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História

Cris Marcorim: o legado da Wilson Roupas

História de: Cristiane Silvestre Costa Marcorin
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/03/2021

Sinopse

Identificação. Fala sobre os avós de origem italiana. A família em Agudos, interior de São Paulo. A vinda para Bauru e as lembranças de infância. A Wilson Roupas Infantis.  A primeira loja, a Cris Moda Feminina e a segunda, uma loja de moda praia. A Wilson Roupas, loja de rua e shopping. O pai, um grande exemplo. Namoro e casamento. As dificuldades trazidas pela pandemia do novo coronavírus.

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História completa

          Meu nome completo é Cristiane Silvestre Costa Marcorin. Eu nasci no dia 4 de setembro de 1968, em Bauru. Wilson Costa e Marilda Silvestre Costa são os meus pais. Minha avó materna é Natália. E o meu avô, Atílio. E paterno: Joaquim e Helena. Um italiano, o outro português. Imagina que mistura boa que deu! Eu tenho um irmão que se chama Ricardo. Eu sou a mais velha, ele é o do meio, e tem o Fábio. A gente, os mais novos, até a minha mãe, somos todos bauruenses. Mas meu vô Atílio veio da Itália pequenininho pra morar em Agudos. Eles foram trabalhar na roça, nas fazendas. Da outra parte, a bisavó morava em Cafelândia.

          Bauru era pequenininha naquela época. Eu acho que foi nos Altos da Cidade que eu nasci. Eu brincava na rua e gostava de patinar. Tinha um clube perto de casa que era de patinação. A gente ia muito lá, a vizinhança inteira. Eu morei a minha vida inteira no mesmo lugar. Depois que eu casei, daí eu mudei de lugar. Mas eu lembro bem do centro, onde é a rua do comércio. Tinha a escola, a igreja... e eu me lembro de ficar na loja no Natal, porque eu ajudava o meu pai - a gente ia dobrar roupa, fazer pacote de presente. E daí a gente andava bastante por lá, porque a minha mãe adorava descer no centro - a minha avó morava lá também. Eu ficava muito na minha avó, porque a minha mãe tinha uma lojinha de criança, que se chamava Wilson Roupas Infantil. Então, ela alugou uma casa bem na frente, pra poder cuidar de nós. Mas ela trabalhava muito, sempre foi de trabalhar, nunca ficou em casa.

          Eu estudei no Colégio São José, mas acabei nem fazendo faculdade. Eu não quis, porque eu já fui ter loja também. Com 15 anos, meu pai me emancipou, e a minha mãe já abriu uma loja pra mim. Aí eu fui trabalhar muito. A loja se chamava Cris Moda Feminina. Eu tive uma na rua, na frente de casa, e tive uma franquia no shopping. Quando o shopping abriu, eu tive uma franquia da Salva Vidas, que era maiô e biquíni. Mas aí não deu certo, porque no inverno não vendia nada. Então o meu pai fechou, e nós abrimos a Wilson no shopping. Foi quando eles foram pra lá. Porque era só no Centro, a princípio. A minha, era uma boutique pequenininha, mas a gente tinha muitos conhecidos por causa do meu pai. Então, a gente vendia. Era tão fácil vender e ganhar dinheiro naquela época!

          A Wilson Roupas vendia muito bem, porque tinha menos lojas naquele tempo. Tinha a Casa Carvalho, que é mais velha, e o meu pai, a Wilson. Só tinha os dois no ramo. Mas o meu pai era antenado na moda, ele tinha bom gosto e comprava as coisas mais lindas que existiam. As marcas melhores eram todas lá. Ele vendia Lacoste, vendia Ona, Jocatenis, um monte de coisa. Só as tops da época.

          Mas antes de ter loja, antes de eu nascer, meu pai era gerente da Renner. Depois, ele teve uma sociedade com um advogado, que era uma loja de esporte. Meu pai entrava com o trabalho, e o homem, com o dinheiro. Só que os filhos do cara mexiam no caixa - meu pai era chato com essas coisas -, e daí ele não quis mais. Então ele foi pra Real Modas, que tinha masculino, feminino, magazine. Mas depois eles repartiram as lojas pra vender: a masculina, a feminina, a infantil. E ele ficou com a masculina pra iniciar sua própria loja.

          Mas no início, era tudo horrível, as roupas eram feias. Aí ele foi comprar as roupas que ele queria vender em São Paulo, no dia 25 de janeiro, só que era feriado. Ele foi com o meu tio, mas não compraram nada, tiveram que vir embora. Foi engraçada essa coisa. E daí o meu pai liquidou tudo o que ele tinha, a roupa feia lá da loja. Foi comprar de novo em São Paulo e só então ele começou a vender mesmo. No primeiro Natal ele ganhou muito dinheiro, e era tudo em grana viva. Eu não me lembro disso, mas a minha mãe lembra que ele jogava os dinheiros e nadava, assim, no dinheiro: “Eu não acredito que eu estou ganhando tanto dinheiro! Maria, olha quanto dinheiro que tem aqui”. E aí deu certo. A vida inteira, ele trabalhou muito. Muito mesmo.

          A loja deu certo, porque meu pai vendia muito bem, ele era um vendedor nato. Ele colocava a fitinha aqui no pescoço, a fita métrica, e trabalhava o dia inteiro. Ele atendia cliente, ia pra fora de Bauru levar roupa e voltava. Atendia em casa também, naquela época. Marcava as roupas, barra, tudo. Daí ele trazia, a costureira arrumava, pois tinha uma oficina em cima da nossa loja. Tinha a Maria, que era costureira, e ela ficava o dia inteiro lá costurando. Não vencia de tanto costurar. E daí ele levava de volta pra casa do cliente. Ele era diferenciado, e por isso ele atendia muito. Acho que no caso da Wilson Roupas, a propaganda era ele. Porque a loja era lotada, e só tinha ele e a Casa Carvalho. E a dele era mais legal, as roupas eram lindas. Tinha cliente que ficava esperando, não queria nem funcionário, era só ele que atendia. E vendia um monte. Era outra época. Não tem nem o que comparar.

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