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História

Crescendo no Brás

História de: Adib Farah Júnior
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2012

Sinopse

Identificação. A infância, dividida entre o futebol com os amigos e o gosto pelos autoramas. As idas à loja de seu pai nos meses de férias escolares, onde tomava conta da porta e, aos 14 anos, auxiliava no estoque de roupas. Relato de como comprou umas das lojas do pai em sociedade com as irmãs, ainda nos tempos que fazia faculdade de Engenharia. As alterações em suas atribuições dentro da loja. As transformações do perfil comercial do bairro do Brás e de seus clientes. O impacto da presença dos vendedores ambulantes.

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História completa

“Nasci na Rua do Gasômetro, mas acho que morei lá por menos de um ano. Depois minha mãe, conseguiu um empréstimo junto ao professorado paulista, que tinha uma linha de crédito para os professores, e aí então meu pai comprou uma casa na Alameda Jaú. A Jaú, na época, não era o valor do metro quadrado que é hoje; ali do lado da Avenida Paulista e tal. Quase sem juros, aquilo era um negócio da China. Hoje seria uma fortuna! Então, na verdade, eu morei toda minha infância ali na Alameda Jaú. A minha mãe trabalhava como professora meio período e ajudava no estoque da firma no outro período. Tinha sempre alguém que ajudava na limpeza da casa, uma empregada. Teve a Marieta, depois teve a Maria Auxiliadora. E a gente estudava ali pelos arredores também. Fim de semana às vezes descia para o Ibirapuera, ia de bicicleta e voltava. Eu e os meus amigos jogávamos futebol ali no parque. Não era permitido jogar na grama, e a gente tinha que ficar esperto com os guardas, porque se eles pegassem a molecada ali, furavam a bola. Minha infância foi mais ou menos assim. A gente tinha um vizinho que tinha autorama, aqueles carrinhos. Até na Rua Augusta tinha um lugar que era especializado. Não sei se ainda existe, mas eles vendiam carenagem, rodas, contato, um monte de coisa assim. Às vezes, quando sobrava um pouquinho da mesada, a gente ia lá de bicicleta e brincava. Tinha a pista e você dava voltas lá com o carrinho. E foi mais assim: bicicleta, futebol, autorama. Nas férias a gente ia para Santos. O meu pai tinha um apartamento alugado na praia do Gonzaga que ele cedia para os funcionários quando se casavam; para a lua de mel dos funcionários. Ou às vezes sorteava para um fim de semana no verão. E, quando o apartamento não estava em uso, a gente ia. Passava quase um mês lá! Tinha um pessoal que a gente conhecia e também era futebol na praia, bicicleta. Mas isso não podia durar para sempre, e eu fui começando a trabalhar também. Quando eram as férias de dezembro, a gente ia de casa até o Brás e ficava pelo menos meio período, porque nessa época de Natal o movimento aumenta bastante. Eu ficava na banca, nas portas. Tomando conta de porta. E depois, com 14 anos, já na adolescência, passei a ir diariamente. Ficava no escritório. Aí tinha que fazer o relatório, bater o caixa, essa parte bem simples. Depois passei para o departamento pessoal, registrar funcionários, até chegar em homologações.Porque a empresa chegou a ter quatro filiais, então tinha contabilidade própria, estoque, essas coisas. E eu era auxiliar de escritório, vamos dizer assim; office-boy também. O que precisasse.”

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