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História

Conversa de pescador?

Sinopse

Em sua entrevista, Seu Onofre fala de sua criação em Barcarena, sempre íntima com o rio, o mar e a pescaria. Fala de suas caçadas com seu pai e seu tio, além dos diversos tipos de pesca e de peixes. Em seguida, conta histórias locais da cidade, os chamados “meuãs”: o boto, a bota, a Matita Pereira, o lobisomem, entre outros. Onofre termina comentando sobre sua aposentadoria como pescador e a formação de sua família atual.

 

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Nesse tempo, a gente não tinha televisão ainda. Era. Algum que tinha televisão era à bateria, quando começou as televisões de bateria. Aí era aqueles que tinham dinheiro, que tinha dinheiro e a gente mais pobre não conseguia comprar. A gente não tinha como... a gente ia procurar dormir cedo. Quando o velho não estava pelo mato caçando, estava conversando com a gente, contando caso e história, essas coisas. Era. E a gente escutando. E, quando dava, a gente estava era dormindo! Porque a conversa era longa.

Muita coisa ele viu: Matinta Pereira assobiando no caminho, o lobisomem. Foi. O lobisomem eu vi mesmo, porque eu estava com meu tio no mato. Eu estava com dez anos mais ou menos, quando a gente viu o roncado do porco e ele... ele sentiu a gente. Sentiu a gente, mas a gente estava alto pra ele pegar. E meu tio não atirou também porque sabia que, se ele atirasse, ele vai morrer lá na casa dele, ele não escapa do lobisomem. E lá onde a gente atira, ele não fica. É história do pessoal, que contava assim, essas coisas. Lobisomem pegava as mulheres no caminho assim e roía toda a saia dela, mordia tudinho. Aí a mulher o pegava, que ela ia sempre fazer o carinho, o catar e tal e olhava os dentes dele, estava tudo cheio da coisa do pano. Isso é história que a gente via os outros contar, né? Esse pessoal da antiguidade, como meu pai dizia.

Meu tio ia fazer essa caçada de noite, dava-se o nome, assim, de lanternar. Aí ele disse: "Vamos, vamos lá botar, que está muito bonito lá o negócio, aí com certeza a paca vai varar lá". Aí nós fomos, quando nós vimos aquele porcão roncando. Nós estávamos, assim, em cima, na altura disso aqui, era bem-feitinho lá, mas aquele negócio roncando, roncando. Foi. Meu tio olhou e disse: "Rapaz, isso só pode ser bicho mau, porque porco por aqui não tem". E não tinha mesmo. Aquele porcãozão, chegou no pé, ainda se esfregou. E chega mexeu com o pau.Isso aí eu também vi. Foi a única coisa que eu vi de meuã foi essa coisa. Chama meuã, que é coisa de outra história, né? É. Conversa de pescador, como diz?

 

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