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História

Cuidando de sorrisos

História de: Patrícia Bella Costa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/09/2017

Sinopse

Emotiva, Patrícia Bella Costa não escondeu as lágrimas na hora de contar sua história; muito menos as risadas. Entre a comoção e a alegria, ela se lembrou de seu tempo de menina, quando morava e estudava no bairro de Vila Olímpia, em São Paulo, e do aguardado Natal em que ganhou, com a irmã, um presente inesquecível: as fantasias de Batman e Robin. Da mesma forma, seguiu falando do momento em que a luta para tirar uma árvore ameaçada da calçada de casa a fez entender que tudo era possível – inclusive, transformar sua carreira como dentista em uma trajetória de sucesso no setor de marketing da Colgate. Na multinacional, Patrícia não deixou de cuidar do sorriso alheio. Além do trabalho com a marca, ela coordena um premiado programa que leva escova, creme dental, sabonete e educação a crianças de comunidades carentes de todo o Brasil.   

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História completa

Nasci na cidade de São Paulo em 18 de julho de 1970. A gente morava numa casa grande, tinha um corredor lateral em que a gente corria. Tinha jardim, tinha quintal, a rua era calma. Tinha um barzinho no fim da minha rua, e eu me lembro de quando lançaram o Guaraná Taí: a gente foi a pé, minha mãe deixou a gente ir sozinha até o barzinho para comprar guaraná.

 

Para aniversário a gente não dava muita bola. Desde criança, quando o meu pai cantava Parabéns a você, cantava com uma voz meio fúnebre, eu sempre chorava no Parabéns. Até hoje, de falar, eu estou chorando. Mas eu nunca gostei muito de aniversário, eu não acho muita graça. Acho legal, mas não sou daquelas: “Ai, meu aniversário.” Mas Natal... Ah, nossa, tem um em que eu tinha, acho, uns dez anos, e a minha irmã Raquel tinha uns sete, e eu ganhei uma fantasia do Batman, e ela do Robin. Nossa, era o máximo! Eu tenho uma fotografia da gente com essa fantasia: eu de Batman e ela de Robin (risos). Tem muitos Natais em família, muita coisa que eu lembro.

 

Eu sempre fui quietinha, eu sempre fui muito chorona, como vocês estão vendo (choro). Eu sempre fui muito emotiva. Então, eu sempre era reservada, quietinha. Eu não era daquelas meninas de esporte, que joga tudo. Eu sempre fui simpática, os meus amigos sempre falam, agora, quando a gente é grande, eles falam: “Nossa, você sempre foi legal, você sempre foi bem educada, sempre cumprimentava.” Eles falam: “Você está igualzinha.” Mas hoje eu sou mais falante do que eu era naquela época.

 

Eu acho que eu queria ser professora, porque eu achava legal aquilo, tinha lousa na minha casa, a gente brincava de escolinha. Eu sempre fui muito certinha, muito organizada, bem “quaquazinha”, sabe? Eu achava legal aquilo de explicar, o outro aprender, eu dava aula para as minhas irmãs. E, depois, quando eu fiquei adolescente, que eu usava aparelho, os pais de uma amiga nossa, amiga da minha irmã, eram dentistas, e eu falava: “Nossa, que legal! Um casal dentista, os dois juntos, trabalham juntos, vão trabalhar, vão pra casa, têm os filhos.” Aquilo foi um exemplo pra mim, e, conversando com a minha mãe, minha mãe falava: “Minha filha, pra mulher, Odontologia é uma profissão ótima, que você pode casar, ter seus filhos, trabalhar meio período.” Eu gostava de biológicas, você não sabe o que você vai fazer, eu falei: “Eu acho que eu vou fazer Odontologia.”

 

Descobri, depois de formada, durante a faculdade, que eu achava chato atender paciente. Você é sozinho, porque o paciente está lá com a boca aberta, você começa a falar com ele: “Ai, nã nã nã.” Não tem uma interação com pessoas. Tecnicamente, eu adoro, mas aquela solidão, daquele jeito, não me atraiu em nada. Engraçado, né? Porque eu era quietinha, solitária antes, e hoje eu sou muito comunicativa, me meto em tudo, quero resolver tudo.

 

Primeiro, você tem que fazer o que você gosta. Se você não faz o que você gosta na vida, se você não é casada com o marido que você quer, se você não se acha no seu trabalho – e é difícil a gente se achar, porque você quer ganhar dinheiro, você paga conta, você precisa ser feliz, é complexo. Mas, quando você encontra aquela coisa que te dá a realização pessoal, profissional, você fala: “Nossa, eu consegui!” E você aprende que você não está concorrendo com ninguém. Quando você percebe isso, a sua história é sua, com você. Tem gente que ficou melhor, mais rico, mais importante ou mais bonito, teve mais filhos. Eu não tive filhos. Tem gente que compete. Quando você vê que: “Não, eu estou na minha, minha vibe é essa, eu curto desse jeito.” E as pessoas falam: “Ai, mas você não quis ter filhos? Por que você não teve filho com aquele marido?” Quando você entende a sua dinâmica, você fica bem.

 

É muito engraçado. Eu não sabia que eu queria fazer outra coisa, eu não planejei. As pessoas falam: “Como você planejou a sua carreira?”, eu não planejei, foi acontecendo. Eu ia ao congresso como dentista, nunca tinha pensado que tinha pessoas trabalhando lá vendendo produtos. E comecei a trabalhar lá e continuei depois do congresso, continuei a trabalhar nessa empresa, foi ótimo. Foi aí que eu descobri que eu gostava de fazer negócios, eu nem sabia o que era fazer negócios. Eu gostava de me relacionar com as pessoas, de falar, eu estudava os produtos, eu sempre fui muito estudiosa. Então, eu entendia do produto, explicava para o dentista como é que usava. A maioria das coisas era em inglês, eu falava: “Olha, você pinga uma gota disso, duas daquilo, faz isso, aplica três camadas, põe o fotopolimerizador, vai ser mais rápido.” Eram produtos americanos de última geração, que não tinha no Brasil. Era assim, eu estudava, estudava, adorava aquilo.

 

Na Colgate, eles estavam precisando, tinha uma pessoa que tinha trabalhado nessa posição por muitos anos e ela saiu, ficou vaga a posição, e eles procuravam um dentista que pudesse trabalhar, e são poucos. Naquela época, principalmente, eram poucos os dentistas que tinham formação em Marketing, que pudessem, que soubessem esse trabalho da área de relações profissionais.

 

E eles me ligaram cinco e pouco da tarde: “Patrícia, parabéns, você foi contratada!” Eu falei: “Nossa, que legal!” E eu estava indo pra Nova York e eu estava tão empolgada, eu fiquei tão feliz! Chegando em Nova York, na manhã seguinte, a gente foi, deixou as malas no hotel e foi fazer um passeio pela Estátua da Liberdade. Eu estava no barquinho com a minha irmã e a minha prima e eu ouvi assim, eu falei pra minha irmã. Eu falei: “Eu acho que eu estou ficando louca, porque eu ouvi o cara falar: ‘o relógio da Colgate’.” Aí, a minha irmã: “Não, olha lá!” Em Nova York, perto da Estátua da Liberdade, tem um relógio da Colgate, que é um relógio histórico, aquele terreno lá foi a primeira fábrica da Colgate nos Estados Unidos, tem uma tradição. Se você for agora fazer um passeio pela Estátua da Liberdade, você vai ver o relógio da Colgate. Nossa, eu fiquei tão empolgada! Comprei um creme dental americano, colei, eu fazia scrapbook naquela época, foi muito legal, foi muito marcante.

 

Eu fiquei muitos anos como gerente, eu sou diretora acho que há uns quatro ou cinco anos, seis anos. O meu desafio era fazer com que todas as marcas da Colgate, de todas as categorias, creme dental, escova, enxaguatório, fio dental e marca, fossem a marca número um em recomendação dos dentistas.

 

Uma das responsabilidades da minha área é a área de educação pra saúde bucal, eu cuido de um programa chamado “Sorriso Saudável, Futuro Brilhante”. É um programa mundial que a Colgate tem, que ensina crianças de seis a dez anos a escovar os dentes, para que elas aprendam a escovar os dentes de forma adequada e lavem suas mãos de forma adequada. Eu sou responsável por esse programa no Brasil. O programa existe há 25 anos, e nós já ensinamos mais de 55 milhões de crianças brasileiras a escovar os dentes. A Colgate doa uma escova, um creme dental e um sabonete pra cada criança. A cárie, no Brasil, teve uma redução enorme nos últimos anos, ainda inspira cuidados, mas nós somos um país com uma condição de cárie muito boa, muito baixa perto de outros países até mais desenvolvidos do que o nosso.

 

Como a gente tem uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, e outras empresas também somaram esforços pra atender as comunidades do Rio de Janeiro, a gente atende algumas comunidades: Maré, Alemão. A gente foi fazer uma visita, e fomos até o alto do Morro do Alemão, lá em cima na comunidade. Então, esse trabalho me permite conhecer áreas muito diferentes de São Paulo, por exemplo, áreas de extrema pobreza que a gente tem no município de São Paulo, que são bolsões de pobreza. Junto com a Prefeitura de São Paulo e com professores da USP [Universidade de São Paulo], do Departamento de Odontopediatria, a gente consegue ajudar, doar produtos pra comunidades que têm extrema necessidade.

 

No Brasil, as crianças escovam os dentes, graças a Deus. As crianças não têm, às vezes, uma escova pra cada pessoa, a pessoa não tem. No Brasil, se compartilha escova. Creme dental está presente em todos os lares brasileiros, 98% dos lares brasileiros, de cima a baixo, têm creme dental, as pessoas escovam os dentes, mas nem sempre cada um tem a sua escova, e as escovas não são trocadas com a frequência que deveriam. Mas as pessoas às vezes não trocam a escova, não têm condição de trocar a escova ou, às vezes, aquela família toda usa uma escova, o pai, a mãe e os filhos. Quando você doa uma escova e um creme dental e um sabonete para aquela criança: “Ah, nossa, tia, muito obrigada, é a minha primeira escova.” Crianças de oito anos às vezes. Então, é muito emocionante. Quando você faz isso há muito tempo, você se acostuma a poder ajudar e a ouvir essas coisas das crianças, e eles falam coisas muitos legais: “Ai, eu vi na televisão.” Televisão é um negócio que a criança vê e: “Ah, eu vi”, eles sabem. A gente lançou um creme dental muito inovador, com uma tecnologia chamada neutraçucar, que age no PH da sua placa bacteriana, é como se fosse um produto inteligente, e o que a gente falava na televisão as crianças falavam: “Ah, eu sei o que é neutraçucar, a tecnologia que...”, sabe? (risos) Eu falo: “Nossa!” Criança é fogo.

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