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História

Correr atrás dos objetivos

Sinopse

Nasceu em Irapuã, São Paulo, em 1948. Trabalhou com os pais na lavoura até os 15 anos e depois veio para São Paulo. Trabalhou em um armazém de secos e molhados, foi para exército, onde terminou os estudos, e depois entrou no Pão de Açúcar, em 1970. Foi auxiliar de portaria, encarregado de FLV, frios e laticínios, encarregado de caixas até gerente regional, coordenando 34 lojas do ABC e baixada santista. Cinco filhos.

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História completa

P/? – Ok, só um minuto. Ok, gravando.



P/1 – Boa tarde, Edimirsom. 



R – Boa tarde, Regina.



P/1 – Por favor, diga-nos o teu nome, data e local de nascimento.



R – É Edimirsom Aparecido da Silveira, nascido em Irapuã, 9 do 10 de 1948.



P/1 – E os seus pais, fale um pouco da sua vida pessoal familiar.



R – Meus pais eu diria que eram lavradores. Meu pai é de descendência do norte americano e minha mãe é de descendência brasileira, natural brasileira.   



P/1 – Nome deles?



R – É Eupídio Bruno da Silveira Filho é o nome do meu pai e Mariana Pinheiro da Silveira é o nome da minha mãe. 



P/1 – E um pouco do seu histórico de vida?



R – Eu vim do interior de São Paulo, eu saí de Andradina, onde que eu morava e eu era lavrador junto com os meus pais, trabalhávamos na roça e aos 15 anos, 15 anos e meio eu resolvi vir pra São Paulo, mudar de vida, conhecer outras áreas. Chegando em São Paulo eu fui trabalhar num armazém de secos e molhados na região de São Caetano e posteriormente a isso, fui pro exército, onde fiquei lá por um tempo também e lá cursei o primeiro… Primeiro e segundo grau concluído e aí, daí eu entrei na Companhia Brasileira de Distribuição, o Pão de Açúcar. 



P/1 – Tá, como agricultor, Edimirsom, fale um pouquinho, vocês eram sitiantes, o que é que vocês plantavam?



R – Nós plantávamos arroz, feijão e milho. A região… Nós éramos empregados, chamávamos o interior de meeiro… A gente cultivava e dividia com o patrão, era meio para o patrão e meio para o empregado. E eu trabalho desde os 8 anos de idade, de 8 até 15 anos na lavoura. 



P/1 – E aí a sua vinda para São Paulo, como foi essa mudança radical de agrícola, campo para uma cidade urbana como São Paulo?



R – É, inicialmente existe um grande trauma, que a gente sai de uma situação, eu diria até paupérrima, de uma situação até de sítio, roça e entra numa cidade grande pra mim foi assim uma… Algo… Primeiro, enobrecedor, muito gostoso, muito diferente, sai de uma situação difícil para uma visibilidade, um lugar muito gostoso e emprego. O que eu sentia mais quando eu cheguei em São Paulo é que eu achava que São Paulo ia dar pra mim, se eu corresse atrás dos meus objetivos, do meu ideal, eu conseguiria chegar em muitos pontos que eu sempre almejei.  



P/1 – E nesse período que você chegou você já tinha objetivo e ideal?



R – Na minha cabeça eu vim pra buscar aqui a melhoria de vida que eu não tinha lá. Eu tinha interesse em me desenvolver, conhecer lugares diferentes, conhecer trabalhos diferentes que não fosse na roça, me inteirar do que aqui podia oferecer e aberto para assumir qualquer tipo de coisa. Eu não tinha um objetivo definido, mas tinha uma grande vontade de vencer.  



P/1 – E aí qual foi o seu primeiro trabalho em São Paulo?



R – Eu trabalhei num armazém de secos e molhados, até eu posso lembrar o nome do dono… 



(Música está tocando ao fundo)



P/? – … Só um minutinho, só vamos esperar eles acabarem a música aí você retoma a pergunta, está bom?



P/1 – Tá.



(Troca de fita)



P/? – Tá ok, gravando. 



R – O meu primeiro emprego foi num armazém de secos e molhados do (João Molió?), que era o proprietário, logo em seguida, depois de dois anos e meio, aí eu fui pro exército, onde eu permaneci por um período. Aproveitei essa permanência para fazer o segundo grau, aproveitei essa oportunidade. Depois, saindo do exército, era um mês de outubro, procurando emprego encontrei no jornal: “Pão de Açúcar admite diversas funções.” E me interessei pelo anuncio de jornal, porque no final de ano é difícil uma pessoa sair do emprego e passar o final do ano desempregado, pra mim arrumar alguma coisa era elementar. Então foi aí que eu entrei no Pão de Açúcar como auxiliar de portaria, no ano 1970, 3 de novembro de 1970.



P/1 – Em que loja você entrou?



R – Eu entrei na loja 16 da Avenida Rio Branco. É uma das… Acho que uma das primeiras lojas da companhia de Pão de Açúcar. 



P/1 – E nesse cargo você ficou bastante tempo?



R – Eu fiquei por volta de uns quatro ou cinco… De auxiliar de portaria, quatro meses mais ou menos. Logo em seguida fui promovido encarregado de portaria. E depois eu fui encarregado de mercearia, depois fui encarregado de FLV, Frutas, Legumes e Verdura. 



P/1 – Me conte desses cargos de encarregados de portaria, de mercearia… 



P/? – … Só um minuto… 



R – … É, tem que dar os (times?) necessários.



P/? – Tem que dar os (times?)



(Troca de fita)



R – Certo.



P/? – Só um minuto. Ok, gravando. 



R – Eu fui encarregado de portaria por um período de quatro meses. Ser encarregado de portaria na Companhia Brasileira, na época era um conferente das mercadorias, de recepção das mercadorias e qualidade. Quer dizer, era qualidade do recebimento do produto e da qualidade do produto também. Em seguida eu fui promovido a encarregado de FLV, a onde a gente tinha que fazer os pedidos, fazer as compras com fornecedor e também com o nosso depósito, era muito mais do fornecedor. Hoje o nosso depósito da Anhanguera ou o nosso depósito central da FLV abastece quase 80% a 90% da FLV, no meu tempo abastecia 10%, 5% era uma coisa muito menor.



P/1 – E me conte como era ser no seu tempo, que você está aqui há 33 anos, encarregado da FLV. Me conta um pouco do dia a dia, o cotidiano e como eram tratados esses produtos perecíveis. 



R – Com tudo, a gente conhece bastante os produtos perecíveis, o produto FLV não tem a mesma performance da qualidade de hoje, até poderia que a qualidade era melhor que hoje, mas o tratamento naquele período era um tratamento um pouco mais rústicos, eles já vinham também em embalagens diferentes de hoje. Hoje eles são mais bem tratados, vêm em embalagens menores, em caixas mais adequadas para o produto, as áreas de exposição são muito melhores. Nós temos, a maioria das lojas, ou todas as lojas do Pão de Açúcar, hoje é tudo… Tem balcões refrigerados pros produtos que devem ser tratados refrigerados, tem balcão seco para aquele que deve ser tratado como produto de balcão seco. Naquele tempo tinha também, mas era com muito menor intensidade, era um pouco mais rústico antigamente, hoje é um pouco mais sensível, hoje os nossos clientes são muito mais exigentes. Sempre foram exigentes, mas hoje os nossos clientes conhecem muito mais dos seus direitos, das qualidades de produtos também. Hoje eles são um exemplo de chegar numa loja e conhecer tanto quanto um encarregado até, porque o nosso cliente acabou criando dentro desse percurso de tempos, até do próprio Pão de Açúcar… É que eu considero o Pão de Açúcar dentro desse percurso é o processo dele doutrinar também a qualidade, com isso o cliente passa a entender muito mais desses produtos, em função até do próprio Pão de Açúcar, quer dizer, treinamento orientação, exposição, modo de operando. Então cada vez que a empresa evolui, o cliente também acompanha essa evolução. Claro que hoje eu diria com bastante certeza que nossos clientes conhecem muito bem dos produtos que eles compram. 



P/1 – E você acha que se deve a que essa mudança?



R – Tecnologia, novos conceitos, orientações, novas orientações, treinamentos eficientes que a empresa foi proporcionando para todos os encarregados. Então tudo… Toda essa mudança foi muito mais baseada em treinamento, em ensinamento de conhecimento de qualidade. Hoje nós temos técnicos de qualidade, hoje nós temos departamento que faz avaliações ou depósitos de tamanhos, bitola, calibre, então tudo isso hoje é muito bem focado para que a gente tenha um produto de ótima qualidade. Então, essa é uma mudança tecnológica mesmo.



P/1 – E quando não havia essa tecnologia em FLV, como era armazenado, como era tratado frutas, legumes e verduras? 



R – Eles tinham um tratamento pelos encarregados, vamos dizer, como eu era encarregado, a gente já tinha uma visão de um produto perecível e sensível, mas hoje a gente tem essa visão com muito mais propriedade. Eles eram tratados bem, mas não da maneira que são tratados hoje, hoje é muito melhor tratado, o conhecimento dá esse suporte.



P/1 – E depois de essa sessão, pra onde você foi?



R – Eu fui pra frios e laticínios, onde também fui encarregado de frios e laticínios por quatro meses ou cinco meses, que não é um tempo suficiente para ser um bom conhecedor de frios e laticínios, como também não tão bom pra ser conhecedor de frutas e legumes. Mas em função da minha vontade, da minha ambição de estar correndo, galgando espaço, então eu me preocupava tanto em conhecer que pra mim era um maratona, eu não tinha preocupação com nada, eu tinha preocupação em conhecer os produtos e passar para o meu público, para os clientes da loja, o melhor produto possível da época, e hoje eu já penso um pouco diferente. Hoje eu já conheço todos os produtos, os clientes conhecem os produtos, os treinamentos que todos nós fomos passando vai dando a condição pra gente ter a certeza que vende produto de ótima qualidade e o Pão de Açúcar, com certeza é campeão disso. O Pão de Açúcar e o Barateiro, não posso esquecer do Barateiro. 



P/1 – É, você vai falar dele. E depois dessa etapa de encarregados, você passou a ser o que?



R – Depois de encarregado de frios eu fui ser encarregado de caixas, onde se faz um tratamento direto com o público e com os funcionários, onde você faz a recolha do dinheiro, você faz as escalas de horários, faz a… Além disso, dá o troco pras pessoas, controla esse pessoal na frente de caixa, quer dizer, o domínio da frente de caixa, do fiscal de caixa. E depois o encarregado de caixa, essa é a pessoa que fica na tesouraria que faz os resumos de caixa, que faz o batida de caixa diário, que faz a conferência do dinheiro diário da companhia, os depósitos bancários e que também ajuda o fiscal, quer dizer, os dois juntos montam todas as escalas de funcionamento da loja de frente de caixa. Essa foi outra etapa que eu vivenciei por um período de mais ou menos aí uns seis ou sete meses, foi um excelente aprendizado também… Onde eu me dei muito bem com cliente.



P/1 – O que é que você tem… O que é que você tem que contar sobre esse período, que você gostou?



R – Eu gostei muito, até em função de a ambição faz a gente começar a ser polivalente. Eu trabalhava de operador de caixa, fiscal de caixa, encarregado de caixa, então a gente se envolvia com tudo da frente de caixa. Atendia o cliente, atendia no vasilhame, quer dizer, a gente aumenta o grau de conhecimento com a população, começa a conhecer melhor o cliente. Ali que a gente parte pro conhecimento do cliente. Por que? É a abrangência dessa função, você atende todas as seções, todos os setores da loja e está diretamente ligado ao consumidor, e ali eu acho que pra mim foi a maior escola.  



P/1 – Ao longo dos anos, você tem 33 anos na empresa… 



R – … Isso.



P/1 – Você que conviveu direto com o consumidor, com o cliente, o que você percebe de mudança nesse período?



R – O consumidor alguns anos atrás ele era um pouco… Ele não era tão objetivo como ele é hoje, talvez ele fosse em função até das dificuldades, das facilidades da época que hoje pra nós é dificuldade. Na época tinha um pouco mais de dinheiro, um pouco mais de liberdade, então eles consumiam muito, o consumo era um consumo consistente. Hoje o consumidor é muito mais conhecedor das condições e necessidades, hoje ele consome muito mais as próprias necessidades, não é mais como antes. Consumia até deliberadamente, eu imagino assim, isso é que me dá um ponto de situação, hoje o consumidor é muito mais consciente com o seu consumo, ele exige até dele próprio uma melhor compra, exige muito mais os seus direitos. O consumidor hoje passou a ser um cidadão que conhece os seus direitos.  



P/1 – E depois dessa fase de caixa, você passou a ser o que na empresa?



R – De encarregado de caixa, eu passei a ser… Nós chamamos de trainee a gerente, que hoje o nome que se dá é trainee, mas antes era… Como nós chamávamos? Meu deus, me fugiu o nome. Era um trainee a gerente, depois era gerente… Trainee a gerente, subgerente e gerente, são etapas, sequências, quer dizer: trainee a gerente, subgerente e gerente. 



P/1 – E hoje você é gerente de onde?



R – Hoje eu sou gerente regional da divisão Barateiro da ABC-Baixada, composta por 34 lojas, tenho 1600 funcionários sob o meu comando, dois coordenadores regionais, que hoje trocaram o nome de coordenador para gerente operacional. Então hoje eu trabalho com essa… Com esse grupo de lojas para o Barateiro, para o Barateiro Compre Bem. 



P/1 – Na regional da baixada Santista?



R – ABC e baixada, eu resumo ABC e baixada, porque eu tenho parte de loja no ABC e o restante de loja na baixada, sendo 12 no ABC e 22 na baixada. 



P/1 – E como é, Edimirsom, de agricultor e passar por todas essas etapas de auxiliar de portaria, laticínios, fiscal, chegar a gerente regional de 34 lojas?



R – Olha na… Se eu disser conscientemente, é uma mudança radical, uma mudança fantástica onde faz com que uma pessoa, se não estiver bem estruturado, ele pode até perder noção do que está fazendo. Mas eu tenho noção consciente disso, que foi tudo… Eu não diria que no início da minha carreira na companhia, eu tinha um planejamento definido, estabelecido, mas no decorrer disso eu fui estabelecendo metas, planos pra mim, pra minha família, pra companhia e buscando ter sempre o objetivo maior de chegar a um topo maior dentro da companhia. Pensando sempre que eu fui, como diz, um agricultor, trabalhava na roça e hoje eu sou um gerente regional onde eu tenho, administro aí 1600 pessoas e tenho assim uma felicidade muito grande de poder fazer isso com tranquilidade, com conhecimento de causa, como diria assim no modo caipira, sossegado. 



P/1 – E me conte um pouco da atividade de um gerente regional com essa abrangência de 34 lojas. O que que você tem que fazer no seu cotidiano para administrar todas essas lojas?



R – É, inicialmente para a gente ter essa… Administrar essas lojas tem que conhecer muito bem o que você faz, conhecer muito bem do ramo de supermercado. Então, o meu trabalho do dia a dia é orientando, instruindo, passando informações, desenvolvendo pessoas, conversando com os meus colegas de trabalho, que são os dois colaboradores meus diretos, passando pro gerente know how, conhecimento, experiência, informações. A cada momento que eu paro pra conversar com uma das pessoas, qual delas for, um operador, uma operadora de caixa, um gerente, ou um gerente operacional ou um gerente de loja, é, então, eu tenho o maior prazer em passar pra ele conhecimento, porque só tem um jeito da gente evoluir ou fazer com que uma equipe desenvolva, é a gente passar conhecimento para essa população e estar sempre disposto em compartilhar o dia a dia com eles. Claro que sempre a gente tem a necessidade de alguma imposição como chefe, como líder e fazer acontecer aquilo que a empresa nos pede. É pedindo que tem que dar resultados, tem que dar pouca quebra, tem que dar pouca despesa, tem que controlar tudo dentro de uma unidade de negócio que seria a ABC e baixada. Controlar mesmo e fazer com que isso… Assim era um maestro, reger essa banda com bastante coerência. 



P/1 – E na sua opinião, com tanto tempo de casa, quais as inovações do grupo que você observa, que você destacaria ao longo desses anos?



R – A gente pensando na companhia, tecnologia avançada, informática, isso aí fez uma mudança sensível da companhia, uma das mudanças sensíveis. Agora, eu não sei se eu poderia dizer isso, isso é minha cabeça, meu pensamento, eu acho que a maior mudança dessa companhia foi um cidadão chamado… Tem orgulho de ser brasileiro, chamado doutor Abílio. Foi a pessoa que mais… Eu me espelhei muito, sempre que eu faço alguma coisa, eu penso nas palavras que ele comenta. Nós acordamos cedo e trabalhamos muito para vencer, a gente nunca trabalha pouco. Então, enquanto alguns pensam em trabalhar um pouco, nós trabalhamos muito para vencer, mas o que mais marcou nessa companhia foi a virada que ela deu nos anos 1990, quando o doutor Abílio entrou nessa, assumiu essa conduta e foi tomando decisões, foi uma pessoa austera, tomou decisões plausíveis, tomou… Enfrentou com bastante dificuldades que tinha, mas com decisões fortes, veemente e foi mudando os conceitos, foi treinando pessoas, foi implantando a tecnologia, aprimorando constantemente, modificando setores, mudando o setor de treinamento, mudando o setores de compra, comercial, mudando os setores de marketing, propaganda. Então foi fazendo, isso foi uma inovação que foi tombando de grau em grau, aonde chegou nessa… Novamente retomou as condições. Pra mim foi, o ponto de partida foi a atitude do doutor Abílio ter enfrentado a crise, a situação grave e enfrentar com inovações.  



P/1 – E desse período de mudança, essa guinada, o que você teria a nos dizer? O que é que te marcou nesse período, pessoalmente trabalhando na empresa a tantos anos?



R – É uma marca que eu me sinto… Bem, dizer que eu trabalhei numa empresa onde ela chegou a ter 60000 funcionários e num certo período ela tinha 20000 funcionários. Então, aí a gente começava a pensar: “Se alguém não acreditasse, não teria como mudar isso.”  Mas tivemos aí pessoas de alta qualidade que vestiam a camisa, que enfrentou essa dificuldade e que batalhou e mostrou que era companheiro da companhia, fazia parte desse… Era um time de verdade, que enfrentou todas as dificuldades. Hoje eu digo sempre: “Somos vencedores.” Não só o doutor Abílio, como eu também, eu me sinto um vencedor. 



P/1 – E você conhece o doutor Abílio?



R – Eu não diria que eu conheço ele verdadeiramente, porque eu falei com ele duas ou três vezes em 33 anos, conversar pessoalmente é os encontros que a gente tem nas lojas. Mas como eu vou na plenária, eu faço isso a muito tempo, então eu vejo ele todas as segundas-feiras, raramente ele não está presente, mas vejo ele todas as segundas-feiras. 



P/1 – E o seu Santos? Você teve algum contato ao longo desses anos?



R – Muitos contatos. Uma pessoa muito dócil, uma pessoa que sempre demonstrou um grau assim de comprometimento, um grau de participação. Uma coisa que eu admiro no seu Santos é a humildade dele de chegar e conversar com a gente, sendo o patriarca dessa companhia, conversar com toda a humildade que ele tem com a gente. Seu Santos eu tive muito mais oportunidade de conversar, eu tive diversas oportunidades de conversar com ele. 



P/1 – E ao longo desses anos você executou todas essas profissões em várias lojas, como foi isso?



R – Ao longo desses anos… Por exemplo, quando eu estava como gerente de loja, então a gente gerencia uma loja. Quando você passa a ser supervisor ou gerente de operações ou gerente regional, você gerencia muitas lojas, então eu gerenciei seis lojas, oito lojas, 22 lojas e agora tenho 34. Quer dizer, as diferenciações não são muito grandes. Eu tenho um ditado que a gente sempre diz, sempre do interior: “Onde come um, come dois.”  Então onde é que você administra uma, você administra dez. Claro, com as dificuldades existentes, mas você administra dez. 



P/1 – E nessas profissões que você trabalhou junto ao público, bem próximo do público, com tanta experiência, várias lojas e hoje com 34 lojas, você tem algum caso pessoal que você, tenha te marcado ou alguma coisa interessante? E você gostaria de falar alguma coisa desse seu setor?



R – Olha, eu posso dizer sim, eu posso contar uma história até interessante. Eu era fiscal de caixa da loja 16 em Rio Branco e como eu morava em república, morava num quarto, né, então eu tinha necessidade, depois do meu horário de trabalho, fazer entrega em domicílio para ganhar gorjeta para suprir as minhas necessidades. Então, eu conhecia os clientes todos, então os clientes, isso eu falo com muito orgulho, os clientes faziam o que, deixavam os endereços comigo. Eu era o fiscal de caixa, mas eles davam endereço pra mim ir levar a compra. E muitas das vezes, aquela entrega na casa do cliente, até almoço, até janta, muitas das vezes foi bastante gratificante ter encontrado. E não só isso, de encontrar também o cliente, que quando eu saí da loja, queriam fazer abaixo-assinado pra eu voltar pra loja, isso quando eu era fiscal de caixa. Quando eu fui gerente do Shopping Center Iguatemi, loja 13, eu me lembro como se fosse agora, o seu Nelson Barbosa, que é o nosso diretor, me chegou um dia na minha loja e falou: “Edimirsom, você está a quanto tempo nessa loja?” Eu falei: “Eu estou a quatro anos seu Nelson.” Ele falou: “Eu já tentei tirar você daqui três vezes, é mais fácil promover um diretor da companhia do que tirar você dessa loja, que toda vez que eu falo em tirar você dessa loja, as pessoas correm e pedem pra não tirar. Os clientes seus pedem pra não te tirar da loja, já ameaçaram de fazer abaixo-assinado.” Então, essas coisas que trabalha com o público, tem que gostar de trabalhar com gente, se não gostar de trabalhar com gente não desenvolve dentro da companhia, eu penso assim.



P/1 – Faz a diferença?



R – Faz a diferença com certeza. 



P/1 – Você gostaria de acrescentar alguma coisa?



R – Eu só gostaria de dizer, como eu já disse talvez no início, eu tenho cinco filhos, dos cinco filhos eu tenho três formados, eu tenho um filho que forma em Direito o ano que vem e tenho um menor, um garoto. E toda essa formação que eu dei para os meus filhos e a construção da minha família, graças ao Pão de Açúcar. Foi aqui que eu consegui fazer tudo o que eu tenho até hoje.  



P/1 – Você tem um filho aqui também trabalhando, né?



R – Eu tenho o Alexandre que trabalha na empresa há quinze anos e trabalha com o (Paulo Gautierre?), ele é… Como é que fala? Me fugiu aí a… Não me lembro a função que ele trabalha hoje, fugiu na cabeça aí. 



P/1 – Está no sangue então?



R – Tá no sangue, ele trabalha há 15 anos na companhia, adora a companhia, acha que ele tem futuro aqui, está há 15 anos e tenho certeza que terá.



P/1 – Edimirsom, o que você achou de participar do projeto Memória, contribuindo com a sua entrevista?



R – Bom, a gente que está nessa companhia a todo esse tempo, acho que isso é uma dádiva. Poucas pessoas têm essa oportunidade, e eu tive e falo de coração, tenho que agradecer essa oportunidade, muito legal. 



P/1 – Nós também ficamos bastante agradecidos, muito obrigado.



R– Legal, obrigado.



--- FIM DA ENTREVISTA ---

 

Dúvidas

 

João Molió

Times

Paulo Gautierre

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