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História

Coração no campo, mente na inovação

História de: Clayton Duarte Pessoa
Autor:
Publicado em: 28/10/2021

Sinopse

Clayton Duarte Pessoa nasceu em Minas Gerais no município de Nova Lima, no dia 23 de março de 1978.  

É o irmão mais velho de três (03) meninos. Seu pai é caminhoneiro de viagens curtas, e é um exemplo para filhos de alegria e de fazer as coisas sem preguiça. Sua mãe é uma pessoa tranquila e de bem com a vida, dona de casa criou os filhos com muito amor. 

Cresceu no bairro de Matadouro em Nova Lima. Morava numa casa que ficava no mesmo terreno da casa dos seus avós. A rua da sua casa era um quarteirão fechado e era onde ele brincava de bola, bicicleta e carrinho de rolimã com os irmãos e os amigos. 

Uma de suas lembranças da infância é acompanhar o pai no trabalho após a aula transportando o minério das minas da região. 

Adorava ver na televisão Os Trapalhões e as corridas de Fórmula 1. Tinha o Ayrton Senna como seu grande ídolo. 

Estudou o primário na Escola Estadual Denis Vale. A sua avó trabalhava nessa escola como merendeira no turno da noite. 

Depois estudou na Escola Estadual Augusto de Lima, referência de ensino da cidade. O Professor Marcio de física e biologia marcaram esse período escolar.

Aluno bem aplicado gostava de estudar. No Ginásio, via a caminhonete da concessionária Cemig passar e isso despertou seu interesse, mas não sabia o que uma empresa de energia fazia. 

No segundo grau, fez prova para o CEFET, ingressando no curso técnico de mecânica. Mas ficou a ideia de ser eletricista na cabeça. Ainda no final do curso técnico, fez o concurso da Cemig para aprendiz de eletricista. Com 16 anos, foi morar em Sete Lagoas sozinho, no internato da Escolinha da Cemig, aprendendo a ser eletricista. Lá, Clayton se apaixonou pelas torres de transmissão. 

Quando terminou o curso, Clayton foi trabalhar na área de engenharia de manutenção no escritório da Cemig em Belo Horizonte. Aprendeu bastante sobre linha viva e decidiu que deveria continuar estudando. Procurou um cursinho preparatório para o vestibular. Ingressou no curso de engenharia elétrica da PUC Minas em 1998. Nesse período voltou a morar na casa dos pais em Nova Lima.

Se sente realizado por ter trabalhado na equipe de manutenção de linha de transmissão, onde uniu o prazer de trabalhar no que gostava com o prazer de estar realizando atividades no campo.

No final da faculdade, em 2002, prestou o concurso para engenheiro eletricista de linha de transmissão em FURNAS. Em agosto de 2004, mudou para o Rio de Janeiro e ingressou como funcionário em FURNAS, na Divisão de Linha de Transmissão - DLTR, no Escritório Central. Mesmo lotado no escritório, nunca deixou de desenvolver trabalhos no campo. Dos trabalhos realizados no DLTR, o mais importante foi na linha de Ibiúna que foi apresentado no SNPTEE, o maior seminário de manutenção de energia elétrica no país. 

Em 2008, por querer morar numa cidade do interior e buscar novos desafios, Clayton assumiu o a função de engenheiro pesquisador no antigo Centro Técnico de Ensaios e Medições, hoje denominado Departamento de Ensaios e Suporte a Manutenção, localizado na Usina de Furnas, atuando na Oficina Eletromecânica e no Laboratório de Alta Tensão.

Nesta área, o trabalho que mais se orgulhou foi a identificação de uma falha num transformador antes dele ser energizado, o que resultou uma grande economia para Empresa. Destaca que por esse e outros diagnósticos feitos por sua equipe, o laboratório é reconhecido por pela excelência técnica dentro e fora da empresa.

Sempre passando confiança e credibilidade para todas as áreas que atende, o laboratório desenvolveu um projeto inovador na área de substituição de componentes eletrônicos de controles de disjuntores, que passavam pelo processo de obsolescência. A solução desenvolvida por FURNAS dará uma maior durabilidade para esses equipamentos. 

 

Clayton é casado com Suzana, tem um enteado, o Artur e é pai do Rafael.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Clayton

 

Técnicos acharam um ponto quente na chave seccionadora de 500kw em linha viva da linha Ibiúna-Bateias e nos foi dado o desafio de tentar solucionar esse problema. [...] Nós tivemos a ideia de fazer um barramento paralelo a uma chave seccionadora de 500kw. Foi um sucesso! Até hoje, eu nunca vi um trabalho desse porte.



No final da minha graduação na Engenharia Elétrica, eu vi que ia ter concurso em FURNAS. Apesar de já trabalhar em linhas de transmissão pela Cemig, eu não tinha ideia do que era a empresa. De qualquer maneira, eu decidi fazer o concurso e me disciplinei para tanto. Eu chegava da Cemig e estudava quatro horas por dia. Em cima da mesa do meu quarto tinha todo o material organizado com roteiros de estudo. 

O resultado é que eu passei em 3º lugar. O concurso foi em 2002, mas só fui chamado em 2004 e a entrevista de admissão, engraçado, foi bem frustrante. Depois de um concurso como esse, sendo engenheiro, já tendo experiência em trabalho em linhas de transmissão, me colocaram para trabalhar no arquivo técnico. Pensei: “Não é possível!” Aquilo foi um banho de água fria e eu decidi que ou eles me transferiam ou eu ia embora.

Felizmente, deu tudo certo e o pessoal me transferiu para a Divisão de Linhas de Transmissão (DLTR), na parte de engenharia de manutenção, e aí foi incrível porque assim eu pude contribuir, aplicar meus conhecimentos, elaborar manuais de manutenção, dar treinamentos de linha viva. Na divisão, eu tive oportunidade de criar e fazer coisas inovadoras na parte de linha de transmissão e linha viva em subestações. Inclusive, tenho trabalhos publicados na área, apresentei artigos em vários seminários relacionados a linha viva. Essa passagem que eu tive na DLTR, que foi de 2004 até 2008, foi muito rica e produtiva na minha carreira. 

Meu trabalho, como engenheiro de manutenção de linhas de transmissão, sempre foi voltado para melhorar o desempenho das linhas, por exemplo, enfrentar o problema de vibração de cabo, da poluição na linha de isoladores; nós sempre buscamos um isolador novo, desenvolvemos novas tecnologias de inspeção, novas ferramentas para poder armazenar dados, georreferenciamento, entre outras ações. 

Me lembro da experiência da subestação de Bateias, perto de Curitiba. Técnicos acharam um ponto quente na chave seccionadora de 500kw em linha viva da linha Ibiúna-Bateias e nos foi dado o desafio de tentar solucionar esse problema. 

Junto com uma equipe local, eu tive a oportunidade de estar indo para lá resolver este desafio. A chave seccionadora de 500kw tem aproximadamente uns 5 metros, e a gente pensou em fazer um jumper por cima dessa chave seccionadora com um tubo, abrir e fechá-la sem interromper o fluxo de energia para a subestação de Ibiúna. Nós tivemos a ideia de fazer um barramento paralelo a uma chave seccionadora de 500kw. Vislumbramos essa possibilidade, acertamos os detalhes e resolvemos fazer a experiência. Foi um sucesso! Até hoje, eu nunca vi um trabalho desse porte, um trabalho que foi muito comentado. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu saí da DLTR em 2008, e me mudei para o CTE, o Centro Técnico de Ensaios e Medições, atual Departamento de Ensaios e Suporte a Manutenção, que é localizado na usina de Furnas. Na verdade, a iniciativa de querer ir embora do Rio de Janeiro partiu de mim. Apesar de eu gostar muito da área de linha de transmissão, da área de linha viva, de estar muito envolvido com meu trabalho, eu queria mudar para o interior, eu estava um pouco frustrado com a... Eu costumo dizer que eu era muito feliz da roleta para dentro de FURNAS, mas da roleta para fora, algo não estava bem: a dificuldade de moradia, os preços dos apartamentos, morar longe do trabalho, trânsito, violência. 

Outro motivo para querer mudar é que eu já estava em linhas de transmissão há 8 anos e precisava de novos desafios, queria aprender coisas novas. Eu busquei essa oportunidade internamente na empresa e fui transferido para o CTE para trabalhar na oficina eletromecânica e também no laboratório de alta tensão.

Era tudo novidade, era como se eu estivesse começando do zero. Apesar de estar vindo com uma bagagem do sistema elétrico, com experiência de trabalho em equipe, conhecimento em inovação, tudo o que eu aprendi a partir de 2008 foi uma enorme novidade. E até hoje tem sido. Eu saí da linha de transmissão para entrar na área de transformadores, disjuntores, que é uma área extremamente ampla, com funcionamento bem complexo e onde a engenharia pode entrar com mais profundidade. 

O CTE, que é a sigla mais antiga que ainda está na minha cabeça, foi criado no começo da década de 80 com o objetivo de dar suporte a todas as áreas regionais de FURNAS, tanto usina quanto subestação. A equipe é composta por vários engenheiros, vários técnicos, com experiência em todo setor elétrico, que entram em ação para dar apoio e soluções para demandas que a manutenção rotineira não consegue solucionar, se as equipes de frente perceberem alguma coisa que saia do normal e precise de intervenção, de um diagnóstico por meio de testes mais avançados, o CTE é acionado. 

Nosso departamento tem um laboratório de química que é responsável pela análise de óleo de mais de 1.000 transformadores que hoje estão instalados no parque industrial de FURNAS, nas subestações. Através de ensaios, como um check up de saúde, a gente consegue diagnosticar algum defeito que porventura estejam ocorrendo nos transformadores. Temos também uma oficina mecânica de extrema qualidade, que desenvolve soluções para os problemas que acontecem nas usinas de FURNAS. Outra área que merece destaque é a nossa oficina de disjuntores, não há uma igual no país, e, além disso, hoje, o CTE também é responsável pela medição e faturamento de FURNAS. 

E o melhor é que eu continuo indo para campo! Especificamente, a equipe a qual trabalho é a equipe de transmissão, ela é responsável por fazer ensaios em transformadores de extra alta tensão. Inclusive, recentemente, eu tive a oportunidade de fazer um teste em um dos maiores transformadores da América Latina, situado na subestação Tijuco Preto, e consegui detectar uma falha nele antes que ele fosse energizado. Foi um fato marcante para mim, pois se ele fosse energizado, ele poderia explodir, pegar fogo. Um transformador desse, uma falha só, custaria uns 10 milhões de reais.

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

O funcionário de FURNAS é uma pessoa engajada, empenhada em querer fazer o melhor. A empresa está passando por muitas transformações, mas eu estou confiante de que, baseado nas pessoas, que são a base da empresa, independentemente de qualquer coisa que venha a acontecer, o que vai vir vai ser ótimo. Eu tenho a visão de que foram colocados desafios inéditos para a empresa, porém eu tenho certeza de que eles serão superados.

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