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História

Da brasília amarela ao mundo da saúde

História de: Gabriela Domingues
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/01/2018

Sinopse

O que esperar de alguém que nasceu numa brasília amarela? Quem já chega ao mundo sendo protagonista de uma história e tanto, anuncia a personalidade ímpar que está por vir! Assim se faz Gabriela, uma jovem mulher em eterna formação: isso porque seus olhos brilham para o mundo, expressando sua vontade de aprender e de sabiamente compartilhar aquilo que sabe. A parte da família militar com “veia jornalística” rendeu o contato com o avô faz-tudo, que a aconselhou seguir na área de Relações Públicas. A menina abre os ouvidos ao avô e o que parecia impossível de se realizar, torna-se alcançável: unir a inclinação para a área da saúde com o dom de comunicar (cada vez mais latente). Essa realidade de órbitas aparentemente opostas faz parte do mundo paralelo de Gabriela, hoje profissional responsável pela área de comunicação de uma indústria farmacêutica. Mas como seu anúncio à vida chegou tão inesperado, nada mais justo que sua carreira seja, também, emocionante: a participação no site Oba-oba, a mudança de andar, a oportunidade de emprego – temas que, por si, já fazem valer a pena a história da menina da Brasília amarela.

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História completa

O meu avô era radialista e tinha um papel muito importante na política em Porto Alegre (RS). Ele sempre teve milhares de empregos e eu nunca consegui acompanhar muito: foi escrivão da polícia, indo depois para a redação, seguindo para a Rádio Guaíba e também para o Correio do Povo. Algum tempo depois, foi secretário de comunicação do Governo do Estado. Ele fazia multitarefas e faleceu aos 79 anos, ainda exercendo a profissão de radialista, com um programa matutino. Todos os dias, minha vó ouvia o programa dele no rádio. Me lembro dela fazendo o serviço de casa com o rádio de pilha ao lado. Quando ele chegava para o almoço, ela sempre tinha algum comentário sobre algum entrevistado. Eu tenho essa lembrança da gente sentado à mesa e tendo essas conversas. Em seguida, sempre tinha o momento da sesta, então eles terminavam de almoçar, tiravam a sesta, meu vô acordava uma hora depois e ia trabalhar de novo, mas para o Correio do Povo. Ficava a tarde toda escrevendo uma coluna. Quando ele voltava no final do dia, jantava e se juntava com a minha avó numa cadeira de balanço pra assistir o Jornal Nacional. Sempre foi uma família com a veia jornalística.

 

São coisas que a vida vai falando, né? Quando eu decidi fazer universidade, eu queria alguma coisa na área de saúde: “Vou fazer Odontologia”, numa época em que todo mundo usava aparelho. Mas fui pensando bem: “Que cuidar de dente dos outros que nada, vou fazer Fisioterapia!” Mas eu tive uma professora de redação que me despertou para a escrita. Eu tinha um dom para a área de saúde, mas eu queria escrever, gostava muito de ler e também de de conversar com o meu avô: “Gabriela, não faça jornalismo!” “Vô! Como assim?” “O Jornalismo tá se acabando!” Daí ele me falou de Relações Públicas. Eu não estava entendendo aquela conversa. “Então faço Relações Públicas e vou trabalhar em Brasília!” “Não, você não vai aguentar!” Mais pra frente, tudo ficou muito claro. Eu, pela minha personalidade, definitivamente não ia aguentar a política, seria um ambiente bem destrutivo. Prestei Jornalismo na PUC e Relações Públicas na Cásper Líbero e na na FUVEST. Foram as três universidades que eu prestei vestibular. Passei na Cásper Líbero.


O meu pai sempre foi muito assim: “Não gostou, saia”. Mas comecei a estudar e a me identificar com essa questão do relacionamento interpessoal. Eu sempre tive essa coisa de costurar muito bem, acho que por isso que eu pensei na política: tenho um dom de influenciar as pessoas. Aliás, a parte de Relações Públicas é muito mais essa questão política, muitas vezes de relacionamento interpessoal. Me dei muito bem no planejamento da comunicação: era uma cadeira que eu gostava na faculdade. Então comecei a procurar emprego.


Eu tinha 19 anos. Fui no mural e comecei a mandar currículo a rodo. Nem sabia ao certo o que queria. “Preciso ter experiência!” Fui em várias entrevistas. Na época, estava bombando a história do call center e eles adoravam pegar estudantes de comunicação. Quando eu vi aquilo, falei: “Isso não é pra mim, não é o que eu quero de aprendizado”. E eu acabei entrando num site chamado Oba-Oba. Era um site de festas!


Eles precisavam de uma pessoa que fizesse o relacionamento entre os clientes - que eram os donos das baladas! Até hoje eu paro e penso: “Meu Deus, como eu fui cair num negócio desse?” Mas a parte de aprendizado foi espetacular. Eram três sócios muito jovens e total empreendedores. Por mais que o site falasse de uma coisa muito fútil - que era festa - todo o plano de negócio era muito interessante. E ali eu comecei a fazer os contatos porque eles já eram ranqueados de uma outra forma na internet. Foi bem no início da internet. “A gente precisa aparecer, colocar a cara nos veículos de comunicação!” Então contrataram uma assessoria de imprensa, uma agência que era no mesmo prédio, com duas sócias, uma jornalista e uma relações públicas. Comecei a fazer as reuniões junto com eles sobre estratégia de comunicação pra colocar o site em evidência. Foi quando eu comecei a me encantar. Até que as duas sócias me chamaram pra trabalhar com elas.


Eu só mudei de andar e aí foi que eu comecei, realmente, a ter mais contato com a parte de comunicação. Foi um aprendizado espetacular porque eu ia da categoria de automobilismo para disfunção têmpora mandibular. Sempre gostei de não ficar na mesmice, então a agência me deu essa liberdade de estar num assunto e de repente estar em outro. E aí a gente ganhou a conta do Hospital Nove de Julho. Eu ia no centro cirúrgico e achava demais aquilo. Teve uma passagem muito interessante: eu gostava muito daquele ambiente, de estar toda paramentada. É um mundo paralelo. E a jornalista queria ver uma cirurgia de cérebro, então a gente entrou no campo cirúrgico e o médico tirou um pedaço do órgão durante a biópsia e mostrou pra gente. Nesse momento, eu pensei: “Meu Deus, o que eu tô fazendo aqui?” Eu fiquei meses sem comer carne moída. A jornalista olhou e falou: “Interessante!”

 

O Hospital foi um ambiente que me abriu os olhos pra o quanto, realmente, é importante a parte de comunicação em saúde. Eu tinha uma facilidade muito grande para lidar com aquilo, por mais que fosse estranho ver um cérebro, já que eu nunca tive aula de anatomia. Mas eu gostava de como comunicar aquilo para o paciente. A gente tem que fazer aquilo pensando em quanto a gente está ajudando uma pessoa que não tem informação alguma a ter uma - ainda que seja básica - pra ter um poder de decisão. A comunicação em saúde é muito importante.


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