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História

Contribuindo para o crescimento dos projetos sociais

História de: Raquel Diniz Gonçalves Ezequiel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/05/2020

Sinopse

Nasceu em Petrópolis. Formou-se em Direito na Faculdade Cândido Mendes. Trabalhou na BrazilFoundation, Instituto Akatu e outras instituições do terceiro setor. Fala sobre seu cotidiano na BrazilFoundation e sobre a seleção de projetos. É casada.

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História completa

 

P/1 – Raquel, bom dia!

 

R – Bom dia!

 

P/1 – Eu queria começar a entrevista pedindo que você me diga o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Raquel Diniz Gonçalves Ezequiel. Eu nasci em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, [em] trinta de outubro de 1978.

 

P/1 – O nome dos seus pais?

 

R – Maria Cristina Diniz Gonçalves Ezequiel e Floriano Ezequiel de Meneses Filho.

 

P/1 – A atividade deles?

 

R – Meu pai é dentista e a minha mãe é médica.

 

P/1 – Raquel, você cresceu em Petrópolis?

 

R – Cresci em Petrópolis e vim para o Rio quando eu tinha dezesseis anos. Eu comecei a fazer faculdade.

 

P/1 – De quê?

 

R – De Direito. 

Nos primeiros dois anos eu subi e desci. Depois eu vim para o Rio e comecei a trabalhar na área de advocacia, então com dezoito eu estava morando no Rio sozinha e depois… Há cinco anos eu moro em São Paulo.

 

P/1 – Você cursou onde?

 

R – Eu cursei aqui na Cândido Mendes, no Centro, um período e fiz um período na UFRJ, mas não conclui na UFRJ, porque a faculdade estava em greve. Concluí aqui na Cândido Mendes, no Centro.

 

P/1 – Conte-me um pouquinho da sua trajetória profissional. Você trabalhou com advocacia? Como é que foi?

 

R – Na verdade, a BrazilFoundation tem um papel fundamental na minha trajetória profissional, porque eu, então, me formei em Direito e logo que me formei, eu decidi que não era isso que eu queria fazer. Eu fiquei um tempo perdida, trabalhei em direito, trabalhei com marcas e patentes. Trabalhava num escritório, o terceiro maior escritório especializado nessa área do Brasil. Gostava, mas ainda não era aquilo que me motivava, que me deixava feliz, então eu larguei esse trabalho logo depois que eu concluí a faculdade. 

Eu me formei, fiz prova da ordem, fiz tudo como manda o figurino. Falei: “Não é isso que eu quero.” Comecei a buscar o que era o que exatamente isso que eu estava... Que realmente poderia me fazer feliz. E aí eu caí na área de história e cultura. Ia fazer um mestrado na PUC, mas calhou junto com as provas da ordem; eu não consegui passar e me enveredei pela essa área de cultura, fiz uma especialização em marketing cultural. 

 

P/1 – Onde?

 

R – Também aqui, era no Centro Cultural Cândido Mendes. Era o único que tinha na época sobre esse assunto. Também achava que ainda era pouco, [você] aprende a mexer com a Lei Rouanet, mas ainda não era aquilo que eu queria. 

Eu fui me enveredando, entrando por esse lado da cultura. Tive contato com algumas ONGs, algumas organizações não governamentais. Conheci o tal do terceiro setor, que para mim era completamente desconhecido até então. Comecei, então, a olhar para esse lado, a ler… Eu li alguma coisa sobre o terceiro setor e foi nesse período que abriu a primeira turma do MBA da UFRJ, na Faculdade de Economia, de responsabilidade social e terceiro setor.

 

P/1 – Você se lembra o ano?

 

R – Foi no ano [de] 2001. Eu sou formanda do ano 2000; em 2001 eu entrei nesse MBA. Era um ano de curso, fiz parte da primeira turma, e nessa primeira turma eu tive oportunidade de conhecer pessoas que já tinham uma estrada na área social, então foi muito bom para troca. Enfim, me apresentou um novo caminho, um novo universo. 

Comecei a voluntariar em algumas instituições e foi quando eu cheguei até a BrazilFoundation. Parece que foi ontem, mas já tem dez anos que eu participei da primeira reunião de voluntários na BrazilFoundation, que estava ainda na outra sala, na salinha pequena. Todo mundo numa sala, Suzane explicando mais ou menos, cada um se colocando. 

 

P/1 – Mas como você descobriu aqui? Qual foi o caminho para chegar até aqui? 

 

R – Na verdade, uma das pessoas que estudavam comigo no MBA tinha muito contato com a Firjan. Como a BrazilFoundation também tinha todo esse contato com a Firjan, com sistema e estava aqui dentro do espaço - que era cedido, se não me engano, pela própria Firjan, pelo sistema S -, foi essa pessoa que me indicou e falou: “Olha, está chegando uma instituição no Brasil chamada BrazilFoundation.” E aí me explicou mais ou menos qual era a história, “vai selecionar projetos”. Foi sempre o que eu tive vontade de fazer, avaliar e selecionar projetos; era algo que eu queria muito. Era uma das áreas [em] que eu estava me enveredando, apesar dos outros trabalhos que eu estava iniciando como voluntária ainda. Eram trabalhos de ponta, ou seja, diretamente dentro de comunidades; eu trabalhava diretamente com público, mas eu sentia que o meu papel poderia ser muito mais potencializado se eu pudesse trabalhar com essa parte de avaliação de projetos e seleção, então comecei a voluntariar na BrazilFoundation.

 

P/1 – Era a primeira seleção?

 

R – Era a primeira seleção. Na verdade, estava entregando o prêmio, foi no período de entrega do prêmio da BrazilFoundation. Se não me engano, a BrazilFoundation tinha recebido 79 projetos - ou foram 69, se não me engano; foram selecionados quatro projetos e eu participei da cerimônia de celebração, que foi aqui na Firjan. Fiquei superemocionada. Uma das instituições era aqui da Baixada Fluminense, era [de] catadores; o Edson estava, era um menino superjovem e supermobilizador, articulador. 

Aquilo me abriu um caminho, uma estrada que eu estou trilhando até hoje. A partir daí, eu fiz da BrazilFoundation o meu trabalho - na verdade, para mim eu era voluntária, mas encarei isso aqui como um trabalho, desde o início. Foi num período, que estava na transição da primeira experiência de seleção para a segunda.

 

P/1 – O que te fez acreditar? Você estava vindo como voluntária, procurando outras instituições, vendo outras instituições...

 

R – O que me fez acreditar? Acho que uma das coisas que me chamou a atenção foi essa questão da seleção de projeto anual e projetos do Brasil inteiro. Quando tive contato com os projetos que tinham enviados, eu fiquei fascinada; era conhecer o terceiro setor na prática, de onde vinham os projetos, quais eram as demandas, quais eram as questões das diversas áreas, regiões do país. 

Para mim, aquilo criou um repertório social muito grande, muito importante. Tive um contato de maneira muito rápida no meu início na área social com um mapa do Brasil. 

Na segunda seleção, a Sheila já estava participando também da equipe. Ela estava organizando todo o processo e eu pude participar, então, de todo o nascimento dos critérios de seleção de projetos da BrazilFoundation.

 

P/1 – Queria que você falasse um pouco sobre isso, sobre essa primeira seleção. Quais foram os critérios? Como foi se organizando? Você pode tentar se lembrar?

 

R – Claro. Primeiro, uma coisa que chamou muito a nossa atenção foi que nessa segunda seleção a gente recebeu muitos projetos; passou, se não me engano, de sessenta e poucos para seiscentos, uma coisa gigantesca. A gente recebeu aquele monte de projetos. 

Todo o processo de organizar… Como a gente organiza os projetos que vão chegando, como a gente ia criando as pastas para arquivar os projetos que chegavam e por área temática, as áreas de investimento da Brazil Foundation de apoio. A gente começou a desenhar que tipo [de] critérios, quais eram os projetos que a gente iria dar mais atenção - o fato de ter se optado por projetos menores, tentando sair fora do eixo Rio-São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, dando mais chance a projetos que teriam a menor possibilidade de capacitação com outro tipo de instituições. Também para mim foi algo que me motivou muito, porque a gente estava de fato dando recursos, quer dizer, dando oportunidades, acesso a recursos para instituições que normalmente não tinham, e era nesses lugares que estavam grande parte dos problemas sociais brasileiros mais graves. Essa ponte realmente entre Estados Unidos e Brasil e estados, cidades pequenas, isso para mim foi algo muito importante: fazer chegar onde realmente precisava, as áreas mesmo de atuação, educação, cidadania, meio ambiente, cultura e saúde. 

Eu geralmente acabava lidando mais com a cultura, fiz a seleção de alguns [projetos]. Eu me voltava mais à área de cultura, porque como tinha vindo desse histórico - estudei durante muitos anos História da Arte, estava estudando nessa época, então eu tinha todo um processo de cultura popular que eu tinha interesse. Eu ajudava muito a Suzane na seleção dos projetos, ela também coordenava esta parte de cultura. 

Falando mais de critério, acho que esses foram os que mais me marcaram: a gente buscar projetos menores, fora do eixo; tentar buscar fora das grandes capitais, ou mesmo que fossem capitais, [que fosse] nas periferias dessas capitais, que a gente pudesse encontrar ali lideranças que estavam ali de fato fazendo a diferença naqueles locais. E a visão crítica, a formação para uma visão crítica a respeito de projetos sociais, isso eu tive muito. Fazia muitas visitas com a Sheila; a Sheila foi uma pessoa muito importante na minha formação, ela teve uma generosidade intelectual muito grande - não só a Sheila, mas a BrazilFoundation com um todo. Como desde o início a gente compartilhava muito e como a gente trocava, então para mim isso era uma coisa importantíssima, porque eu estava no início da formação. Como eu tinha acesso às conversas, às decisões, às tomadas de decisões, mesmo sendo voluntária eu era respeitada e podia ter esse acesso [de] como [se] participava das coisas. 

Eu fui crescendo profissionalmente muito em função dessa troca, desse conhecimento, de poder ter oportunidade de visitar projetos e ter esse olhar crítico, construir essa visão crítica. Como a gente diferencia um projeto bom de um projeto muito bom, de um projeto que tem a possibilidade de transformar? Porque acho que essa é a grande preocupação: não é fazer uma ação social por uma ação social, porque é pobre qualquer coisa serve, mas ter a preocupação com a qualidade. É dar um passo além, porque não é isso que a gente vê na maioria dos lugares; infelizmente, mesmo passados nove, dez anos a gente ainda vê muitas discussões ainda patinando na sua seleção, no seu investimento social privado. Onde nós vamos investir? Acabam investindo em projetos que muitas vezes não conseguem de fato transformar aquela realidade. 

A busca por projetos menores, por lideranças… Como é que posso dizer? Orgânicas, lideranças que são ali de fato, são lideranças no ato porque são famosos - é importante, lógico, porque tem milhões de pessoas líderes da área social que são grandes, são pessoas especiais, que mobilizam muitos recursos, que chamam atenção da mídia. Eu mesma trabalhei [em] algumas instituições assim, que têm grandes líderes, mas que na prática você vê que a mudança é muito pequena; a efetividade, a eficácia, eficiência não são tão otimizadas como poderia ser. E a gente vê projetos menores, simples, que vão lá, estão fazendo o seu trabalho de maneira simples. Conseguem otimizar um recurso, que não era grande, na época já não era tão grande assim, mas que conseguiam otimizar e fazer desse trabalho uma ponte para uma outra oportunidade. Ver esses projetos crescendo foi algo muito importante. 

Eu fiquei na BrazilFoundation de 2001, 2002 até 2004 - 2003, mais diariamente.

 

P/1 – Você trabalhou nessa parte da seleção?

 

R – Da seleção.

 

P/1 – Acompanhava? Fez visitas? 

 

R – Fazia visitas, fazia muitas visitas.

 

P/1 – Conte-me uma visita que você se lembra dessa época.

 

R – Teve muitas visitas, mas uma que foi marcante? Teve tantas marcantes, mas uma que marcou muito foi uma do projeto Balcão de Direitos no Morro Santa Marta. A gente fez como se fosse um grupo focal - a gente na época nem chamou assim, mas fez uma reunião com o público beneficiado pelo projeto e eles dando depoimento do que tinha mudado na vida deles, a partir do contato com uma maior conscientização dos seus próprios direitos, como eles poderiam acessar a justiça. E eu, enquanto advogada, que gostaria… Quer dizer, eu escolhi Direito porque achava que por meio do Direito eu ia mudar o mundo, eu ia conseguir atender as pessoas que mais precisavam, acreditavam muito em direitos humanos na teoria. Na verdade, era uma teoria, não era prática e eu falei: “Não quero fazer parte desse sistema jurídico no qual eu não acredito.” Eu não consigo desassociar, quer dizer, ter imparcialidade no meu trabalho, ser isenta de paixão, de motivação. Então eu, enquanto advogada que tinha acabado de largar [a profissão], tendo ali uma vivência prática de pessoas que estavam tendo contato com o Direito, mas o Direito vivenciado na prática, como poderia de fato mudar a vida daquelas pessoas, fiquei muitíssimo emocionada. 

Na época, acho que até a Sheila - e tinha mais uma pessoa, acho que a Carla estava com a gente, que era uma outra voluntária, e elas me deram a maior bronca, porque eu comecei a chorar no meio do negócio, no meio da fala deles; isso é uma coisa que até hoje… Eu, graças a Deus, me emociono muito com esses projetos, mas a gente tem que ter… Não pode demonstrar tanto no momento que as pessoas estão se colocando, colocando parte da sua vida; tem que dar uma segurada. 

Esse é um projeto que me marcou muito. Acari era um projeto também que a gente ia muito visitar. A gente fez algumas intervenções maiores lá, ajudava a instituição, eu fui como voluntária também na instituição. 

 

P/1 – Qual era a instituição em Acari?

 

R – Esqueci o nome.

 

P/1 – Mas o projeto era...?

 

R – O projeto era de capacitação para mulheres, para mães das meninas. Era um projeto que trabalhava com complementação escolar para meninos adolescentes e meninas, crianças e adolescentes. Estavam trabalhando com as mães, fazendo um trabalho de culinária como se fosse capacitação profissional ainda bem embrionário, mas era uma instituição que precisava de apoio. O tráfico na época estava muito atuante na região e nessa instituição a gente pôde, então, participar. A gente fez alguns trabalhos paralelos também apoiando essa instituição a captar recursos. Eu fui como voluntária dar uma aula de culinária. 

A gente ia muito a Acari, acabei conhecendo muito a região. É como se tivesse sido meu primeiro diagnóstico de comunidade. A gente ia, conhecia, andava pela comunidade, conversava com os moradores; tinha acabado de chegar [o Programa] Favela-bairro, também estava modificando a comunidade. 

Entender a vida ali dentro da comunidade para mim também foi muito importante. Apesar de eu já ter vivenciado, já ter tido outras experiências dentro de comunidade, essa foi algo que realmente me marcou, lá em Acari. 

Outra também que a gente criou uma relação muito próxima é a Casa de Santana, na Cidade de Deus. Nós também tivemos essa oportunidade de circular bem pela Cidade de Deus, entender aquele contexto e qual a importância daquele trabalho naquele contexto no trabalho para as idosas, os idosos da Cidade de Deus e do entorno. Entender o contexto era algo fundamental, quer dizer, é algo fundamental e essa experiência prática foi me trazendo esses conhecimentos, que eu trago para a vida inteira. Não dá para a gente falar de avaliar um projeto se a gente [não] conhecer o seu entorno onde está inserido e como ele se relaciona com esse contexto, com as pessoas em seu entorno. 

São peças de um quebra-cabeça que foram me formando. Depois eu acabei saindo daqui, mais do dia a dia. Apesar de sempre ter tido muito contato, eu acabei indo trabalhar em outras frentes; trabalhei muito com empresas, trabalhando nessa área de responsabilidade social.

 

P/1 – Você pode citar alguma?

 

R – Trabalhei… Uma das empresas nessa época que eu saí foi a Merck, uma empresa farmacêutica. A gente estava fazendo uma articulação com projeto social, era um investimento social privado e um marketing relacionado à causa de pessoas com deficiência. Depois eu fui trabalhar no Afroreggae, que era aqui perto, então eu vinha muito à BrazilFoundation; ficava muito em contato com todo mundo, participava, sempre ajudava em seleção e também depois, na organização do eventos da premiação, na hora de chamar as pessoas. Fui para São Paulo quando teve em São Paulo, aqui sempre tentava organizar. 

Depois do Afroreggae fui morar um tempo fora, morei em Portugal.

 

P/1 – Conte-me um pouco do Afroreggae. O que você fazia lá?

 

R – No Afroreggae eu fui contratada para a área de articulação de parcerias. Na verdade, era uma área de capacitação de recursos, mas quem me convidou para fundar essa área sabia que eu detestava capacitação de recurso, eu não tenho o menor jeito de captar recurso. Ele me enganou, ele falou: “Raquel, não é bem... É articulação de parceria.” Na hora que eu vi, eu falei: “Bom, eu já estou aqui, agora não tem jeito.” 

A gente deu uma outra roupagem, de fato, até porque o Afroreggae na época já tinha onze anos de estrada, mas nunca tinha feito um planejamento estratégico, nunca tinha feito avaliação dos seus projetos. A gente criou um departamento de articulação de parcerias institucionais, porque não dava para a gente captar se a gente não conseguisse articular essas parcerias, sem arrumar a casa internamente; a gente organizou esse departamento, mas que primeiro ele tivesse um embasamento de planejamento estratégico, planejamento financeiro, avaliação de como estavam os centros de trabalho, os centros de intervenção dentro de comunidade do Afroreggae - Parada de Lucas, Vigário Geral, aqui no Cantagalo. Eu trabalhava diretamente a minha base, era aqui no Centro, mas eu ia muito para dentro das comunidades. 

Para mim, foi uma excelente experiência estar dentro de uma instituição como o Afroreggae, que tem uma ampla divulgação, uma ampla inserção em mídia, enfim, na sociedade como um todo.

 

P/1 – Arrumar essa casa também é quase um trabalho de capacitação?

 

R – Exatamente. Capacitação e apoio àquela prática que na ponta, sem essa organização, estava fadada a não ser efetiva, acabar nem entendendo quais são os resultados de fato. Para mim, projeto social que não passa por uma avaliação… Não vou dizer que eu tenho descrença num projeto desse, talvez seja uma palavra muito forte, mas é fundamental que a gente possa parar para refletir sobre essa prática. Estava-se fazendo há anos, estavam [se] preparando para os doze anos do Afroreggae, fazendo, fazendo, fazendo, sem saber para onde estava indo e nem sabendo para onde se queria ir. 

Foi um momento muito bacana de poder ter vivenciado isso, tendo contato também com a prática, vivenciado, realmente. Eu vivi [a] experiência do que é viver dentro de uma comunidade no Rio, principalmente, como Vigário Geral e Parada de Lucas, que tinha um tráfico superatuante - Vigário Geral era como se fosse a faculdade dos traficantes, então eu vivi intensamente essa história.  

 

P/1 – Você tinha algum problema para circular?

 

R – Nenhum. Como eu era do Afroreggae, geralmente no início as pessoas vinham me buscar. Depois, no final, já entrava e saía do jeito, mas passei por momentos bastante complicados, vivenciei coisas que hoje, estando de fora… Porque ali você tem até vergonha de dizer que você tem medo ou que você está insegura. As pessoas vivem aquilo cotidianamente, é vergonhoso você dizer. Eu tenho medo de quê? Se essas pessoas vivem isso todos os dias, então aquilo passa a ser o seu dia a dia - ver meninos carregando AR-15 e fuzil, entrando e saindo, troca de tiros. Quando tinha esses confrontos, eu geralmente era salva; os traficantes geralmente me davam cobertura para eu chegar em lugar seguro. 

Vivenciar aquilo na prática muda, você não pode ser a mesma pessoa depois disso. Poder entender o outro lado, entender porque os meninos entram para o tráfico, entender quais seriam as suas chances de abordagem, como as coisas acontecem e como é a segurança pública no Rio de Janeiro - como era, graças a Deus, já avançamos bastante depois disso, mas para mim foi uma vivência muito importante. E todos os conhecimentos que tive aqui na BrazilFoundation de avaliação de projetos, como eu tinha colocado, essa construção de uma visão crítica sobre os projetos foi fundamental nesse processo todo, para poder apoiar, para mostrar: “Olha, vocês estão indo, estão caminhando. Legal, vocês já fazem um trabalho muito bom, mas o que mais? O que de fato modifica? O que é que fica para esses meninos? O que é que transforma a vida desses meninos?” Não adianta falar que menino está gerando renda no final do mês se a renda não está sendo revertida para algo que possa melhorar a vida deles; pode melhorar a autoestima, lógico, já é uma coisa boa, mas como ele faz a mudança para outro patamar? Pegar o salário e gastar todo em tênis Nike, que é um símbolo de identificação - naquela época mais, hoje já temos outros elementos de identificação, mas naquela época era algo que era muito relevante. O tênis Nike ou o iogurte, porque o menino que entra para o tráfico quer ter iogurte dentro de casa; eles veem na novela que tem iogurte, “porque eu não posso ter iogurte?” Então [é] entender esse outro lado, como a gente pode otimizar e melhorar a nossa atuação na prática. Eu tive um apoio muito grande desse embasamento da BrazilFoundation.

 

P/1 – Desses primeiros anos, como foi acertada essa parte de prestação de contas dos projetos selecionados? Como estava organizado? Tinha um monitoramento? O que ficou estabelecido?

 

R – Na verdade, não tinha um monitoramento como é hoje, sistematizado; está no início de sistematização desse monitoramento. Era algo que, enfim, era desejado, era buscado, e como ainda eram poucos projetos havia uma interação muito próxima, muito pessoal. Na Casa de Santana, a gente falava com a Lourdes o tempo inteiro, tinha uma relação muito próxima. Em Acari, enfim, [tinha] o Prece, e quando chegavam os projetos era muito engraçado: as cartas que chegavam, o jeito que chegava, as cidades que a gente nunca tinha ouvido falar - Catas Altas da Noruega, eu falava: “Meu Deus, onde fica esse lugar?” A gente morria de rir e os telefones tocavam para pedir informações de como preenchiam uma coisa ou outra, não sabiam falar BrazilFoundation… Eram coisas pitorescas, que a gente ia junto e isso ia formar um mosaico de coisas muito bonitas para a BrazilFoundation. 

Quando a gente mudou para cá, para essa sala, e que os projetos começaram a chegar, tem fotos nossas com projetos caindo nas nossas cabeças. Eu e a Carlinha - a Carlinha, que sistematiza tudo hoje - a gente mergulhada nas propostas que chegavam.

 

P/1 – Tem foto disso?

 

R – Tem. Tem fotos da gente mergulhada nos projetos que chegavam. 

Quando a gente veio para essa sala, eu não me lembro qual foi essa data, se foi 2003, 2004 - acho que foi 2003, se não me engano - o volume de projetos ficou maior. Foi também, se não me engano, o primeiro ano que a gente fez o processo de receber as pessoas aqui antes para fazer aquela conversa, para trabalhar um pouco, explicar o que é a BrazilFoundation, quais seriam os processos dali para frente. Foi a partir desses encontros que foram surgindo as aprendizagens e reflexões acerca das grandes dificuldades, [dos] grandes desafios das organizações não governamentais no Brasil; as grandes fraquezas, como comunicação, gestão, avaliação, que acabaram depois derivando em capacitações da BrazilFoundation para formação desses gestores, acabaram nascendo desses primeiros encontros, que a princípio eram só encontros para… Eles vinham para receber o prêmio, mas “vamos aproveitar. Já que eles vêm para receber, vamos fazer uma troca” e as trocas começaram a surgir.

 

P/1 – Você participou desses encontros?

 

R – Participei. 

 

P/1 – Conte-me um pouquinho mais, como foi? Vocês planejaram alguma coisa para falar?

 

R – A gente planejou, planejava as falas.

 

P/1 – Mas já com o tema? Gestão? Comunicação?

 

R – Eu acho que o primeiro já tinha gestão, se não me engano. Já tinha gestão e comunicação, tinha um pouco de cada, mas eu acho que foi aprimorando, à medida que a gente foi tendo contato com os problemas. Acho muito bacana porque a BrazilFoundation foi aprendendo, foi criando conhecimento em cima da sua prática, a partir de uma reflexão. E a gente vê que há poucas instituições que conseguem fazer isso de fato, de maneira sistematizada, apesar de [que] o início não estava tão organizado como está hoje. Mas eu acho que já era uma sementinha, era um processo, digamos assim, natural de crescimento, de entendimento: qual terreno que a gente está pisando? Do que as instituições mais precisam? 

Esses primeiros encontros era muito de ouvir o que as pessoas tinham a dizer, quais eram as dúvidas delas. Foi nascendo assim, mais organicamente do que planejado - planejados eram [os] momentos de escuta, momentos de entender quais eram esses pontos, mas a coisa foi tomando um rumo muito mais profundo, eu acredito, do que a gente esperava.

 

P/1 – O que é que desses encontros… Até vocês receberem as cartas, os telefonemas, como é que vocês foram vendo o perfil desses gestores dos projetos selecionados? Como fez para se montar esse perfil?

 

R – Acho que uma coisa é essa relação mais próxima, com esse perfil de gestores que faziam, que eram pessoas de fazer acontecer, ficavam lá [na] ponta, com milhões de questões sociais. Eles davam um jeito. Um recurso que a gente achava [que] aqui não fazia tanta diferença, lá em Catas Altas da Noruega tinha uma grande diferença; um real aqui é completamente diferente de um real de lá. Como que essas lideranças renovavam e reutilizavam, tentavam utilizar da melhor maneira possível os recursos e a oportunidade que a BrazilFoundation dava... A gente foi vendo também que a BrazilFoundation era oportunidade para essas pessoas começarem a se entender enquanto… Ganhar um pouco mais de identidade talvez e confiança no seu próprio trabalho, poxa! “Uma instituição chamada BrazilFoundation, todo pomposo, veio aqui me visitar”, e isso era uma coisa muito importante nas visitas, várias instituições que a gente visitava já eram apoiadas por outras instituições e falava: “Poxa! É a primeira vez que vêm visitar.” Eles ficavam numa felicidade! Era o momento da realização daquela instituição, de receber as pessoas dessa tal BrazilFoundation. Várias instituições que a gente ia visitar falavam: “Eu já sou financiada por tal e tal”, que eram grandes instituições de financiamentos de apoio a projetos famosos e que nunca tinham ido lá, então acho que esse era um diferencial da Brazil Foundation desde o início, ver na prática o que estava acontecendo. 

Essas visitas na prática são fundamentais para um processo de seleção, e graças a Deus a gente conseguiu esse apoio da TAM, que faz esse apoio financeiro, logístico, para viabilizar essa ida ao projeto antes da seleção, o que eu acho fundamental, e que acho um grande diferencial em relação às outras instituições, porque dali a gente já cria outro vínculo com os gestores. Esse vínculo mais próximo dos gestores fez com que a gente criasse um maior entendimento da prática dele, uma maior escuta, um maior compartilhamento de questões de problemas. De fato, a BrazilFoundation não era algo que eu só vou dar o dinheiro; muitos deles estavam acostumados a dar dinheiro e “se virem aí”. [A gente] estava preocupado desde o início [em] como otimizar a utilização desses recursos para que de fato houvesse uma transformação no local. 

 

P/1 – Você estava falando o quão é delicada essa abordagem na visita. Conte um pouco como se desenvolve essa relação. Qual a postura que vocês têm que ter para não intimidar? 

 

R – Essa é uma coisa que eu acho que foi um grande aprendizado aqui na BrazilFoundation: como a gente chega nas instituições, como a gente faz essa visita, como a gente começa a se relacionar com o parceiro. E todas as pessoas daqui que faziam essas visitas eram pessoas muito respeitosas, que tinham um carinho e uma paixão muito grande pelo que estavam fazendo e além de tudo técnica, então juntava a paixão, emoção com uma técnica para se fazer as visitas. A gente não vai fazer uma visita sem ter um roteiro, um instrumento o qual a gente deve seguir, então a gente já saia daqui planejando o que a gente tem [que] olhar, quais são as questões que a gente deve perguntar, o que observar. A visita, logicamente, tem toda a parte da entrevista que a gente fala com os gestores da organização, eventualmente com alguns beneficiados pelo projeto, mas é um trabalho muito de observação, [de] ver como a liderança lida, digamos, [com os] liderados, como é a gestão da organização, se ela é participativa, se a pessoa é uma liderança que quer aparecer sozinha, que não traz a sua equipe para junto, não faz que a sua equipe se desenvolva; o olhar dos próprios beneficiados, como eles se portam, como eles circulam, se aquele espaço é deles. Tem várias questões importantes quando a gente está indo fazer uma visita e dali sai a relação, como é que a relação ao longo do processo, ao longo do projeto vai se dar. Quão mais próxima essa relação - mais próxima não está só sentimental, lógico que não; está-se falando de troca mesmo, de compartilhar, de saber que pode contar com a BrazilFoundation como uma entidade que quer que o projeto possa melhorar aquele ambiente. Acho que eles se sentem muito à vontade - pelo menos a maioria que eu vi, que eu pude experimentar é que eles se sentiam muito a vontade para compartilhar com a BrazilFoundation. “Eu estou com um problema aqui e aqui não tem nota fiscal, vou te dar num papel de pão”, e a Brazil Foundation entender esse contexto, não tem como exigir uma nota fiscal lá não sei onde. 

Como as próprias práticas vão se modificando a partir do entendimento desse contexto, acho também que esse é um outro diferencial da Brazil Foundation: compreender os diferentes universos em que ela circula no Brasil inteiro, que é gigantesco.

 

P/1 – São tempos diferentes, muito acostumado com essa vida de cidade papelaria aqui, coisa urbana de cidade grande.

 

R – Exatamente. São tempos completamente diferentes. As pessoas ligavam para cá [e diziam]: “Eu vou mandar por correio hoje o formulário de inscrição, mas os documentos não vou poder mandar amanhã, porque para eu poder tirar xerox eu tenho que andar não sei quantos quilômetros para tirar cópias, para poder mandar, e  o correio só passa aqui também de dois em dois dias”, sei lá. Então, cada lugar… “Tem que pegar barco”, “Eu tenho que andar quilômetros de motocicleta.” Compreender esse contexto, acho que cria um repertório muito significativo de ação social no Brasil para a BrazilFoundation, e a gente estava falando até do perfil das lideranças. As lideranças são aquelas que fazem, mas que muitas vezes exatamente por estarem ali na ponta, por fazerem, não enxergam, quer dizer, não têm nem oportunidade de se formar; era uma pessoa [com] um pouco mais de experiência, uma líder comunitária mesmo, mas que não tem experiência ou bagagem eficiente em gestão, em avaliação de projetos, de comunicação. A BrazilFoundation foi enxergando também quais eram as potencialidades dessas pessoas e como a gente poderia criar ferramentas para apoiar essas pessoas a fazerem melhor, continuarem fazendo o que fazem, mas de uma maneira muito mais efetiva.

 

P/1 – Você lembra de alguma coisa que tenha mudado a partir dessas visitas? Alguma coisa que vocês tenham feito modificação?

 

R – Nessa época era tudo muito modificado, porque a gente estava muito no início das visitas e o retorno. Os instrumentos foram modificados, os instrumentos da própria visita, o que a gente ia levar.

 

P/1 – O que são esses instrumentos?

 

R – Um tipo de roteiro de entrevistas e roteiro de observação - o que observar quando estou na instituição. Um roteiro mesmo de visita técnica, digamos assim: eu vou lá, faço o quê? Converso com quem? O que é importante eu saber? Qual o ponto principal do projeto? Quais são as grandes questões da área social - um projeto que se diz [de] geração de renda, mas será que de fato ele está gerando renda? Ele consegue gerar renda de maneira frequente para as pessoas? E como esta renda está sendo revertida? 

Tudo foi sendo modificado em função do aprofundamento da experiência. Eu lembro muito dos instrumentos sendo mudados, da forma de sistematizar a chegada dos projetos aqui na BrazilFoundation, como a gente catalogava os projetos. A Carlinha participou muito desse processo, sempre foi uma pessoa fundamental nisso de organizar, então os projetos chegavam a numeral tal. 

Outra coisa que a gente também foi mudando [foram] os critérios de avaliação e a própria ficha que a gente avaliava. A gente dava uma nota [para] os conceitos e os que ficavam, se não me engano, eram A, B, C, D e E. O A, o B e o C eram vistos por duas pessoas, e depois a gente ia para os finalistas. [Para] o A e o B a gente tinha uma grande reunião. 

A gente foi aprimorando [a] cada reunião que a gente fazia para decidir. “Por que é que a gente vai apoiar esse e não vai apoiar aquele?” Também era uma reunião que os conhecimentos brotavam. Assim, a gente acabava sistematizando ali talvez não formalmente, mas a gente trazia à tona questões que iam acompanhar a BrazilFoundation durante muito tempo, acho que até hoje. São sementes do que hoje são os critérios de seleção e monitoramento dentro da BrazilFoundation.

 

P/1 – Então tinha muita discussão na seleção?

 

R – Tinha. Tinha muita discussão, muita conversa. Geralmente, a gente convidava pessoas de fora que nos apoiava também. A Mônica de Roure era uma pessoa que vinha muito.

 

P/1 – Mônica de Roure é da Ashoka?

 

R – Acho que é da Ashoka, e ela é muito amiga da Suzane. Uma pessoa com muita experiência nessa área. Ela vinha muito para ajudar a gente nessas reuniões finais, sabe? De seleção, a gente discutia muito. “Por que esse? Por que não aquele?” A gente ficava apaixonada pelos projetos. Cada um fazia apresentação do seu projeto e contava como foi a visita, quais eram as grandes questões, os riscos do projeto. A gente fazia esse balanço entre risco, será que o risco do projeto é tão grande que possa influenciar, criar obstáculos para que o objetivo seja alcançado? 

Era uma coisa muito compartilhada, muito ouvida e colocada por várias pessoas, então acho que isso é uma coisa que agrega muito. Não era decidido por uma ou duas pessoas, a Suzane se trancava aqui e ela e a Leona decidia. Não, a equipe sempre foi muito ouvida, as pessoas que iam a campo, a opinião de cada sempre era muito levada em consideração para a gente chegar àquele veredito final. E era sempre um sofrimento, porque era um monte de projetos muito bons.

 

P/1 – Você ia até contar da sua ida para Portugal. Você foi fazer o que em Portugal?

 

R – Eu, na verdade, fui casar. (risos)

 

P/1 – Ele era português?

 

R – Não, ele é brasileiro mesmo. Meu marido, hoje… A gente namorou muitos anos, a BrazilFoundation acompanhou todas essas idas e vindas. Eu fiquei dois anos separada e no final desses dois anos eu resolvi… , Um belo dia, acordei [e pensei]: “Eu quero voltar com o Carlinhos.” Ele estava morando em Portugal; tinha morado em Londres e depois foi para Portugal. Aí eu fui morar em Portugal, larguei... Estava trabalhando no Afroreggae na época, larguei as coisas aqui e fui para lá até o contar de novo da Firjan, que me ajudou a encontrar uma instituição lá que eu pudesse trabalhar.

 

P/1 – Dentro dessa mesma área?

 

R – Dentro da mesma área, de terceiro setor. Era uma instituição chamada Oikos, que trabalha com desenvolvimento local, cooperação internacional e desenvolvimento local. Nessa época, eu estava fazendo a especialização pela OIT em desenvolvimento local. 

 

P/1 – Você já tinha feito a outra?

 

R – Já tinha feito a outra, já tinha terminado.

 

P/1 – Você poderia repetir?

 

R – É MBA em responsabilidade social e terceiro setor, na UFRJ, mas eu já tinha terminado, aí eu fiz a especialização em desenvolvimento local. Eu estava nesse período e falei: “Também vai ser um período bom para poder estudar, me dedicar.”

 

P/1 – Em Portugal?

 

R – Na verdade, era um ensino à distância; era um ano de curso, mas a distância. Fiquei sete meses em Portugal e depois voltei. A gente acabou voltando para o Brasil, porque já era uma coisa que a gente queria, a gente não queria ficar fora muito tempo. E foi ótimo, a minha experiência lá também foi superboa. Trabalhei numa pesquisa específica de responsabilidade social de instrumento, o estado da arte no mundo da responsabilidade social, que tipo de instrumentos.

 

P/1 – Isso que eu queria também aproveitar e te perguntar um pouquinho. Você fez o seu primeiro curso em responsabilidade social em 2001; nessa época, o que se falava de responsabilidade social? 

 

R – Nessa época era um mistério para as pessoas, quem não fosse da área responsabilidade social ninguém entendia o que era. Sustentabilidade, então, era uma palavra que não… Não era o momento ainda da história do Brasil que o terceiro setor estava ganhando um novo enfoque. O Lula tinha acabado de ser eleito, que também foi algo muito marcante para o próprio setor; tanta luta, enfim, chegar e o Lula está no poder e tantas pessoas da luta se sentiram representados. 

Eu pude acompanhar, fazer parte dessa virada histórica que foi muito interessante. Era um momento em que a responsabilidade social das empresas ainda estava sendo muito confundida com assistencialismo, ainda com dar o cheque, assinar o cheque, e eu também pude acompanhar essa modificação na concepção do que é responsabilidade social. Na época, o Ethos estava lançando os seus indicadores,  como trabalhar com indicadores, com metas na área de responsabilidade social.   

   

P/1 – Raquel, voltando, você estava falando desse panorama até do Ethos a formular diretrizes de orientação.

 

R – Nessa época, a gente pôde começar a desenhar mais, e aí a sociedade, o terceiro setor como um todo, [começar] a entender, a desenhar instrumentos que poderiam ajudar numa ação efetiva de responsabilidade social de terceiro setor. Que tipo de instrumento? Balanço social também já existia, mas as empresas começaram a usar mais e [entender] como as empresas de fato poderiam utilizar a responsabilidade social não apenas como marketing, mas como mudança de cultura, como mudança de paradigma dentro da sua própria atuação, dentro da sua própria cadeia de negócios, transformando numa cadeia de valor, agregando valores sociais, ambientais e econômicos a toda cadeia. 

Depois que eu voltei de Portugal eu acabei indo para São Paulo, o que foi muito bom. Logo no início, eu representava a BrazilFoundation lá em São Paulo, fiz algumas ações.

 

P/1 – Em que ano?

 

R – 2006. Fiz algumas ações com alguns voluntários da Brazil Foundation lá em São Paulo. Algumas pessoas tinham voltado de Nova Iorque, estavam morando em São Paulo. Teve até uma feira no Ibirapuera que a gente participou, era uma feira que o Gilberto Gil coordenou; era uma feira de apresentação dos produtos sociais e ajudei a BrazilFoundation a coordenar o estande que a gente ia ficar. A gente mostrou diversos produtos de projetos apoiados pela BrazilFoundation, ficamos lá na feira trocando informações. Também acho que foi interessante para a divulgação dessa oportunidade, dessa seleção anual da BrazilFoundation. Foi bem bacana. E depois, logo nesse ano de 2006, no final do ano, eu entrei no Instituto Akatu, coordenava a área de educação do instituto Akatu. Eu me atolei, foi um período que eu fiquei mais afastada da prática da BrazilFoundation porque eu estava muito atolada, trabalhava muito e isso abriu uma nova janela para mim, que era essa pegada, digamos assim, da sustentabilidade, do consumo consciente. Hoje eu posso dizer que sou especialista em consumo consciente. 

Eu fiquei três anos no Instituto Akatu, que para o Akatu é muito. O Akatu sabe que é uma alta rotatividade, é muito tempo e é muito intenso. Pude realizar muitas coisas, aprendi muito, conheci pessoas que hoje são fundamentais na minha vida, tanto profissional quanto pessoal, e consegui montar uma rede de consultores no Brasil, que tem capilaridade por conta de um projeto que a gente trabalhava um projeto do Walmart, que era o Brasil Interior. A gente capacitava e formava associados que são funcionários do Walmart - eles chamam de associados -, funcionários no Brasil inteiro, para questões de sustentabilidade e consumo consciente. A gente precisava ter braços em diversos estados do Brasil e criou toda uma metodologia de seleção de pessoas capacitadas para serem consultoras do Akatu.

 

P/1 – Já capacitados? 

 

R – É. Na verdade, elas eram selecionadas e depois capacitavam para o Akatu especificamente. Três grandes processos de seleção, não só de entrevistas, análise de currículo e depois passaram por dois dias, um dia e meio, e depois mais três dias e entre uma coisa e outra. Tinha dever de casa, tipo atividades que a gente avaliava, era uma comissão de avaliação desses consultores e a gente criou um grupo. Na verdade, era um grupo que virou uma comunidade de aprendizagem de prática que até hoje... Eu não sou mais interna do Akatu, não sou funcionária; eu sou consultora do Akatu ainda, continuo há cinco anos. Esse é o quinto ano que estou coordenando o projeto do Walmart. O projeto tem outra estrutura, não é mais aquela estrutura; [há] essa comunidade de prática entre os consultores com um grupo um pouco menor do que era, mas ainda continua e isso traz muitas referências para gente, muita troca, realmente um grupo que compartilha muito. Mas sempre a BrazilFoundation foi o meu sonho de consumo, eu falava assim: “Vou pro Rio porque eu quero voltar pra BrazilFoundation”, sempre foi a minha paixão, sei lá. “Eu vou ganhar muito dinheiro e vou voltar, eu vou ganhar na loto e vou doar todo o meu dinheiro pra BrazilFoundation para a gente poder investir, porque ela é uma instituição que eu de fato sempre acreditei muito, por juntar realmente essa paixão, alegria.” 

Vir trabalhar aqui, pra mim, sempre era uma alegria constante, a equipe sempre foi muito integrada, é muito gostoso vir. A gente brincava e ao mesmo tempo tinha técnica, tinha a preocupação em sempre se melhorar, em sempre agregar coisas novas e aprofundar o que a gente estava aprendendo, o nosso olhar, tentar cada vez mais melhorar o olhar para esses projetos e também apoiar esses projetos. Não é uma coisa [de] saber o que está bom e estar isenta dessa responsabilidade de melhorar esses projetos na prática. Isso sempre foi muito bacana de ver, essa preocupação em fazer crescer junto. Não é só a BrazilFoundation que consegue mais recursos, consegue ter outro tipo de articulação, mas trazer os projetos juntos. Essa formação dos gestores, eu acho fundamental.        

 

P/1 – Você voltou a colaborar quando, Raquel, aqui? 

 

R – Ano passado, porque no início do ano passado foi quando eu… [No] ano passado, 2010, eu passei a ser consultora, então eu saí da parte interna da Akatu e fui ser consultora. Eu estava envolvida em alguma coisa, eu e Suzana já estávamos querendo voltar a conversar. Eu estava querendo voltar para o Rio, mas ainda não foi possível voltar de vez para o Rio, e aí, sei lá, em julho eu acho que a gente voltou a conversar para que eu pudesse assumir a área de capacitação, de formação de gestores junto ao Instituto HSBC. Por coincidência, o Instituto HSBC já tinha sido meu parceiro no Akatu, eu já tinha desenvolvido um projeto com eles, e eu sabia que a BrazilFoundation também fazia essa parte dos gestores - eu conhecia até o material, ela sempre usava de referência e eu sempre falava: “Eu sou apaixonada pela BrazilFoundation, tudo que eles fazem eu adoro. É tudo feito com muito cuidado, muita atenção.” Então sempre teve… Eles já sabiam dessa minha parceria com a BrazilFoundation e quando a Suzane me convidou, eu participei de uma capacitação que teve aqui no Rio até, mas era pra gestores da própria BrazilFoundation, gestores apoiados pela BrazilFoundation. 

Depois a gente começou a desenhar, conhecer a equipe que fazia parte. A princípio eu não sabia que a equipe já estava montada, então foi também um processo muito bacana da equipe ter me recebido superbem, afinal de contas eu estava chegando, depois de ter saído Sheila e Gláucia, depois de ter saído a Graciela, num processo que a equipe já estava: “Poxa! De novo, agora vem uma criatura que eu não conheço de fora.” Tudo bem, já tem uma história com a Brazil Foundation, mas eu não conheço e a equipe super me recebeu e foi muito bacana para eu poder ajudar a modificar algumas questões que eram detectadas pela própria equipe, pelo próprio parceiro, pelo Instituto HSBC, que eram oportunidades de melhoria. 

A gente está aos poucos redesenhando o processo de formação dos gestores apoiados pelo Instituto HSBC e é uma delícia, trabalhar com a equipe é muito gostoso.        

 

P/1 – Então me conte um pouco, o que vocês já redesenharam para essas oficinas?

 

R – A primeira coisa: o modelo de trabalho ainda é um modelo. Pensando pedagogicamente, ele é um modelo um pouco ultrapassado em termos de metodologias de ensino. Eu nem gosto de falar de ensino, mas de trabalho, de construção coletiva. Era num formato ainda muito Powerpoint, a gente ia ficar falando, chegava uma pessoa e ficava falando, falando sem parar; tinha uma ou outra atividade. Nesses três anos que eu estive na Akatu, eu me dediquei muito e essa é uma parte que gosto. 

Além da avaliação do projeto, uma parte que eu me dedico muito é essa questão de como trabalhar com o outro para que a gente possa aprender junto, a gente só consegue aprender ou ensinar se a gente tiver uma relação, mas como a gente pode fazer essa relação ficar mais, criar uma relação de confiança entre a pessoa que está trazendo, facilitando que o conhecimento seja construído naquela turma? Eu me dediquei muito a isso e a equipe já estava formada, já tinha uma certa… Já fazia de um jeito e eu achei bacana que se abriu para novas possibilidades. Logicamente, não dá pra mudar tudo de uma hora para outra, até porque nem era necessário mudar tudo, mas a gente não tem feito mudanças radicais, porque quando eu entrei já tinha um mês para gente realizar a próxima e os dias já estavam acertados, então não dava pra fazer grandes modificações. Mas a gente foi dando modificadas, trazendo atividades mais práticas, atividades de reflexão, tentando abandonar um pouco essa questão de Powerpoint que [é] legal, ok, para visual é interessante, mas não é tudo. [Era] trazer mais momentos de reflexão e a coisa mais rica desses encontros é a troca de um gestor com outro. Um fala: “Ah, eu tive essa solução”, “Ah, eu estou com esse problema” e o outro traz uma ideia. A gente tem sido muito feliz nessa abertura de espaço para que as pessoas se coloquem e tragam suas questões. 

A gente tem feito o desenho do conteúdo programático em cima de desafios e oportunidades que surgem na área, seja na parte de sustentabilidade - foi o primeiro curso que a gente fez - seja então… Quando a gente fala de sustentabilidade [é] sustentabilidade não só econômica, mas social, ambiental e como que hoje, no estado que nós estamos em sustentabilidade, que tipo será que a gente vai viver… Só as coisas ruins que isso nos traz ou vamos ver também as oportunidades que surgem na nossa própria área? O que é que isso nos influencia e as instituições hoje estão muito acostumadas a estarem lá na prática fazendo, fazendo e a não pararem para refletir. Essa parada, esse resgate de memória, que é tão fundamental: quem eu sou? De onde eu vim? Por que eu cheguei até aqui? Qual é a minha história? Acaba se perdendo. Então era o momento da gente introduzir questões que pudessem ajudá-los a parar para refletir quem são e com que contexto eles se relacionam. Se esse contexto está mudando, seja porque nós estamos vivendo num mundo abarrotado com sete bilhões de pessoas, seja porque a gente está falando de mudanças climáticas que hoje não são mais uma teoria, mas uma prática, que tipo de modificações isso traz na minha intervenção social? Que tipo de oportunidades eu posso vislumbrar para pensar e melhorar a minha prática, o que é que isso me traz? Por meio desses desafios a gente traz instrumentos e ferramentas para que essas instituições, os próprios gestores possam refletir sobre sua própria prática e possam melhorar, pensar como vislumbrar caminhos para melhorias. 

O que a gente tem feito é isso, é pensar a partir de desafios e oportunidades. E aí, [sobre] sustentabilidade a gente trabalhou gestão e planejamento junto com comunicação, e agora estamos partindo para a avaliação de projeto. Como a parte do teatro sempre traz uma parte mais lúdica, deles se abrirem, estarem ali em outro nível de entrega, a partir do teatro a gente começa a discutir esses desafios: como é que a gente coloca em prática? Que desafios são esses? Sempre partindo da prática deles, das histórias.        

 

P/1 – Esses temas também podem sugerir as necessidades deles? Ou são vocês que sugerem? 

 

R – Eles também podem. O que a gente está fazendo é refletir em cima, então a gente está sistematizando agora as respostas do público, em cima de algumas intervenções que a gente faz. A gente dá algumas, a gente facilita que o grupo chegue a algumas reflexões e tem sistematizado essas reflexões.

Quais são as grandes questões de gestão? Tais, tais, tais. Tem uma atividade que a gente chama de corda bamba; no terceiro setor a gente vive muito na corda bamba, tem hora que a gente não sabe pra que lado pula, a gente atende mais demanda, porque está aqui na minha porta o tempo todo, cada vez as demandas estão mais complexas ou eu não atendo demanda. Eu preciso me focar, o que eu faço? Para onde eu corro? Vou aceitar o financiamento de uma instituição que eu não acredito, que eu não compartilho dos seus valores, mas eu preciso de recursos para poder botar um projeto em ação. Para onde eu vou? Então [é] trazer essas reflexões para saber como a gente soluciona isso e como pode aprofundar mais o trabalho. 

Não dá pra gente negar certas questões. Às vezes, a gente bota de lado, finge que não está acontecendo e quando vê está um caldeirão de problemas, então trazer esses momentos de mais reflexão de troca, essa possibilidade de troca para as instituições tem sido muito bacana. A gente tem aprendido bastante, são momentos de glória. 

Eu no Akatu tive a oportunidade, em São Paulo… Em São Paulo a gente tem uma grande oportunidade de criar articulações, participar de grandes redes e escutar lideranças a falar, tem acesso a mais conhecimentos, mas teve um momento que eu falei: “Não quero, eu não quero isso tudo. Eu não quero ter que ficar dando entrevista todo dia, eu não quero ter lidar só com essas lideranças, eu quero as lideranças que são genuínas.”  Aquelas lideranças que de fato estão mudando esse país de uma maneira silenciosa, muitas vezes que a gente não ouve falar, não estão na mídia, mas elas estão lá, mudando. Quero me dedicar a essas pessoas. 

A oportunidade de estar apoiando essas pessoas a se capacitar, a se desenvolver mais, a desenvolver habilidades e competências em gestão, sustentabilidade, avaliação, tem sido maravilhoso é realmente uma oportunidade ímpar de estar com pessoas de diferentes locais. Tem gente do Norte ao Sul do país, do Oiapoque ao Chuí de instituições um pouco mais estruturadas, de instituições menores e que você vê e pode fazer esse link, essa troca. É muito bacana, muito especial, realmente são momentos especiais. 

 

P/1 – Você chegou a participar lá em Itatiaia do encontro? 

 

R – Não, não participei, acabei não participando porque... 

 

P/1 – De qualquer forma, você está participando desse momento de autoavaliação? 

 

R – É.

 

P/1 – Tem alguma diferença entre a capacitação feita pelo HSBC e essa capacitação dos gestores dos projetos selecionados?

 

R – A daqui eu ainda não estou participando, a da BrazilFoundation, porque esse ano não teve por conta do projeto de dez anos. Para o ano que vem vai ter e a gente ainda não… Quer dizer, a gente falou muito por cima, mas a gente ainda não acertou. Possivelmente, a gente vai dar um ajuste também na capacitação.

 

P/1 – Manter uma sintonia.

 

R – É, manter uma sintonia, até para aproveitar tudo que a gente tem aprendido lá para trazer para cá e fazer um mix de intercâmbio de informações.

 

P/1 – Raquel, olhando para trás e pensando, o que você acha que mudou? O que você acha que foi uma grande mudança? Ou não mudou tanto assim?

 

R – O que eu vejo é a BrazilFoundation… Eu não gosto muito dessa palavra, mas se profissionalizando cada vez mais, trazendo novos instrumentos de gestão pra própria BrazilFoundation, de compreensão dessa realidade e tendo flexibilidade para entender as mudanças do contexto. O que eu vejo é uma vontade grande de se atualizar sempre em termos de contexto, em termos de conteúdo, de ferramentas, de instrumentos para que possa facilitar esse intercâmbio entre as instituições apoiados e a própria BrazilFoundation. 

Eu sempre vejo uma melhora, um crescimento grande e essa questão da profissionalização em pessoas que estão trabalhando aqui mais a longo prazo - no início eram muitos voluntários. Aqui, agora, tem pessoas que estão de fato trabalhando como funcionários; eu acho isso muito bom, acho superbacana das pessoas estarem aqui e poderem contribuir. 

Acho que uma coisa que a BrazilFoundation não perdeu foi esse senso humano mesmo das relações, o cuidado com as relações - não só nos projetos, mas aqui internamente. Você vê que é uma equipe que por mais que tenha passado por períodos no último ano um pouco mais complicados de mudança - eu não estava aqui presente, mas todo mundo se coloca em relação a isso. A Suzane mesmo, a gente já conversou muito sobre a saída da Gláucia e da Sheila e depois a entrada da Graciela, que acabou depois saindo. Logicamente, a equipe ficou meio… Não é perdida a palavra, mas é baqueada. Agora eu sinto isso, eu ouvi até isso no último encontro: a Clarice, a Nádia falando como [a equipe] está gostosa, as pessoas estão voltando a se unir mesmo, a ser uma equipe de fato. E é muito bacana ver a luta da Suzane há tantos anos a frente disso e a paixão que ela tem pelos projetos, pelo trabalho aqui mesmo, por orquestrar isso tudo. É muito bacana. 

Olhando para esse folder, esse banner de 2001, das intuições selecionadas, eu vejo um monte de instituições que foram selecionadas na minha época. Ação Moradia, Casa Santana, Lua Nova, e que bom que pode… Esse projeto de memória eu acho fantástico. Eu sou fã do Museu da Pessoa, sou fã de projeto de resgate de memória, acho que sem isso a gente não vai para lugar nenhum. Achei maravilhoso que teve esse momento mesmo de reflexão sobre sua prática, para onde que nós vamos, de se reconhecer, entender quais são os pontos principais, os diferenciais das instituições. É muito bom poder acompanhar todo esse crescimento.

 

P/1 – Raquel, nós estamos terminando nossa entrevista. Vou perguntar: você está casada?

 

R – Estou casada.

 

P/1 – Está pensando voltar para o Rio?

 

R – Pensar sempre. Estamos pensando sempre, mas a gente ainda não encontrou o meio termo, porque largar São Paulo é impossível. De uma vez não dá, meu marido trabalha no mercado financeiro.

 

P/1 – Fala o nome do seu marido de novo.

 

R – Carlos Augusto. 

A gente estava pensando em mudar porque a família é toda aqui.

 

P/1 – Vocês têm filhos?

 

R – Não estamos planejando em breve. E a minha família mora toda aqui em Petrópolis, os irmãos no Rio; a gente tem um sítio agora em Itaipava, lá no Vale do Cuiabá, então a gente quer ficar muito próximo daqui. Tendo filho em São Paulo sozinha, acho que vai ser complicado. Mas a gente queria mudar a base para aqui [e] ter um apartamento quarto e sala em São Paulo, para ter a base e uma semana sim, uma semana não ficar lá quatro ou três dias, trabalha lá e faz tudo. 

Eu tenho trabalhado como consultora, tenho feito vários trabalhos aqui, não só para a BrazilFoundation, para outras instituições daqui, como Iser; atendo outras empresas aqui também e trabalho a distância é a melhor coisa. Vai, faz as coisas, eu funciono muito bem a distância; faço meu horário, faço conference call, acho maravilhoso, e vou quando tem que estar presencialmente. Vamos ver se a gente consegue fazer essa mudança.

 

P/1 – Eu espero que você se organize da melhor maneira para poder vir. 

Tem alguma coisa que você gostaria de deixar registrado?

 

R – Acho que o grande diferencial das capacitações é o teatro. Eu acho que o teatro... O pessoal sempre falava: o teatro. A Sheila já tinha me falado lá atrás do teatro e eu achava que era um teatrinho, teatro igual a gente vê aí, e eu fiquei muito surpresa a primeira vez que eu vi pela qualidade dos três atores e pela realidade do texto. Pelo fato do texto conversar tanto com a realidade, por eles estarem tão integrados com as realidades das instituições do dia adia, eu acho que é realmente fantástico, [um] grande diferencial no trabalho. Ajuda muito na capacitação, as pessoas entram lá num outro nível de entrega e de relacionamento com o conteúdo, de abertura para se discutir; não ficam com melindres, botam todas as cartas na mesa e dali a gente constrói juntos. Acho que é fundamental a BrazilFoundation investir bastante nisso, dar espaço para que o teatro cresça e que a gente possa pensar em novos textos, novas peças. 

Acho que, logicamente, o trabalho da Suzane é fundamental, maravilhoso. O trabalho da Cátia, eu sempre falava: a Cátia é o meu sonho de consumo. Onde eu ia [eu falava]: “Você não tem ideia da Cátia”, a Cátia de organização. Eu tive uma mini- Cátia no Akatu, uma pessoa que hoje eu falo… A Fabíola. A Nádia é a Fabíola mais velha, e aí vem a Nádia… Eu não conhecia a Nádia na outra época, conheci Nádia agora, que é outro furacão; acho que é o grande balizador aqui do trabalho da BrazilFoundation. Alegria, todo mundo adora, as pessoas vão na capacitação e agradecem para ver a Nádia, para falar com a Nádia, porque a Nádia ligou, encheu o saco, não sei o que, as pessoas querem ir lá: “Nádia, é você!” E é supergostoso, a gente tem uma equipe que vai para essa capacitação, você se sente em casa, todo mundo feliz, todo mundo numa boa, todo mundo adora fazer o que faz. A Lívia também faz um trabalho superbacana na comunicação, agora que está ainda sozinha vivenciando essa nova coisa. Acho que é uma equipe que tem tudo para caminhar, superbem, superunida, trazer muitas coisas boas para a BrazilFoundation e para o Brasil, porque eu acho esse é retrato, do Brasil que dá certo.

 

P/1 – Obrigadíssimo.

 

R – Obrigada, foi uma delícia.

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