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História

Criticar para grafitar

História de: José Anderson Costa dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/07/2020

Sinopse

Duim estudou até a sexta série e sempre gostou de desenhar. Antes da sua carreira como grafiteiro deslanchar, estudou em um curso de Desenho no Senac  [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial] de Bom Sucesso e um curso de Grafite no Morro dos Prazeres. Fala sobre alguns de seus grafites no Morro e em outras partes da cidade do Rio de Janeiro. Atualmente é integrante de um grupo de grafiteiros chamado Fuga. Conta como é ser monitor e ajudante de um projeto no Morro para dar aulas para adolescentes que queiram aprender a grafitar e o potencial que esta arte possui para impactar socialmente.

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História completa

P/1 – Bom, boa tarde Duim, gostaria de começar o depoimento pedindo que você me dê o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R – Meu nome é José Anderson Costa dos Santos, nasci na Ilha do Governador.

 

P/1 – Quando é que você nasceu, em que data?

 

R – 4 de outubro de 1977.

 

P/1 – E o apelido, qual é a origem desse apelido “Duim?”

 

R – Era conhecido como Amendoim na Ilha, mas para cá, para ter o nome artístico assim, que "pô", ia ficar muito grande. Aí eu diminuí, coloquei só quatro letras: Duim.

 

P/1 – E aí, mas escreve D-U-I- M de Maria, né?

 

R – É, isso.

 

P/1 – Duim, me conta um pouquinho da tua infância, como é que era a área que você nasceu, um pouco das brincadeiras, ambiente?

 

R – Ah, a minha infância, "pô", na rua, eu não gostava de ficar, gostava mesmo era de brincar em casa sozinho, a minha brincadeira era massa de modelar.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – É. Antigamente, fazia carrinho, boneco de massinha. Na rua mesmo, não fui muito de brincar.

 

P/1 – E a tua mãe, qual é a origem dela, você sabe de onde ela veio?

 

R – Minha mãe é mineira. Aí ela conheceu meu pai num... eu acho que foi aqui mesmo no Rio, não sei, num ônibus que ela pegou.

 

P/1 – Apaixonou.

 

R – Nossa, apaixonou. Aí foram levando, moraram juntos uns tempos, aí teve minha irmã.

 

P/1 – A tua irmã é mais nova?

 

R – A minha irmã é mais velha.

 

P/1 – Como é o nome dela ? 

 

R – É Rosane. E aí veio eu, né? Depois passado uns tempos, ele sumiu, foi embora, não falou para onde ia, não sei, minha mãe teve que criar nós dois.

 

P/1 – Difícil, sofrido.

 

R – Difícil, mas estamos aí.

 

P/1 – E ela, qual é a profissão dela? Ela faz o quê?

 

R – Ela trabalha com bijuterias, tipo pérolas para uns cordões de madame, "esses barato".

 

P/1 – E é uma fábrica isso, Duim?

 

R – É uma fábrica.

 

P/1 – Lá na Ilha mesmo?

 

R – Lá na Ilha mesmo, lá na Estrada do Galeão.

 

P/1 – E a escola? Você chegou a ir à escola lá na Ilha, como é que era?

 

R – Ah, fui para escola, não tinha muito essa de quando acordava não querer ir porque eu sempre gostei de ir para a escola. Mas passado uns tempos, assim, a rua já me atraía mais que a escola, aí comecei a matar aula, "essas paradas".

 

P/1 – Você estudou até que ano?

 

R – Estudei até a sexta série.

 

P/1 – Aí nunca mais voltou? Já voltou e parou?

 

R – Voltei, mas aí parei de novo. A noite é cansativa, a gente trabalha, chegava tarde, tinha que ir para escola, "pô", para acordar no dia seguinte para trabalhar é...

 

P/1 – Puxadão, né?

 

R – É, muito puxado. Parei, só fiquei mesmo com o meu trabalho.

 

P/1 – Mas nunca é tarde, né?, [risos]. De repente, se tiver uma chance de voltar, pelo menos acabar o segundo grau seria legal, né? E trabalho, qual foi o teu primeiro trabalho de você ganhar grana, onde é que foi, como é que foi?

 

R – Meu trabalho foi lá na Ilha mesmo, lá na Estrada do Ademir, foi uma fábrica de vinho.

 

P/1 – Você fazia o que?

 

R – Eu tirava os rótulos das garrafas que chegavam, as garrafas velhas que chegavam a gente tirava o rótulo para colocar o símbolo novo da firma. 

 

P/1 – Mas era esquema de fábrica mesmo?

 

R – Era sistema de fábrica, dali a gente tirava o rótulo, já ia para uma outra lavagem, aí engarrafava e botava o rótulo.

 

P/1 – Quantos anos você tinha?

 

R – Eu não lembro quantos anos eu tinha.

 

P/1 – Mas aí você estudava ainda nessa época?

 

R – Nessa época? Não.

 

P/1 – Não? E depois, quando você saiu de lá, foi trabalhar em outra...

 

R – Aí depois que eu saí de lá, fiquei só fazendo bico mesmo com meu avô, trabalhava muito, ele é pedreiro.

 

P/1 – Ah, é? Avô por parte de mãe ou por parte de pai?

 

R – Por parte de pai.

 

P/1 – Parte de pai. 

 

R – Isso, eu trabalhava com ele, era ajudante dele desde pequeno. Eu já ia para obra com ele também, ele me levava. 

 

P/1 – E era legal essa convivência com o teu avô? Como é que era?

 

R – Era porque, poxa, tinha vez que ele me dava dinheiro, eu ia comprar umas coisinhas para mim e eu aprendi coisas também de pedreiro. Só não faço porque, sei lá, não me interessei para fazer, mas eu sei algumas coisas.

 

P/1 – Você pode construir uma casa [risos]?

 

R – Construir uma casa é difícil, mas não é impossível, né?

 

P/1 – Agora Duim, conta um pouquinho,como é que se deu primeiro a tua vinda para o Morro dos Prazeres ou esse interesse por grafite?

 

R – Se eu contar o porque que eu vim para cá, a história é longa.

 

P/1 – É?   

 

R – É uma história longa e vai ficar ruim para mim se eu contar.

 

P/1 – Entendi. Então, como é que se deu a história do grafite? Você ficava ligado nessas coisas já na rua, você olhava, como que é isso?

 

R – A primeira vez que eu olhei, fiquei um tempo sem ir na Ilha. Aí, do primeiro ___, que parei, passei no ônibus, aí vi eles fazendo mas eu não sabia que aquilo era grafite. 

 

P/1 – Você viu eles fazendo dentro do ônibus?

 

R – Não.

 

P/1 – Não, você estava no ônibus. Ah tá.

 

R – É, eu vi eles fazendo na rua, na parede, mas eu não sabia que aquilo era grafite. Aí, pô, passado um tempo, ver esse __________, eu lembrei logo daquela parada que eles falavam que fazia desenho na parede. Será que aquilo que eu fiz?....Aí veio o curso, eu fiz, me destaquei no curso e hoje estou aí, vou ajudar a dar aula aí no Morro aí para galera.

 

P/1 – O que é grafite para você?

 

R – Para mim grafite é uma forma de se expressar porque você pode botar numa parede e mostrar várias coisas. Tipo, tem crítica, várias coisas que você mostra ali.

 

P/1 – E como é que você soube deste curso aqui?

 

R – Eu soube porque o Denílson sabia que eu desenhava tudo para a Quadrilha do Morro aí, caipira.

 

P/1 – Ah, então conta um pouquinho. Você desenhava o quê?

 

R – Desenhava vestido para as garotas, até hoje mesmo eu enfeito ainda, faço sombrinha, enfeite de vestido, cesta...

 

P/1 – Mas como assim?  

 

R – Eu desenho, poxa, vem o vestido, aí eu complemento com pérola, esses negócio.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – Bola quente.

 

P/1 – E aonde é que você aprendeu essas coisas?

 

R – Eu gosto muito de carnaval, todo ano eu saio de fantasia, mas tipo bloco, não é escola de samba como é lá na Ilha, agora eu já estou aprendendo a enfeitar as paradas assim. Daí todo ano eu sou chamado para enfeitar essas paradas aí, ganho um dinheirinho por fora.

 

P/1 – Isso em festa junina?

 

R – É, festa junina.

 

P/1 – Que legal. Mas, quer dizer, quando é que você sacou que você tinha esse lance manual de se expressar através ou de um adereço, de fantasia ou através de uma pintura, de um desenho? Como é que você sacou isso?

 

R – Como é que eu saquei se eu...Poxa, não sei.

 

P/1 – Não sabe?

 

R – Não sei,porque isso aí já vem desde pequeno.

 

P/1 – Mas você desenhava em papel?

 

R – É, em papel.

 

P/1 – Com lápis, lápis de cor?

 

R – Isso. Só com lápis.

 

P/1 – Lápis preto?

 

R – É.

 

P/1 – Qual era a sua referência de desenho? Você usava uma revista, você vê o que?

 

R - Fazia muitas cópias.

 

P/1 - De que? De alguma revista da época, o que você lembra?

 

R - Tipo revista em quadrinho mesmo, Super Amigos, essas revistinhas assim. Não gostava de muito desenho simples, que era Turma Mônica; gostava de Super Amigos, mais difíceis assim. Aí eu copiava bastante, até que chega um tempo que você para de copiar e faz de cabeça, ele vem só de cabeça mesmo, é mais difícil, é mais forçado, mas você consegue. Fiz um curso também em Bom Sucesso no Senac [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial].

 

P/1 - Ah, você fez Senac. De que, de desenho?

 

R - Desenho. Dois meses de curso, só o básico.

 

P/1 - E foi legal? Foi bom?

 

R - Foi muito bom. Pô, tinha a galera, não precisava estar lá, desenhava muito bem, o professor via que eu já sabia desenhar  bastante, ele nem me dava muita...

 

P/1 - Atenção [risos].

 

R - Atenção.

 

P/1 - Você ficava até puto: "Que isso cara? Estou aqui. Vem cá moço, me dá uma atenção,fala aqui de mim". Mas não dava, né?

 

R - Não dava atenção nenhuma. Eu falei: "Que é isso?".

 

P/1 - Você querendo atenção e o cara ___ na atenção.

 

R - Aí teve outros cursos também...financeira, ajuda financeira. A minha mãe já não podia mais bancar porque eu também não estava trabalhando e a gente morava de aluguel na época, aí já não deu para eu continuar porque eu queria fazer mesmo é no (Roberg?), mais de um ano de curso no (Roberg?)  fica muito puxado, 70 reais por mês. Mas para mim, se eu continuasse, ia ser uma boa porque eu ia aprender muito mais do que eu já sei.

 

P/1 - E aí, esse curso de grafite aqui no Morro dos Prazeres, quando é que você começou, quem era o teu professor, conta um pouco como é que era. Foi o primeiro curso?

 

R - Foi o primeiro curso aqui no Morro, esse curso de grafite. O primeiro professor que entrou na sala para dar aula foi o Nade, depois veio vários: o Fábio, o Ema, o Eco, o Acuma, Aerá conhecido como "Crespo", vários grafiteiros; Braga... Mas meu primeiro professor mesmo foi o Nade.

 

P/1 - E quando ele entrava em sala de aula, o que que ele falava? O que ele tentava transmitir?  Como que era um grafite, qual que era a importância daquele curso?

 

R - Ele tentava passar para gente que grafite era uma coisa que já vinha do passado, tipo essas pinturas que os homens das cavernas já faziam, riscavam nas paredes, agora é que foi evoluindo bastante. Ele falava que aquilo ali era um meio de vida também, que tem muitos que vivem daquilo hoje, sobrevivem disso. Minha meta também é chegar nesse objetivo aí. 

 

P/1 - Mas como é que você vê a situação do grafite no Brasil? É ilegal aqui, né? É proibido, não é?

 

R - Pô, isso é proibido, quem não é registrado.

 

P/1 - Por exemplo, os grafiteiros, vocês têm organizações? Existe uma organização? Você tem um grupo, né?

 

R - Tenho um grupo.

 

P/1 - Como é o nome do teu grupo?

 

R - Meu grupo é o Fuga, significa Formação Urbana de Guerrilha Artística. Tem várias outras Crew, isso se dá o nome de Crew,  grupo.

 

P/1 - E por que que esse nome, Fuga? Vocês é que bolaram?

 

R - Fuga foi meu professor mesmo que deu para gente, mas o logotipo quem fez foi o outro colega meu, o Diogo.

 

P/1 - E qual é o logotipo? Como que é o desenho?

 

R -  Era um triângulo com três setinhas, tipo, três correndo, cada um para um lado. Aí se deu esse nome, Fuga.

 

P/1 - Onde é que você mostra os seus grafites?

 

R - A gente fica aí na secura total para achar uma parede. Se ver uma parede branca, a gente cai dentro. Sai final de semana para procurar, se a gente ver e for liberada a parede, a gente faz.

 

P/1 - Faz parte.

 

R - Tem vez que mete bronca mesmo, se chegar a gente apaga, se ninguém interferir, a gente já faz. Se não interferir porque está lá registrado.

 

P/1 - Pois é. Você tem desenhos porque hoje, pelo menos aqui no Rio, a gente associa muito à ideia de grafite com uma coisa, assim, meia suja na cidade, porque ela está toda cheia de um….quer dizer, no fundo não é o grafite. Aqueles ___.

 

R - _____.

 

P/1 - Umas pichações e tal.

 

R - Pô, muitos desses grafiteiros hoje aí já foi pichador, eu mesmo já pichei muito na minha vida, mas hoje não sinto vontade nenhuma de pichar; sou mais de chegar e comprar uma latinha e meter um desenho ali, escrever uma frase.

 

P/1 - Mas qual é a diferença entre pichação e ser grafiteiro?

 

R - A diferença é que piche,  você está ali escrevendo o seu apelido,você vai ficar conhecido também, mas o grafite, você está fazendo o seu apelido mas em forma de desenho. Tem muita policia, tipo assim,  se fosse um piche, eles parariam a gente, levavam até em cana e tudo. Agora, como é uma arte, eles só passam, olham, mas passam batido.

 

P/1 - Mas ainda rola esse movimento de ir para jogadas, até escondido. Você faz auto-desenhos e para fazer um desenho como esse precisa de tempo, calma. Você faz num dia só?

 

R - Tem desenhos...

 

P/1 - Tem que ser rápido? Como que é?

 

R - Não. Tem desenhos, num lugar liberado para a gente fazer, leva até dois dias para terminar: faz uma parte hoje, volta no dia seguinte, aí termina. Agora, tem desenho que não, que a gente está assim: "Vamos sair, vamos fazer uma coisinha". A gente faz uma brincadeirinha só e acaba no mesmo dia, em até umas quatro horas a gente acaba.

 

P/1 - Qual é um desenho, grafite, que você fez que mais te marcou?

 

R - Que mais me marcou? Foi esse rosto aí. Tentei fazer o rosto da minha esposa, mas não saiu idêntico, mas quem chega lá, olha e fala: "Sua esposa?". Esse rosto que mais me marcou.

 

P/1 - Por que?

 

R -  Eu estava começando a fazer, "pô". Primeiro eu fiz o olho, depois que eu vi que eu fiz o olho, fiquei:  "Caramba, agora eu vou ter que fazer tudo".  Aí consegui fazer o rosto, daí para frente não parei mais.

 

P/1 - Esse olho aí é sensacional, né? 

 

R - Esse, olha aí.

 

P/1 - Porque é forte, né?

 

R - É, é expressivo.

 

P/1 - E você usa cores?

 

R - Nesse rosto eu só estava com o cinza, o preto, um restinho de amarelo e o branco.

 

P/1 - Mas, geralmente, qual é a cor que você mais usa?

 

R - A cor que eu mais uso? Varia.  Eu comecei com isso aí, cinza, preto e branco. Depois já comecei com verde claro, verde escuro, uns tons claros, outros escuros, vai variando.

 

P/1 - E qual é a sua marca? Você tem um traço? Vamos supor que você não assine um trabalho seu, as pessoas já te reconhecem um pouco pelo teu traço ou não? Isso no grafite, acontece?

 

R - Acontece.

 

P/1 - É?

 

R - Acontece que a gente vê na rua vários grafites, que se você olhar só para o desenho, já conhece o traço da pessoa.

 

P/1 - Você tem um traço também?

 

R - Ainda não. Só se eu colocar o meu apelido ali embaixo mesmo.

 

P/1 - Mas, você tem alguma coisa que tenta sempre repetir nos seus grafites ou uma cor, um estilo, um personagem ?

 

R - Eu tenho um personagem que eu estou fazendo direto, está até na quadra do morro.

 

P/1 - Qual é?

 

R - Um rostinho bochechudinho, um sorriso, um olho aberto e o outro piscando, esse é o meu personagem.

 

P/1 - E qual foi a ideia desse personagem? Quem é esse personagem para você?

 

R - Isso aí eu criei.

 

P/1 - Tem nome?

 

R - Não.

 

P/1 - Não?

 

R - Não tem nome.

 

P/1 - Mas, qual foi a inspiração, vem da onde você acha?

 

R - A inspiração foi na hora ali mesmo porque estava tendo evento, estava com a latinha, fui com uma cor só, com o verde, veio na mente aquele olho aberto e outro piscando. Aí fiz lá, ___ gostaram, tiraram várias fotos.

 

P/1 - Você pensa muito antes de fazer um grafite? Vamos supor, dizem: "Bom, vai rolar amanhã, tem uma parede legal, vamos lá grafitar.". Você já sai com isso pensado? Quer dizer, o grafite é um movimento assim ou é uma inspiração que é naquela hora? Como que é isso, por que a gente não sabe, né? 

 

R - Muitas das vezes a gente já sai com um pensamento: "Vou fazer isso". Outros: "vou fazer aquilo.". Então, a gente junta tudo, faz um painel e muitas vezes, tu já tem um desenho em casa, aí já vai copiando aquele desenho,você bota na parede. Muitas das vezes é de cabeça mesmo. 

 

P/1 - Mas com você acontece na maior parte das vezes?

 

R - Comigo agora, está acontecendo de eu fazer de cabeça mesmo.

 

P/1 - Cheio de inspiração.

 

R - É, nada de folha, nem nada. Eu tenho vários desenhos em casa, mas para mim é só de cabeça mesmo.

 

P/1 - O grafite é um lance que chama atenção, né?. É uma coisa grande, é colorida, o que que significa isso para você? Quer dizer, chamar atenção porque é um espaço público, vocês picham, grafitam. É grafitam, né?

 

R - É.

 

P/1 - Em espaços públicos, né? Quer dizer, é uma arte que está ali, todo mundo pode ver, o que significa isso para você, porque não é mais quando é o curso do Senac, que você estava lá e só o teu professor via. Você está num espaço público.

 

R - Isso aí é a mesma coisa de você querer ser reconhecido, você expressa seu pensamento, quer ser reconhecido com o seu desenho.

 

P/1 - Alguma vez aconteceu alguma coisa  na tua vida pessoal, na cidade, que você tenha pensando assim: "Ah, eu gostaria de retratar isso num grafite"? Ou não? Geralmente, seus grafites são mais ornamentais ou eles retratam situações empíricas, verdadeiras?

 

R - Ah, o último que eu fiz foi uma crítica, esse que está no Guimarães, fiz um pretinho com uma touca na cabeça,com algemas nas mãos e coloquei uma frase do lado: "As autoridades às vezes se deixam enganar pelas aparências", porque era um neguinho com uma camisa listrada de presidiário. Pô, muito dali tento criticar, esse que está aqui é tipo um drogado com baba na boca.

 

P/1 - E esse está aonde? [o Duim está mostrando um artigo de jornal onde diz: "Os meninos da Fuga Crew Grafite com cunho social para embelezar os muros do bairro"]. Que situação foi essa? Qual era o evento, você lembra?

 

R -  Esse desenho eu já tinha em casa.

 

P/1 - Sei.

 

R - E o outro eu tinha, mas sendo que eu complementei, né? Coloquei algema.

 

P/1 - Ah, entendi. 

 

R - Uma camisa listrada de presidiário.

 

P/1 - E esse aqui está aonde, esse que está no jornal?

 

R - Esse aí está lá também, no Guimarães.

 

P/1 - No Largo dos Guimarães?

 

R - É, no mesmo muro em que está o presidiário.

 

P/1 - E esse muro era um muro que... [risos].

 

R - Esse muro aqui, quando a gente chegou já tinham dois grafites nele, nós tínhamos o maior pedaço de muro, uns 10,5 metros de muro. Aí a gente: "Pô, vamos pegar também. Os malucos fizeram e não apagaram, já está uma semana aqui, o grafite dele, vamos fazer também!". Aí fizemos num muro de um prédio. A gente fez, ninguém falou nada, só uma mulher que promoveu evento aqui, que foi dar um toque na gente porque não podia, que é bairro histórico, tombado.

 

P/1 - Ah, Santa Teresa.

 

R - É, Santa Teresa, bairro tombado. Mas mesmo assim  a gente continuou, os idosos também quando passavam, elogiavam a gente, eles falavam: "Pô, isso aí. Está vendo? Vocês estão desenhando aí, tem muita gente que está aí pichando, sujando as casas". Pagaram refrigerante para gente, tudo.

 

P/1 - Você já teve caso de trabalhos teus legais, passarem tinta em cima? Você passar lá depois de um tempo e ver que o teu trabalho desapareceu?

 

R - Não, ainda não. Já aconteceu com vários aí, mas comigo ainda não aconteceu.

 

P/1 - Você hoje, como referência do teu trabalho, tem esses no Largo do Guimarães, aqui na entrada do Morro dos Prazeres, do lado esquerdo também tem um desenho teu...Quando a gente sobe para cá, aqui na quadra também tem?

 

R - Na quadra aqui também tem, na Ilha tem, na Presidente Vargas.

 

P/1 - Ah, é? Que altura da Avenida Presidente Vargas?

 

R - Tipo ali, perto dos Correios.

 

P/1 - Lá? 

 

R - É.

 

P/1 - Praça Onze, por ali, Sambódromo.

 

R - É, antes do Sambódromo, para lá um pouquinho.

 

P/1 - Na própria Presidente Vargas?

 

R - Do lado onde tem aqueles outdoor embaixo.

 

P/1 - Quer dizer, passa o Zumbi?

 

R - É, passa o Zumbi.

 

P/1 - Passa o Zumbi...

 

R - Passa a apoteose.

 

P/1 - Apoteose, sei.

 

R - Logo ali mesmo.

 

P/1 - Ainda está lá?

 

R - Está lá ainda.

 

P/1 - E por que lá? 

 

R - Porque “geral” do Rio que grafita coloca ali, passa muita gente por dia.

 

P/1 - Entrada e saída da cidade, né?

 

R - É, entrada, um ponto principal da cidade que passa várias pessoas e “geral” vê mesmo.

 

P/1 - E qual é a diferença entre grafitar na Presidente Vargas e aqui no Morro dos Prazeres?

 

R - A diferença é que lá embaixo você está mostrando mais o seu trabalho, aqui no Morro não, você só vai mostrar mesmo para a comunidade. Lá embaixo você já mostra para várias pessoas, muitas pessoas falam, pedem telefone, tudo, para entrar em contato. Agora, aqui no Morro não, você faz por fazer mesmo.

 

P/1 - Mas por que você faz aqui?

 

R - Aqui, eu gosto de fazer porque muita vezes a gente não tem dinheiro para descer para Tijuca, Madureira, fazer também os trabalhos lá. Aí a gente vê que tem uma parede, espalha aqui no Morro, já está em casa mesmo. 

 

P/1 - Já aconteceu de alguém ver teu trabalho e te contratar? Você já foi contratado para fazer um grafite? Em qual situação Duim?

 

R - Meu colega John, que grafita comigo.

 

P/1 - John é o nome dele?

 

R - É, recebeu uma proposta para a gente ir lá para Friburgo, conhecimento da mãe dele. A gente foi, fez um trabalho na instituição de pessoas drogadas e estamos esperando a resposta agora, se vai aceitar mais trabalho.

 

P/1 - Que tipo de trabalho vocês fizeram lá?

 

R - Para incentivar a galera, que não tem nada para fazer, está dependente das drogas lá.

 

P/1 - Mas é uma clínica?

 

R - É, clínica.

 

P/1 - Se limpar.

 

R - Isso, a gente foi lá mostrar um pouco porque lá não tem isso de grafite e a maioria se interessou para fazer, perguntou se tinha cursos e tudo. A  gente falou só por aqui mesmo que tinha esses cursos, São Gonçalo, no Rio.

 

P/1 - E você acha que o grafite é o meio pelo qual, por exemplo, para um garoto desses que está internado, é um meio pelo qual ele pode desencanar um pouco,  concentrar energia dele numa coisa? O que pode significar o grafite para ele?

 

R - Isso que a gente tenta passar para as pessoas aí, para os adolescentes, eu mesmo já me envolvi com outras paradas, mas nunca consumi.

 

P/1 - Então, você acha que o grafite pode ser um meio para ajudar jovens a sair dessas coisas? Mas por quê? Eu quero entender por que você acha que o envolvimento com esse tipo de arte pode ajudar.

 

R - Isso ajuda porque tira muitas crianças das ruas. Hoje em dia mesmo no Morro  tinha vários moleques que estavam com a gente no curso, hoje estão aí roubando na rua porque falta incentivo porque o curso acabou, ninguém soube mais quando ia voltar, aí abandonaram. Mas muitos aí já se envolveram com essas parada, hoje está aí, ganhando a vida com isso. A gente tenta passar isso para eles, isso aqui é uma arte, faz a sua arte, ninguém briga com você, está ali fazendo o que você gosta.

 

P/1 - Você acha que tem preconceito em relação a essa arte?

 

R - Preconceito existe em todas as artes, grafite tem muita gente que não gosta, você impressiona muita gente e outras você “impressiona nada”. Muita gente chega já com uma piadinha, mas fingimos que não escutamos , deixa o barco correr no meio.

 

P/1 - Mas você acha que a crítica, o preconceito vem por quê? É pela estética, pelas pessoas que fazem, por que que você acha que tem o preconceito?

 

R - Preconceito é devido o personagem que você faz. Esse aqui que eu fiz drogado, eu botei do lado o que significava, uma mensagem. Teve pessoas que passaram, jogaram as letrinhas:  “Não sei o que, está bonito, mas não sei o que, sei lá.”.

 

P/1 - Mas um grafite necessariamente tem que haver uma mensagem escrita?

 

R - Muitas das vezes tem. 

 

P/1 - Por que Duim?

 

R - Vai da pessoa, uns querem fazer algo para chamar atenção, com aquela mensagem você passa isso para as pessoas.

 

P/1 - Pois é, porque eu acho que existem dois tipos. Por exemplo, esse desenho que você fez da sua mulher, ele não precisa de mensagem, de nada.

 

R - Esse aí não teve mensagem. 

 

P/1 - ___ [risos].

 

R - É.

 

P/1 - É, mas porque ele é forte, né?, quer dizer, qualquer um que veja vai interpretar a tua história. É forte porque ele é um rosto de uma mulher, mas é tão estilizado, tem um olho tão forte, em amarelo, muito forte.

 

R - O brilho, né?

 

P/1 - O brilho e o traço do nariz, bocão.

 

R - De lado, ombro assim.

 

P/1 - Quer dizer, isso é um grafite?

 

R - Isso aí é um grafite.

 

P/1 - E ao mesmo tempo você tem esse drogado que quem vê pode interpretar dos dois jeitos, como se você estivesse fazendo uma apologia ao drogado ou ____. 

 

R - É, apologia.                                                          

 

P/1 - Você está entendendo? Mas a tua turma, geralmente vocês fazem, escrevem ou existe essa linha?

 

R - Tem gente que escreve e tem gente que não escreve. Mas eu mesmo só estou fazendo desenho, tipo crítica mesmo, meus outros dois colegas já não escrevem. 

 

P/1 - Por que você acha que o grafite é um meio pelo qual você pode criticar coisas que você gostaria de criticar?

 

R - Isso, crítico mesmo. Quando a gente estava fazendo esse grafite ali, na Rua da Carioca, estava passando um “negão” com um saco de lixo nas costas. “Pô”, os policiais pararam o cara, tipo cena de filme, saíram do carro assim, mandaram encostar na parede. Isso aí eu achei um preconceito porque o cara era “negão”, não estava levando nada dentro do saco. Aí eu tento passar “essas paradas” aí.

 

P/1 - Você já desenhou essa situação?

 

R -  Eu fiz esse aqui, esse pretinho.

 

P/1 - Ah, entendi.

 

R - Algemado, com a toca e aí escrevi a mensagem. Para esse aqui, para esse drogado também tinha uma mensagem, só que na hora eu não escrevi.

 

P/1 - Esse que está no jornal, que está no Largo dos Guimarães, né? Vocês datam, você põe data?

 

R - Data? Não, só coloca o ano mesmo.

 

P/1 - Pois é. Estou vendo um final 02 é porque é 2002.

 

R - É, 2002.

 

P/1 - E você diria, mulheres grafitam?

 

R - “Pô”, no evento que teve de portas abertas no Morro, tinham umas garotas  que fizeram uns desenhos, mas eu até hoje eu não vi não. Foram só duas mesmo que eu vi fazendo uns desenhos, mas não como os rapazes fazem.

 

P/1 - Por que você acha? O que você acha disso?

 

R - “Pô”, o que que eu acho? Como assim?

 

P/1 - Assim, por que a maior parte das vezes a gente vê homens grafitando, mas, quer dizer...

 

R - Mulher.

 

P/1 - Mulher. O que você acha, por que  a mulher se envolve pouco com grafite? Será que é porque tem rua, é corrido, é proibido, por que que você acha?

 

R - Não sei porque. Também porque o homem, eu acho que tem mais facilidade.

 

P/1 - De que?

 

R - Sei lá. Não sei porque até hoje só chegou uma garota para mim querendo aprender [pequena interrupção].

 

P/1 - Bom, então já que a gente está falando de mulher, você falou das mulheres grafiteiras, como é que a sua mulher vê o seu trabalho?

 

R - Ela acha interessante.

 

P/1 - Qual é o nome dela?

 

R -  Graciane Messias.

 

P/1 - O que que ela acha disso?

 

R - Ela acha interessante, sendo que ela espera mais disso porque, tipo, eu saio, só volto à noite. Tem vezes que eu dou “um fora e tudo”, aí ela espera, tipo, que eu ganhe um dinheiro com isso também. 

 

P/1 - Ela dá força?

 

R - Dá força, ela não fala nada não. Dá força para eu fazer mesmo.

 

P/1 - Mas aí, por exemplo, quando rola uma grana,  você vai, pega, gasta comprando material e isso dá briga?

 

R - Não, não. Eu chego junto também com ela, também dou umas merrequinhas. Eu gosto de ver a minha esposa feliz, dou um dinheiro para ela comprar uma roupinha, “essas paradas” de mulher aí.

 

P/1 - E vocês estão casados há quanto tempo, vocês vivem juntos há quanto tempo?

 

R - Ah, a gente namorou, acho que foram dois anos, casamos tem um ano e quatro meses.

 

P/1 - Casou no civil?

 

R - É, no civil. Aí estamos morando eu, ela e minha mãe.

 

P/1 - Vocês moram na mesma casa?

 

R - É, na mesma casa. Casinha pequena porque a gente botou até a casa à venda para poder dar entrada numa casa maior.

 

P/1 - Aqui mesmo?

 

R - É, aqui mesmo.

 

P/1 - O que é para você, aqui, o Morro dos Prazeres?

 

R - O que é para mim?

 

P/1 - Qual o significado do Morro dos Prazeres para você?

 

R - Poxa cara, onde eu morava não tinha nada disso, desses cursos, “dessas paradas que rolam aqui”. O povo aqui tem muita oportunidade de curso, de crescer com isso, aqui eu tenho mais, saio mais e tudo, eu consigo mais coisa porque lá onde eu morava não tinha nada disso, era só baile mesmo e casa, não tinha nada  para se ocupar.

 

P/1 - E a sua mulher trabalha fora?

 

R - A minha mulher, atualmente está trabalhando, começou a trabalhar numa sala de computação, o que ela faz lá? Faz faxina, limpa mesa, carpete, “essas paradas” assim.

 

P/1 - Aqui perto?

 

R - Lá em Botafogo.

 

P/1 - Não é tão longe.

 

R - É.

 

P/1 - E Duim, o que você acha dessa vista que a gente tem aqui do Morro dos Prazeres [risos]? Você, como artista, diz que:  “vista maravilhosa essa que a gente tem da cidade aqui”?

 

R - Essa vista aqui acho que não vi em lugar nenhum, é a melhor que tem, porque tem muito turista que vem para cá, passa aí final de semana, 12, 10 caminhãozinhos cheio de turista, de vans. Isso, para mim, jamais imaginava uma visão dessa, de ver onde eu morava porque daqui dá para ver a Ilha, Caxias, tudo. 

 

P/1 - Mas quando você morava na Ilha, você ouvia falar do Morro dos Prazeres?

 

R - Não, nunca tinha ouvido falar. Já tinha ouvido falar de Santa Teresa, mas do Morro mesmo, não.

 

P/1 - Tem outra pessoa da família de vocês que morava aqui?

 

R - Tem, a minha tia Vera. 

 

P/1 - Quem é? A irmã Vera?

 

R - Não é irmã Vera, ___ lá de cima mesmo.

 

P/1 - Vera é o nome dela?

 

R - É, Rita Vera. Ela que chamou a minha mãe para morar aqui porque tinha uma casinha, a gente veio, tranquilo, estamos até hoje. 

 

P/1 - Você sabe que aqui é um Morro que tinha uma presença muito grande de pessoas de Minas Gerais. Você acha que a tua família tem um pouco dessa história? Antes da sua tia morar aqui, já morava alguém mais da sua família? Você saberia sobre isso Duim?

 

R - Não, eu acho que não morava ninguém além da minha tia, da família não morava.

 

P/1 - Não? Por que a tua mãe é mineira?

 

R - Minha mãe é mineira, a família dela é toda de lá mesmo.

 

P/1 - Mas você não saberia dizer, por exemplo, seus avós de Minas Gerais, eles chegaram a morar aqui?

 

R - Não, meu avô faleceu há uns dois anos.

 

P/1 - Que morava aonde?

 

R - Morava em Minas, nunca veio para cá. Minha avó também nunca veio para cá.

 

P/1 - Você conhecia teus avós?

 

R - Conheci meu avô atual, porque a minha avó já faleceu há muito tempo atrás. Eu nem cheguei a conhecer. Conheci a atual agora, era mãe da minha mãe.

 

P/1 - E essa era a segunda esposa do teu avô?

 

R - É, essa agora é a segunda esposa dele.

 

P/1 - E sobre o Casarão, quando veio morar aqui, como é que era esse Casarão?

 

R - Caramba!. Era abandonado, eu nunca tinha entrado aqui, é a segunda vez que eu entro. O tempo todo que eu moro, seis anos, segunda vez que eu entro aqui. Eu vi ele aí, abandonado, as crianças brincavam de pique-esconde, subiam em cima das telhas, tudo.

 

P/1 - Nunca deu vontade de grafitar aqui?

 

R - Não.

 

P/1 - Pô, estava abandonado.

 

R - É porque na época ainda não tinha “essa paradas” aí, de grafite.

 

P/1 - Quando é que a gente pode dizer que nasceu o Duim grafiteiro?                      

         

R - Como nasceu?

 

P/1 - E quando?

 

R - Há pouco tempo, que até já confundiram meus desenhos com garotos melhores que eu, que moram lá em São Gonçalo. Já olharam para os meus desenhos, já falaram, perguntaram se foi o Acuma, que para mim é o melhor que tem.

 

P/1 - Como é o nome dele?

 

R - Acuma.

 

P/1 - Acuma?

 

R - É, o apelido dele é Acuma, aí confundiram.

 

P/1 - Que legal, hein? Que orgulho, hein? [risos].

 

R - Pô, que é isso! Nem eu acreditei, pouco tempo isso.

 

P/1 - Mas o que é pouco tempo? Um ano, dois anos?

 

R - Não, pouco tempo mesmo, dois meses atrás. Outro grafiteiro que olhou assim: "Caramba, esse desenho lembra o Acuma, não sei o que". Aí ele veio, bati de frente com ele, falou comigo e saiu: "Pô, que belo, meu irmão!". 

 

P/1 - Mas qual o grafite que você considera seu primeiro grafite assinado Duim? Que você fala: "Bom, eu comecei com esse desenho".

 

R - Caramba!. Aí que pegou porque foram vários, eu fiz vários. Foi um que eu fiz no Bairro da Equitativa. Embaixo na garagem, eu fiz meu perfil sentado, triste com a latinha na mão, descalço, aí eu assinei Duim. Aquele ali foi o primeiro que eu coloquei Duim, registrei.

 

P/1 - E por que que você estava triste no grafite? 

 

R - Porque era um coisa simples, tinha acabado a tinta da lata, aí eu coloquei uma fisionomia triste.

 

P/1 - E está lá ainda?

 

R - Está lá ainda.

 

P/1 - E Duim, vamos lá fotografar.

 

R - Vamos [risos].

 

P/1 -  Bom, você gostaria de colocar mais alguma coisa? Hoje você trabalha, não trabalha? Você vai ser monitor desse projeto? Fala um pouquinho desse projeto que vocês vão organizar agora.

 

R - Me deram essa oportunidade porque me destaquei aqui no Morro. Aí me deram essa oportunidade para ajudar o Nate com a galera.

 

P/1 - E agora tem um compromisso toda segunda, quarta e sexta às 18:00, é isso? 

 

R - É isso, das 18:00 às 20:00, segunda, quarta e sexta. 

 

P/1 - E o que você acha, qual é o seu gol neste curso? Qual é o seu desafio?

 

R - Desafio?. Meu desafio é eu já poder dar outras aulas. Tipo, quando a galera estiver afim, eu dou outras aulas sozinho e é isso.

 

P/1 - Então, para encerrar. Como é que você daria uma aula inaugural de grafite? O que você falaria no começo?

 

R - No começo?

 

P/1 - Vamos supor que você não esteja substituindo ninguém, você começa um curso hoje, o que você começa dizendo para galera?

 

R - Tipo, se fosse minha a aula?

 

P/1 - Tua aula.

 

R -  Várias coisas iriam ser ditas, falar meu apelido que é Duim, chegar e falar: "Oh, estou aqui para ensinar vocês, eu não sabia nada. Isso aqui vai com o tempo, vocês se esforçam, vocês conseguem. Quem tiver afim de aprender, chega junto e vai aprender como eu. Muitos outros que não sabiam nada, estão aí hoje ganhando o seu dinheirinho". É isso.

 

P/1 - Então, super obrigado pela entrevista, está bom? Obrigada.

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