação à necessidade da prevenção seja no sexo seguro, seja ao usuário de drogas, álcool, porque o problema maior da nossa comunidade é o álcool. A parte das drogas mesmo é uma percentagem pequena. Então a gente faz normalmente em todas as escolas, questionários pra perceber se usa mensalmente a camisinha, em uma ou outra relação sexual, ou se usa em todas. Então a gente tem esse controle e a gente percebe que o trabalho da escola está sendo efetivo, está trazendo muitos ganhos pra nossa comunidade. Então a gente considera que o projeto Prevenção está no caminho correto e o que a gente tem feito é incrementar, ampliar, enriquecer as ações. Não nos dá muito trabalho enquanto supervisores e ATPs [Atividades Práticas Supervisionadas], porque isso já está tão certo pra toda a equipe que a gente até tem deixado a escola caminhar pelas próprias pernas. A gente realiza as orientações técnicas pra gente no início do ano, meio do ano, final de ano, pra gente ter as notícias, saber como está indo. Os nossos diretores nos entregam os projetos pra gente ir avaliando, então é uma coisa que está muito natural e espontânea, o que nos dá muita certeza de que o projeto deu certo. Então agora esse material que a gente recebeu ontem da sexualidade, acho que vai enriquecer ainda mais essa questão de trabalhar a sexualidade na escola. Foi excelente. Os vídeos muito bons, o encaminhamento, a metodologia de discussão dos jovens por temas. Ontem, eu senti que a gente vai ter que dar um passo muito grande em relação à sexualidade, que é uma coisa que era mais difícil que os professores aceitassem trabalhar, muitos não se sentiam seguros. Então um grande ganho para o projeto de Prevenção foi o material que a gente recebeu ontem da Schering, da Fundação Roberto Marinho, os capacitadores. Eu acredito que vai ajudar a alavancar ainda mais o projeto. P/1 – E o segundo projeto? R – O projeto Comunidade Presente está mais difícil. A gente está caminhando a passos pequenos. Este ano a gente pensou no início do ano, após a reunião que a gente teve aqui em São Paulo, em trabalhar dentro da escola, a necessidade de relação da comunidade ser mais integrada à escola, em trazer a comunidade pra participar efetivamente de tudo o que acontece. Então, este ano o trabalho está sendo mais dentro de projetos internos. Então a gente está assim: todas as nossas escolas estão com projetos de resgate de cidadania, de trabalhar as questões dos valores em relação à comunidade, o resgate dos [inaudível]. Todas as nossas escolas incorporaram a proposta. Então, a gente está tentando valorizar a cidadania, a integração, a importância dessa relação da comunidade dentro das nossas escolas. Com todo corpo docente, discente, equipe escolar como um todo. Também esse ano a gente está mais [inaudível], mas muitas ações já aconteceram. Por exemplo, nós tivemos escolas que fizeram teatros. Nas reuniões dos pais inovaram. Não ficou só aquela coisa de trazer o conceito, o número de faltas pros alunos. Não. Eles estão...Os alunos estão fazendo peças de dramatização – a gente fala teatro – pros pais verem a importância que tem a presença deles na escola, a participação efetiva. Nós estamos incrementando muito as escolas a fazerem festas e trazer a comunidade. Dia das Mães, Dia dos Pais, Festa Junina, Festa da Primavera. E agora nós estamos fazendo um movimento das escolas trabalhando o Natal solidário para a comunidade. Movimentos pra perceber aqueles alunos com mais necessidades e os alunos se organizarem na comunidade pra fornecer o auxílio necessário, seja uma cesta básica, uma roupa no frio. Então a gente fortaleceu esses movimentos internos da escola. Tem escola que fez campeonato interclasse de pais. Tem ideias muito interessantes que estão nascendo dentro das próprias escolas, com esse objetivo de também alavancar o nosso projeto Comunidade Presente. Assim a gente tem investido muito em fanfarra em todas as escolas, a gente tem tentado estimular a implantação ou o desenvolvimento ainda maior, a participação da fanfarra escolar na comunidade, nos projetos da comunidade. Então, a gente está assim: primeiro estamos tentando dentro da escola, fazer esse movimento de ver que a comunidade é uma parceira importante e essencial nesse momento. E isso a gente vai tentar incrementar agora, a partir do próximo ano, fora da escola. Incentivar parcerias. P/1 – Nazaré, o que você teria a acrescentar, como sugestão, pra melhorar esses dois projetos? R – Olha, eu acho assim, que as capacitações que a equipe está nos dando, a capacitação é muito importante. A gente vem aqui...Olha, ontem foi um ganho maravilhoso. Então fazer convênios com essas entidades que tem uma contribuição pra dar, como o de ontem. Eu falei hoje pro Nivaldo: “Olha, o Comunidade também está precisando de mais capacitação, de matéria, coisas assim pra nos ajudar também, porque embora a gente venha duas vezes, as vezes três por ano no encontro, esses encontros são fundamentais. Também trocar essas experiências com os colegas. Eu acho assim: no começo do ano eles fizeram um painel, onde todas as diretorias escreveram o que estavam fazendo, o que as escolas apresentavam de bom... Nossa, a gente foi lá, copiou, pegou as ideias, inovou. Eu acho que isso é uma coisa importante. Promover o nosso encontro, a socialização dessas experiências positivas, porque a gente na escola, no nosso trabalho do dia a dia, a gente fica muito em função de ir resolvendo o que está acontecendo. O nosso espaço do pensar, do refletir em função de projetos e de ações específicas, fica muito diluído e ele é até engolido pelas coisas que vão acontecendo. Então, tirar a gente, trazer, fazer com que a gente pense, que a gente reflita, que a gente discuta, que a gente tenha acesso a outras experiências, é uma coisa muito importante. Pra nós é muito valorizada. P/1 – Está bem, Nazaré. A gente agradece demais a sua colaboração e o registro de suas atividades. R- Obrigada. FIM DA ENTREVISTA
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