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História

Cuidar de você e dos outros

História de: Maraci Santos do Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/07/2005

Sinopse

Nasceu em 1964 em São Paulo. Pais nasceram na Bahia. Cresceu no bairro de Santo Amaro. Infância: esconde-esconde, bicicleta. Pai era motorista de ônibus e mãe trabalhava com costura. Graduou-se em Administração. Primeiro emprego foi em um banco e 1987 se torna consultora Natura, usava a Natura para completar renda, mas começa a se dedicar integralmente. Ama seu trabalho e acredita muito nos projetos da Natura. Casada, dois filhos.

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História completa

P/1 – Maraci, a gente começa perguntando pra você, seu nome completo, a data e o local do seu nascimento.



R – Meu nome é Maraci Santos do Nascimento, nasci em 21 de maio de 1964, aqui em São Paulo.



P/1 – O nome do seu pai e sua mãe, por favor.



R – Meu pai se chama Manoel Chaves do Nascimento e minha mãe Valdeci Santos do Nascimento.



P/1 – Local de nascimento deles?



R – Na Bahia, Salgado, Bahia.



P/1 – Fale um pouco sobre a família materna e paterna, assim, você tem irmãos? Quantos irmãos você tem?



R – Eu tenho uma irmã e um irmão, eles são mais velhos, eu sou a caçula, tenho minha mãe e meu pai, eles estão vivos, né. A trajetória, a gente sempre foi uma família muito unida, somos até hoje, cada um casou, cada um seguiu a tua casa, mas a gente sempre se encontra nos finais de semana, a gente procura sempre estar mantendo o contato.



P/1 – Seus pais moram em São Paulo?



R – Moram, moram aqui em São Paulo.



P/1 – Eles se casaram lá na Bahia e vieram pra cá?



R – É, eles casaram lá, a minha mãe veio, eu não lembro, assim, quanto tempo, eu sei que, não sei se seis meses depois… Primeiro veio o meu pai, né, meu pai veio naquela de querer fazer a vida na cidade, né. Aí ele veio, aí o que eu ouço assim é que demorou muito pra dar notícia, né, (risos). Minha mãe, se mandou… 



P/1 – Veio atrás? (Risos).



R – Veio atrás  (risos).



P/1 – Veio conferir (risos).



R – “Vamos logo senão vou acabar perdendo.” Aí veio, primeiro teve meu irmão. Meu irmão nasceu na Bahia, aí ela veio pra São Paulo, como diz, atrás do meu pai, né, depois ela teve a minha irmã aqui, e depois de muito tempo, assim eu tenho a diferença de sete anos da minha irmã. Primeiro eu tive uma primeira irmã só que ela só viveu seis meses, nasceu lá na Bahia também e logo em seguida nasceu meu irmão e depois minha mãe veio, meu irmão era bem pequenininho. A minha, eu não sei a diferença, deixa eu ver, da minha irmã pro meu irmão a diferença é de três anos, a minha irmã já nasceu aqui em São Paulo. Eu acho que fui um descuido, aí (risos).



P/1 – A última da fila? (Risos).



R – A última da fila (risos).



P/1 – E aqui em São Paulo você lembra da rua, do bairro que você morava a casa da sua infância onde você passou?



R – Sim, eu sempre morei na mesma casa, é em Santo Amaro, morava na Avenida Adolfo Pinheiro, hoje a minha irmã reside lá. Minha irmã reside lá até hoje, ela casou, se separou e depois ela voltou pra essa nossa casa e ela está lá até hoje.



P/1 – E brincadeiras, assim, preferidas de vocês, você lembra quais eram as brincadeiras? Como eram? 



R – Ah, com a minha irmã a gente não tinha, assim, brincadeiras, porque como a gente tinha uma diferença grande, eu já não interessava muito pra ela, né. Ela já tinha a turma dela, a turminha dela pra sair, tudo, né, a única coisa que eu lembrava, que ela me levava muito num parquinho que tinha perto de casa, que na época era um parquinho que era do supermercado, não sei se antigamente era Pão de Açúcar. Aí tinha esse parquinho, que era para os cliente, enfim, a minha irmã sempre me levava nesse parquinho, mas assim de brincar com ela, não, tanto que era a maior briga quando ela saía, ela estava se arrumando pra sair com a turma eu queria ir junto e nunca podia, né.



P/1 – E nunca podia?



R – Nunca podia, era a maior choradeira. Aí, a única coisa que eu lembro, que tinha um acampamento que a gente sempre ia, era o único passeio que eu participava com ela. Era um acampamento, eu não lembro o local aqui em São Paulo, mas que iam várias pessoas da minha família, então a gente ia pra esse local. Era muito legal lá, a gente se divertia muito, sempre passava o final de semana lá e eu lembro que eu ia junto, a única coisa que eu participava ativa com ela, né.



P/1 – O resto era sozinha?



R – O resto era sozinha. Ela não queria sabem de mim não (risos).



P/1 – Você tinha amiguinhos na vizinhança? 



R – Sim, tinha. Na fase já de adolescência, perto da minha casa tinha uma vila onde tinham, várias casas e eu fiz amizade com uma família que era uma família grande, que eles tinham várias filhas, filhos e eu fiz amizade com essa família e todo dia tinha brincadeira. Brincadeira na rua, eu lembro quando eu ganhei minha primeira bicicleta, que era uma choradeira, porque tinha tanta gente pra dividir a bicicleta (risos). Tinha que emprestar a bicicleta pra todo mundo e eu nunca andava direito na bicicleta, porque a família dos amigos era enorme e tinha que dividir a bendita da bicicleta...



P/1 – (Favor das  brigas?)



R – É, mas a brincadeira preferida com a criançada era brincar de esconde-esconde numa pracinha que tinha em frente da casa a casa da gente. Nossa, a gente falava que era o nosso delírio de brincadeira, a gente brincava todas as tardes. Todas as tardes brincava de esconde-esconde que é o que a gente mais gostava.



P/1 – E as férias, você estava falando, vocês iam muito para Santos… 



R – É, todas as férias era de praxe a gente já ir pra casa da minha madrinha, a gente passava as férias inteiras lá, inteirinha, inteirinha, já no dia seguinte… 



P/1 – Lá você também tinha os amigos? Você também tinha seus amigos… 



R – Lá em Santos, assim, tinha, quando era bem pequena, o Júnior, que ele morava lá, que sempre que eu ia pra lá a gente brincava de mais, porque ele tinha a mesma idade que eu. Depois fui crescendo, conhecendo outras pessoas, que moravam no prédio e tenho amizades até hoje. Agora não vou tanto pra casa da minha madrinha, mas as mesmas pessoas moram lá. A minha irmã vai muito ainda. A minha irmã sempre que tem um feriado ela vai e moram as mesmas pessoas. Todo mundo casou, todo mundo tem sua vida, mas sempre ela sempre está revendo as pessoas.



P/1 – Tá. O cotidiano da sua casa, como era? Você lembra? Você caçula, mais nova. Qual a lembrança mais marcante desse período, da sua infância?



R – (Risos). 



P/2 – Seus pais trabalhavam, saiam, como era o dia?

 

R – Sei… Olha, meu pai eu via muito pouco porque ele trabalhava numa empresa de transporte coletivo. Então, ele era aquele que trabalhava de madrugada, dormia durante o dia, era uma vida muito corrida, quase eu não via meu pai.



P/2 – Ele era motorista?



R – Ele era motorista e uma coisa que eu nunca esquecia, que eu achava até legal, por exemplo, minha mãe preparava toda noite a marmita dele e eu ficava esperando num determinado ponto que eu sabia que ele ia passar (risos). Aí eu ficava esperando lá com a marmitinha, tudo. Ele passava com o ônibus, tudo, e eu ficava toda feliz… 



P/2 – Era você que entregava?



R – É, eu que entregava, eu achava muito legal isso… 



P/1 – Isso em Santo Amaro?



R – É, ele fazia a linha de Santo Amaro, eu lembro disso, que eu ficava esperando ele com a marmitinha, eu achava o máximo ele dirigindo aquele ônibus enorme (risos). Era muito legal, muito legal. Minha mãe, ela sempre foi costureira, ela costurava em casa, tinha uma freguesia. Coitada, ela não tinha tempo pra nada, era costurando desde cedo até de madrugada. A vida dela sempre foi assim e eu ajudava no serviço da casa. Eu ajudava, minha também ajudava, aí a minha irmã começou trabalhar muito cedo e eu que mais ajudava minha mãe dentro de casa mesmo.



P/1 – Alguém que você admirava que chamava a atenção por ser muito bonita, por ser vaidosa… 



P/2 – Nessa época de infância… 



P/1 – … Nessa época tinha uma pessoa que você achava muito bonita, que você admirava?



R – Tinha… Nossa, minha mãe tinha uma freguesa, tinha não, ela é até hoje freguesa da minha mãe e ela era filha da freguesa de minha mãe, o nome dela é Priscila, eu achava ela super bonita, sempre foi muito linda. Eu lembro até quando a minha mãe fez o vestido de noiva pra ela, tudo né, eu falava: “Nossa mãe, não tem uma noiva tão bonita como ela, muito bonita.” A Priscila era uma que eu admirava pela beleza.



P/2 – E você como menina caçula, você era vaidosa?



R – Sempre fui… 



P/2 – Foi?



R – … Muito, muito, desde menina, sempre muito vaidosa!



P/2 – Você lembra de suas roupinhas como eram?



R – Ah, a minha grande paixão foi por sapatos. Eu, pra mim eu preferia ter um sapato novo do que uma roupa nova, porque roupa eu sempre tinha, minha mãe sempre costurava pra gente, mas sapato, sempre foi a minha loucura. Mas eu era assim muito vaidosa com maquiagem, tinha negócio de limpar rosto, me maquiar, minha mãe ficava tão brava comigo, porque eu acabava com as coisas dela, ela nunca tinha nada (risos). E eu lembro uma coisa que eu nunca esqueço, a minha mãe tinha um blush, ela era em bastão rosa, e eu adora aquele blush que deixava a gente com ar de bronzeada, sabe assim? Eu usava todo dia aquele blush escondida da minha mãe. A minha mãe falava: “Já está usando o meu blush? Acabei com o blush dela, sempre fui muito vaidosa, muito vaidosa de pintar a unha, eu lembro que na escola que eu estudava não podia pintar as unhas e eu pintava as unhas quase todos os dias, me era um tormento, porque de vez em quando não tinha acetona e eu ia comendo o esmalte no meio do caminho, porque tinha a coordenadora que passava todo dia olhando as mãos da gente, era um inferno aquilo (risos). Mas eu… 



P/1 – Mas tinha que tirar?



R – … Tinha que tirar, ia comendo, comendo pra conseguir arrancar tudo, aí chegava em casa eu pintava tudo de novo (risos).

 

P/2 – Mara, fala um pouquinho dessa época da escola, quando você começou a estudar, conta um pouquinho… 



R – Eu gostava de estudar, sempre fui uma boa aluna, era assídua, a única coisa que eu não gostava era de Educação Física. Era um tormento pra mim, mas eu acho que, eu tenho a conclusão que eu nunca gostava de Educação Física, porque eu sempre estudei a tarde e a Educação Física eras antes da aula. Então eu achava muito chato aquele negócio de fazer Educação Física, não dava tempo de tomar um banho pra poder entrar na sala de aula, aquilo me dava um desconforto, eu odiava Educação Física. Tinha época que eu falava pra minha mãe assim: “Eu queria tanto ficar doente, ter um atestado médico pra me livrar da Educação Física.” (Risos). Mas não tinha jeito… 



P/1 – Não tinha como?



R – … Não, não tinha como. 



P/2 – E toda pequenininha na escola, você lembra de alguma professora, alguma coisa assim que você gostava mais… 



R – Não, assim, de professora, deixa eu ver, ah, eu tinha uma que tinha o nome muito esquisito, que o nome dela era Escolática. Eu falava: “Meu Deus, mas que nome.” Mas enfim, ela era um amor, no fim ela se tornou freguesa da minha mãe também por muitos anos. Mas um fato da escola, né, que eu tenho uma amiga que o nome dela é Silvia que a gente é amiga até hoje, a gente se conheceu com 6 anos e até hoje a gente tem contato. A gente é super amiga tal, e na sexta série, eu e ela, a gente aprontou tudo que a gente podia em faltar. Eu sempre fui uma menina muito certinha, mas como diz, as más companhias, né? Mas foi um ano que eu aprontei muito com ela, de faltar a aula, de ir para cinema, a gente faltava muito, muito pra ir pra cinema, a gente se divertia. Na época era aquele filme tipo, eu não lembro se era Os embalos de sábado a noite que era uma loucura, mas a gente ia direto pro cinema, tanto que a gente estourou em faltas e quando minha mãe soube ficou muito brava. Nós ficamos de recuperação, precisando tirar dez em Matemática. Mas eu estudei muito, muito. Eu consegui e ela reprovou. E a gente não se conformava que a gente ia estudar em sala separada no outro ano. A gente ficou bem chateada com isso, porque a gente era assim unha e carne. A gente vivia direto juntinha, juntinha. Foi uma amizade muito legal, que vai até hoje (risos).




P/1 – E na adolescência, como é que foi? Você falou que na sexta série você começou a aprontar, matar aula… 



R – Aí na sétima série eu já fiquei com medo de tudo que eu aprontei, aí eu voltei a ser a menina estudiosa, tudo de novo. Voltei ao normal. Nunca dei trabalho pra mim mãe, acho que só foi a sexta série que, acho que a recuperação me deu um susto (risos).



P/1 – Você é casada, né?



R – É, sou casada.



P/1 – O seu marido tem que profissão? O nome e a idade dele.



R – O nome dele é Maurício, ele tem 39 anos e ele é diretor de uma empresa de TI [Tecnologia da Informação].



P/1 – Você tem filhos?



R – Tenho, tenho um casal. Tenho a Gabriela que vai completar 5 anos no mês que vem e o Diego que tem 2 anos.



P/1 – Você fez algum curso superior?



R – Fiz, eu fiz Administração, me formei, não faz muito tempo, foi em 2000 que eu me formei. Resolvi estudar, voltar a estudar, porque não tinha feito a faculdade, aí com o tempo eu senti uma necessidade, uma cobrança de mim mesma, aí eu resolvi fazer, aí eu fiz o curso de Administração.



P/1 – Que idade você tinha quando começou a trabalhar?



R – Quando eu comecei a trabalhar? Dezoito anos, 18 anos.



P/1 – Você lembra do primeiro emprego, chefe? Como era esse trabalho… 



R – Lembro, lembro… 



P/1 – … Empresa...



R – ... Então, meu primeiro emprego foi no Banco Econômico, na época eu tinha feito teste para o Banco Econômico e pro Bradesco, aí eu passei nos dois aí eu optei pelo Banco Econômico, porque era do lado da minha casa, eu falei: “Ah, maravilha.” Aí eu lembro, meu chefe o nome dele era Sinésio, Sinésio de Faria…  Mas tinha muitos amigos, mas que eu não recordo o nome e tive uma grande amiga, do banco, que o nome dela é Cecília, eu mantive contato com ela até uns dez anos atrás, depois nunca mais falei com ela.



P/2 – E qual era a sua função no Banco quando você fez esse teste?



R – No banco, quando a gente entrava, acho que naquela época acho que era auxiliar de escritório ou administrativo, alguma coisa assim, porque o Banco tinha muito aquele negócio de rodízio, né, você começava, por exemplo, atendente, depois passava pra outro setor, pra você conhecer várias áreas do Banco até ver qual que você tem a melhor adaptação. Eu lembro que eu fui, eu comecei, acho que todo mundo começa atendendo, tipo balcão, depois você passa lá pra dentro fui pro setor de cadastro, aí teve uma época que eu fiquei na tesouraria, mas que eu não gostei, não gostava e eu sempre falava: “Caixa nunca.” Eu falava que eu não quero ser caixa nunca, porque eu lembro que na época o pessoal sofria com diferença de caixa, o pessoal ficava nervoso, eu falava: “Isso eu não quero nunca pra mim.” Depois, pro final eu já comecei atendendo um pouco na gerência, atendia algumas pessoas aí foi quando eu saí. Aí fui pra outro emprego.



P/2 – Quanto tempo você ficou lá?



R – Acho que fiquei uns três anos lá.



P/2 – E depois de lá você foi pra onde? Você lembra?





R – Depois que eu saí de lá aí eu fui pra uma concessionária de carros. Era uma concessionário Chevrolet, era do lado da minha casa também, chamava Duarte Chaves e eu atendia muita gente da concessionária, tanto é que foi o pessoal da concessionária que me levou, me tirou do Banco e me levou pra lá.



P/1 – Mas você nunca exerceu, você nunca foi administradora, você nunca exerceu?



R – Não, não.



P/1 – Tá. E a Natura? Quando que começou?



R – Nossa! (Risos).



P/2 – A soma de tudo, conte-nos tudo sobre esse comércio. Como você conheceu, como que foi… 



R – A Natura?



P/2 – É.



R – Na realidade é assim, eu namorava um rapaz que ele tinha uma tia que ela era consultora da Natura e ela era consultora destaque. Ela vendia muito, muito, muito. E eu não conhecia a Natura. Aí teve um dia que fui na casa dela, a casa dela parecia uma loja de tantos produtos. Uma loucura. Naquela época, o auge da Natura, o produto da época era o óleo sève. E eu ganhei aquele óleo sève e eu falava assim: “Gente, mas que coisa que é isso, esse óleo… ” Eu tomava banho com aquilo, adorava e todo mundo falava: “Gente, mas que cheiro é esse.” E eu ficava: “Ah, isso aí é da Natura, né.” Aí a turma: “Como que eu faço pra comprar?” Aí eu sempre pedia pra essa moça que era tia do meu namorado, eu sempre pedia pra ela. E outra coisa, aí depois o segundo produto era um xampu que era de rena, que é um xampu que quando você lavava, todo mundo falava: “Meu Deus, mas que cheiro é esse?” Mas todo mundo percebia mesmo, aí eu falava: “De rena.” Eu fazia propaganda lá: “Como é que eu faço?” Aí eu pedia pra ela. Aí ela falava assim: “Mara, por que você não vende, me ajudando… ” E eu sempre fazia isso. Eu comecei a vender dentro do escritório para as meninas, tudo. Elas pedia eu levava. Na época era um catálogo, que não tinha nem fotos, nada, era só o nome do produto e o preço. Então, eu falava: “Verifique o que vocês querem.” Aí todo final de semana eu ia na casa dela buscar o produto e entregava. Aí era muito engraçado. Eu falava assim: “Mas como é que eu faço pra ser uma consultora direto da Natura?” E sempre ela me falava: “Ah, mas é muito difícil, muito difícil.” Ela colocava um monte de empecilhos e eu, tudo bem, acreditava, né. Aí um dia… 



P/1 – … Mas você recebia pra fazer esse trabalho?



R – Recebia, ela me pagava uma comissão.



P/2 – (Recebia?) uma porcentagem… 



R – … Isso, mas eu queria ser direto, tudo, mas enfim, ela nunca dava a… 



P/1 – (A negra?)



R – É, aí um dia na minha casa, eu cheguei em casa, minha mãe estava experimentando uma roupa numa moça e eu cheguei com a sacolinha da Natura, joguei assim e tal, aí ela pegou e falou assim pra mim: “Você é consultora da Natura?” Aí eu já pensei, eu falei: “Opa, vou vender já.” Eu falei: “Não, eu não sou, mas eu ajudo uma senhora a vender.” Aí ela falou assim: “Ah, você não quer ser uma consultora? Eu sou promotora da Natura.” Eu falei: “Gente, eu não estou acreditando.”



P/2 – Isso dentro da sua casa… 



R – Da minha casa. Eu falei: “Gente, caiu do céu.” Aí eu falei: “Jura?” Ela:“Eu faço seu cadastro agora.” Aí eu falei: “Pois pode fazer.” Aí ela fez meu cadastro, eu fui fazer o curso na Natura, tudo. Aí eu falei assim: “Gente, eu não estou acreditando.” Eu falei: “Tão fácil.” Aí depois eu percebi: “Ah, acho que ela ganha, né.” Depois que eu percebi, é lógico, ela me pagava uma porcentagem e ela ganhava outra também, né. Enfim, aí eu comecei com a Natura.




P/2 – Que ano era esse mais ou menos?



R – Nossa! Foi em 1987.



P/2 – Quando você começou mesmo?



R – Quando eu comecei mesmo. Eu trabalhava na Indústria Villares e lá era ótimo, porque era um prédio imenso, era um prédio assim, tinha 10 andares o prédio e eu conhecia todo mundo, todo mundo. E eu tinha que vender escondido, porque meu chefe era uma fera e ele era daquele que se eu não tivesse no lugar um minuto ele já… Então era assim, eu vendia muito, muito, muito. Tinha vez que meu carro chegava lotado de coisa, e eu tinha dias assim que eu nem almoçava, eu fazia entrega na hora do almoço. Mas aí comecei, mas vendia pra todo mundo. Eu lembro na época era eu e tinha uma moça que vendia lingerie, mas a gente fazia a festa lá. É, olha, é muito engraçado, até hoje eu tenho amigos daquela época que até hoje são os meus clientes, até hoje falam: “Nossa Mara, mas é muito tempo você com a Natura.” Eu falo: “Mas quem começa não larga.” (Risos).



P/1 – Só com a Natura?



R – Só com a Natura, assim, já recebi propostas de outros produtos, de trabalhar com outros produtos, mas eu não sei e não consigo, tem um bloqueio, assim, sabe? Não sei, eu sou fiel (risos).



P/2 – E você imagina como era ser consultora, tal… 



R – … Não...



P/2 – … Ou foi o dia que apareceu essa senhora na sua que você começou (a tomar essa decisão?)



R – Não, eu tinha vontade, eu tinha vontade, porque eu tinha vontade, assim, de fazer um treinamento, saber mais sobre o produto, porque a gente sente essa falta do treinamento, por exemplo, quando você não é não é treinada pra vender alguma coisa, você não consegue passar, né. Então, muitas vezes, eles falavam assim: “Mas pra que serve esse produto?” Se você não tem o treinamento, você não tem como passar e eu sentia essa necessidade de fazer aquele curso básico do produto, das reuniões, era isso o que eu queria. E com ela não. Com ela eu passava o pedido e ela pegava e acabou. Não tinha aquele vínculo com a Natura, não tinha, né, então, mas eu tinha vontade mesmo e a minha promotora nessa época, nossa, eu adora ela. Ela me dava muitas ideias com a Natura, sabe?



P/2 – Foi essa moça que você conheceu na sua casa… 



R – É, eu conheci na minha casa. Nossa, ela ajudava muito, muito. Teve até uma época que eu fique desempregada, ela me dava sugestões de como eu trabalhar com a Natura, me arrumava empresa pra eu fazer grêmio, sabe? Então, foi bacana, aí tô até hoje, né (risos).



P/1 – Você lembra da primeira venda?



R – A primeira venda? A primeira venda eu não lembro, mas a venda mais difícil eu lembro (risos). 



P/1 – (Qual foi a venda mais difícil?)



R – Aí meu Deus, é muito engraçado… 



P/1 – Não foi a primeira então, né?



R – Não, não. Eu tinha uma amiga, que ela é minha amiga até hoje, que muito engraçado, que a gente, até um dia a gente estava lá relembrando isso, né, e ela falava assim pra mim: “Eu nunca vou comprar Natura, Mara, não adianta você me oferecer, porque Natura é muito caro, eu não vou comprar. Nem… ” E ela não comprava mesmo. Ela não comprava e eu ficava: “Vanda, Vanda, um dia eu vou te convencer.” E eu sempre atiçava ela, dava amostrinha de uma coisa ou outra, mas não tinha jeito. Aí teve um aniversário dela, eu falei: “Ah, agora ela vai ser só… ” Aí eu dei de presente pra ela o óleo sève, que era a coisa que toda mulher tinha que ter naquela época. Dei pra ela de presente. Aí, depois desse óleo sève, aí o óleo sève acabou aí ela: “Vou ter que comprar o refil!” Ela não conseguiu viver… 



P/1 – … Comprou...



R – … Sem o óleo sève. Aí ela se tornou minha cliente. Hoje ela compra.



P/2 – Demorou anos, né? (Risos).



R – Mas hoje ela compra e muito, viu? Mas gente, eu falava, aí… E ela, ela é muito engraçada, ela fala assim: “Mas eu não vou ajudar você comprar seu carro novo.” Ela brinca comigo. Mas hoje em dia ela compra bastante, mas olha, foi uma coisa que me marcou e a gente relembra. De vez em quando eu encontro com ela e falo: “Vanda, você lembra que você falava que nunca ia usar Natura?” E ela: “Ah, lembro.” (Risos).



P/1 – A primeira caixa? Você lembra da sensação de você ver a caixa do primeiro pedido?  



R – Lembro… Lembro, nossa, foi tão bacana. Eu lembro que eu cheguei, a caixa já estava lá. Eu cheguei do trabalho e ela estava lá, tudo. Nossa, eu lembro que eu expus todos os produtos assim, mas eu tinha vontade abrir, mas nada era meu, né? (Risos). Nada era meu. Ah, mas era muito… Mas sempre comprava uma coisinha pra mim, sempre, sempre. Então, isso que eu achava gostoso também, que além de vender, sempre tirava alguma coisa pra mim, sempre tinha as promoções, ficava com as promoções, né, então sempre… 



P/1 – Você vendia para uma… suprir uma necessidade também… 



R – … É, na época… 



P/1 – … Complementava o orçamento…  



R – … Eu vendia pra complementar o meu salário, porque gostava também do produto e também mais pra comprar as coisas pra mim. De ter um lançamento, eu comprar. Porque eu sempre fui muito, muito vaidosa, então eu sempre gostava de ter maquiagem, então, nossa, cada mês era uma comprinha de um negócio diferente, é muito bom! (Risos).



P/2 – Que produto mais que você mais se identifica, assim, da Natura?



R – Hoje?



P/2 – É!



R – Aí gente, eu não consigo viver… São dois (risos), eu não consigo viver sem o creme pro corpo de andiroba, e a base do rosto para o rosto. Eu não consigo viver sem, pra mim, tenho que usar todo dia, todo dia. Adoro, adoro… 



P/1 – E um produto que seja a cara da Natura, qual você acha que é?



R – Que o que?



P/1 – Que representa a Natura, que seja a cara na Natura. Um produto que a pessoa olha e, mesmo que… 



R – … Identifica com a marca?



P/1 – Identifica com a marca na hora da Natura.



R – Eu acho que é muito essa linha, a linha ekos, né, que é toda essa preservação da natureza, o respeito que a Natura tem com o meio ambiente. Eu acho que as pessoas, acho que depois que surgiu essa linha ekos, que a Natura conseguiu passar através de novelas, todo esse projeto que foi feito pra colheita, para não agredir a natureza, acho que aí que as pessoas começaram a conhecer os valores realmente da Natura em preservação do ambiente, o respeito com o próximo. Acho que a linha ekos é a linha que representa a Natura.



P/1 – E qual o produto mais vendido e os mais conhecidos agora?



P/2 – Vendido por você… 



R – Por mim?



P/1 – É.



R – Eu vendo muito a linha chronos, linha ekos eu vendo demais, também, maquiagem eu vendo muito, muito, porque todo lançamento eu compro um produto pra mostrar, então maquiagem eu… Bastante também.



P/1 – E os mais conhecidos?



R – Por mim?



P/1 – É.



R – Eu acho assim, linha de tratamento eu conheço bastante. Tratamento facial é uma linha que eu procuro sempre estar me aprimorando pra passar, porque hoje em dia é uma procura muito grande do pessoal tem com uma boa aparência, com início de sinais que o pessoal tá sempre querendo se tratar. Então, é uma linha que eu me preocupo sempre estar atualizada, sempre tenho ele em pronta entrega… 



P/2 – E hoje você trabalha, além da Natura você trabalha em algum outro lugar?



R – Não. 



P/2 – Não, só com a Natura?



R – Só com a Natura.



P/2 – Conta um pouquinho dessa trajetória de optar por ficar só na Natura e fala um pouquinho sobre seu processo de venda, como é que é, como é sua relação com os clientes.



R – Tá, então, eu sempre, desde o… Eu comecei no Banco, depois mudei já pra essa concessionária, aí entre na área de Informática, sempre vim trabalhando em empresas ligadas à informática, tecnologia da informação. Aí eu tive a Gabriela, continuei trabalhando, enfim. Aí, quando eu fiquei grávida do Diego, já tinha uma vontade de largar o trabalho, eu queria alguma atividade que eu tivesse um tempo pra eles e pra mim. Uma atividade flexível que eu me dedicasse, que todo o fruto seria da minha dedicação. Aí na época eu comecei a conversar com o meu marido, eu falava assim: “Olha, eu acho que com a Natura dá. Se eu seguir direitinho, se eu dedicar todo dos dias naquele tempo eu acho que dá pra conciliar os dois, a casa, os filhos. Na hora que os filhos estão no colégio ou na escola eu me dedico a Natura.” Aí eu comecei, eu falei: “Aí meu Deus do céu.” A gente fica naquela dúvida, o certo pelo incerto. Aí tudo bem, o Diego nasceu, eu não fiquei pensando nisso. O Diego nasceu e eu sempre me encontrava com as meninas do meu trabalho, eu sempre tive muita amizade, a gente saía pra almoçar, levava o Dieguinho junto tal, aí eu falava assim: “Gente, eu não tenho vontade de voltar, eu não tenho, não tenho, eu acho que eu não vou voltar.” Eu sempre falava isso. Aí quando faltavam dois meses pra voltar, acabar a licença maternidade, aí eu sentei com o meu marido eu falei: “Olha, eu acho, eu decidi, eu não vou voltar, eu vou trabalhar só com a Natura.” E na época foi bom, porque ele me apoiou, ele sempre viu minha dedicação, sempre assim, adorei a Natura, visto a camisa mesmo e eu falava: “Não, vou me dedicar só a Natura, vai dar.” Eu falei assim: “Sou muito comunicativa, vou começar fazer exposição em empresas, fazer captação de cliente.” Você tendo cliente você se mantém. Aí ele falou: “Ó Mara, você é quem sabe, eu te dou o maior apoio, tudo… ” Eu falei: “Vai dar certo.” Aí eu lembro no dia que eu liguei pro meu chefe eu falei: “Ó, você já pode vendo a papelada, porque eu vou sair, pode contratar uma outra pessoa.” Na época eu não falei pra ele que eu trabalhar só com a Natura, nada. Eu falei: “Vou dar um tempo, vou cuidar do Dieguinho.” Aí foi assim, foi muito rápido, parece que foi no dia que terminou minha licença eu encarnei assim a Natura, eu falei: “Não, a partir de hoje tem começar a trabalhar, né.” E foi tão engraçado que nessa semana eu comecei ligar pra um monte de empresas que tinham grêmios, que faziam grêmios tal, e no primeiro telefonema eu consegui fechar um grêmio. Eu falei assim: “Gente.” Eu falei: “O negócio tá bom, vamos fazer.” E eu fui com um certo receio, fiquei com medo, eu falei: “Nossa, faz muito tempo.” Eu fiz grêmio, sei lá quando, há uns doze, quinze anos atrás. Eu falei: “Aí meu Deus, seja o que Deus quiser, né?” E eu na época eu nem conhecia minha promotora, a gente só se conversava por telefone, porque não dava pra ir nos encontros, porque era durante a semana, tudo. Na época eu até liguei pra ela, eu falei: “Olha, eu queria bater um papo com você.” Antes de tomar essa decisão eu fiz uma reunião com a minha promotora, queria conhecê-la, aí eu conheci o Fernando Bonamico da Natura também, que eu passei pra ele quais eram as minhas ideias de dedicação, recebi todo suporte deles. Na época era Maricí, a minha promotora, ela me ajudou no evento com os produtos, fazer exposição, foi o máximo, eu me senti super legal. Aí eu falei: “Pô, já tenho uma carteira de…” Já tinha aquela carteira de clientes que sempre compravam, mas não era aquela coisa assídua que todo mês, entendeu? Aí eu falei: “Não, agora tem que ser um negócio sério, dedicação.” E foi muito bacana, eu fiz essa exposição, conheci bastante gente, aí a gente vê quais são as nossas falhas você vai anotando, você fala: “Olha, no próximo eu tenho que melhorar aqui, tenho que me preparar.” Nossa, eu lembro, assim, que nessa primeira exposição eu levei uma folha para anotar, eu fui tão ingênua, eu falei: “Ah, eu vou levar uma folha para anotar os dados, tal.” Gente, uma folha não dava, era muita. Eu falava assim: “Nossa, como eu sou ingênua.” E assim eu fui aprendendo. Cada exposição melhorando mais, já com cartão, fazendo cadastro para cada um e assim foi indo. Fiz uma exposição depois fechei com outra empresa, depois fiz exposição num clube, onde a clientela foi enorme. Então, eu procuro sempre estar fazendo a divulgação da Natura em empresas. Empresas, salão de beleza, onde tem um número enorme de pessoas que você pode estar passando sobre vários produtos, aí eu costumo cadastrar todo mundo que compra, mesmo quem não compra eu falo: “Deixa o seu contato, eu gosto de divulgar as promoções, lançamentos.” Aí eu sempre pergunto se a pessoa permite receber e-mail com a divulgação. Então, é assim que eu consigo fazer… 



P/1 – A captação… 



P/2 – (A captação?)



R – … A captação de clientes, porque o que eu falo, não adianta eu ir na empresa fazer a exposição e sumir, eu tenho que ligar depois. Então eu costumo, eu faço a venda, quando eu não tenho o produto pronta-entrega eu vou, eu entrego depois, aí depois eu sempre mando depois uma cartinha agradecendo pela compra. Depois, um mês depois eu começo ligar: “Ah, o que você achou do produto, você está satisfeita não sei o que… ” Então, aí um vai puxando o outro. Então eu costumo fazer assim, essa divulgação e depois manter contato através de e-mail, sempre divulgo ______ que a Natura tem eu mando pra todo mundo, os lançamentos, tudo. E uma coisa que eu acho impressionante, que ponho aquele comando pra ver quem leu a minha nota, mas todo mundo lê, isso que eu acho o máximo, porque tem gente que fala: “Ah, eu nem vou ler.” Mas todo mundo lê. Promoções, eu invento uns e-mails bem legais, bem divertidos e é assim que eu consigo fazer a captação, dou algum brinde pra quem me indica cliente. Então é assim, eu gosto, contato com pessoas. É bacana, porque… 



P/ – Você trabalha com internet, bastante?



R – Trabalho bastante. Tudo que eu faço é com a internet, tem que ter. Eu tenho minha página pessoal também que o pessoal acessa, que eu divulgo bastante, que facilita também. Então eu trabalho muito com a internet. Então, todo meu trabalho eu faço, eu faço pelo computador, crio as minhas as minhas próprias promoções, tem as promoções da Natura que eu repasso também, então é assim que eu consigo fazer a captação de clientes. Depois tem o feedback e assim, o pessoal não compra um mês, mas depois você liga no outro mês está sempre pedindo alguma coisa. Uma coisa que eu costumo fazer bastante, época de datas comemorativas, eu sempre faço, eu monto meus estojos, tiro foto, mando pro pessoal, eu costumo falar: “Olha, você pode comprar, eu levo pra você tudo bonitinho já com cartãozinho ‘de: para:’, com embalagem, com tudo.” Então, a pessoa não tem trabalho nenhum. Então é um conforto pro cliente. Dezembro foi uma loucura, trabalhei até dia 24 entregando as coisas de gente que esqueceu de algum presente e é bacana o pessoal liga falando: “Olha, tem alguma coisa aí?” Eu: “Olha, sobrou, um negocinho.”



P/1 – Você mesmo entrega?



R – Eu mesmo entrego. Eu mesmo entrego.



P/2 – E você faz a embalagem, esse kitzinho você faz?



R – É, a gente tem embalagem da, eu sempre dou opção do pessoal comprar a embalagem da Natura por causa do projeto crer pra ver, né, eu sempre dou essa opção, mas se a pessoa quer coisa, por exemplo, com laço de fita, tudo isso eu tenho, que eu fiz personalizado. Por exemplo, eu tenho um cartãozinho com o logo da Natura, com ‘de: para:’, com laço todo da cor da Natura, abóbora, então tudo combinando, aquela harmonia com cara de Natura, mas eu sempre assim, procuro passar o projeto também que a Natura faz, do crer para ver tal. Então, mas a pessoa que faz a opção ou quer participar, na época de Natal eu sempre falo: “Olha, vai uma embalagem do crer pra ver, você está pagando pela embalagem tal.” Eu sempre falo sobre esse projeto, mas aí a pessoa ____ também tem outra opção de escolher o que ela quer, uma cestinha, porque o pessoal procura muito nessa época de Natal, quer cestinha, quer caixinha, aquelas coisas, então a gente faz tudo (risos).



(Pausa)



P/1 – Uma curiosidade, você tem uma carteira de clientes?



R – Tenho.



P/1 – Com esse trabalho de exposição que você faz, você tem uma carteira de empresas também? Você tem um grupo de empresas que você já trabalha há muito tempo, que você faz exposições nessas empresas em datas específicas?



R – Tenho, por exemplo, essa que eu falei que foi a primeira, eu fiz três exposições lá, aí lá, o que que aconteceu? Que é assim, é um prédio com várias empresas, então eu consegui vários clientes nesse prédio. Então, hoje em dia eu já não faço mais exposição lá, porque não precisa. Todo mundo eu já mantenho um contato, então, por exemplo, eu fiz um trabalho de dar cartão pra todo mundo lá no prédio, então tem vez que eu ligo e digo: “Olha, posso dar uma passada aí?” Porque tem uma que gostam de… Tem uma que são loucas por batom, outras são loucas por perfume, aí eu sempre falo: “Posso aí? Tem um lançamento.” Passo, aí quando eu chego lá todo mundo fala: “Ah, a moça da Natura vai passar aqui.” Tá todo mundo já me esperando, entendeu? Então, não fiz mais a exposição lá, porque não precisa. Lá quando eu vou, começa no primeiro, vou indo, vou indo… Tem vez que eu falo: “Vou ficar meia hora aqui.” Fico lá duas, três horas. Então, nesse lugar já não estou fazendo mais, mas, por exemplo, tem outras empresas que já tenho marcado, porque eles fazem sempre exposição para os funcionários, porque os próprios funcionários pedem. Então, eu já tenho contato: “A Natura é a Mara, a Mara é quem fazer a exposição.” Então, por exemplo, agora vai ter o dia das mães, essa empresa, com certeza já vou manter contato para verificar se eles vão querer fazer, porque é assim, eles acham que pro dia dos namorados acham que a procura é mais que dia das mães, dias dos pais. Então essa, por exemplo, sempre já tenho, então: “É a Mara!” No ano passado eu já fechei com uma outra empresa, que a gente está, eu já estou com alguns projetos lá com eles de alguns eventos já pra esse ano. Então, assim sempre procuro fazer uma parceria pra dar uma continuidade, isso que é interessante, eu (isso?) várias vezes… 



P/1 – E nesses 18 anos você desenvolveu esse trabalho também, você aperfeiçoou esse relacionamento, essa estratégia de venda nesse tempo todo que você tem, né?



R – Na realidade é assim, quando eu trabalhava fora, eu não tinha tempo pra fazer esse tipo de trabalho. Eu vendia, tipo para amigos, colegas, parente, a minha venda era essa, era restrita. Mas sempre… No meu trabalho mesmo tinha um monte de mulheres, eu falava: “Gente, vamos fazer pedido da Natura, alguém quer alguma coisa?” Aí: “Ah, eu quero, eu quero, eu quero.” Ali surgiu um pedido. Então, era assim as vendas, porque não dava. Final de semana, mostrava pra uma amiga ou outra, aí quando realmente eu parei de trabalhar, eu falei: “A minha estratégia vai ser essa para captação de clientes.” É fazer a exposição, depois fazer o follow-up, manter esse cliente, então, é nessa conquista que eu vou conquistar esse cliente. Então é assim que estou seguindo e está dando certo, ainda bem (risos).



P/2 – Você trabalha só com a Natura há dois anos, né, só com a Natura?



R – Só com a Natura é, ___ completou dois anos, exatamente.



P/1 – E você tem uma cota mensal de vendas assim que você sempre atinge esta cota?



R – Ah, eu, de vez em quando eu falo: “Ah, nesse mês eu preciso ganhar tanto.” (Risos).



P/2 – Você coloca como objetivo?



R – Tem que colocar, né. Porque eu falo: “Olha, eu tenho tanto de despesas fixas, então eu preciso trabalhar tanto pra conseguir.” Por exemplo, tem mês assim que você tem imprevisto com filho que fica doente, que você não trabalha, é complicado, mas eu procuro… Uma coisa que eu consegui que foi bem legal é dividir muito, eu consegui dividir. Então eu tenho: a manhã, que é dedicação em casa, orientação na casa, fico com meus filhos, aí vão pra escola, tudo; aí a tarde, me esqueçam, é Natura, entendeu? Aí deu a hora de ir buscar o filho, fui, aí Natura também vai pro cantinho, acabou a Natura também. Então, o que eu vi que deu certo foi a dedicação todo dia, todo dia: “Ah, hoje eu não vou sair pra fora, mas vamos fazer e-mail para cliente, vamos ligar.” Aí assim, sempre fui muito determinada, eu falava assim: “Hoje a noite eu tenho que passar um pedido, hoje a noite eu tenho que passar.” Então, aí eu já selecionava quem eu ia ligar, que eu procuro assim, ligar muito por bairros, por exemplo, hoje eu vou ligar pra todo mundo do Itaim, então ligo pra todos os clientes do Itaim. Então, conseguir um pedido pro Itaim, então é muito fácil, agora eu vou fazer entrega, uma tarde eu entrego pra todo mundo. Todo mundo do Itaim, tem que dividir, porque não dá…

 

 

P/2 – … Que ótimo, setoriza…



P/1 – … Setoriza tudo por região. 



R – Não dá, não pra fazer, por exemplo, Itaim, Moema, não dá, então você tem que separar por região. Então, isso eu tenho tudo isso no computador, o cliente por região. Quando eu consigo um cliente novo e já tenho até uma planilha do excel, os cliente lá, caixinha Itaim, Santo Amaro, Real Parque, Morumbi, eu tenho todos. Então eu tenho lá, o cliente, o telefone e cada produto, aí eu imprimo aquilo e já faço a venda com base naquela planilha que eu tenho: “Tal cliente tem esse produto, não sei o que.” Então eu vou seguindo assim. Então cada dia da semana é ligação para um bairro.



P/1 – Você já tem uma cota… 



R – Já, já!



P/1 – Você tem uma matéria numa revista, que você trouxe como documento, onde você é citada como uma consultoria e eles falam de uma cota de 5 mil reais mensais, por exemplo. Você tem uma cota assim fixada que você trabalha com ela ou você consegue ampliar numa carteira de cliente ou às vezes diminui?



R – Não, às vezes, diminui, tem vez que supera, por exemplo, tem vez que você vai fazer um evento que você, por exemplo, fala: “Aí, acho que esse evento não vai ser grande coisa.” De repente, né.



P/1 – Te surpreende… 



R – … Me surpreende. Por exemplo, eu tenho parceria numa loja que eu fiz durante esse ano inteiro, todo mês eu tenho exposição lá da Natura. Então tem certos eventos que só foi exposição mesmo, não consegui vender nada e tem outros que é uma loucura. De vez em quando eu falo assim: “Nossa!” Tem vez que eu falo assim: “Hoje eu vou vender tanto.” Na hora que eu saio de casa eu falo assim: “Hoje tenho que vender tanto.” Mas é assim, surpreende, porque você fala, não sei se é o público diferente que vai… Então, tem vez que você vai, até elas mesmo, que são donas do estabelecimento, elas falam: “Nossa, aquele evento não foi bom nem pra gente, o último foi excelente.” Ela fala: “Nossa, foi bárbaro!” Aí ela sempre fala: “E pra você, Mara?” Eu falei: “Pra mim foi bárbaro, também.” Então, surpreende, tem certas coisas que você vai assim e fala: “Será que vai ser bom? Mas vamos lá pra ver o que vai dar.” E é uma loucura, é engraçado, tem vez que oscila mesmo por ser uma coisa que você não espera.



P/1 – Qual é a média de clientes que você atende por mês?



R – Nossa Senhora (risos).



P/1 – Varia bastante?



R – É, bastante. 



P/1 – Varia ou tem uma média mais ou menos que acontece todo mês?



R – Nossa! Eu tenho aquele cliente cativo que todo mês ele compra. Eu tenho, tem uns que eu tenho contato de dois em dois meses que eles compra, outros já demoram mais, dependente do produto que eles usam o produto demora mais para acabar. Mas eu tenho contato, bastante, toda semana. Agora eu já… 



P/1 – … Por mês você tem o que 100 clientes?



R – Por aí...



P/1 – É?



R – Por ai.



P/1 – Isso já é fixo teu?



R – É. O que eu acho legal agora também, agora os clientes estão me procurando, isso que eu acho o máximo e falo: “É tudo o que eu queria.” (Risos).



P/1 – Trabalhou até aqui pra isso.



R – Ah, gente, fui lembrada, que delícia, que delícia, é muito legal, muito legal.



P/1 – E o perfil desses clientes? Mais homens, mais mulheres, mais jovens, mais maduros?



R – A maioria é assim, homens eu tenho maioria, eles são tudo executivos, eu não tenho o que eu posso dizer jovens, público jovem eu não tenho, homem não, a maioria é tudo executivo mesmo. As mulheres, eu tenho desde de mocinha, desde de criança eu tenho, cliente criança, criança mesmo que a mãe compra todo mês pra criança. 



P/1 – Mas são mais mulheres… 



R – … Mulheres, mulheres, vai até, tipo, terceira idade, isso eu tenho, bastante.



P/1 – Alguém mais da família é consultora?



R – Da família? Que eu me lembre, não.



P/2 – Você falou de uma sobrinha sua, que sempre te ajuda.



R – Ah sim, a Tatiane, minha sobrinha, ela sempre me ajuda. Ela vende também, ela vende lá no trabalho dela… 



P/2 – … Ela não é consultora, não...



R – … Ela não é consultora...



P/2 – … Vende pra você...



R – É, ela não é consultora, mas tem um jeito muito especial pra passar o produto, ela é uma gracinha, sempre quando eu vou na reunião, depois eu passo pra ela, porque ela não tem tempo pra ir na reunião porque ela (fora?). Aí sempre quando eu entrego a revista pra ela eu falo sobre o produto, eu falo: “Olha Tati, é assim, assim que você de abordar.” Aí, por exemplo, num site da Natura, das consultoras a gente tem lá dicas de vendas, eu copio, mando pra ela, tudo pra ela ficar integrada também e ela vende bem no trabalho dela, né, vende bem. Ela adora, ela é vaidosa demais, ela adora, adora, adora, é uma graça, viu.



P/2 – Qual é a sua dica de venda pra ela?



R – A minha dica de venda?



P/2 – Pra ela… 



R – … Pra ela?



P/2 – É.



R – Eu falo pra ela assim: “A primeira coisa que você tem que saber, Tatiane, é a necessidade do seu cliente. O que ele quer, o que ele procura num produto.” Muitas vezes ela está comprando um produto que alguém indicou pra ele, mas não esse produto que vai atender essa necessidade. Então, por exemplo, se eu falar: “Eu quero um xampu.” “Mas vamos falar do seu cabelo. O que você está procurando desse xampu, o que você quer que esse shampoo faça no seu cabelo?” Não é falar: “Eu comprei um xampu, usa que é ótimo.” Pode ser bom pra você, mas pra mim não pode ser, pode não ser. Então, eu sempre falo pra ela procurar ver qual é a necessidade desse cliente, depois você vai mostrando os lançamentos, o que a Natura tem, você vai mostrando o livrinho, toda a linha, o que a Natura tem, porque é sempre assim, a pessoa vai compra um produto ela nunca compra um, ela compra mais, porque você vai divulgando. Primeiro você vai resolver aquela necessidade que ela está procurando, aí depois você vai abordar: “Olha, mas a Natura tem isso… ” Por exemplo: “Você tem família em casa? Quantas pessoas são na sua casa? Você tem filho?” Aí você começa a mudar: “Olha, tem criança, eu vou mostrar a linha criança, tem bebê, vamos mostrar a linha bebê.” Aí começa… O que eu digo pra ela: “Aí que você está conhecendo o teu cliente. Ela é casada? ‘Olha, eu tenho esse lançamento de um perfume pro teu marido.’ Se você tiver amostra você dá.” Entendeu? Então, não é só ela ali que vai comprar, todo mundo da casa. Então, você tem fazer com que a cliente conheça a Natura. Não tem só um produto específico, tem pra todo mundo, pra atender todo mundo, né. Então eu sempre falo pra ela, é conhecer o cliente primeiro, qual a necessidade, o que ele procura, depois você vai abordar. Muitas vezes… Eu tenho uma cliente que um dia me ligou, eu não conhecia ela, ela me ligou, ela falou: “Olha, eu quero comprar um produto da linha faces que me falaram que ele é bárbaro e eu quero comprar.” Aí eu falei assim: “Olha, posso fazer uma visita, né?” E ela morava pertinho da minha casa, ela falou: “Pode!” Aí eu cheguei, ela é uma pessoa que ela não tem idade para usar essa linha, é uma linha mais juvenil, aí fui explicando, mostrei pra ela outro produto que pode ser substituído, que é indicado pra idade dela. Então, nisso foi um serviço de consultoria, ela comprou a linha inteira, ficou mais satisfeita do que ela comprar um único produto que talvez não atendesse essa necessidade que ela estava procurando. Isso que é bacana, você conhecer, porque eu quando faço uma consultoria eu conheço tudo: sei quem tem, se tem marido, filho, cachorro, gato. Aí eu falei: “A Natura agora só falta lançar pra cachorro, cachorro e gato, porque aí a gente já vende pra família inteira.” (Risos).



P/1 – Quando ela lançar já tem informação, né? (Risos).



R – É verdade (risos).



P/1 – Já tem consultoria (risos).



(Pausa)



P/1 – Desafios e sonhos. Quais os maiores alcançados, sonhos alcançados?



R – Esse ano que passou, eu acho que batalhei muito, conquistei clientes difíceis, pra mim é um desafio, você atender um público tipo ‘AA’, pra mim isso é um grande desafio e quando você começa a ter retorno desse público, pra mim isso é o máximo. E foi muito engraçado, que o ano passado, eu sempre falava: “Eu tenho que ser,  esse ano eu tenho que ser destaque entre as dez mais, eu tenho que ser, eu tenho que participar dessa festa, tudo.” E eu sempre brincava! Aí, teve a festa de destaque do ano retrasado que eu fui convidada, mas não era destaque ainda, e eu lembro que eu brinquei com o Fernando Bonamico, que é o gerente, eu falei pra ele: “Olha Fernando, o ano que vem você vai me ver aqui, não te garanto que vou ser primeiro lugar, mas uma das três eu vou ser.” Aí quando veio a classificação desse ano que eu estava em terceiro lugar eu falei: “Gente, eu não acredito.” Eu fiquei tão emocionada, eu chorei, eu chorei, eu falei: “Puts, foi com muito sacrifício, acho que valeu a pena.” E quando eu recebi o troféu, eu não via a hora de sair da festa pra mostrar pro meu marido (risos). Aí ele falou assim: “Pô, mas que sacanagem ____ não tem festa pro marido, não pode levar marido.” Eu falei: “Não, são só para os consultores.” Aí eu falava assim: “Não vejo a hora de ir embora, ir embora.” Até que eu estava de carona, aí uma moça falou assim: “Alguém quer carona?” Eu falei: “Eu quero, eu quero.” (Risos).



P/1 – Demorou… 



R – … Eu estava louca pra ir embora pra mostrar pra ele… 



P/2 – … Para mostrar…  



R – … O troféu pra ele. Foi muito legal, eu achei que foi um ano de dedicação e eu falava: “Gente, nunca passou pela minha cabeça ser destaque Natura.” Antes não passava, depois que eu comecei só me dedicar, eu falei: “Não, agora tem que ser.”



P/1 – E a meta agora… 



R – Ser primeirão, né? (Risos). Minha amiga (Criquis?) que me perdoe, mas vou batalhar pra isso (risos).



P/1 – (Trabalho perdeu?) 



R – (Risos).



P/1 – O que mudou depois que você começou a trabalhar na Natura?



R – O que mudou?



P/1 – É.





R – Eu acho que eu sou mais feliz. Faço um trabalho que eu gosto. Um trabalho de consultoria, de passar o bem estar para as pessoas, de ver a pessoa feliz quando ela se sente realizada, quando ela usa um produto que ela gosta. Eu acho que aprendi cuidar mais de mim, eu procuro sempre estar bem comigo mesma pra poder passar para os clientes que estou bem, sabe, eu acho que mudou muito. Faço esportes todos os dias, coisa que antigamente eu não tinha tempo pra fazer. É uma coisa que eu faço questão hoje em dia de fazer, me dedico todas as manhãs pra isso. Então, procuro sempre estar bem comigo pra poder passar isso pro cliente e adoro quando vejo que a cliente uso um negócio, falo: “Gente, que bárbaro que é isso.” É uma satisfação tão grande você ver, eu falo sempre assim: “Dentro de potinho (o chronos) tem um pouquinho de bem estar, um pouquinho de beleza, de carinho…” Eu falo assim: “Aquele minutinho, aquele minutinho de tratamento que você faz pra você, que você está cuidando de você, que você vai ver o resultado. Todo mundo fala, mas você sabe o que é mesmo? A turma fala, tem algumas que falam: “Ah, eu tenho preguiça.” Eu falo: “Gente, são dez minutinhos só, é tão bom você se cuidar de você, você se sentir.” Acho que isso mudou, aprendi a gostar mais de mim, faço a coisa que eu gosto, amo. Hoje eu falo: “Não me vejo trabalhando numa empresa de tecnologia, de informática, não me vejo, não me vejo…” 



P/2 – Agora é só a Natura?



R – Não, pra mim agora é tudo ligado à beleza, à estética, tem que ser. Não volto mais pra trás, não tem como, não dá mais.



P/1 – Como você via a Natura antes e depois de se tornar uma consultora, mudou alguma coisa?



R – Mudou muito, porque antes, quando eu trabalhava que era, só vendia, não participava integralmente com a Natura, dos encontros, não tinha… Porque só nos encontros a gente sabe quais os projetos que a Natura participa, o bem que ela proporciona pra tanta gente. Então, eu vendia o produto, eu sabia, eu sabia a Natura é isso, as ações que ela faz, mas não participava ativamente e depois que você quando começa a se dedicar só a ela, por exemplo, saiu um recortinho no jornal, opa, Natura, vamos ver o que está acontecendo com a Natura. Então, você fica muito envolvida, por exemplo, os encontros. Os encontros são super importantes, porque ali você conhece tudo, todas as ações que a Natura está fazendo pro bem, essa preocupação que ela tem com o meio ambiente, a preocupação que ela tem com o cliente, os projetos, quantas famílias ela beneficia, então você começa a ficar envolvida. Eu falo: “Gente, que trabalho maravilhosos, que empresa maravilhosa que você representa.” É bárbaro isso, então, você começa a ficar envolvida, eu já estou envolvida demais, muito, nossa, demais, demais e é legal eu passo isso, por exemplo, quando, eu lembro quando a Natura teve essa linha ekos, eu lembro do filme, eu assisti umas 1000 vezes pela internet, eu ficava assistindo aquele do projeto tamanduá, que eles usavam o tamanduá e falava: “Gente, que coisa bárbara que é isso.” E era engraçado, sempre quando ia alguém na minha casa, eu ligava o computador e falava: “Gente, vocês tem que olhar isso, aquele negócio colheita, o pessoal trabalhando.” Eu falava: “Gente, vem ver isso, as crianças que foram retiradas, que só família trabalha, as crianças vão pra escola.” Os filmes, eu sempre chamava o pessoal pra assistir, eu falava: “Gente, vocês têm que assistir isso.” O pessoal chegava em casa, eu conectava tudo pra passar. Então, você começa a se envolver demais em tudo e é assim, você tem uma segurança tão grande na empresa, que é muito fácil passar o produto, não tem dúvida que o produto é um produto de boa qualidade, então você fica muito confiante de si, de tudo que você passa, é muito interessante. Eu sou muito envolvida, muito, impressionante.



P/1 – E você conhece os valores da Natura, né, e… 



R – … Com certeza!



P/1 – As causas que ela defende, e você movimenta essa consciência, esse relacionamento… 



R – Sim, até tem esse projeto que a Natura está participando, fazendo com  (moeja?), criança voltando a estudar, nossa, eu passei pra um monte de empresas para divulgar no RH [Recursos Humanos], até gente me retornou: “Mara, como é que eu consigo isso?” Eu: “Olha, liga no 0800, tal, tal.” E eu lembro que eu fiz um e-mail bem interessante: “Olha gente, a Natura estava fazendo esse projeto em parceria e eu como consultora gostaria de participar desse projeto.” Eu mandei pra um montão de gente, aí todo mundo: “Como eu faço?” Eu falei: “Olha, no 0800…” Aí comecei a dar a dica de como a pessoa participar. É legal, você começa a ficar envolvida.



P/2 – E o relacionamento que cria da Natura em relação às consultoras, como é que você vê isso?



R – Ah, é bárbaro não é gente? Acho que a Natura tem um respeito tão grande pelo nosso trabalho, e eu acho que essa divulgação que a Natura fez da consultoria na novela, mostrando nosso papel de consultora na novela, eu falei que esse foi o melhor presente que a Natura poderia ter dado pra gente, o trabalho da consultoria. Pra mim foi, eu achei que foi bárbaro e o respeito que ela tem com a gente, né. O respeito em informação, reconhecimento que ela sempre dá pra gente, sempre mantendo a gente bem informada. Eu acho incrível, é fora de série.



P/1 – O que é pra você uma pessoa bonita? O que você destaca de mais bonito… 



R – … Na pessoa?



R – Numa pessoa, é... Acho que é a pessoa ser sincera, acho que a sinceridade é tudo. Eu até falo assim para os meus cliente: “Eu quero que você seja sincera, hein, o que você achou do produto, o que você não gostou.” Porque a gente aprende com as críticas: “Se você não gostou, vamos ver porque você não gostou.” Acho que a sinceridade é tudo, ela tem que estar no relacionamento, no seu com teu cliente… Acho que a sinceridade.



P/1 – Esse é um dos conceitos e os valores da Natura que estão presente na sua vida? Quais outros estão também? 



R – Eu acho, outros valores que a Natura tem, eu acho que é o respeito com o próximo, o respeito com o cliente, a preocupação que a Natura tem com o cliente, com o ambiente, quando vai, tipo, fabricar um produto tudo um processo que tem atrás desse produto, antes de lançar um produto, a preocupação dela em tudo: com pessoas, com o ambiente. Quando eu falo para os meus clientes, eu falo: “Olha, se você não gostou do produto você tem como devolver, você tem como trocar.” Mas todo mundo fala: “Gente, mas é verdade isso?” Eu falo: “Tá na embalagem escrito isso, tem o 0800 que você pode ligar, você pode falar se você gostou, se você não gostou, uma crítica, se você quer trocar, se o produto te deu algum problema.” Isso é bárbaro, gente, você ficar protegida com isso. Isso eu falo pra todos os meus clientes, por exemplo, que compram um xampu, porque eu acho xampu é uma linha de produto bem específica, que é um produto que pode ser bom pra você, mas não ser bom pra você, então eu sempre falo, eu falo: “Olha, você tem o direito de experimentar outro. Não ficou bom, você não vai perder o seu dinheiro.” Estocar o banheiro de xampu, que nem faz com xampu de supermercado, tem vários (risos). Então é isso, eu acho que é o respeito com os clientes, com as pessoas.



P/1 – O que é a beleza da mulher brasileira  pra você? Fala-se muito isso? Pra você como é essa beleza da mulher brasileira , o que…  



R – … Eu acho que a mulher brasileira, a beleza dela é a espontaneidade, ela é muito espontânea e no dia, por exemplo, que ela não está bem ela revela que não está bem, no dia que ela está bem ela demonstra que está bem, ela fala. Acho ela é muito comunicativa com mãos, braços, eu acho que ela revela, eu acho que essa é a beleza da mulher, pode ser de qualquer idade. Você é bonita de qualquer idade, então acho que é a espontaneidade da mulher brasileira. 



P/1 – A Natura alterou sua visão de mundo, de alguma forma ela mudou isso?



R – Claro, eu acho que com toda essa bagagem que a Natura traz, com todos esses projetos, eu acho que a gente vai aprendendo junto. A gente tem até medo de, por exemplo assim, como é que é? Denegrir o meio ambiente, alguma coisa…  Você vem trazendo tanta coisa que se você faz alguma coisa errada você fala: “Meu Deus, estou pecando, não sou consultora.” (Risos).



P/1 – (Barra cobra?)



R – É, falo: “Pô, que consultora é essa, né?” Eu acho que sim… 



P/1 – … Amplia a consciência.



R – Sim, esse negócio de ser uma empresa íntegra, esse negócio de, como é que se diz, como eu posso falar, uma empresa íntegra, por exemplo, com funcionários, com consultores, a preocupação com o cliente é isso que você tem que levar também, a preocupação com o cliente, não é só a venda, a preocupação do seu cliente: o que ele achou, ele gostou… Eu, às vezes, eu fico até preocupada, por exemplo, quando eu vendo um produto e que de vez em quando eu falo: “Meu Deus, não tive tempo de ligar para aquela pessoa ainda.” Aí tem vez que eu falo assim: “ Ah gente, eu não vou ligar a noite, será que não é chato, a mulher dentro de casa… ” Aí tem vez, eu falo: “Ah meu Deus, mas eu vou ligar.” Eu fico preocupada, eu falo assim: “Ninguém pode entrar no esquecimento.” E tem vez que eu ligo à noite, é uma loucura tão grande que você não consegue falar com a pessoa no trabalho você acaba ligando à noite. Mas eu tenho essa preocupação, eu acho que é a preocupação na Natura, com tudo, ela hoje em dia ela participa de tudo, a participação dela é geral.



P/1 – Quais aprendizados você tirou nesse tempo de carreira, nessa trajetória profissional toda com a Natura, quais os…



P/2 – … Os maiores...



P/1 – … Os maiores, mais importantes?

 

R – Eu acho que foi… Meu maior desafio? Foi conseguir sobreviver, largando o emprego, com toda a minha dedicação, acreditar naquele produto que eu estou vendendo, e acredito plenamente, hoje em dia eu não tenho medo, eu tenho um produto de ótima qualidade na minha mão que é uma empresa que todo mundo hoje em dia conhece. Eu não tenho que fazer propaganda da Natura, eu tenho que fazer a boa consultoria para vender o produto, é isso que eu tenho de que passar, é o produto. Então, meu grande desafio foi esse, foi largar tudo, ficar com a Natura, acreditar na Natura, acreditar que eu posso vencer com a Natura, e por isso que eu estou indo adiante, estou indo (risos).



P/1 – Acreditável, então.



R – É acreditável, olha, eu acreditei.



(Pausa)



P/1 – Que dica você daria para uma futura consultora?



R – Uma dica? Que aprenda com a Natura todos os conceitos que ela passa pra gente. O que é a Natura? O que ela busca nesse país, nesse mundo? E a dica que eu dou é que você aprenda sobre o produto pra você poder passar, você se dedique, você aprenda para que ele serve e passa pro seu cliente. Cuidar do seu cliente com carinho, eu acho que é a grande conquista, é você conquistar um cliente e esse seu cliente virar seu amigo, acho que é o melhor, você falar: “Hoje em dia essa aí não é minha cliente, é minha amiga.” (Risos). Essa é a melhor, é melhor: “Olha, é meu amigo, minha amiga.” Acho que é sua cliente virar seu amigo, acho que é a maior conquista.



P/2 – Você fez muito amigo… 



R – … Tenho, vários...



P/2 – ... Que eram clientes e viraram amigos… 



R – … Tenho, tenho, é bem legal, bem bacana (risos).



P/1 – Aqueles amigos de ir em casa mesmo, assim de amizade… 



R – Ah, tenho, tenho, nossa tenho, às vezes, eles ficam até assim: “Nossa, eu vou na tua casa… ” Mas eu abro minha casa pra eles, eu faço eventos na minha casa convidando gente. Eu fiz um evento no meu condomínio que eu coloquei faixa no meu condomínio. Meu condomínio tem 18 prédios. Meu marido falava assim: “Mas você vai abrir o apartamento?” “Maurício, ninguém vai me roubar aqui. Ninguém vai me roubar, não vai acontecer nada.” E o pessoal fica meio com vergonha de entrar, mas entra e é legal. Eu abro a porta da minha casa, eu falo: “Quer ir lá em casa, vai lá em casa, parece uma loja da Natura.” (Risos).



P/1 – É a sub-sede?



R – (Risos).



P/1 – Mara, pra você fazer um autorretrato, como seria esse autorretrato?



R – Tipo de mim?



P/2 – A Mara pela Mara!



P/1 – Isso, a Mara pela Mara...



R – Ah, meu retrato? Que eu sou uma pessoa assim, contagiada pela Natura, eu amo a Natura de paixão, é a minha paixão, juro por Deus, hoje eu sou a realizada. Eu adoro, adoro tudo, adoro os produtos, eu não consigo viver sem a Natura, não dá, hoje em dia não dá mais. E sou, assim, realizada porque faço a coisa que eu gosto, represento uma empresa que eu admiro muito, muito e é isso, sou felicidade estampada (risos).




P/1 – Nessa história de vida houve um resgate desde a sua infância, pequenininha até agora. Agora a gente quer saber o que você achou de ter participado dessa entrevista.



R – Nossa, é bárbaro (risos). Eu penso assim, uma coisa que eu faço uma comparação, é diferente você falar assim: “Olha como a dedicação, como a pessoa é reconhecida.” Porque quando eu era, por exemplo, aquela consultora, aquela consultora que só vendia, passava um pedido, nunca tinha tempo pra me dedicar com a Natura, não tinha tempo pra me dedicar aos encontros e como durante esses dois que eu me dediquei, pra mim foi uma grande dedicação de aprender com a Natura, os trabalhos que eu venho fazendo, os eventos que eu faço e que a Natura fica sabendo e ser convidada pra dar meu depoimento, isso é o máximo (risos). É muito bom, muito bom, é o reconhecimento. Eu falei: “Gente!” No dia que recebi um telefonema pra participar, eu fiquei muito emocionada, eu estava na reunião da Natura, eu falei: “Gente, eu estou muito emocionada.” Porque foi um trabalho legal, é um trabalho legal que eu venho fazendo. Então é ótimo, é muito bom, é um reconhecimento, acho que a Natura, ela vê o trabalho que a gente faz e isso é muito bom, muito bom e anima mais ainda pra continuar (risos).



P/1 – Então, em nome da Natura e do Museu da Pessoa, a gente também achou muito bom e agradece a tua entrevista.



R – Obrigada!



P/1 – Tá Bom?



P/2 – Obrigada.



R – Obrigada!



P/1 – Obrigada, Mara.



--- FIM DA ENTREVISTA ---

 

Dúvidas

 

(Favor das  brigas?)

(Recebia?)

(A negra?)

(A tomar essa decisão?)

(Qual foi a venda mais difícil?)

(A captação?)

(Isso?)

(Fora?)

(Criquis?)

(Trabalho perdeu?) 

(Moeja?)

(Barra cobra?)

 

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