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Cultura no DNA

História de: Diane de Oliveira Padial
Autor:
Publicado em: 07/08/2020

Sinopse

Diane Padial conta como sua história de amor pela educação começou ainda no colégio, quando foi convidada pelo seu professor de psicologia a dar aulas eventuais, esse foi só o principio de uma vida voltada para educação, cultura, trabalhos assistências, até chegar no seu orgulho que é a Feira Literária da Zona Sul – FELIZS, fundada em 2015.

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História completa

A história é mais ou menos assim, minha mãe ficou grávida e os meus país vieram morar no Campo Limpo, montaram uma farmácia num salão na frente de casa, a primeira farmácia do Campo limpo, na Estrada do Campo Limpo, era uma casa grande, éramos em cinco irmãos, lembro da poeira que levantava quando passava algum carro, a casa tinha muro baixo e portão baixo, lembro das brincadeiras de crianças nas árvores no quintal. Hoje moro em um apartamento atrás de onde ficava essa casa, olha pra lá é parece que vejo a goiabeira que subia para brincar e só descia quando a poeira dos carros baixava. Nossa infância era muito rica, tinha todas as brincadeiras tradicionais. Meu pai era um homem voltado para o comércio, teve a farmácia e depois entrou no ramo da construção, ele comprava terrenos na região, construa e depois vendia, abriu uma imobiliária onde era a farmácia. Em 67 mais ou menos ele montou um espaço de filmagem no Jd. Sta. Tereza, nessa cinematográfica acontecia shows, gravação de filmes, o apelido dele era Mestiço e ele começou a gravar como a personagem Zorro Brasileiro, ele andava todo vestido de zorro na rua e isso me dava muita vergonha, hoje eu tenho orgulho de contar, mas imagina andar ao lado do seu pai todo caracterizado? Ao mesmo tempo ele fazia um programa na rádio América, esse programa de rádio fazia propaganda da imobiliária, do filme, eu na época com 8 anos era uma das personagens do filme, meu nome era Inaiá, mas todas essa filmagens ficaram com empresário, só sobraram algumas fotos de recordação, meu pai foi um marco na história do Campo Limpo, eu faço uma ponte do que ele fazia com o que a gente faz hoje. Minha mãe era uma pessoa muito apoiadora, mas sofreu muito com essa história, meu pai foi envolvido com muitas mulheres, tenho outros irmãos que apareceram tanto antes do casamento, como depois do casamento, ao todo somos em 13 irmãos, teve período que esses irmãos moraram com a gente e minha mãe acolhia todos, era uma pessoa incrível, eu vejo muito da minha mãe nesse processo das mulheres, das lutas, das discussões, mas ainda muito abafado pelo machismo.

Com 11 anos eu fui fazer o ginásio fora do Campo Limpo, pegava o ônibus todo dia e ia para o Caxingui, comecei a perceber as desigualdades sociais, com 14 anos mais ou menos tive um click, comecei a escutar Chico, Caetano, Gil, a me interessar por política, no terceiro ano do colegial o meu professor de psicologia me convidou para dar aula eventual, e ai minha vida tomou um rumo muito pela educação, quando entrei na faculdade de psicologia com 19 anos já dava aula.

Eu tive uma juventude maravilhosa, fiz mochilão pedindo carona, com 19 anos já estava na faculdade, ai seu abriu um leque enorme, participava do centro acadêmico, ajudava nas organizações de festas, participava de vários movimentos, a faculdade me deu um Bummm. No segundo ano da faculdade tive uma oportunidade de um estágio na APAE São Paulo e fui contratada para trabalhar em uma escola de educação especial em Osasco, depois fui trabalhar como diretora em creches na prefeitura de São Paulo, eu tenho muita paixão com esse trabalho com crianças, quando mudou a gestão fui trabalhar em ONG, até ser convidada para coordenar a Casa dos Meninos no Jd. São Luis, Zona Sul de São Paulo, lá eu fui me encontrando mais com esse viés cultural, porque a gente tinha que promover muitos eventos eu comecei a escrever muitos projetos pra cultura, foi um dos primeiros pontos de cultura do Brasil inaugurado pelo Gilberto Gil, pena que teve muitas coisas que terminaram que eu nem quero mencionar, fechou, hoje é um lugar que não existe mais nada.

Em 2007 eu fui contratada pela Bolsa de Valores de São Paulo para ser gestora de um projeto esportivo que trabalhava com oitocentas crianças na comunidade de Paraisópolis, eu tive esse grande desafio de juntar o esporte com a cultura, trabalhei lá durante 7 anos, de repente mudou de direção e eu sai, fiquei muito frustrada, porque foi um trabalho muito intenso, ai eu fiquei pensando que eu não queria mais trabalhar para ninguém, falei chega, uma vida inteira e muito tempo, nesse momento eu falei, vou buscar aquilo que é minha essência, as coisas que eu gosto e vou tentar colocar nesse novo trabalho, ai eu fiquei um tempo patinando no que eu queria, e fiz um curso de gestão cultural, nesse curso tinha que escrever um projeto cultural e o meu projeto foi a FELIZS.

Em 2015 em parceira com o Sarau do Binho aconteceu a primeira FELIZS, nesse ano de 2020 estamos indo para a quinta edição, meio ainda na incerteza de como vai ser por conta dessa pandemia, mas a única certeza que eu tenho é que vai acontecer, eu sou apaixonada pela FELIZS, meu coração bate muito forte quando eu falo da FELIZS.

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